Fórum dos leitores

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O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2016 | 05h00

CORRUPÇÃO

Operação Omertà

A ex-presidenta Dilma Rousseff, no afã de continuar na mídia, solta mais uma de suas pérolas. “Caminhamos para o estado de exceção”, disse ela, criticando o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e a Operação Lava Jato. Deveria Dilma preocupar-se com a corrupção instalada em seu partido – de que, segundo ela, nunca teve conhecimento. Ainda sobre a retórica petista, frase atribuída ao deputado Paulo Teixeira (PT-SP): “É insustentável a permanência de Alexandre de Moraes no cargo depois dessa ação política, partidária e eleitoral” (27/9, A4). Triste ver a que ponto chegamos, quando políticos emprestam seus atributos midiáticos para criticar atitudes do próximo e não fazem uma autocrítica, escondendo a poeira, leia-se corrupção, do seu partido debaixo do tapete.

GILBERTO DE LIMA GARÓFALO

gilgarofalo@uol.com.br

São Paulo

A prisão de Palocci

O advogado do ex-ministro Antônio Palocci, José Roberto Batochio, fez declarações à imprensa completamente inadequadas, dizendo estarmos em pleno autoritarismo, uma nova ditadura (falta de argumentação para a prisão do seu cliente). A detenção de Palocci, aliás, foi feita absolutamente dentro da lei, mas, segundo o advogado, não havia nenhuma necessidade dessa prisão. O dr. Batochio que faça uso da lei, por meio de liminar, para conseguir liberar o seu cliente da cadeia, pois ele foi detido por ordem de um juiz federal do Paraná, Sergio Moro, legalmente constituído e absolutamente conforme os preceitos legais. E deixe de chorumelas.

HENRIQUE SCHNAIDER

hschnaider4@gmail.com

São Paulo

Nunca sabem de nada

Estilo da ditadura militar, diz o advogado de Antônio Palocci, referindo-se à operação que prendeu o seu cliente. “Não sabemos de nada do que está sendo investigado”, alega. Quanta hipocrisia! Se o juiz já bloqueou R$ 128 milhões, é porque tem muito mais. E será que o sr. advogado não sabia? É disso que se trata. Dinheiro de propina, que o sr. advogado sabe que existe, talvez só não saiba quanto... E a prisão de surpresa é absolutamente necessária. Ou as provas não são importantes? O capo di tutti capi já não disse que convicção somente não basta? Apenas lamento que, tendo a imprensa de ouvir o outro lado, os advogados de defesa sejam escalados pelos criminosos para falar em seu nome. Fazem papel ridículo, negando tudo o que sabem que é verdade. E nem sequer de cumplicidade ou falso testemunho são acusados. Mais uma reforma necessária à vista, a do Código de Processo Penal. Urgente!

GILBERTO DIB

gilberto@dib.com.br

São Paulo

Mau uso do direito à defesa

Quando advogado de suspeitos de envolvimento na rapina ao erário investigada pela Justiça Federal em Curitiba, a pretexto de exercer o direito constitucional à ampla defesa, vem comparar ordem judicial para a prisão de seus patrocinados, decretada nos estritos ditames legais, com atos praticados nos porões da ditadura militar, não ofende só a dignidade dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Ele falta com o respeito a todos aqueles que lutaram pelo restabelecimento da democracia no País e escarnece dos milhões de brasileiros vítimas da organização criminosa que se instalou no poder público na última década.

SERGIO RIDEL

sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

Bodes expiatórios

Da outra vez que Palocci teve problemas, ele tentou “prejudicar” o jardineiro Francenildo Costa. Agora, em quem será que vai tentar descontar as acusações contra ele na Lava Jato? Coitado do porteiro do prédio, pode ser um forte candidato...

ANTÔNIO CARELLI FILHO

palestrino1949@hotmail.com .

Taubaté

URBANISMO AMBIENTAL

‘Grilagem paulistana’

Impressionante a matéria do Estadão de domingo sobre a Grilagem paulistana (A1, A22 e A23), cujas fotos mostram claramente o crime ambiental que está sendo praticado. E preocupa, principalmente, que o crime está tipificado, são conhecidos alguns de seus autores, tem-se detalhes das operações fraudulentas, fotos e mais fotos comprovando-o e, no entanto, espera-se que “algo” aconteça. Espera-se o quê? Que tudo esteja destruído às margens da Billings e imediações? Que as construções ali feitas venham a impedir ações futuras, alegando-se “direitos adquiridos”? Ora, nosso Legislativo e nosso Judiciário (incluído o de âmbito estadual e municipal) não podem permitir que leis sejam descumpridas a todo momento por quem quer que seja e que processos sejam protelados e obstados sem punição dos responsáveis. A própria Prefeitura de São Paulo faz vista grossa para o problema e de certa forma até o incentiva, com um projeto – Parque dos Búfalos – incompleto e irresponsável. É um verdadeiro absurdo o que se constata. Parabéns ao Estadão pela incisiva reportagem.

JOSÉ AFONSO ZERBINI

jazerbini@yahoo.com

Brasília

Modelo fracassado

Está na hora de reconhecer que o modelo de proteção dos mananciais de São Paulo é um retumbantes fracasso. Todo o entorno das Represas Billings e Guarapiranga são áreas de proteção permanente, não se pode construir nada por lá, e o resultado foi a criação das gigantescas favelas e loteamentos clandestinos que dominaram suas margens. Em qualquer lugar do mundo civilizado as áreas em torno de lagos e represas são as mais valorizadas, recebem os condomínios de mais alto padrão, basta um passeio por qualquer cidade na Europa para constatar essa realidade. Já aqui, no Brasil, quiseram fazer melhor, proibiram as construções, tiraram todo o valor comercial dessas áreas e deu no que deu: virou tudo uma enorme favela. Alguém consegue imaginar que maravilha seriam as represas de São Paulo com os entornos urbanizados, grandes parques públicos e bairros de altíssimo padrão, com tratamento de esgoto? Seriam as melhores e mais valorizadas áreas da cidade, e não esse favelão que são hoje.

MÁRIO BARILÁ FILHO

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

O troco

As invasões de terrenos às margens da Represa Billings, áreas de proteção ambiental, mostram claramente a atitude de um governo municipal que não tem nenhuma preocupação com a cidade, sempre pensou, única e exclusivamente, num projeto de poder para seu partido, aquele mesmo que destruiu a economia do País e prejudicou em muitos aspectos a vida de milhões de paulistanos. No domingo daremos o troco.

JOSÉ RENATO NASCIMENTO

jrnasc@gmail.com

São Paulo

 

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

PRÉVIA DE 2018

O dia 2 de outubro se aproxima e, com ele, a maior crise pela qual o Partido dos Trabalhadores (PT) já passou desde 10 de fevereiro de 1980, data de sua fundação. Das 26 capitais do País – o Distrito Federal não tem prefeitura –, o partido lidera apenas em Rio Branco (Acre). Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad não deve chegar nem sequer ao segundo turno, uma mera confirmação do irrisório índice de aprovação da sua gestão; aqui, em Belo Horizonte, Reginaldo Lopes não chega a dois dígitos nas intenções de voto, algo em torno de 4%; no Rio de Janeiro, o PT preferiu não disputar, mas apoiar a candidata do PCdoB, Jandira Feghali. Nem o sumiço da estrela petista, mais do que nunca apagada, e de Lula e Dilma dos palanques pôde ajudar os candidatos da legenda 13. O PT não é mais a sombra do que foi, ao revés do que esperneia Lula durante suas mal dadas respostas ao Ministério Público e ao juiz federal Sérgio Moro. E que venha 2018! A crise do PT interessa, e muito, ao Brasil. 

Elias Menezes elias.natal@hotmail.com

Belo Horizonte

 

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HISTÓRIA

No futuro, o PT será lembrado como o partido dos trambiqueiros, dos trampolineiros, dos trapaceiros, dos tratantes, dos trapalhões, dos tolos.

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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A APOSTA DE ALCKMIN LIDERA

Quando prevaleceu a indicação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de João Dória, como candidato do PSDB à prefeitura da Capital, uma fissura foi criada entre a cúpula tucana, que queria, na oportunidade, Andrea Matarazzo. Porém, na reta final da campanha eleitoral, as pesquisas de opinião revelam que o governador não errou na sua aposta. Pelo Ibope/Estadão, João Dória, que em agosto tinha apenas 9% da preferência do eleitorado, nesta última pesquisa divulgada já lidera com 28%. Deixa, assim, o ex-líder Celso Russomano, com 24%; a ex-prefeita, ex-petista e hoje senadora pelo PMDB, Marta Suplicy, despencando com 15%; e a cria de Lula, o atual prefeito Fernando Haddad, com míseros 12%. O governador, com a provável vitória de seu candidato, também se fortalece dentro do partido, e poderá postular sua candidatura ao Planalto em 2018. 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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A POLÍTICA DE HADDAD

A revolução de Fernando Haddad para se reeleger parece não estar dando certo. Contra os fatos realmente não há argumentos. Pesquisa sobre mobilidade urbana, por exemplo, mostra que em 2015 e 2016 aumentou em 20 minutos o tempo do trajeto do paulistano. Mas, como gosto de números (Machado de Assis em suas crônicas era um mestre), devo complementar que, se levarmos em consideração que em 2013 esse tempo era de 2h15 e passou para 2h58, a permanência no trajeto passou para 43 minutos em média no trânsito congestionado. Agora, o “conjunto da obra”, muito citado no recente e desgastado processo de impeachment, associado ao fato de não termos mais a fiscalização veicular eletrônica (não entro no mérito) e à quantidade de carros de outros Estados de firmas que prestam serviços em São Paulo, temos mais uma série de números “negativos” para contabilizar na campanha do sr. prefeito. Assim, 40 minutos (parados) a mais, num universo médio de 434 km de congestionamento de trânsito (recorde de 843 km em 2015), contabiliza um recorde de poluição ambiental, que acarretou ao paulistano 5% menos de acidentes com mortes. Mas elevou em 6% o número de acidentes não fatais (motoqueiros, idosos, etc.). Mas pior são a emissão dos gases poluentes e suas consequências: aumento de 10% de doenças alérgicas; de 5% das doenças respiratórias; cerca de 3,5% a 4% de enfisemas pulmonares. Além disso, aumento de 1,5% a 3% de brigas no trânsito; 30% de multas por desrespeito aos corredores de ônibus totalmente livres (de ônibus) nos horários de pico. Vejam que a política de Haddad realmente está dando um tiro no pé. Resta a ele ainda a promessa de implantar faculdades nos CEUs, fora da lei de diretrizes e base. Meu Deus! Será que os marqueteiros dele julgam que somos ainda os 33% de semianalfabetos que, como diria Machado, não sabem nem ler “escrita de mão”? 

Flávio Prada flavioprada39@gmail.com

São Paulo

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ÁREAS VERDES E AUMENTO DO IPTU

Durante a propaganda eleitoral, tive a oportunidade de ouvir nosso atual prefeito, sr. Fernando Haddad, indignado com o fato de o candidato João Dória querer vender Interlagos para a iniciativa privada. Achando isso absurdo, declarou que, se reeleito, transformaria Interlagos em um parque. Grande importância parece ter a questão do verde nas cidades. O parque, que será criado a partir das sementes plantadas por cada atleta olímpico, será um dos principais legados da Olimpíada do Rio de Janeiro. Iniciativas verdes, sustentabilidade, incentivos para futuros projetos com paredes verdes, tudo leva a crer que as autoridades valorizam e incentivam a criação de áreas verdes nas nossas cidades, principalmente numa megalópole de concreto como São Paulo. Mas a realidade não é bem essa. Minha mãe, de 85 anos, mora numa casa, num bairro onde só é permitido construir residências unifamiliares. Quando os meus pais chegaram a São Paulo, essa área era só mato, sem luz nem rede de esgoto. Por isso tiveram condições de comprar um belo terreno, onde construíram sua casa. Não precisavam de uma casa grande, por isso não ocuparam toda a área do terreno que o código de edificações permitia para o bairro. De fato, não é obrigatório chegar ao máximo de coeficiente de ocupação de um lote. A área ocupada pela casa é bem superior ao índice do código de obras que caracteriza subutilização. Durante 50 anos mantiveram, à própria custa, um jardim em volta da casa, onde plantaram árvores cuja copa hoje pode ser vista a quilômetros de distância. Pagaram IPTU sobre a área construída e sobre o jardim. Este ano, fomos surpreendidos com um aumento de 30% no valor do IPTU, três vezes maior do que o aumento de “apenas” 10% tão alardeado pela Prefeitura neste ano eleitoral. O motivo do aumento foi o jardim, que a prefeitura considera da mesma forma que áreas abandonadas e terrenos vazios. Subaproveitados.  Em março, fui várias vezes até o centro de atendimento da Prefeitura, levei fotos e documentos e entrei com um processo para questionar a cobrança adicional do IPTU, sendo que não se trata de área abandonada. A casa apenas não ocupa cada milímetro permitido pelo zoneamento. Até agora, não obtive resposta. Gostaria de receber respostas da Prefeitura: por que são dados incentivos a quem deixa área verde em novos projetos e os cidadãos que há anos mantêm áreas verdes são penalizados? Por que nosso verde de ontem e de hoje não contam? Por que este verde é subutilização, e não boa utilização? Cada semente olímpica, cada árvore eventualmente plantada em Interlagos, se sobreviver, vai levar anos para crescer. Enquanto isso, aquelas que os meus pais plantaram há 50 anos limpam o ar, dão sombra, abrigam pássaros e até macaquinhos. A área verde que gerou o triplo de aumento de IPTU absorve água de chuva, resfria o ar e retém umidade. Devo derrubar as árvores, construir alguma edificação inútil, concretar tudo em volta da casa (menos os 15% de área permeável que a Prefeitura exige onde vou colocar blocos de piso permeável) para não ter o triplo de aumento de IPTU? É isso que acontece quando antigos moradores do bairro vendem suas casas com jardins. Ou a Prefeitura será coerente e vai corrigir o aumento/castigo que nos foi dado?

 

Gabriella Rinaldi gabriela.rinaldi@uol.com.br

São Paulo

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NOSSOS DADOS

Invasão de privacidade é o que a Prefeitura de São Paulo faz disponibilizando online nossos dados (nome, CPF, endereço e dados imobiliários, tudo completo), através do decreto 56.932, de 13 de abril de 2016. Isso no portal de consulta do IPTU. É constitucional?

Jonas Aparecido Taucci jonastaucci@gmail.com

São Paulo

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UMA LEI QUE NÃO PEGOU

O resultado da aplicação da Lei 15.733, que trata das calçadas da cidade de São Paulo, é tão decepcionante que se pode dizer que, na prática, ela corre o risco de se tornar mais uma daquelas que “não pegaram”, porque ela não pode “pegar” por muitos motivos. A cidade de São Paulo está situada num planalto que de plano não tem nada, o seu solo é todo irregular, com altos e baixos, alguns bem profundos. O prefeito pretende acabar com calçadas irregulares. Como? Quase todas as calçadas são obrigadas a ter rampas para dar acesso às casas e as garagens de edifícios, assim como nos inúmeros postos de combustíveis. Nos bairros existem ruas tão estreitas, com o leito carroçável na largura de sete metros, que como seria possível às calçadas terem de cada lado um metro e meio? Se assim fosse, o leito carroçável da rua passaria a ter quatro metros – algumas têm essa largura. Toda São Paulo foi muito mal planejada, e a culpa não é dos munícipes, mas dos prefeitos e dos vereadores ao longo dos anos. Consertar não dá mais. Por exemplo: como aplicar a lei na Rua Constituição, que liga a Rua Florêncio de Abreu e a Rua 25 de Março?

José Carlos de Castro Rios jc.rios@globo.com

São Paulo

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REFORMA, POR FAVOR

Nestas eleições municipais, pela primeira vez, fiquei num verdadeiro impasse para escolher meu candidato ao Legislativo: um deles é de meu bairro e se propõe a representar nossos interesses de moradia, locomoção, urbanização, etc. Outro é da minha carreira, propondo representar nossos interesses profissionais. E o terceiro, de meu conhecimento, é gente de uma competência extraordinária, responsável pela implantação de vários serviços públicos reconhecidos por todos por sua eficiência e organização, tanto em São Paulo como em vários outros municípios e Estados, e é candidato pela primeira vez. Poderá ser, no futuro, um excelente prefeito de São Paulo. Pergunto a todos, portanto, se não seria muito mais lógico votarmos em mais de um candidato para as Câmaras e Assembleias Legislativas. Nossos interesses são múltiplos e um único representante pode não satisfazer a todos ao mesmo tempo.

Luiz Augusto Casseb Nahuz luiz.nahuz@gmail.com

São Paulo

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DO GROTESCO AO RIDÍCULO

Estamos às vésperas de eleição fundamental para o cidadão: a que determinara a escolha de seus representantes para governar seu município. Regras eleitorais engessadas transformam o ato numa manifestação tediosa. Há desde candidatos impossibilitados legalmente de concorrer e que mantêm sua propaganda sob liminares até aqueles de partidos nanicos que nada têm a contribuir, mas que mesmo assim se apresentam para atender ao sistema. O caso é pior para os candidatos à vereança: enxurrada de selfies em que o grotesco, o inusitado e o ridículo chamam a atenção, com baixa probabilidade de serem eleitos, para satisfação daqueles já eleitos e pretendentes à reeleição. Pesquisas pululam como birutas orientadoras com grande protagonismo. Quando mudaremos este cenário antiquado, em que são tão grandes as chances de o cidadão ser mal representado?

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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ESCASSEZ QUALITATIVA

Em boa hora lemos o artigo “São Paulo: as eleições, a política e a cidade”, de Marco Aurélio Nogueira, na página A2 do “Estadão” de sábado, 24/9, já que a mesmice da velha política nos persegue no horário político, nas inserções durante as outras programações e também nos debates. Muitos dos atuais candidatos já são velhas raposas conhecidas, e mesmo os mais recentes não nos motivam, pois, como diz o artigo: “Não se trata somente de ‘programa de governo’ ou de ‘propostas de gestão’”. A cidade de São Paulo, talvez por sua complexidade e gigantismo, parece ter o estigma da “escassez qualitativa”, pois em todas as eleições nos deparamos com candidatos que não estão à altura dos cargos que pleiteiam. Essa realidade nos consterna e nos induz a fazer uma comparação com outro evento recente: é como se estivéssemos prestes a participar de uma “paraeleição”, com candidatos sem mutilações físicas, como os bravos e respeitados atletas da Paralimpíada, mas com várias mutilações morais, cerebrais e de capacitância. Desnecessário apontarmos para a importância do trecho que diz: “Cidades são núcleos populacionais com história e cultura”, se atentarmos para as infinitas necessidades de que a cidade carece e que muitos poucos – ou nenhum – candidatos se propuseram a listar. Uma reforma política urgente se faz necessária em todo o País, introduzindo o moderno processo político observado em outros países ou, pelo menos, eliminando os ranços do velho patriarcalismo e do patrimonialismo nacionais. Precisamos acabar com a obrigatoriedade do voto e praticar a obrigatoriedade de uma ficha limpa realmente limpa. Então, até o dia de votar, faremos o de sempre: nos debateremos em escolher um “menos ruim”  pela exclusão.

Carmela Tassi Chaves tassichaves@yahoo.com.br

São Paulo

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O ‘NÃO’ NAS URNAS

Se não sabes o que fazer, faça o que podes: vote bem. Nós, os idiotas, somos enganados o tempo todo e todo o tempo por esta gentalha malcheirosa, os políticos, que só têm olhos para a roubalheira e a ganância insaciável, pantagruélica. Não escapa um. A Operação Lava Jato, como vem fazendo, busca um por um, e findará por escancarar a verdade verdadeira dessa caterva multa, assaltantes engravatados. Profundai a escavação na vida de cada um deles, e esse garimpo para logo mostrará o sinistro e o perverso dos que se julgam Cristos, mas não passam de Judas traidores do povo, cujo objetivo único é o de prometer, mentir e enganar. De um momento para outro, me veio este pensamento: a maldição do voto-mal-dado. Maldição por ser a autorização lavrada na urna eleitoral, do “me engana que eu gosto”. De idiotice exacerbada escolher o próximo ladrão a desdenhar do povo, e de sua dor como fizeram os “petralhas”. A Lava Jato está fazendo a parte dela. Nós, por nossa vez, devemos fazer a nossa, dizendo pelo voto um “não” soleníssimo, sonoro, aos gatunos da Pátria, posto que essa “Pátria” outra não é que nós mesmos.

Antonio B. Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo

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A BOLSA E A DOAÇÃO

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), beneficiários do programa Bolsa Família doaram R$ 16 milhões a campanhas políticas. Realmente, este programa tem de passar por um pente bem fino. Se é beneficiário do Bolsa Família, logo, não tem renda suficiente, como é que faz doações para campanha política? É óbvio que o Partido dos Trabalhadores (PT) usou este programa, cadastrando a torto e a direito qualquer um, com a exigência de contribuírem para as campanhas eleitorais do partido. Depois reclamam que têm a vida “futucada”, como o ex-presidente Lula. O programa é bom, mas que seja para atender a comprovadamente quem não tem emprego ou renda para seu sustento ou de sua família, e não a pessoas, como já vi em fila de açougue de supermercado, com o cartão do Bolsa Família na mão dizendo que não precisa disso e que ia comprar carne para churrasco. Tem gente que nem toma café, e o PT cadastra quem não precisa. Este programa virou uma fonte de financiamento de campanhas. Está todo descaracterizado. Agora entendo por que o “Fora Temer”. 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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‘PARTIDO TSARISTA’

Arnaldo Jabor (“O exército do ‘Fora Temer’”, 27/9, C8) procura as razões que o PT apresentaria para o atual “Fora Temer”, mas tirando suas próprias conclusões baseadas no seu esquerdismo da juventude, explica toda a trajetória de falcatruas na linguagem petista: dirão que é para o “progresso do País”, que o uso do golpe foi porque Temer queria “arrasar o PT”, e prossegue com explicações como “mentira revolucionária”, “salvação do socialismo”, “vigilantes de sua missão no futuro”, “mostrar o capitalismo assassino”, “mais importante que velhas fronteiras nacionais”... Como sempre, vale a pena ler. Mas o que faltou a Jabor foi entender que os verdadeiros objetivos do PT eram tornar-se o maior partido neocomunista do mundo e colocar Lula I, o Terrível nos antigos palácios dos tsares russos. Por isso a sigla PT escondia o verdadeiro significado: “Partido Tsarista”. Pena que a Lava Jato não deixou...

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo

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TAMBÉM NÃO ENTENDO

O artigo de Arnaldo Jabor, “O exército do ‘Fora, Temer’” (27/9, C8) é leitura imperdível. Com uma fina ironia, própria dos grandes autores, tenta entender a inabalável convicção dos famosos artistas e intelectuais que aderiram à causa do “Fora, Temer”. Assim como Jabor, acho que sou um fascista neoliberal, porque também não entendo por que os esquerdistas, os intelectuais e os petistas em geral não saem gritando “Volta, Dilma”. Afinal, a grande guerrilheira que chegou ao poder pelo voto deveria ser o motivo central dos protestantes.

José Roberto de Jesus zerobertodejesus@gmail.com

Capão Bonito 

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JABOR E O GOVERNO TEMER

Gostaria de ter a certeza do jornalista sobre a pureza do governo Temer. Afinal, creio que o sr. Arnaldo Jabor supõe que Temer e os integrantes de seu governo chegaram, agora, de algum canto remoto do planeta e nenhuma relação têm com os atos praticados no governo Dilma. Mas, infelizmente, essa convicção não tem amparo na realidade. Temer foi vice de Dilma desde 2010. Entre seus ministros e auxiliares diretos, vários integraram os governos Lula/Dilma, como ministros, secretários, diretores de estatais e de órgãos da administração direta. Então supor que este governo não tem nenhuma responsabilidade com o que aconteceu no Brasil nos últimos anos é inocência ou viés ideológico. Por isso o “Fora Temer” tem suas razões.

José Pinheiro anjopisi67@yahoo.com.br

São Paulo

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BATOCHIO ATACA DE NOVO

 

Eu já estava me preparando para redarguir uma a uma as novas –  e infelizes – declarações do criminalista José Roberto Batochio,  feitas a propósito da prisão do ex-ministro Antonio Palocci no âmbito da Operação Omertà – 35.ª fase da Lava Jato –, quando soube que a senadora pelo PT Gleisi Hoffmann e seu marido, Paulo Bernardo, tornaram-se réus no Supremo Tribunal Federal (STF), acusados de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Uma nova infâmia, agora do STF, que se soma a tantas outras vilezas do juiz Sergio Moro! Realmente, meu caro dr. Batochio, assim não dá! Desse jeito onde vamos parar? A cada dia mais e mais trabalho para defender patrícios acusados sem provas! 48 anos após a edição do AI-5 pelo regime militar, este país está, novamente, vivendo um “estado de exceção” tal  que nem mesmo sua Suprema Corte – com oito ministros nomeados no ciclo petista de governo – escapa de ser contaminada pelo arbítrio dessa abjeta ditadura togada que usa a caneta e o Código Penal para oprimir seus clientes petistas, todos virtuosos patriotas, guerreiros do povo brasileiro. 

 

Silvio Natal silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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RÉUS NA LAVA JATO

Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, um casal unido na corrupção, viram réus na Operação Lava Jato. O Supremo Tribunal Federal (STF) finalmente tomou posição. Como disse Joelmir Beting, “o PT começou com presos políticos e vai terminar com políticos presos”. Um sábio.

Elisabeth Migliavacca

São Paulo 

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SENADORA RÉ

Gleisi Hoffmann, senadora pelo PT, virou ré na Lava Jato. Bem feito! Quem mandou ela pintar os cabelos loiros?

Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.com

São Paulo

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COMPARANDO

O advogado de Antonio Palocci tem razão ao comparar a prisão do ex-ministro com as prisões da época do regime militar. Naquele tempo, assim como hoje, dificilmente prendiam alguém que não tivesse envolvido em crimes.

Raquel Amorim quel.amorim7@gmail.com

Belo Horizonte

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DÚVIDA

Para os que acham que vivemos sob a “ditadura” da Lava Jato, será que vivíamos melhor sob a “democracia” da corrupção?

Luíz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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PORTÃO 171

Os militantes petistas, parcos que ainda restam, estão fazendo um carnaval danado e afirmam que houve vazamento de informações sobre a prisão do ex-ministro Antônio Palocci. No entanto, quanto ao episódio de Guido Mantega, ficam calados. Neste caso, sim, houve informações privilegiadas. Gostaria que alguém me explicasse o porquê de o ex-ministro “madrugar” para acompanhar sua mulher num procedimento no hospital. Isso é para os pobres assistidos do INSS, que amargam anos a fio nas filas; agora, para este senhor, com o status social e político que possui, com um excelente plano de saúde, com certeza, não teria essa necessidade, a qualquer momento seria atendido. E, mais a mais, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse o óbvio, pois todos sabemos que, enquanto todos os corruptos, incluído a alma mais honesta do País, não estivem atrás das grades, a Operação Lava Jato não vai dar tréguas, vai caçar, para não dar overbooking, um a um, até o fim. Portanto, é normal, dia sim, dia não, para Curitiba ter um avião. Mãozinha para trás, e boa viagem!   

Sérgio Dafré Sergio_dafre@otmail.com

Jundiaí 

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O MINISTRO E A PRISÃO ‘ANUNCIADA’

Podem tirar o senhor Alexandre de Moraes. Mas a (suspeita de) indiscrição irá permanecer. Mesmo que hipoteticamente possa ser mera coincidência, assemelha-se ao caso da mulher de Cesar. Não adianta ser, tem de parecer. Foi lamentável.

 

Ulysses Fernandes Nunes Jr Ulyssesfn@terra.com.br

São Paulo

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DISCRIÇÃO

O atual ministro da Justiça não entendeu ainda que o seu cargo exige discrição e muitos cuidados no que fala, principalmente em público, com a presença da imprensa. Por sua vez, o agora presidente Temer limita-se a dar-lhe o que se pode considerar como um puxão de orelha. Este é o Brasil em que vivemos,  num momento por demais complexo e, por que não dizer, que nos envergonha. Até quanto?

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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FOGO AMIGO

Michel Temer que se cuide com seu boquirroto ministro da Justiça, homem de confiança de Geraldo Alckmin, cujo partido sonha em voltar a ocupar a Presidência da República.

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

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COMUNICAÇÃO

Após a manifestação do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, na véspera da prisão do ex-ministro Antônio Palocci pela Polícia Federal, ficou claro que está ocorrendo um verdadeiro desencontro nas manifestações dos diversos segmentos do governo, o que o torna suscetível de ataques e de ponderações não elogiosas. Michel Temer precisa aglutinar informações e impedir manifestações de seus adjuntos independentemente, quando se tratar de tema controverso. 

José C. de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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A LAVA JATO EM 2016

Relativamente às declarações do ministro da Justiça, esperamos, de fato, que nas próximas 13 (número cabalístico) semanas, até o fim do ano, ocorram as prisões daqueles que devem e continuam colocando-se acima das leis, a saber: LILS, DR, PO, GC, GM, LC, JHG, IS, EG, GH, PB, RC, EC... ou precisamos desenhar?

Célia Canhedo cecanhedo@gmail.com

São Paulo

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A PRISÃO DE PALOCCI

Presunção de inocência à parte, pareceu correta a decretação da prisão preventiva do ex-ministro Antônio Palocci (PT) na Operação Lava Jato, acusado de corrupção e de ter recebido milhões de reais em propinas de empresas, sobretudo da Odebrecht. A pergunta que fica é: e os corruptos do PSDB, nada? Só os do PT serão punidos? Corrupção não tem partido nem ideologia. Todos os corruptos, de todos os partidos e vertentes, sem exceção, devem responder perante a lei e ser punidos pelos crimes cometidos contra o País e o povo brasileiro.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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QUALIDADES

Na coluna “Análise”, do professor Carlos Melo, à página A6 deste jornal em 27/9, sob o título “As ‘três mortes’ de Antonio Palocci”, o professor menciona as qualidades do ex-ministro. Qualidades com as quais todos concordamos. Aliás, tanto Adolf Hitler quanto Benito Mussolini tiveram as mesmas qualidades, mas, diferentemente do sr. Palocci, só tiveram uma morte. Na História, continuam muito vivos. Nosso ex-ministro poderá esperar por sua quarta e definitiva morte, tanto livre e solto como recolhido em local mais adequado a quem usa suas habilidades para propósitos menos nobres que ao bem da Nação.

Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br

Campinas

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COMO EXPLICAR?

São estarrecedoras as quantias que os indivíduos pegos pela Lava Jato roubam ou citam com facilidade estrondosa. De onde poderiam sair tantos milhões, até bilhões? O último preso ilustre, Antonio Palocci, tinha uma fortuna de mais de R$ 100 milhões. Neste caso, os investigadores querem saber mais. Eles querem saber, por exemplo, por que a Projeto, consultoria de Palocci, funcionou por quase dois anos no famoso número 450 da Rua Padre João Manuel, endereço que abriga ou já abrigou as sedes das seguintes empresas: LFT e Touchdown, de Luleco; G4, de Lulinha e Fernando Bittar; Editora Gol, de Jonas Suassuna, proprietária da BR4, em sociedade com Lulinha; Newlink, ligada à PlayTV e Gamecorp, de Lulinha, Fernando Bittar e Jonas Suassuna; FlexBR, de Marcos Claudio Lula da Silva e Sandro Luis Lula da Silva; Adhemar Gianini, advogado de Roberto Teixeira, compadre de Lula e padrinho de Luleco. Ganha um doce quem conseguir explicar essa coincidência. Nunca se viu neste país tanta facilidade para roubar a cara dura, e nunca se viu tanta gente tentando explicar o inexplicável. Continuam achando que o brasileiro é tolo.

Leila E. Leitão

São Paulo 

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RELAÇÃO ESPÚRIA

Depois de tudo o que ouvi no Jornal Nacional sobre o ex-ministro Antonio Palocci e a empreiteira Odebrecht, prisão perpétua para o ministro e confisco de tudo, mas de tudo mesmo, da empreiteira Odebrecht seria pouco. Tanto um quanto outro deveriam ser banidos do cenário político e empresarial do Brasil.

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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RESPONSABILIZAR É PRECISO

Nada mais justo do que responsabilizar os então integrantes do Conselho de Administração da Petrobrás pelos prejuízos na compra da Refinaria de Pasadena, em 2006. Especialmente sua presidente na época, sra. Dilma Rousseff. Quando assumiram seus muito bem remunerados cargos, deviam saber da responsabilidade que esses impunham aos seus detentores. É muito fácil gozar de todas as mordomias, o polpudo valor de remuneração mensal, ocupar belos gabinetes com todo conforto e não ter mais do que assinar papéis encaminhados por assessores, sem assumir a responsabilidade correspondente. Que sejam bloqueados, sim, seus bens para que seja ressarcido, nem que seja em parte, o enorme prejuízo que teve a Petrobrás por aquela compra altamente suspeita. Um exemplo firme deve ser dado para que outros saibam que com as benesses do cargo vem a necessária prestação de contas. Chega de pagarmos por tanta irresponsabilidade!

 

Silvano Corrêa scorrea@uol.com.br

São Paulo

  

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REFORMA DO ENSINO MÉDIO

A propósito das “manifestações contra mudanças no ensino médio”, vale ressaltar que a duração do ensino médio, de apenas três anos, não justifica o barulho contra uma proposta que nem sequer foi finalizada; ou embaraços, como ocupações, por exemplo, que dificultem a finalização dessa etapa da escolarização, cujo objetivo que deveria ser precípuo no atual modelo é o aprofundamento dos conteúdos do ensino fundamental para quem deseja prosseguir os estudos em nível acadêmico. O fato é que mudanças precisam ocorrer, pois os resultados mensurados de evasão e desempenho escolar são deploráveis. O desafio que parece ter sido intuído pelo governo é que nem todo jovem postula uma vida acadêmica e mesmo quem postula não precisa percorrer o mesmo caminho se o seu objetivo são as ditas ciências aplicadas, e não as humanidades. Com base na minha experiência pessoal, os textos que orientam as ciências humanas só farão sentido com a maturidade – até então, podem colocar o jovem numa perigosa rota de manipulação. Outros precisam dar mais ênfase ao seu ingresso no mercado de trabalho, necessitando de uma formação profissional, e isso nada tem que ver com “injustiça” social, mas faz parte natural da vida, na qual cada um opta por um caminho. O caminho adotado pelo governo parece mais justo, pois pretende assegurar oportunidades de forma mais abrangente, diferentemente da ideia de cotas. Ora, se são admitidas cotas, essa é uma afirmação da insuficiência de recursos para garantir igualdade de oportunidades para todos, mas as pessoas que estão nas ruas não se preocupam com isso e acham aceitável a existência dessa regra que desequilibra o jogo, sem olhar para o desempenho escolar e a vocação do aluno para a escolarização mais adequada. Os jovens que estão na idade certa para frequentar o ensino médio precisam ficar atentos aos oportunistas infiltrados que farão de tudo para perturbar o foco de sua trajetória vital. Lembro-me de que, quando tive a oportunidade de estudar na USP há muitos anos, depois de tentar muitas vezes, sem desistir, apesar das dificuldades, estranhava a presença de homens e mulheres com mais de 40 anos, autointitulados militantes do PCO e do PSTU, alguns deles com filhos, morando no Crusp, fazendo manifestações e orquestrando tentativas de paralisação das atividades acadêmicas. Ficava pensando: quando essas pessoas vão se formar? Será que isso vai acontecer comigo? Parece que hoje o discurso deles ficou mais palatável e a velha academia não tem recursos suficientes nem para pagar professores e servidores, com a bênção das reitorias incautas que tiveram total autonomia administrativa e financeira para permitir esse descalabro.

Airton Reis Júnior areisjr@uol.com.br

São Paulo

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REFORMA TOTAL

Com relação à medida provisória que mudará o ensino médio no Brasil, que priorizará o ensino do Português e da Matemática, ela vem com certeza enriquecer o ensino público, com uma ressalva. Se o aluno no ensino médio não está correspondendo às necessidades básicas para que o brasileiro saia dos subempregos, alcançando postos melhores, uma reclamação constante do empresariado brasileiro será que não ouve falha no “ensino básico” também? Priorizar apenas uma camada do ensino não terá êxito se o jovem chega semianalfabeto ao curso médio. A reforma seria bem-vinda se fosse total e irrestrita. Conheço pessoas que cursaram o ensino médio no Norte/Nordeste que não conseguem copiar nomes, textos e o que escreve não se entende, dando para imaginar onde o erro do ensino público teve início. Reforma total já!

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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COMO DEVERIA SER

Como é: “Vamos diminuir algumas matérias e aumentar as aulas de Português e Matemática”. Como deveria ser: “Vamos diminuir o número de alunos por sala de aula e aumentar significativamente o salário dos professores”.

Wellington Anselmo Martins am.wellington@hotmail.com

Bauru

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OBRIGATORIEDADE

Em vez da obrigatoriedade do ensino de Matemática, Inglês e Português, sugiro a obrigatoriedade do ensino de Português, Inglês e Matemática.

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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DISCIPLINAS

Disciplinas como Português, Matemática e Inglês (Francês optativo) são indispensáveis, mas também interessante é a Filosofia, pois foi dela que surgiu a Ciência. Pelo menos a Filosofia das Ciências, que é um capítulo do Filosofia  pura, deveria constar da grade, a partir da quinta-série. Ela mostra os caminhos que um cientista deve seguir para corroborar ou refutar uma hipótese. Assim, uma iniciação à pesquisa seria bem-vinda. Devido à falta de espaço em algumas unidades ou verba para quadras poliesportivas, a Educação Física poderia ser apenas ginástica de solo, que também educa o corpo e a mente. As aulas de Artes, na sua grande maioria, servem apenas para pseudoeducadores falarem de suas ideologias populistas bolivarianas. Então, substituí-las por Música ou, pelo menos, Canto Orfeônico. 

Antonio Roberto de M. S. Drago dragoroberto34@gmail.com

São Paulo   

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‘DIVERSIDADE E DESUNIÃO’

No editorial do “Estadão” de segunda-feira (26/9) há uma análise lúcida e real do que tem sido este governo Temer (“Diversidade e desunião”). Um desastre. Ministros manifestando opiniões colidentes com as do presidente, volta atrás num sem número de decisões (nomeia e tira ministro em uma semana, volta atrás nas reformas previdenciária e trabalhista para este ano, é “esmagado” pelos Estados-devedores que, insolventes, não apenas dão o calote, como querem mais recursos, “senão declaro estado de calamidade pública”, como fez sorrateiramente Rio de Janeiro. Extingue e ressuscita Ministério da Cultura em prazo recorde. E faz uma profunda alteração na base curricular do ensino pátrio, via medida provisória, como se esta matéria pudesse ser baixada “manu militari”, sem discussão parlamentar, inclusive com o chamamento de especialistas no assunto. Por fim, o primeiro problema apontado, que com o passar dos dias apenas aumenta: a incompetência do presidente a estabelecer um processo comunicacional. Claro que não há quem o faça digno da empatia popular. Isso não. Mas há como “ensiná-lo”, dar o tom, de suas conversas com os parlamentares (já que depende deles para a aprovação de seus projetos), e sobretudo com a população. Catastrófica até então. Não se vislumbra um líder, mas um professor antiquado com suas mesóclises. Sinceramente, esperava que um “político de carteirinha” (filiado ao PMDB desde 1981), conseguisse “contornar” os gritos de “Fora Temer”. Enganei-me.

Andrea Metne Arnaut  andreaarnaut@uol.com.br

São Paulo

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ÚLTIMA FORMA

Mais uma medida do governo Temer que volta “para trás”. Agora é a vez das modificações pretendidas na educação do ensino médio, que recebeu a ordem de “última forma”. Ontem foi a vez na intenção de mudanças trabalhistas. Anteontem foi para trás a intenção de mudanças na Previdência Social. Aguardemos as medidas que virão amanhã, que, certamente também, se tornarão desacreditadas. Sem tremer, Temer!  

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo  

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E O PROFESSOR?

Em 2014, no ranking da educação com 36 países, Brasil fica em penúltimo. Nesse pódio hipotético de 4 posições teríamos pela ordem: Finlândia, Japão, Suécia e Coreia do Sul. Com essa situação calamitosa o País conviveu durante os 13 ano de domínio político petista, sem que nada se fizesse a não ser a cimentação do poder pelo poder. Há apenas alguns meses, ainda colocando na caçamba de entulhos o que encontrou, o governo, em má hora, convivendo com oposição feroz e que de violenta tem tudo, traz à discussão por meio de uma Medida  Provisória (MP), instrumento que tanto criticávamos do governo passado, para com dose cavalar mudar se forma agressiva um status que deveria ser discutido com a sociedade por ser um assunto de tal complexidade que desde 2010 adormece nos gabinetes da Câmara dos Deputados sem que encontrassem um norte. Em todo o processo de transformação das normas que regem o ensino médio, ouve-se que há acertos, mas que também existem aberrações. No entanto, em todas elas não se viu um parágrafo, uma única alusão ao agente alicerce, coluna mestra do sistema, que é o professor. Nada se falou  da recuperação das escolas, sucateadas e violentas, onde ser professor é profissão de risco. O desemprego, a inflação, os investimentos para alavancar a economia, a segurança pública são prioridades mais urgentes do que essa mudança vapt-vupt. O retrocesso já começou com Artes e Educação Física, que continuam obrigatórias.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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NENHUMA LINHA

A discussão sobre a reformulação do ensino médio é salutar em todos os sentidos, precisamos pensar, urgentemente, em nossos jovens, que são o futuro deste país. Mas, na Medida Provisória editada pelo governo, em nenhum momento se lê que a valorização e remuneração dos professores serão equiparadas às sua responsabilidades, e que os professores terão aumento significativo em seus salários. Afinal, são eles que formam uma Nação!  

Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

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SUBMISSÃO ABSOLUTA

Nota-se que a proposta da Base Nacional Comum Curricular para o ensino médio tem a primazia de cimentar a apropriação econômica, imposta pelo aparelho social de produção e de distribuição estruturado. Na realidade, a habituação dos estudantes e jovens no trabalho em funções especializadas, entediantes e muitas vezes desprovidas de qualquer sentido, que a burocracia e as organizações impõem, sujeitam o indivíduo a uma tensão psíquica cada vez mais insuportável. Por isso a elaboração de modelos concretos de uma vida social coletiva sem autoritarismo adquire um valor de exemplo.

Salvador de Abreu salvadordeabreu@yahoo.com.br

São Paulo  

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GREVE DOS BANCÁRIOS

Passados vários dias em que os bancários estão em greve e eu, em nenhum momento, me senti afetado. Talvez a categoria não tenha discernimento para avaliar o mal que faz à população menos favorecida. Quisera eu estar vivo para ver esta categoria minguar da mesma forma que a dos metalúrgicos. Tanto fizeram que as empresas se prepararam para independer do trabalho deles. Mas basta os bancos continuarem investindo que obterão o mesmo resultado.

Mauro Ribeiro Gamero mauro.gamero@yahoo.com.br

São Paulo

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JUROS ALTOS

Intuindo sobre juros: para que servem juros básicos a 14,25% ao ano e uma pequena redução? Os juros exóticos em princípio inibem qualquer investimento. É mais rentável e seguro aplicar em renda fixa. Os juros exóticos talvez tenham feito sentido para segurar ou atrair moeda forte durante os primeiros tempos de real. Agora temos excedentes na balança comercial. A valorização do câmbio não interessa às exportações. Servem para combater a inflação? Ora, os juros altos elevam os preços. Se forem reduzidos à metade, por hipótese, os preços seriam diminuídos por efeito da concorrência. Os títulos do governo perderiam valor. O dinheiro poderia migrar para as ações. Provavelmente haveria aumento de compras de produtos de consumo duradouros, como automóveis. E também de moradias. Quer dizer que a economia seria favorecida. E as contas fiscais, aliviadas de gastos financeiros. Mas uma pequena redução de 0,25 ou 0,5 ponto mudaria alguma coisa. Difícil de perceber. 

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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