Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2017 | 03h10

CUBATÃO

Melhor prevenir

A cidade de Cubatão é um verdadeiro paiol de pólvora, o perigo é eminente e, pelo visto, as autoridades não estão muito preocupadas com os acontecimentos. As indústrias estão praticamente lado a lado, correndo o risco de uma explosão mais forte virar explosão em cadeia. Em muito pouco tempo tivemos, com este último ([ITALIC]na Vale Fertilizantes[/ITALIC]), três incêndios sérios, e com danos à natureza. Aí vem a Cetesb, multa, cassa a autorização de funcionamento, porém as análises dos equipamentos e a verificação da devida manutenção parecem não estar sendo feitas com o rigor necessário. A maioria das empresas tem seu corpo de bombeiros, mas será que eles estão fazendo as vistorias? E o pessoal da Cipa costuma acompanhá-las? Depois não adianta o governo lamentar, chorar o leite derramado. Nunca devemos esquecer que prevenir acidentes é dever de todos.

JOSÉ FERNANDEZ RODRIGUEZ

rodriguez1941@gmail.com

Santos

 

BRASIL HOJE

Tragédias previsíveis

O Brasil é o país das tragédias anunciadas: presídios superlotados, moradores de encostas ou pés de morros, ribeirinhos, todos sabemos que é questão de tempo para que haja tragédias. As autoridades sabem o que precisa ser feito, mas ninguém toma providências sérias e competentes. Vamos continuar lamentando morros desabando sobre casas, chacinas em presídios, alagamentos em que moradores perdem tudo, adquirido com muito sacrifício... A sensação é de sermos país sem rumo, que vai submergindo ano após ano.

JOSÉ ROBERTO IGLESIAS

rzeiglesias@gmail.com

São Paulo

Falta de perspectiva

Usando as palavras da ex-presidente, é estarrecedor tudo o que acontece no Brasil. Mais estarrecedor ainda é o comportamento das autoridades, antes, durante e depois dos fatos. Antes não se importaram nunca com o nível de violência havido nas cidades brasileiras, de norte a sul. Nunca ninguém tomou nenhuma providência eficiente e efetiva para diminuir o absurdo que é o número de mortos por dia no Brasil. O que se viu nos governos esquerdistas anteriores foi a ladainha de que os crimes só acontecem porque existe pobreza, mas nunca eles mesmos se ocuparam efetivamente em erradicá-la. Esbravejam que o nível social dos brasileiros subiu na época lulista, o que não é verdade. Os brasileiros foram instados a gastar e se endividar, na ilusão de que tinham empregos e que isso era desenvolvimento, quando era tudo falso, já que não houve efetivamente um aumento na capacidade do País de melhorar e equipar seus cidadãos com informação e educação para tal. Quanto aos criminosos, estes só fizeram aumentar no período petista. As facções criminosas nunca foram tratadas com o rigor preciso, chegando agora ao nível em que estão. Mortes e decapitações por toda parte e as promessas de que vão tomar conta das cidades. Crimes e criminosos são tratados com muita benevolência. Nem sequer há dados certos e concretos sobre a população carcerária. O governo atual fala em aumentar o número de vagas prisionais, como se isso fosse a solução de tudo. Os problemas são muito mais complexos e é preciso coragem e determinação para enfrentá-los. Estamos no fim da linha e não temos para onde ir. Ou se tomam medidas extremamente fortes ou nosso país não vai a lugar nenhum. Espero que as autoridades se deem conta disso.

MARIA TEREZA MURRAY

terezamurray@hotmail.com

São Paulo

Massacre nos presídios

É no campo de segurança pública que mais se percebe quanto o Estado brasileiro falhou. Basta visitar qualquer delegacia para observar a tensa relação entre as Polícias Militar e Civil. Não é por acaso que as taxas de homicídios solucionados são de 5% no Brasil – 65% nos EUA. Os problemas nos presídios brasileiros são tão notórios – superlotação, tortura, maus-tratos – que o Conselho de Direitos Humanos da ONU se manifestou sobre o assunto em 2014 e 2016. Embora as providências para atenuar esta calamidade sejam conhecidas, nada foi feito, porque o assunto não interessa aos políticos, a não ser para se defender ou aproveitar para obter ganhos mesquinhos quando acontecem carnificinas como no Amazonas e em Roraima. A lentidão da Justiça é outro capítulo, até no cumprimento de alvarás de soltura; e o caminho entre prisão e condenação é longo. Ministra Cármen Lúcia, não basta alertar que a situação dentro dos presídios “é grave e vai explodir”. Governador José Melo, mesmo não sendo “santos”, os presidiários que foram assassinados em Manaus são de sua responsabilidade. Presidente Michel Temer, o que aconteceu não foi um “acidente pavoroso”, pois vai acontecer novamente se os governos – o federal incluído – continuarem a fazer de conta que não é nada com eles.

OMAR EL SEOUD

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

Onde será o próximo?

A guerra de facções no Amazonas e em Roraima é resultado da negligência do Estado, que levou ao surgimento de um poder paralelo hoje em luta pelo domínio dentro das prisões. A solução mais imediata para o problema é a libertação de quem tenha cometido pequenos delitos, trocando a sanção privativa de liberdade por penas alternativas, como a prestação de serviços à comunidade. O ideal seria que em cada Fórum se formasse um juizado especial para, em 20 ou 30 dias, pôr em liberdade esses apenados menos perigosos. Isso já diminuiria em mais de 40% a população carcerária. As medidas que o governo anuncia, se forem concretizadas, são para longo prazo. Dessa forma, a solução possível e imediata está no Judiciário, ao evitar a prisão de quem pode pagar por seus delitos em liberdade. É importante que o Executivo e o Legislativo não fiquem alheios, pois, além de libertar presos não perigosos, é preciso organizar o sistema com novos presídios, sem superlotação, vigiar as fronteiras e modernizar as leis penais. Feito isso, as facções perderão força e não serão mais o risco que hoje representam. 

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES

aspomilpm@terra.com.br 

São Paulo

Revolta e vergonha

Nós, aposentados, chegamos a ficar revoltados e envergonhados quando ficamos sabendo que um presidiário no Amazonas custa R$ 4.100 por mês. Quantos de nós recebem valor equivalente? A grande maioria recebe um salário mínimo ou pouco mais. Minha aposentadoria atual é de aproximadamente 15% do meu salário quando na ativa. Infelizmente, na época a aposentadoria privada era rara. Esse é o resultado de um país irresponsável, inconsequente e sem futuro. Pobre brasileiro, a cada dia fica mais difícil ver a luz no fim do túnel.

LAERT PINTO BARBOSA

laert_barbosa@globo.com

São Paulo

 

ESCOLAS E CADEIAS

Dizem que a criminalidade no Brasil só terá solução com educação. Esperem! Quer dizer que não existem bandidos com diploma universitário ou segundo grau completo? Salvo engano, o maior criminoso do Brasil, o tal Marcola, é um sujeito que lê muito e pode ser considerado até um homem culto. Os maiores ladrões de que se tem notícia no mundo, revelados pela Operação Lava Jato, tampouco são analfabetos. Ao que se sabe, Marcelo Odebrecht estudou em boas escolas e é engenheiro civil. Roger Abdelmassih, médico especialista em reprodução humana, é um estuprador em série. Pimenta Neves, que foi diretor de redação e analista econômico, é um homicida cruel. Poderíamos encher páginas e páginas com exemplos como estes! Não, senhores. Não falta educação! Falta punição séria. Theodore Dalrymple, psiquiatra e escritor britânico, que trabalhou por anos em prisões britânicas, disse, no programa “Roda Viva”, que os criminosos submetidos a penas duras raramente voltam a delinquir. Ao contrário do que se imagina aqui, as cadeias na Grã-Bretanha não ficam mais cheias por isso. A razão é simples: criminosos soltos rapidamente, como acontece no Brasil, voltam a delinquir rapidamente e são presos de novo e de novo. Assim, os ocupantes das prisões são sempre mais ou menos os mesmos. De fato, ao observarmos a ficha dos bandidos, vê-se que a maioria deles carrega mais de uma condenação e pequenas penas cumpridas. Condenando-os a penas sérias, economizaríamos o trabalho de ter de recapturá-los de novo, os desestimularíamos a voltar a delinquir, desencorajaríamos seus companheiros e, de quebra, talvez poupássemos algumas vidas de inocentes. Misturar os assuntos “escola” com “cadeia”, como se faz aqui, é tergiversar para não ter de agir. 

M.Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

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UM ESTADO ANÁRQUICO

“Construam escolas e não precisarão construir presídios.” Essa advertência não foi bem assimilada pelos governantes. Agora, como vem acontecendo de forma corriqueira, o governo anuncia a necessidade de construir mais presídios. Desde que foi fundado, em 1993, na Casa de Custódia de Taubaté (SP), o Primeiro Comando da Capital (PCC) estendeu seus tentáculos para além das fronteiras nacionais, alcançando Paraguai, Bolívia e Colômbia. O comércio de assassinatos, assaltos, tráfico de drogas, extorsões e rebeliões atingiu um nível de organização capaz de resistir aos mambembes ataques do governo. Como enfrentar o PCC, presente em 90% dos presídios paulistas, com faturamento de R$ 120 milhões por ano? A casa está arrombada. Estão providenciando uma tranca. No município de Santo Antônio de Pádua, no Nordeste fluminense, o prefeito reeleito, Josias Quintal (PSB), baixou o seu primeiro decreto: resolveu entregar a Deus o destino de seu mandato. Josias foi secretário de Segurança do Rio no governo Garotinho, de 1999 a 2002. Já que o Supremo Tribunal Federal (STF) se envolve em casos de prisão em segunda instância e proibição do aborto com prazo, seria o caso de o Supremo tornar inconstitucional o decreto que deve ter causado muitas gargalhadas na corte divina.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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CRIMINOSOS A MENOS?

As mortes decorrentes de recente rebelião no Presídio Anísio Jobim, no Amazonas, têm suscitado uma série de controvérsias entre especialistas, juristas, ativistas e, principalmente, quem não se enquadra em nenhuma dessas atividades, mas tem participado cada vez mais da vida do País, em especial pelas redes sociais, ou seja: o povo brasileiro. Chama a atenção o grande número de pessoas que comemoram as mortes, alegando que “ali não tem nenhum santo”, “está lá porque quis” e a clássica: “60 bandidos a menos”. Não vou entrar no mérito dos sentimentos alheios, mas, como interessado pela área, posso assegurar que fomentar ou aplaudir a violência dentro dos presídios, mesmo que ela se restrinja aos presos num primeiro momento, é o que de pior pode acontecer para a sociedade. Fiz questão de ressalvar que a violência pode, num primeiro momento, se limitar aos bandidos, porque, mais adiante, inexoravelmente, ela cairá nas costas da sociedade. Todos os meses o sistema prisional libera para as ruas milhares de presos em razão do cumprimento da pena ou de uma mera progressão, e ninguém se dá conta disso. Por ocasião das licenças de Natal, Dia das Mães, etc., quando muitos presidiários são liberados temporariamente, a impressão que as pessoas têm é de que o Brasil todo será alvo de um grande arrastão, mas não é o que acontece. Muitos chegam a afirmar que nenhum volta. As estatísticas demonstram que mais de 95% retornam ao fim das licenças, o que demonstra que a medida não é absurda. O que a sociedade deve entender é que o sistema prisional é uma tentativa de segregar e recuperar um cidadão que infringiu a lei, sem, contudo, que tal aparato se torne uma instância de vingança, pois, além de não corrigir ninguém, vai imprimir à pena uma “correção monetária” moral que será cobrada da sociedade tão logo o apenado ganhe as ruas, o que, na nossa atual legislação, não demora muito. Essa é a razão pela qual as cadeias deveriam ter, obrigatoriamente, trabalho, educação, disciplina e, acima de tudo, dignidade. Se vamos lutar por mudanças na lei e no sistema em geral, devemos propor penas mais duras, menos benefícios, processos mais céleres, menos recursos, porém mais dignidade, pois, se transformados em feras, ao saírem, não terão outro instinto a seguir senão o predatório, aguçado pelo gosto do sangue que corre à vontade nos cárceres brasileiros. Isso é defender os bandidos? Não! Isso é defender a sociedade para a qual eles retornarão. Como feras ou como gente. 

Edson Sardano sardano@uol.com.br

Santo André

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BANHOS DE SANGUE

Para diminuir os banhos de sangue como os que vimos na última semana em presídios brasileiros, basta impor a obrigatoriedade de trabalhar. Certamente, estes “anjinhos” teriam menos tempo para planejar essas monstruosidades. Nota: a hipocrisia de indenizar a família destes facínoras, sem ao menos uma palavra de conforto às famílias das vítimas, é caso de polícia.

Edgar Granata egargrata@gmail.com

Porto Alegre

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CHACINA NOS PRESÍDIOS

Depois da casa arrombada, discute-se quem de fato foram os culpados.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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DOS PRESÍDIOS PARA AS RUAS

Nem bem começou o ano e nossas esperanças vão indo embora. A “novidade” de 2017 é a guerra entre facções nos presídios, que, como o ano, está apenas no início, sem previsão de fim e consequências. Enquanto estiverem no interior das prisões, estaremos “seguros”, mas a tendência é de que a guerra venha para as ruas, e como sempre nós seremos as vítimas. Haja insegurança! Não basta a que já sofremos.

Laert Pinto Barbosa laert_barbosa@globo.com

São Paulo

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MASSACRE EM RORAIMA

Há uma razão clara e objetiva para a exoneração do ministro da Justiça que, no final do ano passado, havia negado o pedido de socorro para conter caos nos presídios de Roraima, sob pena de Michel Temer tornar-se um presidente acidental ao mantê-lo no cargo diante dos fatos. 

 

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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CULPA DO BRASIL

Massacre de Manaus: de quem é a culpa? Vamos encarar a verdade: a culpa é do Brasil. Um pouquinho de cada um de nós! Mas alguns são mais culpados que outros: os Constituintes de 1988, o governo em geral, os Três Poderes, o Judiciário, o Legislativo, o Executivo federal, o Executivo amazonense, a empresa contratada, a Família do Norte, o Comando Vermelho, o PCC, as operadoras de celular, os fabricantes de celular, o consumidor de drogas, os traficantes, o bispo, os médicos, os advogados, os leitores de jornais, os bolsa-famélicos, os analfabetos e, finalmente, o eleitor em geral... A culpa não é de Donald Trump nem de Vladmir Putin. A culpa é do Brasil. Vamos construir um presídio do tamanho do Brasil, porque somos, cada um de nós, um pouquinho culpados pelo massacre. Este é o Brasil Verdade. Muda, Brasil! 

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo

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HIPOCRISIA

Tenho lido e ouvido “especialistas” discutindo sobre o ocorrido no presídio em Manaus. O problema seria a superpopulação carcerária e a solução, a diminuição das prisões, provisórias e definitivas. Quem conhece um pouco de execução penal sabe que dificilmente há presos que lá não deveriam estar. São homicidas, latrocidas, traficantes, estupradores, entre outros coitadinhos vítimas da sociedade. Fazer o que com esse pessoal? Mandar para o regime aberto, impor penas alternativas? O problema não é a quantidade de presos, mas o número enorme de criminosos. Devemos investir a médio e longo prazos em educação, esportes, lazer e criação de empregos. Será a única maneira de resolver esse problema. Colocar marginais nas ruas somente irá mudar o foco das ações. Deixa-se de matar rivais de outras facções e passa-se a assassinar e roubar o trabalhador honesto. A imprensa deveria procurar quem realmente entende do assunto, e não ouvir “defensores de direitos humanos”, que não se lembram das centenas de vítimas diárias dos coitadinhos presos, mas apenas daqueles que fizeram do crime sua profissão. Estou cansado de ouvir tanta besteira e hipocrisia.

César Dario Mariano da Silva cesardario@terra.com.br

São Paulo

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ÁGIL COMO UMA TARTARUGA

Michel Temer, ágil como uma tartaruga, resolveu aparecer e se manifestar sobre o “acidente pavoroso” na penitenciária de Manaus na semana passada. Com toda aquela conhecida “verve”, afirmou que o governo federal não é culpado pelos acontecimentos, mesmo sabendo que a panela de pressão está prestes a estourar em todos os presídios do País. Tudo parecia uma novidade, pois nunca se dignou a fiscalizar os quase R$ 500 milhões empregados no sistema carcerário manauara. Temer deveria passar somente uma tarde naquele local onde as condições são excelentes, com boa comida, com bons tratos e até ar-condicionado para enfrentar o calor infernal. Mais rápido, Temer!  

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo 

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ACIDENTE, SENHOR PRESIDENTE?

Parece que a imensa torcida de todos os cidadãos de bem deste país não está ajudando o nosso presidente. Classificar como acidente uma ação orquestrada por quadrilhas rivais é inaceitável. E mais, não ficará só nisso, não precisa muito para deduzir que haverá revide. Presidente Michel Temer, acidente é um acontecimento fortuito, inesperado, um acontecimento casual, portanto muito longe do que realmente aconteceu e que já há muito era esperado. Hoje o País está dominado por quadrilhas: Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV), Família do Norte (FDN). Isso para não falar nas quadrilhas oficiais que ocupam os governos estaduais, os ministérios e o próprio Palácio do Planalto. Para completar a falta de senso administrativo e político, o governo anuncia a construção de novos presídios federais, quando muitos deles funcionam com capacidade ociosa por não estarem concluídos. Assim não tem torcida que dê jeito.

Humberto de Luna F. Filho lunafreire@falandodebrasil.com.br

São Paulo

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BENZEDURA

Ou Temer muda o seu entendimento sobre o que são acidentes ou deve ir correndo se benzer, pois dois acidentes em apenas seis dias do ano são acidentes demais para uma só pessoa.

Ronaldo Gomes Ferraz ronferraz@globo.com

Rio de Janeiro 

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ACIDENTES PAVOROSOS

O planeta Terra passa por momentos pavorosos, guerras, atentados terroristas e destruição da natureza. Não demora muito, isto aqui vai virar um pandemônio. Da parte que nos cabe, nossos políticos se incumbem de transformar os 8,5 km2 de território que possuímos em terra de ninguém, onde o que prevalece são os interesses só deles e da corriola que os acompanha. Não temos sistema educacional decente, saúde, segurança, empregos, em compensação, temos chacinas em presídios, falta de médicos, falta de bons professores e queimadas que estão destruindo nossas matas. Realmente, vivemos em constantes “acidentes pavorosos”.

José Roberto Iglesias rzeiglesias@gmail.com

São Paulo

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RESPONSABILIDADES

No caso do massacre no presídio de Manaus, grande parte da mídia divulga o acontecimento responsabilizando o governo federal, liderado pelo presidente “tampão” Michel Temer, quando na verdade o acontecido é de responsabilidade da administração do presídio e do governo do Estado do Amazonas.

José Millei millei.jose@gmail.com

São Paulo

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COMPARAÇÃO

Comparemos duas situações: 1) morrem 65 presos em prisões, alguns cidadãos de bem comemoram e dizem querer mais e o presidente leva três dias para dizer que foi um “acidente pavoroso”. 2) Morrem 65 pessoas numa usina nuclear: alguns cidadãos de bem dizem ser inadmissível, pois isso é contra sua própria segurança, afinal quem não garante que esta falta de segurança interna não poderá ser também externa? E o presidente leva três dias para dizer que é um “acidente pavoroso”.

Fábio Nogueira de Freitas Vale fabiovale@globo.com

Rio de Janeiro 

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NO LIMITE DO SUPORTÁVEL

Curioso como uma palavra mal colocada chega a ferir o interlocutor. Foi o que se deu com o vocábulo “acidente” utilizado pelo presidente da Nação ao referir-se à carnificina no presídio de Manaus. Não fui atrás do significado lexicográfico do vocábulo “acidente”, pois até o “Jornal Nacional”, da Rede Globo, já o fez. E em todos os dicionários que se busque a significação de “acidente” não se encontrará o sentido que Temer postou em seu Twitter. Havia um livro, em minha infância, que se chamava “Sofia, a desastrada”, de autoria da Condessa de Segur. A diferença é que Temer é capaz de levar-nos ao limite do suportável com suas falas desastradas, bem longe das adoráveis travessuras de Sofia. Temer não sabe falar ao público. Não tem o menor carisma. Empatia zero. Sendo de oportunidade, igualmente inexistente. Conhece o Direito, é doutor no assunto, mas diz cada atrocidade jurídica que ele mesmo fica desconfortável ao ter de dizer. No caso de Manaus, Temer esperou o mundo manifestar-se, inclusive o sempre atento papa Francisco, que disse sobre o massacre: “Quero expressar tristeza e preocupação com o que aconteceu. Convido-vos a rezar pelos mortos, pelas suas famílias, por todos os detidos na prisão e por aqueles que trabalham nele”. Chama a atenção a intenção primeira do sumo pontífice: consolar aqueles que tiveram seus entes queridos, bandidos ou não, queimados, esquartejados, e foram ao IML ver se reconheciam partes tatuadas dos seus mortos. Acidente, presidente Temer, foi Vossa Excelência “cair de paraquedas” na Presidência da República. Não um presidente eleito, um presidente “por acidente”.

Andrea Metne Arnaut andreaarnaut@uol.com.br

São Paulo

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PLANO NACIONAL DE SEGURANÇA

As declarações do atual presidente e do governador do Amazonas foram por demais infelizes. Tornar pública a opinião de que a tragédia foi um acidente e de que ali não tinha “nenhum santo” é de uma frieza inaceitável. E, na sexta-feira, acontece outro drama, desta feita em Roraima. Que pelo menos os fatos sirvam para a efetiva implementação de um plano nacional de segurança, com ações que não se limitem a questões pontuais.  

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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‘ACIDENTE’ EM MANAUS

Por que não se cala, presidente Temer? Ninguém está dando a mínima para esta população carcerária. Ao contrário, nós, brasileiros, estamos revoltados é com o custo exorbitante para manter esta corja de vagabundos à custa dos excessivos impostos que nos são impostos.

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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PAGA-SE BEM NO AMAZONAS

O custo mensal de um presidiário no Estado de São Paulo é de R$ 1.400 e, em Manaus, esse valor é de R$ 4.100. Percebe-se que é negócio muito lucrativo para a iniciativa privada, que trabalha no gerenciamento de presídios para o governo estadual do Amazonas. O Ministério Público de Contas do Amazonas percebeu esse disparate somente na última semana. Tamanha disparidade chama a atenção e nos mostra que há algo muito errado no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, onde morreram 56 presos no primeiro domingo do ano.

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte 

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BANDIDAGEM BRASIL

R$ 4,1 mil mensais por preso. É... ladrão que rouba ladrão...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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ECONOMIA DA CORRUPÇÃO

É, na realidade, um absurdo que um preso no Amazonas custe R$ 4.100 por mês, gasto três vezes maior que o do Estado de São Paulo, o que vem demonstrar que alguém do poder público está ajudando a ganhar. De outro lado, o Poder Judiciário do Amazonas precisa de um pente mais fino do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), porque há juiz envolvido com presidiários, segundo apurações prévias. Além disso, uma desembargadora, também envolvida com o caso da penitenciária Anísio Jobim, já afastada, recebeu, em quatro meses de afastamento, a soma de R$ 261 mil. Em suma, o aperto precisa ser maior, para que os brasileiros entendam de uma vez que a corrupção não mais deve existir e que a punição a ela é sempre exemplar e rigorosa. 

José C. de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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MASSACRE NO USO DE VERBAS

Este governo do Estado do Amazonas não deve ser sério, tampouco competente! A não ser que o governador José Melo (PROS) seja capaz de justificar que o exorbitante custo de um preso no seu Estado, que paga às empresas privadas para administrar os presídios, é normal e não está superfaturado. Mesmo porque a gestão de Geraldo Alckmin, no Estado de São Paulo, tem um custo por cidadão preso de apenas R$ 1.450,00 mensais, certamente com presídios em melhores condições que os do Amazonas.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos 

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GASTO PÚBLICO

A propósito da forte comoção no País e no exterior pelo massacre que vitimou 56 detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, cabe, por oportuno, destacar frase da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF): “Um preso no Brasil custa R$ 2.400,00 por mês e um estudante do ensino médio custa R$ 2.200,00 por ano. Alguma coisa está errada na nossa pátria amada.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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ARREGACEM AS MANGAS DAS TOGAS!

Assessores da presidente do STF e do CNJ, ministra Cármen Lúcia, informam que ela tem manifestado muita preocupação, já faz algum tempo, com a situação dos presos e do sistema prisional nacional. Considerando que desde setembro ela está no cargo, acho que ela já poderia ter conscientizado seus pares a adotar uma atitude imediata de promover um mutirão para, por exemplo, verificar a situação dos presos provisórios que parecem ser um dos problemas da superpopulação carcerária. Suas Excelências poderiam, por exemplo, reduzir as férias forenses e arregaçar as mangas das togas dando um exemplo prático e objetivo para minimizar o problema. No mais, é chover no molhado e marketing! 

Marco Antonio Esteves Balbi mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro

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IMPÉRIO DAS LEIS

Disse Al Capone: “Não entendo quem escolhe o caminho do crime, quando há tantas maneiras legais de ser desonesto”. Como se pode, e com seriedade, falar em “império das leis no Brasil”, se este país, “terra sem lei” e possuidora do Poder Judiciário mais caro do planeta e que tem em seu quadro milhares de marginais que saqueiam mensalmente com seus salários fixados acima do teto que legislação determina?

Oswaldo Colombo Filho colomboconsult@gmail.com

São Paulo

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TRANSFORMAÇÃO

A revolta, a indignação e a pena manifestada por autoridades, intelectuais, políticos e outros cidadãos no atinente aos massacres de detentos em Manaus e Boa Vista são exageros que se distanciam da razão e da lógica. Não se constata a mesma atitude com os cerca de 280 assassinatos e mortes no trânsito que acontecem diariamente no Brasil – enfatize-se: diariamente. É imperioso asseverar que, com aritmética de comprar banana na feira, constata-se que 60 mil assassinatos e 45 mil mortes no trânsito, por ano, correspondem a mais de 280 mortes por dia. 

Nesse sentido, 105 mil cidadãos perecidos equivalem a 233 participações do País em conflagração similar à Segunda Guerra Mundial – basta lembrar que 25 mil soldados brasileiros combaterem na Itália na década de 1940 e cerca de 450 sacrificaram a vida no campo de batalha. Ademais, se quisermos comparar com a contrarrevolução de 1964 e supondo que cerca de 550 pessoas pereceram na contenda (considerando os dois lados adversários), é fácil de inferir que as perdas anuais por assassinato e no trânsito equivalem a cerca de 190 conflitos similares. Por último e igualmente chocante, em menos de cinco anos, em assassinatos e acidentes de trânsito, o Brasil perde mais cidadãos do que a Síria na famigerada e fratricida guerra em andamento naquele país. Não há fundamentação lógica para o comportamento de avestruz explicitado nas primeiras linhas desta mensagem – à guisa de ênfase, abraço o desatino de afirmar que se coloca a mente no esgoto submerso, e o esgoto encontra-se também inexcedivelmente a céu aberto, e não raro esquecido. Com certeza, precisamos de uma transformação em nosso país, na política, na Justiça, na segurança, nos transportes, na educação e na saúde – com prioridade para as favelas. Que lutemos por isso, em pensamento e ação! Em qualquer tempo, em qualquer lugar! De dia e de noite, no lar, no trabalho, no lazer, na igreja, na escola, na mídia, no Parlamento e nos tribunais. Porém, sem hipocrisia! 

Aléssio Ribeiro Souto souto49@yahoo.com

Brasília

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TRAGÉDIAS BRASILEIRAS

Não passamos um dia sequer sem uma tragédia no Brasil. Roubos biliardários, safadezas inomináveis cometidas por aqueles que deveriam defender os direitos dos cidadãos, crimes com requintes de horror. Incongruências tais que aviltam a maior complacência possível, e ainda estamos a poucos dias do ano novo, ainda sob o eco dos votos de felicidades cantados pelo mundo afora. Pensão e indenização às famílias dos criminosos, ou traficantes, ou assassinos, ou estupradores, horas e horas de dramática cobertura midiática e poucos segundos para despejar a afronta de concessão de 41% de aumento para funcionários dos Três Poderes, contra míseros 6% para aposentados, mais de R$ 4 mil de custos para manter um presidiário, ou assassino, ou estuprador, ou traficante, e R$ 880 – aliás, R$ 937 – para os aposentados. Quem pode aceitar? E a mídia insistindo em propor uma reforma da Previdência em que o contribuinte vai morrer sem conseguir se aposentar. Será que algo não está errado neste país? Será que, fosse o salário mínimo os tais R$ 4 mil do custo do presidiário, não seria o ora criminoso, então, um cidadão com vida decente? Será que a mais justa e decente distribuição de renda não sustentaria uma sociedade sem crise de desemprego? Será que a mínima justiça e moralidade das regras sociais não levaria este país continental, rico e maravilhoso a uma situação decente? Com menos criminosos? Houvesse impedimento da tolerância e do favorecimento dos tráficos de drogas e de armas, com adoção de uma política de salários decentes, tantas crianças seriam atraídas e motivadas a entrar para o crime a partir de dez anos de idade? O País continuará a se afundar numa crise que não terá fim, se não se alterarem as regras imorais ora em vigência, e com elas seus agentes e defensores. Já é hora de este país sair do atraso e avançar em direção à civilidade literal. Que tal investir pesado em educação?

Ronaldo Parisi rparisi@uol.com.br

São Paulo

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PRISÃO PREVENTIVA

Justiça prende homem que prometia nova chacina, depois da que aconteceu em Campinas na noite de 31 de dezembro. Brasil, bem-vindo à dura realidade. Somente após várias chacinas que alguns juízes e garantistas perceberam a real necessidade da prisão preventiva do artigo 312 do Código de Processo Penal, tão criticada pelo STF e por advogados de defesa.

Edenilson Meira Merojudas@hotmail.com

Guareí

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CALAMIDADE E GASTOS

A crise econômica tem afetado a União, os Estados e os municípios brasileiros. Muitos entes da Federação já decretaram estado de calamidade pública, justamente pela falta de recursos financeiros para bancar o custeio da máquina pública e contratos assumidos. Mesmo diante do maior colapso econômico de nossa história, o governo mineiro decidiu adquirir duas aeronaves ao custo de R$ 21,8 milhões. Um edital de compra nesses termos e com esse valor, digamos, é de uma incoerência administrativa inédita. As aeronaves, em princípio, serão utilizadas para resgate de vítimas. Mas, na prática, também poderão servir de meio de transporte ao governador do Estado, que, inclusive, está envolvido numa recente polêmica de uso indevido de um helicóptero do Executivo de Minas Gerais. Em meio à calamidade, os gastos continuam sendo elevados sem qualquer moderação. Talvez por isso muitos Estados estejam literalmente falidos.

Willian Martins martins.willian@globo.com

Guararema

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BALELA PURA

O Estado de Minas Gerais, como todos sabem, está numa penúria que dá gosto, estão vendendo o almoço para comprar a janta, mas, mesmo assim, o governador Fernando Pimentel (PT) está comprando mais dois helicópteros ao custo de R$ 21,8 milhões. Logicamente, a “calamidade financeira” alegada pelo governador de Minas deve ser balela pura, ou, então, será que ele está necessitando de uma frota maior de helicópteros para transportar filhos, esposa e familiares para os bailes e festas que acontecem na sociedade mineira? No mínimo deplorável e lastimável a atitude deste péssimo político. 

Antônio Carelli Filho palestrino1949@hotmail.com

Taubaté

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QUE EXEMPLO DE AUSTERIDADE!

Sou fiscal da Receita Estadual de Minas Gerais e, antes do atual governador assumir, como todos os servidores estaduais, recebia meu salário integralmente no 5.º dia útil do mês. Depois que assumiu, as coisas pioraram. O salário de novembro de 2016 foi pago em 3 parcelas, a 1.ª em 12/12/2016 e a 3.ª em 21/12/2016. O 13.º salário de 2016 também será pago em parcelas, sendo que a última virá (talvez) somente em março de 2017. Naturalmente, quem tem faturas de energia elétrica, condomínio, cartão de crédito, telefone e outras, que use o limite de crédito bancário, com seus juros de 10% ao mês. Enquanto isso, o governador de Minas, de um partido que fez sua história dizendo defender os direitos do trabalhador, usa um helicóptero pago com dinheiro público para pegar seu filhinho querido numa festa. E duvido de que esse seja o único caso de desperdício. Que exemplo de austeridade!

Luciano Nogueira Marmontel automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)

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COINCIDÊNCIA OU REFERÊNCIA?

O fato de 89% dos municípios do Estado de Alagoas, reduto de Renan Calheiros, fraudarem verbas da educação e da saúde, e do Maranhão, de José Sarney, onde, mesmo detendo a menor expectativa de vida de recém-nascidos no Brasil, seus gestores municipais desviaram verbas comprando vinhos importados caríssimos, pergunta-se: a ilicitude com as verbas públicas desses dois Estados é uma coincidência ou referência para com seus respectivos caciques?

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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ALAGOAS

Sendo o Estado com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, comparável ao da Namíbia, na África, Alagoas dá testemunho do descaso político predominante no Brasil. Saúde e educação são áreas devastadas pela ação criminosa de indivíduos que ocupam cargos públicos para benefício próprio. É difícil de acreditar, mas parece que ainda carregamos o estigma de uma nação colonizada. Até quando? O que nos deixa indignados não é o barulho dos maus, mas o silêncio dos bons.

Nerivan Silva nfsilva35@gmail.com

Tatuí

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ISRAEL E A ONU

O governo do primeiro-ministro Netanyahu, aliado à extrema-direita israelense, se irrita profundamente com as resoluções das Nações Unidas que lhe são contrárias, mas se esquece de falar que a criação de um Estado judaico se deu por meio de uma resolução da ONU, que agora ele critica. Está na hora de parar de querer enganar a opinião pública com retórica vazia e expansão deslavada de assentamentos em territórios ocupados e aceitar coexistir com um Estado palestino, que deveria ter sido criado pela mesma resolução que criou o Estado de Israel, em 1947.

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

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UM BRINDE COM ‘CUBA SEM FIDEL’

Excelente o artigo “Fidel ‘paredón’ Castro”, de Ives Gandra da Silva Martins (“Estadão”, 6/1, A2). Falando em liberdade, ainda temos médicos cubanos trabalhando em nosso país nos termos do contrato firmado entre Raúl Castro e Dilma Rousseff, ou esses contratos foram extintos? Por onde andam os médicos cubanos? Eles ainda continuam trabalhando e recebendo apenas um quarto do salário? Depois da leitura do artigo, vou continuar apreciando a minha bebida favorita, não mais Cuba Libre, agora como “Cuba sem Fidel”.

Maria C. Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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