Fórum dos Leitores

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O Estado de S. Paulo

07 Janeiro 2017 | 03h02

FACÇÕES EM PÉ DE GUERRA

Muda, Brasil

A carnificina nos presídios brasileiros poderia ter sido evitada, queiram ou não os nossos governantes. Parece-me que não envelheci, lembro-me perfeitamente do dia em que, em 1982, o antropólogo, escritor e político Darcy Ribeiro disse: “Se nossos governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. Não lhe deram atenção e agora quererem justificar o injustificável. As explicações dos nossos governantes nos deixam em condições de afirmar que a esquizofrenia (alteração cerebral que dificulta o correto julgamento sobre a realidade) tomou conta deles – poucos, pouquíssimos se salvam. Precisamos acabar com essa política que passa de pai para filho, netos... Muda, Brasil!

LEÔNIDAS MARQUES

leo.marquesvr@gmail.com

Volta Redonda (RJ)

Nau pirata

Por tudo o que estamos vendo, o Brasil tornou-se uma grande nau pirata. Os que foram eleitos para conduzi-la se aproveitam de sua carga, usando todas as formas de rapinagem, e a nau está perdendo o rumo. Esse episódio no Amazonas serviu para se constatar o alto custo de um detento para o Estado, a péssima administração de presídios e o dinheiro para a campanha do governador doado pelas empresas que deveriam administrá-los. Temos alguma esperança de que esta nau entre no rumo certo?

CARLOS E. BARROS RODRIGUES

ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

Direitos humanos

Incrível como mais uma vez se repete uma “crônica da morte anunciada”. Há poucos dias uma medida provisória transferia 30% da verba da área penitenciária para a de segurança. Aí vem o ministro da Justiça e relata o número de 50 mil homicídios no ano passado! Já está mais que na hora de um presidente com formação de constitucionalista promover uma reforma do Direito Penal, aumentando as penas para esses marginais e adequando as dos “ladrões de galinha”. De ontem para hoje mais de 50 pessoas foram assassinadas!

EDMIR DE MACHADO MOURA

negrinho10@hotmail.com

Caçapava

Ministro erra

O ministro da Justiça tem se mostrado atento ao que acontece no País. Mas falhou no anúncio de providências para tranquilizar a população e responder ao clamor público. Relacionou boas medidas, como o combate ao tráfico de drogas e armas (origem de grande parte dos crimes) e aos homicídios, mas “escorregou” quando pulou para a modernização dos presídios (consequência imediata do ocorrido no Amazonas). Ninguém em sã consciência aceita este eterno problema de superlotação e outros maus-tratos aos presidiários, porém esquecer de relacionar os investimentos na modernização das polícias foi um erro grave. Como continuar a proteção da sociedade sem qualificação adequada dos policiais, reaparelhamento das polícias, aumento de efetivos? E os outros crimes contra a pessoa e o patrimônio? Os marginais têm um arsenal de dar inveja a qualquer polícia. Como compensar isso?

JOÃO COELHO VÍTOLA

jvitola@globo.com

Brasília

Sistema penitenciário

Recortei para guardar o excelente artigo de José Renato Nalini sobre a situação dos cárceres no Brasil (6/1, A2). Ele lembra que o Judiciário já tem instrumentos para ser mais proativo na cobrança de ações do Executivo, visando a resgatar a dignidade do sistema prisional, na medida em que este nega direitos fundamentais aos encarcerados. Apenas de um item discordei: acredito que os R$ 2 bilhões disponíveis no Fundo Penitenciário não sejam pouco dinheiro e bem investidos podem proporcionar enorme avanço na solução dos problemas. E isso é urgente!

EDUARDO BRITTO

britto@znnalinha.com.br

São Paulo

Atacado e varejo

Acostumamo-nos a ignorar os fatos do dia a dia, isoladamente, mas que somados apresentam números alarmantes. O País tem centenas de presídios e deve haver dezenas de mortes diárias não divulgadas, pois são parte do varejo do crime organizado. Quando acontece um massacre com dezenas de mortes, aí é notícia, do atacado do crime organizado. O mesmo se dá em acidentes com dezenas de vítimas, considerados tragédias, embora os acidentes isolados matem mais de 250 pessoas por dia. A situação dos presídios sempre foi uma calamidade, desumanidade, mas não era notícia, não mobilizava as redes sociais, a mídia, as igrejas (todas), que viravam avestruz, não viam nada, e quando podiam ver se escondiam. O “conserto” do Brasil começa pela visão dos fatos no varejo pelas autoridades e pela mídia.

LUIZ RESS ERDEI

gzero@zipmail.com.br

Osasco

CÓDIGO COMERCIAL

Momento inoportuno

A Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) manifestam concordância com os argumentos expostos no editorial A reforma do Código Comercial (5/1, A3). Discutir o código neste momento é extremamente inoportuno, visto que há reformas muito mais urgentes e mais relevantes para o País, que ainda não se recuperou dos efeitos da pior crise econômica das últimas décadas. Além disso, exigir que as empresas – já tão preocupadas com a própria sobrevivência em tempos de recessão – tenham ainda de se adaptar a um extenso conjunto de regras, muitas delas questionáveis, é chutar contra o próprio gol.

ALENCAR BURTI, presidente da Facesp e da ACSP

rjesus@acsp.com.br

São Paulo

ANIVERSÁRIO DO ‘ESTADO’

Credibilidade e inovação

Em nome da diretoria da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), parabéns ao Estadão pelos 142 anos de vida, sempre no topo do ranking de credibilidade e antenado às inovações. Estamos juntos na luta pela liberdade de expressão e no repúdio à censura!

ALEXIS THULLER PAGLIARINI

alexis@fenapro.org.br

São Paulo

Em nome do Conselho de Administração e dos demais colaboradores da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, cumprimento a equipe do Estado pelo 142.º aniversário. O jornal mantém-se como referência e é reconhecidamente um dos maiores diários do País em circulação e audiência. Durante décadas de sua história acompanhamos sua trajetória de sucesso e comprometimento com o exercício do jornalismo. Desejamos-lhe ainda mais sucesso e muitos outros anos de realizações.

RUI ALTIERI SILVA

daniel.serpa@cdicom.com.br

São Paulo

“Afinal, para que servem as penitenciárias brasileiras?”

ROBERT HALLER / SÃO PAULO, SOBRE MASSACRES EM PRESÍDIOS

robelisa1@terra.com.br

“Estamos perdendo a guerra. O comando das facções parece bem superior ao comando do Estado. A falência das instituições estimulou as organizações criminosas, que chegaram à conclusão de que o crime compensa”

MARCOS CATAP / SÃO PAULO, SOBRE A BELIGERÂNCIA INTERNA

marcoscatap@uol.com.br

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CARNIFICINA EM BOA VISTA

Depois de Manaus, ontem foi a vez de nova matança e carnificina no presídio de Boa Vista, Roraima, onde 33 presos foram assassinados. Pura barbárie e crônica de mortes anunciadas. Em qualquer país civilizado, o presidente, os governadores e seus auxiliares da área de Justiça e segurança pública já teriam sido sumariamente afastados. Já no golpista e subdesenvolvido Brasil, as vítimas são culpadas de seu infortúnio e os responsáveis ficam impunes, como se fosse um mero "acidente pavoroso" causado pela natureza.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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'ACIDENTE PAVOROSO'

Inaceitável e imperdoável o pronunciamento do presidente da República sobre a chacina dantesca ocorrida na prisão de Manaus. O presidente Michel Temer, além de demorar demais para se pronunciar a respeito, quando o fez, nos envergonhou a todos, quando classificou a carnificina de "acidente pavoroso". E, ainda, procurou isentar as autoridades amazonenses pela tragédia, argumentando que o presídio está terceirizado. Ora, a imprensa já anunciou que o valor cobrado para cada preso está supervalorizado e, além do mais, caberia às autoridades responsáveis por aquele Estado fiscalizar a execução dos trabalhos da empresa terceirizada. Essa seria a mínima providência que caberia a eles. As prisões no Brasil estão superlotadas e mal administradas, a Justiça demora demais para autorizar a soltura daqueles que já cumpriram sua pena e continuam presos. Ninguém ignora que para os nossos políticos não há nenhum interesse em construir novos presídios, pois acreditam que depõem contra a almejada progressão nas suas carreiras, pela reação dos moradores da localidade onde deveriam ser construídos. Portanto, está muito equivocado o nosso presidente quando ousa chamar uma tragédia anunciada de acidente e tenta eximir as autoridades de plantão. Ao contrário, todos já deveriam estar demitidos, pois é o mínimo que se espera depois de tal barbárie. Já não esperava muito do nosso presidente. Depois de tal pronunciamento, coloquei as barbas de molho.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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ACIDENTE?

Indesculpável a apreciação do presidente Michel Temer sobre os trágicos acontecimentos em Manaus. Após quatro dias de procura, ele não encontrou as palavras apropriadas para se exprimir. Quem sabe as lembranças do Carandiru o tolheram. Depois, como sempre, reuniões ministeriais, muito blá blá blá, promessas e nenhuma ação. Acidente pavoroso, mesmo, para o Brasil, foi sua ascensão à Presidência da República!

Elias da Costa Lima edacostalima@gmail.com

São Paulo

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VEXAME INDESCULPÁVEL

O que ocorreu em presídio de Manaus, quando dezenas de presos foram selvagemente decepados, esquartejados, mutilados e carbonizados, constitui um vexame imperdoável e indesculpável para uma nação que tem alicerces centenários de princípios católico-cristãos, que não admitem o escárnio perpetrado pelo Estado Islâmico e seus congêneres. O que causa espécie é que só agora, depois da porta arrombada, é que comissões e grupos de trabalho e planos nacionais de segurança sejam propostos, os quais já deveriam vigorar há muito tempo. Tudo isso, sr. presidente Temer, nos dá a impressão de tibieza, o que provoca muita tristeza, apreensão e enorme preocupação com nosso futuro.

Luiz A. Garaldi de Almeida lagaraldi@uol.com.br

São Paulo

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POR QUE SÓ AGORA?

Não vamos dizer que o presidente Michel Temer é o culpado pelo estado de violência nas prisões brasileiras, mas dizer que foi um acerto de contas do Primeiro Comando da Capital (PCC) também é aceitar as mortes como normais, não é, ministro Alexandre de Moraes? A pergunta que não quer calar é por que nada disso foi feito antes. Por que governos anteriores nada fizeram? Seus ministros da Justiça ganharam no mole enquanto as prisões ficavam lotadas, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) diz, agora, que vai levar a morte nos presídios para a Corte Interamericana dos Direitos Humanos, como se o problema tivesse surgido agora. De que adianta saber quantos são os presos, se nada é feito para coibir a matança nos presídios? Há muitos anos essa violência está sendo urdida e, agora, os presos resolveram marcar presença. Perceberam que está tudo dominado. Enquanto governantes corruptos roubaram e enriqueceram, estavam de costas para a selvageria praticada nos presídios. Agora, querem apagar incêndio. A culpa é de todos que têm a obrigação de zelar pela ordem, pela garantia dos direitos de ir e vir e pela aplicação correta das verbas em cada setor. Até aqueles que pagam caríssimos impostos são vítimas da incompetência dos governantes. Vivemos trancafiados em nossa casa, enquanto os poderosos sobrevoam nossas cabeças. É preciso aplicar lei igual para todos. Tanto para o andar de baixo quanto para o andar de cima. Sem isso, a violência vai continuar.

 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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ERA UMA VEZ...

Era uma vez um certo governador do Amazonas, de nome José Melo, muito infeliz ao contar, da sua maneira, a história do massacre no presídio de Manaus. Entusiasmado com os holofotes e microfones, foi incisivo afirmando que nesta tragédia "não havia santo". Com essa declaração totalmente ridícula, demonstrou sua insensibilidade e total falta de tato para lidar com a coisa pública. Soube pedir e negociou apoio da facção criminosa daquele complexo penitenciário para a sua campanha eleitoral, conforme comprovado em áudio, tendo recebido 100 mil votos dos traficantes com a promessa de não prejudicar os negócios dos criminosos. Portanto, é evidente que este governador "contador de histórias" é muito pior do que os pobres massacrados que "não eram santos". Impeachment nele! Muda, Brasil!

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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MASSACRE EM MANAUS

Em 2012, o então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse que "preferia morrer" a ficar preso no País. Citando tortura e maus-tratos sistemáticos, o Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu ao Brasil, em 2014 e em 2016, explicações sobre a situação de seu sistema prisional. Nada mudou para reverter essa situação, que "é grave e vai explodir", como declarou recentemente em Manaus a ministra Cármen Lúcia, pois os presos não votam, não têm voz na sociedade e, entre os que foram assassinados, "não tinha nenhum santo", como declarou o governador do Amazonas José Melo, numa frase infeliz que reflete o pensamento de muitos políticos sobre o assunto.

Omar El Seoud ElSeoud.USP@gmail.com

São Paulo

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O INFERNO É AQUI

O Brasil mostra que o inferno é aqui e que Deus não é brasileiro. Não basta os hospitais serem açougues onde um enfermo preferiu se matar a ser tratado como uma coisa. Não basta as UTIs não terem sequer ar-condicionado e as cirurgias ou serem canceladas ou feitas com janelas abertas. O Brasil é líder em assassinatos, mortes no trânsito e concentração de renda e lanterna na educação, numa total inversão de valores. O massacre no presídio de Manaus é o retrato do Brasil: carnificina inimaginável, regada a muita corrupção e incompetência total das autoridades, que vêm a público justificar fracassos, dando soluções que nunca ocorrerão. Mais da metade dos presos nem sequer havia sido julgada, a administração era uma "parceria" entre o público e o privado (leia-se corrupção, que envolveu mais de R$ 1 bilhão do nosso dinheiro). A presidente do Supremo e o ministro da Justiça fazem reuniões de emergência, autoridades vêm a público dando justificativas para explicar fracassos, a ONU exige investigação e depois tudo ou nada vai mudar para continuar pior. Parte da população acha a carnificina boa, pois são marginais. Não percebe o nível da barbárie que representa o retrato da Nação em todos os sentidos: violência, barbárie, indiferença pela vida humana, desorganização, ignorância e muito cinismo, regados a muita roubalheira. Vergonha mesmo de ser brasileiro ao ver o mundo reprovando a selvageria, sob a indiferença dos mesmos que não fazem nada diante deste quadro pavoroso. Decapitações, dilacerações e carbonizações chocaram a equipe do Instituto Médico Legal de Manaus. E há muitos brasileiros achando que a soma de erros gera um acerto e afirmam, de peito estufado: "Que limpeza, menos bandidos!". Nosso povo já perdeu a noção do que separa a civilização da barbárie, e este é o primeiro sinal de que o tecido social gangrenou, e, a exemplo da carnificina no presídio, ainda serão geradas mais violência e mais desgraças pavorosas que não chocarão mais a maioria. Lúcifer agradece, pois estão dando todo conforto a sua estadia. Ele dança ao som do Hino Nacional na festa Brasil e se farta com o banquete, pois o inferno é aqui e ele veio para ficar.

Mario Nazaré marionazare@gmail.com

Curitiba

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PRESÍDIOS BRASILEIROS

 

As facções Primeiro Comando da Capital, Família do Norte e Comando Vermelho surgiram em decorrência das más condições prisionais existentes no País, como é o caso, por exemplo, de abrigar três vezes mais presos numa só cela. E a rebelião em Manaus, no momento atual, como bem disse o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, não é resultado somente da guerra entre facções, mas novamente dos maus-tratos e da promiscuidade nas celas, onde convivem presos amontoados como se animais fossem. O processo de causas e efeitos precisa ser analisado para tomar providências não só contra as facções, como também com relação à convivência prisional, que é péssima e merece dezenas de reparos.

José C. de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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CRIME ORGANIZADO

Perguntar não ofende: partindo da premissa de que o poder das organizações criminosas cresce e o Estado vai à falência, quais as razões que fazem com que determinados líderes encarcerados tenham condição de administrar um sistema de comando complexo, serem admirados, respeitados e ainda promover o crescimento de organizações que lideram?

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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DO RECONHECIMENTO À AÇÃO

Os trágicos acontecimentos recentes em Manaus confirmam o que já se sabe exaustivamente, ou seja, que a situação do sistema prisional no País é caótica. O primeiro passo é reconhecer a gravidade do problema: reconhecer que existem facções criminosas que atuam dentro e fora dos presídios; aceitar que os governos, nas esferas estadual e federal, têm sido historicamente lenientes, omissos e incompetentes, por não dedicarem a atenção devida a essa grave questão; aceitar que nossos presídios são depósitos de presos, estabelecimentos que não respeitam o ser humano e não lhes confere nenhuma dignidade e que a ressocialização, nessas condições, é uma utopia. Entender que uma única solução, emanada do poder central não deu certo. É preciso ter coragem para enfrentar este grave problema e não existe solução mágica, mas elas existem: 1) é preciso descentralizar as ações, distribuir a maior parte da verba do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) para que cada Estado planeje e execute suas ações; 2) aplicar penas alternativas aos autores de crimes de pequeno potencial ofensivo e para aqueles que não trazem perigo à sociedade, evitando encarcerá-los; 3) construir presídios, preferencialmente por Parcerias Público-Privadas (PPPs), e não terceirizados (como Manaus, que não deu certo), transferindo para o particular a construção e operação do presídio, mantendo com o Estado a responsabilidade indelegável da função jurisdicional e a fiscalização sobre tais estabelecimentos; 4) melhorar as condições dos presídios atuais de estadia e alimentação e não permitir, taxativamente, a entrada de celulares, materiais e alimentos, aumentando o rigor do controle em todos eles; 5) classificar os reeducandos segundo seu grau de periculosidade e reincidência, evitando o convívio de presos primários com delinquentes de alta periculosidade; 6) reassumir efetivamente o controle interno dos presídios, hoje confiado em muitos estabelecimentos, até mesmo por falta de funcionários, à gestão dos próprios detentos; 7) incentivar o complemento de estudos e o trabalho para os reeducandos, conforme estipulado pela Lei de Execuções Penais. Se quisermos extinguir o poder das chamadas facções criminosas, é preciso deixar de relativizar o consumo das drogas, origem de todo o mal e principal fonte de renda para o tráfico. O consumo, também, deve ser severamente punido, o que hoje não acontece, facultando aos que em acesso ao tratamento médico ou ambulatorial. Mas o uso recreativo ou a recusa em buscar tratamento devem ser duramente reprimidos. Por último, e sem dúvida o principal, temos de investir na internalização de valores éticos, morais, de respeito, de cidadania por meio da educação das crianças e adolescentes, que, infelizmente, colocamos em segundo plano. Como disse Victor Hugo, "quem abre escolas fecha presídios". 

Alvaro Camilo, deputado estadual (PSD), foi comandante-geral da PM de São Paulo de 2009 a 2012 coronelcamilo@gmail.com

São Paulo

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PRISÕES DIFERENCIADAS

O sistema prisional brasileiro é falido: prisões superlotadas e a polícia prende e a Justiça solta, por causa da superlotação. Solução: construir prisões diferenciadas para cada tipo de crime. Todo crime tem de ser punido com prisão, o que não pode é bandido andar solto.

Aurélio Paiva aureliobpaiva@gmail.com

Brasília 

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LIXO INSTITUCIONAL

Esta vergonha do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus (AM), que deixou um saldo de 60 mortos, muitos destes até decapitados, fruto de uma briga entre facções, tem outra face que nos indigna também. Além do relapso governo do Estado do Amazonas, que sabia que uma possível rebelião ocorreria, e não tomou nenhuma providência, relatos dos familiares dos presos ao jornal "O Globo" confirmam pagamento de pedágio de R$ 200 para agentes penitenciários, para liberar a entrada de drogas e de celulares nos presídios. E, para a entrada de armas, R$ 1 mil. Ou seja, a bandidagem está solta também entre os que administram o presídio. Ora, de que adianta instalar aparelhos sofisticados de detectores de metais, etc., se são corruptos os que controlam esta passagem dos visitantes? Na realidade, há muito lixo institucional a ser varrido neste país.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos 

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CORRUPÇÃO?

"Por trás de uma criança tem sempre um cachorro escondido." Por trás de um empresário ladrão tem sempre um grupo de políticos corruptos escondido. Invariavelmente, a chaga brasileira é sempre a mesma: seus políticos depravados. Segundo notícias, o valor cobrado por preso pela empresa curiosamente chamada Humanizare, que financiou a campanha do governador do Amazonas, é mais que o dobro da média nacional.

  

Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia

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SOB AMEAÇA

A afirmação do ministro da Justiça de que a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas sabia do plano dos detentos em relação à fuga em massa e à rebelião é muito grave. E preocupa a hipótese de que isso possa acontecer em outros Estados. Quando teremos uma política de segurança nacional que não leve em conta apenas a estrutura repressiva, mas a implementação de políticas sociais? E, por certo, a tramitação processual no Judiciário deve ser mais ágil. Não podemos correr o risco de viver sob ameaças constantes de facções criminosas.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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A MENSAGEM DO PAPA

No exercício do trono de Pedro desde março de 2013, somente agora o pontífice Francisco vem expressar sua dor e preocupação com relação aos presídios brasileiros. Enquanto a companheira Dilma Rousseff era a responsável, a realidade dos presídios brasileiros não lhe causava dor ou preocupação. Agora, a omissão cessa e a indignação é expressa aos quatro ventos. Muito oportunismo! 

Ricardo N. Miranda rnmiranda01@gmail.com

Brasília

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DIREITOS HUMANOS

Seis policiais mortos nos cinco primeiros dias de 2017 no Estado do Rio de Janeiro, e não vi nenhuma ONG falar algo sobre isso. Agora, sobre bandido, ladrão ou traficante que morre, eles vêm falar em direitos humanos? Cínicos e hipócritas.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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VIOLÊNCIA CRESCENTE

Por uma diferença de apenas cinco votos, a Câmara dos Deputados deixou de aprovar um projeto de lei para a redução da maioridade penal, a partir dos 16 anos, em casos de crimes hediondos, como estupro, latrocínio, homicídio e lesões corporais graves. Para surpresa, a mídia noticiou que os jovens infratores em semiliberdade são liberados nas sextas-feiras e retornam nas segundas pela manhã. E, agora, o surreal: sem comida, o Departamento Geral de Ações Socioducativas (Degase) liberou 400 jovens no dia 20 de dezembro de 2016 para passar o Natal e o ano-novo com a família e adiou o retorno deles para o dia 9 de janeiro. Isso contribui muito para o aumento da violência no Estado do Rio de Janeiro. Enquanto isso, na Argentina, o governo está estudando reduzir a maioridade penal para 14 anos. Não foi por acaso que o escritor Victor Hugo afirmou: "Quem poupa o lobo mata as ovelhas".

Luiz Felipe Schittini fschittini@gmail.com

Rio de Janeiro

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DESEMPREGO E A CASA PRÓPRIA

A tão sonhada casa própria da população brasileira virou um enorme pesadelo para 8.626 mutuários em 2016, que a perderam por falta de pagamentos, com uma única justificativa: perda do emprego. A Caixa Econômica Federal retomou esses imóveis e os colocou a venda - por meio de leilões, concorrências públicas ou venda direta. Enquanto isso, a maioria dos políticos responsáveis por ter feito o País atingir tal situação caótica vive muito bem, obrigado, com os bolsos cheios do nosso dinheiro roubado, livres, leves e soltos e com seus bens em nome de laranjas no Brasil e em paraísos fiscais, espalhados pelo mundo afora. Né não?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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SAQUE DO FGTS

Gostaria de perguntar ao sr. Flávio Tavares ("O triunfo da tolice", "Estadão", 4/1, A2) se ele sabe qual é o rendimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Ele sabe que o maior beneficiário deste programa é o governo federal? Ele sabe que a maior parte dos rendimentos fica com os governos, e o cidadão brasileiro somente com as migalhas? Ele sabe que esse dinheiro que ficou com o governo foi utilizado para financiamento de ditaduras? Ele acha que o cidadão deve fazer o que bem entender e sacar quando necessitar? 

Jean Francisco Cavalcante jean870@gmail.com

São Bernardo do Campo

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ELEIÇÃO NA CÂMARA

Como funciona a presidência da Câmara dos Deputados em mandato-tampão? Ora, é simples: como não há nenhum dispositivo que trate de mandato-tampão, é exatamente como a presidência em mandato pleno. Não havia dúvida alguma a esse respeito, até que o atual presidente quisesse se reeleger, o que é vedado a um presidente da Casa. O que não convinha para ele. E aí ressurge a ladainha da conveniência, usada à exaustão em 2016: "A regra é, de fato, a regra, mas isso só se aplica a um caso geral. Já num caso específico, como é o meu, vale o que me interessa!". Será que vão conseguir enfiar mais uma jabuticaba jurídica goela abaixo dos brasileiros? 

Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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A CONTA DA CAMPANHA

Os candidatos à presidência da Câmara dos Deputados estão em andanças pelo País buscando os votos de seus colegas. Quem paga as contas dessas viagens? A Câmara, via orçamento, ou o Fundo Partidário? Para qualquer das respostas: os pagadores somos nós, os palhaços, também chamados de eleitores. Reforma brasileira já, antes que o Brasil acabe! 

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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CRISE BRASIL - FESTA AÉREA

Minas Gerais comprou novos helicópteros. O novo ano promete ser festeiro. E lá, de cima, quem tá embaixo que se dane!

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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PRIVILEGIADO

Sabem por que o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), continua a fazer o que está fazendo? Porque os processos conta ele estão sob o guarda-chuva do STF (foro privilegiado), logo, podemos aguardar novos disparates.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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O REAJUSTE NA CÂMARA DE SP

Estes políticos brasileiros são realmente caras de pau. Os vereadores do nosso município aprovaram, como de costume, o aumento de seus salários nos últimos minutos da sessão de 2016. Agora, covardemente, não querem aceitar a notificação feita pela Justiça cancelando o aumento. Essa turma só apela prejudicando a população, não nos bastam os problemas que enfrentamos no nosso dia a dia.

Laert Pinto Barbosa  laert_barbosa@globo.com

São Paulo

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O BOL$O DOS VEREADORES

O vereador Milton Leite (DEM), juntamente com Adilson Amadeu (PRB) e Adolfo Quintas (PSD), foram os que pediram o aumento de 26,3% para eles próprios. Será que isso contribuiu para a eleição do sr. Milton Leite como presidente da Câmara dos Vereadores? Na posse de domingo, na maior desfaçatez, Milton Leite disse que renuncia ao seu aumento, buscando fazer média com quem nele votou e com os desmemoriados. Em 2020 nos lembraremos de todos os covardes vereadores que esperaram passar as eleições municipais para votarem pelo aumento de seus salários. São vereadores sem nenhuma consideração com seus munícipes, mas com muita consideração pelos seus bol$os!

 

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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PRIMEIRO DIA DE GESTÃO

 

O carnaval nem chegou e o prefeito de São Paulo, João Dória, já se fantasiou de gari, agitou a galera, mas sua vassoura acabou saindo ilesa. Assim até eu, prefeito. Fala sério!

Maria Elisa Amaral marilisa.amaral@bol.com.br

São Paulo 

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NOVA ADMINISTRAÇÃO

Com Fernando Haddad, São Paulo parou, sujou e esburacou. Haddad já foi tarde. Muda, São Paulo.

Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

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FIZERAM FIGA

                                                                      

"Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil." Quando prestaram esse juramento, nossos deputados e senadores, com raríssimas exceções, fizeram "figa". Daí tanta roubalheira com a conivência deles, que se divertem com o balé jurídico da impunidade! Aqueles fariseus censurados por Cristo estão "reencarnados" nesses políticos que não se sensibilizam com o sofrimento do povo. Diante deste quadro tétrico, o que fazer? Exigir que todos esses bandidos travestidos de políticos sejam encarcerados. Foram eleitos para   fiscalizar a aplicação correta do dinheiro do povo, e não trocar apoio governamental em proveito próprio. Isso é a mais explícita malandragem. Nossos congressistas são cúmplices e beneficiários dessa gatunagem toda. A mobilização nacional não pode se descuidar, mas ficar atenta também, de que em seu meio há oportunistas que querem apenas trocar cinco por meia dezena. São ágeis e hábeis na arte de enganar, vendendo algodão por veludo, pois quando querem orientam e muito bem aos eleitores de todas as classes, como vimos na campanha das Diretas Já, que contagiou o Brasil, e, quando não querem, ficam trocando farpas com discursos de peitos estufados, mas sem nenhuma oxigenação cerebral, na base do roto falando do esfarrapado, como vimos também nestes dois últimos anos. O momento da vida pública brasileira é dramático e, a exemplo daquele movimento histórico pelas Diretas Já, temos de colocar o bloco na rua sem violência, mas com mais veemência, porque quando o povo se dispõe por uma causa justa as coisas de fato acontecem. O País inteiro ficou mobilizado naquela época e os estudantes de "cara pintada" de verde e amarelo tiveram papel preponderante. O Brasil não pode mais continuar sendo vítima e refém destes esquemas fraudulentos. É preciso uma reação de todos os segmentos da sociedade. Precisamos dizer com todas as letras para esses canalhas que esta pátria não pode continuar existindo apenas para eles, enquanto os demais sofrem sem uma educação de qualidade, sem segurança, sem saúde, sem remédios, com pessoas morrendo nas portas dos hospitais, nas filas das UBSs, UPAs, nas rodovias como a nossa BR-153, sem salário digno, sem nada e com 12 milhões de desempregados por culpa única dos congressistas que, consumindo mais de R$ 150 mil por mês, ficam vendo a corrupção aumentar, esperando as próximas eleições para se reelegerem e continuarem com toda esta mordomia à custa do sangue do trabalhador brasileiro, praticamente exangue de tanto ser sugado por eles. Nossa premência hoje é reinventar o governo e obrigá-lo a ter eficiência gerencial e decência comportamental.  Não podemos esperar mais. "Quem sabe faz a hora não espera acontecer"! Brasil, pátria amada: salvemo-la da sanha corrupta corroendo sua honra e manchando seu berço esplêndido. Que 2017 continue encarcerando toda esta corja que tanto infelicitou e ainda infelicita a Nação.

 

Manoel Antunes antunesmanoel@yahoo.com.br

São José do Rio Preto

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É PROIBIDO MENTIR

Toda posse de político é a mesma coisa. Um festival midiático, de asneiras, falsas promessas e, claro, de conchavos visando ao desvio de dinheiro público. Preocupação com a população, que é bom, nada. Ou muito pouca. Mas, para não dizer que é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um prefeito ou prefeita (já que domingo se abriu a temporada deles) ser aclamado como honesto e competente, felizmente, existem exceções. É importante dar oportunidade a todos, sim. Entretanto, que a Justiça e o povo continuem vigilantes e que apareça, logo, legisladores dispostos a criar leis sérias e, para valer, que retirem do cargo, em até dois anos, por exemplo, quem mentiu, enganou, foi perdulário e, obviamente, roubou. Só assim a corrupção diminuirá, o agente público cumprirá com suas obrigações e o cidadão terá pleno direito de ver seus pesados tributos pagos revertidos para todos. E não para uns poucos privilegiados, como acontece quase sempre em quase todos os municípios.

João Direnna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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PICHAÇÕES EM SÃO PAULO

Que alegria ler no jornal de domingo (1/1) que o prefeito eleito João Doria vai acabar com as pichações em São Paulo. Faço votos para que ele seja perseverante em suas metas, pois sei que será difícil, considerando que o próprio cidadão paulistano é o primeiro a emporcalhar a cidade. São Paulo merece um tratamento melhor. Morei fora por algum tempo e fiquei muito assustada, quando voltei, com a quantidade de pichações, a falta de zelo com o patrimônio público, com o asfalto de péssima qualidade, com o desrespeito das pessoas que jogam lixo no chão com displicência. Sou esperançosa e torço por João Doria para que ele mostre que é capaz de mudar a cara de São Paulo e dar um tapa na cara destes políticos que apenas têm nos envergonhado ao longo de todos esses anos.

Daniele Sant'Ana daniele.berbert@hotmail.com

São Bernardo do Campo 

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