Fórum dos leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2016 | 06h00

PLANOS ECONÔMICOS

Este jornal, na “Coluna do Estadão” de ontem (27/12), trouxe uma notícia alvissareira de que o “governo tenta acordo sobre planos econômicos”. Oxalá isso se concretize, pois este é um dos mais significativos exemplos da morosidade e até, para alguns, da influência exercida pelos banqueiros que a Justiça brasileira poderá corrigir. Muitos dos poupadores já morreram. Agora, retardar até que os herdeiros venham a morrer é demais! Portanto, sugiro que este jornal continue vigilante e atuante no sentido de que o ditado popular aconteça brevemente: “a Justiça tarda, mas não falha”. Com certeza o impacto nos bancos será muito menor do que a safadeza e a mofatra que os maus governantes e políticos nos causaram – e alguns continuam causando.

Ruyrillo Pedro de Magalhães ruyrillo@ig.com.br

Campinas 

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APENAS PARTE?

Na edição de ontem do “Estadão” li que o governo federal costura um acordo para que os poupadores recebam só uma parte do que têm direito. Pergunto: se devemos impostos aos governos federal, estadual ou municipal, eles aceitam receber só uma parte, sem correção, e quitam a dívida?

  

Basilio José Bernal bernal@roloflex.com.br

São Paulo

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PASSA-MOLEQUE

Novamente o governo Temer – especificamente por seus ministros banqueiros – está arquitetando um plano golpista (desta vez não com a aprovação forçada do traiçoeiro cadastro positivo) contra os poupadores que perderam dinheiro nos Planos Collor e Bresser Pereira. O Banco Itaú há tempos vem oferecendo negociar a devolução, com grandes descontos, aos autores de ações individuais dos referidos planos. Agora o disfarce é que a Caixa e o Banco do Brasil estariam em risco de insolvência caso o Supremo Tribunal Federal (STF) mande pagar integralmente os valores devidos já confirmados nas demais instâncias judiciais. Querem oficializar a solução Itaú e dar um passa-moleque nos hoje velhinhos que esperam há quase 30 anos por seu dinheiro.

Ademir Valezi adevale@gmail.com

São Paulo

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ELES LUCRARAM, ELES DEVEM PAGAR

Na verdade, ninguém tem dúvida de que os recursos foram subtraídos ilegalmente dos poupadores e beneficiaram indevidamente os acionistas das instituições financeiras. O que se discute é o risco de descapitalização das instituições beneficiadas com a devolução (devidamente corrigida) dos valores da poupança popular que foram apropriados indevidamente e geraram lucros a elas. Cabe salientar que tais recursos beneficiaram efetivamente os acionistas das instituições financeiras (seja pela distribuição deles ou pela sua capitalização), pelo que nada mais natural do que serem eles a arcar com a devolução de tais valores. Dessa forma, a única solução justa possível, sem risco sistêmico, é a obrigatoriedade da capitalização das instituições financeiras, que não tenham caixa para suportar tais desembolsos mantendo-se dentro dos índices exigidos pelas autoridades monetárias, no montante necessário para tal! Para facilitar a liquidação da dívida, o STF modularia sua decisão estabelecendo que as instituições financeiras poderiam realizar os pagamentos de tais valores com debêntures de prazo de cinco anos (corrigidas pelo CDI), com a possibilidade de conversão em ações até seu vencimento. O que se não pode aceitar é que os poupadores sejam lesados com a transferência definitiva de seus recursos para os acionistas das instituições financeiras, que, com seu giro durante este período, muito já lucraram com o uso desses recursos!

Jorge Alves jorgersalves@gmail.com

Jaú 

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JULGAMENTO DO STF

Concordo com o leitor sr. Alvio Malandrino, que em seu texto publicado no “Fórum dos Leitores” de segunda-feira sugeriu o célere julgamento pelo STF da revisão dos planos econômicos das décadas de 80 e 90 do século passado – que, inclusive, a nova presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, declarou ser tema prioritário. E, se for julgado procedente, ou seja, a favor dos milhares de correntistas que tinham aplicação na poupança na época, esses recursos podem irrigar o consumo e ajudar a melhorar o crescimento do PIB em 2017. Da mesma forma que também ajudarão a nossa economia os R$ 30 bilhões que o governo Temer está liberando para os trabalhadores das contas inativas do FGTS. Como a maioria absoluta destes correntistas da poupança é de aposentados, uma decisão favorável como a da devolução destes recursos devidamente corrigidos com juros e correção monetária iria proporcionar a estes beneficiários uma qualidade de vida mais digna. Porém muitos que aguardaram há décadas esta decisão, infelizmente, já faleceram, como a minha própria mãe.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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FGTS

FGTS? Isso é coisa de militar, montada na temível ditadura. E, por ironia, é hoje um dos cantos de sereia de Michel Temer para aliviar a tensão instalada no País por 13 anos de inferno populista, com direito a tentativa de imersão na lixeira bolivariana. Espera-se que os civis que estão desde 1985 realizando experiências dentro do contexto da nova República sejam pelo menos tão inspirados como os generais o foram.  

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com 

Rio de Janeiro

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‘CENÁRIOS PARA O ANO NOVO’

Excelente o artigo de Amir Khair (“Estadão”, 25/12, B4), colocando de forma clara um cenário alternativo que efetivamente ataca os reais problemas estruturais que o País enfrenta. De nada adiantam medidas paliativas que tentam remediar os sintomas mais exacerbados do real problema que o Brasil enfrenta, que é uma gigantesca transferência de recursos aos grandes bancos via uma taxa de juros completamente desconexa da realidade mundial. Já não é mais possível tolerar os absurdos de as empresas “amigas” terem os juros com subsídio via BNDES (subsídio pago com os impostos de todos os contribuintes) e todo o restante da economia do País preso a estas taxas de juros completamente fora da realidade. Esta prática penaliza triplamente o cidadão comum, pois consegue ao mesmo tempo fazer inchar a dívida pública, tirar qualquer recurso para investimento da área governamental e ainda deixar o custo do dinheiro (financiamento) totalmente absurdo. Basta alguém com coragem de enfrentar este sistema financeiro, não com a timidez mostrada atualmente pelo governo, para colhermos os frutos duradouros de uma economia ancorada na mesma realidade que norteia o restante do mundo, onde não se encontram taxas de juros comparáveis às nossas.

Paulo Werle paulo@montesaltos.com

São Paulo

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INSANIDADE

O texto do economista Amir Kahir na edição de domingo do “Estadão”, sob o título “Cenários para o ano novo”, é, talvez, o exemplo mais concreto que vi nos últimos meses para a frase do jornalista americano Henry Louis Mencken: “Para todo problema complexo existe uma solução simples, elegante e completamente errada”. À primeira vista, parece que todas as soluções para o nosso complexo problema passariam pelo voluntarismo do governo, que, por estar subordinado aos interesses do mercado financeiro, apresenta uma sádica tendência de ver a economia definhar. Felizmente, o voluntarismo do governo para na realidade econômica. Infelizmente, para o colunista, a economia não é feita de “caixinhas” estanques, estando mais para um jogo de “pega varetas”, em que, normalmente, um movimento mexe com todo o jogo. Poderíamos perguntar como se vai vender US$ 200 bilhões das reservas sem causar uma mega-apreciação do real (certamente um efeito colateral que o colunista não gostaria)? Ou, como se vai reduzir o balanço do BNDES em R$ 520 bilhões de uma hora para outra, sem prejudicar a capacidade de empréstimo da instituição (outro efeito colateral indigesto)? Mas a melhor pergunta seria: Será que já não vimos em algum país, em algum momento da história, o financiamento da dívida via emissão monetária? Bem, aqui temos de recorrer a outro grande frasista para definir essa ideia: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” (Albert Einstein).

Luis Otávio Leal lleal280971@gmail.com

São Paulo

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AÇÕES TRABALHISTAS

No término deste ano de 2016, a Justiça Trabalhista irá contabilizar mais de 3 milhões de novas ações, o que dá ao Brasil o título de país com o maior número de reclamações trabalhistas. O governo apresentará uma minirreforma trabalhista em que os acordos coletivos não reconhecidos pelo Judiciário passarão a ser lei. Com a intenção de aliviar o estoque de ações, o governo está beneficiando os empresários, principais réus nos processos. Nesses julgamentos, o lado mais fraco da corda é o do trabalhador. O governo conta com o enfraquecimento da “indústria de reclamações”. Sempre que o trabalhador vai à Justiça ganhará alguma coisa, porque os advogados ficam com de 20% a 30% do valor recebido na ação. A chamada “indústria de reclamações” incentiva ações por razões mais estapafúrdias possíveis. Um sem número de ações encontram-se na situação de “transitado em julgado”, já constando da Súmula Trabalhista, que poderia ser aplicada.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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JUSTIÇA DO TRABALHO

Como pequeno empresário, confesso que o que mais me estressa e desanima são as reclamações trabalhistas. Esse tipo de reclamação não afeta os costumeiros empregadores malandros e desonestos, mas machuca muito o coração de quem procura cumprir ao máximo as regras. Não é fácil para o pequeno empregador ser obrigado a se sentar na frente de um juiz trabalhista, na maioria das vezes tendencioso, e ter de provar que é inocente. Sim, na Justiça Trabalhista, o acusado é que tem de provar que nada fez de errado, e, mesmo ganhando a causa, arca com o que gastou. O castigo moral começa quando se recebe a intimação e só diminui se conseguir ganhar a ação. Essa tortura pode demorar anos e custar bastante dinheiro. A mágoa, o desânimo e a descrença gerada pela ingratidão, pela vingança e pelo oportunismo do ex-empregado e do seu advogado ficarão para sempre. Ressabiado, o empregador passa a desconfiar de todos os funcionários e de qualquer tarefa que pretenda atribuir. Tem receio de empregar mais gente e planeja o tempo todo como automatizar funções. Além de maltratado pela legislação, é malvisto pelo sistema atual, que só considera trabalhador aquele que bate ponto. Ou seja, quem ousou abrir uma empresa deixa de ser trabalhador. Para a malandragem sindicalista e socialista, o empreendedor passou a nadar em dinheiro e a ser o favorecido e o explorador. Sendo assim, merece ser castigado e explorado por exigências absurdas. Há algum sentido em penalizar uma empresa que, após recolher um fundo de garantia para o funcionário durante anos, ser castigada com uma multa de 50% sobre o que recolheu? Se uma empresa precisa enxugar a folha salarial justamente porque o faturamento caiu, de onde ela vai tirar o dinheiro para pagar as multas? Para que serve, então, a tal homologação? Preocupam-se muito com o demitido, como se a sobrevivência da empresa e dos restantes empregados não fosse importante. Além disso, esse tipo de amarra que evita que o empregado saque o FGTS, muitas vezes, evita que ele encontre oportunidades melhores. Para terminar, só posso concordar que existe, sim, uma indústria trabalhista que garante a sobrevivência da Justiça do Trabalho e dos advogados que fazem fortuna à custa dos demitidos, pois, mesmo que percam a causa, nunca levam prejuízo.

João Carlos A. Melo jca.melo@yahoo.com.br

São Paulo

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NECESSÁRIA MODERNIZAÇÃO

Com 3 milhões de reclamações trabalhistas em um ano, aperfeiçoa-se, então, a cada ano o entupimento da pauta da Justiça do Trabalho. Ocorre que existe a postulação de muitos direitos, com esquecimento de deveres, o que leva à manutenção do desemprego no País e até que ocorra uma efetiva flexibilização da CLT, com 73 anos de vigência e completamente na contramão da história e do mercado competitivo deste planeta. Além de outros itens a serem modificados, para flexibilizar as normas trabalhistas, há necessidade de que os acordos entre patrões e empregados se tornem protegidos por lei, impedindo que a Justiça trabalhista aprecie o seu conteúdo. O moderno assusta, mas é necessário.

José C. de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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LEIS TRABALHISTAS

Getúlio Vargas e alguns países adotaram a Carta del Lavoro de Mussolini, criando o salário mínimo, descanso semanal e férias, mas os governantes brasileiros incorporam mais benefícios aos trabalhadores que hoje pesam no custo Brasil: abono de 33% sobre o salário de férias; 13.º salário; FGTS (acrescido de 40% na rescisão); auxílio-doença; imposto sindical; PIS-Pasep; participação no lucro das empresas; vale-alimentação e transporte; seguro-desemprego; licença maternidade e paternidade; acréscimo de 50% ou 100% sobre as horas extras trabalhadas; estabilidade temporária por exercício de função sindical e em caso de acidente; adicional noturno; faltas justificadas por casamento, doação de sangue, alistamento eleitoral, função de jurado, morte de parente, testemunho na Justiça; aumento salarial compulsório superior à inflação. Na fala de Alexandre Garcia num dos seus programas diários na TV, ele mencionou que inexistem tais benefícios nos EUA, no entanto é anormal que operário dos “States” venha trabalhar no Brasil, mas os brasileiros movem os céus e a terra, sem tais direitos trabalhistas, para se sujeitar aos rigores das leis norte-americanas. A burlesca reforma trabalhista proposta por Michel Temer é trocar seis por meia dúzia. Para surtir o efeito desejado, precisa ser abrangente.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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ENTULHO FASCISTA

Até agora não vi ninguém corajoso o suficiente para propor a extinção da CLT, entulho fascista da ditadura Vargas, e propor novas leis trabalhistas sintonizadas com o mundo moderno, as novas profissões e a realidade de cada atividade. A CLT prejudica trabalhadores e empregadores, enquanto privilegia dinastias sindicais.

Frederico d’Avila fredericobdavila@hotmail.com

São Paulo 

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CUSTAS E HONORÁRIOS

Como foco principal da reportagem de segunda-feira (26/12), o “Estadão” aborda o gigantesco número de ações trabalhistas propostas anualmente. Há, porém, um aspecto importante na Justiça do Trabalho, que merece maior atenção: trata-se das custas e honorários de advogado. Quando a ação é procedente, vem acompanhada de condenação nas custas e honorários ao sindicato assistente, nos limites da lei. Em caso de insucesso, há isenção sem nenhuma consequência. Por essa razão, muitas ações trabalhistas mais se assemelham a listas de supermercado, com tantos e tais pedidos propositadamente oferecidos para dificultar a defesa. Tudo porque não há consequência. Atualmente, há sindicatos que não mantêm advogados em seus quadros funcionais e terceirizam as ações trabalhistas, criando a regra – duvidosa – de honorários por via indireta, que vem sendo acolhida pela Justiça obreira. Para acabar com essa verdadeira indústria, que não se restringe ao exemplo noticiado pelo jornal, seria necessário por senso igualitário impor a proporcionalidade das custas e incidência para ambas as partes, de honorários de advogado, com responsabilidade solidária dos respectivos sindicatos das categorias. Certamente haveria mais critério e cautela nas proposituras e, até, redução do número de ações. Quando não assistidos por sindicatos, supõe-se que, tendo condições para contratar advogado particular, terá a parte condições de arcar com o ônus do insucesso. A meu ver, é um problema a ser enfrentado.

José Roberto Cicolim jrobcicolim@uol.com.br

Cordeirópolis 

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‘CRESCIMENTO ECONÔMICO: NÃO HÁ MILAGRE’

A edição de segunda-feira (26/12) do “Estadão” estava recheada de matérias para boas reflexões sobre como salvar o Brasil, e, lógico, não sou diferente e também tenho a minha opinião de como agir. Corroborando Leandro Karnal na coluna de Sônia Racy (C2). Vou me ater ao texto de Nathan Blanche, página A2, “Crescimento econômico: não há milagre”. Rememorando as primeiras aulas num curso de Economia, lembro-me da colocação de um professor que dizia que, “para ter crescimento econômico, o básico é produzir uma quantidade de coisas, bens úteis, mais do que a quantidade que se consome no mesmo período”. Uma afirmação muito lógica. Levei este pensamento para a vida e me pauto por ele. Vendo o Brasil de hoje, noto que consumimos mais do que produzimos, logo, empobrecemos. Como reverter essa situação? Teoricamente, é fácil, basta num primeiro momento gastarmos menos. Socialmente impossível! Vamos lá, no Brasil, temos diversos Brasis, e separo basicamente em dois, aquele dos que produzem e o dos que consomem produzindo pouquíssimo, ou seja, o Brasil da iniciativa privada que a duras penas produz mais que consome e o Brasil do poder público que consome sem praticamente nada produzir. A massa trabalhadora, a classe média, está atarantada, não sabendo direito o que está acontecendo, pois em tempos passados os ditos “empresários” massacravam os trabalhadores e estes, então, os trabalhadores, viram no “Estado” a solução para a cura dos seus males. Hoje o Estado agigantado “come a perna do brasileiro”, e cada vez com mais fome, mais voracidade. Para sair desta “sinuca”, é necessário que um governo se estabeleça com o firme propósito de reduzir os gastos estatais, e repassar este “ganho” para o setor produtivo gradativamente, através da redução dos impostos até um nível razoável incentivador da produção e da livre concorrência. O problema todo é que para isso acontecer temos de passar por uma transição que se desenha dolorosa e socialmente não aceita por aqueles que estão no poder. Este é um assunto que merece maior discussão, mas paro por aqui, para não ser cansativo.

Guilherme Pacheco e Silva guilherme@taguá.com.br

São Paulo

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LEANDRO KARNAL

Sobre a entrevista com o historiador Leandro Karnal (“‘Estamos precisando muito mais de divã do que de análises sociológicas’”, 26/12, C2), não concordo que as medidas tomadas na calada da noite fazem parte da democracia. Talvez da democracia calheiresca, mas esdrúxula, distorcida, etc., pois o projeto de lei com as dez medidas contra a corrupção seguiu o rito previsto na Constituição e foi alterado e adulterado pelos deputados, cabendo, portanto a intervenção do STF, em que o ministro Luis Fux foi correto. O professor Modesto Carvalhosa tem essa opinião e eu respeito. O acúmulo do STF se dá pelo número excessivo de foro privilegiado dado aos políticos, mas certamente eles não cortarão suas vantagens, que lhe permitem todo tipo de sacanagem e ainda permanecer no cargo. Cabe mais uma proposta popular. Acho até que cabem também alguns movimentos com quebra-quebra, pois só esta linguagem eles entendem. Não gosto da violência, mas gostaria de ver o Brasil ético.

M. Mendes de Brito mdebritovoni@gmail.com

Bertioga

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‘ESTAMOS PRECISANDO MUITO MAIS DE DIVÃ’

Caro presidente Karnal (26/12, C2), Vsa. Excia. acha mesmo que medidas aprovadas na calada dá noite fazem parte da democracia do Montesquieu?

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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EDUCAÇÃO E CARÁTER

Leitores ávidos por conhecimento e explanações – principalmente de nossa enferma realidade social, política e econômica – gostam de ler argumentos que realmente lhes tragam algo que venha de encontro com seus anseios. Dizer que o que falta à nossa cidadania é “mais divã”, e não muito mais educação e caráter, parece algo muito distante do que nosso intelecto necessita. Com franqueza e respeito ao sr. Karnal, não consegui – ao  longo de uma página de entrevista – encontrar algo que esquadrinhe uma face sequer do que poderia vir a ser uma luz para nossas mentes.

Pedro Paulo Santos santospedrop@hotmail.com

Sorocaba

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CRIME HEDIONDO

Li com atenção o que o leitor sr. Gilberto Pacini escreveu a respeito de crimes de corrupção acima de R$ 8,8 milhões serem tratados como crime hediondo (“Estadão”, 27/12, A2). Isso me fez lembrar de um episódio ocorrido numa empresa quando foram demitidos dois funcionários por justa causa. Um deles havia furtado dezenas de latas de tinta e o outro só cem folhas de papel sulfite. Perguntei ao encarregado: Será que o que furtou só cem folhas de sulfite não estaria sendo tratado com muito rigor? E a resposta me convenceu: Ele só levou papel sulfite porque só teve acesso a isso. Se tivesse tido acesso a mais coisas, teria subtraído também. É o caso dos políticos, se tiverem acesso a maiores valores, fatalmente os levariam. No meu entender, crime hediondo é qualquer furto de dinheiro público, sem especificar valores.

Gilberto Abu Gannam gilbgag1@hotmail.com

Piracaia

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O REAJUSTE DOS VEREADORES

Por sorte o juiz Alberto Alonso Muñoz considerou que o auto reajuste salarial dos “edis” paulistanos foi uma aberração. Afrontaram o artigo 21 da Lei de Responsabilidade Fiscal, que afirma ser “nulo de pleno direito o ato que provoque aumento de despesa com pessoal”. Ora, o desrespeito foi na ordem de um singelo “plus” de 26,3% em seus holerites. Todavia, quem se sentir prejudicado pode pedir afastamento do cargo que “acham” exercem na Câmara Municipal. O povo paulistano vai comemorar! 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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FALTA DE RESPONSABILIDADE

Tribunais de Contas dos Estados (TCEs) aprovaram contas de Estados em calamidade financeira. Vejam a falta de responsabilidade. Aprovaram contas com recomendação de rejeição pela análise dos técnicos. Mas vamos ver o que são os Tribunais de Contas (TCs). Existem para apreciarem e julgarem as contas do presidente da República (TCU), dos governadores (TCEs) e dos prefeitos (TCMs). No último caso só há dois, o da cidade de São Paulo e o da cidade do Rio de Janeiro. As contas das demais prefeituras dos Estados são analisadas pelo TCEs. Seus membros, ministros para o TCU e conselheiros para os TCEs e TCMs, são nomeados pelo chefe do Executivo. E aí é que começa o erro. O chefe do Executivo pode nomear qualquer um, desde que, como em qualquer cargo, tenha reputação ilibada. Deveria ter o notório saber. Como vai julgar contas, se não tem conhecimento de contabilidade pública? Não sabe o que é ativo, passivo, patrimônio líquido, patrimônio a descoberto, depreciação, diferimento, etc. Essa parte fica para os técnicos que realmente entendem de contabilidade pública, e justamente o parecer deles não é levado em conta no julgamento pelo tribunal. Estes tribunais são órgãos auxiliares do Poder Legislativo, e aí a questão acaba sendo política. Não tem técnica no julgamento das contas, até porque os parlamentares são analfabetos em contabilidade pública. Logo, o que vai prevalecer no julgamento das contas é a política. Pode ter lá no relatório uma observação de que houve desvio indevido de recursos para a área tal, sem a devida provisão orçamentária, que ocasionou um déficit de tanto, que os parlamentares vão aprovar. O julgamento é político. Então para que os TCs? Não seria melhor extingui-los? Assim eles são nada mais, nada menos, que um cabide de emprego de luxo. Cargo vitalício e bem remunerado, pelo que temos visto ultimamente, nas delações da Lava Jato: conselheiros do TCE-RJ envolvidos em venda de pareceres e o seu presidente levado coercitivamente para depor. E os TCEs dos outros Estados? Alguém acha, em sã consciência, na podridão em que se transformou esta República, que tem algum órgão probo? Alguém acredita que não há venda de pareceres ou de qualquer oura coisa, depois de tudo o que está sendo apurado na Lava Jato? Otários somos nós, povo, que votamos apenas em um cara, no caso o presidente da República, por exemplo, e ele nomeia, a bel prazer, sem nos consultar, este ou aquele ministro, este ou aquele presidente de estatal, etc. Às vezes nomeia um cara que o povo rejeitou nas urnas. E a conta vocês sabem quem paga, não?

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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NORDESTE, MEU AMOR!

O governador de São Paulo e futuro candidato à Presidência, Geraldo Alckmin, assinou termo de concessão de equipamentos, bombas do sistema Cantareira, para mitigar a seca no Nordeste. Serão beneficiados a Paraíba e Pernambuco, que anteriormente já havia realizado testes na terra do frevo da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantã contra a dengue. O presidente Temer também vai anunciar recursos contra a seca. Desembarcou em Maceió, para assinar repasse de R$ 755 milhões, a serem aplicados na região do semiárido, para tentar minimizar a situação de longas estiagens nos Estados nordestinos. É a segunda visita que Temer faz à região. Já esteve em Pernambuco para tratar de assuntos ligados à transposição do São Francisco. Como se nota, infelizmente, a falta de água no Norte/Nordeste continua sendo um grande trunfo para candidatos a cargos públicos. E todos, sem distinção, se aproveitam da fragilidade do povo daquelas plagas, que há séculos é enganado pelas raposas da política nacional. Portanto, governador, não basta emprestar as bombas, tem de ter um acompanhamento ferrenho, para ver se realmente serão ligadas, para que não enferrujem no tempo e fiquem conhecidas somente como as “bombas” do Alckmin. Mesmo alerta para Temer: a verba destinada a 15 Estados, obrigatoriamente, a contrapartida tem de ser apresentada em forma de benfeitorias realizadas. Se não tiver um acompanhamento efetivo, em vez de regar o sertão com o líquido precioso, com certeza, a bendita água será transformada em vinhos e champanhes importados, para deleite de políticos inescrupulosos.  

    

Sérgio Dafré sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

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ARTIMANHA DO RIO DE JANEIRO

O governo federal obrigar-se a pagar a gestão do parque olímpico do Rio de Janeiro, uma ofensa a todos nós, brasileiros dos outros Estados do Brasil. Eu não concordo, e tenho certeza de que o meu governador, Beto Richa, e todos os outros governadores do Brasil não concordam. Isso não é para o Brasil; isso é mais uma artimanha do Rio de Janeiro, que sempre procura cobrir-se com o governo federal em todas as suas ações mal planejadas. Fazer Olimpíada é para país rico, onde saúde, educação e segurança já estão garantidos; se o Estado do Rio a queria, que arcasse com tudo emanado dela, não nos explorando nem ao governo federal, pedindo inúmeras verbas, e, se possível, a fundo perdido, pedindo e usando o Exercito Nacional inteiro (pago por nós), à sua disposição, como aconteceu, e agora vem com esta novidade de que o governo federal arque com as todas as despesas necessárias para manter o seu parque olímpico. O Rio o criou, o Rio que o mantenha.

Ascencio Garcia Lopes tonygl@sercomtel.com.br

Londrina (PR)

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NATAL SEM ÁGUA!

Em pleno dia de Natal, a Sanepar desligou o fornecimento de água para grande parte do bairro periférico do Tatuquara, sem qualquer aviso aos moradores. O fornecimento foi interrompido na noite do dia 24, e milhares de moradores dos Conjuntos Boa Esperança 1, 2 e 3, e Moradias Monteiro Lobato tiveram sérios problemas para preparar almoço natalino para seus familiares e parentes. Falta de espírito natalino e insensibilidade do governo estadual e da Sanepar. Fazer manutenção na rede de água em bairros nobres, como no Mossunguê, onde mora o governador, em dia de Natal, nem pensar, né? Falta respeito para com o povão!

Célio Borba borba.celio@bol.com.br

Curitiba

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MORTE NO METRÔ

Assistimos às imagens das câmeras do Metrô de São Paulo na Estação Pedro II em que dois valentões agridem covardemente uma pessoa naquele local e não aparece sequer um segurança – daqueles que costumamos ver normalmente, mas que em situações como esta são de uma covardia imensa –, e o caso resultou em morte. Passageiros que assistiram à cena de agressão violenta não puderam intervir porque poderiam sofrer o mesmo ataque. Espera-se que os culpados sejam processados e condenados e, quando na cadeia, os demais presos sejam informados do porquê estão ali, para serem testados em sua “valentia”.

                                                                                                                                                                                                      

Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo

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TRANSTORNADOS

Matérias nos meios de comunicação mencionam um vídeo de 25/12 da segurança de uma estação de metrô em São Paulo que registra a perseguição, espancamento covarde e morte de um vendedor ambulante de 54 anos. Ele teria ousado defender um travesti da agressão prévia pelos mesmos dois rapazes que o trucidaram. O que é doloroso constatar é que esses bandidos têm muito em comum com os assaltantes do erário revelados pela Operação Lava Jato. É o recurso à frase de asquerosa negação de seus crimes: “Estou em paz com minha consciência”. Somos atualmente uma sociedade moralmente transtornada de alto a baixo.

Claudio Janowitzer cjanowitzer@gmail.com

Rio de Janeiro

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CHOCANTE

Ao evitar uma agressão homofóbica praticada por dois homens, um trabalhador acabou sendo vítima fatal de racismo. A ausência do poder público, em garantir a segurança pública, e o olhar passivo dos transeuntes chocam tanto quanto o brutal assassinato.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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SEGURANÇA PÚBLICA

Eis aí mais um caso em que, desgraçadamente, as autoridades da área de segurança chegam ao local do crime somente quando consumada a tragédia. Refiro-me ao camelô que acabou morto após ter sido brutal e covardemente espancado por dois jovens dentro da estação Pedro II do Metrô de São Paulo, por pura perversidade. Os seguranças do Metrô deram as caras, vergonhosamente, no local do delito somente depois da fuga dos agressores. Para piorar a situação, existe ainda esta tal da famigerada Lei do Desarmamento, que me obriga, idoso, a andar desarmado num meio de tanta covardia.

Marcelo de Lima Araújo marcelodelimaaraujo@yahoo.com.br

Rio de Janeiro

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INSEGURANÇA TOTAL

Vendo as imagens do absurdo assassinato do ambulante dentro da estação Pedro II do Metrô, pergunto: como pode a segurança do Metrô permitir tal ato, que só confirma a falta de segurança que enfrentamos por toda a cidade? Não podemos aceitar agressões nem nas ruas, imaginem dentro de uma estação do Metrô.

Laert Pinto Barbosa  laert_barbosa@globo.com

São Paulo

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AOS QUE ADMIRAM DITADURAS

O que fizeram com o ambulante do metrô era regra na Alemanha nazista contra os judeus. Não esqueçam os que admiram ditaduras!

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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