Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2017 | 03h00

QUESTÃO CARCERÁRIA

Iniciativas fora de prazo

A sociedade brasileira tem plena consciência dos gravíssimos problemas nas penitenciárias do nosso país, onde facções de criminosos em conflito sangrento ameaçam até a segurança nacional. Logo após os acontecimentos nas prisões do Amazonas e de Roraima, o governo federal se apressa a construir mais presídios, para reduzir o excesso de lotação dos existentes. Por que os governos de plantão sempre esperam acontecer fatos de dimensões tão assustadoras para tomar as providências necessárias? O presidente Michel Temer corre para abrir concorrências com empresas estrangeiras. A nosso ver, tal medida deveria ter sido tomada há muito tempo, para evitar as catástrofes que assustaram a população.

FRANCISCO ZARDETTO

fzardetto@uol.com.br

São Paulo

Caos total

Nos últimos dez anos, 72 presídios programados para ser construídos não saíram do papel, decerto porque é o tipo de obra que não põe votos na urna. O resultado do descaso estamos vendo agora. E Dilma Rousseff, vendo o sufoco que estamos passando, resolveu interromper seu retiro e abrir a boca para dizer que esta situação é insustentável! Não posso reproduzir o que tive vontade de lhe responder. Mas lembro que o PT, que ficou quase 14 anos no poder, só se lembrou de dizer que nossos presídios se assemelhavam a masmorras medievais quando as principais figuras do partido começaram a ser presas pela Lava Jato. Agora, o que se vê são criminosos se matando entre si, reeditando a fase de barbárie da humanidade, e essa fatura tem de ser debitada na conta de Lula e Dilma. Mais: os criminosos de diferentes facções culpam o sistema penitenciário pelas mortes cometidas por eles, pelo fato de terem sido postos juntos na prisão. Ora, pois! Será que eles pretendem que o governo faça penitenciárias exclusivas para PCC, CV, FDN, etc.? Só falta essa!

MARA MONTEZUMA ASSAF

montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

Temer e a bagunça instalada

Parafraseando Eliane Cantanhêde, não dá para pôr a culpa desse problema dos presídios no atual governo federal, até porque isso vem de longe. Ou seja, temos de seguir dentro de determinados ajustes o bom senso do general Heleno (na questão das fronteiras). É notório que muitos governadores trabalham com o “quanto pior, melhor”, pois visam interesses próprios. Quando o governo federal oferece ajuda, eles rejeitam, para mostrar que são autossuficientes, o que não passa de falácia. Diz-se muito que o presidente Michel Temer demorou a se manifestar sobre a barbárie. Pode até ser. Mas, e no caso de Mariana (MG), onde vidas foram ceifadas, onde estava Dilma? Procurando manter-se no poder a qualquer custo! Hoje o momento é outro. A superlotação de presídios não é um “privilégio” do Brasil. O que atrapalha é só nos lembrarmos de fechar a porta quando o pior já aconteceu.

JOÃO CAMARGO

inteligencianomundo@hotmail.com

São Paulo

Tráfico nas fronteiras

Se as drogas chegam ao Brasil pela fronteira com a Colômbia e as armas chegam pela fronteira com o Paraguai, gostaríamos de saber – e com todo o respeito – quais as funções específicas das nossas gloriosas Forças Armadas. Esse é um esclarecimento que se faz necessário.

MARCOS CATAP

marcoscatap@uol.com.br

São Paulo

Estrutura constitucional

Desculpem, mas o Estadão encheu muita linguiça em seu editorial (8/1, A3) a respeito dos presídios brasileiros, ligando-os à impossibilidade de os Estados cuidarem de sua segurança, até em razão da falta de recursos, que estariam com a União. Melhor faria o editorial se reconhecesse que a tal Federação é um arremedo de organização, um artificialismo, uma divisão histórica das terras nacionais em pedaços, muitos dos quais insustentáveis economicamente, mas que com representantes no Congresso evidentemente definem a direção do País. É um grande trem puxado por poucas locomotivas, vagões que reivindicam e reclamam e se arrastam na pobreza não só material. Um problema, evidentemente, que nem uma Constituinte resolve.

ADEMIR VALEZI

adevale@gmail.com

São Paulo

Espero que os poderes públicos não tomem a opinião bem elaborada do Estadão no editorial A estrutura constitucional do Brasil (8/1, A3) apenas como crítica, mas, principalmente, como contribuição ao Plano Nacional de Segurança. Entendo que esse plano, tal como foi apresentado pelas autoridades competentes, merece credibilidade. Ao federalismo, conforme definido no texto, compete coordenar com firmeza as ações propostas, sempre aberto a contribuições de instituições idôneas, e aproveitar a oportunidade para proceder à modernização do sistema, sugerida no editorial, buscando a parceria do Congresso Nacional e de outras entidades.

JOÃO FERREIRA MOTA

jfmota29@gmail.com

São Paulo

Culpa da Justiça

A culpa pelo fato de os nossos presídios estarem mais do que superlotados não é somente dos Executivos – governadores –, mas principalmente do Judiciário. De 30% a 40% das pessoas que estão lá não deveriam estar. Muitas não poderiam por lei, outras já cumpriram suas penas e uma grande parte tem atrasos processuais. O motivo é que a Justiça não atende às necessidades do País. Além disso, trabalha tão somente dez meses por ano, embora ganhe, no mínimo, o dobro de todos os outros funcionários públicos.

FABIO FIGUEIREDO

fafig3@terra.com.br

São Paulo

PREFEITURA PAULISTANA

Remédios

Li a carta do leitor sr. Waldecy Simões (Postos sem remédios, 9/1) reclamando da falta de remédios em postos de saúde da capital. Diz ele que não adianta xingar o prefeito que saiu, mas, sim, resolver rapidamente o problema. Discordo. Temos de xingar, sim, o ex-prefeito Fernando Haddad, porque esta situação é toda de responsabilidade dele, uma vez que desde setembro de 2016 a maioria dos remédios receitados pelos médicos municipais está em falta nos postos de saúde. Não podemos jamais esquecer que essa foi a pior administração de um prefeito que a cidade de São Paulo já teve, tanto que na luta por sua reeleição ele conseguiu ser derrotado em todas as zonas eleitorais. O problema da distribuição de medicamentos precisa ser resolvido com urgência, sim, mas não podemos esquecer que o prefeito João Doria Júnior começou agora a segunda semana do seu mandato de quatro anos.

MAURÍCIO LIMA

mapeli@uol.com.br

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

SOLUÇÃO À BRASILEIRA


Li e reli – para poder acreditar – uma das manchetes do “Estadão” de ontem (9/1): “Justiça libera presos para evitar tragédia”. Só mesmo no Brasil se pensaria numa solução simplista assim: a Justiça de Roraima liberou 161 presos para a prisão domiciliar por falta de condições de garantir a segurança deles na cadeia. Claro que certamente estes presos ficarão em casa, afinal é uma decisão da Justiça e eles não sairão às ruas... Seria cômico, se não fosse trágico! Então quem disse que não existe solução para a superlotação dos presídios? Basta esvaziar todos, simples assim. Aqui, em nosso país, as soluções das autoridades são cheias de criatividade. Daqui para a frente, se alguém estiver com febre, é só quebrar o termômetro que o problema está resolvido!


José Milton Galindo galindo52@hotmail.com

Eldorado


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INÍCIO DE ANO SANGRENTO


Infelizmente, nossa sociedade acorda chocada neste início de 2017, com a ocorrência de dois seguidos massacres em presídios nos quais morreram quase 100 detentos, com direito à brutalidade da decapitação de corpos, como fazem o Estado Islâmico, no Oriente Médio, e o Boko Haram, na África. Tudo em razão de brigas de facções e dentro dos imundos e desumanos presídios do País. Esses fatos aconteceram em duas capitais do Norte do Brasil: Manaus, com saldo até agora de 64 mortos, e em Boa Vista, capital de Roraima, com 33 mortos.  Estava escrito: um dia iria explodir! Assim como ocorreu em 1992, com o massacre do Carandiru e seus 111 mortos, demonstramos que não aprendemos nada com esse triste episódio. O grave é que hoje não são mais os governos que administram, comandam ou dão as ordens dentro dos presídios, são as próprias facções. Como se fosse um Estado paralelo. Os governos apenas pagam as despesas, que são altíssimas e ainda há suspeita de superfaturamento, como se constata no Amazonas.  Para piorar, o presidente Michel Temer, além de chamar mimosamente o episódio de Manaus de “acidente pavoroso”, ainda tentou absolver da responsabilidade o governo do Estado do Amazonas, seguido na mesma linha pelo ministro da Justiça, Alexandre de Morais, que apontou como culpada a empresa terceirizada contratada a peso de ouro para cuidar de diversos presídios deste Estado. Mais grave ainda: Morais foi desmentido pela governadora de Roraima, Sueli Campos (PP), já que em 21 de novembro de 2016, em regime de urgência, ela pediu ajuda ao governo federal para os presídios do Estado, solicitando o envio da Força Nacional, além de armas para enfrentar o crime organizado, mas não foi atendida. O que é lamentável! O Planalto não pode tratar o povo como idiota. Precisa dar resposta à altura sobre esses graves acontecimentos que, pelo jeito, devem continuar.


Paulo Panossian paulopanossian@hotamil.com

São Carlos


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MASSACRES NOS PRESÍDIOS


Em outubro de 1992 eclodiu uma rebelião na extinta Casa de Detenção de São Paulo, situada no Carandiru, quando a Polícia Militar foi acionada e, após a ação do Choque, contabilizou-se a morte de 111 detentos. Nos meses e anos posteriores, os presidiários se organizaram em facções, entre as quais se consolidou o Primeiro Comando da Capital (PCC), que não tardou a se tornar a maior organização criminosa de São Paulo, que inclusive passou a rivalizar com a até então maior organização criminosa do Brasil, o carioca Comando Vermelho. Ao longo dos anos ocorreram várias disputas entre essas facções, mas, até onde se sabia, recentemente viviam uma trégua em virtude de uma aliança pelo controle do tráfico de entorpecentes e armas no Paraguai, mediante a eliminação do chefe local, assassinado no ano passado. Mas, este mês, fomos surpreendidos com um massacre perpetrado por uma concorrente do PCC que controla os presídios e o crime organizado no Norte e no Nordeste do Brasil, a famigerada Família do Norte (FDN). Nem bem esfriavam os corpos esquartejados no massacre que vitimou 58 detentos, supostamente do PCC, também supostamente o PCC deu início à sua vingança, da mesma forma bárbara, assassinando mais de 30 integrantes da FDN em Roraima. Tudo dentro de presídios. Coincidência? Não! Não há coincidência alguma. O que há é irresponsabilidade dos mais diversos governos. Por exemplo, o PSDB assumiu o governo do Estado de São Paulo com Mário Covas, em 1994, e em 1998 foi reeleito. Não concluiu o mandato porque faleceu. Geraldo Alckmin assumiu e, posteriormente, se elegeu. Foi substituído por Claudio Lembo, posteriormente substituído por José Serra, que foi substituído por Alckmin, que está até hoje no governo. Praticamente o mesmo partido há 22 anos. Neste período surgiu, fortaleceu-se e solidificou-se o PCC, a exemplo do que ocorreu com o Comando Vermelho no governo Brizola, no Rio de Janeiro nos anos 80. O que há de comum? Todos esses governos fragilizaram e desmontaram as polícias judiciárias. Em São Paulo, a Polícia Civil possui, proporcionalmente, menos policiais que possuía quando da formação do PCC. O arroxo salarial foi imenso e hoje não há policiais suficientes para equipar todos os distritos da Capital, quanto mais do interior. Tanto é assim que grande parte das delegacias fecha à noite e o público precisa buscar as centrais de flagrante, porque não há quem os atenda em seus bairros. Agora, se não há policiais suficientes para compor plantões, quanto mais para investigar. É neste ambiente que o PCC floresceu. Coincidência? Nestes 22 anos, quase a totalidade dos inúmeros secretários de Segurança Pública de São Paulo que se revezaram na pasta é oriunda do Ministério Público. E foi nesse ambiente que o PCC resplandeceu. Coincidência? Há 22 anos a investigação (inteligência policial) deixou de ser a prioridade, pois a predileção do governo foi pela Polícia Militar, pelo policiamento ostensivo. Todavia, essa política não frutificou para impedir que o PCC se expandisse além das fronteiras e hoje atuasse no Paraguai e na Bolívia, como atua em diversos Estados da Federação, dentre os quais os distantes Amazonas e Roraima. Coincidência? O que, efetivamente, foi feito pelo governo de São Paulo para controlar o PCC? Quais os investimentos em segurança pública? Contratação de quem e para quê? Para investigação? Certamente que não! A Polícia Civil é reputada como corrupta. Corrupta e velha, mas será por culpa dos policiais ou do governo que os abandonou à míngua? Nem mesmo a Secretaria de Segurança Pública nas mãos de membros do Ministério Público conseguiu dar conta do PCC e da corrupção policial. Coincidência? Mas não é por coincidência que o crime organizado alcançou tanto poder. Antes, foi pela incapacidade do governo de desbaratá-lo. E não só do governo paulista do PSDB, porque o PCC hoje, e há muito, é um problema nacional, mas o que fez a administração petista contra o PCC em 13 anos de governo? Nada... Há, de fato, antipatia dos políticos de esquerda e centro-esquerda pela polícia judiciária – quiçá resquício do governo militar. Diminuíram seu poder após a Constituição de 1988 e aumentaram o poder do Ministério Público, mas qual o resultado dessa política de desmonte da polícia judiciária, senão o fortalecimento das facções criminosas? Coincidência?


Luiz A. Saboya Chiaradia luiz@chiaradiaadv.com.br

São Paulo


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DIAGNÓSTICO ERRADO


Tenho enorme respeito e consideração pelo eminente ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo e do Tribunal de Alçada Criminal José Renato Nalini, mas vou pedir vênia para divergir de pontos de seu artigo “Cárcere – diagnósticos não faltam” (“Estado”, 6/1, A2). Diz o articulista que o excesso de prisões agrava o cenário e que o correto seria investir nas alternativas à privação da liberdade – especialmente para quem “pode ser recuperado sem o ingresso no sistema cruel e gerador de perversão”. Segundo aduz, a prisão “(...) não é solução, mas mal em si”. Por partes: 1) não há, como diz o articulista, excesso de prisões no Brasil. Sabe S. Exª muito bem que mais de 95% dos crimes cometidos – muitos dos quais hediondos, como latrocínios e estupros – não vão sequer a julgamento e por diversos motivos, sendo um dos principais a notória incapacidade de o Estado promover a persecução penal e reprimir a delinquência, que é generalizada. Ademais, o Estado permite que bandidos perigosos sejam soltos após cumprirem pequena fração da pena, deixando, assim, a sociedade à mercê de criminosos; 2) já há, até onde se saiba, as tais “alternativas” à prisão para delitos de menor potencial ofensivo e cabe ao juiz criminal aplicar a pena sem o encarceramento. Vários condenados na Lava Jato (por crimes bilionários, diga-se!) estão, hoje, cumprindo suas penas em casa, monitorados por tornozeleiras eletrônicas – apenas um breve exemplo. 3) A prisão deve (também) ser vista como castigo, e não somente como algo feito para “reeducar” o delinquente, até porque soa hipocrisia imaginar que nossas prisões – em geral precárias – têm esse mérito. Depois, dizer que a prisão não é solução soa quase como uma platitude, data vênia. Solução mesmo, é curial, seria o Estado investir em educação, melhorar a gestão nesse setor e, de igual forma, criar oportunidades para a inserção de todos no mercado de trabalho. Enquanto nada disso for feito e o País seguir produzindo marginais perigosos a mancheias, o jeito (realista) é criar, sim, tantas vagas no sistema prisional quantas forem necessárias para que bestas-feras, uma vez condenadas, sejam efetivamente afastadas do convívio social – de preferência por muitos anos –, sob a tutela do Estado, e não (como hoje) sob o jugo de facções que, sabidamente, interferem na vida dos estabelecimentos prisionais causando “acidentes” como o de Manaus. A sociedade, penhorada, agradece se o Estado cumprir minimamente aquilo que promete fazer em sua Carta Política.


Silvio Natal silvionatal49@gmail.com

São Paulo


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EDUCAÇÃO E PRESÍDIOS


Prevenção ao crime: educação básica, com acompanhamento psicológico e social das famílias carentes. Repressão: penas severas e que desestimulem a prática de crimes. Presídios de segurança máxima: construídos para tipos diversos de criminosos, com trabalho diário, objetivando o próprio sustento do sentenciado.


Oscar Rolim Júnior rolimadvogado@gmail.com

Itapeva


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ISOLAMENTO


Para iniciar o equacionamento do problema dos presídios brasileiros – em realidade, iniciar a mitigação, já que a solução só é possível se eliminarmos a condição humana –, deve ser adotada de imediato a eliminação de contato físico entre detentos e seus visitantes. Eles podem se comunicar através de interfone e se olhar através de um vidro transparente à prova de bala. De imediato, tem-se a impossibilidade de entrega de dinheiro, celulares e armas para os detentos. E, como corolário, reduz-se enormemente a continuação da prática delituosa, como, por exemplo, o exercício da liderança de atividade criminosa de dentro das celas.


Isabel Krause dos S. R. Souto souto49@yahoo.com

Brasília


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‘O REI ESTÁ NU’


Lembram-se da história do menino que, apontando o dedo, diz “o rei está nu”? Pois é, o agora ex-secretário de Juventude do governo federal Bruno Júlio fez a mesma coisa dizendo que “tinha era que matar mais (nos presídios)”. No nosso caso, o rei arrogante é o governo brasileiro, que sempre pensou e pensa como o ex-secretário e não toma as medidas profiláticas necessárias.


Sandra Maria Gonçalves sandgon@terra.com.br

São Paulo


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AS CAUSAS DO PROBLEMA


O Brasil está às voltas novamente com o seu mais recente “Carandiru”, lembrando o evento pavoroso de 1992, mas que vem se repetindo, guardadas as diferenças, pois as atrocidades em 1992 foram cometidos por agentes públicos. E, novamente, a imprensa retrata o caso, expondo as mazelas, ineficiências e contradições dos agentes públicos – o que é louvável e correto –, mas, se ficarmos neste círculo vicioso, não chegaremos a lugar nenhum. Temos de nos aprofundar na questão e entender o que está por trás das declarações do governador do Amazonas quando disse que “não tinha santo lá”; ou do ex-secretário da Juventude quando afirmou que “deveria haver uma chacina por semana”. O que eles estão verbalizando é um sentimento muito comum e latente na sociedade brasileira, que não tolera aqueles que se desviaram do “caminho” e por esse desvio deveriam “pagar”, seja habitando para toda a vida uma prisão fétida ou sendo exterminados. Esse sentimento é traduzido nas condições precárias dos presídios, conforme afirma a pesquisadora Maria Cardoso Zapater, coordenadora adjunta do Núcleo de Pesquisas do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, em excelente reportagem na revista “Galileu” de dezembro de 2016 intitulada “Caixa preta do sistema”. Além desse sentimento que deveria ser objeto de pesquisa e explicitação pública, para tentarmos extirpá-lo do nosso meio devemos explorar o porquê de um cidadão vir a entrar para o sistema prisional, no que a referida reportagem já retrata algo muito claro sobre a característica da maioria desses cidadãos (pobres, negros e jovens), no que podemos inferir uma falha grave da nossa sociedade para com esses cidadãos, pois dessas características se pode depreender a desigualdade, a discriminação e a falta de oportunidades, tão bem retratadas até em músicas como “Meu Guri”, de Chico Buarque; “Relampiando”, de Lenine; e a filmes como “Ônibus 174” e o mais recente “Se Deus vier, que venha armado”, que insere o papel das facções nos presídios de São Paulo. Entendo que a imprensa tem de retratar os fatos do momento, mas, se não atacarmos as causas, não haverá soluções, pois conforme noticiou o jornal “O Globo” em 27/2/2015, existiam até aquele momento 437 mil mandados de prisão sem cumprir no Brasil e que, se todos fossem cumpridos, não haveria como gerenciar o sistema carcerário – e vejam: com os atuais 622 mil detentos no sistema a situação da gestão é extremamente complexa até para uma estrutura de governança azeitada, que dirá para a estrutura brasileira. Se não tivermos outra postura, voltada a atacar as causas, diante do problema da criminalidade e do sistema carcerário, estaremos daqui a 30 anos – mais ou menos o tempo decorrido do episódio do Carandiru – “alimentado” as facções com mais “matéria-prima”, já que a sociedade não se importa muito com esta “matéria-prima” que, para as facções, vale ouro.


José Nestor C. Cerqueira nestor.fwb@terra.com.br

São Paulo


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BASTA DE ILUSÃO


O que se pode dizer e esperar de detentos facínoras que cometem nas penitenciárias massacres com requintes de crueldade e barbaridade inimagináveis contra desafetos, como degola, esquartejamento, coração arrancado do peito e carbonização, entre outros? Custa crer que o sistema prisional esteja reeducando esses verdadeiros animais criminosos, com a ilusória expectativa de recolocá-los curados de volta à vida em sociedade. Basta de ilusão e hipocrisia!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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SEGURANÇA NACIONAL


Foi necessário que a imprensa internacional expusesse a situação calamitosa da criminalidade no País para que se tomasse uma série de providências que já deveriam ter sido adotadas há tempos. O que tem faltado é uma ação corajosa e ampla do Estado. A situação não é mais de segurança pública, mas, sim, de segurança nacional. Temos de compreender que a criminalidade se nacionalizou no País: PCC e PV não são mais estaduais ou regionais. Tudo o que se passa nos presídios é consequência direta do que se passa fora deles. Ouvi o ministro da Justiça falar, mas creio que determinados aspectos precisam ser mais aprofundados. Temos assistido a absurdas contemporizações de governos estaduais com o crime organizado, vide a ocupação do Morro do Alemão no Rio de Janeiro. Estranhei, também, naquela reunião o silêncio do ministro da Defesa. É fundamental a participação das Forças Armadas, não apenas controlando as fronteiras, os rios que nascem nos países produtores do tóxico e que penetram no Brasil e o controle do espaço aéreo. É imprescindível a sua efetiva participação nessa árdua tarefa. Uma ausência notada foi de alguém do setor financeiro apresentando medidas concretas para o controle do trânsito de milhões de dólares que o tráfico produz diariamente. Confio plenamente em que Temer levará este combate a bom termo.


Ricardo Pereira de Miranda ricarmiran@terra.com.br

Salvador


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GATO ESCALDADO


Antes de me aposentar passei 11 anos na revista “Visão”, nove dos quais como editora de “País”. Rebeliões e fugas em presídios nacionais faziam parte da minha editoria e fiz ou editei matérias sobre isso inúmeras vezes. Sempre depois de um desses “acidentes” o governo de plantão lançava um plano para resolver o problema. Todos óbvios e alguns até bons. Só que nunca acontecia nada. Passados alguns meses se esquecia o assunto e a ele só se retornava na próxima rebelião. O governo Temer lança, agora, o dele. Bom, claro, mas com as mesmas necessárias obviedades. Muito pouco diferente dos outros. Se fizerem metade do que prometem, estaremos no caminho certo. O que é preciso que se diga é que planos podem ser ótimos, mas só se forem postos em prática. O que tem faltado neste país é vontade política para resolver estes e outros problemas. Detalhe para quem tem curiosidade de saber quando me aposentei, para conhecer o tempo de que estou falando: 25 anos atrás. Um quarto de século! E neste um quarto de século o sistema penitenciário não só não foi objeto de plano algum, como até piorou! Vários governos prometeram o céu e entregaram o inferno. Inclusive os últimos, quando um ministro da Justiça se referiu, horrorizado, ao sistema carcerário da sua própria gestão. Esperemos que Temer tenha vontade política para levar seu plano adiante. Mas gato escaldado tem medo de água fria...


Regina H. de Paiva Ramos reginahpaiva@uol.com.br

São Paulo


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EUFEMISMO


Acho ridícula e suspeita a insistência de alguns órgãos da imprensa nas críticas a Michel Temer pelo emprego dado à palavra “acidente”, referindo-se aos crimes entre criminosos praticados em Manaus e Roraima. O eufemismo incomum foi qualificado como “pavoroso” pelo presidente, o que compensa o seu uso. Incomum também é a linguagem coloquial do atual presidente, o que deveria ser levado em conta. Já no governo anterior a imprensa oficial conseguiu impor até a jornalistas de renome “malfeitos” como sinônimo de todos os crimes por ele praticados, crimes que levaram à falência econômica o Brasil e destruíram ética e moralmente o País.


Roberto Viana Santos rovisa681@gmail.com

Salvador


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UM AVANÇO


Entre informações desencontradas e declarações inoportunas, não se pode deixar de elogiar o fato de que, em nenhum momento, o governo Temer responsabilizou especificamente alguém ou algum outro governo pela situação atual das penitenciárias brasileiras. Estivéssemos nos tempos de Lula ou Dilma, o culpado seria, lógico, FHC...


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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O CRIME SE ESPALHOU


Quando nos primeiros anos do governo do ex-presidente Lula, ao ser perguntado sobre a falta de segurança no País, ele saiu-se com algo parecido: “O excesso de bandidagem é culpa da sociedade”. Ali, os mais antenados entenderam que o recado seria: “A sociedade que embale seus bandidos, assassinos e estupradores”. Resultado? De 2003 até os dias atuais o crime organizado, embalado pelo conformismo do Estado e dos “direitos desumanos petistas”, não só se aperfeiçoou, como se multiplicou, tornando-se mais organizado do que o que nos deixou de legado a era lulodilmista. Portanto, agora, precisaremos de tempo, dinheiro, boa vontade e compromisso dos atuais governantes, para “tentar” resolver o que foi relegado em 13 anos, mas, do jeito que está, serão décadas. Não existe hoje o mais longínquo agreste onde o crime não esteja. Disso a imprensa alvoroçada com a realidade de nossas penitenciárias se esqueceu de nomear os verdadeiros culpados.


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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PAÍS SEM PERSPECTIVAS


Lendo a seção “Fórum dos Leitores”, percebo a indignação dos brasileiros com relação ao despreparo dos governantes, ao contrário da eficiência dos políticos corruptos e do banditismo organizado, conforme bem informado pelos seus leitores nas cartas de domingo, por exemplo: 27 facções criminosas, além das duas principais, Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital, e baixo índice de soluções de homicídios (apenas 5%, contra 65% do Estados Unidos). É triste ter de concordar com tais fatos.


Domingos de Souza Medeiros dymanche@terra.com.br

Presidente Prudente


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CRIATIVIDADE


Será que daqui a algumas décadas o Brasil estará envolvido em hipócritas conversações de paz intermediadas por Cuba ou equivalentes – como acontece agora na Colômbia – com o objetivo de pôr fim às ações de guerrilhas executadas por organizações clandestinas e terroristas cujos embriões são os atuais grupos criminosos organizados, baseados no narcotráfico, que estão disputando poder nas ruas e nas prisões? Ninguém sabe se esse futuro existirá, mas a construção de novos presídios e as indenizações demagógicas certamente são lançamentos de gasolina nesta fogueira. A sociedade exige mais objetividade e criatividade hoje para evitar o pior amanhã.


Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro


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UM MODELO


Sem dúvida, a situação chegou aonde chegou por culpa do Estado em todos os seus níveis: o federal, o estadual , o municipal e o judiciário. No nível federal houve total carência de apoio aos governos estaduais, principalmente nos últimos dez anos. No nível estadual, em que se situa a responsabilidade pela segurança dos presídios, verificou-se permanente desinteresse em investir em novas penitenciarias, ao mesmo tempo que estimulou-se o  incremento das detenções para agradar a opinião pública. No nível municipal constatou-se usual reação contra a instalação de unidades prisionais em seus territórios. No nível judiciário ocorre sistemático descaso para a enorme quantidade de presos sem julgamento ou com penas vencidas já cumpridas. Tudo isso somado e multiplicado levou os presídios à terrível superlotação que provoca inimaginável degradação da vida dos seus detentos, situação em que se estabelece e prospera a atuação das organizações criminosas PCC, CV, FDN, etc. É evidente que a solução para o problema da segurança publica não se resume à superlotação nos presídios, mas sem dúvida a envolve e depende dela. Essa solução passa por presídios bem projetados, construídos, equipados, operados e geridos com competência. Onde sua capacidade nominal de operação seja sempre respeitada e jamais ultrapassada. Onde os detentos trabalhem, estudem e sejam tratados com dignidade, porém com máxima disciplina. Onde não entrem celulares nem armas nem drogas. Onde haja assistência médica e também jurídica, para que o Estado não mantenha preso aquele que já cumpriu sua pena. Onde não aconteçam fugas nem rebeliões. Onde realmente haja possibilidade de recuperação e reintegração do preso à sociedade. Esse tipo de presídio existe. Um exemplo é o complexo penitenciário de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, fruto de uma Parceria Público-Privada (PPP) contratada pelo governo estadual com a iniciativa privada nos moldes da Lei das PPPs, com todas as garantias e obrigações por ela envolvidas. Trata-se de concessão via PPP administrativa para construção, conservação, manutenção e operação desse complexo, segundo especificações, normas e padrões de desempenho fixados pelo governo. A concessão tem prazo de duração de cerca de 30 anos e está funcionando há mais de 3 anos com pleno sucesso, sendo alvo permanente de visitas, estudos e pesquisas por entidades interessadas no assunto tanto nacionais quanto estrangeiras. O concessionário arca com todos os custos de projeto, construção, operação, manutenção e conservação do complexo e o governo, após o início de seu funcionamento, paga as diárias dos presos ao concessionário. Ou seja, o governo não investe nada no processo, o concessionário é quem o faz. Com tudo isso envolvido, conforme descrito acima, o custo mensal de um preso em Ribeirão das Neves é cerca de metade daquele constatado no presídio de Manaus. Sem superlotação, sem rebeliões, fugas ou desordem de qualquer espécie. O governo federal deveria se aprofundar nesse tipo de solução para o problema penitenciário, buscando incentivar e proporcionar facilidades aos Estados para que possam realizar PPPs como esta de Ribeirão das Neves (MG).


Paulo T. Sayão psayaoconsultoria@gmail.com

Cotia


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VERGONHA


Quando soube que os custos para manter um presidiário no Estado do Amazonas passa de R$ 4 mil mensais, confesso que me senti envergonhado, até porque no ano de 1978 sofri um acidente de trabalho em que perdi a clavícula, parte do tecido do braço esquerdo e recebo, em razão disso, R$ 354 (trezentos e cinquenta e quatro reais) como auxílio-doença, e, para sobreviver, mesmo com movimentos em apenas um dos braços consegui trabalhar e pagar o INSS por mais 32 anos. Porém o que mais me revolta é saber que, dos R$ 4.100 que são gastos mensalmente com cada detento, o benefício que o infeliz recebe se limita a duas quentinha por dia, o restante da grana vai para os “gatos”.


Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)


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ADOÇÃO


Por R$ 4.100,00 por mês me proponho a adotar dez presos. Proporciono refeições e acomodações dignas, emprego e treinamento para que cumpram a pena e saiam profissionais, pagamento de um salário mínimo, sem as regras da CLT e sem o pagamento a nenhum sindicato – se querem dinheiro, entranhem-se na máquina pública e cobrem dos deputados e senadores o dia roubado anualmente dos trabalhadores sem oferecer nada em troca. Os presos devem ser réus primários e os crimes cometidos, sem uso de violência. Observação: aceito presos da Lava Jato por R$ 100 mil mensais doados à AACD.


Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco


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GASTO SEM CONTROLE


Só depois que aconteceu a barbaridade em Manaus é que vem a informação de que a empresa contratada para administrar o local recebe R$ 4.100 mensais por presidiário! Daí, não há como deixar de perguntar: para que existem órgãos estaduais para fiscalizar gastos de governo, se deixam passar um absurdo desses?


Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo


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OPERAÇÃO LAVA CRIME


Precisamos de Operação Lava Crime para saber como e por que o Estado brasileiro entregou o comando dos presídios às facções criminosas.


Omar El Seoud ElSeoud.USP@gmail.com

São Paulo


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ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS

       

Não vejo diferença entre o crime organizado em geral e as empreiteiras brasileiras, exceto por um ser ilegal e as outras, institucionalizadas!


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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PERGUNTAR NÃO OFENDE


Será que o ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), citado nas delações feitas pelo ex-senador Delcídio Amaral, é parente de Luiz Navarro, a quem Marcelo Odebrecht pediu a Antonio Palocci que lhe fossem dados “espaços” na gestão Dilma? (“Estadão”, 9/1).


Andrea Metne Arnaut andreaarnaut@uol.com.br

São Paulo


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ELEIÇÃO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS


A judicialização da disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, pelo candidato Rogério Rosso (PSD-RJ), que entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação questionando a legitimidade da reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ), vem favorecendo e muito a candidatura do atual presidente da Casa. Isso se dá porque a grande maioria dos deputados acha que esta é uma questão totalmente “interna corporis” e, por assim ser, deve ser resolvida somente pela Câmara, sem ingerência do Poder Judiciário. Eles acham que já está mais do que na hora de a Câmara dos Deputados retomar seu importantíssimo papel institucional e deixar definitivamente de levar seus problemas internos ao STF. Rodrigo Maia detém, até o momento, a esmagadora maioria dos votos de seus pares, e é considerado o franco favorito para o cargo. O deputado Jovair Arantes (PTB-GO), também candidato, é sempre lembrado por seus pares pelo bom trabalho que realizou como relator na Comissão do Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff na Câmara. O nome de André Figueiredo, do PDT do Ceará, que foi-ministro das Comunicações do governo de Dilma Rousseff e que representa a oposição, não tem nenhuma chance, e esta é encarada pelos parlamentares como uma candidatura de protesto, para marcar presença na eleição. Rogério Rosso foi eleito como presidente da comissão especial do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, na Câmara dos Deputados e, surpreendendo muitas expectativas dos que o achavam inexperiente, fez um trabalho considerado extremamente eficiente. Contra ele pesa sua sofrível gestão como governador do Distrito Federal, cargo para o qual foi eleito, indiretamente em turno único, pela Câmara Legislativa, com 13 votos, em 17 de abril de 2010. Durante seu governo, sua mulher, Karina Curi Rosso, protagonizou bizarras interferências na administração, lembradas até hoje pela imprensa de Brasília. Aliás, entre os conhecedores dos bastidores da cidade, Rogério Rosso é mais conhecido como o genro de Roberto Curi, dono da rede Curinga dos Pneus, um dos empresários mais ricos de Brasília, que curiosamente e despropositadamente o acompanhou num recente encontro com o presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu, embora não seja político nem ocupe nenhum cargo na administração pública. Na prestação de contas à Justiça Eleitoral, Rosso declarou ter arrecadado R$ 1,4 milhão, dos quais R$ 1,2 milhão teve como origem as empresas de seu sogro. E muitos na Capital Federal acham que a família de Rosso está deslumbrada com a ideia de que ele venha a ser eleito presidente da Câmara dos Deputados e possa ocupar a presidência da República, já que agora o País está sem vice e ele é o primeiro na linha sucessória de Temer.


José Carlos Werneck werneckjosecarlos@gmail.com

Brasília


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BRASIL SEM RUMO


A que ponto chegou o Brasil: um governador convocou solenemente a imprensa na semana passada para informar que vai pagar em dia os salários dos servidores públicos. Só faltou dupla sertaneja, banda de música e axé! Como é possível isso? Onde vamos parar?


Ary Braga P. Filho ary.pacheco.filho@gmail.com

Brasília


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OPERAÇÃO CIDADE LINDA


Até agora, desde os idos de 1970, quando o tal de Junóca começou a pichar a cidade e não apareceu sequer um só prefeito capaz de enfrentar pichadores, porque pichar é crime: “Lei n.º 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Art. 65. Pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano: (redação dada pela Lei n.º 12.408, de 2011). Pena: detenção, de três (três) meses a um (um) ano, e multa. (Redação dada pela Lei n.º 12.408, de 2011) § 1.º, se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de seis (seis) meses a um (um) ano de detenção e multa”. A pena a ser imposta de seis meses a um ano de detenção é balela. Caso isso viesse a acontecer, qualquer juiz iria converter essa pena em doação de cestas básicas ou prestar algum serviço à comunidade, porque as prisões estão superlotadas. A fim de dar, de uma vez por todas, um fim nos pichadores seria fazê-los limpar toda a sujeira que fizeram diante da Guarda Civil Metropolitana e deixar as paredes tão limpas como deveriam estar, e o criminoso teria de arcar com os custos do material de limpeza indicado pela prefeitura. Caso o pichador for menor de idade, deve-se aplicar a mesma penalidade como sendo socioeducativa prevista na mesma lei. Depois de terem feito a limpeza, com aprovação do fiscal da Prefeitura poderiam, então, ser soltos. A Prefeitura poderia fazer um apelo à população com o “Disque pichador”. Colaborando com a municipalidade, a Polícia Civil poderia encontrar com facilidade esses criminosos e fazê-los cumprir esta pena. Fazendo isso, com toda certeza os pichadores deixariam de uma vez por todas de emporcalhar a cidade. Vamos ver se o atual prefeito, João Dória Junior, aproveita essa sugestão, simples e barata, para tornar nossa cidade linda e limpa.


José Carlos de Castro Rios jc.rios@globo.com

São Paulo


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CIDADE LINDA...


Cumprimento o jornal pela reportagem de 6/1/2017 que trata de remoção de famílias em situação de rua na Avenida 9 de Julho para debaixo do viaduto. A colocação das telas não é para protegê-los, e sim para esconder esta vergonha da população, varrendo a sujeira para debaixo do tapete. Ali não há água potável, nem banheiros, nem alimentação. Continuam em estado de miséria. Gostaria de saber o que fazer com dezenas e dezenas de famílias que habitam as ruas, praças e canteiros centrais em torno do Ceasa, pois ali não temos viadutos para escondê-los. Se a resposta for que serão encaminhados para abrigos, basta ver diariamente dezenas de pessoas que se aglomeram na porta principal do Abrigo Boracea, na Barra Funda, sem conseguir vaga.


Stanko Svarcic ssvarcic@gmail.com

São Paulo


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MORADORES DE RUA


O problema é a cor da tela. Se fosse vermelha estaria tudo bem.


Claudio Juchem cjuchem@gmail.com

São Paulo


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TRISTE IRONIA


Um pobre morador de rua, depois de ser “enquadrado” por uma cerca, armou sua barraca e (será ironia? Ainda não perdeu as esperanças?) colocou sobre ela uma Bandeira do Brasil. “Ordem e progresso.” Se não fosse tão triste, seria engraçado.


Celia H. Guercio Rodrigues celitar@icloud.com

Avaré


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PREFEITO DESELEGANTE


Soninha Francine foi humilhada em público pelo prefeito João Dória na semana passada. Doria batizou de Lei Soninha uma lei que diz querer criar, para descontar salário de secretários que chegarem 15 minutos atrasados a qualquer ato. Isso não se faz. Além de a ideia ser uma pura estupidez na era do home-office, do trabalho flexível e da comunicação pessoal móvel fácil, ele expõe a moça ao ridículo como um perfeito boboca. Caia fora, Soninha, ninguém merece ser tratada deste jeito por um dinossauro obsessivo. Não é por aí que a boa gestão vinga.


Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia


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PREFEITURA DE SÃO PAULO


Começou muito mal nosso prefeito João Doria, aquele que venceu as eleições municipais logo no primeiro turno trazendo esperanças aos paulistanos após o caos em que a cidade se transformou. Infelizmente, seguindo os passos dos nossos medíocres políticos – para dizer o menos –, Doria indicou para subprefeito da Sé um cidadão já condenado em segunda instância. Pior é o sofisma ao tentar justificar que o indicado não foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa, só foi condenado em segunda instância. Mesmo que fosse em primeira! Será que São Paulo é tão pobre em pessoas capazes e sem condenações a ponto de o prefeito ter de aceitar a indicação de outro político, no caso o tal Mario Covas Neto, que, como Aécio Neves, se valeu do parentesco de ilustres políticos para se projetar?


Frederico Fontoura fredy1943@gmail.com

São Paulo


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ENTREVISTA BRUNO COVAS


O vice-prefeito de São Paulo, Bruno Covas, concedeu entrevista a este jornal (9/1, A4), muito oportuna e consistente, da qual é de destacar dois tópicos. 1) O desgaste da classe política: “Na hora em que a população vai para a rua defender a investigação e a Lava Jato, os deputados ficam querendo aprovar, da noite para o dia, projeto sobre abuso de autoridade”. 2) Crise econômica: “O orçamento para a cidade prevê receita de R$ 54,5 bilhões. Mas a Secretaria da Fazenda já trabalha com cenário conservador de R$ 49,0 bilhões de receita, para não termos problemas ao fechar o ano”. Não gosto da cúpula tucana, FHC & Cia., mas o vice-prefeito age com seriedade. Aliás, o prefeito Doria, em dez segundos, como diz maldosamente a imprensa, limpou mais a cidade do que Fernando Haddad em quatro anos. Também o apoio a Geraldo Alckmin é positivo e alvissareiro.


Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br

Campinas


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BILHETE INTEGRADO


Até que enfim uma ótima ação do Judiciário (SP). Cumprimento o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, que suspendeu o aumento de preço do bilhete integrado (7/1/2017). Um juiz, contrariamente à maioria de seus pares, parece se preocupar muito inteligentemente com as economias populares. E nota zero para o governador e para o novo prefeito de São Paulo.


Michel Kotlarevsky michel.kot@hotmail.com

São Paulo

      

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ATAQUE EM JERUSALÉM


Um maluco que odeia o mundo pega um caminhão e joga-o contra uma multidão de inocentes. Já vimos o filme em Nice, em Berlim e, agora, em Jerusalém. Nos casos de Nice e Berlim, a guerra do Estado Islâmico contra o Ocidente é a possível razão. Não creio que seja o problema de Jerusalém. A coisa é mais localizada. É o desentendimento entre um Estado no qual algumas ações acabam sendo truculentas e um bando de selvagens cegos e carregados de antissemitismo, que nem sequer se entendem entre si. É o caso de lançar – uma vez mais – a pergunta de US$ 1 milhão: “Será que os palestinos querem mesmo a paz?”. Eu creio que não.


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz


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AJUDEMOS A SALVAR JERUSALÉM


Em nossa vida, nada é mais doloroso do que a perda de um ente querido, como pai, mãe, esposa, marido, filhos, etc. Nas guerras, devido aos bombardeios, instalações militares, prédios e moradias em geral são destruídos e pessoas, combatentes ou não, são mortas ou gravemente mutiladas. Por isso, os países deveriam envidar todos os esforços possíveis para jamais entrarem em guerra, mesmo que tivessem legítimas razões para assim agirem. Como piloto militar da Força Aérea Brasileira, embora preparado para tais missões, tive a grande felicidade de jamais ter tido necessidade de delas participar. Por outro lado, tive a grande felicidade, como piloto do Correio Aéreo Nacional, o CAN, de realizar missão de apoio aos militares brasileiros que integravam o Batalhão Suez, enviado ao Oriente Médio como parte da Forças de Paz da ONU, sediadas na Faixa de Gaza, entre Egito e Israel. Há anos palestinos e israelenses disputam a posse de áreas fronteiriças. Depois de sua criação, em 1948, e sucessivas guerras entre esses povos, Israel, de fato, expandiu suas fronteiras. Hoje, Israel busca mantê-las, e os palestinos buscam reconquistá-las. De um lado partem os ataques, provocando insegurança e lamentáveis vítimas. Do outro, por alegada necessidade de defesa, ocorrem os contra-ataques, causando, também, destruição e perdas humanas. Países que se revezam em agir como mediadores em geral têm uma tendência em favorecer um ou outro lado, e talvez por isso fracassam. Assim, não há qualquer esperança de que venha a ocorrer, mesmo no longo prazo, uma paz definitiva. E as muito lamentáveis mortes de inocentes continuarão a acontecer. Contudo, como sugere o texto do livro “The Seventh Day”, entre os próprios combatentes militares a paz é desejada. Segundo o texto, após uma sangrenta batalha, na guerra de Israel e Egito, com grandes perdas em ambos os lados, soldados egípcios derrotados se entregam. Um deles, gravemente ferido, desmaia e cai. O major médico Shimon Asher, de Israel, ao perceber a queda do soldado inimigo, entrega sua arma e seu capacete para um companheiro, apanha sua maleta e corre para tentar reanimá-lo. Quando o paciente reabre os olhos e sorri, seus colegas, ainda surpresos com a atitude do médico adversário, festejam e gritam “Viva Israel”. No Brasil devem existir muitos israelenses e palestinos que, aqui radicados, vivem em absoluta paz. Tais cidadãos poderiam, de imediato, iniciar, juntos, um grande movimento para estender a paz em que vivem para as suas regiões de origem. Entre eles, seria nomeada uma comissão mista de alto nível, com elementos extremamente dedicados e estudiosos da questão, para, com absoluta imparcialidade, sugerirem a definitiva demarcação das fronteiras dos Estados de Israel e da Palestina, que seria oficialmente estabelecida, sem cercas ou muros, ou outras separações físicas, e com garantia de absoluta liberdade de ir e de vir para os dois povos. Com tal desejada mundialmente solução, Israel e a Palestina viverão, para sempre, em paz.


Olavo Nogueira Dell’Isola olavondellisola@task.com.br

Belo Horizonte


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ATIRADOR NO AEROPORTO DOS EUA


Será que o atirador do aeroporto de Fort Lauderdale, que matou 5 pessoas no fim de semana, também foi um “acidente” lamentável?


Carlos A. Borges borges.ca@gmail.com

São Paulo


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REVOLUÇÃO REPUBLICANA


Ambas as casas do Congresso norte-americano dominadas pelo Partido Republicano nesta nova legislatura já assumiram. E o presidente Donald Trump assume no dia 20 de janeiro. Faz tempo que algo assim não ocorre nos EUA. Em outras palavras: o ideário republicano será rápida e maciçamente implementado, provocando grandes mudanças em todas as áreas internas e externas daquele país e repercutindo em todo o mundo. Quais as consequências disso? Podem ser excelentes e se espalharem por toda parte. Podem não ser. A resposta para essa pergunta vale trilhões de dólares. A revolução já começou.


Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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APOCALIPSE NOW


O urso soviético e o bisão americano caracterizam o que as escrituras predizem sobre a última batalha mundial a ser travada no Vale do Megido ou Armagedon. Boa política é ter a Rússia indiferente nem muito amiga, mas menos ainda inimiga. Nas recentes eleições presidenciais nos EUA, o governo Obama jogou todas as sua fichas na candidata Hillary Clinton, criando uma imagem de “queridinha” dos States. subestimaram Donald Trump e se envolveram em sentimentos piegas durante a campanha, e Madame Clinton perdeu, tendo o consolo de ter vencido pelo voto popular. Obama, defensor de Madame Clinton, em retaliação, impôs severas sanções contra a Rússia acusando-a de interferência nas eleições. Numa atuação de principiante, expulsou 35 diplomatas e o fechou instalações russas no país. A reciprocidade vem a galope. A Rússia, por certo, revidará ocasionando sanções contra a diplomacia americana. Senhores espectadores, o palco está preparado e as cortinas serão descerradas para que as principais potências mundiais substituam os cavaleiros do Apocalipse, conforme a visão de João (“Bíblia”).


Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)


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A INTERNET, AS ELEIÇÕES E A GUERRA


As investigações apontam que hackers russos interferiram na eleição norte-americana, prejudicando Hillary Clinton e beneficiando Donald Trump, que assume a presidência no próximo dia 20. Políticos da Alemanha temem que o mesmo ocorra nas eleições do novo governo daquele país. Os ataques, antes executados com tropas, aviões, tanques e foguetes da guerra convencional, hoje podem ocorrer silenciosamente, pelo computador, com a possibilidade de letalidade ainda maior. Aqui já vimos dúvidas de interferência em eleições presidenciais, a convocação de “rolezinhos”, os movimentos pró e contra impeachment e muitas outras coisas via internet. Com certeza, teremos problemas na rede durante as eleições de 2018. É preciso que as nações e os centros de saber se precavenham contra o uso indevido da rede. Ela nos traz coisas boas, mas também pode causar males. Do jeito que funciona hoje, a internet pode determinar a, ainda, eclosão da 3.ª Guerra Mundial.

               

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

                                                                                                    

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COPA DO MUNDO


É uma piada de mau gosto a Fifa aumentar para 48 o número de seleções na Copa do Mundo a partir de 2026. Se hoje, com 32 seleções, a Copa já está inchada, imaginem com 16 Seleções a mais. Hoje a Copa e a Fifa são, basicamente, política, dinheiro e marketing. Futebol que é bom, muito pouco e cada vez menos. O futebol virou um negócio bilionário e a Fifa só quer saber de explorá-lo e de lucrar ao máximo com ele. Triste fim da Copa do Mundo, com quase 50 equipes, muitas delas sem a menor condição técnica, banalizando e mediocrizando uma competição que já foi nobre e adorada por bilhões de pessoas em todo o mundo.


Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo


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INSEGURANÇA NO RIO DE JANEIRO


A violência que assola a cidade do Rio de Janeiro é marcada por uma série de acontecimentos bizarros: como pode 400 menores infratores liberados para o indulto de Natal terem seu regresso adiado do dia 1 para o dia 9 de janeiro, por causa da falta de comida decorrente do não pagamento aos fornecedores pelo Estado? E como pode o assaltante de Ipanema que atirou nos turistas americanos ter 13 passagens na polícia? Diante deste quadro, as instituições envolvidas na manutenção da segurança pública estão enxugando gelo. Não foi por acaso que seis policiais militares foram assassinados nos primeiros cinco dias do ano.


Luiz Felipe Schittini fschittini@gmail.com

Rio de Janeiro

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