Fórum dos Leitores

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O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2017 | 03h07

QUESTÃO CARCERÁRIA

Rebeliões e revoluções

O pipocar de rebeliões em vários Estados da Federação leva ao raciocínio de que as facções criminosas devem estar prestes a realizar uma verdadeira revolução no País, pondo em guarda as forças de segurança nacional. Com efeito, a situação é deveras grave e as facções angariaram força suficiente até para dar ultimatos às autoridades, de tal sorte que o problema passa a requerer uma estratégia governamental mais apurada para combater os desejos e as ameaças do crime organizado. Entretanto, enquanto providências mais céleres e adequadas não são tomadas pelas autoridades, mais mortes virão, até que, finalmente, se configure o grande confronto final: uma guerrilha em todos os grandes presídios do Brasil!

JOSÉ CARLOS DE C. CARNEIRO

carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

O poder das facções

Além do PCC e do CV, o Brasil tem mais 25 facções criminosas, que atuam apoiando um lado ou outro. Fico aqui imaginando o dia em que todas resolverem juntar-se, unir forças... Com toda a certeza será constituído um forte governo paralelo, no qual os colarinhos brancos e as canetas serão substituídos por uniformes e metralhadoras.

ARNALDO DE ALMEIDA DOTOLI

arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

‘Detalhes’

Precisamos dar nome aos culpados pelas tragédias em nossas penitenciárias. O Estadão de domingo precisou usar quatro páginas para descrever as 27 facções que brigam pelo comando do crime no País. Sabemos de denúncias sobre o fato de que, em 2002, o ex-presidente Lulla, para se eleger, recebeu US$ 5 milhões dos narcoguerrilheiros das Farc e também dinheiro da contravenção do jogo do bicho, que já migrava para o narcotráfico à época. Rola na internet um filme de encontro do Foro de São Paulo em que grandes personalidades do governo petista enalteciam as Farc, que mantinham elo importante com o narcotráfico brasileiro. Alguém em sã consciência acha que o petismo, que durante 13 anos comandou o País, não foi conivente com a criação dessas 27 facções? Se não foi conivente, foi propositalmente omisso. Portanto, devemos ao lullodillmismo o grave problema carcerário por que passa o Brasil. A imprensa precisa se lembrar desses “detalhes”.

BEATRIZ CAMPOS

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

O fracasso do Estado

As grandes cidades têm áreas nas mãos do crime organizado onde o Estado não entra. As cadeias são universidades do crime, a que muitos são levados por uma polícia despreparada e lá mantidos por um Poder Judiciário relapso. Saúde e educação estão abandonadas e a Operação Lava Jato nos mostra as entranhas do poder público. Este é o País que temos, onde o Estado consome 40% do produto nacional para entregá-lo às corporações que nos estrangulam com sua cobiça insaciável. Temos solução? Nem Deus sendo brasileiro consegue nos salvar...

ALDO BERTOLUCCI

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

O público e o privado

Na visão de Adriana Carranca (Mais presos, mais lucro, 7/1, A), só o Estado é competente para administrar presídios, sendo inviável a parceria com empresas privadas, sob o argumento de que se os detentos se regeneram e ganham a liberdade essas empresas são levadas à insolvência – como se não houvesse, infelizmente, novos delinquentes ingressando no crime todos os dias. Com a eclosão da crise, parcerias público-privadas do tipo BOT (build-operate-transfer) podem representar uma alternativa para desafogar esse e outros setores críticos com infraestrutura deficitária. Porque, no Brasil, a segurança pública e o sistema prisional não constituem exceção no quesito inépcia do Estado: menos de 5% dos crimes são esclarecidos, mandados de prisão não cumpridos contam-se aos milhares e a ressocialização é uma falácia.

CELSO L. P. MENDES

cpmconsult@uol.com.br

São Paulo

Politicamente correto

A recente divulgação da concessão de indenizações a serem distribuídas em tempo recorde pelo governo a famílias de criminosos eliminados por outros em rebeliões em presídios, comandadas por facções do crime organizado, fez aflorar quase que imediatamente enorme indignação em considerável parcela da sociedade, que apontou a fantástica assimetria entre o tratamento anunciado e o atribuído aos familiares do incrível número de policiais mortos em serviço. Que tal aproveitar o episódio e realizar um mínimo de justiça? Ou será preferível ceder ao demagógico e polêmico politicamente correto?

PAULO ROBERTO GOTAÇ

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

Nada para as vítimas?

As centenas de presídios brasileiros, ora palco de atrocidades entre facções do crime organizado, estão abarrotadas de criminosos que vitimaram civis, quase que em sua totalidade. Diante dessas práticas delituosas, não tem havido resposta contundente dos governos, salvo raríssimas exceções. Assim como também são raríssimos os casos de indenizações pagas às vítimas e seus familiares. Enquanto isso, corre solto o tráfico de armas e o tráfico de drogas. E nenhuma autoridade se propõe a combatê-los efetivamente.

RONALDO PARISI

rparisi@uol.com.br

São Paulo

LEI DAS ESTATAIS

Olhar de longo prazo

O editorial sobre a Lei das Estatais elogia a vedação de ministros e secretários de Estado nos conselhos de administração das estatais (As estatais vistas como empresas, 9/1, A3). Trata-se de um comentário compreensível em face ao atual desprestígio da classe política. Todavia há que examinar mudanças legislativas com um olhar de mais longo prazo, menos sujeito à situação conjuntural. Como as estatais são criadas por lei para materializar políticas públicas, deveria caber aos representantes do Estado, devidamente legitimados pelo processo eleitoral, zelar para que as decisões empresariais sejam aderentes ao interesse público. Quando não houver razão para esse cuidado, a empresa deveria ser privada, e não estatal.

JERSON KELMAN

jerson@kelman.com.br

São Paulo

ODEBRECHT

Esclarecimento

Diferentemente do que foi publicado no editorial Os erros na gestão da Funcef recairão sobre os participantes (10/1, B2), a Eldorado Celulose não faz parte da Organização Odebrecht.

JULIANA SOUZA

juliana.souza@cdn.com.br

São Paulo

“Esses R$ 10 bilhões deveriam ser aplicados em escolas, saúde e moradia digna. Assim, daqui a

uns dez anos, certamente o crime estaria em escala bem menor!”

WASHINGTON DOMINGUES QUINTAS / MOGI DAS CRUZES, SOBRE A PREVISÃO DE CUSTO FEITA PELO CNJ PARA RESOLVER O PROBLEMA CARCERÁRIO

washingtonimov@uol.com.br

“Mário Soares enfrentou pedras que estavam no meio do caminho. Mas havia um caminho em meio às pedras”

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR. / CAMPINAS, SOBRE O ‘PAI’ DA MODERNA DEMOCRACIA PORTUGUESA

lrcostajr@uol.com.br

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

POLITICAMENTE INCORRETO

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, na iminência de julgar a cassação da chapa Dilma-Temer, da eleição de 2014, resolveu aceitar convite para participar da comitiva oficial a Portugal, juntamente com o presidente Michel Temer, o ex-presidente José Sarney e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Ou seja, um vai julgar o atual presidente, outro coleciona escândalos na família maranhense e o último é acusado de grilagem, dentre outros problemas. Pode-se dizer que se trata de uma "quadra do barulho", mas politicamente incorreta. Muda, Brasil!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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EM TERRAS LUSITANAS

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do TSE, Gilmar Mendes, foi incluído na comitiva presidencial que embarcou para Lisboa. Na capital portuguesa, o presidente Michel Temer e Gilmar Mendes acompanharam o velório do ex-presidente e ex-primeiro-ministro português Mário Soares, que morreu no sábado, aos 92 anos. Gilmar é o responsável por definir a pauta de julgamento e um dos sete integrantes da Corte que vão votar neste ano na ação que pode levar à cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, eleita em 2014. Por que será que somente o ministro Gilmar Mendes foi convidado a fazer parte da comitiva? Estaria o presidente Temer pensando em algum acordo em terras lusitanas, ou simplesmente imitando sua antecessora, que, em julho de 2015, causou polêmica por causa de um encontro com o então presidente do STF, Ricardo Lewandowski - que não constava na agenda oficial da petista -, também em Portugal?

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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GILMAR NA COMITIVA PRESIDENCIAL

"À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta!"

Gabriel Mamere Neto gmamere@terra.com.br

Barueri

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PASSAGENS AÉREAS

É revoltante que os nossos tribunais - incluindo o Tribunal de Contas da União (TCU) - tenham gastado R$ 3 milhões em passagens aéreas em 2016. A maioria delas paga com valores muito acima do que seria uma passagem normal paga por um cidadão comum na classe econômica. Walton Alencar, do TCU, conseguiu torrar R$ 55 mil do nosso dinheiro numa única passagem para a Geórgia. Dias Toffoli (STF) gastou R$ 149 mil em passagens aéreas, tudo pago com o dinheiro do pobre contribuinte brasileiro. Pior: o STF se recusa a fornecer os dados dos gastos com passagens e diárias de seus ministros e servidores, há oito meses, em total violação à Lei da Transparência. Enquanto nos países desenvolvidos presidentes e ministros viajam em aviões comerciais e pagam o menor valor possível pelas passagens, no subdesenvolvido e corrupto Brasil ocorre justamente o contrário, numa total inversão de valores, em desrespeito ao dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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O COLAPSO DO SISTEMA PRISIONAL

O ano começou violento, com várias tragédias. Ataque terrorista na Turquia deixa 39 mortos, chacina em Campinas (SP) deixa 12 mortos. Atentados brutais! E a situação mais emblemática e polêmica ficou por conta do massacre do presídio de Manaus, onde 56 pessoas foram mortas e esquartejadas, e, no presídio de Roraima, morreram quase 40 pessoas - ou seja, quase cem mortes de forma bárbara e cruel. O contrassenso é que a maioria desses fatos aconteceu no dia da paz mundial, no dia primeiro de janeiro de 2017, e também entrará para o calendário nacional como o dia em que o sistema prisional brasileiro entrou em colapso. Esses massacres ocorridos em presídios  brasileiros demonstram a falência e a ineficiência da gestão penitenciária. Desde os primórdios, as condenações eram sinônimo de perversidade ao extremo com tortura, execuções em praça pública, suplício e espetacularização, como bem definiu Michel Foucault em "Vigiar e punir". Agora, em pleno século 21, ainda não se respeita a dignidade humana. Antes, era o ritual público de dominação pelo terror, agora é a ineficiência e incompetência do Estado para gerir questões de Segurança Pública. Que o sistema prisional seja revisto e comecemos do zero, reformule-se a Lei de Execuções Penais, promovam-se mutirões carcerários, construam-se presídios e reforce-se o controle de entrada e vigilância, além de acentuar a disciplina nas cadeias. E acabar de vez com a corrupção que carcomia o sistema prisional e que permite a entrada de drogas, telefones e armas nas celas. A administração carcerária precisa retomar um bom caminho, pois o que está acontecendo é que muitos estão morrendo por causa de um sistema que não funciona direito. O problema não é só superlotação nas penitenciárias, mas sim um conjunto de falhas que levam a essa violência nos presídios.

Edilson Ricardo edilson.ricardo@hotmail.com

Brasília

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LIBERDADE PARA DELINQUENTES

Li com muita atenção ao artigo "Até a próxima tragédia" ("Estado", 7/1, A2), da lavra do advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira e mais dois outros integrantes do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (Fábio Tofic Simantob e Hugo Leonardo), criticando o sistema prisional, e confesso que discordei de quase tudo o que li, mas me chamaram a atenção, em particular, alguns tópicos ali escritos. Um deles dá conta de que os esforços governamentais cingem-se à construção de mais presídios, o que, todavia, "aumenta a criminalidade". Será mesmo? Lia-se na mesma edição do "Estado" (página A11) que o Brasil, malgrado todos os propalados "esforços para a construção de mais presídios", apresenta um déficit de 250.672 vagas no sistema carcerário, informação que desmente cabalmente o que foi dito. Esse déficit, que gera superlotação e impõe condições degradantes ao cumprimento da pena, causa intranquilidade entre os presos, raiz de muitas rebeliões e matanças. Por evidente, em tais condições não há que falar em "recuperação" ou "reeducação" de preso algum, o que está na gênese da reincidência delitiva e da associação dos presos a facções. Também dizem os articulistas que, "fosse o Brasil um país dado ao cumprimento dos preceitos constitucionais (...) vigoraria a liberdade como regra". Ora, convenhamos, a sociedade brasileira acaba de testemunhar, horrorizada, o grau de bestialidade de muitos dos que estão no "sistema". Bandidos que riem e se divertem enquanto decapitam ou esquartejam os corpos de seus rivais, indefesos, nas celas. Como justificar que, em semelhante quadro, a liberdade de criminosos deva ser "a regra"? Um terceiro ponto que me chamou a atenção, em certa medida, "orna" com tudo o que foi defendido. Dizem os articulistas: "(...) em vez de facilitar o acesso dos presos aos tribunais superiores, o STF fez o inverso. Decidiu que, mesmo antes de uma condenação ser revista em Brasília, o réu já pode começar a cumprir a pena". Os articulistas vergastam a recente decisão do STF que sanciona a prisão após a confirmação da decisão condenatória de 1.º grau pelo tribunal competente. Convenhamos, o Brasil é uma democracia e o pleno do STF veio a atender ao anseio de pelo menos 90% de nossa sociedade, cansada com tanta impunidade - tanto no baixo quanto no alto "clero". Ademais, o sistema até então vigente atendia exclusivamente aos interesses dos criminosos de colarinho branco, que ficavam anos, senão décadas, apresentando todo tipo de recurso para se livrarem da cadeia. Vamos combinar: se duas instâncias da Justiça condenam o réu, soa ridículo falar em "presunção de inocência", que me desculpem os articulistas. Poderia ir além, mas detenho-me por aqui, lamentando que, com tanto marginal solto atazanando a vida da sociedade ordeira, ainda se encontrem "doutos" engravatados a advogarem a liberdade para delinquentes. 

Silvio Natal silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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'ATÉ A PRÓXIMA TRAGÉDIA'

 

Em relação ao artigo supracitado, de lavra dos ilustres advogados Antonio Cláudio Mariz de Oliveira e outros, publicado na edição de sábado, gostaria de fazer algumas observações. Os articulistas anatematizam o que chamam de vezo das autoridades policiais e judiciárias de "prender, prender, prender". Sendo todos advogados criminalistas, falam como se não tivessem nenhum interesse pessoal nas ideias que propagam, que é a de soltar indiscriminadamente todos os encarcerados do sistema penal brasileiro. Contudo, algumas discrepâncias desse texto não podem passar sem registro: dizem, por exemplo, que "rios de dinheiro foram gastos nas últimas décadas na construção de presídios e nem por isso a criminalidade diminuiu". Pergunto: desde quando se constroem penitenciárias para diminuir a criminalidade? A menção ao fato de o Brasil estar em quarto lugar (por enquanto) nos gastos com o sistema penitenciário é verdadeira, mas os motivos são muito diferentes: nos demais países gasta-se para melhorar o sistema prisional, para tornar mais efetivas as finalidades das leis penais; aqui, pelo contrário, gasta-se muito para desviar o dinheiro público. Há desvios nas refeições servidas nos presídios, há desvios nas privatizações de penitenciárias, há desvios de toda ordem nas obras e nas compras de equipamentos para os estabelecimentos penais, há desvios de verbas de forma generalizada. Rara a contratação em que não haja alguma forma de dissipação dos recursos oficiais. Ou seja, como em todos os setores da vida brasileira, as verbas públicas não chegam a seu destino natural. Essa corrupção generalizada é um dos fatores que levaram ao crescimento brutal da população das prisões, nas últimas décadas: quanto mais presos nos presídios privatizados, maior a rentabilidade da concessão, que certamente vai regar contas e campanhas eleitorais; quanto mais presos houver, maiores as compras de uniformes, camas, colchões, etc. Ter-se-á a contratação de prestadores de serviços médicos, dentários, farmacêuticos, etc. Claro que nada disso vai diminuir a criminalidade, mesmo porque não há relação nenhuma entre assuntos tão dispares. O fortalecimento das organizações criminosas decorre da frouxidão das leis penais e das falhas gritantes do sistema carcerário. Não há como conter esse aumento das atividades desses grupos de bandidos, a menos que a prática seja desestimulada por leis enérgicas, como a prisão perpétua e a pena de morte. Sem essas medidas extremas, não há como reverter o caos em que se encontra o direito penal brasileiro. Essas rebeliões em presídios, planejadas e articuladas para determinar a supremacia de alguns bandos contra outros, aplicando técnicas de terror e pânico, têm a finalidade também de determinar a liberação de verbas para o sistema prisional, que vai beneficiar alguns setores bem postados no esquema de administração dessas situações. Ou seja, há estímulos para que esses massacres ocorram, para aumentar os lucros de determinados grupos: não se trata apenas de controle das prisões. A crítica que os articulistas fazem à decisão do STF que determina o cumprimento da pena para réus condenados em segunda instância é oportunista e feita sem rebater os argumentos irretorquíveis dos ministros que subscreveram essa decisão, que, por sinal, foi um marco histórico no combate à impunidade que grassa no País. O que se espera dos advogados criminais é que atuem para desenvolver e aprimorar o Direito Penal, não para mantê-lo como estava cem anos atrás. 

Dagoberto Loureiro dagoberto.loureiro@gmail.com

São Paulo

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RECUPERAÇÃO SOCIAL

No "Estadão" de sábado (7/1) muito se abordou sobre a questão dos presídios e da falta de um bom sistema prisional, principalmente no excelente artigo "Até a próxima tragédia", de Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, Fábio Tofic Simantob e Hugo Leonardo.  Logo abaixo deste, o leitor sr. Leônidas Marques, no "Fórum", foi muito feliz ao lembrar o que disse em 1982 Darcy Ribeiro: "Se nossos governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios". Realmente tudo se resume a uma boa educação. Infelizmente, no Brasil temos muita instrução, muita preocupação com o preenchimento de currículos, e pouca educação séria e formadora de bons cidadãos, pessoas disciplinadas, conscientes da importância das leis e do respeito que o indivíduo deve ter para com a sociedade. Falta-nos uma educação que valorize o trabalho e a contribuição que se espera de cada um pelo bem-estar da coletividade; que deixe claro que tudo tem um custo, "não há almoço grátis"; que a riqueza verdadeira só vem com o trabalho inteligente, produtivo e competitivo no mercado, etc. Esta educação (de Primeiro Mundo), voltada para formar brasileiros que possam contribuir com um País melhor, deve permear os meios de comunicação do governo, mas iniciar de forma sistêmica nos bancos escolares do segundo grau e se intensificar nos cursos superiores. Quanto aos cidadãos que estão encarcerados em presídios por transgressões às leis, mais importante se torna esse esforço para sua recuperação social. Disciplina de horário, esporte, trabalho produtivo sempre fazem bem e ajudarão a transformá-los em pessoas melhores. Disciplina e trabalho duro são ótimas formas de educar e mudar hábitos e costumes. Educar melhor, desde crianças até os presídios, acabando com as escolas de crime em que se tornaram, deve ser nosso principal objetivo.

 

Silvano Corrêa scorrea@uol.com.br

São Paulo

     

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DECEPCIONANTE

O sociólogo Sérgio Adorno, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, em sua entrevista ("'Criar vaga em cadeia expande facções'", 8/1, A17), tece justificadas críticas à política penitenciária brasileira em vigor, que é dos anos 50, mas infelizmente não aponta uma solução para o problema atual. Já os conselheiros do Instituto do Direito de Defesa Antonio Claudio Mariz de Oliveira, Fábio Tofic Simantob e Hugo Leonardo ("Até a próxima tragédia", 7/1, A2) entendem que urge rever a política de encarceramento que prende muito e prende mal. É muito decepcionante que gente próxima desse problema tenha tão pouco a contribuir, e isso sabendo que o índice de solução de homicídios no Brasil é ridículo, sem contar o de outros crimes igualmente graves.

José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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DIREITOS

Já no primeiro parágrafo do artigo dos três advogados do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (7/1, A2) se percebe o viés: "(...) política demagógica, populista e irresponsável (...) focada em prender, prender e prender". E o nosso direito de defesa? Eles querem que bandidos fiquem soltos? Já não podemos portar armas para nos defender, agora querem soltar os bandidos? Rever as políticas de encarceramento? Só revendo também o nosso direito inexistente de armamento! O incrível é que eles reclamam de falta de condições nos presídios para reabilitação dos presos. Querem ainda isso? À custa de quem? Das vítimas? Dizem que nos presídios os presos sofrem influência criminógena. Sim, doutores, mas se esquecem de que soltos eles não só sofrem a mesma ou maior influência criminógena, como praticam seus crimes! Dizem ainda que a taxa de crescimento da população prisional cresce em razão da taxa de aprisionamento. Não, doutores, cresce em razão da taxa da criminalidade! Ainda mencionam "formas mais inteligentes de reprimir o crime", mas não dizem quais seriam. Este artigo é muito didático. Tem ainda mais algumas pérolas, e para melhorar a questão carcerária basta lê-lo e fazer o contrário de tudo o que eles recomendam. 

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo

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IMPUNIDADE

O artigo "Foro privilegiado" (7/1, A2), de Miguel Reale Júnior, é um primor, mostrando bem a situação que busca soluções de imparcialidade da Justiça para o interesse geral ante o descalabro que tomou conta na política nacional - em que políticos se sentem acima de qualquer suspeita. O outro artigo da mesma edição, "Até a próxima tragédia", distorce os fatos e leva o leitor à desinformação. Assim, preciso informar aos leitores deste conceituado jornal sobre dados estatísticos como prova de que é inverídico o fato de que prendemos muito e mal. O Ministério da Justiça informa que em 2014 havia no Brasil 299,7 presos por 100 mil habitantes, enquanto na Tailândia há 465 e nos Estados Unidos, 698. E não ha país no mundo que não prende acusados após decisão colegiada de um tribunal. A impunidade de autoridades e empresários inescrupulosos é que está transformando este país neste caldeirão. 

Luiz H. Chaves Davila luiz_davila@hotmail.com

São Paulo

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DEBATE IMPORTANTE

Durante quase uma semana o desfile de sugestões, inclusive as do Ministério da Justiça, sendo que a maioria delas é cabível, porém não vai a fundo na questão penitenciária. Dizem que no Brasil se prende muito e mal, e isso é uma verdade. Dados estatísticos divulgados colocam que em algumas penitenciárias 40% ou mais são presos envolvidos com tráfico de drogas. O Estado, em todos os níveis, perdeu a guerra ao narcotráfico. São gastos bilhões, trilhões na repressão, e os resultados são pífios. O uso de droga é problema de saúde pública. Logo, ao invés de gastar boa parte desse dinheiro, seria muito mais produtivo fazer campanhas elucidativas nas escolas, nos clubes de serviços, etc. sobre os malefícios das drogas, a exemplo do cigarro. Portanto, depois de muito estudo e de debates, legalizar o comércio de drogas só traria benefícios: diminuiria sensivelmente a lotação das cadeias e a corrupção policial. O traficante se tornaria comerciante; o menino usado como "aviãozinho" teria carteira assinada, emprego; impostos seriam recolhidos e as drogas seriam de melhor qualidade; as polícias e a Justiça teriam mais tempo para atuar no combate aos outros crimes que atingem cotidianamente a população. Assim, ter-se-ia um sistema penitenciário em que se pudesse buscar o mínimo de ressocialização. Mais escolas e menos cadeias. Com a palavra, os mais doutos. Enfim, é imperativo que se inicie esse debate.        

Ruyrillo Pedro de Magalhães ruyrillo@ig.com.br

Campinas

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TRABALHO

Não sei por que ninguém até agora percebeu que amontoar jovens em prisões superlotadas, junto de criminosos perigosos, só contribui para maior formação de perigosos indivíduos. O que deve ser feito é levar os jovens a trabalhos em rodovias, fazendas, construções em geral. Evitar que fiquem inativos. Precisamos de uma mão forte para forçar estes jovens a ver que só poderão melhorar nesta vida trabalhando. E o melhor trabalho que faz eles se salvarem é o trabalho na terra. Basta de gastar bilhões em prisões que só fazem criar mais criminosos. Vamos lançar uma campanha para levar os jovens a ver que só o trabalho os salvará.

Mika Krok  mikakrok@gmail.com

São Paulo

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INDIGNAÇÃO

Quanto a esta situação nos presídios do Norte do País, este genocídio absurdo, não consigo ter pena destes bandidos vadios, que estão sugando a vida de pessoas inocentes - e ainda tem gente para defende-los. Eu nunca estive numa cadeia nem imagino como possa ser, mas já conheci um homem que esteve no presídio e me contou, rindo, que foi preso e como era lá dentro. Sinceramente, eles não têm medo de sair e voltar para lá, porque para eles já é como uma segunda casa. Eu fico perplexo de saber que estes caras roubaram, mataram, estupraram, furtaram, traficaram e lá dentro continuam suas atividades antes praticadas aqui fora, e nós ainda pagamos por isso. Essas mortes para mim são como uma faxina social, uma limpeza, por que são dezenas de infratores a menos para estragar a vida de gente honesta aqui fora. Eu estou indignado e sei que outros vários brasileiros também, porque não temos mais paz, e a tendência é de que a violência gere mais violência e gente boa acabe se tornando criminosa.

Glauber Menezes glauber.menezes@hotmail.com

Ourinhos

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SEM ALÍVIO

Presos que não obedecem às regras da prisão devem ser severamente punidos, tantas vezes quanto necessário. E devem trabalhar, ser mantidos ocupados. Não deveriam existir "progressões de pena" nem saídas de Natal ou alívios parecidos. Humanos somos nós, que não sabemos se voltamos para casa quando saímos.

Carlos A. A. Borges borges49@hotmail.com

São Paulo

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A RESPONSABILIDADE DA ESQUERDA

"Construir escolas para não construir prisões." Não é Darcy Ribeiro nem ninguém da esquerda o dono dessa ideia. É uma coisa óbvia, educação em primeiro lugar. Mas ocorre que não estamos na Escandinávia. O Brasil deixou-se subjugar pelo crime, por uma onda de violência e menosprezo às leis, pela disseminação de facções - tão ou mais cruéis que os cartéis de drogas latino-americanos -, dos quais apenas um choque repressivo de grandes proporções poderá fazê-lo sair e voltar à normalidade. Antes que a esquerda reaja a esta proposta, é preciso esclarecer que o estado calamitoso atual deve ser debitado, se não exclusivamente, em grande parte à sua leniência, à sua ótica enviesada, à sua política errática de direitos humanos, privilegiando o errado em detrimento do certo. Por trás da ideia de abrir as portas das prisões, trocando o encarceramento por penas alternativas quando se tratar de "crimes menores", está o desejo de economizar, pois manter presos custa caro e não dá retorno político. Assim, vi esta semana o ministro da Justiça cometer a barbaridade de dizer que tráfico, furto, roubo e receptação são crimes menores. O que é preciso, primeiramente, é fazer uma desinfecção geral na mente da população, para que aprenda a eleger políticos honestos e compromissados com o bem-estar do próprio povo. A partir daí, falando em Segurança Pública, construir presídios em quantidade suficiente para evitar superpopulação. Reformar o Código Penal e a Lei de Execuções Penais, aumentando drasticamente as penas, inclusive instituindo a prisão perpétua para crimes hediondos, terminando com o limite de 30 anos preso, baixando a maioridade penal para 14 anos, acabando com as chamadas "progressões", que permitem a um condenado estar na rua a partir de 1/6 de sua pena cumprida, e parar de dar ouvidos aos queixumes da esquerda, que é a responsável por este estado de coisas. A prioridade à Educação, com a construção de escolas modernas, grades de ensino inteligentes e optativas, remuneração competitiva aos professores e repressão adequada, inclusive com expulsão de alunos recalcitrantes, deve ser feita concomitantemente ao combate à criminalidade, e não substituí-la, como pregam os "humanizadores" de plantão. Sobre as constantes reclamações das "condições sub-humanas dos presídios", reflitamos: o governo gasta rios de dinheiro construindo metrôs, praças, comprando ônibus, reformando banheiros públicos. Por acaso vocês acham que um banheiro público localizado no centro de São Paulo tem condições de higiene adequadas? A cadeia é apenas o reflexo de um povo mal-educado, exacerbada pela sua condição de infratores da lei. Se detentos não respeitam nem a vida humana, nem os bancos de ônibus que os transportam, por que respeitariam as paredes brancas de suas celas? Quantas vezes os presídios forem reformados, tantas vezes serão destruídos. Por isso, é hora de parar de ouvir as lamúrias esquerdizantes destas ONGs que, lá do exterior, adoram dar palpite na seara alheia. Prisão não é resort. Prisão não é ressocialização. Prisão é castigo. Foi feita para tirar um elemento perigoso do convívio com a sociedade. Ou você imagina ressocializar um bandido destes que decapita outros sem a menor hesitação? Cabe às autoridades, aí, sim, construir prisões separadas para crimes de maior e menor gravidade. Nas prisões destinadas a crimes menores - e apenas para criminosos primários - pode-se tentar uma ressocialização, mas não diminuindo penas que os incentivem à reincidência. Enfim, é difícil de falar às paredes. Com o atual quadro político, num Brasil onde a cada dia descobre-se mais um lobo travestido de carneiro, onde a covardia política leva governantes a demitirem quem ousar falar a verdade, no qual a honestidade é tachada de burrice e punida com o ostracismo, fica realmente difícil de manter o prumo e acreditar que um dia as coisas mudarão. Apenas a Operação Lava Jato, com o juiz Sergio Moro e seus abnegados auxiliares, do Judiciário, da Polícia Federal e do Ministério Público, são capazes, neste momento, de nos manter otimistas. Quando e se um dia tudo isso for implementado e o País tiver voltado à normalidade, aí, sim, podemos aplicar o utópico lema "construir escolas para não construir prisões".

 

Percy de Mello C. Junior percy@clubedoscompositores.com.br

Santos

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BOMBA-RELÓGIO

Os presídios lotados são uma bomba-relógio, todos, principalmente os governos, já sabem disso. E fingem não ver. Outra bomba, uma das causas da superlotação, é o tráfico de drogas. E quem compra e, lógico, também consome é responsável direto pelos massacres entre facções rivais, pois brigam pelo controle de postos de compra, repasses e vendas. A "luta" - que é pífia - pela prevenção do consumo está perdida. Tanto pelas famílias falidas como pela sociedade. A esperança seria a nova geração, mas não é garantia por causa dos péssimos níveis educacionais. Será que ainda dá para reverter essa situação? Faltam bons exemplos em que os jovens se apoiem. Ao seu redor, só pobreza de exemplos, principalmente os políticos, cínicos e mentirosos. Lamentável.

Alda Silva aldsilvamedeiros@gmail.com

São Paulo

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EDUCAÇÃO É A SOLUÇÃO

Como tudo no Brasil, o caos tem de se estabelecer para se tomar providências.  O sistema prisional não fugiu à regra. As bombas já explodiram em duas penitenciárias, e o estopim continua aceso; pode detonar outros presídios. Então, o Estado, cheio de intenções, promete construir novas detenções, como se isso fosse resolver, mas só fica na intenção; passada a erupção, tudo volta à normalidade, o que passou passou e estamos conversados. Segundo estudos, o Brasil tinha em 2014 622 mil presidiários, a 4.ª população carcerária do mundo, e vem crescendo a uma taxa de 7% ao ano. Nível de escolaridade baixíssimo, 75% têm até o curso fundamental e 25% nem a escola conhecem. Jovens e negros constituem a maioria dos encarcerados e, entre eles, 40% são provisórios, ou seja, não tiveram condenação em primeira instância. O custo de cada preso gira em torno de R$ 45 mil/ano, o triplo que o Estado investe num estudante universitário, R$ 15 mil/ano. Portanto, para resolver esse sério problema, basta construir mais escolas para todos os níveis, a precariedade da educação é o cerne da questão, assim os "empregos" no narcotráfico serão reduzidos e os presídios passarão despercebidos, e cadeia para aqueles que criaram o lema "Brasil, Pátria Educadora".    

 

Sérgio Dafré sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí 

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BANDIDOS

Como é possível entender um país que prende bandidos e, ao mesmo tempo, democraticamente elege bandidos?

Ary Nisenbaum aryn@uol.com.br

São Paulo

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SEGURANÇA NACIONAL

Para termos um problema de segurança nacional precisaríamos ter... segurança na Nação! E não a temos faz muito tempo! Nossos representantes e governantes estavam mais preocupados em cuidar de seus interesses do que ver o que acontecia com o País. Agora, estão percebendo que não temos nada: educação, saúde, segurança, emprego nem cidadania. Oremos!

Jorge Alves jorgersalves@gmail.com

Jaú 

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O IMPÉRIO DA CORRUPÇÃO

Incrível como o Grupo Odebrecht expandiu seu raio de atuação a 11 países ("Estadão", 10/1), além do Brasil. Parece Napoleão Bonaparte, avançando, avançando, até a derrota no gelo do inverno russo, quero dizer das Operações Lava Jato, Zelotes, etc. e tal. E isso somente se deu porque existia o establishment lulopetista dando todo o aval à sua atuação. O líder, ex-presidente, que deixou seu segundo mandato com 87% de aprovação, era garoto propaganda até da "cerveja" produzida por uma das empresas de fachada da Odebrecht. Eu realmente me questiono como Lula e Dilma ousam recorrer a organismos internacionais, como se fossem jovenzinhos rebeldes, perseguidos por um Estado totalitário. Eles afundaram países (no plural), não apenas o Brasil. Se insistirem na tese de "vítimas", especialmente após as informações prestadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, vão acabar acarretando o mesmo efeito repulsivo que têm hoje por aqui, em "terra brasilis". Nem se dizerem que as empresas são responsáveis por seus atos, inclusive a ex-potência Odebrecht. Não existe União mais nociva e poderosa do que a união de dois sistemas sociais: o da política (poder) e o da economia (ter). Foi o que se deu. E todos devem pagar igualmente por seus delitos, na medida exata de sua participação.

Andrea Metne Arnaut andreaarnaut@uol.com.br

São Paulo

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INVENCÍVEL

A Odebrecht achou que tendo o Lula como parceiro, seria invencível. Só que não...

Luiz Frid  luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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PARCERIA

Lula-Odebrecht, o encontro da fome com a vontade de comer. Basta!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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PARTE DO GOVERNO

Ao analisarmos as denúncias sobre as empresas de construção, podemos afirmar que o maior e mais importante Ministério dos governos Lula e Dilma foi a Odebrecht!

Nilson Soares da Silva nilson.ssilva@uol.com.br

Conchas

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DE OLHO EM 2018

Está sendo amplamente divulgado que o PT espera que o STF permita que o "digníssimo" Lula da Silva possa se candidatar à Presidência da República nas eleições de 2018. Caso isso venha a ocorrer, com todas as denúncias que já estão devidamente abertas contra este elemento pernicioso que, junto com seu poste, Dilma, afundou o Brasil, teremos então a clara manifestação de que nossas leis de nada valem, que nossos ministros do STF podem, todos, sofrer processos de impeachment imediatamente e a população brasileira terá de demonstrar novamente toda a sua força saindo às ruas para que Lula seja definitivamente colocado atrás das grades e o STF passe a agir com lisura e honestidade.

Boris Becker borisbecker@uol.com.br

São Paulo

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GOVERNO TEMER

Em uníssono, as duas colunas da segunda página do "Estadão" de segunda-feira (9/1), de Aloísio de Toledo César e Denis Lerrer Rosenfield, analisam e diagnosticam o desempenho do governo Temer, concluindo pelo seu construtivo patriotismo e sua visão do futuro do País, que as nossas autoridades e "otoridades" costumam ignorar por completo. Este governo está buscando, contra obstáculos fortíssimos, assentar os primeiros tijolos da sobrevivência nacional - sem, aparentemente, se preocupar com interesses menores, inclusive eleitorais. Em carta anterior a este "Fórum", expressei a opinião de que o governo deveria preocupar-se mais com a comunicação do que vem fazendo, dada a incompreensão que a sua baixa popularidade reflete. Reitero-a agora. A parcela bem-intencionada da população - que não inclui os "soi-disant" intelectuais - merece ser persuadida. 

Jan Krotoszynski jankroto@gmail.com

Carapicuíba

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MEDÍOCRE

O governo Temer pode passar à posteridade como um dos mais medíocres da história da República deste País. Além da falta de entregas de resultados e de projetos de reformas altamente improváveis de darem certo, o entra-e-sai de ministros e auxiliares já virou uma piada, exemplo de como se nomeia mal. O pior de tudo é que, lamentavelmente, isso pode fortalecer a candidatura daquele asqueroso cujo nome nem sequer devemos pronunciar, que todos nós já o tínhamos como carta fora do baralho...

Paulo Sérgio P. Gonçalves ppecchio@terra.com.br

São Paulo

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PRECIPÍCIO ABAIXO

Estamos vendo há alguns anos a caída do Brasil precipício abaixo. Sem dúvidas, o governo PT contribuiu imensamente para isso, junto com sua corja política de ladrões de altíssimo nível. O Brasil é o país onde, se plantando, tudo dá. E nem isso é preciso: basta ver florescer o verde em meio ao cimento, crescendo do nada. Clima tropical, natureza espetacular. Mas isso não vale nada: o que vale neste país é o "roubar muito e sempre". Políticos se juntaram a empresários para saquear o País. E qual a conclusão disso? Vemos que o Judiciário não presta, políticos não prestam, lei não existe (e, se existe, não é cumprida e ponto final) e o País vai sem rumo a lugar nenhum, com o povo em estado letárgico. Triste começo do fim de um país que tinha tudo para ser uma grande potência mundial. Não temos saúde, emprego, justiça, segurança, transporte, esperança. Temos de sobra safados corruptos e ladrões, mas isso não podemos exportar nem vender, temos de conviver com eles, mas não necessariamente aceita-los. Acorda, Brasil?

Márcia Rossi Soares marciarossi1@hotmail.com

São Paulo 

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PENTE-FINO NO INSS

Ai, Jesus! Se for sério, os políticos e funcionários do INSS estarão afonhinhados! O governo publicou numa edição extra do "Diário Oficial" da União a Medida Provisória 767, que restabelece o pente-fino no INSS. Perícias voltam a ser feitas a partir de 16 de janeiro aos beneficiários que recebem auxílios-doença e também rigorosa fiscalização nos documentos dos aposentados - atitudes corretas. No entanto, eu pergunto ao governo se será feito também um pente-fino nos trabalhos executados pelos funcionários da Previdência Social, principalmente nos cargos de chefia, que têm o poder de decisão e usaram de má-fé para prejudicar o aposentado. Eu afirmo isso e tenho provas documentadas pela própria Previdência Social. Ou este governo continuará sendo um inimigo dos trabalhadores aposentados, como foram FHC, com o seu PSDB, Lula, Dilma e o PT?

Benone Augusto de Paiva benonepaiva@gmail.com

São Paulo

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REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Fico estarrecido com as notícias sobre a reforma da Previdência. Descobrimos que os aposentados estão recebendo pagamentos que não merecem! Uma das regras que estão prevendo implantar: se uma pessoa receber mais de uma aposentadoria, tem de escolher para receber só uma e "desistir" da outra. É inacreditável a desfaçatez das nossas autoridades em querer essa regra, esquecendo-se do fato de que, se alguém está recebendo mais de uma aposentadoria, é porque, obviamente, contribuiu sob mais de um registro, caso contrário os órgãos da Previdência não lhe teriam concedido senão uma. Se assim ocorreu, porque esse contribuinte terá de abrir mão de uma delas, se ele contribuiu o tempo necessário para obter uma ou mais aposentadorias? Se desejarem que se abra mão de uma aposentadoria, necessário seria que esse contribuinte recebesse de volta a totalidade do que contribuiu para a aposentadoria de que abrisse mão. Isso não ocorrendo, seria confisco do que foi pago. 

Ronaldo W. Teixeira ronaldoteixeira37@me.com

São Paulo

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DESIGUALDADES NA APOSENTADORIA

Sobre as desigualdades regionais para a aposentadoria, parece que os Estados Sul/Sudeste foram os vilões para o galopante déficit da Previdência! Nenhum comentário sobre Previdência pública, que menos de 1 milhão de aposentados tem déficit maior do que a aposentadoria privada que paga 25 milhões de benefícios. E o déficit entre a aposentadoria rural e urbana? Rural, déficit de R$ 91 bilhões; urbana, superávit de R$ 5 bilhões. Alguém não anda contribuindo nesta história. O que vem saindo na mídia mais parece matéria paga do governo que quer engabelar o trabalhador urbano, maior contribuinte. Antes de exigirem igualdade, precisam colocar para a população onde realmente tiveram início as desigualdades e por quê. Fica difícil de explicar para o cidadão que contribuiu com o teto máximo, e hoje recebe apenas 40% do que lhe seria devido.  

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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A SECA NO NORDESTE

As diferenças climáticas terríveis entre algumas regiões brasileiras em determinadas épocas do ano chocam nossa tênue capacidade de discernir o porquê de a natureza - num pensamento bem simplista - ser tão cruel com nossos irmãos nordestinos. A reportagem especial de Cleide Silva e Hélvio Romero ("Nordeste enfrenta maior seca em 100 anos", "Estadão", 9/1, B4) mostra a triste realidade de um povo sofrido, mas batalhador. A cena dos animais mortos de sede e de fome choca tanto quanto a chacina dos presos de Manaus e Roraima. Em ambas as situações, somos nós mesmos, humanos (animais racionais), que por motivos fúteis nos eliminamos mutuamente, nunca esquecendo que nosso país foi desmatado criminosamente de Norte a Sul desde o descobrimento, para satisfazer ao apetite daqueles que a partir dali, até hoje, sugam nossas riquezas naturais. O sertão nordestino é exemplo da desumanidade praticada pelos cupins travestidos de humanos. A conta dos desmatamentos da Mata Atlântica e de outros biomas demorou, mas chegou. Apesar de todo erro cometido pelos nossos antepassados, somos co-obrigados a olhar pelas necessidades atuais das famílias nordestinas, que conseguem sobreviver com R$ 600,00 (seiscentos reais) por mês. O sertão clama a Deus pela chuva abundante, que o garoto travesso El Niño pare de se intrometer no clima do Nordeste e que o governo aja com sabedoria, e não por interesses político-partidários e pessoais, na distribuição da ajuda financeira aos nossos irmãos - necessitados de verdade.

Aloisio De Lucca aloisiodelucca@yahoo.com.br

Limeira

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O TERRÍVEL FLAGELO DA SECA

Enquanto assistimos neste início de 2017 aos massacres nos presídios no Norte do País, produto da incapacidade administrativa dos nossos governantes, pior ainda é o desprezo destes eleitos pelo povo, que mantém em literal abandono 23 milhões de brasileiros que vivem na região do semiárido do Nordeste, incluindo o norte de Minas Gerais. Há cinco anos o índice de chuva é insuficiente e vem prejudicando a atividade agrícola, a pecuária e a qualidade de vida das famílias dessa região. Numa combinação perversa com os malefícios da recessão econômica, essa falta de água na região gerou entre 2012 e 2015 um prejuízo de R$ 104 bilhões, piorando o resultado do PIB no Nordeste, como demonstra o levantamento da empresa Tendências Consultoria Integrada. Entre 2015 e 2016, enquanto a média negativa do crescimento econômico no Brasil foi de -3,6%, no Nordeste foi de -4,3%. E a queda nas vendas do comércio neste mesmo período na região foi de -9,4%, ante -8% do resto do País; e a redução da renda familiar, de 2%, foi maior que o 1,1% em outras regiões. Esse triste resultado reflete a herança maldita da era petista no poder. Sobre a seca no Nordeste, o revoltante é que o demagogo Lula, quando assumiu o poder em 2003, prometeu construir celeremente 1 milhão de cisternas para minorar a falta de água na região. Porém, nos 14 anos de PT no Planalto, infelizmente pouco mais de 200 mil foram construídas, e milhares dessas cisternas, já pagas, estão jogadas ao relento e apodrecendo. Assim como o PT apodreceu as esperanças do povo brasileiro, principalmente dos mais pobres, inclusive com o golpe do projeto da transposição do Rio São Francisco, que, superfaturado, está praticamente abandonado também. Ou seja, um verdadeiro massacre petista contra 23 milhões de brasileiros que sofrem no semiárido, assim como toda a população do País com a recessão econômica, também promovida pelo PT.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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RACIONAMENTO DE ÁGUA

 

Os habitantes de um bairro rico de Fortaleza, no Ceará, lavam as calçadas e áreas internas da casa em pleno período de seca no interior do Estado. Os açudes estão em situação crítica e mais de um terço do rebanho de gado já morreu de sede e de fome. A consciência do nordestino deve despertar para uma possível seca maior e a limitação de água para todos.  O racionamento só não virá se todos lutarem para economizar água. Talvez o Criador seja misericordioso conosco.

 

Paulo Roberto Girão Lessa paulinhogirao@gmail.com

Fortaleza 

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MAQUIAGEM DA VERGONHA

 

O prefeito de São Paulo, João Doria, mandou colocar telas nos baixos de um viaduto no sentido de esconder a pobreza e a feiura dos moradores de rua instalados ali. Algo como jogar a sujeira para debaixo do tapete. Será que daria certo fazer o mesmo com o desemprego, com a violência, com a falta de creches, com a falta de médicos e de medicamentos nos postos e por aí afora, prefeito? Perguntar não ofende!

Maria Elisa Amaral marilisa.amaral@bol.com.br

São Paulo

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O QUE FIZERAM COM SÃO PAULO?

Faço votos de que o prefeito João Dória consiga limpar a sujeira e a desordem que Fernando Haddad legou aos paulistanos. Visitando a cidade, não há como não lamentar o estado de abandono e decadência de São Paulo. Prédios e muros pichados, a horrível Avenida 23 de Maio coberta com grafites de péssimo gosto, o lixo espalhado, gente acampada nas ruas, onde lhe dá na telha. Os agora perenes acampamentos de "movimentos sociais" no centro da cidade trouxeram uma desagradável novidade: o cheiro de fezes. Afinal, com ou sem teto, há que satisfazer as necessidades biológicas em algum lugar. Faz-se nas ruas! Para quem vem de fora e não está habituado, é muito chocante e desagradável. Junte-se ao quadro o exército de zumbis do crack, que impressiona e assusta quem nunca o viu de perto. A Avenida Paulista, outrora tão imponente, virou um corredor de camelôs e hippies, de aspecto deprimente. No lugar dos canteiros centrais, outrora verdejantes, há uma ciclovia sempre vazia e a aridez é total. Nas vias como a Avenida Bandeirantes, terrenos de imóveis vagos são "invadidos" por famílias sem-teto, à vontade. Viadutos se transformaram em moradia definitiva. Não há ordem em lugar nenhum e a sujeira e o lixo abundam. Sem falar nos limites de velocidade ridículos que fazem com que os carros, em vias expressas, se arrastem, contrariando toda a lógica de se ter uma... via expressa! Num mundo em que os carros até já estão sendo feitos para parar e desviar de outros sozinhos, onde a tecnologia só faz aumentar a segurança no trânsito, São Paulo tem uma legislação de trânsito para carroças e carros de boi. O paulistano pode ter se acostumado e nem perceber mais, porém quem vem de fora acha aquilo cansativo e irritante. Em suma, não há como o turista sair da cidade sem um gosto amargo na boca e sem se perguntar: meu Deus, o que fizeram com São Paulo?

M.Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

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SÃO PAULO ESTÁ ATRASADA

Enquanto nosso "Príncipe da Gestão" (prefeito Dória) cria aqui sua pouco respeitosa e jurássica Lei Soninha, que penaliza seus subalternos "de confiança" que chegam 15 minutos atrasados a algum ato, em Boston, empresários nadam de braçada - longe da pobreza de espírito - soltando as correntes de seus colaboradores. Mas não apenas em Boston, a bibliografia tem milhares de casos de sucesso da adoção do home-office e do trabalho flexível. Fazendo assim, também ajudam a aumentar a autoestima e a produtividade corporativa, e a reduzir acidentes de tráfego, congestionamentos, poluição do ar e o efeito estufa. 

 

Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia

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ANTIPREMONIÇÕES

A edição de 2 de janeiro de 1939 da revista "Time" laureou Adolf Hitler "o homem do ano" de 1938. Meses antes, o Reino Unido e sua aliada, a França, por meio dos primeiros ministros Neville Chamberlain e Èdouard Daladier, assinavam com Hitler e Mussolini o Acordo de Munique, que previa a anexação unilateral da Checoslováquia pelos nazistas e estabelecia o compromisso destes de não serem renovadas outras reivindicações territoriais. Pouco menos de um ano após a concessão do prêmio pelo prestigiado veículo de imprensa, a Polônia era invadida pela Wehrmacht, com anuência da União Soviética de Joseph Stalin, nomeado também "homem do ano" de 1943 pelo mesmo semanário, em face do fato de, à época, ser ele aliado dos Estados Unidos. A História nunca se repete, mas às vezes se reedita. Depois de presenciar tal equívoco registrado no passado por influente veículo de imprensa, estará o mundo, diante do Brexit, da inquietante eleição de Donald Trump, da escalada da extrema direita em vários países da Europa, em função dos movimentos migratórios acompanhados de atos de terrorismo e do cinismo que permeia as relações internacionais, às vésperas de novas consagrações bizarras retratadas por antipremonições chanceladas por importantes órgãos de comunicação?

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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O DISCURSO DE MERYL STREEP

Discordo da atriz Meryl Streep, que na premiação do Globo de Ouro disse que, sem cinema, só vai restar aos norte-americanos assistir football e MMA. Na verdade, só vai restar, mesmo, o football, porque o MMA está repleto de estrangeiros vindos do mundo inteiro.

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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Meryl Streep, além de atriz maravilhosa, soube, em seu discurso emocionado no Globo de Ouro, expressar indignação, coerência, e amor pela arte, num mundo controverso e desigual.

Elisabeth Migliavacca

São Paulo 

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