Fórum dos Leitores

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O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2017 | 03h17

CALAMIDADE FINANCEIRA

Óleo de peroba

Todos os candidatos que disputaram as prefeituras em 2016 e tomaram posse agora em janeiro sabiam muito bem que não iriam encontrar as contas saneadas, todas pagas, e ainda dinheiro em caixa. Mas, demagogos, na campanha eleitoral prometeram melhorar a saúde, o ensino, prover creches para todas as crianças, melhor transporte público, locomoção, enfim, um festival de promessas velhas conhecidas, para conquistar o Poder Executivo dos respectivos municípios. Agora, 17 dias depois da posse, com caras de surpresa, a choradeira começou: estamos quebrados, não temos dinheiro para pagar a funcionários, fornecedores, coletores de lixo, nem para a merenda ou para consertar buracos das ruas. Não podem alegar ignorância, pois pesquisas antes do pleito indicavam que 60% dos municípios iriam fechar as contas no vermelho. Mas o que importa é o trono, o poder por quatro anos, o resto depois se ajeita. E como se ajeita – a vida deles e de um “punhado” de penduricalhos que deram o “sangue” nas campanhas! E hoje estes ocupam cargos de diretor disto, de secretário daquilo, de “aspone” (assessores de coisa nenhuma)... Aí se decreta calamidade financeira e a população que se ajeite como puder. Primeiro “nós”, depois os contribuintes, como sempre, relegados a segundo plano.

SÉRGIO DAFRÉ

sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

A realidade das contas

Com relação à situação crítica de muitos municípios do Brasil, o que vemos é o seguinte: as administrações públicas, de forma contínua, há muitos anos, valeram-se da contratação de funcionários públicos (muitas vezes com concursos fraudados) e de cargos comissionados, com altos salários e sem nenhuma serventia e produção. Por questões eleitoreiras e compra de votos. Muita gente se beneficiou disso tudo e se calou. Agora, com a crise econômica e a redução da arrecadação, vem a realidade das contas. Prejuízo para muitos em favor de alguns poucos.

ANDRÉ COUTINHO

arcouti@uol.com.br

Campinas

Crime de responsabilidade

Calamidade financeira não é um desastre causado por forças da natureza, pragas, epidemias. Resulta de atos voluntários de infração de conhecidas boas práticas de gestão de orçamento público e da Lei de Responsabilidade Fiscal. Como tal, constitui crime de responsabilidade. Os decretos configuram confissões de crime cometido. A primeira consequência cabível é a destituição do cargo e a condenação dos infratores. Por que não se procede segundo o óbvio?

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

Municípios deficitários

Não é possível a existência de tantos municípios (mais de 5.500), sendo a grande maioria deles dependente dos Estados e da União. Criam-se custos, inexistentes antes da municipalização (salários de prefeitos, secretários municipais, vereadores, assessores, etc.), que as novas entidades não têm condições financeiras de bancar, passando a depender dos chamados “fundos municipais”, onerando toda a estrutura do Estado. Das duas, duas: há que extinguir municípios deficitários e reestruturar o Estado brasileiro.

JAMES PEREIRA ROSAS

jrosas2755@gmail.com

Rio de Janeiro

MTST

Invasão

Até que enfim o sr. Guilherme Boulos, comandante-chefe do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), foi detido pela polícia paulista, quando de reintegração de posse no bairro de São Matheus, na capital. Já passou da hora de esse senhor prestar contas à Justiça. Mesmo depois dos longos 13 anos de inércia do desgoverno petista, ele continua orientando centenas de pessoas a invadir terras e propriedades, lesando os donos no seu legítimo direito de posse. Em qualquer país civilizado essas invasões são crime e punidas com o rigor da letra da lei.

ANTÔNIO CARELLI FILHO

palestrino1949@hotmail.com .

Taubaté

Dignidade

Reintegrações de posse como estão sendo cumpridas ofendem o princípio fundamental da Constituição federal da dignidade da pessoa humana!

EUGÊNIO JOSÉ ALATI

eugenioalati13@gmail.com

Campinas

Guerrilha urbana?

Foi comprovado que a invasão de prédios em São Paulo serve aos interesses de traficantes de drogas e a quadrilhas que alugam espaços invadidos. Sob o pretexto de conseguir moradia para uma grande população excluída, surgiu o MTST, um braço petista, liderado por Guilherme Boulos, um incendiário que, volta e meia, faz a apologia da violência. O citado cidadão é também professor universitário, e aí cabe uma indagação: o que será que ensina a seus alunos, táticas de guerrilha urbana?

JOSE ALCIDES MULLER

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

FERROVIAS

Círculo vicioso

Fui engenheiro por 23 anos na Fepasa, formada na ditadura pela junção das então cinco boas ferrovias paulistas. O trecho da serra (do interior ou da capital ao Porto de Santos) já estava eletrificado, mas o cabeamento e os postes foram retirados. Na Araraquarense e na Paulista se acertava o relógio pela pontual chegada dos trens. Fui gestor de grandes obras estratégicas para a exportação, mas terceirizadas para outros fins. E as fiz por menos de 50% dos preços e do tempo usual no mercado, o que me custou dois atentados e uma vida banida. A ditadura comprava máquinas de diferentes modelos, marcas e origens, sem ouvir a engenharia, o que tornava inviável um eficiente almoxarifado de manutenção. Restava aos colegas “inventar” novos equipamentos com a união de partes de diferentes marcas. A mesma criatividade se verificava na manutenção da via permanente, em terraplenagem e socorros. Agora se está falando de novo em retomar a construção de ferrovias, como a da Bahia, para certamente voltar às privatizações – círculo vicioso que quem já viveu muito tempo presenciou e que serve para a apropriação do erário.

LUIZ FERNANDO PEGORER

eng.pegorer@gmail.com

Santos

ECONOMIA

Brasil nos trilhos

Concordo que o Brasil está sendo colocado novamente nos “trilhos do crescimento” (14/1). Porém é fundamental que os velhos e desgastados “dormentes” (os políticos que estão aí) sejam trocados, a fim de evitar um novo descarrilamento.

JOSÉ MILLEI

millei.jose@gmail.com

São Paulo

“Prefeituras e Estados falidos desrespeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal? Avacalhou, fecha!”

TANIA TAVARES / SÃO PAULO, SOBRE A CALAMIDADE FINANCEIRA 

taniatma@hotmail.com

“Alguém tem de avisar ao sr. Boulos que a cidade de São Paulo está sob nova direção”

MOISÉS GOLDSTEIN / SÃO PAULO, SOBRE O LÍDER DO MTST, DETIDO ONTEM EM REINTEGRAÇÃO DE POSSE POR INCITAR À VIOLÊNCIA 

mgoldstein@bol.com.br

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CRISE NO SISTEMA PENITENCIÁRIO

Depois da sequência de rebeliões e massacres nos presídios de Amazonas, Roraima e Rio Grande de Norte, não resta dúvida de que o sistema carcerário brasileiro está explodindo, e não somente "vai explodir", como alertou a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF). O desastre exige pressão da sociedade para "induzir" os políticos e o Poder Judiciário a implementar política nacional coerente para resolver o problema na base de celeridade das ações judiciais, separação dos infratores de acordo com a gravidade do delito e recuperá-los, ao invés de somente encarcerá-los em condições sub-humanas. Quando é que o Estado brasileiro vai tomar conta dos presídios por dentro, e não somente assistir a cada "acidente pavoroso" pela TV?

Omar El Seoud ElSeoud.USP@gmail.com

São Paulo

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CARNIFICINA NOS PRESÍDIOS

Onde vai parar esta matança nos presídios brasileiros? O número de presos mortos nas cadeias de quatro Estados este ano já ultrapassa 140, um verdadeiro massacre. O Brasil é o quarto país em número de presos, em sua maioria em prisão provisória, perdendo apenas para Estados Unidos, China e Rússia. Precisamos deixar de ser tão inocentes: por que pagar mais de R$ 4 mil por mês para manter um preso na cadeia sem trabalhar e ainda dar ajuda de R$ 1.200 a familiares de detentos? Por que o preso no Brasil não é obrigado a trabalhar para custear seus próprios gastos na prisão, como é feito em outros países que têm economia em melhor estado que a nossa? Alguém acredita que esse criminoso vai ficar agradecido e deixar de cometer novos crimes quando sair da prisão? Os presídios no Brasil são faculdades onde bandidos fazem pós-graduação no crime custeados com dinheiro público, do povo. Um preso custa seis vezes mais que um estudante do ensino médio. Da mesma maneira, construindo escolas hoje, não precisaremos erguer presídios amanhã. A moderação e o estado de espírito da população brasileira honesta e ordeira já se escoaram pelo ralo, não sem razão. É óbvio que os presos tem de ser tratados com dignidade, independentemente do crime que praticaram, até porque um dos objetivos da pena é a sua ressocialização. Mas não sejamos hipócritas e admitirmos que não há como ressocializar quem nunca foi socializado. É o caso dos integrantes das inúmeras facções criminosas que tomaram conta dos presídios. Para estes, no mínimo o que deveria haver seria a prisão perpétua. Como alguém que cometeu vários crimes e é condenado a mais de 200 anos de prisão sai da cadeia pela porta da frente depois de cumprir menos que 30 anos atrás das grades? As leis brasileiras parecem piada, são feitas de propósito para proteger bandidos, não é mesmo?

Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

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SUPERLOTAÇÃO X HIPOCRISIA

É bem verdade que as cadeias em todo o País estão superlotadas e que boa parte dos presos poderia estar cumprindo sua pena em regime externo. Isso ninguém discute. A sociedade, no entanto, não pode ser hipócrita. Muitos crimes violentos são cometidos por indivíduos com antecedentes criminais de tal significância que - estes, sim - deveriam estar encarcerados. Só não estão por manobras legais, nem sempre lógicas ou compreensíveis, e reincidem em algo pior. Pior, é claro, para esta mesma sociedade que reclama da superlotação. Cada caso dever ser visto com justeza e cautela. Generalizações são perigosas tanto de um lado como do outro. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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QUARTO PODER

Com a institucionalização do Quarto Poder, "dos presidiários", o Brasil fica de joelhos diante da falência dos Três Poderes, e chega ao fundo do poço sem uma alternativa válida para o cidadão de bem, que terá de conviver com bandidos soltos, porque não existem vagas nos presídios. 

Arnaldo Luiz de O. Filho arluolf@hotmail.com

Itapeva

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CADEIA DE INCOMPETÊNCIA

O colapso do sistema penitenciário brasileiro, que vive dias de intensa turbulência em meio a um verdadeiro circo de horrores, resulta do acúmulo de anos de descaso e ineficiência do Judiciário, do Ministério Público, do Legislativo e do Executivo. Uma verdadeira "cadeia" de incompetência e irresponsabilidade em relação à desumana e precaríssima situação das cadeias e dos detentos. Se nada for feito de imediato, a sociedade corre o seríssimo risco de uma rebelião nacional, ordenada e comandada por um "salve geral", que poderá dar início a uma fuga em massa dos presídios do País, quando todos serão vítimas da briga fratricida entre facções. Salve-se quem puder!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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O CÂNCER DA NAÇÃO

Escutas revelaram ligações entre facções e políticos? Ora, ora, mas que surpresa! No Brasil tem sido sempre assim: onde quer que a política entre, imediatamente a moralidade sai.

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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INDUMENTÁRIA

A foto da bandidagem nua ("Estadão", 16/1, primeira página) revela a vestimenta das "noças otoridades"...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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ESTADO DE IMPUNIDADE

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Está mais do que claro que?os criminosos?não têm o mínimo temor da Justiça brasileira, até porque eles contam com esse estado de impunidade que grassa no País. Nada os assusta, nem as chacinas, nem as verdadeiras pocilgas e masmorras medievais nas quais foram transformadas a prisões do País. É assim que é!

 

Maria Elisa Amaral marilisa.amaral@bol.com.br

São Paulo 

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A COLÔMBIA DOS ANOS 90

Li ontem no "Estadão" uma entrevista com o secretário de Justiça do Rio Grande do Norte (17/1, A12). Seu nome, ironicamente, é Virgolino, o nome de Lampião. Sem papas na língua, foi uma das melhores entrevistas que já li sobre o caos das penitenciárias. Entre outras coisas, disse o que não me canso de repetir e que aqui sintetizo com minhas palavras: o Brasil está prestes a se tornar uma Colômbia da década de 1990, quando até o governo era dominado pelo tráfico de drogas. O problema é que lá havia apenas um chefão das drogas, Pablo Escobar. Aqui, são mais de 50. Após o "massacre" do Carandiru, em que a mídia e a esquerda transformaram os policiais heróis que arriscaram sua vida para controlar o presídio em "assassinos", a polícia teme entrar nessas instalações - locais em que será recebida a tiros de .12, pistolas, etc. - e dar um tiro, com medo de ser processada novamente. Para enfrentar esses bandidos sanguinários, decapitadores drogados dispostos a tudo, a polícia deve entrar pacificamente, com "balas de borracha" e cassetetes. É uma piada. Os Estados, que são os responsáveis diretos pelo controle dos presídios, jogam a batata quente nas mãos do governo federal, que não dispõe de recursos para tanto. Digo mais: para controlar essa situação, a Justiça deveria considerar legítima defesa todas as mortes de encarcerados ocorridas dentro de presídios rebelados que necessitassem da intervenção de tropas de choque, pois na verdade é isso o que ocorre. Bandidos armados queimando e depredando o patrimônio público, assassinando e decapitando companheiros de cela e ameaçando quem chegar perto nada mais são do que ameaça à ordem pública, e a reação do poder de polícia do Estado - o único poder constitucionalmente com direito a usar a força - deve ser considerada legítima defesa. Não há que cogitar, nestes casos, reação com excessiva força, pois o que está em jogo é a vida de funcionários públicos dedicados a combater o crime. Qualquer posição em contrário é armação da esquerda, dos direitos humanos que defendem bandidos e que querem ver o circo pegar fogo para tentar passar por debaixo da lona e garantir seu lugar no próximo espetáculo. Desta forma, a solução do problema passa, antes de tudo, pelo Legislativo e pelo Judiciário. E, como sempre, é um jogo político em que nem todos torcem por um final feliz.

 

Percy de Mello C. Junior percy@clubedoscompositores.com.br

Santos

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DEBATE IMPORTANTE

Durante quase uma semana acompanhei o desfile de sugestões para a crise do sistema penitenciário, inclusive as do Ministério da Justiça, e a maioria delas é cabível, porém não vai fundo na questão penitenciária. Dizem que no Brasil se prende muito e mal, e isso é uma verdade. Dados estatísticos divulgados colocam que em algumas penitenciárias 40% ou mais são presos envolvidos com o tráfico de drogas. O Estado em todos os níveis perdeu a guerra ao narcotráfico. São gastos bilhões, trilhões na repressão, e os resultados são pífios. O uso de droga é problema de saúde pública. Logo, ao invés de gastar boa parte desse dinheiro, seriam muito mais produtivas campanhas elucidativas nas escolas, nos clubes de serviços, etc., sobre os malefícios das drogas, a exemplo do cigarro. Portanto, depois de muito estudo e de debates, liberar as drogas só traria benefícios: diminuiria sensivelmente a lotação das cadeias e a corrupção policial. O traficante se tornaria comerciante; o menino usado como "aviãozinho" teria carteira assinada, emprego; impostos seriam recolhidos e as drogas seriam de boa qualidade; e as polícias e a Justiça teriam mais tempo para atuar no combate aos outros crimes que atingem cotidianamente  a população. Assim ter-se-ia um sistema penitenciário onde se pudesse buscar o mínimo de ressocialização. Mais escolas e menos cadeias. Com a palavra, os mais doutos. Enfim, é imperativo da hora que se inicie esse debate.        

Ruyrillo Pedro de Magalhães ruyrillo@ig.com.br

Campinas

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LEGALIZAÇÃO 

Por que criminalizar o uso de drogas? O uso de solventes, tabaco e álcool é legal, no entanto, eles matam milhares de brasileiros ao ano. As drogas ilegais e sua comercialização geram mortes e custos imensos, que poderiam ser diminuídos caso seu consumo fosse legalizado. Qual o problema de legalizar estes entorpecentes? Acidentes de trânsito? Moradores de rua? Crise moral? Isso tudo já existe e com alto mérito no Brasil. Devíamos inovar e legalizar todas as chamadas drogas ilegais. Funciona assim: quero me drogar, compro a droga, uso-a e sofro suas consequências biológicas e sociais. Não existiria mais traficante. Este teria de trabalhar como qualquer outro. Nossa, mas existirá um número enorme de drogados e vagabundos na rua. E hoje existem poucos? Mas aumentaria em muito o número de crimes nas ruas. E hoje existem poucos? Sim, claro que teria um tempo de adaptação turbulento, que exigirá uma força-tarefa maior, porém recompensadora no longo prazo. Não faz sentido proibir uma substância pelo simples motivo de esta fazer um mal enorme à saúde. Nesta lógica, o cigarro teria de ser proibido há muitos anos. A pessoa quer cheirar pó, fumar entorpecentes, por que alguém ou o governo precisa proibi-la? Não existem estudos de segurança e, portanto, está proibido. Toda substância, todo remédio, sem exceções, pode fazer mal à saúde, mesmo com os estudos de segurança. Aliás, após a legalização será mais fácil fazer estudo de segurança. Não será o governo, não será a igreja nem outra forma de poder que irá diminuir o uso de drogas ilegais. Será mesmo que algum intelectual, político ou pessoa detentora de conhecimento e sabedoria acredita que a cocaína ou a maconha serão deixadas de lado? Deixarão simplesmente de usá-las por pressão governamental ou religiosa? É muita ingenuidade. Jamais o uso destas drogas será menor. Está inerente, incrustado, enraizado no comportamento humano. Podemos, sim, educar, regulamentar, disciplinar, socializar o uso destas substâncias, mas proibir gera somente violência, conflitos maiores e perda de força do Estado.

Bruno Conte bruconte@me.com

São Paulo

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SEGURANÇA DE QUINTA

 

Num mundo conturbado em que segurança e poder devem andar lado a lado, o que teria motivado os dois últimos presidentes da República - Lula e Dilma - a abrir mão das câmeras de segurança no Palácio do Planalto, no Palácio da Alvorada, no Palácio do Jaburu e na Granja do Torto desde 2009? Quem diz isso é ninguém menos que o general Sergio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Ora, o Palácio do Planalto é o local onde o presidente passa a maior parte do dia, e, de igual forma, seus ministros mais próximos. Então, por que câmeras desligadas? Terá isso sido feito de "caso pensado", para que evidências comprometedoras fossem ocultadas? E o que nossa (suposta) agência dita de inteligência - a Abin - teria a dizer sobre isso? Ou será que eles não foram informados? 

 

Silvio Natal silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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A DÍVIDA DO CORINTHIANS

O "Estadão" poderia explicar melhor a dívida do Corinthians no pagamento do Itaquerão? A reportagem de 13/1 (página A16) diz que a dívida era de R$ 1,6 bilhão, que seria paga em 12 anos em parcelas mensais de R$ 5 milhões. No final do período, o valor pago teria sido de R$ 720 milhões, e não R$ 1,6 bilhão. A conta não fecha. Pelo novo acordo, a dívida passa a ser de R$ 2 bilhões, porém será paga em 20 anos em parcelas mensais de R$ 3 milhões. No final do período, o valor pago seria os mesmos R$ 720 milhões, e não R$ 2 bilhões. A conta continua não fechando. Mais uma pedalada, como Dilma Rousseff? Ou apenas uma indicação de que o saldo devedor, mais uma vez, vai sair do bolso do contribuinte?

Paulo Sérgio P. Gonçalves ppecchio@terra.com.brr

São Paulo

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CORINTHIANSVAI DAR O CALOTE

Com uma dívida de R$ 2 bilhões, pagando R$ 3 milhões por mês, essa conta jamais será paga, qualquer garoto do ensino fundamental sabe fazer este cálculo: considerando juros anuais de apenas 6% ao ano, seriam R$ 120 milhões só de juros. Pagando R$ 36 milhões de prestações, a cada ano vai haver um aumento de R$ 84 milhões. Mais uma vez os pagadores de impostos vão pagar esta conta.

Odomires Mendes de Paula odomires@abrampe.com.br

Uberlândia (MG)

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CORRUPÇÃO NA CAIXA ECONÔMICA

Acreditem se quiserem: a Operação Cui Bono, deflagrada pela Polícia Federal na sexta-feira e que pegou, entre muitos, Geddel Vieira Lima, homem influente e ex-ministro do PMDB, só foi possível por causa da apreensão de um antigo celular achado largado na casa do ex-deputado Eduardo Cunha, quando a PF fez apreensões de documentos em sua residência. No celular havia diálogos e mais diálogos que deram asas às investigações denunciando tramoias na Caixa Econômica Federal (CEF). Aposto que tem político hoje, em Brasília, fazendo varreduras em celulares antigos, tratando de passar até com o carro por cima para apagar qualquer "descuido". Deus é brasileiro, mesmo!

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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GEDDEL

Em 2001 o já falecido Antonio Carlos Magalhães (ACM) denunciava: "Família Geddel vai às compras". Ou seja, este garoto de olhar maroto, andar indolente e malandro, com mais de 30 anos de praia, continua trambicando há 25 anos. Em 1999, quando diretor do Banco do Estado da Bahia, favoreceu toda a família Vieira Lima com rendimentos maiores do que os aplicados no mercado naquela ocasião. Já no escândalo dos Anões do Orçamento, quando inquirido pela CPI, chorou como criança em várias ocasiões. Praticou crimes quando foi vice-presidente da CEF, liberando empréstimos sob comissão de 10%. É citado na Operação Lava Jato. Tentou legalizar um prédio irregular em Salvador (BA). Será que o Supremo Tribunal Federal (STF) consegue por um ponto final nessa trajetória criminosa "geddelista"? O povo brasileiro aguarda ansioso!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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CUI BONO

Quem diria, hein, Geddel? Para quem só queria "a vista" da Baia de Todos os Santos, do prédio da Ladeira da Barra, agora correndo o risco de ter de negociar "prazos" com o juiz Sergio Moro, da Lava Jato. 

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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CRISE POLÍTICA

A crise saiu dos intestinos e chegou ao coração do governo de Michel Temer. Eduardo Cunha, o homem que ungiu Temer à Presidência da República, agia em conjunto com Geddel Viera Lima, ex-ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer, para desviar dinheiro na Caixa Econômica Federal (CEF). O principal beneficiário desses desvios era o PMDB, partido que na época era presidido por Michel Temer. Parece que Lula finalmente encontrou um adversário à altura na disputa pelo título de político mais corrupto do Brasil. O afastamento de Michel Temer da Presidência da República passa a ser uma certeza matemática inescapável, resta apenas saber quanto tempo ele ainda permanecerá no cargo.  

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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LADO DA CORRUPÇÃO

Com relação à carta do leitor sr. João Carlos Pinheiro ("Fórum dos Leitores", 17/1), não defendo nenhum partido e concordo com ele de que quem errou deve pagar, mas vou discordar da sua motivação. Não existe opção deste jornal, nem dos outros meios de comunicação com credibilidade, voltadas para qualquer lado. Os 13 anos em que o PT esteve no poder se caracterizaram incontestavelmente pela corrupção. É bizarro tentar amenizar o ocorrido usando o surrado diagnóstico do DNA da corrupção, e, além do mais, não possível investigar a corrupção no tempo das capitanias hereditárias. 

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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ELEIÇÃO 2018

O governador Geraldo Alckmin nem bem começou o ano de 2017, temendo não ser o candidato indicado pelo PSDB para disputar o Planalto em 2018, tenta convencer o partido a que faça prévias, e de preferência já no final deste ano. Na realidade, com dois concorrentes fortes dentro do PSDB, como José Serra e Aécio Neves, o governador não quer correr riscos, já que, pelo jeito, não abre mão de disputar a eleição para presidente. Neste caso se for preterido nas prévias, como já ameaçou, deixaria o partido dos tucanos para se filiar ao PSB, do já falecido Eduardo Campos. Uma demonstração de que Alckmin não está confortável dentro do PSDB e tampouco acredita que seu nome seja aprovado. Mais prudente seria Alckmin aguardar o resultado da delação da Odebrecht, em que Serra, Aécio e o próprio Alckmin foram citados como supostos beneficiários de verbas ilícitas. E aguardar também a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que vai julgar a ação movida pelo próprio PSDB denunciando uso de verbas ilícitas na campanha de Dilma Rousseff em 2014, que, tendo como vice Michel Temer, este também pode perder seu mandato-tampão. Ora, se os importantes eventos citados acima podem ser definidos até meados deste ano, e muita água suja vai rolar atingindo boa parte da classe política brasileira, por que, então, ver um Alckmin impaciente, mesmo mantendo uma popularidade invejável, em meio a uma grave crise econômica? Um contrassenso que lhe poderá custar caro! 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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ALCKMIN NO PSB

Os partidos PT e PSDB estão queimados perante a opinião pública e Alckmin vai queimar seu filme se insistir em sair candidato à Presidência da República pelo PSDB. Deveria se mudar o mais rapidamente possível para o PSB e deixar a briga, para ver quem afunda ainda mais o PSDB, para Serra e Aécio. Em 2018, eu já decidi: ou voto em Alckmin (não importa o partido) ou voto nulo. 

Maria C. Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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O CANDIDATO DO PT

O Partido dos Trabalhadores (PT) se prepara para lançar a candidatura de Lula para 2018. Segundo as más línguas, deve ser para concorrer com Marcola.  

Marcos Catap marcoscatap@uol.com.br

São Paulo

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O ILUSIONISTA

Lula vem dizendo que vai resolver os problemas que ele mesmo criou. O ilusionista!

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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ELE NÃO SABIA?

Falando de uma possível candidatura Lula a presidente em 2018, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, nos informou que o falastrão de São Bernardo "reitera, com muita convicção, que está preparado e sabe exatamente o que é preciso fazer para tirar o Brasil da crise". E sabia ele exatamente da criminosa roubalheira promovida por seus amigos, auxiliares e correligionários na Petrobrás durante os oito anos do seu governo? Será que ele não sabia nem desconfiava de nada?

Euclides Rossignoli euclidesrossignoli@gmail.com

Avaré

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MILITÂNCIA CONVOCADA

Não é preciso ser nenhum ministro da Justiça ou  membro do Serviço Nacional de Informações para concluir que o ex-presidente Lula, desesperado e  na iminência  de  ser preso, em seus  raivosos discursos por este Brasil afora, vem convocando a militância do PT e quem mais quiser a sair às ruas e lutarem, num claro convite  ao anarquismo ou coisa que o valha. Que as autoridades competentes fiquem em total alerta.

José Marques seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo

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OS VERDADEIROS PAIS DA CRIANÇA

O PT está com a faca e o queijo nas mãos, como se usa dizer. Nosso catastrófico momento político/social e econômico é um prato cheio para discursos de políticos mentirosos, popularescos e sensacionistas, o que a propósito é uma especialidade do senhor Lula. Só não se pode esquecer de que essa situação insustentável foi gerada, chocada e criada pelo PT e sua gente nos últimos 15 anos. Pura e simples!

 

Sara May mgildetenascimento@bol.com.br

São Paulo

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REFORMA DA PREVIDÊNCIA

 

A polêmica reforma da Previdência tramitará a partir de fevereiro no Congresso Nacional e o presidente Michel Temer já manifestou qual ponto é inegociável: a idade mínima. O presidente já expôs que outros pontos da reforma previdenciária poderão ser alterados e flexibilizados, mas a idade mínima está mantida e é ponto fechado no Palácio do Planalto. Ocorre, porém, que o presidente e sua equipe econômica se esquecem de analisar algumas particularidades. Determinadas atividades profissionais exigem demasiado esforço físico do trabalhador e, portanto, o impossibilitarão de exercê-las até aos 65 anos de idade. É preciso bom senso, antes de tudo, para evitar desgaste desnecessário e uma legislação absolutamente injusta. É imperioso, de igual modo, que haja alterações na estrutura administrativa do Estado, em seus níveis de governo, pois é impensável que o poder público pese tanto no orçamento nacional e seja de uma ineficiência inquestionável. Todos precisamos fazer ajustes, inclusive a equipe de Temer.

 

Willian Martins martins.willian@globo.com

Guararema

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PENTE-FINO

Dizia Barack Obama: "Meus americanos vivem muito bem. Um trabalhador ganha US$ 3 mil por mês. Necessita de US$ 2 mil para sobreviver. O que faz com os outros US$ 1 mil não nos interessa". Diz o presidente do Canadá: "Meus canadenses vivem muito bem. Um trabalhador ganha 4 mil dólares por mês, necessita de  2 mil dólares para sobreviver. O que faz com os outros 2 mil não nos interessa". Michel Temer diz que os brasileiros vivem muito bem. Um trabalhador brasileiro arrochado por todo lado, seja com o salário minguado, seja pela falta de emprego, ainda tem de  conviver com o fantasma do pente-fino na Previdência, quando será reavaliado l,7 milhão de benefícios por doença que há dois anos não são revisados. Nestes quase 2 milhões, quantos deverão perder o benefício e quantas famílias estarão desalojadas da despensa?

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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APOSENTADORIA CANCELADA

Se até Felipe Massa voltou ao mercado após anunciar a aposentadoria, calculem o assalariado brasileiro.

Claudio Juchem cjuchem@gmail.com

São Paulo 

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ELEIÇÃO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Será que eu li certo na coluna "Direto da Fonte" de 17/1, a noticinha lá embaixo, à direita, de que o deputado Rodrigo Maia fechou acordo com os petistas ligados a Lula? Não estou entendendo, pensei que ele era o queridinho do Planalto... O Planalto está voltando ao lulismo? Alguém pode me esclarecer? 

Sandra Maria Gonçalves sandgon@terra.com.br

São Paulo

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UM CARNAVALESCO NA PREFEITURA

O prefeito João Dória deveria (como ele mesmo se intitulou) ser mais gestor e menos carnavalesco. Gerir melhor a cidade de São Paulo e deixar para se fantasiar de gari e pintor de parede na época oportuna, que é o carnaval. As praças e jardins públicos, inclusive as de seu próprio bairro (os Jardins) estão cobertos pelo mato e detritos diversos. Lixeiras com sujeiras acumuladas desde a passagem do ano, sendo criadouros de mosquitos da dengue e outros. Os caixotões de lixo da concessionária francesa exalam um odor putrefato e seu conteúdo transborda para ruas e calçadas. Bocas de lobo não são limpas e provocam inundações numa época de grandes chuvas. Onde estão as promessas de bom gestor? Se continuar assim, em futuro próximo João Dória poderá se candidatar, no máximo, ao posto de comediante, se o circo não tiver um bom gestor, pois, neste caso, não será aceito nem como palhaço.

Marize Carvalho Vilela marizecarvalhovilela@gmail.com

São Paulo

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SURPREENDENDO, SIM

Incomoda-me o "mood" de João Dória desta compulsão midiática infisgarcada do novo prefeito. Mas vem surpreendendo, sim. Limpando a cidade, mandando prender pichadores, fazendo parcerias com hospitais de ponta para o atendimento antes dos feitos pelas unidades ou hospitais do SUS. Assumiu a Prefeitura "causando". Não pegou bem o uniforme que utilizou logo após a posse, para varrer as ruas na companhia de garis de verdade. Entretanto, dia após dia, vem demonstrando que o "fazer" está acompanhando a "fala" do novo prefeito. E não fez como o PT, PMDB e outros partidos, que admitiam qualquer ideologia para firmar o "governo de coalizão", como se deu com Dilma e Temer, ou, pior, quando Lula e Fernando Haddad aceitaram o apoio de Paulo Maluf nas eleições que culminaram com a vitória de Haddad. Não. No sábado (14/1), mais uma vez, demonstrou independência e transparência de sua gestão. Naquele dia, no evento em que plantou uma muda, disse: "Essa é uma muda de pau-brasil. Vou dedicar o plantio dessa muda ao Lula, Luiz Inácio Lula da Silva, o maior cara de pau do Brasil. Presente para você, Lula", disse o prefeito, sob aplausos. Até quando fala Dória é populesco, mas não decepciona.  

 

Andrea Metne Arnaut andreaarnaut@uol.com.br

São Paulo

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DÓRIA FANFARRÃO

Quero dizer ao mundo, não a São Paulo, apenas, que esta terceira metrópole do universo está sendo governada por um fantasiado de gari, um ator medíocre de um circo mambembe, um palhaço de vassoura na mão, que posa para as câmeras como grande gestor, que coloca tapumes e telas nos viadutos para ocultar moradores de rua, que vem com tudo com o pêndulo da direita tirar o leite das crianças e o transporte escolar. São Paulo está sendo governada por um fanfarrão feliz da vida com seu brinquedinho, que é a Prefeitura. Este é um assunto para o Brasil e para o mundo.

Apollo Natali apollo.natali2@gmail.com

São Paulo

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NOVA GESTÃO

Agora, após décadas, São Paulo tem administração decente, realmente focada na gestão da cidade, sem vingança, ou sem desviar para partido, e São Paulo teve o bom senso de não ter tido governo petista, nem de aliado, graças a Deus. Por isso São Paulo é um dos poucos que não quebraram, manteve distância de gente ordinária. Só peço ao novo prefeito de São Paulo que não fale mais de Lula, porque ele nem merece ser citado.

Roberto Moreira da Silva rrobertoms@uol.com.br

São Paulo 

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SÃO PAULO E SUAS CICLOVIAS 

 

Estão comemorando o feito de a São Paulo de hoje ter a maior quilometragem de ciclovias da América Latina, mas passei quase um inteiro dia útil  circulando na Avenida Paulista e quase não vi ciclistas naquela via, como também tenho observado noutros endereços. Interessante seria algum órgão não municipal fazer uma pesquisa que levantasse o uso ciclistas/quilômetros existentes e dias nos quais isso acontece. 

Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo

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FALTAM REMÉDIOS NAS UBS DE SP

Fernando Haddad prejudicou os paulistanos em quase tudo o que (não) fez como o pior prefeito da história do Brasil. Era previsível, até, porque um poste não poderia ter sido nomeado por Lula para o cargo. O paulistano o rechaçou coerentemente no ano passado, quando até seu padrinho o abandonou. Mas ainda hoje seu desgoverno continua a sacrificar os mais necessitados: continuam a faltar cerca de 50% dos medicamentos do SUS nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da Prefeitura. Muita gente não está se medicando por causa de Haddad. 

Ademir Valezi adevale@gmail.com

São Paulo 

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NEM O PAPA NOS SALVA DA INSENSATEZ

Tenho dois carros em meu nome de uso familiar, um Fiat EGM5176 e um Ford FMV1043. Moramos em Campinas e, no dia 8/6/2016, minha esposa, Lúcia, inadvertidamente entrou em São Paulo sem atentar ao rodízio e levou duas multas. O mesmo ocorreu no dia 9/8/2016, com meu filho Felipe. A regra é clara e as multas foram merecidas. Em ambos os casos, seguimos as orientações das notificações e informamos os condutores, para que os pontos fossem devidamente transferidos. Recentemente, fui notificado de que minha carta iria ser suspensa por excesso de pontos. Depois de visitar o Detran e o Poupa Tempo, sem nada descobrir, fui orientado a entrar em contato com a Prefeitura de São Paulo no (11) 3219-0066. Para minha surpresa, a funcionária que me atendeu, de nome Alice, me informou que eles descartaram uma das multas de cada episódio sem transferir os pontos porque eu havia enviado as duas multas num mesmo envelope do Correio. Apelei para o bom senso e para a racionalidade ecológica, econômica, administrativa e até para o fato de que essa exigência não consta na regra definida na notificação enviada a mim. A sra. Alice respondeu que isso era uma norma interna e não havia nada a ser feito. Mais uma vez, apelei dizendo que não fazia sentido eu perder minha CNH em decorrência de uma norma interna não divulgada, e ouvi o seguinte sermão: "Você deveria ter pensado nisso antes de levar a multa". Eu disse: "Mas não fui eu que levei a multa, não é justo e gostaria de apelar". E ela respondeu com todo seu poder público burocrático, finalizando a conversa: "É justo, sim". Apelei para a Ouvidoria, no chamado 20075416, mas temo que prevaleça a solução mais frequente de nossa Justiça para a maior parte dos casos: um longo e interminável silêncio.

Paulo Sérgio Pinheiro Lima paulosplima@gmail.com

Campinas

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FAPESP

Eu me explico: sob comando do governador e do secretário de Ciência e Tecnologia de São Paulo, um acordo de lideranças de todos os partidos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), sem anúncio e discussão anterior pelos deputados de toda a Assembleia, decidiu "morder" a dotação orçamentária da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) garantida pela Constituição do Estado. São Paulo é a locomotiva do Brasil em economia, desenvolvimento social e econômico, educação e ciência e tecnologia, em grande parte graças às pesquisas realizadas pelos seus cientistas nas várias áreas do conhecimento, notadamente nos campos médico e agropecuário. Todo esse progresso ocorre sem interferências político-partidárias, julgamento de projetos meritórios de forma sigilosa pelos cientistas-pares e aplicação de bem menos de 5% em gestão e administração, limite imposto pela Constituição estadual. A transferência da dotação constitucional da Fapesp para as secretarias de Estado é uma aposta duvidosa. Essa decisão do governador, no curto prazo, resultará no recrudescimento da fuga de jovens cientistas talentosos para o exterior ("brain drain", sofrido pela Argentina e Chile), onde terão mais apoio para desenvolver projetos ambiciosos, inovadores e de impacto na tecnologia, economia, saúde e meio ambiente.

Etelvino J. H. Bechara ejhbechara@gmail.com

São Paulo

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A FAPESP E NOSSAS LIDERANÇAS POLÍTICAS

  

Projetos meritórios, minuciosamente analisados por especialistas e financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) são os principais responsáveis pelo avanço de ciência, tecnologia e inovação do Estado de São Paulo. Para que a Fapesp cumpra seu papel de fomento e de acordo com a Constituição do Estado de São Paulo, ela recebe uma porcentagem dos impostos arrecadados pelo Estado. Desde 1989, essa dotação foi fixada por lei no mínimo em 1% (artigo 271). Todos os governos estaduais, sem exceção, têm repassado o correspondente a essa porcentagem para o orçamento da Fapesp, cumprindo a lei. Assim foi, até 2016. No "apagar das luzes" de 2016, uma parcela do orçamento de 2017 a ser repassado à Fapesp foi redirecionada pela Assembleia Legislativa para a Secretaria de Ciência e Tecnologia  para "projetos de modernização" dos Institutos de Pesquisa do Estado. É uma decisão ilegal e inaceitável. Será que os nobres deputados têm noção do papel da Fapesp para o avanço da ciência, tecnologia e inovação do Estado de São Paulo e da lei que a criou? Senhor governador, esperamos sua atitude firme contra essa manobra da Assembleia. Faça com que a determinação constitucional seja cumprida, não permitindo que se abra um precedente perigoso. Impeça que o seu governo passe para a História como o governo que pela primeira vez descumpriu o artigo 271 da Constituição do Estado de São Paulo.

 

Maria Julia Manso Alves mjmalves@iq.usp.br

São Paulo

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INCONSTITUCIONAL

Nunca nos mais de 50 anos da Fapesp, a maior agência de fomento à pesquisa científica e tecnológica do País, o governo do Estado de São Paulo violou o artigo 271 da Constituição estadual, que garante repasse de 1% de sua receita ordinária para o desenvolvimento científico e tecnológico paulista e brasileiro. Mas, ao apagar das luzes de 2016, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) fez o que nunca foi feito, nem no pior dos governos de São Paulo. Apesar de o Executivo ter aprovado dentro do projeto de lei orçamentária anual o repasse de 1% da carga tributária paulista à Fapesp, a Alesp reduziu esse valor para 0,89%. Em termos porcentuais, parece até algo dentro do esperado para a atual situação econômica do País. Mas, acima de qualquer coisa, este é um ato inconstitucional. Além disso, seria este o precedente quisto? Cortar 0,11% do orçamento da Fapesp para investir na modernização dos Institutos de Pesquisa do Estado, como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), bem como os Institutos Butantan, Adolfo Lutz, pode parecer uma boa justificativa. No entanto esse argumento é falho, pois os recursos desvinculados da Fapesp não têm garantia de chegar aos institutos do Estado. Ainda, isso tira a autonomia da Fapesp em viabilizar estes recursos para estes mesmos institutos, como ela já faz (estes institutos também são financiados pela Fapesp diante da excelência de seus projetos). Isso precisa ser remediado, com a atitude do governador de desfazer essa emenda ou até mesmo que seja com a intervenção do Ministério Público, ante o desacato à Constituição do Estado de São Paulo. A atitude da Alesp terá reflexo direto não só na ciência, mas também na qualidade do ensino público superior do Estado.

Daniel Martins-de-Souza dmsouza@unicamp.br

Campinas 

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'A CONTRIBUIÇÃO DA FILANTROPIA'

O editorial da edição de 16/1 (segunda-feira) a respeito da contribuição das entidades do terceiro setor ("A contribuição da filantropia") é de grande relevância, inclusive para que toda a sociedade saiba que os incentivos outorgados pelo governo às entidades sem fins lucrativos e devidamente cadastradas com o Certificado de Entidades de Beneficência e Assistência Social (Cebas) são necessários porque a ação das associações e fundações resulta em expressivo ganho para o Brasil. A pesquisa citada da Consultoria DOM Strategt Partiners comprova que, em média, de cada R$ 1,00 que a Previdência deixa de cobrar dessas entidades, a título de isenção (imunidade), elas devolvem R$ 5,92 à população. Entidades com a Apae, AACD, Graac, Instituto Ayrton Senna, Fundação Dorina Nowill, CIEE, Fundação Bradesco e tantas outras de relevância se sentem agradecidas e incentivadas com o editorial, que demonstra a importância do trabalho que vêm desenvolvendo e que jamais poderão ser chamadas de "entidades pilantrópicas",  como dito por  algumas pessoas desavisadas e de má-fé.

 

Antonio Jacinto Caleiro Palma, presidente emérito do Centro de Integração Empresa Escola antonio.palma@urbanovitalino.com.br

São Paulo

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