Fórum dos Leitores

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O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2017 | 03h11

ECONOMIA

Selic caindo

Atendendo às expectativas do mercado financeiro, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 13,75% para 13%. Essa redução foi possível porque a inflação está caindo e fechou 2016 abaixo do teto da meta, em 6,29%. É uma boa notícia e podemos comemorar? Acho que não, pois a inflação só caiu graças à herança maldita de Dilma Rousseff (PT), ou seja, mais de 12 milhões de desempregados. O governo federal, sob a direção de Michel Temer, espera que com a redução da Selic a economia pegue no tranco, comece a reagir e crescer, gerando empregos. É o que nós desejamos também. Mas será que Donald Trump não vai jogar areia em nossas expectativas? Ai, ai, está difícil de sair desse buraco em que o PT, sob o comando do Lula (presidente de direito e de fato nos últimos 13 anos), nos jogou.

MARIA CARMEN DEL BEL TUNES

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

Resultado prático

O Copom baixou a Selic em 0,75 ponto porcentual, uma das maiores quedas dos últimos tempos. Entretanto, o tomador de dinheiro precisa sentir a eficácia dessa baixa nos juros que vai pagar em seus empréstimos, visto que em outras reduções da Selic não se verificou diminuição da taxa cobrada pelos bancos.

JOSÉ C. DE CARVALHO CARNEIRO

carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

O ajuste que falta

Aproveitando o título do editorial Inflação cai, mas falta o ajuste (12/1, A3), acho pertinentes as seguintes considerações. A situação de calamidade econômica em que se encontra nosso amado país se deve única e exclusivamente aos desmandos da parte pública da nossa economia. Em consequência, o setor privado, constituído por aproximadamente 100 milhões de trabalhadores, sem ter nenhuma responsabilidade pela dita situação, está fazendo seu ajuste, representado até o momento por uma “amputação” de 12 milhões de empregos. É chegada a hora, portanto, de o setor público, constituído por cerca de 10 milhões de servidores, fazer o ajuste equivalente que está faltando, ou seja, sofrer uma “amputação” de 1,2 milhão de postos de trabalho. Sabemos que diante dessa proposta os paladinos dos “direitos (privilégios) adquiridos” logo vão bradar as mesmas razões de sempre, isto é, que a estabilidade no serviço público é “cláusula pé-trea” (sic). A alternativa que se apresenta é a diminuição da folha de pagamentos dos servidores públicos em porcentual equivalente. Nova indignação surgirá sob o pretexto de outra “cláusula pétrea” (sic): a irredutibilidade dos seus salários. Muito bem, que se mantenham os salários, mas cortem-se todos os penduricalhos agregados a eles em porcentual que produza o mesmo efeito. Esse é o mínimo ajuste que ainda falta e se espera.

JOSÉ CLAUDIO MARMO RIZZO

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

Sinais promissores

A Petrobrás retomará as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, alvo da Lava Jato, apenas com empresas estrangeiras que foram convidadas para tal. A exclusão de firmas brasileiras mostra não só o seu descrédito ético, mas, sobretudo, a nova atitude da Nação ante os agentes públicos e privados com negócios no País e no exterior. É de esperar que a maioria dos políticos não venha a frustrar as legítimas esperanças da população com seu vil e torpe exercício da corrupção. Alvíssaras aos novos tempos, que esperamos de dignidade e de compostura.

MÁRIO RUBENS COSTA

costamar31@terra.com.br

Campinas

FUNDOS DE PENSÃO

Assalto sistemático

O texto do editorial econômico Os erros na gestão da Funcef recairão sobre os participantes (10/1, B2) é perfeito, mas o título, não. Não foram erros. Os fundos de pensão das estatais têm sido assaltados sistematicamente por quadrilhas organizadas e com forte ingerência política. Esses pseudoerros foram ações criminosas articuladas para fraudar vários fundos de pensão, que produziram e continuam a produzir rombos bilionários. O relatório da CPI dos Fundos de Pensão da Câmara deixou isso muito claro e a Operação Greenfield está aprofundando as investigações.

WANNER PINHEIRO MONTEIRO, participante do fundo Serpros

wanner.monteiro@uol.com.br

Brasília

LULOPETISMO

Pentarréu candidato?

Lula diz que, “se necessário”, será candidato à Presidência da República outra vez. Tomara que seja mesmo o candidato do PT em 2018, para levar uma surra eleitoral “glamourosa” e ir de vez para o merecido ostracismo.

ARON NASCIMENTO

reinnercarlos1970@gmail.com

Araçatuba

Saturação

Está saturando ver quase todos os dias na mídia algo sobre o ex. Notícias requentadas, informando sobre eventos ou suas viagens pelo Brasil para recuperar imagem do partido, etc. Curioso: informações de convites para palestras, nada. Estranho o desinteresse por sua enorme sabedoria. Por que será? Falta algum chegado informá-lo de que a fila andou e seu tempo passou.

J. PERIN GARCIA

jperin@uol.com.br

São Paulo

Piada

Mal começou 2017 e a carta aberta assinada por advogados, políticos, movimentos sociais e ex-ministros dos governos petistas pedindo a renúncia do atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, já é candidata a piada do ano. Chamá-lo de populista, então, é rir para não chorar. Por acaso os 13 anos de governo do PT – esse, sim, populista – contribuíram para melhorar a situação das penitenciárias no País? Não. Ao contrário, o que não faltou foi vista grossa. Certo ou errado, o ministro Alexandre de Moraes está pondo a mão na massa. Melhor do que os ministros do PT, que pouco ultrapassaram os limites da mera retórica durante suas administrações. Tamanha estratégia rasteira e oportunista para tentar desestabilizar o governo atual é hilária.

LUCIANO HARARY

lharary@hotmail.com

São Paulo

Incompetência reconhecida

Antes tarde do que nunca, três ex-ministros da Justiça nomeados pelo PT, Eugênio Aragão, José Eduardo Cardozo e Tarso Genro reconheceram pública e expressamente que “não é de hoje que as prisões constituem verdadeiros depósitos de pessoas” e que “as condições de vida precárias e a superlotação nas unidades prisionais brasileiras são de conhecimento público”. Então, o desrespeito à lei e à Constituição somente se torna incompatível quando se perde o poder?

ATALIBA M. DE MORAES FILHO

ataliba@outlook.com

Araçatuba

“Para o sabichão João Pedro Stédile, dirigente do MST, Lula é o candidato permanente do povo pobre brasileiro a presidente da República. Pobre povo pobre deste pobre país!”

EUCLIDES ROSSIGNOLI / AVARÉ, SOBRE AS PRETENSÕES DO RÉU PETISTA EM CINCO PROCESSOS POR CORRUPÇÃO

euclidesrossignoli@gmail.com

“Todo o Brasil está esperando Sergio Moro voltar de suas férias”

EUGÊNIO JOSÉ ALATI / CAMPINAS, SOBRE O JUIZ DA OPERAÇÃO LAVA JATO

eugenioalati13@gmail.com

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

ECONOMIA

Cai a taxa básica de juros, a Selic, caem a inflação e o dólar. Em decorrência, a Bolsa de Valores sobe. A iniciativa privada vem fazendo seu papel na triste situação financeira por que passa o País. Mas o governo Temer, até agora, não vem correspondendo, já que a equipe econômica acaba de aumentar para R$ 149 bilhões o déficit do PIB em 2017. Aumento de mais de R$ 10 bilhões da meta prevista, mesmo com a queda da Selic. Isso em janeiro. O que virá no decorrer do ano? Quando é que Brasília sairá do mundo da fantasia e entrará no ritmo do resto do País? Mordomias de políticos, até agora, não foram cortadas. O custo do Estado continua desgovernado. Não dá mais para postergar. Ou corta ou corta. O Brasil, vilipendiado, massacrado pela crise econômica, espera ansioso pela contrapartida do governo federal. Será que fomos às ruas para que tudo continue igual? A conferir...

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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BULLYING ECONÔMICO

A taxa Selic caiu, a inflação caiu, o dólar caiu. Pergunta-se: Cadê o nosso?    

Marcos Catap marcoscatap@uol.com.br

São Paulo

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PREOCUPADO, EU?

O povo do Rio de Janeiro parece não estar nem um pouco preocupado com a atual situação do País e, principalmente, de seu Estado, que se encontra em calamitosa situação econômica. Isso porque vimos nos jornais dos últimos dias que milhares de pessoas, reunidas nos chamados blocos, tomaram as ruas do centro da cidade e caíram na farra, antecipando o carnaval. Cá entre nós, este povinho não tem jeito, mesmo. Só para dizer o mínimo! 

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José Marques seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo

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IRRESPONSABILIDADE FISCAL

A calamidade dos Estados mais irresponsáveis fiscalmente, ao que tudo indica, será mesmo federalizada. A começar pelo Rio de Janeiro. E tem mais de uma dúzia na fila. A pergunta é: o que Michel Temer pretende cortar de seu Orçamento para viabilizar a ajuda aos Estados em crise, sem desequilibrar mais ainda as contas federais? 

Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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AGONIA REGIONAL

 

O ano de 2016 chegou ao fim, mas os efeitos nefastos da crise econômica parecem estar longe de acabar. Vários Estados brasileiros estão com a "corda no pescoço" e iniciaram 2017 no vermelho. O caso mais evidente é o do Rio de Janeiro, onde os servidores públicos ativos e os aposentados estão sem receber seus proventos com a regularidade devida. Além disso, há serviços que não funcionam de forma adequada justamente pela falta de dinheiro no cofre público fluminense. Mas o Rio de Janeiro não está sozinho nessa triste realidade. Mais ou menos 12 Estados vivem situação fiscal e orçamentária bastante semelhante, em que a incerteza de recursos é uma dor de cabeça diária para os secretários da Fazenda, governadores e funcionalismo. Cabe ao governo central buscar mecanismos para auxiliar os Estados e, assim, promover uma estabilidade nacional. Agora, exigir contrapartidas absurdas dos governadores e não oferecer nenhuma ajuda verdadeiramente efetiva é uma mistura de nada com coisa alguma.

 

Willian Martins martins.willian@globo.com

Guararema

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POUCO APRENDEMOS

Cabe aos analistas políticos dotados de bons propósitos relembrar o que já está caindo no esquecimento da sociedade, ou seja, que as graves crises econômica e política vividas pelo País - mal equilibrado numa pinguela, como lembrou velha raposa que ainda circula por aí - não decorrem das ações do atual governo, e sim da irresponsabilidade populista do anterior. Cabe, também, aos cronistas honestos neutralizar a interpretação ainda ativa da ilegitimidade do atual mandato, uma vez que ele está sendo exercido por força do mesmo número de votos que o grupo petista obteve para se reeleger, graças ao apoio do partido majoritário do atual presidente. É claro que as tensões de natureza ética e moral constituem ainda inchaços presentes desde sempre, que só agora começam a aparecer com nitidez e se revelam suprapartidárias, o que conduz à necessidade de repensar o País, tarefa à qual se propuseram os arquitetos da nova República, ao substituir os militares, e 30 anos depois nos vemos obrigados a realizar nova reavaliação. Parece que pouco aprendemos. 

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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CRISES E SOLUÇÕES

A crise financeira dos Estados, com predominância da que ocorre no Rio de Janeiro, é emblemática. Causas, efeitos e soluções dividem estudiosos e especialistas no assunto, mas o agravamento de tal triste realidade exige soluções de curto, médio e de longo prazos. Para tanto, lideranças governamentais e da iniciativa privada têm de, unidas, encontrar os melhores caminhos no sentido da superação de tais problemas, de voltarmos ao processo de construção da grande nação com que tanto sonhamos e que temos condições de ser. 

José de A. Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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2017, UM ANO AINDA DIFÍCIL

Se Estados e municípios já devem R$ 120,6 bilhões ("Estadão", 28/11/2016) aos bancos públicos (Banco do Brasil, CEF e BNDES) e de 75% a 80% dos orçamentos estaduais, municipais e federal são para pagar salários e benefícios (consultor econômico Raul Velloso), o que foi feito pela administração pública em geral para melhorar este cenário de dificuldades que se avistava de longa data? Infelizmente, quase nada, e, com o agravamento da atual crise econômica no País, as dificuldades econômicas começam a ganhar força. 

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas

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LOTERIAS

Para ter ideia da dimensão da crise econômica em que o País está mergulhado - a mais aguda e severa de sua história -, basta verificar que as Loterias Federais arrecadaram em 2016 um valor 13,8% menor que o de 2015. Quando a população se vê obrigada a diminuir até as apostas no eterno sonho de virar milionário, é porque a coisa está mais do que preta. Que fase!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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CRISE ATÉ NO JOGO

A notícia alerta e mostra bem a atual situação caótica em que sobrevive a população brasileira: "Loterias têm arrecadação 13,8% menor". Isso quando é sabido que deveria ser o contrário, pois, quanto pior a situação, maior e melhor será o movimento do jogo. Na verdade, o desemprego, os baixos salários e os miseráveis aposentados não têm nem o que comer, quanto mais para jogar. Né, não?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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SEM SOLUÇÃO À VISTA

Nossa situação é de desespero! Não bastava a crise do desemprego, enfrentamos muitas outras que só crescem a cada dia. No momento, nossa maior preocupação é com os presídios do País, um problema antigo que se agrava cada dia mais e seu fim só Deus sabe. Infelizmente, os problemas surgem diariamente e nós, o povo, ficamos cada vez mais inseguros. Para piorar, não enxergamos soluções para breve.

Laert Pinto Barbosa laert_barbosa@globo.com

São Paulo

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O BRASIL ESTÁ DOENTE

Finalmente a realidade do sistema prisional do País se revelou tão grave quanto a realidade da economia e da integridade moral dos nossos políticos. Do outro lado temos o crime organizado, realmente organizado, financeiramente em ótima situação, sinal de que a administração é séria, não existem ladrões na cúpula e nos escalões inferiores. Assim deveria ser a situação do País, se não houvesse esta máquina pública monstruosa em tamanho e ineficácia, um buraco negro em que entra o dinheiro e nada sai. Uma boa parte do Congresso Nacional, em sociedade com empreiteiras e estatais, conseguiu afundar o País, e recuamos mais de 20 anos em dez. Estados falidos, população totalmente desamparada, sem saúde, segurança e com falta de educação de qualidade graças a 12 anos de um governo petista que tinha o objetivo de levar o País ao ponto onde está, pronto para um golpe de Estado que foi por água abaixo com a cassação de Dilma Rousseff. Qual é a solução para o País? Copiar o sistema administrativo das facções criminosas, um modelo bem administrado, com honestidade? Parece loucura, mas é a grande verdade! Roubaram na administração federal, nos Estados e nos municípios, e agora não existe solução de curto prazo porque não existe dinheiro. O desemprego só vai diminuir quando as grandes empreiteiras voltarem a operar, mas para isso elas querem o perdão, a liberdade dos envolvidos, o fim da Lava Jato e a volta da "prostituição" nas concorrências públicas com os resultados combinados entre os agentes públicos e as construtoras e a distribuição de agrados aos senhores políticos. O Brasil está muito doente e o remédio que cura, se não for bem dosado, pode matar.

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco

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A HISTÓRIA SE REPETE

Os 93 assassinados nas prisões de Manaus e Roraima, na última semana, lembram a chacina dos 111 presos no Carandiru de São Paulo, em 1992. Assim como as operações da Lava Jato repetem a história dos Anões do Orçamento, os 37 parlamentares denunciados por crimes contra o patrimônio público por uma CPI em 1993. Os antigos romanos diziam que a história é mestre de vida, mas parece que não aprendemos nunca. Nossa sociedade continua vítima de criminosos, bandidos ou políticos!

 

Salvatore D'Onofrio salvatore3445@gmail.com

São José do Rio Preto

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RETRATO DO BRASIL

                                

São estarrecedoras as cenas dos massacres ocorridos em Manaus e em Roraima, no Norte do País. Nada pode justificar tamanha barbárie, nem mesmo os desmandos políticos que se sucederam no País, com uma frequência imaginável e assustadora. As facções criminosas justificam suas ações tendo como base, em seu código de honra, o fato de que o País foi assolado, sacudido por uma onda nefasta de corrupção, incomparável com qualquer outro local civilizado do planeta. Mas é preciso que autoridades competentes deem um basta nesta situação, antes que ela escape completamente do controle. Todos sabem que as prisões são verdadeiros barris de pólvora prestes a explodir a qualquer momento, em decorrência do número excessivo de presos em suas dependências. Apenas quatro dias após o massacre ("matança pavorosa, como disse o presidente Michel Temer") que vitimou 56 detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, o Brasil foi pego de surpresa com outra tragédia em presídio envolvendo brigas de facções criminosas. A morte de 99 presos neste início de ano aconteceu enquanto juízes de todo o País continuam em férias. Os massacres em Manaus e Boa Vista, com requinte de crueldade, se tornaram mais um componente de crise para o governo de Michel Temer, que prometeu construir novos presídios federais e disse que ajudará a construir outras 25 novas penitenciárias, o que deve desafogar o sistema. Entidades, ONGs, organismos internacionais e até o papa Francisco se sensibilizaram com a situação, criticaram o Brasil pela situação caótica nos presídios, "masmorras medievais", e cobraram soluções. O fato é que, se nada for feito em curto tempo, novas mortes em massa podem acontecer, inclusive no Sul e no Sudeste do País. O barril de pólvora está armado. Notícia boa no País das bananas, só da inflação que despencou nos últimos meses.

Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

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EMERGÊNCIA

O Brasil funciona assim: crise emergencial na segurança pública. Fazem-se planos para solução. Projetos de viabilização dos planos. Formação de comissão para acompanhar o processo. E, aí, se passaram 50 anos...

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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BOA IDEIA

Qualquer arquiteto, mesmo sem grandes predicados, transformaria as arenas de futebol construídas para a Copa do Mundo de 2014 em presídios de Primeiro Mundo. De todas elas, pelo menos quatro poderiam ser transformadas, principalmente a do Amazonas.

Ivan Bertazzo bertazzo@nusa.com.br

São Paulo

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ESCOLA X PRESÍDIO

"Quem abre escolas fecha presídios." Quem disse isso foi Victor Hugo, e não Darcy Ribeiro. Este último aplicou a ideia do francês à realidade nacional. E, inclusive, previu que não se investiria o suficiente nem em educação nem em presídios. Ou seja: Darcy não entendia só de escolas ou de índios. Mas também dos nossos políticos, de sua responsabilidade para conosco e de suas verdadeiras ambições. 

Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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DE LONGA DATA

Já falei sobre isso e outros leitores também. O projeto dos Cieps, no governo Brizola, idealizado por Darcy Ribeiro, foi bombardeado de tudo o que era jeito. Neste projeto a criança ficava o dia todo na escola, tendo ensino, lanche, almoço e recreação. Naquela ocasião, o secretário Darcy Ribeiro dizia: "Se não fizerem escolas e investirem na educação, daqui a 20 anos faltará dinheiro para construir presídios". Na mosca. O atual secretário do governo Temer e homem de confiança Moreira Franco, quando assumiu o governo do Estado do Rio em 1987, sua primeira providência foi mandar derrubar a Fábrica de Escolas, que fazia os pré-moldados dos Cieps, atendendo a interesses privados. O quadro atual diz tudo. Fala-se, hoje, em gastar R$ 10 bilhões na construção de presídios. Para um país em recessão, com desemprego já na casa dos 13 milhões de trabalhadores, esse gasto é um escândalo. 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro 

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ORÇAMENTO

Dos R$ 10 bilhões que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pré-orçou para resolver o déficit de vagas no sistema penitenciário nacional, a maior parte deve ser para mordomias e salários dos apaniguados do Judiciário.

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo

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AUTORIDADE

Comandos organizam-se dentro e fora dos presídios, traficantes avançam sobre as cidades, políticos anarquizam com medidas provisórias; afinal, a que tipo de autoridade submete-se este país?

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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A RESPONSABILIDADE DA JUSTIÇA

Ficou bastante claro que os verdadeiros culpados pelas penitenciárias superlotadas são a "Justiça" que mantem lá mais de 40% dos presos que não deveriam estar ali. O presidente da República, ministros e governadores estão buscando soluções para a crise. A Justiça, que ganha mais do que todos os outros setores e trabalha muito menos, não se "levantou da cadeira" para corrigir seus "erros e omissões". O CNJ estima em R$ 10 bilhões o custo para resolver o problema, entretanto, se juízes trabalhassem mais, poderíamos reduzir esse gasto, ou mesmo não o teríamos. O Judiciário ganha mais e trabalha muito menos, sem motivos aparentes para a enorme diferença. Neste caso, deveria trabalhar o dobro, por ser somente sua a responsabilidade em resolver o problema que criou. Ninguém mais tem culpa.

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br

São Paulo

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DISTÂNCIA DO INFERNO

Desde 1/1/2017, dia do massacre no presídio Anísio Jobim, em Manaus, a quantidade de opiniões na imprensa tratando da superlotação das penitenciárias teria o volume de umas dez "Bíblias". Tenho uma solução bem simples e eficaz para quem não deseja morar num inferno superlotado, prestes a explodir a qualquer momento: é só não estuprar, não matar, não roubar, não traficar drogas, não corromper e não se deixar corromper, não sequestrar, não praticar estelionato e assim por diante. Simples, não?

 

Luciano Nogueira Marmontel automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)

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A QUEM INTERESSA?

Certamente, dispõe-se hoje de tecnologia capaz de bloquear com eficiência os sinais de telefones celulares localizados em área restrita. Os presídios brasileiros mais se assemelham a frenéticos sistemas distribuídos de comunicações, com milhares de aparelhos introduzidos, do que a estabelecimentos destinados ao confinamento de condenados pela Justiça. A todo momento o cidadão comum assiste na televisão a matérias mostrando vídeos e áudios partidos do interior das prisões e reflete sobre a fragilidade das revistas aos visitantes, além de se perguntar qual a razão da não instalação de dispositivos de interferência que ajam de maneira efetiva naquelas intensas e constrangedoras trocas de mensagens. É claro que tem também o direito de especular sobre a quem interessa a permanência do atual panorama. Tudo muito intrigante.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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BNDES, UM EXEMPLO DE GESTÃO

Muito bom o artigo de Vinicius Neder "Mudanças aceleradas ditam ritmo no BNDES", publicado no "Estadão" em 8/1/2017. O artigo dá notícias das mudanças implantadas no banco, que esteve durante quase 14 anos nas mãos dos petistas e, igualmente à Petrobrás, sofreu todo tipo de uso e abuso. A economista e presidente do banco Maria Silvia Bastos Marques, ao tomar posse, tinha a missão de estancar a sangria aberta no banco, e com certeza criou desafetos. Afinal, certas pessoas estavam acomodadas, a serviço de um projeto de poder que foi abortado pela Operação Lava Jato. A presidente é um exemplo de gestora  bem-sucedida. Em novembro, fez a devolução antecipada de R$ 100 bilhões à União, foram criadas duas diretorias, duas áreas foram extintas, oito foram fundidas em quatro e uma foi criada. Também diminuiu o número de executivos que comandavam as áreas de 24 para 19. As mudanças de Maria Silvia não ficam apenas na questão financeira, elas foram físicas também: os superintendentes deixaram de ter mesas com divisórias de vidro e os próprios diretores perderam suas salas. Agora, estão num único salão e um andar inteiro foi liberado. Com isso, a nova diretoria abandonou a construção de um prédio, orçado em R$ 490 milhões, e transferiu para a sede empregados que ocupavam nove andares num edifício comercial. Interessante notar que todo esse trabalho da executiva no BNDES não repercutiu no País, consumido pela corrupção, nem teve o merecido destaque da imprensa. Cada ministro que assume só pensa em gastar. Querem construir mais prédios, mais cargos e, consequentemente, mais despesas. Até o governo federal, que disse que iria diminuir ministérios, vem tendo dificuldades em cortar na própria carne. Maria Silvia é um exemplo de executiva que faz falta no Brasil. Tivéssemos mais Marias Silvias no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal (CEF), na Anatel, na ANS, na Aneel, na Anac, etc., nosso país seria outro. 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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O ERRO DE GERALDO ALCKMIN

Nem mesmo a experiência como governador de São Paulo evitou um grave erro político de Geraldo Alckmin, quando apoiou a proposta populista de seu candidato à prefeitura paulistana, João Dória Jr., de não reajustar os preços das passagens do transporte urbano, caso vencesse a eleição, como venceu. Alckmin carrega, agora, o ônus dessa demagogia e percebe que caiu na própria armadilha que criou. Com a recessão econômica e seu governo sem recursos para bancar mais subsídios, tentou fazer reajustes parciais para a tarifa integrada de ônibus com os trens Metrô/CPTM, bem acima da inflação, de 14,8%, e ofereceu de bandeja ao PT a oportunidade de contestar na Justiça esse cavalar reajuste. E o partido de Lula logrou êxito, porque o Tribunal de Justiça confirmou a liminar concedida anteriormente e derrubou a elevação dos preços das passagens pretendida e necessária para o governo do Estado. E agora, Geraldo? Se o governador, como pretende, der um reajuste linear para as passagens, vai comprar uma briga com a oposição e seus milhões de usuários. E pode ser contestado novamente. 

Paulo Panossian paulopanossian@hotamil.com

São Carlos

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E NO FUTURO?

É uma boa jogada política para o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, congelar a tarifa de trem e metrô, seguindo a proposta do novo prefeito da cidade, João Doria, que, quando em campanha, prometeu não aumentar a tarifa dos ônibus. Lógico que os usuários agradecerão, mas será que no futuro não herdaremos um sucateamento do transporte público?

José Millei millei.jose@gmail.com

São Paulo 

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ALCKMIN E AS TARIFAS

No caso das tarifas de transportes, Alckmin dormiu com criança e acordou...

Maria A. Bitar Piragine cidabitar@yahoo.com.br

São Paulo

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TRANSPORTE & JUSTIÇA

Juízes agora determinam o preço das passagens. O governador poderia fixar o salário deles.

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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A EXPOSIÇÃO DO JUDICIÁRIO

Não é de surpreender a liminar autocrática, francamente subjetiva e tecnicamente questionável concedida pelo juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, mandando suspender o reajuste das tarifas de trem e metrô em São Paulo. Desde que a TV Justiça passou a transmitir as sessões plenárias do Supremo Tribunal Federal (STF), não raro, ministros do Supremo se aproveitam dessa exposição para protagonizar longos e cansativos discursos e altercações desnecessárias. É evidente que tamanha soberba contamina juízes de instâncias inferiores, que também almejam momentos de celebridade a qualquer custo. E, assim, mais um Poder caminha para a falta de credibilidade. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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'DESTEMPERANÇA QUE SE PROPAGA'

O excelente editorial do "Estadão" de quarta-feira (11/1, A3) passa ao largo do que seria o enfoque óbvio do assunto - a dificuldade de um oficial de Justiça dar ciência ao governador Geraldo Alckmin sobre decisão do juiz - para entrar no mérito da aludida decisão: suspensão do reajuste das tarifas de trem e metrô, nos bilhetes integrados com os ônibus da capital paulista e nos bilhetes temporais. Destaco do editorial em comento a passagem em que comenta o despotismo do juiz, que difere em muito do "ativismo judicial", tão em voga. Diz o editorialista: "Ainda que a fundamentação da decisão esteja repleta de boas intenções, é de um autoritarismo vulgar a suspensão do aumento da tarifa simplesmente porque o magistrado não considerou 'justo' o reajuste. Ora, a aprovação no concurso público não confere ao juiz a potestade de transformar seus critérios subjetivos em lei. Deve o magistrado cumprir e fazer cumprir a lei, ponto final. Transpor esse limite é manifestação inequívoca de desalinho com sua função institucional". Bobagem qualquer de nós buscar qualquer outra roupagem àquilo que tão precisamente está colocado na decisão judicial. A "justiça" ou não dá decisão judicial diz respeito à sua conformidade com a lei, não com critérios éticos ou morais. A função primeira do Estado-juiz é aplicar a norma geral é abstrata (lei) ao caso individual e concreto (lide). No momento em que existe um movimento do próprio Judiciário em combater a corrupção pautado estritamente nas leis e na Constituição, andou mal o Judiciário paulista ao invadir a seara política, que o Executivo deveria resolver e arcar com as consequências de sua decisão. 

Andrea Metne Arnaut andreaarnaut@uol.com.br

São Paulo

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MODA

Parece até que virou moda recusar-se a receber intimação judicial no Brasil, não é mesmo, senhores Renan Calheiros e governador Geraldo Alckmin? Atropelando decisão liminar da Justiça, o governo estadual pretendia manter o reajuste na tarifa do transporte. Ter uma Justiça desmoralizada e ordinária dá nisto: ninguém respeita, principalmente os filiados ao PMDB e ao PSDB. Ou será que não?

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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A VOLTA DE LUIZ INÁCIO

Lula, ao participar do seu primeiro ato público do ano, disse que "todos aqueles que queiram ser candidato à Presidência da República devem ter esse direito". Durante o 29.º encontro estadual do Movimento dos Sem Terra (MST), em Salvador, Lula voltou a afirmar que poderá novamente concorrer ao Planalto. Sob a ameaça de ficar, por força da Lei da Ficha Limpa, inelegível, disse mais: que tal direito tanto é de todos que até Michel Temer e o juiz Sérgio Moro podem concorrer, assim como outras autoridades que enumerou. Até aqui, tudo é admissível, é óbvio. Mas o que não se pode admitir é que um ex-presidente da República diga: "Se eu for candidato, é para a gente ganhar as eleições deste país". É claro que é para ganhar, ninguém concorre a uma eleição para perder. Ele feriu o sentimento do bom senso da maioria das pessoas que o tinham como possuidor de uma cultura politicamente mediana.

Antonio Brandileone abrandileone@uol.com.br

Assis

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EM CAMPANHA

Lula diz que vai começar a viajar pelo País para ser candidato a presidente em 2018? Acho que ele se esqueceu de que, respondendo a mais de cinco processos e com tantas evidências de suas falcatruas, incluindo as que pesam sobre seu honestíssimo filho, ele deveria, sim, é se candidatar a Presidente Bernardes, onde já deveria estar faz tempo.

Zureia Baruch Jr zureiabaruchjr@bol.com.br

São Paulo

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AMEAÇA

O autodenominado homem mais honesto do Brasil ameaçou ser candidato em 2018. Realmente, considerando o mal que fez ao Brasil, soa mesmo como ameaça. Na verdade, a única possibilidade será para Presidente Bernardes, presídio de segurança máxima. Meritíssimo juiz Sérgio Moro, quando este sujeito será preso? 

Sergio Cortez cortez@lavoremoveis.com

São Paulo

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HIPÓTESE PAVOROSA

Não contente com o seu desgoverno, bem como o de sua pupila, a "jararaca" deslumbrada ainda pretende, se "for preciso", voltar à Presidência da República a fim de "restaurar a autoestima dos brasileiros". Isso é o que se pode chamar de ego pavoroso. Pavorosa a sua cara de pau! Pavoroso o seu descaso com os problemas oriundos da sua negligência administrativa, entre os quais o caos nas penitenciárias! Pavoroso o tamanho da corrupção institucionalizada durante sua gestão! Pavoroso seu legado de oportunismo político, um péssimo exemplo para a juventude! Pavorosa a postura de um apedeuta quanto à força dos exemplos! Pavoroso saber que ainda há simplórios, ou demagogos, que acreditam em suas bravatas e se mostram escandalizados com sinônimos atualmente corretamente empregados, demonstrando seu apreço por linguajar chulo e ideias vazias!  

Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém

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TRUMP À IMAGEM DE LULA

As atitudes de Donald Trump em relação à mídia, culpando-a de tudo o que vem à tona sobre ele, sua capacidade de pautar e imobilizá-la, agora até mandando repórteres calarem a boca quando não lhe convém responder a perguntas incômodas, seu populismo, sua forma rústica, para não dizer grosseira, de ser fazem lembrar muito Lula da Silva, ambos arrogantes, narcísicos, admirados exatamente por não terem autocensura no falar e no fazer. Dizem seus seguidores fanáticos que eles quebram o "politicamente correto", criando cizânias, preconceitos, levando a interpretações da realidade com distorções grotescas, mas críveis. A postura é idêntica, ambos fingem defender um ideário que nem sequer levam a sério e fazem crer que estão sempre do lado do povo. Convencem os incautos e pode surgir a prova que for que a fé em ambos não se abala. A grande diferença, porém, é que Lula foi presidente de um país de importância regional e causou um estrago considerável. Já Trump é capaz de afetar o mundo inteiro, o que torna sua maneira de ser algo realmente assustador. No Brasil, o povo, ao final de tantos anos, conseguiu acordar e Lula tem hoje uma rejeição enorme. Já os EUA estão apenas no começo deste processo. Vamos ver quanto tempo dura a crença nesse bufão alaranjado, lembrando que, diferentemente de Lula, ele é o homem mais poderoso do mundo. Oremos.

Eliana França Leme efleme@gmail.com

São Paulo

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PRESIDENTES DEUSES

"Eu serei o maior criador de empregos que Deus já fez", afirma Trump. Lula também se julgava ungido e tudo o que fazia "nunca antes havia sido feito neste país". Exceto o nível de corrupção, não fez nada de tal relevância. Sinceramente, para o bem da humanidade, espero que Trump tenha êxito.

Claudio Juchem cjuchem@gmail.com

São Paulo 

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TRUMP E AS TINTAS DANTESCAS

Jénifer Rubin é articulista do "The Washington Post" e faz parte daquele time que grosseiramente viam em Donald Trump tudo o que seria retrocesso para os Estados Unidos. Durante a cerimônia de premiação do Golden Globe, no último domingo, a consagrada atriz Meryl Streep, uma das mais premiadas estrelas de Hollywood, naturalmente ressentida com a derrota imposta pelo candidato republicano, Donald Trump, à sua preferida, desancou a verborragia no eleito. Repetiu-se nos Estados Unidos com a candidata democrata o que havia acontecido com a paparicação e o escudo de proteção que foi colocado como aura na possibilidade de evitar um impeachment, contando com um grupo de artistas nacionais que escancaradamente passaram a defender a "presidenta". Pelo seu estilo tempestuoso e por respostas que nem sempre agradam aos interlocutores, Trump passou a desagradar os artistas e as camadas sociais mais próximas a eles. Uma parte da imprensa pinta um quadro com tintas dantescas, vendo no presidente dos Estados Unidos a personificação do cavaleiro do apocalipse de que fala o apóstolo João, na "Bíblia", em cuja ocasião se dará a derradeira batalha, aquela em que não haverá vencedor. O mandato de Trump terá quatro anos de duração, com direito a mais quatro, se for reeleito. Isso se não aparecer uma nova versão de algum Lee Harvey Oswald.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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FOI BOM ENQUANTO DUROU!

EUA sem Barack Obama é o mesmo que Nova York sem as Torres Gêmeas, descaracterizou-se. E não se fala mais no assunto!

 

Gildete do Nascimento mgildetenascimento@bol.com.br

São Paulo

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SANTA DESTRUÍDA

Recentemente um internauta postou um vídeo numa rede social, provocando reações imediatas, em que uma pastora de uma seita religiosa de Botucatu, no interior de São Paulo, destrói com marteladas uma imagem da Nossa Senhora Aparecida, e de acordo com o Conselho Municipal de Pastores da cidade essa prática é comum. Esse ódio às imagens sagradas das religiões, ao estilo do Estado Islâmico, vem impactando o mundo. Recém-chegado ao Brasil, no ano de 1983, fiquei chocado com a atitude de um líder religioso que chutava raivosamente pela televisão a imagem sagrada da Virgem Negra Brasileira (Nossa Senhora Aparecida), e eu me perguntava o porquê disso, se ela nunca foi odiada nos antigos tempos, ao contrário, sempre colocada nos altares e amada pelos grandes homens que vou citar e outros que não necessito nomear, como o grande compositor Ludwig Van Beethoven, que com seu punho e letra numa nota disse: "Ela tem sido a que sempre será e nenhum mortal tem levantado seu véu". Esse véu que Leonardo da Vinci pintou na famosa Mona Lisa, ou a Gioconda, a mulher do sorriso misterioso. E por que não mencionar a deusa Palas Atena, que auxiliava o Odisseu em cada momento na obra de Homero, o poeta épico da Grécia Antiga? Lembremos a amada imortal do Dante Alighieri "Il sommo poeta" o velho florentino na sua obra "A Divina Comédia", que lhe deu o nome de Beatriz, que o soube guiar pelo purgatório até o paraíso. Lembremos que Maria sempre esteve ao lado de seu filho amado na sua Via Crucis ao calvário. Sempre nos grandes mistérios, nas noites profundas sem lua, ecoaram nas extraordinárias culturas que outrora reinaram a veneração de adoráveis deusas, virgens, mães sagradas, que com seus diversos nomes foram cultuadas, ora como Cibele na antiga Grécia, Mama Ocllo na terra sagrada dos incas, Tonantzin na cultura asteca, Isis no antigo império dos faraós, Maria no cristianismo, mãe de Jesus. Por que a negam? Por que nos esquecemos dela? Que não daria uma mãe por seu filho(a) amado(a)? Por que tamanha ingratidão? Já os antigos diziam: "O filho ingrato que se esquece de sua mãe se extravia e cai no erro". Desprezá-la é odiá-la é tão insensato como pregar no deserto. Não se deve confundir jamais o respeito a uma imagem como representação sagrada do divino, como se fosse a coisa em si, porque nessa confusão de ideias e preceitos religiosos é que surge a idolatria. E se isso ocorrer no devoto de qualquer religião, respeite-o, essa é sua crença. A não idolatria não se pratica tendo como base o ciúme da veneração de imagens de devotos de outras religiões, porque, se isso lhe incomodar, a tolerância como base fundamental da convivência social e de todo processo civilizatório estaria sendo sabotada. Se você achar que por pertencer a uma religião que prega a "não idolatria" se vê no direito de destruir as imagens sagradas das outras religiões ao estilo do Estado Islâmico, permita dizer-lhe que está cegamente fanatizado num profundo ódio a toda representação simbólica do que é divino.

José C. Millano Romero prof_espanhol@hotmail.com

Limeira

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