Fórum dos Leitores

CORRUPÇÃO

O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2016 | 05h00

Crime hediondo

A manchete do Estadão no domingo de Natal não poderia ser mais revoltante: '70% das fraudes nas cidades são em saúde e educação'. E, ainda, ao ler a reportagem 'Verba de hospital no MA foi gasta com vinho', na mesma edição, me senti enojado. O tradicional almoço de Natal ficou muito menos saboroso. Como bem lembrou a reportagem, “o Maranhão é o Estado brasileiro com menor expectativa de vida no País”. E não poderia ser diferente, considerando que foi o Estado onde a politicalha foi mais perversa por anos e anos a fio. Conta a reportagem que, num dos hospitais de onde foi desviada a verba para a aquisição criminosa de vinhos importados (foram R$ 15 mil), uma falha no sistema de oxigênio que alimenta a UTI causou a morte de três pacientes em outubro. Ora, na minha opinião – e creio que na de muitos –, essas mortes deveriam ser tratadas como homicídio. Há tempos professo o entendimento de que desvio criminoso de verbas públicas teria de ser tratado pelo Código Penal como crime hediondo. Isso foi aprovado, em votação na Câmara, para crimes de corrupção acima de R$ 8,8 milhões. Mas, como se viu no Estadão de domingo, muitas vezes até o desvio de um valor menor pode ser fatal na outra ponta da administração pública. A reportagem é mais um exemplo de que urge adotar no Brasil penas mais severas para que crimes de corrupção possam ser severamente castigados.

GILBERTO PACINI

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

Notícia triste para um dia de Natal, mas muito importante para nossa reflexão. Desvio de dinheiro destinado à saúde e à educação deveria ser crime tipificado como hediondo. É assustador saber, por exemplo, que 70% das cidades de Alagoas tiveram esquemas de corrupção investigados. Não é por acaso que Alagoas tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e alguns dos políticos mais poderosos do País. Para acabar com isso, não basta a atuação da Polícia Federal após o malfeito. Será preciso investigar como são eleitos estes corruptos. Será que compram votos em troca da permissão para retirar da população um direito fundamental?

MANOEL S. DE ARAÚJO PEDROSA

link.pedrosa@gmail.com

São Paulo

CONSTITUIÇÃO DE 1988

O dedo na ferida

O editorial 'Mudar a Constituição' (Estado, 25/12, A3) colocou o dedo na principal ferida deste país. Mudar a Constituição seria um passo importante para resolver os nossos principais problemas. Todavia, é necessário alertar, o País não pode errar novamente. Somente com constituintes idôneos e independentes poderemos corrigir os rumos do País. Eles precisariam ser eleitos exclusivamente para essa missão e, imediatamente após encerrada a tarefa, jamais poderiam se beneficiar de qualquer cargo público de indicação político-partidária. Entregar, novamente, as chaves das nossas hortas para os bodes velhos famintos da política é suicídio. Errar uma vez é humano, duas é burrice.

ALBERTO GONÇALVES

albertogoncalves@hotmail.com.br

Ribeirão Preto

O editorial de domingo, 'Mudar a Constituição', foi o melhor presente que recebi neste melancólico Natal de 2016. Cansado de ouvir loas à “Constituição Cidadã” de dr. Ulysses Guimarães, finalmente vi estampada nas páginas do Estadão uma magistral e sintética análise de nossa Carta Magna: “É necessário modificar a Constituição para torná-la a base imperturbável do progresso nacional, e não um amontoado caótico de boas intenções”. Enfim há quem tenha tido a coragem de desmistificar a grande impostura que, desde sua promulgação, em 1988, vem alimentando a fantasia nacional desta República tão carente e alimentando o discurso populista e demagógico da maioria de nossos políticos e homens públicos.

MÁRIO RUBENS COSTA

costamar31@terra.com.br

Campinas

Foro para corruptos

Não acredito que o Estadão concorde com que devamos criar uma Assembleia Nacional Constituinte com o Congresso que temos atualmente. Seria municiar ainda mais os corruptos que lá estão com a maior oportunidade para consolidar na nossa Carta Maior as artimanhas que dificultem o combate à corrupção, objeto de nossa vigilância constante. Seria o foro ideal para oficializar todas as tentativas de calar o Ministério Público e o Judiciário.

MICHEL A. KHOURI

michelkhouri99@gmail.com

Curitiba

Pelas inúmeras lições, tomara que os políticos brasileiros tenham lido o editorial 'Mudar a Constituição'. Se o Brasil for colocado em primeiro plano, bastaria que os congressistas se espelhassem nos exemplos dos países bem-sucedidos do Primeiro Mundo nos quais os preceitos constitucionais se submetem a um conjunto de valores morais da Nação, imutáveis com o tempo e, por isso, base para garantir a liberdade e a segurança jurídica necessárias para empreender e promover o desenvolvimento. Os congressistas atuais dariam conta disso? Melhor seria dar força ao eleitor e deixá-lo escolher o seu constituinte dando-lhe o direito do voto duplo (afirmativo e de rejeição), por meio do qual ele votaria em dois nomes: naquele em que confia e naquele que deseja fora da Constituinte.

NILSON OTÁVIO DE OLIVEIRA

noo@uol.com.br

Valinhos

O Estadão fez bem em defender a mudança de nossa Constituição. Sugiro que os órgãos de imprensa iniciem um debate sobre os temas constitucionais prioritários para eventual alteração. Isso possivelmente engajaria a população mais esclarecida a tomar partido das mudanças imprescindíveis, que não são poucas.

ADEMIR VALEZI

adevale@gmail.com

São Paulo

BOAS-FESTAS

O Estado agradece e retribui os votos de boas-festas e próspero ano-novo de Associação Brasileira da Indústria de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), Associação Brasil Parkinson – Samuel Grossmann (presidente), Carlos Renato Napoleone, Cidinha e Oscar Araripe, Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras (CECIEx), Equipe Atelier Márcia Pompei, Festival das Cataratas, Granadeiro Guimarães Advogados, Hayai Assessoria de Imprensa e Comunicação – Pedro Denadai, Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), José Eduardo Zambon Elias – Centrocor (Clínica do Coração de Marília), Loplast, Luiza Erundina, deputada federal, Maria Tereza Murray, Norma Kherlakian Assessoria Imobiliária, Olímpia Escola de Futebol, Santos e Região Convention & Visitors Bureau.

“Deve ser por isso que políticos disseminaram a ideia de que a proposta de limitação dos gastos (PEC 55) iria prejudicar a saúde e a educação”

MÁRIO NEGRÃO BORGONOVI / RIO DE JANEIRO, SOBRE REPORTAGEM DO ‘ESTADO’ QUE MOSTROU QUE 70% DOS DESVIOS NAS CIDADES AFETAM SAÚDE E EDUCAÇÃO

ambonelias@estadao.com.br

“Não vai adiantar só a PEC do Teto dos Gastos; deve-se ter uma PEC de como é gasto o dinheiro público”

MILTON L. GORZONI / SÃO PAULO

gorzoni@uol.com.br

OS MALES DA CORRUPÇÃO

Segundo levantamento realizado pelo “Estado” (25/12), 70% dos desvios de recursos públicos Brasil afora afetam principalmente as áreas de saúde e educação. Os dados evidenciam os males que a corrupção traz ao País e aos brasileiros. São bilhões de reais que deixam de ser injetados em setores estratégicos e essenciais para o pleno desenvolvimento da Nação. São brasileiros deixados à própria sorte nas filas intermináveis dos hospitais públicos ou, então, esquecidos na concessão de medicamento que poderiam e deveriam ser fornecidos pelo poder público. Outra análise importante é a falta de punição aos envolvidos. O caso Lava Jato é uma exceção quando comparamos o número absurdo de casos que têm punição pífia; quando ocorre alguma punição. É imperioso que haja aperfeiçoamentos na legislação de combate à corrupção, de modo a tornar o ordenamento jurídico brasileiro mais rigoroso, os órgãos de fiscalização e controle mais autônomos e céleres e a Justiça mais ativa e efetiva. Caso contrário, infelizmente, não há reforma estrutural que dê jeito.

Willian Martins martins.willian@globo.com

Guararema

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FRAUDES NOS MUNICÍPIOS

Num levantamento do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU), descobriu-se que desde 2003 (era petista), em 729 municípios do País, foram desviados R$ 4 bilhões de recursos da saúde e da educação, como publicou o “Estadão” no domingo. O campeão é o Estado do Alagoas, do indiciado e réu senador Renan Calheiros: dos 102 municípios que possui, em 69% houve acusações de fraudes em sua administração.  Na Bahia, 99 cidades (ou 24% do total) fraudaram também recursos da saúde e da educação. E em Minas Gerais, em 163, ou 19% de seus municípios. No Maranhão, de José Sarney, que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, fraudes foram detectadas em 17% dos municípios, com um perverso detalhe: os recursos desviados serviram para gastar em restaurantes de luxo e na compra de sofisticadas marcas de vinho. No Estado de São Paulo, 4% dos 645 municípios acusaram fraudes. E a melhor avaliação ficou com Santa Catarina, que em somente 1%, ou 4 cidades, constataram fraudes. Esses R$ 4 bilhões roubados da saúde e da educação demonstram que o problema da saúde e da educação no Brasil não é o da falta de recursos, mas da falta de ética e dignidade institucional de seus dirigentes públicos. E, como bem diz o secretário do Ministério da Transparência, Wagner Rosário, é o “assassinato da esperança”. Ou “uma dor que trinca até os ossos”, como afirma também o ex-ministro e presidente do Supremo Carlos Ayres Britto, em seu artigo na mesma edição do jornal, sob o título “Do pegadio ao compadrio”, referindo-se às mazelas desta interminável corrupção que ocorre nas nossas instituições.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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PUNIÇÃO

O desvio de verbas federais destinadas às áreas da saúde e da educação mostra tanto a necessidade de ampliar a transparência e a fiscalização no uso do dinheiro público como transformar este tipo de corrupção em crime hediondo, com o cumprimento de toda a pena em regime fechado.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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CORRUPÇÃO X SAÚDE E EDUCAÇÃO

É revoltante ver a quantidade de dinheiro público desviado por políticos e funcionários públicos sem escrúpulos, dinheiro este que deveria ter sido usado principalmente na educação e na saúde da população brasileira. Somente agora, graças à Operação Lava Jato, ao juiz Sérgio Moro e a sua brilhante equipe, muita sujeira está vindo à tona e estamos assistindo à prisão de alguns desses bandidos. Mas aí eu pergunto: por onde andavam todos os fiscais dos Tribunais de Contas das três esferas (municipal, estadual e federal), que deveriam fiscalizar e coibir esses desvios? Quanto dinheiro é gasto para manter esses tribunais e seus funcionários que nada enxergam? Será que não está na hora de investigar a evolução patrimonial dos funcionários dos Tribunais de Contas, principalmente daqueles que possuem cargo de confiança e têm o poder de determinar o prosseguimento ou o arquivamento de um processo? Se realmente desejamos dar um basta à corrupção, precisamos fazer uma faxina completa no governo, isto é, nos Três Poderes e em todos os órgãos públicos.

Maria C. Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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MINA DE OURO

Principal manchete do “Estadão” neste Natal: “70% das fraudes nas cidades são em saúde e educação”. Pode até ser, mas existe outro setor que nunca é citado e/ou investigado por nenhum órgão: o transporte escolar! Depois que os governos resolveram acabar com as escolas rurais, transportando todos os alunos para as escolas das cidades, o que foi um imenso erro, abriu-se uma mina de ouro para a corrupção. Como funciona esse esquema que flui muito bem: os donos das empresas de transporte escolar, na sua maioria políticos (deputados federais, estaduais, senadores, secretários, etc.), todas em nomes de laranjas, é claro, bancam bondosamente, sem nenhum interesse, a candidatura do candidato a prefeito que deve ganhar as eleições segundo pesquisas encomendadas secretamente. Depois o prefeito eleito, em agradecimento, dá um jeito para que o seu padrinho político ganhe a concorrência. Aí se abre a porteira para todos os tipos de irregularidades: preços maiores do que a empresa perdedora, linhas fantasmas, multiplicação de quilometragem rodadas (em uma linha de 100 km, por exemplo, pode constar na planilha 400 km) e excesso de alunos transportados em um ônibus, quando deveriam ser dois ou três, conforme previsto em contrato. Veículos caindo aos pedaços, sem cintos de segurança, com funcionários mal pagos, e vai por aí afora. Todos lucram absurdos, menos os estudantes da Pátria Educadora! Quanto menor a cidade, mais se rouba proporcionalmente. E quem investiga isso? Ninguém, e assim este tipo de corrupção se perpetua.

José Milton Galindo galindo52@hotmail.com

Eldorado

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PROPINA

A manchete do “Estadão” de domingo: “70% das fraudes nas cidades são em saúde e educação”. Verdade indiscutível e lamentável, porém tal comportamento corrupto é de conhecimento da maioria da população esclarecida, ainda mais sabendo que quem comanda as pastas e dá as cartas são o PT e o PMDB. Só que a maioria não sabe qual é o valor do pedágio pago para essa corja política suja para obter o direito de fornecer. Eu me reservo o direito de não revelar a fonte, porém afirmo que oscila em torno de nada menos de 40%. Portanto, fazendo uma simulação com tal porcentual de propina, e considerando os impostos, tributos, taxas, etc. que gera, sem sombra de dúvidas, os fornecedores dobram o valor final dos produtos fornecidos. Vergonhoso, indecente, nojento, asqueroso, né não?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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PERGUNTA

Gostaria de fazer uma pergunta ao Ministério Público, não só o Federal: não existe uma maneira de serem responsabilizados os fraudadores das despesas destinadas aos mais pobres, como educação e saúde, com gastos com vinhos, festas, whiskies e outras benesses a eles próprios? Para que exatamente servem os procuradores federais e estaduais, que permitem que em 70% dos municípios o dinheiro seja utilizado para finalidades indecentes? Com a palavra, o sr. Rodrigo Janot e companhia.

Ademir Valezi adevale@gmail.com

São Paulo 

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‘DO PEGADIO AO COMPADRIO’

Domingo foi dia de Natal. De presente, o “Estadão” publicou o artigo “Do pegadio ao compadrio”, de Carlos Ayres Britto (de presente ou para compensar o desassossego, o incômodo ante a escassez de credibilidade e empatia do autor com o texto ao lado, de Michel Temer?). Conheci o humanista apenas quando assumiu o cargo de ministro do STF. Digo “conheci” em seus votos e decisões monocráticas. Que diferença ele fazia. E era fato: decisões, e não discursos demagógicos, como aquele recentemente feito pela ministra Cármen Lúcia na solenidade da assunção da presidência da Corte. Não, Carlos Ayres Britto, como magistrado, era realmente relacionado com os sujeitos às suas decisões, quero dizer, olhava além da Corte gelada pelo ar-condicionado (exageradamente regulado), para as pessoas, para a sociedade. Se a atividade hermenêutica é cognitiva, então passa pelos sentidos, é axiomática. Por isso, os valores escalonados do hermeneuta (ideologia) não o abandonam no momento de “dizer o Direito”, entenda-se “interpretar a lei”. Só alguém que olha para além dos códigos, leis e da própria Constituição é capaz de enxergar que “sem o mínimo de bem-estar material não se pode sequer servir a Deus”, feita por Santo Agostinho e tão oportunamente repetida por Ayres Britto. Um doloroso banho de realidade. Mas, ao mesmo tempo, o “poder olhar” através dos olhos deste autor, um presente de Natal.

Andrea Metne Arnaut andreaarnaut@uol.com.br

São Paulo

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DEUS É BRASILEIRO?

O pessoal das empreiteiras quer culpar os nossos nobres políticos de corrupção, e isso é imoral, afinal de contas, eles juram de pés juntos que toda despesa foi devidamente comprovada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e jamais fariam alguma coisa desleal. Os vereadores de São Paulo aumentaram na calada da noite seus salários, isso é legal. Renan Calheiros é réu e continua como presidente do Senado, isso também é legal. O tal de Lula é réu em cinco processos e não é preso, não se sabe a razão, e vai ser candidato novamente, isso é legal. Ilegal mesmo é o desempregado que, em desespero, passa na padaria e rouba um pão para levar ao filho que chora – vai preso sem choro nem vela. Dizem que Deus é brasileiro, mais tudo leva a crer que, vendo este mar de lama cada vez maior, Ele resolveu tirar umas férias e está escolhendo outro lugar onde possa respirar um pouco de ar puro. Infelizmente, aqui, enquanto tiver circo, está tudo ótimo. Experimentem cancelar os jogos de futebol, o carnaval e proibir a cachaça.

José Fernandez Rodriguez rodriguez1941@gmail.com

Santos

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O REAJUSTE DOS VEREADORES

Ótima a ideia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção São Paulo, de questionar judicialmente os aumentos, em causa própria, dos salários dos próprios vereadores paulistanos. Além de vergonhosa, a lei não permite esse tipo de atitude. Faltam sensibilidade e probidade desses edis(otas). Se não estão contentes com o que ganham, que peçam afastamento de seus cargos. Os paulistanos nem perceberão a falta. Muda Brasil!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo 

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O JUDICIÁRIO E O SALÁRIO DA CÂMARA

O Judiciário, mais uma vez, foi chamado a se manifestar sobre o procedimento de organizações políticas. Agora é a decisão de reajuste salarial aprovado para os vereadores paulistanos, submetida ao STF. Por sinal, eles mostraram uma grande insensibilidade tomando a decisão num momento de crise na economia não apenas da capital paulista. Mas nem por isso a decisão de mudar tem de partir do Judiciário. Os organismos sociais é que deveriam fazer pressão sobre o assunto.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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CEIA DA MISÉRIA

Vergonha nacional: servidores do Rio de Janeiro fazem a “ceia da miséria” neste Natal, com salários atrasados desde novembro – para o vencimento de dezembro e o 13.º salário não há previsão de pagamento. E pensar que somos um dos países mais corruptos do planeta, onde uma empresa só confessou ter dado propinas cujo total é imensurável e, com certeza, resolveria boa parte dos problemas brasileiros. Como resolver isso, quando os verdadeiros culpados são muitos e ocupam os mais altos cargos do governo de todas as esferas, e se temos um Judiciário permissivo e cego que não enxerga um palmo adiante do nariz, ou, se enxerga, faz vistas grossas objetivando a pagar favores anteriormente recebidos?

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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NATAL EM CRISE

Peru, não vi; bacalhau, não comi; ceia, não teve. Papai Noel, que Noel? Presentes, que presentes? É Natal...

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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SEGUNDO PIOR NATAL

Em 2010, na Rua 25 de Março, o “Shoptime” institucional: compre, compre, compre. Em 2016, o resultado do consumo incentivado irresponsavelmente: dívidas, dívidas, dívidas.

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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MILAGRES NÃO EXISTEM

Sabem o que é espantoso? A crise que vivemos se desenhava nitidamente há muitos anos, mas ignoraram os avisos e preferiram usar os óculos cor de rosa da negação. Quando o governo Lula promoveu a farta distribuição de cartões de crédito sem nenhum critério, usando para isso os “Bancos Panamericanos” da vida (que, depois falido, foi “comprado” pela Caixa...), era óbvio, gritante, que aquilo jamais poderia dar certo e que a bomba explodiria em prazo relativamente curto. Diante da festança das compras sem dinheiro, dos carros zero pagos em até cinco anos (uma aberração!), quem ousou apontar o desastre logo foi tachado de pessimista, preconceituoso, inimigo do povo. Ora, bastava usar o bom e velho raciocínio lógico! Dinheiro acaba e não dá em árvores. Falar em poupança era pecado. A ordem era clara: compre, compre, compre! Acontece que o comprometimento dos salários tem limite. Os empregos não são eternos. Chegaria o momento em que, de duas, uma: ou não se compraria mais nada, pois tudo já fora comprado e ninguém troca a geladeira, o fogão, o carro três vezes por ano, sobretudo se está pagando estes bens em dezenas de prestações; ou o dinheiro para pagar as inúmeras prestações acabaria. Lembrem-se de que até mesmo ovos de Páscoa foram comercializados em seis vezes no cartão! Aberração, sim, senhores! A lógica pura alertava que os bancos e lojas acabariam com o mico nas mãos. Assim aconteceu! Logo depois, começaram as estranhíssimas fusões de empresas. Ao invés de se multiplicarem, como ocorre em economias saudáveis em expansão, as nossas empresas passaram a se fundir com outras, reduzindo-se em número. Lojas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, que “vendiam” a crédito fácil, por exemplo, deixaram de ser três, para se tornarem uma só, apenas com bandeiras diferentes. A concorrência de preços acabou. Muitos, hoje, são meros entrepostos de vendas, intermediadores de compras de pequenas lojas. Frigoríficos foram comprados às dezenas, criando um enorme quase monopólio da carne bovina, sem qualquer benefício para o consumidor, que apenas viu os preços aumentarem, sem que ali também houvesse concorrência no mercado. O mesmo se deu no setor de produção de frango e alimentos prontos: de vários fabricantes, talvez restem dois, se tanto! As indústrias sofreram com a invasão de produtos chineses, que entraram no País sem nenhuma dificuldade (ao contrário dos produtos americanos e europeus), acabando por fechar as portas ou, pior, serem forçados a produzir e dar empregos... na China! Os sinais estavam ali, claros, para quem quisesse ver. Pouquíssimos quiseram. Era feio. Era antipatriótico, era impopular. Era “não querer que pobre viaje de avião”! Por falar em avião, este é mais um setor que encolheu no Brasil, com graves problemas, enquanto crescia no resto do mundo. Pois bem, aqui estamos nós, as Pollyanas bêbadas dos tempos do PT, completamente aturdidos e perdidos diante de uma crise sem precedentes, cuja recuperação, se houver, exigirá anos e anos de muito esforço. Tudo porque o brasileiro, da elite ao povão, simplesmente não quis enxergar o que estava diante do seu nariz! Que tenha, pelo menos, nos servido de lição! Desconfiem de salvadores da Pátria milagreiros. Milagres não existem, e o dinheiro dos outros um dia acaba.

M.Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

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BRASIL 2017

A leitura do caderno de Economia do “Estadão” do dia de Natal deveria ser obrigatória por lei. Ali está um resumo lúcido de um time de craques, de visão ampla e até poética, como a “Retrospectiva 2017”, de Mônica de Bolle. Parabéns, “Estadão”! 

Luiz Henrique Penchiari lpenchiari@gmail.com

Vinhedo

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PLANOS ECONÔMICOS

Ao que parece o governo está procurando dinheiro em local que não provoca inflação para colocar no bolso do povo. Ele existe, pelas informações agora esquecidas: os bancos se locupletaram de todo aquele montante dos planos econômicos – antes do real –, que no seu caixa muito se multiplicou. Por outro lado, o balanço desses bancos mostra uma musculatura saudável e poderosa. Uma ministra do STF, que se dizia impedida de colocar em pauta o assunto no plenário, parece agora desimpedida. Portanto, seria patriótica e humana a decisão de pôr para andar esse processo. Caso a opção fosse a devolução do dinheiro aos verdadeiros donos, sinto que muitas famílias sairiam do sufoco e os bancos apenas adiariam a compra de alguns concorrentes.

Itamar C. Trevisani itamartrevisani@gmail.com

Ribeirão Preto

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FUNDO PARTIDÁRIO, ATÉ QUANDO?

Uma vez que foi decidido pelo o STF (2014) que a doação de empresas às campanhas eleitorais é considerada inconstitucional, por que o governo federal ainda insiste em financiar o Fundo Partidário no atual momento de crise econômica? Como partido político é uma organização de direito privado, formada por cidadãos reunidos em torno de ideias e projetos, quem deveria financiar os 35 partidos atuais – no Orçamento federal para 2017, o repasse será de R$ 819 milhões –, são os seus militantes e apoiadores através de contribuições pessoais, e não a sociedade brasileira. Sempre é bom lembrar que em muitos partidos chamados de nanicos os “donos da legenda” são familiares como pais, irmãos, tios e por aí vai. Até quando a farra com o dinheiro público vai continuar?

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas

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ENTREVISTA COM RUI FALCÃO

O presidente do PT, Rui Falcão, mais conhecido como “lábios trêmulos”, em entrevista ao “Estadão”, em 25/12/2016 (A6), mostrou que vive em outro mundo. Sempre se esquivando do objetivo das perguntas, afirmou que o partido irá apurar os malfeitos de José Dirceu e Antonio Palocci – ou seja, quando isso acontecer, ambos terão deixado a cadeia e, dessa forma, a Comissão de Ética do partido se posicionará no sentido de que já pagaram pelos crimes de lesa-Pátria. Falcão também ainda não aceitou a derrota fragorosa do PT nas últimas eleições e muito menos as injustas acusações que a Justiça faz ao homem “mais honesto” do País, mesmo já sendo ele penta-réu. Também com a maior cara de pau, afirmou que o País foi vítima de dois golpes do atual governo ilegítimo de Michel Temer, que prometeu acabar com a corrupção e recuperar a economia em curto prazo. Como Rui Falcão continua vivendo em outro mundo, esqueceu-se de que esses problemas foram obras impostas pelo PT durante os últimos 13 anos, quando instalou a corrupção generalizada e alcançou o desemprego de 12 milhões de brasileiros. Entendeu agora, Rui Falcão, ou precisa de um desenho?  

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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JULGAMENTO DO PT

Já não era sem tempo o projeto anunciado pelo presidente do PT, Rui Falcão, de submeter a julgamento interno as lideranças do partido que cometeram ilícitos éticos. Se o tal julgamento será justo ou apenas conversa para inglês ver, não sabemos. O fato é que, enquanto o partido não olhar honestamente para si e pedir desculpas públicas pelos estragos causados à Nação, a probabilidade de o PT entrar para o lixo da história será enorme. Lançar Lula à Presidência da República é engodo que não engana ninguém. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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APENAS PALOCCI E DIRCEU?

O super cara de pau Rui Falcão, presidente do PT, resolveu agora, depois de séculos, investigar as atuações de seus pupilos José Dirceu e Antonio Palocci e seu envolvimento nas falcatruas que, segundo ele, respingam do imaculado Lula. Simplesmente, quer atribuir somente a estes dois malfeitores toda a lama que foi descoberta pela Lava Jato – e que certamente pode prejudicar seu idolatrado Lula nas eleições de 2018. 

Geraldo de Paula e Silva paula2015@bol.com.br

Teresópolis (RJ)

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O CAIXA 2 DO PT

O Sr. Rui Falcão está abusando da inteligência dos brasileiros e omitindo que o seu partido está envolvido em roubalheira já demonstrada pela Lava Jato. Na realidade, o PT quer brindar Lula, pois a situação está ficando muito complicada para ele e querem evitar a qualquer custo a sua prisão. Ele diz que a Lava Jato é um processo de julgamento enviesado, viciado e sem provas. Como assim? As evidentes provas contra Zé Dirceu e Palocci não são consistentes? Por que eles estão presos? Falcão deveria, sim, é explicar melhor o dinheiro da corrupção que abasteceu os cofres do seu partido, de Lula e da sua família.

Celso Salgado de Melo celsosalgado@uol.com.br

São Paulo

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DIREITOS IGUAIS

As declarações de Rui Falcão, divulgadas neste jornal no dia de Natal, suscitarão uma discussão jurídica que dará pano para manga. Haverá uma avalanche de recursos ao Judiciário, exigindo os mesmos direitos defendidos pelo PT. Marcola será o primeiro a pedir isonomia. Exigirá o direito de, como o PT, ser processado e julgado pelo PCC. 

José Carlos Saliba fogueira2@gmail.com

São Paulo

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LULA CANDIDATO

O PT pretende lançar Lula à Presidência da República entre fevereiro e abril do próximo ano de 2017, prestando, assim, mais um desserviço ao País, combalido e sofrido pelo desastre causado, em coautoria com outros meliantes, por essa agremiação. Espera-se que o ficha-suja até lá esteja preso e sendo apenado pelos desastres que ocasionou a este país. O populismo adotado pelo lulopetismo não mais pode vigorar ou existir no Brasil, e, caso seja ele eleito, veremos, mais uma vez, a Nação cavar mais para o fundo do poço. Certamente, Galileu terá pena do Brasil e não deixará que o malefício ocorra!

José C. de Carvalho Carneiro carneiro.jcc@uol.com.br

Rio Claro

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LAVA JATO

Perigo à vista. O homem mais honesto do mundo está candidatando-se “prematuramente”. Pode?

Antonio Carniato Filho antoniocarniato@gmail.com

Santa Rita do Passa Quatro

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ATO DE DESESPERO

Estamos sob gravíssima ameaça. Luiz Inácio Lula da Silva ameaça ser candidato à Presidência da República em 2018. Claro que se trata de um ato de desespero para tentar defender-se do indefensável. Apesar das inúmeras evidências, das quais uma é a de negar a propriedade de um sítio para o qual viajou, segundo relatório de viagens do Palácio do Planalto, “apenas” 111 vezes em 2012, há um simples fato que impediria sua candidatura até para chefe de garis. Segundo suas próprias declarações, ele, quando presidente da República, jamais soube da roubalheira que ocorria sob suas barbas no mensalão. E continua sem saber de nada do que se apurou no petrolão, apesar de todas as evidências reveladas por um trabalho digno dos maiores elogios da Polícia Federal e dos promotores e juízes federais. Pergunto: como pode alguém que confessa nunca saber de nada, portanto um ignorante, candidatar-se ao cargo de mandatário máximo do Brasil? 

Antonio C. Gomes da Silva acarlosgs9@gmail.com

São Paulo

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TOTALMENTE SEM NOÇÃO

É simplesmente inaceitável que cidadão réu em cinco ações penais, devidamente aceitas pela Justiça, no âmbito da Operação Lava Jato, tenha a cara de pau de vir a público atacar o governo e sua política econômica, dizer-se candidato à Presidência da República e, como se não bastasse, pedir eleições para 2017, quando sabe muito bem que nossa atual e catastrófica condição socioeconômica e política originou-se durante sua gestão e continuou com sua pupila  e sucessora. Não é mesmo, senhor Lula?

José Marques seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo

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APRESSADOS

Lançamento da candidatura Lula para 2018 já no início de 2017 revela um PT sem rumo, afoito e desesperado. É bom sempre lembrar: quem tem pressa come cru.

Eduardo A. Delgado Filho e.delgadofilho@gmail.com

Campinas

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O DILEMA DO STF

Atolado no julgamento de políticos envolvidos em escândalos de corrupção, o Supremo Tribunal Federal atrasa o julgamento de ações coletivas de repercussão geral, prejudicando a vida de milhões de brasileiros. Sob nova direção, é hora de inverter as prioridades e resgatar essa imensa dívida com os cidadãos comuns que ainda acreditam na Justiça brasileira.

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

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HIPOCRISIA

O assunto da mídia dos últimos dias foi a abstenção dos Estados Unidos na votação na ONU, contra as construções de casas em denominadas áreas ocupadas em Israel, e a moção foi aceita. A Rússia, que também tem poder de veto nas resoluções da ONU, sempre as usou contra qualquer interferência na Síria, onde já morreram centenas de milhares de pessoas, a maioria civis, não causando nenhuma indignação internacional. Pura hipocrisia!

Luiz Frid  luiz.frid@globomail.com

São Paulo

 

 

 

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