Fórum dos leitores

ECONOMIA

O Estado de S. Paulo

07 Julho 2015 | 03h00

A Grécia é aqui

O povo grego rejeitou de forma consistente, em plebiscito, as políticas impostas pela União Europeia. Rejeitou a alta de impostos, o corte de benefícios sociais, a alta da taxa de desemprego, o encolhimento do PIB. Situação análoga vivemos aqui, no Brasil, embora nossas condições sejam mais robustas que as da Grécia, onde a população rejeita a mesma política de arrocho imposta pelo governo brasileiro. Com certeza, um referendo por aqui teria o mesmo resultado. O Brasil tem outros caminhos, de que a Grécia não dispõe. Somos um país produtor e exportador, e assim mesmo a política econômica míope de aumento da receita via aumento de impostos vem sendo praticada como saída do buraco em que estamos metidos. O Brasil precisa de uma política econômica ousada, corajosa, para recuperar o nosso parque industrial e fomentar a exportação. Não podemos ficar nesse ramerrame de uma política que não está dando certo, pois a receita diminui e a despesa aumenta em progressão geométrica. Estamos sentados numa riqueza de ouro negro sem poder utilizá-la. O petróleo fora do barril não representa nada. Insistimos num ufanismo fora de propósito, demonizando a entrada do capital externo. Estamos na posição do dono de um Rolls Royce que não tem dinheiro para encher o tanque e convida um amigo rico para abastecê-lo e fazer um belo passeio. Mas o carro é nosso e ninguém tasca, mesmo que fique parado!

PAULO TUDE

petude@hotmail.com

São Paulo

É assustador comparar as razões da atual situação grega com a brasileira. Lá, como aqui, predominaram a corrupção, o inchaço da máquina pública e o privilégio de poucos em detrimento da maioria. A nação grega está esfacelada por décadas de desmandos, nós estamos em pré-esfacelamento. Os gregos não estão nada confiantes em seu futuro. Nós também não.

HONYLDO R. PEREIRA PINTO

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

Arrependimento

Estamos repetindo o Lehmann Brothers? Muita gente se arrependeu daquela decisão que levou à maior crise desde 1929. Tomara que não nos arrependamos de novo.

ALDO BERTOLUCCI

accpbertolucci@terra.com.br

São Paulo

Novo ‘Plano Marshall’?

A rejeição do programa de mais austeridade para a economia grega remete aos acontecimentos pós-2.ª Guerra Mundial. Devastada a Alemanha, a grande derrotada do conflito, criou-se o Plano Marshall, que, socorrendo a economia do país, bem como a da Europa, equacionou em poucos anos os problemas macroeconômicos do Velho Continente. Certamente é o que esperam e no que apostam os gregos, que hoje se recusam a maiores sacrifícios em face dos erros das lideranças econômicas da região.

JOSÉ DE ANCHIETA DE ALMEIDA

josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

PAPEL DA OPOSIÇÃO

Ação republicana

Magnífico o editorial sobre o papel das oposições (6/7, A3). Na maior crise que o Brasil já teve, cabe ação republicana. O poder supremo é da lei, da maior à menor. Mas para a lei ser cumprida necessita-se de ação, como se expressou muito bem em entrevista ao Estadão o delegado-chefe da Polícia Federal. Vamos, pois, à ação e viva a República.

PAULO EGYDIO MARTINS

egydiomartins@uol.com.br

São Paulo

Carência

Em seu artigo A responsabilidade das oposições (5/7, A2), Fernando Henrique Cardoso fala como estadista, pena que tenha pouca influência no PSDB. Desde a candidatura de José Serra, quando o partido se envergonhou do legado de FHC, até hoje, quando se confunde com as políticas petistas, em vez de criticá-las, o PSDB mostra uma direção frouxa e oportunista: votar pela derrubada do fator previdenciário, apoiar aumento de gastos que no futuro serão pagos com mais impostos, mais inflação e mais ajustes, uma vergonha. Apostar no tanto pior, melhor, é copiar a visão petista, é ganhar a qualquer custo, é esquecer os interesses da Nação. Estamos carentes de uma oposição responsável.

SYLVIA LOEB

sylvia.loeb@gmail.com

São Paulo

Puxão de orelha

FHC, de forma muito elegante, deu um puxão de orelha na oposição. Considero-me parte da oposição e concordo com o que ele escreveu. Mas também continuo achando que é nossa responsabilidade pôr um fim nesse desgoverno, algo que já deveria ter sido feito em 2006, após o mensalão, e evitado a reeleição do Lula, assim teríamos evitado o petrolão. Convoco a oposição a se unir ao juiz Sergio Moro e à Polícia Federal e dar um basta na corrupção. Sim, vamos, de forma responsável, assumir a direção do nosso país e mudar o rumo do nosso destino.

MARIA CARMEN DEL BEL TUNES

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

Convenção do PSDB

Com o PSDB na oposição, a dupla PT-PMDB vai continuar no poder indefinidamente. Vejam, por exemplo: na convenção do partido, constatamos que Aécio Neves quer a cassação da presidente e seu vice para se candidatar e, como favorito, ganhar a nova eleição; já o governador Geraldo Alckmin defende a permanência da presidente e seu vice, apostando no desgaste natural da dupla para ganhar as eleições de 2018; e o senador José Serra defende o parlamentarismo, pois acredita ser ele o mais indicado para primeiro-ministro. Como podemos ver, nossos políticos são todos abnegados e patriotas!

LUIZ ANTÔNIO ALVES DE SOUZA

zam@uol.com.br

São Paulo

Parlamentarismo

Michel Temer presidente e José Serra primeiro-ministro, para tirar o País desta encalacrada. A crise está servindo para mostrar quanto o presidencialismo é nocivo. Não percamos mais esta oportunidade.

EUCLIDES ROSSIGNOLI

euros@ig.com.br

Avaré

Impeachment

Nos últimos cinco anos o País só piorou. Acho que está na hora de perdermos o medo e tentar uma vida melhor.

OSWALDO MELLONE

mellone45@gmail.com

São Paulo

Saída para a crise

Vale para todos: precisamos de um governo que pense grande, e não de um megalomaníaco.

EDUARDO A. DELGADO FILHO

e.delgadofilho@gmail.com

Campinas

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadão.com

A GRÉCIA DISSE ‘NÃO’

A Europa, atônita, descobre que emprestou dinheiro a quem não tem medo de dever. A Grécia é o berço de nossa civilização ocidental e a História conta que negociar com gregos pode dar errado. Com tantos vizinhos em caos político (Síria, Egito, Líbia, Turquia, Iraque e outros), pagar pelo prejuízo de emprestar dinheiro além do que o cliente pode pagar é um prejuízo pequeno, comparado a ver um dia um homem-bomba explodir a Acrópole, como estamos vendo hoje em Palmira. A Grécia é maravilhosa e seu povo, ímpar, alegre e hospitaleiro. Não merece ser esmagado pela União Europeia e largado à própria sorte por erros que são mais de quem emprestou do que do país que pegou emprestado. Quanto vale a Acrópole? Estes homens-bomba já tentaram explodir a Acrópole em 1400. Vão fazer de novo?

João Braulio Junqueira Netto jonjunq@gmail.com 

São Paulo

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PLEBISCITO CONFIÁVEL

O não uso de urnas eletrônicas no plebiscito da Grécia confere total credibilidade à apuração do resultado das urnas.

 

Roberto Twiaschor   rtwiaschor@uol.com.br 

São Paulo

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TCHAU, GRÉCIA!

Na hora da festa todo mundo dança junto, se abraça e aproveita o lazer. Na hora que a situação aperta, os “amigos” somem e você fica sozinho. A Grécia está sozinha. A Grécia não se comportou conforme os protocolos europeus determinam.

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Rio de Janeiro

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PRESENTE DE GREGO

O “não” é o novo presente de grego, desta vez para a própria Grécia. O difícil ficou impossível...

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo

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DE CABEÇA ERGUIDA

Cumprimento o povo grego pela vitória do “não” no plebiscito realizado no domingo. Os gregos não aceitaram as ameaças e chantagens e não se dobraram aos especuladores, rentistas e banqueiros. Mostraram uma grande dignidade e são um exemplo para o resto do mundo. Tudo tem consequências na vida e não existe almoço grátis, mas o povo grego mostrou que há certos valores e princípios que não estão à venda. Se for para cair, que seja de pé e de cabeça erguida. Viva a Grécia!

 

Renato Khair renatokhair@uol.com.br 

São Paulo

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O FUTURO GREGO

Em alto e bom som, a Grécia disse “oxi” (não) à União Europeia. Daqui em diante, seja o que os deuses quiserem...

J. S. Decol  decoljs@globo.com 

São Paulo

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ODISSEIA

Depois da Helena e do cavalo de Troia, agora a Grécia tem Tsipras, o burro de Atenas...

A.Fernandes standyball@hotmail.com 

São Paulo

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MEDIDAS DESESPERADAS

Você não entendeu nada do que aconteceu na Grécia? Fique tranquilo, porque os seus problemas acabaram. É muito simples, vou explicar: é mais ou menos como os brasileiros votando “sim” num plebiscito que pergunta se querem que o PT continue no poder. Ruim, não é?

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br 

Monte Santo de Minas (MG)

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‘O DESAFIO FISCAL’ BRASILEIRO

Toda vez que leio um artigo de Amir Khair (“O desafio fiscal”, 5/7, B9), uma revolta toma conta de mim. Tenho uma empresa de informática, pequena, mas sempre lucrativa. Nosso lema: jamais usar recursos bancários para nosso giro e nunca gastar mais do que ganhamos, custe o que custar. Eventualmente, tivemos pequenos prejuízos em um mês, mas jamais aconteceu de isso ocorrer por dois meses seguidos. São 30 anos perseguindo esse alvo. Então, tudo o que o autor escreve vem em apoio a nossos princípios administrativos e econômicos. Como pode sobreviver alguém ou empresa que gaste 50% de tudo o que arrecada pagando juros para bancos e agiotas nacionais e estrangeiros? O governo brasileiro sobrevive, mas deixará para as futuras gerações um ônus impagável. Vejam a situação em que se encontra a Grécia. Ora, um país não é nada mais, nada menos, que uma família ou uma empresa de maiores dimensões. Os elementos básicos são os mesmos: não gastar mais do que arrecada e só usar recursos bancários se for para investir, produzir mais e, assim, esses recursos se autopagarão. Será que algum inteligente e responsável dentro deste governo alguma vez leu um artigo igual a este? Triste, lamentável e grotesca a forma como estamos sendo governados.

João Carlos Macluf jcmacluf@delta.inf.br 

São Paulo

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CONVERSA FIADA

Em discurso realizado na Federação Única dos Petroleiros em Guararema (SP), o ex-presidente Lula afirmou que a crise que o Brasil está passando não é responsabilidade de Dilma Rousseff, mas, do cenário externo da economia mundial. Também aconselhou que o governo e seus ministros saiam às ruas para conversar, isto é, passar a lábia, com o povo brasileiro. Com essas declarações, o sr. Luiz Inácio Lula da Silva comprovou que não lê o “Estadão” e, se lê, não entende o que está escrito. O mundo não está em crise, como ele frisou. Vejam, como exemplo, os EUA, com o pico de crescimento, o dólar se valorizando e o desemprego na casa dos 5%; e outros países da União Europeia, que também demonstram grande recuperação desde a crise de 2008. O único país que se encontra em séria crise financeira é a Grécia, que durante muito tempo tomou decisões iguais às que o governo brasileiro vem tomando, gastando muito mais do que arrecada, tomando empréstimo que não pode pagar, além da famigerada corrupção existente no País. Outra coisa que passa despercebida pelo ex-presidente Lula é que o povo brasileiro mudou e não cai mais em “conversa fiada” do PT e de seus “cumpanheiros”, o que foi constatado na última pesquisa Ibope, que aponta quase 80% de rejeição ao governo da presidente Dilma Rousseff. 

 

Valdy Callado valdypinto@hotmail.com 

São Paulo

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COM A ÁGUA NO QUADRIL

Na 5.ª Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros, realizada no dia 3/7, seria impossível a ausência do grande discurseiro oficial, sr. Luiz Inácio da Silva, em plena campanha para a Presidência da República em 2018. “Se alguém sacaneou ou roubou a Petrobrás, que pague pelo roubo e que os trabalhadores não sejam punidos”, disse ele, no seu elegante linguajar, convincente para os incautos. No ditado popular, quando a água bate no quadril, é preciso aprender a nadar para não morrer afogado. Seria o respingar da Operação Lava Jato que está levando a cúpula petista – que, como sintetiza o chefão acima, é inocente e sem mácula – a providenciar o “habeas corpus” preventivo?

Carmela Tassi Chaves tassichaves@yahoo.com.br 

São Paulo

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JÁ ESTAVA ESCRITO

Que me permita/ desculpe o poeta: 

“Lula é um Fingidor,

finge tão completamente, 

que chega a fingir que é dor

a dor que deveras sente.”

Eduardo Augusto Delgado Filho e.delgadofilho@gmail.com 

Campinas

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PODER AO VICE

Se eu fosse Michel Temer, colocaria minhas barbas de molho. Do colo de Lula, Dilma sinaliza com mais poder, oferecendo seu vice de bandeja para os lobos, iniciativa que tanto pode salvaguardar um quanto comprometer o futuro político do outro.

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com 

Niterói (RJ)

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O PMDB NO GOVERNO

Como previsto, o PMDB acende uma vela para Deus e outra para o diabo. Não se trata de flerte ou traição, mas de sobrevivência do partido mais fisiologista da história da República. Vergonhoso assistir a um partido rifando apoio em troca de cargos. Partido Mais Fisioligista Do Brasil

Marco Dulgheroff Novais marcodnovais@hotmail.com

São Paulo

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DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL

 

Diferentemente do que é dito pelos ministros do governo Dilma, pela própria presidente e também pelo articulador político, Michel Temer, o mecanismo do impeachment é legítimo e está previsto na Constituição. O que vemos neste momento, porém, é que o desastroso governo reeleito em outubro passado não atende aos pré-requisitos constitucionais que tornam viável a utilização desse dispositivo. Mas dizer que é impensável ou absurdo mencioná-lo também não é verossímil. Caso as contas do primeiro mandato da presidente sejam rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e, posteriormente, pelo Congresso Nacional, é absolutamente possível invocar o dispositivo constitucional e iniciar o processo de afastamento da chefe do Poder Executivo, desde que os fatos estejam, rigorosamente, de acordo com os itens previstos na Magna Carta.

 

Willian Martins martins.willian@globo.com 

Guararema

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‘MULHER SAPIENS’

O conhecido jurista Miguel Reale Júnior (4/7, A2) acerta na mosca quanto ao impeachment. Conforme manchete do “Estado” de sábado, o PMDB consulta o PSDB sobre o possível Temer. O PSDB tem melhores quadros, ainda que todos “pavões” emplumados de tucanos em cima do muro. O PMDB é bom de marketing ou propaganda, mas seus quadros são de medíocres, na melhor das hipóteses, “coronéis do pudê”. Temer é um “postezinho” aceito pelo sapo barbudo como vice de seu poste-mor, dona Dilma. Foi afagar o gato, que é o partido PMDB. Na época em que o PT era estilingue, uma simples perua Fiat derrubou o notório Collor, hoje “colegas” dos petistas. O circo de fato está armado para descer Dilma e o PT do poleiro, que até agora foi mantido pelo coronelismo do PMDB, já também esgotado. O PSDB, que surge como pêndulo da balança da politiqueira brasileira, no fundo também faz parte dela.

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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IMPEACHMENT

“Mulher sapiens”, por que non te vas?

  

Suely Sabbag ssbbag@hotmail.com  

Sao Paulo 

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MAIS IMPORTANTE QUE O ‘IMPEACHMENT’

 

Observa-se a revitalização da tese do afastamento da presidente da República. As votações no Congresso Nacional têm traduzido a falta de apoio ao governo ate por consideráveis parcelas dos parlamentares filiados ao seu próprio partido. Os aliados, então, circulam arredios e fragmentados, numa demonstração de que a aliança estabelecida é mais de conveniências do que de política ou ideologia. Jovem nos anos 60, tive a oportunidade de acompanhar a crise que envolveu a posse e a queda de João Goulart. Reservadas as diferenças de contexto e época, temos hoje uma situação parecida. A essa altura, não chega a fazer franca diferença a opção de manter ou destituir o governo. Mais importante do que nomes e agremiações partidárias no poder é encontrar um meio de solução à crise política, institucional e econômica. Vivemos o presidencialismo de conveniências, em que os aliados são atraídos com benesses, cargos e poder. Durante a crise, como não há mais o que arrecadar, os aliados podem estar tentando mudar para restabelecer o círculo de interesse. Talvez seja a hora de pensar no parlamentarismo, donde o governo sai de dentro do próprio Congresso e é derrubado se não estiver dando certo. Do jeito que está é que não pode ficar.

 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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TUCANOS SONHANDO

Na convenção do PSDB, no fim de semana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que “estamos prontos para assumir”. Como assim? Se a presidente Dilma sofrer um impeachment ou renunciar, quem assume é o vice-presidente, Michel Temer (PMDB). Onde entra o PSDB nesta questão, para dizer que estão prontos para assumir? Prontos como estavam em 1994 e não conseguiram fazer o sucessor? Estão sonhando.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com 

Rio de Janeiro

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O TOM

Na convenção do PSDB no domingo, o tom teria de ser outro. Por que o PSDB, partido da oposição, não diz a altos brados que quer o “impeachment”, mas diz baixinho “defendemos a saída da presidente”? “C’est le ton qui fait la musique”: não é o que você diz, mas, sim, como você o diz. Isso faz toda a diferença e faz com que as pessoas acreditem no que foi dito. 

Thomaz Schetty thomazschetty@yahoo.com.br 

São Paulo 

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OPORTUNISMO PRÉ-ELEITORAL

A convenção do PSDB, como já era esperado, serviu para mostrar que o maior partido da oposição ao governo federal tem sérios problemas internos. E os possíveis candidatos a candidato a presidente nas próximas eleições não perderam a oportunidade de fazer suas propostas. Inclusive a defesa de apresentação de propostas de impeachment da atual presidente, tomando como base as delações premiadas. Mas, de forma incoerente, não foram contra alguns integrantes do partido, também citados pelos acusados. Como se constata, o partido deixa indefinida sua posição ideológica e age em função de um oportunismo pré-eleitoral.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br 

Santos

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RESPOSTA CORAJOSA AO GOVERNO

 

Asseverou Aécio Neves, líder do PSDB no Senado da República, que dará resposta corajosa ao governo. Entretanto, de acordo com inúmeros juristas, já existe motivação jurídica adequada para o requerimento de impeachment de dona Dilma Rousseff, podendo ser essa a resposta corajosa a ser dada ao governo, porque, até o momento, a oposição limitou-se a comentar as notícias feitas pela imprensa, colocando nelas o viés político. Mas a Nação espera atitudes mais contundentes dos opositores a este governo lulopetista, cuja atuação deixa muito a desejar em matéria de combate à corrupção e em matéria de desenvolvimento econômico, dado que coloca o País em contato constante com o desemprego crescente.

José C. de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br 

Rio Claro

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‘NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE’

Ao refletir sobre o artigo assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (“A responsabilidade das oposições”, 5/7, A2), veio-me à mente a estrofe do famoso samba de Sérgio Bittencourt “Naquela Mesa”. Ele faz uma análise serena e irretocável do gravíssimo momento econômico, político e institucional por que passa o nosso país, advertindo partidos de oposição e, em especial, seu PSDB para que não caiam na tentação de praticar o jogo do “quanto pior melhor”, marca registrada do petismo quando oposição. Sintomaticamente (seria casualidade?), seu “vizinho” da seção “Espaço Aberto” na referida edição do jornal, o também sociólogo Luiz Werneck Vianna, expressando preocupação parecida, em outro artigo (“O pandemônio e o elogio da serenidade”), recorreu ao pensador italiano Norberto Bobbio, afirmando que “já passou da hora, em defesa da nossa democracia política, a inovação da virtude da serenidade”, em clara e manifesta preocupação com os rumos que o País pode tomar na medida em que se amplia o fosso entre a classe política e os que obrigatoriamente carregam nas costas o fardo insustentável decorrente de todos estes desmandos que diuturnamente vêm sendo revelados nos meios de comunicação independentes. O momento exige, sem dúvidas, o protagonismo de pessoas com a lucidez de FHC, independentemente das simpatias e colorações ideológicas que defendam, sob pena de nosso país incorrer no risco de ensaiar um catastrófico mergulho rumo ao desconhecido. O momento  atual exige bastante maturidade. 

Fernando Cesar Gasparini phernando.g@bol.com.br 

Mogi Mirim 

 

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ASSUNTOS POLÊMICOS

Tenho respeito e admiração pelo ex-presidente Fernando Henrique, mas devo discordar de parte de seu artigo (5/7) que, talvez com base em sua formação ideológica histórica, afirma categoricamente que a oposição, para ser “progressista”, precisa ser contra a redução da maioridade penal (quando 90% da população é a favor); devem apoiar “como legítimo e justo o casamento entre pessoas do mesmo sexo” (contrária à Constituição); que devem apoiar a ideologia da “igualdade de gêneros”; que sejam a favor das cotas raciais (contrária ao princípio da igualdade de todos perante a lei); que apoiem a permanência do “fator previdenciário” (flagrantemente injusto com os aposentados); etc. Esses são assuntos polêmicos que devem ser discutidos cuidadosamente em seus vários aspectos, e deliberados democraticamente, levando em conta as opiniões divergentes e os princípios comportamentais e políticos de grandes parcelas da população, até mesmo dentro de seu próprio partido, o PSDB.

Tercio Sarli Terciosarli.edicoes@r7.com

Campinas

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ARTIGO DE FHC

Mais uma vez temos uma perfeita e serena análise da situação do País, assim como propostas adequadas para a solução de problemas. Parabéns.

Lia Bandeira liabluna@gmail.com  

São Paulo

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MAIS AÇÃO DA OPOSIÇÃO?

Como exigir mais ação da oposição no Congresso – artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso “A responsabilidade das oposições” (5/7) –, se os principais partidos da oposição (incluindo o PSDB) e da base aliada estão relacionados nos documentos da delação de Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia?  Como fazer oposição, se até FHC usa o mesmo “disco do PT” para explicar que o dinheiro ilícito (propina) recebido pelo PSDB era uma doação legal e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)? Em suma, está todo mundo de rabo preso.

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com 

Campinas 

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DOAÇÕE$

Piada da semana: o sr. Ricardo Pessoa, da UTC, disse que doou R$ 2,6 milhões para Lula, mas acha que ele não sabia que era de corrupção. Oi, sr. Ricardo, quem nomeou o presidente da Petrobrás foi “elle”. Esqueceu?

  

Tania Tavares taniatma@hotmail.com 

São Paulo

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A IMPLICAÇÃO DE LULA

Não é o juiz federal Sérgio Moro quem deseja a prisão do sr. Lula. São os fatos e o povo exigindo isso, e como traidor da Pátria.

 

Nelson Pereira Bizerra nepebizerra@hotmail.com 

São Paulo

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LAVA JATO

Por desespero, a cúpula do PT e o ex-presidente Lula têm a petulância de criticar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, por não controlar (!) a Polícia Federal (PF) na Operação Lava Jato. O mais trágico é que as lideranças petistas perdem cada vez mais a noção de bom senso e pouco se importam com a repercussão de suas falas absurdas. O partido afunda...

Luciano Harary lharary@hotmail.com 

São Paulo

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‘O PT CINZA SOBRE CINZA’

Mais um excelente artigo do professor Roberto Romano (4/7, A2), mesclando com perfeição o pragmático com o erudito. Análise perfeita da ambiguidade lulopetista. Como diria Marx, todo sistema traz em si os germes da sua própria destruição. Enquanto o capitalismo se renova e não se deixa abater pelas suas contradições (que não são poucas), as utopias de esquerda fracassam uma a uma, vítimas das suas próprias contradições e da incompetência em administrá-las. Bem a propósito daquela definição de que Marx foi um excelente filósofo, um bom economista e um péssimo profeta. Tudo o que ele previu acontecer com o sistema capitalista vem acontecendo com todos os sistemas alternativos baseados em sua filosofia, a exemplo do que estamos assistindo agora com o governo petista. Mesmo a China não é exceção a essa regra: manteve a hegemonia do partido, mas mudou o sistema adotando o mercado, admitindo a propriedade privada e a livre iniciativa no campo econômico. E a planificação central é mais orientativa do que diretiva. Pragmáticos esses comunistas chineses... Mas aqui, no Brasil, assistimos a demonstrações diárias de voluntarismo, dogmatismo e da incompetência petista. Quando a ideologia e o alinhamento partidário se sobrepõem ao mérito e à competência, quando a cooptação e a corrupção se transformam em instrumentos de poder e quando o objeto é o poder pelo próprio poder, o resultado não poderia ser outro. Os petistas no governo acreditaram na máxima maoísta de que “para acabar com fuzil é preciso pegar no fuzil”. Quiseram acreditar que poderiam mudar o Estado adotando as artimanhas de governos anteriores, aos quais se aliaram de forma descarada. A coligação petista é a própria encarnação de todas as contradições e do pior existente na política brasileira. Realmente, não poderia existir contradição maior, o cruzamento do utópico com o venal! Como se diz em Minas, um gambá cheira o outro e quem com porco se mistura farelo come. “E agora, Luiz? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Luiz? E agora, você?” Mutatis mutandis, vale a pena ir até o fim na leitura dessa bela e profética poesia de Carlos Drummond de Andrade.

José Carlos Martins josecarlomartins@gmail.com 

Rio de Janeiro 

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O MINISTRO E O PARTIDO

Não podemos deixar de solicitar esclarecimentos quanto à declaração do ministro José Eduardo Cardozo quando diz que não tem de prestar contas a ninguém, só ao PT. Deve ter tomado algum chá de cogumelo antes da entrevista, para enfrentar toda a avalanche de questões sobre seus atos e de seus “camaradas”. Ele e todos que ocupam cargos públicos e, principalmente, cargos eminentemente políticos (barganha/negociatas), devem ter todas as suas movimentações/decisões/concessões/agenda abertas ao público. Está na Constituição, está na lei, todos no poder público e até na Justiça devem satisfação de seus atos, desde que isso não comprometa a “soberania e a segurança nacional”. Não é caso.

Leizer Jaimovich leizerj@bng.com.br

São Paulo

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O TRABALHO DA PF

Com o mais sincero orgulho e acreditando que ainda existem em nosso Brasil pessoas prestigiosas exercendo funções de alto poder público, não posso deixar de cumprimentar, tecer louvores e enaltecer a entrevista dada ao “Estadão” (5/5, A6) pelo dr. Leandro Daniello, diretor-geral da Polícia Federal. A entrevista é de indiscutível atualidade. Para tanto, basta citar uma sua frase que a encabeça: “Lava Jato prossegue, doa a quem doer”. Sua função é uma das mais essenciais à Justiça e está garantida pelo art. 144 (da Segurança Pública), item I, §° da nossa Constituição federal. Ela faz parte de uma instituição permanente, essencial – a função jurisdicional do Estado – e lhe dá poder de apurar infrações penais contra a ordem pública e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou das autoridades autárquicas e empresas públicas. E tem para tanto absoluta autonomia e independência funcionais de “pleno iure” – de pleno direito.

Antonio Brandileone abrandileone@uol.com.br 

Assis

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‘HABEAS CORPUS’ NEGADO

Que bom que a Justiça negou “habeas corpus” preventivo a José Dirceu, porque até as pedras do Brasil varonil sabem que ele nunca parou com sua vida de delinquência, mesmo enquanto seguia o julgamento do mensalão. Sua presença era marcada em todas as dependências públicas e empresas privadas onde existia condições de ganhar subsídios para abastecer o projeto de poder bolivariano/castrista que ele, Lula e PT sempre se propuseram a conseguir. Com um “habeas corpus” nas mãos, Dirceu sabia que, em vez da mordomia que a Papuda o proporcionou, na delegacia da Polícia Federal, em Curitiba, ele não as teria, a exemplo dos caríssimos restaurantes que está acostumado a frequentar, pelas denúncias, com o nosso dinheiro, é claro!

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br 

São Paulo

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DELAÇÃO PREMIADA

O ex-ministro José Dirceu, que cumpre prisão domiciliar por condenação no mensalão, pediu um “habeas corpus” preventivo, por meio de seus advogados, por medo de ser novamente preso por seu envolvimento desta vez no petrolão. Pelo que temos assistido com outros envolvidos neste mesmo esquema, mais seguro e eficiente seria que os advogados do encrencado cliente solicitassem uma delação premiada para ele.

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br                                     

Rio de Janeiro 

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ELE SABE

Se José Dirceu diz que tudo o que recebeu está dentro da lei, que realmente fez tantas palestras e deu tantas consultorias – no que só a velhinha de Taubaté acredita –, por que entrar com pedido de “habeas corpus” preventivo? Certamente porque sabe que, se as investigações continuarem, ele volta para a cadeia, aliás, de onde nunca deveria ter saído.

Luiz Roberto Savoldelli savoldelli@uol.com.br 

São Bernardo do Campo

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HONORÁRIOS

Não vejo nenhum impedimento em José Dirceu pedir “habeas corpus” preventivo por intermédio de seis advogados. Não deveria ser permitido, isto, sim, que dinheiro “sujo” fosse utilizado para pagar advogado particular.  O problema é que o honorários dessas “sumidades” vai sair do nosso bolso.

Frederico Fontoura Leinz fredy1943@gmail.com 

São Paulo

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VANTAGENS DOS JUÍZES

Extremamente oportuna a colocação, publicada neste jornal, do procurador da República Luciano Rolim (“Vantagem dos juízes e retrocesso social”, 1/7, A2). A promiscuidade entre o Judiciário e o Legislativo quando o assunto é vantagens e benefícios é gritante. Uns fazem leis (com brechas) e outros julgam sempre encontrando este viés favorável ao benefício. Não há necessidade de se importar se é moral, afinal de contas existe um verniz de legalidade. Infelizmente, grande parte do Judiciário e do Legislativo pensa assim. A postura herdada dos colonizadores perpetuada até os dias de hoje não prevê resposta a uma pergunta simples: o que podemos fazer pelo País? E, sim, o pensamento de que estamos aqui para gozar de todo tipo de benesse e zelar por privilégios. No momento que a população se mobiliza para equilibrar suas contas, o atual presidente da Câmara dos Deputados fez campanha prometendo aumento aos deputados e ganhou com esmagadora maioria, e na mesma linha o presidente do Supremo prometeu aumento, bem maior que o aumento aplicado aos servidores do Executivo, aos servidores do Judiciário (reconhecidamente remunerados acima da média e da produtividade). Quanto ao aumento dos juízes, este já havia sido garantido pelo Senado em porcentuais bem acima aos aplicados nos reajustes do restante dos trabalhadores. Como podemos perceber, o Poder Judiciário não se importa nem um pouco em se igualar ao desmoralizado Poder Legislativo na ganância por benefícios e vantagens. Como disse o juiz sueco Göran Lambertz, “juízes têm o dever de preservar um alto padrão moral e agir como bons exemplos para a sociedade, e não agir em nome de seus próprios interesses”. Recentemente, a conselheira do CNJ Gisela Ramos alertou: “O Poder Judiciário, que deveria ser o primeiro a prezar pela moralidade administrativa e pelo racional uso do dinheiro público, vacila quando ignora o comando da legislação de responsabilidade fiscal”. O lado bom é que temos pessoas compromissadas com a Nação, o lado ruim é que são minoria. Infelizmente, o STF vacila em cortar na própria carne e submeter ao plenário a ação que trata dos auxílios e dar o exemplo que toda a sociedade espera (com exceção da esmagadora maioria gananciosa dos membros das Casas Legislativas). Precisamos de mais brasileiros com o perfil da juíza Carmen Lúcia, do STF, que dirige o próprio carro, bem como outras honrosas exceções representadas por alguns desembargadores que se recusam a receber benefícios imorais e antiéticos. Estes senhores que fazem questão de ostentar uma capa fariam um bem melhor ao País e aos brasileiros se vestissem o manto da moral e da ética.

 

Roberto Foz Filho robertofoz@gmail.com 

Jundiaí  

 

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INSENSATOS

É inacreditável a falta de bom senso e sensatez dos nossos juízes! Eles não pensam nem por um momento no nosso povo nem na situação do nosso país. Auxílio-moradia de R$ 4.377,33; auxílio educação de R$ 953,98 por filho; auxílio-locomoção de R$ 1.100,00; além de auxílio-plano de saúde, reembolso de despesas médicas e odontológicas não cobertas pelo plano de saúde e auxílio-funeral. O auxílio-moradia vai custear a habitação de todos os juízes brasileiros, incluindo os que possuem imóvel próprio em sua comarca de atuação. E agora, pasmem: há uma reclamação contra a regra que determina o pagamento de um só auxílio-moradia a casais de magistrados que residem sob o mesmo teto. Eles querem dois auxílios-moradia! Segundo o artigo do procurador da República Luciano Rolim, a escalada de auxílios na Justiça brasileira já foi alvo de crítica internacional.

Cleo Aidar cleoaidar@hotmail.com

São Paulo

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JUSTIÇA

O ministro do STF Ricardo Lewandowski aceitou o pedido da Apeoesp, sindicato de professores da rede estadual de São Paulo, e determinou o pagamento dos dias que permaneceram em greve: 89 dias. Ele considerou que esse dinheiro pode ser considerado como verba alimentar e a própria subsistência física dos professores e seus familiares. Quer dizer, não sabiam do risco? E os alunos? Posso passar três meses em casa e receber os salários? Isso é exemplo de Justiça? Pobre Brasil, aonde chegamos!

Luíz Frid luiz.frid@globomail.com 

São Paulo

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PLANALTO ENGOLE ESPIONAGEM

Sem moral e no fundo do poço com a sua credibilidade e popularidade, Dilma Rousseff se recolhe e manda dizer que a nova denúncia de espionagem dos EUA é “caso superado”.  Diferentemente de 2013, quando vazaram informações do WikiLeaks à imprensa dando conta de que o governo e Dilma foram espionados, a presidente, do alto dos 54% de aprovação da sua gestão, arrotou indignação em cadeia nacional de TV e ainda teve apoio da nossa sociedade. Agora, com estas novas denúncias – de que 29 colaboradores do alto escalão de seu governo tiveram telefones grampeados pela espionagem americana, inclusive o telefone do avião presidencial –, Dilma, já quase dentro do caldeirão da corrupção da Lava Jato e com a aprovação de seu governo abaixo do índice da inflação, ou seja, 9%, enfia sua demagogia e soberba debaixo da sua saia e engole esta tal espionagem com Obama e tudo.

 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.coam

São Carlos

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FIM DE FESTA

Muito provavelmente setores radicais de uma esquerda “burra” e ultrapassada têm interesse em plantar notícias como esta que trata ainda da espionagem dos grampos dos telefones e e-mails por parte dos americanos. Isso no mínimo é gente muito próxima ao atual governo, inconformada que está com a recente visita de Dilma aos Estados Unidos. Essa companheirada pelo menos já percebeu que a festa está chegando ao fim.

José Piacsek Neto bubanetopiacsek@gmail.com 

Avanhandava

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FICA A LIÇÃO

São as adversidades do meio político que colocam à prova a qualidade dos governantes. Bom exemplo é a retomada das relações entre Brasil e EUA, deixadas de lado pela presidente Dilma durante o episódio de espionagem norte-americana. Na época, 2013, a economia brasileira ainda passava a enganosa imagem da estabilidade – sustentada pelas pedalas fiscais –, logo, a presidente tinha condições momentâneas de rechaçar as relações com a maior potência mundial – um desejo antigo do grupo do qual Dilma e o PT fazem parte. Enfim, a verdade veio à tona e a economia foi para o brejo. Agora, a presidente volta de cócoras aos EUA, visando no parceiro comercial um fator estimulante para a recuperação da gravíssima crise. Parece que a tentativa de substituir o vínculo com o “imperialismo norte-americano” por ineficientes pactos com países vizinhos (o fracasso do Mercosul), além da Rússia e da China, não deu certo. Ficam duas lições: uma vai para Dilma, a outra, para o eleitorado brasileiro.

Elias Menezes elias.natal@hotmail.com 

Nepomuceno (MG)

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‘FAVELA AMAZÔNIA’

A edição de 5/7 do “Estadão” certamente é uma edição histórica, pelo caderno especial “Favela Amazônia”, que retrata a realidade do maior tesouro que a natureza nos legou e que se constitui numa crítica dura e irretratável a todos os nossos ex-presidentes, ainda vivos, o que inclui, evidentemente, a presidente recentemente reeleita. Segundo a síntese publicada, o levantamento efetuado pelos jornalistas do “Estadão” durou 15 meses, visitaram 28 municípios e usaram dados de outros 62. Ou seja, em apenas um ano e pouco, um jornal mostrou à nação brasileira o que nenhum governo federal mostrara antes e, com certeza, nem sequer tomou ciência da real e degradante situação dos nossos patrícios que lá residem. Duas chamadas nas páginas H5 (“Máfia controla beneficiários do Bolsa Família”) e H9 (“Dinheiro de Belo Monte acabou no Lava Jato”) chamaram a minha atenção. Em ambas, só uma rápida leitura é suficiente para que se insista em que esses criminosos mofem nas cadeias, tal a maldade que cometeram e vêm cometendo contra pessoas pobres e indefesas, além de dilapidar nosso maior patrimônio. Serão precisos alguns dias para que se possa ler e entender, ainda que minimamente, a edição especial, para aquilatarmos as barbaridades que os nossos governantes fizeram e continuam fazendo contra a Amazônia. Principalmente nestes 12 últimos anos de governo petista, sem nenhuma conotação política a respeito. É que nesse período o governo investiu pesado em obras de usinas hidrelétricas na região, sem os competentes e indispensáveis estudos sobre o real impacto das mesmas na maior floresta mundial e no meio ambiente. E, por tal procedimento, resultado de uma combinação de ignorância e ganância pessoal, já começamos a pagar por eles, com as mudanças climáticas que já acontecem e com certeza pagaremos mais caro ainda no futuro. Recentemente, os meios de comunicação informaram que no mês de maio de 2015 o desmatamento na Amazônia Legal aumentou 110%, em relação ao mesmo período de 2014. Mas como um contraponto planejado nesta edição, tanto desta última notícia como da edição especial, é a foto em A8 em que a presidente aparece sorridente com o presidente norte-americano e, ao lado, lê-se que ela incluiu um compromisso de até 2030 chegar ao desmatamento ilegal zero, restaurar 12 milhões de hectares de florestas e atingir 28% a 33% de participação de fontes renováveis nas matrizes energéticas. 389 quilômetros quadrados, uma área equivalente à cidade de São Paulo. Se vivo fosse e lesse tal notícia, o saudoso Luiz Gonzaga certamente sairia cantando: “Que mentira, que lorota boa”.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br 

São Paulo

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PROFUNDA DESESPERANÇA

Cumprimento o “Estadão” pela excelente reportagem “Favela Amazônia”. Todo brasileiro deve ler esta reportagem para testemunhar a destruição da Amazônia pelo descaso dos desgovernos petistas, que iludem a população com a distribuição irresponsável do Bolsa Família como solução para a miséria no Brasil. A realidade desta reportagem é revoltante, humilhante e causa uma profunda desesperança aos brasileiros. Se nada for feito para mudar este desgoverno de destruição da Nação brasileira, o Brasil está fadado à total falência social.

Vagner Ricciardi vbricci@estadao.com.br 

São Vicente 

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MAIORIDADE PENAL

Estão fazendo um cavalo de batalha em torno do assunto, quando ele poderia ser tratado com mais simplicidade, ou seja: considerar que crime é crime e quem o comete deve ser punido independentemente de idade, cor, sexo, nacionalidade e o que mais seja. Até porque, deve-se respeitar as vítimas do crime e evitar que este se repita. Em se tratando de menores, então, deveriam ter presídios ou alas diferenciadas dos maiores. Durante o período de detenção, devem estudar e trabalhar em serviços condizentes com a idade, podendo até ser remunerados. Desta forma, estas crianças aprenderiam uma profissão para seguir quando cumprida a pena e, daí para a frente, teriam uma vida digna. Simples assim.

 

Walter Marcon w.marcon@bol.com.br 

São Paulo

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FLIP LAMENTÁVEL

Lamentável ver um evento sério como a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) homenagear Mário de Andrade, músico competente, professor, pianista, pesquisador, que deu status cultural à criatividade popular – além do grande escritor, poeta e intelectual que reverenciamos –, e convidar e abrir espaço para as baboseiras de José Ramos Tinhorão. Quando se referia a Tom Jobim, cuja música é admirada por todos os grandes músicos da face da Terra, sem exceção, este idiota diz que “tem pena dele...”. Pior ainda é ver meu estimado “Estadão”, no texto “Ritmo de goteira”, chamar Tinhorão de “pilar da música brasileira”. Estão todos enlouquecendo? Consequências do Brasil atual?

Júlio Medaglia, maestro maestrojuliomedaglia@gmail.com 

São Paulo

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TINHORÃO

Jose Ramos Tinhorão, em recente debate sobre música brasileira na Tenda dos Autores, com Hermínio Bello de Carvalho na Flip, teve a ousadia de afirmar publicamente ter pena de Tom Jobim, porque ele pensava que compunha música brasileira. Pois eu tenho pena de Tinhorão, que pensa que conhece música brasileira e não sabe tocar nenhum instrumento, não sabe cantar nem ao menos assobiar. Tinhorão se ilude com sua recepção sobre timbres. Quando ele escuta os timbres de um pandeiro, um tamborim, um reco-reco ou outro instrumento de percussão típico de escola de samba, mesmo que estejam inseridos numa música cubana, francesa ou de outro país qualquer, ele caracterizara a música de brasileira. Ora, Tinhorão! A música brasileira não atende somente aos atributos de timbres, mas também de harmonia, melodia, dinâmica, letra, arranjos, performances e outras características. Um timbre de saxofone ou piano ou fagote pode tocar música brasileira, como se pode constatar com as composições de Carlos Gomes, Villa Lobos, Claudio Santoro, Guerra Peixe, Camargo Guarnieri, Edino Krieger, Radames Gnattali, Ernesto Nazareth e tantos outros. Fala sério!

 

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com 

Rio de Janeiro

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RACISMO VIRTUAL É CRIME REAL

Mais uma vez, as redes sociais viram temas de reportagens devido a atos criminosos cometidos por seus usuários. A vítima da vez é a jornalista do tempo do “Jornal Nacional” da Rede Globo, Maria Júlia Coutinho, a popular Maju. Aproveitando que no último dia 3 era comemorado o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, uns 50 usuários do Facebook destilaram seu veneno racista contra a jornalista na página do telejornal nesta rede social, apostando na falsa, mas propalada, “impunidade na rede”. Crimes virtuais proliferam no atual mundo tecnológico em que vivemos. As pessoas acreditam que possuem uma vida virtual diferente nas redes sociais e que nela as regras são outras. Não o são. A vida é a mesma e os crimes também. Segundo a multinacional Symantec, 54 crimes virtuais são cometidos por minuto no Brasil. O racismo na internet é segundo crime virtual com o maior número de denúncias no país, perdendo apenas para a pornografia infantil, de acordo com a Safernet Brasil, entidade que atua no combate de crimes contra os direitos humanos na internet. Nos últimos nove anos, a Safernet processou 469.942 denúncias anônimas de racismo envolvendo 68.940 páginas distintas, sendo que 14.785 foram removidas, escritas em sete idiomas e hospedadas em 8.022 locais diferentes em 54 países em cinco continentes. Segundo a entidade, este tipo de crime vem em escalada crescente de cerca de 80% ao ano. Vale lembrar que a Lei Azeredo (elaborada pelo senador tucano Eduardo Azeredo e sancionada em 2013 junto com a conhecida Lei Carolina Dieckman) define que as mensagens com conteúdo racista sejam retiradas do ar imediatamente prevendo pena de dois a cinco anos de prisão e multa, quando o crime é cometido por intermédio de meios de comunicação, incluindo os digitais. O crime envolvendo Maju não foi o único com famosos em relação à racismo virtual. O comediante Danilo Gentili já teve complicações com uma piada racista no Twitter, os ex-jogadores do Santos FC, Aranha e Arouca, sofreram racismo em campo que foi reforçado por outros atos discriminatórios na rede, enfim exemplos não faltam. Em Santos mesmo, tivemos casos, como um investigado e solucionado pelo delegado Jorge Cruz que prendeu um amigo de um atacado que criou um perfil falso para promover ataques racistas ao colega. A própria novela das nove, Babilônia, relata casos de crimes virtuais de racismo, no caso contra homossexuais, sendo bem resolvidos pela Justiça e pela Polícia brasileira. Posso garantir que não é apenas na ficção que essa eficiência se dá, mas também na vida real, pois na internet há rastros capazes de serem seguidos até o autor de injúrias e acusações. Neste universo envolvendo a jovem jornalista, vemos defensores que culpam as redes sociais pela existência deste crime. Parodiando o comunicador Marshall McLuhan, O meio não é o culpado da mensagem, mas sim o autor, que nutre sentimentos que nada colaboram com a sociedade em que vive. Antes de postar qualquer coisa pense se você faria isso em um outdoor com sua foto ao lado? Pensar antes de fazer evita ações indesejadas na rede. Não é porque está na tela um espaço aberto que você deve opinar e reagir na hora. Aja na internet como você age na vida, com cautela, que é como canja de galinha, não faz mal a ninguém!  

Raphael Vita Costa raphael.vita.costa@gmail.com 

Santos

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RACISMO NA INTERNET

No meu tempo, as armas dos canalhas e covardes eram as cartas anônimas, hoje elas “evoluíram” para a internet. Como o melhor destino daquelas correspondências era o lixo, para as atuais canalhices eletrônicas, seu fim deve ser a tecla “delete”. No recente caso da jornalista da Rede Globo, a inteligente, simpática e promissora Maria Júlia Coutinho, a Maju, sua sábia e serena definição para a lamentável manifestação de racismo foi a conhecida máxima: “Os cães ladram e a caravana passa”. Com isso, ela pretendia dar à abjeta agressão o destino que ela merece, o desprezo e o lixo. Infelizmente, em busca por mais uma matéria, destinada a turbinar a combalida audiência de seus noticiários, a emissora resolveu levar o caso à Justiça e ao Ministério Público para investigar o ocorrido, dando ao desprezível episódio uma indesejável publicidade, bem ao gosto de seus covardes autores.  

Luiz Antônio Alves de Souza zam@uol.com.br 

São Paulo 

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A CARAVANA PASSA

Cumprimento a jornalista Maria Julia Coutinho. Ela é uma vencedora. Vá em frente. Aquele que agride por preconceito é um infeliz. Enquanto ele se preocupa com a conquista do próximo, não sai de seu lugar, que é a sarjeta. 

Roberto Marques de Oliveira ivanaveseg@gmail.com 

Paraguaçu Paulista 

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