Fórum dos Leitores

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O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2017 | 03h10

FAPESP

Cortes no orçamento

O reconhecimento da importância da Fapesp para a manutenção da pesquisa científica nas universidades e instituições públicas paulistas é fato consagrado e unânime, até pela comunidade científica internacional. A qualidade da pesquisa científica paulista situa-se entre as melhores na América Latina. Essa liderança foi construída e preservada durante décadas graças ao esforço de muitos cientistas e ao respeito à Constituição do Estado de São Paulo, que no seu artigo 271 declara que o repasse à Fapesp deve ser de pelo menos 1% do total da receita tributária. A redução de 11% desse orçamento abrirá perigoso precedente, que resultará no sucateamento do parque de equipamentos, na evasão de cientistas consagrados e no desestímulo de jovens pesquisadores, igualando-se à situação caótica e desesperadora em que se encontram outros Estados brasileiros e a maioria dos países latino-americanos. Também desesperador é o fato de essa emenda no projeto de lei orçamentária ter sido introduzida no final de dezembro, sem aviso prévio ou consulta à comunidade acadêmica paulista. Esta comunidade merece mais respeito.

SHAKER CHUCK FARAH

chsfarah@iq.usp.br

São Paulo

Nossos nobres deputados estaduais, incluídos os do PSDB, mexeram onde não se deve mexer e, de sobra, desobedeceram à Constituição estadual sobre repasse de recursos. Diminuíram a verba destinada pelo Executivo à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em R$ 120 milhões, para financiar “projetos de modernização” dos institutos de pesquisa do Estado. Esperamos atitude firme do governador Geraldo Alckmin contra essa manobra, que, se passar, terá resultado duvidoso, pois a Fapesp foi responsável pela modernização da ciência e tecnologia no Estado com base no mérito dos projetos e, sobretudo, com total transparência.

OMAR EL SEOUD

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

TARIFAS DE TRANSPORTE

Executivo x Judiciário

Estranha essa sentença do Tribunal de Justiça a respeito do aumento das tarifas de transporte público. Será que o tribunal também vetaria aumento dos juízes e desembargadores? Acho que o Executivo deveria calcular a perda de receita decorrente da sentença e reduzir no mesmo valor o repasse ao Judiciário paulista (certamente os juízes não usam transporte coletivo...).

JOSÉ C. DE MELO REIS

jcelid@uol.com.br

São Paulo

Está melhorando...

A Justiça está começando a atuar para aliviar os gastos que nos afligem, impedindo aumento de tarifas de ônibus e trem, de salário de vereadores e outros aumentos que vêm por aí. Já, já, vai começar a proibir aumentos para os próprios magistrados e, melhor ainda, anular os excessos que recebem acima do máximo constitucional. Continuem assim. Estamos melhorando!

WILSON SCARPELLI

wiscar@terra.com .br

Cotia

Dinheiro não cai do céu

Estava demorando... O tal Movimento Passe Livre, conduzido por estudantes a serviço do PT, do PSOL, do PCdoB e organizado por USB, UNE, MST e MTST, voltou às ruas para tumultuar a cidade. Tem de ser dito a esses estudantes que dinheiro não dá em árvore e o custo do transporte deve ser pago diretamente pelo usuário ou, via impostos, pela população. O governo do Estado e a Prefeitura não fabricam dinheiro. Portanto, em vez de irem na conversa fiada desses partidos de esquerda, vão estudar, para melhorar a educação do nosso povo.

OLAVO F. CAMPOS RODRIGUES

olavo_terceiro@hotmail.com

São Paulo

CRIMINALIDADE

Dois culpados

Lula, discursando em evento em Brasília: “A gente está colhendo o que foi plantado há muito tempo. Vocês ficam revoltados porque um jovem de 25 anos foi preso? Quem é o culpado pelo jovem preso?”. Resposta: são dois os culpados, Lula e Dilma. É só fazer a conta e ver que esse jovem cresceu e se formou no crime durante os desgovernos comandados pelo PT. Está parecendo mais uma confissão do que uma acusação. Ou Lula ainda não aprendeu aritmética?

JOSÉ ROBERTO NIERO

jrniero@yahoo.com.br

São Caetano do Sul

Isso é democracia?

Cenas macabras e medievais nas prisões. Arrastões em Copacabana. É chegado o momento de dar um basta nesse Estado pífio, de dirigentes negligentes, que, omissos, se tornaram cúmplices desses fatos. Essas cenas não são novas, nem deveriam surpreender, pois há anos se repetem. Isso é democracia? Se for, quero-a bem longe. Num país organizado, seguidor das leis e da ordem, dirigentes são responsabilizados, e com duras penas. E o cidadão sabe o que é certo ou errado. Mas quem assina o “cumpra-se”? Muitos dirão que se escrevo isto o devo à democracia, mas devolvo que para o regime pouco importa o que penso ou falo e preferiria, agora, estar caminhando pelas ruas sem correr risco de vida. O intentado pelos vermelhos, travestidos de social-democratas, foi atingido e ao desorganizarem os Poderes tornaram-se senhores do povo escravo e ignorante. Cansei de ler que a saída é a educação, mas só não estuda nesta terra quem não quer, pois escolas existem. E se pouco ensinam e qualificam, apresentem essa conta aos mesmos hoje governantes “democratas”.

ADILSON MENCARINI

adilsonmencarini@uol.com.br

Guarulhos

ERA DIGITAL

Inteligência e informação

Dois ótimos textos no Estado de ontem, os de Pedro Dória e Fernando Gabeira. Aparentemente, os temas não têm ligação, mas ambos tratam de inteligência e informação. Dória conta que nem o Partido Democrata nem o comitê de campanha de Hillary Clinton tinham equipe minimamente preparada para lidar com segurança digital. Resultado: deixaram-se invadir por hackers que nem tiveram de usar arma sofisticada, bastou um link falso. Gabeira relata que as autoridades tinham conhecimento de que haveria uma batalha entre FDN e PCC em Manaus, mas não agiram. Não usaram ferramentas da era digital, como WhatsApp, para especialistas trocarem ideias de como enfrentar a iminente crise. Condições técnicas e conhecimento existem tanto para prevenir ataques cibernéticos como para tomar medidas preventivas contra massacres em cadeias. Mas, como diz Dória, “é preciso distinguir capacidade técnica e eficácia estratégica”. Ou, como diz Gabeira, “é outro problema típico da burocracia. Ela anuncia grandes sistemas de inteligência, chega a inaugurá-los e nada acontece”.

MILTON AKIRA KIYOTANI

miltonak@gmail.com

São Paulo

“Travestido de mártir, o Lulla ‘salvador da pátria’ quer mesmo é salvar a própria pele. O busílis será conseguir...”

A. FERNANDES / SÃO PAULO, SOBRE A CANDIDATURA A PRESIDENTE DA REPÚBLICA DO PENTARRÉU POR CORRUPÇÃO

standyball@hotmail.com

“É Lulalá 2018! Em Curitiba, na Papuda, na Interpol, tanto faz...”

ALBERT HENRY HORNETT / SÃO PAULO, IDEM

hornettalberto@hotmail.com

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

HIPOCRISIA INDECENTE

O relatório da ONU sobre a situação dos presídios brasileiros é claro. Precisa desenhar? Evidente que não, as autoridades constituídas do País sabem o enredo de cor e salteado, mas pecam por omissão, corrupção, conivência, incompetência, desleixo, desinteresse. A pergunta para o dever de casa é a seguinte: algum gestor foi ou será punido? O Brasil convive com a impunidade não é de hoje, e pode convidar a ONU para voltar e apresentar o mesmo relatório ano que vem, não mudará uma vírgula.

 

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

 

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ESTARRECEDOR

 

Prezado ministro da Justiça, sr. Alexandre de Moraes, a corrupção é a causa de todos os problemas e desvios de conduta no Brasil (“Corrupção é maior problema nas prisões, diz Moraes”, “Estadão”, 12/1). E o mais estarrecedor é que ninguém fica comovido com o caos do SUS, que sofre diretamente as consequências dos atos dessa bandidagem. Um brasileiro morre de infarto ou derrame a cada cinco minutos. O próximo pode ser você!

 

Mário Issa drmarioissa@yahoo.com.br

São Paulo

 

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QUEM ENTENDE?

 

Gostaria de entender (o que não é fácil) o ministro Alexandre de Moraes. Moraes afirmou que o sistema prisional vive crise “aguda gravíssima”, mas está “sob controle”. Afinal, o que significa isso? Podemos ficar tranquilos? Diante de declarações anteriores, em grande parte desmentidas, o que será que podemos esperar? Talvez, sua defenestração?

 

Ulysses Fernandes Nunes Jr Ulyssesfn@terra.com.br

São Paulo

 

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LAVA JATO 2

 

Quero sugerir ao governo Michel Temer, se é que realmente ele quer resolver os problemas do Brasil, que crie uma Lava Jato 2 para investigar toda  diretoria  de  empresas  públicas  do Brasil, a  exemplo  do diretor  do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, José Carvalho da Silva, que foi  afastado  por  tempo indeterminado de suas  funções, acusado de facilitação de entrada de armas, celulares e drogas, em troca de propina, no presídio onde aconteceu o massacre no início do mês. Considerando que as autoridades do alto escalão brasileiro, na sua maioria, são corruptas e que o exemplo vem de cima, francamente, não confio em ninguém que ocupa cargo de direção neste país.

 

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

 

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VELHOS CONHECIDOS

 

Após os massacres ocorridos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim e na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, as autoridades estaduais e federais começaram a discutir a segurança nos presídios brasileiros. A superlotação, a falta de controle do Estado e o poder das facções são problemas conhecidos há décadas. Essas adversidades têm sido negligenciadas pelos parlamentares, ministros de Estado e ministros do STF. 2017 começou com 87 mortes nesses dois presídios, chamando a atenção de todo o mundo civilizado, que ficou perplexo diante de tanta selvageria.

 

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

 

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‘PAVOROSA MATANÇA’

 

Agora que o presidente Michel Temer encontrou o substantivo apropriado para as mortes nos presídios no início de 2017, estará livre para empregar indiscriminadamente o adjetivo. Por exemplo: pavorosa tributação.

 

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

 

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SOCIEDADE DA BARBÁRIE

 

Estamos numa sociedade da barbárie. Basta lembrarmos a declaração do ex-secretário Nacional de Juventude Bruno Júlio, de que “tinha que matar mais presos” e que “deveria haver mais chacinas para haver uma eugenia”. Não bastassem essas tragédias que tanto nos envergonham e nos deixam horrorizados com tamanha maldade, ainda tem gente que acha que bandido bom é bandido morto. Será que esquecemos aqueles princípios do iluminismo, do século 18, que pregava em sua declaração dos direitos do homem em 1789 os princípios do direito à vida, segurança e a resistência à opressão? De Cesare Beccaria, precursor do Direito Penal, que pregava a abolição da pena de morte, a erradicação da tortura como meio de obtenção de provas, a instauração de julgamentos públicos e céleres, penas consistentes e proporcionais, dentre outras críticas e propostas que visaram a humanizar o Direito? Agora, em pleno século 21, estamos vendo que direitos fundamentais estão sendo violados. O Estado que deveria garantir a integridade física de um condenado, dando-lhe o mínimo de dignidade humana, é o primeiro a estimular a barbárie. Estou chocado com o sistema prisional brasileiro, caótico e defasado. Foi uma sucessão de falhas que culminou numa tragédia. Estes casos que aconteceram em Manaus, com 60 mortes, e 31 mortos na penitenciária de Roraima são emblemáticos. Que sirvam de exemplo para que isso nunca mais volte a acontecer. Que se crie um plano nacional de segurança ou que se reformulem as leis vigentes e que a administração carcerária retome num novo caminho. O que está acontecendo é que muitos estão morrendo por causa da má gestão nos presídios e da superlotação. O sistema prisional brasileiro precisa ser revisto, pois está falido e entrou em colapso.

 

Edilson Ricardo rs311068@gmail.com

Brasília

 

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SOLUÇÃO SIMPLES

 

O governo federal afirma que serão necessários R$ 10 bilhões para dar abrigo digno aos presidiários do País. Atualmente são mais de 700 mil detidos para menos de 350 mil vagas, ou seja, mais de 50% de déficit. Ora, para resolver a questão, basta fazer uma “limpa” nas contas bancárias dos presos pela Operação Lava Jato e que ainda permanecem ativas. Depois, não deixar ninguém se apropriar desses recursos e, logo em seguida, construir os necessários albergues. Portanto, uma solução rápida, segura e simples, paga com recursos daqueles que vilipendiaram o País.

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

 

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TROCO

 

Somente após as tragédias nas penitenciárias do Amazonas e de Roraima o Poder Judiciário e o Executivo estão coçando a cabeça como arrumar R$ 10 bilhões para construir novos presídios e proporcionar mais 250 mil vagas para presidiários em todo o Brasil. Interessante é que, durante os 13 anos de destruição do Brasil pelo partido 13, nenhuma das autoridades desses poderes percebeu o desfalque que o País estava sofrendo? Até os cidadãos que estão longe dos cofres públicos percebiam a farra que era feita com o dinheiro público, e os responsáveis não? R$ 10 bilhões são troco dos desfalques dados pelo governo petista!

 

Benone Augusto de Paiva benonepaiva@gmail.com

São Paulo

 

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SOLUÇÃO TEMPORÁRIA

 

Após os massacres em presídios do Amazonas e de Roraima, o governo federal e o Poder Judiciário decidiram sentar e discutir possíveis soluções para o caos que assola o sistema prisional brasileiro. Os problemas existem há décadas, mas as autoridades brasileiras só agem quando a coisa ganha repercussão nacional e internacional. Ocorre, no entanto, que a solução passa por aumento de recursos destinados à modernização das atuais unidades e construção de novas, de modo a aumentar o número de vagas disponíveis e, assim, reduzir o déficit. Mas estamos em plena recessão econômica, com queda na arrecadação de Estados e municípios, ou seja, nenhum governador ou prefeito sacrificará a sustentabilidade das finanças que estão sob sua responsabilidade para abrigar mais presos. Até porque presídio nenhum gera voto ou elogio ao gestor público. Devemos deixar de lado acenos e discursos e agir imediatamente. Por décadas o governo central se manteve ausente na gestão do sistema carcerário e deixou toda a responsabilidade nas mãos dos governadores. É hora de o dinheiro vir de Brasília e, mais do que isso, é preciso implementar um ativo e efetivo modelo de gestão e de eficiência. Tudo que fuja disso será “enxugar gelo”.

 

Willian Martins martins.willian@globo.com

Guararema

 

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JUSTIÇA ASSIM NÃO SERVE!

 

Segundo noticiou a imprensa, em dez anos construímos 16 mil vagas nos presídios. Assim, para comportar os presos atuais, levaríamos 151 anos para proporcionar abrigo para nossa população carcerária, zerando o déficit. Já que é culpa de nossa ineficiente Justiça 41% dos presos não terem motivos para estar encarcerados, e já que não temos capacidade de construir tanto quanto necessário, não seria o caso de a Justiça trabalhar mais, como todos os demais brasileiros, para ajudar a resolver o problema? Os funcionários públicos do Judiciário são mais bem pagos no Brasil, não poderiam descer de sua arrogância para ajudar um pouco o Brasil?

 

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br

São Paulo

 

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MORALIZAÇÃO

 

TVs mostraram imagens de presidiários com facões, celulares, etc., após inútil visita de autoridades para evitar a continuidade desses acontecimentos. Os guardas, como os políticos e os funcionários de estatais, recebem “pixulecos” para que esses “utilitários” entrem nos presídios. Algumas sugestões para moralizar o sistema: 1) demitir todos os funcionários atuais que permitiram e não denunciaram a situação, porque lhes trouxe benefícios; 2) verificar se os bens e saldos das contas bancárias, antes e depois dos “cargos”, são condizentes com seus salários. Caso não sejam, encarcerá-los. 3) Como os presos recebem casa, comida e roupa lavada de graça, obrigá-los a  trabalhar como faxineiros, na lavanderia, na  cozinha, como pedreiros, carpinteiros, eletricistas, etc. na  ampliação dos presídios atuais – ou na construção de novos. O ócio é que causa a  bandidagem dos presos. 

 

Mário A. Dente eticototal@gmail.com

São Paulo

 

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‘MELHOR PRENDER OU MELHOR SOLTAR?’

 

No ensejo da publicação do articulista Washington Novaes “Melhor prender ou melhor soltar?” (13/1, A2), no qual o nobre jornalista, ante o clima de violência que grassa, questiona o que deve prevalecer, “mudar para a Suécia ou criar outra por aqui”, eu me permito optar por “mudar para a Suécia”. Para criar uma outra, teríamos de encarcerar, de imediato, juntamente com os bandidos, todos os políticos que  assaltaram o erário (vide Lava Jato), pois cada um de per si tem um projeto de poder e, para nele se manter, não mede esforços. Há alguma diferença entre a bandidagem encarcerada que degolou seus algozes e os governantes que desviam verbas da saúde e da educação em proveito próprio? Há uma diferença sutil: enquanto estes degolam no atacado, aqueles o fazem no varejo.

 

Dárcio Mendonça Falcão dmfalcao@aasp.org.br

São Paulo

 

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CONSERTO POR INTEIRO

 

O Brasil precisa vir para as ruas exigir “o conserto por inteiro”. Esse título feliz, encontrado pelo excelente Fernão Lara Mesquita em seu artigo de quinta-feira no “Estadão”, deveria ser assumido pelos brasileiros de bem como o norte a ser seguido até que tenhamos o Brasil passado a limpo. Quem não leu precisa ler. Sugiro que o “Estadão” reprise este artigo.

 

Fernando Ulhôa Levy foulevy@gmail.com

São Paulo

 

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DILEMA BRASILEIRO

 

Diante de várias situações, o Brasil vive no colosso dilema de permanecer deitado ou, quando acorda, de agir como um cão gigante correndo eternamente atrás do próprio rabo esplêndido. Ora deixa estar para ver como é que fica, ora busca soluções inatingíveis por incapacidade própria. Assim é com as crises cíclicas na administração dos condenados pela Justiça. Não se consegue aprisionar todos os apenados nem administrar adequadamente os aprisionados. Há quem tenha comemorado e até agradecido o massacre em Manaus e Boa Vista, já que aliviou o espaço interno e o risco quando parte deles voltasse às ruas. Há mais de um século o País aboliu oficialmente a pena de morte. Pela bandidagem, porém, ela continua sendo aplicada de maneira ampla, geral e irrestrita, seja contra um cidadão indefeso, por quaisquer motivos banais, seja contra seus adversários, por motivos de ampliação de poder. Há uns 30 anos foi forte a pressão popular e política no sentido de reaplicá-la contra os condenados mais perigosos. Está mais do que comprovado que a pena de morte não extingue radicalmente o problema da violência, mas pelo menos diminui o número de líderes em circulação, que servem de exemplo para os novatos na carreira. Certamente, não estaríamos mais ouvindo falar de Fernandinho Beira-Mar, Marcola e outros no topo ou ascendendo na pirâmide do crime que, apesar de tudo, custam muitíssimo caro para serem mantidos por suas vítimas em potencial.

 

Edison Ribeiro Pereira edisonribeiro@hotmail.com

São Paulo

 

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CONSTRUÇÃO DE PRESÍDIOS

 

Como sugestão, as empreiteiras deveriam pagar as multas vultosas, construindo presídios, fiscalizadas pela Polícia Federal. A mão de obra que está reclusa seria aproveitada, ao invés de onerar o País e não produzir nada. E ainda por cima já ambientar-se-iam melhor em suas futuras residências. Esse tipo de mão de obra está sobrando. A Polícia Federal seria também recrutadora de mão de obra que ainda não está reclusa.

 

Luiz Felipe de C. Kastrup lfckastrup@gmail.com

São Paulo

 

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TRANSFERÊNCIA

 

Como forma de aliviar a crise no sistema penitenciário e reduzir a violência, poderiam transferir os presos com direito à progressão de pena para o regime semiaberto para os três presídios de Brasília: o Planalto, o Congresso e a Esplanada. Deveriam ser dadas garantias a esses presos de que não sofreriam ameaças por parte das facções que atualmente ocupam esses locais.

 

Ely Weinstein elyw@terra.com.br

São Paulo

 

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BANDIDAGEM BRASIL

 

No quesito padrão qualidade, as cadeias no Brasil lembram muito aquela barragem lá em Mariana...

 

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

 

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ABERRAÇÃO DA ABERRAÇÃO

 

“Nenhuma surpresa na notícia de que 27 facções brigam pelo comando do crime no País. E aquelas que brigam, como hienas famintas, pelo poder, alojadas no Planalto Central, e outras 50 cujos pedidos estão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para virem à luz? Será que ninguém haverá de ter coragem para barrar essa aberração?” Assim se manifestou a leitora sra. Aparecida Dileide Gaziolla (“Fórum dos Leitores”, 12/1, A2). No domingo, 8/1, o “Estadão” já estampara na primeira página a principal manchete: “27 facções brigam pelo comando do crime no País”. Bem ao lado, outra manchete em letras um pouco menores: “TSE analisa 50 pedidos de criação de partido político”. Passei o segundo domingo do ano matutando cá, com meus botões, se foi proposital a colocação dos assuntos lado a lado, se haveria alguma ligação entre as matérias. Perguntar não ofende! O “Estadão” não precisa responder! Mas eu gostaria que publicasse esta dúvida, ainda que parcialmente.

 

Daniel Ferreira df44@uol.com.br

Itajobi

 

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NAS URNAS

 

A atual crise política, econômica e social do País, com enorme nível de violência e insegurança, é resultado da própria escolha realizada pelos eleitores em duas importantes votações populares. Em 1993, a maioria votou a favor do presidencialismo no plebiscito e, portanto, contra qualquer reforma política. Em 2005, votou a favor das armas no referendo e, portanto, em defesa de uso privado de armamento. A falência do sistema político e da segurança pública é responsabilidade direta das escolhas feitas pelos eleitores nas urnas, tanto nas consultas populares quanto nas sucessivas eleições para o Executivo e o Legislativo nas três esferas da Federação.

 

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

 

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NO CAMINHO INVERSO

 

Há pouco menos de um século, os patriarcas da minha família, um trazendo o outro, aqui chegaram para fazer a América, como se dizia, e em busca de uma vida próspera. Hoje, um jovem casal da nossa segunda geração, com seus filhos, se muda definitivamente para Portugal, tendo como motivação principal fugir da violência, que, como uma espécie de metástase, está tomando conta da Cidade Maravilhosa. Como não temos esperança de a curto e médio prazos enxergar alguma chance de melhora, guardadas todas as imensas diferenças, penso que a história pode estar se repetindo, com o caminho inverso.

 

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

 

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A VIAGEM A PORTUGAL

 

Quanto à justificativa dada pelo ministro Gilmar Mendes ao fato de, estando com o processo coligação Dilma-Temer sub judice, no TSE, compor a comitiva presidencial que foi esta semana ao funeral de Mário Soares em Portugal, a explicação chegou a ser risível: “Tenho relações de companheirismo e diálogo com o Michel há mais de 30 anos. São relações institucionais” (“Estadão”, 11/1, A5). Pois bem, ou são realmente relações institucionais, e então o juiz não poderia integrar comitiva de presidente-réu sob sua jurisdição; ou não são “institucionais” o companheirismo e o diálogo entre os juristas Gilmar e Michel, e então é hipótese de suspeição (artigo 145, incisos I e/ou IV, do novo Código Processual Civil), caracterizada a imparcialidade impeditiva do exercício da judicatura. Ao menos para o feito.

 

Andrea Metne Arnaut andreaarnaut@uol.com.br

São Paulo

 

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POR ONDE ANDAVA?

 

O ministro do STF Gilmar Mendes foi a Portugal com o presidente Temer, que ia ao velório do ex-presidente Mario Soares, só que não foi ao velório. Aonde foi, então?

 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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ENCONTROS EM TERRA LUSITANA

 

Curioso é ver como a história se repete: Dilma Rousseff e Ricardo Lewandowski e, agora, Michel Temer e Gilmar Mendes se encontrando em Portugal. Qual será o mistério? Por que eles têm de se encontrar tão longe dos olhos dos brasileiros?

 

Jair Nisio jair@smartwood.com.br

Curitiba

 

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FÉRIAS

 

O ministro Gilmar Mendes, mesmo estando de férias, pegou uma carona no avião presidencial numa viagem para Portugal. Como perguntar não é ofensa, será que, quando terminarem suas férias, o avião presidencial irá buscá-lo também?

 

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

 

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ELEIÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL

 

O Senado e a Câmara dos Deputados deveriam respeitar a vontade do povo e entregar a presidência das Casas aos deputados e senadores eleitos com o maior número de votos. Claro que essa solução simples, óbvia, justa e de custo zero não interessa a Vossas Excelências, que enxergam na disputa pela presidência das Casas uma grande oportunidade para comprar e vender suas convicções a peso de ouro. Hoje o Brasil é governado pelo vice de Dilma e terá na presidência da Câmara e do Senado políticos obscuros, com pequena votação popular, mas que saberão jogar o único jogo que interessa ao governo: a compra e venda de apoio político. O País se afasta cada vez mais da democracia, cada vez mais quem manda no Brasil é a corrupção.

 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

 

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BLAC BLOCS NOVAMENTE

 

É fato conhecido, mas pouco divulgado (por que será?), que os porões de certos partidos são vasos comunicantes com facções criminosas, e desde 2006, quando morreram tantos policiais militares, incluindo um bombeiro, é que isso ficou evidenciado. O prefeito de São Paulo à época, Claudio Lembo, responsabilizou a “minoria branca” pela crise na área de segurança (discurso lulista!) e  aparentemente solucionou-a fazendo acordos espúrios com os mandantes. Qual terá sido a moeda de troca,  no caso? Hoje, depois de analisar os estragos perpetrados pelos black blocs na zona sul da cidade de São Paulo, que levantavam bandeiras do Movimento Passe Livre (MPL) – leia-se Sininho... –, foi noticiado que os quatro presos já foram liberados. Como assim? Ninguém será responsabilizado pelos prejuízos? Sabemos bem da vinculação destes anarquistas com os partidos mais à esquerda da própria esquerda... e de como são infiltrados na criminalidade. Existe um novo acordo com eles no trato desta questão, justo no momento em que se provou que não se pode flexibilizar com estas facções que se apoderaram de áreas estratégicas no País? Eu esperava menos transigência das autoridades!

 

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

 

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REFORMA POLÍTICA

 

O senador Ricardo Ferraço não comenta o funcionamento interno dos partidos políticos. Esse atual modelo existente poda o surgimento de novas lideranças, não existem regras claras de candidaturas a cargos eletivos a ficar no tacão do comandante de plantão, cria mecanismos de perpetuação eterna dos dirigentes partidários, a falta de transparência financeira, a criação de comissões provisórias municipais e estaduais subjugada à direção de um pequeno grupo da direção nacional dos partidos, além de este mesmo grupo se cristalizar em verbas do Fundo Partidário e coligações eleitorais. São criados muitos partidos políticos porque estes atuais, em sua maioria, não representam o filiado nem a possibilidade de candidatura deles. A imposição de uma cláusula de barreira pode limitar o funcionamento de partidos políticos ideológicos. Ao invés da adoção deste instituto, por que não criar partidos políticos regionais, voltados para a disputa das eleições municipais e estaduais? Ou, no caso de algum cidadão não quiser se interessar pela vida partidária, por que não haver a candidatura sem partido, como existem em vários países do mundo? Com esse extrato político atual, é difícil se filiar ou manter-se filiado a qualquer partido. Realmente, não existe democracia interna, não existe debate programático e a palavras prévias e votação interna causam verdadeira urticária nos pajés e caciques partidários.

 

Anderson Cruz anderson.cruz@gmail.com

São Paulo

 

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NOVOS PARTIDOS POLÍTICOS

 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faria um favor à sociedade brasileira se parasse de perder tempo analisando pedidos para criação de partidos, pois o País já tem partidos em excesso. Os ministros do TSE deveriam gastar tempo e energia no combate ao caixa 2, que vem sendo usado em todas as eleições, conforme está sendo apurado pela “República de Curitiba”. Julgar e condenar os beneficiários e partidos pelo uso de caixa 2 é responsabilidade da Justiça Eleitoral e a sua inércia está contribuindo para que tal prática se alastre por todo o território nacional. Uma prestação de serviço de melhor qualidade é o que se espera desse órgão e de seus servidores, que recebem seus vencimentos graças aos impostos pagos pelos cidadãos brasileiros.

 

Maria C. Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

 

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SEM OPÇÃO

 

O País, infelizmente, está cheio de políticos corruptos, e toda vez que sai uma notícia sobre alguma falcatrua costumam culpar o eleitor que votou errado. Pergunto: qual é a opção do eleitor, se o modo de divulgação dos candidatos protege sempre os mesmos partidos no poder, sem chance alguma de surgirem novas lideranças?

 

Elie Kondi elikondi@yahoo.com.br

São Paulo

 

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VAZAMENTO PERIGOSO

 

Senhas de todas as contas de redes sociais do Planalto foram tornadas públicas com grande divulgação na última semana. Quer pior do que isso? Há pistas de quem poderia ter sido o hacker: Wikileaks, Rússia, China, EUA, Coreia do Norte, Cuba? Nada disso. Já se sabe: foi o nosso próprio governo. Por engano, um descuido. O Brasil não precisa de inimigos: sabemos muito bem como nos detonar sozinhos, sem precisar de qualquer ajuda externa. Cada dia conquistamos mais um recorde: somos os maiores na corrupção, no desastre ecológico, na violação dos direitos dos presos e, agora, também, nos descuidos cibernéticos. 

 

Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

 

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NOS ÔNIBUS DO RIO DE JANEIRO

 

Lamentáveis as declarações elitistas e preconceituosas do novo secretário da Ordem Pública do Rio de Janeiro, Paulo Amêndola, de que os ônibus “despejam” pessoas na orla da zona sul carioca. Mais: ele quer dificultar o direito de ir e vir das pessoas, com revistas nos ônibus que vão para a orla, e considera como “suspeito” quem estiver sem dinheiro e documentos, mesmo que não tenha praticado nenhum delito. É inaceitável esse tipo de postura, que é ilegal e autoritária e fere o direito de ir e vir das pessoas. Hoje, no Rio, se você for um jovem pobre e negro, certamente terá muitas dificuldades para ir à praia.

 

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

 

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AVENIDA PAULISTA

 

Nossa Avenida Paulista, que já foi considerada o maior centro de comércio e negócios da América Latina, na gestão Fernando Haddad foi transformada em camelódromo, com sujeira e descaso espalhados nos seus quilômetros de via. Quem já passou pela Avenida Paulista em horário de almoço pode perceber a grande quantidade de funcionários que circulam em direção aos inúmeros restaurantes, e nestes anos a dificuldade para passar entre os ambulantes era enorme. Fora o mau cheiro que deixavam naquele espaço. Não quer dizer que o ex-prefeito Haddad, do PT, foi bonzinho com os ambulantes. É incompetência e omissão, mesmo, para gerir a maior cidade do País, como o foi enquanto ministro da Educação. Parabéns ao prefeito eleito João Doria, por estar devolvendo a Avenida Paulista ao seu devido lugar. O cartão postal de São Paulo agradece.

 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

 

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SPTRANS

 

Neste início de ano a SPTrans causou problema em 50 mil bilhetes únicos. Com este governo Doria Jr., a SPTrans está querendo atingir as pessoas humildes e que necessitam de transportes, como os idosos, deficientes e grávidas. Temos direitos adquiridos e temos de reclamar não à SPTrans, que só tem um local aonde recorrer. Deveria haver mais locais de reclamação da SPTrans, um em cada bairro de São Paulo, como nas Subprefeituras, por exemplo. E, se acontecer alguma coisa com o meu bilhete único, reclamar aos jornais televisivos e escritos e, depois, entrarei na Justiça requerendo os meus direitos adquiridos, ainda acrescidos de danos morais. Doria Jr. não é político, mas não sabe ser um homem de justiça e ainda coloca um secretário municipal de Transportes de São Paulo que está envolvido no cartel dos trilhos da CPTM/Metrô. Ele, como gestor, deveria ter escolhido um professor da cadeira no ensino superior de transportes de alguma universidade.

 

Ronald W. Colombini Martins rwagnercmartins@gmail.com

São Paulo

 

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ESTADOS UNIDOS

 

Há dias, na premiação do Globo de Ouro, a homenageada Meryl Streep fez um discurso emocionante e inteligente. Criticou o futuro presidente americano, o republicano Donald Trump, que na campanha eleitoral fez críticas aos imigrantes, às mulheres, aos muçulmanos, etc. Meryl citou a diversidade de atores na própria premiação. Foi um recado político notável e necessário. Na quarta-feira, em seu último discurso oficial, o admirável presidente americano, Barack Obama, com a costumeira elegância, falou sobre uma América unida, a democracia, imigração, igualdade racial, etc. Mas o ápice do discurso foi quando Obama falou sobre seu vice, Joe Biden, que se tornou seu amigo e irmão, e sobre as filhas e a esposa. Olhando emocionado para Michelle Obama, agradeceu por tudo o que ela fez no governo, e concluiu que Michelle não foi só esposa e mãe, e sim a melhor amiga. Obama é um gentleman (fino, educado), já Trump dispensa comentários. E por tal o mundo já está ansioso.

 

Alex Tanner alextanner.sss@hotmail.com

Sumaré

 

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