Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

31 Março 2017 | 03h00

CONSTITUINTE, 30 ANOS

A ‘cidadã’

A atual Constituição brasileira, apelidada de cidadã por seu mentor, Ulysses Guimarães, com pouco menos de 30 anos desde a sua promulgação, tempo considerado curto para a vigência de qualquer Carta Magna num regime democrático, já recebeu 95 emendas – a dos EUA, com mais de 200 anos, teve somente 27 adendos – e talvez precise de outras tantas no médio prazo, em face dos problemas que o País atualmente enfrenta na política e na economia, cuja solução é dificultada pelos travamentos e restrições impostos pelo texto. Sendo a sétima a vigorar no Brasil desde a Independência, seria razoável esperar que já tivéssemos vislumbrado o formato mais conveniente para as nossas características como Estado. Tal, porém, por diversas razões, não ocorreu, o que prova que os vários redatores, desde a primeira, em 1824, sempre estiveram mais interessados em harmonizar interesses paroquiais do que em promover o desenvolvimento do conjunto da sociedade.

PAULO ROBERTO GOTAÇ

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

A atual Constituição brasileira, prolixa, de tipo jurídico super-hiper-rígido, ininteligível para os cidadãos comuns, não passa de um imenso erro cometido por deputados federais (a maioria mais ou menos de esquerda, além de ex-exilados políticos) que à época, tendo se autoproclamado constituintes, pariram um monstrengo que congelou o Brasil no tempo, inviabilizando seu futuro. Cheia de boa intenções, das quais o inferno está cheio, fala mais de direitos que de deveres, tendo até mesmo nivelado, em nome de uma cidadania utópica e irresponsável, pretensos direitos de bandidos aos direitos de quem nunca delinquiu, mantendo-se honesto em sua cidadania! E ainda concentrou na distante e ilhada Brasília (dado o viés socialista estatal que caracteriza a Carta) tudo o que passou a atribuir à União, esquecendo ladinamente Estados e municípios, onde de fato vive, trabalha e produz o cidadão comum, ofertando ao insaciável e voraz leviatã federal as riquezas da Nação, empobrecendo o povo, que só existe hoje para sustentar a corrupta, gigantesca e ineficiente máquina federal. Por último, centrada no “coletivo”, e não no indivíduo (o tal do “social”), a Constituição, que de cidadã de fato tem muito pouco, tornou o Brasil presa fácil de governículos populistas e demagógicos, cujos titulares não hesitaram em quebrar os cofres públicos em nome dessas bandeiras, desviando milhões para os próprios bolsos. A Constituição “cidadã” tem de morrer já para que de fato exista uma cidadania individual e um Brasil de verdade, com possibilidade prática de um futuro real!

PAULO BOCCATO

pofboccato@yahoo.com.br

Taquaritinga

Jobim errou

Parabéns ao Estadão pelo caderno sobre a Constituinte. Nele, entretanto, Nelson Jobim comete um erro imperdoável ao afirmar em seu artigo que Mário Covas (PMDB-SP) foi eleito relator com a ajuda de José Sarney, para barrar o acúmulo de poder em Ulysses Guimarães, que apoiava Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC). Covas foi eleito líder da bancada do seu partido, e não relator do projeto de Constituição. O erro de Jobim é tão mais grave quando se sabe que ele próprio foi eleito vice-líder e substituiu Covas quando este deixou o partido, em 1988, para fundar o PSDB.

OSVALDO MARTINS

omconsult@uol.com.br

São Paulo

QUE PAÍS É ESSE?

Bagunçou de vez

A mídia vem nos atualizando, dia a dia, sobre as manobras dos nossos políticos, quer no Congresso, quer no Poder Executivo, nos três níveis de governo, e ainda no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente do TSE, membro do STF, em entrevista à imprensa acusou a Procuradoria-Geral da República de ter revelado o nome dos réus em processos com segredo de Justiça, recebendo resposta contundente do procurador-geral, ambos com atitudes inadmissíveis em suas funções. Gilmar Mendes, que presidirá o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE, encontra-se amiúde com o presidente, a ponto de o procurador-geral pretender sua suspeição nos julgamentos em andamento. A perlenga do PSDB finalmente será posta em julgamento na próxima semana e, tendo em vista o tempo decorrido e todos os recursos ainda possíveis, se arrastará até o término do atual governo. Ou seja, um processo inútil e custoso. O projeto de lei da reforma da Previdência, inicialmente caracterizado como inadiável, vai sofrendo mutações ao sabor dos acontecimentos. No Congresso, seus membros denunciados pelos delatores na Lava Jato se movimentam para propor reforma política, entre outras iniciativas que garantam tanto sua liberdade, ameaçada pelas investigações, quanto sua reeleição e o foro privilegiado. Em São Paulo, a Secretaria Municipal de Educação vem contratando professores, apesar de ter candidatos aprovados em concurso público já homologado, dando até preferência aos aprovados nesse concurso. A decisão contraria o disposto na Lei Municipal 10.7931/1989 e o inciso IX do artigo 37 da Carta Magna, mas as contratações seguem normalmente. Quarta-feira, a Polícia Federal, em mais uma operação da Lava Jato, prendeu cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro por corrupção, e não será um caso isolado. Em resumo, o País bagunçou de vez.

GILBERTO PACINI

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

Contaminação geral

Se a quase totalidade (83%) dos conselheiros do TCE-RJ está presa e eles só têm por função julgar com base nas análises de auditores e procuradores do Ministério Público, podemos deduzir que está tudo contaminado?

SAVÉRIO CRISTÓFARO

scristofaro@uol.com.br

Santo André

O Rio está com as finanças em estado falimentar. Nas ruas impera a lei dos bandidos e traficantes. Um ex-governador e seus principais aliados e colaboradores, um ex-bilionário incluído, se hospedam em Bangu. Os serviços públicos estão mais que precários. Obras para a Copa e a Olimpíada se deterioram, como a ciclovia Tim Maia, ora interditada. Membros do TCE, encabeçados pelo presidente, são presos por corrupção. E o luminar Pezão afirma que a Polícia Federal é que mancha a reputação do Rio! Rimos ou choramos?

SERGIO CORTEZ

cortez@lavoremoveis.com

São Paulo

Condenado

Diante de tantas notícias desabonadoras, tivemos ontem uma que nos conforta e anima a confiar na nossa Justiça: o prepotente e presunçoso Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi condenado a mais de 15 anos de prisão!

FRANCISCO ZARDETTO

fzardetto@uol.com.br

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

 

INSTITUIÇÕES INFESTADAS

 

Se denúncias da Operação Lava Jato estão atingindo ministros do Tribunal de Contras da União (TCU), o que dizer, também, dos cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro – de um total de sete –, incluindo seu presidente, que foram presos por supostos atos ilícitos, na Operação O Quinto do Ouro, deflagrada pela Polícia Federal esta semana? E quem delatou esta gente foi um ex-presidente do próprio tribunal e atual conselheiro, Jonas Lopes, pego com seu filho na Operação Descontrole, no final de 2016. Esses conselheiros recebiam vantagens para aprovar as contas de várias obras superfaturadas do governo do Estado do Rio, como, por exemplo, do Estádio do Maracanã. Será que as nossas instituições estão tão infestadas assim de corruptos? Até prova em contrário, não há o que duvidar! E, para provar este descalabro ético, na operação desta semana também foi levado coercitivamente pela Polícia Federal o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o deputado Jorge Picciani, que é pai do ministro do Esporte, Leonardo Picciani. O motivo? A denúncia, feita em acordo de leniência por uma executiva da Carioca Engenharia, de que comprou vacas superfaturadas de uma empresa da família Picciani. A podridão não tem limites.

 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

 

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IMPASSÍVEIS

 

Raposas tomando conta do galinheiro, não há outra definição para a prisão de conselheiros do TCE-RJ. Sociologicamente, incomoda; pessoalmente, embrulha o estômago. Levados a depor, desavisados pensariam se tratar de um desfile de santos, tamanha a desfaçatez.

 

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

 

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TCE

 

TCE: Tribunal de Corrupção do Estado do Rio de Janeiro. Vergonha!

 

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

 

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ESTADO SAQUEADO

 

O governador do Estado do Rio diz que Rio de Janeiro passa por mau momento. Mas está passando por mau momento por culpa de quem, governador? O projeto da renegociação das dívidas, no que diz respeito ao Estado do Rio, não tem a mínima condição de ser levado a plenário para votação. Não há clima. A Operação O Quinto do Ouro, deflagrada com condução coercitiva do presidente da Alerj e prisão de cinco conselheiros do TCE-RJ, escancara o esquema implantado no governo Sérgio Cabral, que, em alguns aspectos, supera o apurado pela Lava Jato. Instalou-se em dois poderes do Estado do Rio, Executivo e Legislativo, um esquema de corrupção inimaginável. Surpreende que, com todo este esquema sendo desvendado, continue à frente dos interesses do Estado o governador Luiz Pezão, que foi alvo de delações. A engrenagem montada nesses dois poderes mostra com detalhes a sofisticação com que se saqueou o Estado, e o sr. Pezão ainda diz que o Estado passa por mau momento... Está difícil de ver os culpados por isso, governador?

 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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CONTENÇÃO DE DESPESAS

 

Transfira-se o TCE para o complexo Bangu. O Estado começaria economizando no prédio...

 

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

 

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TRIBUNAIS DE CONTAS

 

É lamentável vermos os Tribunais de Contas de todo o País, inclusive o da União, envolvidos em escândalos do mais baixo nível. Todos eles têm um corpo técnico da melhor qualidade. A maioria passou em concursos rigorosíssimos. Apuram corretamente desvios de conduta e até roubos praticados pelas administrações públicas de todos os níveis. Mas, infelizmente, são dirigidos por ex-políticos indicados pelos governadores e/ou prefeitos e suas análises dependem de Câmaras e Assembleias Legislativas. É urgente que se aprove um projeto que faça com que tenham autonomia para que seus trabalhos resultem em melhorias administrativas e minimizem a corrupção.

 

Iria De Sá Dodde iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

 

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ENQUANTO ISSO...

 

Uma juíza do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ministra Maria Thereza Assis Moura, monocraticamente, concedeu liminar para que Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, pudesse esperar o seu julgamento em prisão domiciliar. Essa decisão foi tomada diretamente de Paris, onde a magistrada se encontra – à custa do dinheiro do povo –, e contra a vontade da totalidade deste mesmo povo, que considera que a ré Adriana Ancelmo não merecia esse benefício, tal a sordidez dos crimes cometidos. Certamente, a juíza considerou mais do que tudo os laços afetivos que tem com a família de Sérgio Cabral, conforme fotos que circulam nas redes sociais mostrando essa proximidade. Ficaram faltando, para dar mais autenticidade à assinatura da liminar – já que ela foi concedida de Paris –, uma foto com um guardanapo branco na cabeça e a exibição da sola vermelha de um caríssimo sapato Loubotin, marcas registradas pelo grupo do ex-governador em sua última passagem pela cidade francesa.

 

Ronaldo Gomes Ferraz ronferraz@globo.com

Rio de Janeiro

 

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A SRA. CABRAL DE VOLTA AO LAR

 

Bela farsa! Mas não devemos nos preocupar: a casa dela já foi vistoriada para impedir que ela use telefone ou internet! E quando serão liberadas para prisão domiciliar as centenas de prisioneiras?

 

Geraldo F. Marcondes Jr. gfonsecamarcondes@uol.com.br

Taubaté

 

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PRISÃO DOMICILIAR

 

Bons exemplos de conduta dados pelos pais a seus filhos são sempre essenciais para educá-los corretamente. De que adianta, agora, depois de ter praticado inúmeros e vergonhosos ilícitos penais, o convívio de Adriana Ancelmo (mulher do ex-governador Sérgio Cabral) com seus filhos menores – motivo que a permitiu ser transferida para prisão domiciliar –, principalmente com as restrições que lhe foram impostas. O que ela terá, depois de seu deprimente comportamento, para ensiná-los?  Mostrar-se arrependida do erro cometido e tentar convencê-los de que o crime não compensa e que quem o comete deve responder perante a Justiça para sua reparação? Se, pelo menos, for essa sua atitude, talvez se justifique a mudança do regime prisional. Mas, mesmo assim, a pecha deixada em seus filhos permanecerá indelevelmente marcada.

 

Paulo Guida paulo.guida@yahoo.com.br

São Paulo

 

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ALÔ...

 

Quanto será que as vizinhas, as empregadas domésticas ou o gato da dona Adriana Anselmo vão cobrar por uma “ligadinha” por debaixo do pano?

 

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

 

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CUNHA CONDENADO

 

Eduardo Cunha é condenado a mais de 15 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Seria Lula o próximo da lista?

 

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

 

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AS CONTAS DO GOVERNO

 

Como sempre, os governos brasileiros nunca fazem a lição de casa direito. Como se não bastasse o miserê em que as empresas no País estão, o governo acabará com as desonerações de vários setores ainda produtivos, o que significa mais desemprego. Cortará, também, R$ 42,1 bilhões do Orçamento de 2017, o que afetará claramente a já precária empresa pública. Agora, quanto a cobrar os devidos e atrasados impostos de grandes empresas e bancos brasileiros, nada, absolutamente nada, mesmo diante do anúncio de seus lucros estratosféricos. Que tal o governo começar a cobrar os devidos e altos impostos tanto dos bancos quanto das grandes empresas, confiscando seus lucros demostrados em balanços anuais e abatendo-os de seus débitos com a União?

 

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

 

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AUMENTO DE IMPOSTOS

 

O ministro Henrique Meirelles afirmou que o aumento de impostos não foi generalizado, pegando apenas algumas categorias, e que não causaria ônus à população. Ora, ministro, não está na hora de jogarem limpo, sem colocar orelha de burro no povo brasileiro? Claro que seremos nós a pagar pelos aumentos, já que toda empresa repassa o aumento dos impostos que paga ao produto final. Chega de enganar, porque o povo não gosta.

 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

 

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O MEDO DO MINISTRO

 

Sempre que vemos alguma medida para controlar os gastos públicos e colocar as finanças  brasileiras nos trilhos, nos deparamos com aumento de impostos que oneram não só as empresas, que geram empregos, como os trabalhadores, que acabam pagando o repasse desses aumentos. Curiosamente, jamais se vê corte das mordomias nos Três Poderes, que não são poucas. Como podemos levar a sério um governo que insiste em não cortar na carne essas aberrações? É revoltante ver que um senador se aposenta com apenas 180 dias de mandato, com salário integral e mordomias estendidas a seus familiares, além de muitas outras pornografias que afrontam qualquer cidadão de bom senso. Uma reforma séria, sr. ministro, passa por medidas sérias, inclusive contra os poderosos. É fácil e covarde jogar o ônus nas costas de quem não tem como se defender e a quem só resta a resignação. Seja corajoso, sr. ministro, acabe com estas mordomias pagas pelo cidadão brasileiro aos chupins do dinheiro público. O Brasil está ao seu lado.

 

Elias Skaf eskaf@hotmail.com

São Paulo

 

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MEDO DE DIZER NÃO?

 

Pessoalmente, nunca concordei com as falas de dona Dilma Rousseff, fosse qual fosse o assunto. Mas, dias destes, Dilma, num de seus raríssimos momentos de lucidez, disse que o presidente Temer é medroso, tíbio e fraco. Concordo em gênero, número e grau com essa afirmação. Enquanto seu ministro Henrique Meirelles vive pregando falta de receita, acenando com aumento de impostos – mas nada de falar em cortes de mordomias –, o presidente Temer, para atender sabe-se lá a qual interesse, nomeia para um “cargo” meramente “aspônico” um obscuro ex-prefeito de Rio Claro (SP) para seu assessor especial. Este é um caso, certamente, de milhares de outros anônimos, de compensar aqueles que por absoluta incompetência, como é o caso de Rio Claro, não foram eleitos ou reeleitos para “mamar nas tetas da viúva”. Será que o presidente tem medo de enfrentar os seus colegas políticos, dizendo-lhes não?

 

Carlos B. Pereira da Silva carlosbpsilva@gmail.com

Rio Claro

 

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CAIU A FICHA

 

Conforme noticiado, o governo federal calcula um corte de R$ 42,1 bilhões nas despesas da União para garantir o déficit primário de R$ 139 bilhões fixado para 2017. Há tempos que o consultor econômico Raul Velloso vem alertando que o governo federal gasta de 70% a 75% da receita federal somente para pagar salários e benefícios, e só agora parece que “caiu a ficha”. Ufa!

 

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas

 

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ELE CEDEU

 

Mais uma atitude e demonstração de insegurança do presidente Michel Temer: em razão de pressões, na semana passada já abriu mão de enquadrar os servidores estaduais e municipais nas regras da reforma da Previdência que seu governo propõe. Agora, estuda negociar condições diferentes para os “rurais”. Como sempre, a conta será paga só pela população.

 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

 

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PREVIDÊNCIA

 

Ninguém deve ter dúvida sobre a necessidade urgente de uma reforma na Previdência. Entretanto, esta cláusula limite de idade mínima de 65 anos é, no mínimo, discutível. Vejamos, dentro das atuais condições de saúde, assistência médica e alimentação, dificilmente um trabalhador braçal que começa a trabalhar duro desde sua adolescência chegará vivo a essa idade-limite. Assim, entendo que o tempo de contribuição também deva fazer parte dos cálculos determinantes para a aposentadoria. Lamentavelmente, não assistimos a nenhuma movimentação no sentido da cobrança das dívidas bilionárias das empresas em falência (muitas vezes fraudulentas) para com a Previdência Social. Por outro lado, também não se fala sobre a destinação correta da arrecadação dos impostos e contribuições destinadas por lei para fazer frente às despesas do INSS.

 

Luiz Antônio Alves de Souza  zam@uol.com.br

São Paulo

 

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O PROBLEMA DO BRASIL

 

Custo aproximado de um deputado federal no Brasil: salário, R$ 26.700,00; verba de gabinete, R$ 94.300,00; auxílio-paletó, R$ 53.400,00; combustível, R$ 5 mil; auxílio-moradia, R$ 22 mil; passagens aéreas, R$ 59 mil; auxílio-saúde, valor ilimitado; auxílio-educação, R$ 12.100,00; auxílio-alimentação, R$ 16.400,00; auxílio cultural, R$ 13.400,00; auxílio dentista, valor ilimitado; auxílio farmácia, valor ilimitado. São 513 deputados na Câmara federal. Portanto, senhores e senhoras brasileiros, este é o custo Brasil que pagamos para sermos porcamente representados na Câmara dos Deputados. Se somarmos a esse absurdo os custos com vereadores, deputados estaduais e senadores, imaginem as cifras estratosféricas que bancamos dos nossos bolsos, cujos impostos pagam toda esta farra.  E o salário mínimo do trabalhador é de R$ 937,00, para sustentar a família, pagar aluguel, roupas, saúde, alimentação, etc. Será que o problema do Brasil são os aposentados? Será que esta reforma previdenciária é mesmo a solução para o problema da Previdência? Claro que não.

  

Rafael Moia Filho rmoiaf@uol.com.br

Bauru

 

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QUEM ESTÁ ERRADO?

 

O “Estado” publicou no domingo reportagem sobre os gastos adicionais em salários de promotores (“Diárias ampliam ganhos de promotores”, 26/3, A6). A legislação brasileira remunera muito bem os cargos públicos no Brasil, e promotores, juízes e oficiais de justiça estão entre os que têm os maiores salários. Minha crítica, entretanto, vem de outra questão: esses profissionais têm nível superior e nível altíssimo de cobrança e responsabilidade, além da periculosidade em julgar e acusar/defender criminosos. Por que não merecem o salário? Por que os médicos, que lidam com a vida e a morte todos os dias e têm altíssimo nível de especialização também, não têm nível semelhante de remuneração? É a grande questão! Por que os políticos têm salários equiparados? Estes, que em grande maioria não têm nível superior – alguns são analfabetos – ou tampouco especializações? Acabo de concluir 13 anos de formação médica como cirurgião plástico, com duas residências e dois títulos de especialista em minha área e atuo no setor público como clínico geral, com salário-base ao redor de R$ 4 mil, sem grandes bonificações e sem plano de carreira. Não há cargo público disponível em minha área de atuação e estes remuneram mal. Quem está errado?

 

Fernando Batocchio Quevedo fernandobquevedo@icloud.com

Sorocaba

 

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O TUMOR

 

A administração pública nacional, em todos os níveis, se assemelha a um enorme, gigantesco tumor purulento e putrefato que, a cada dia, vai debilitando mais o organismo da Nação. A cada “lancetada” dada pelas corajosas investigações jornalísticas, surgem o “pus e as secreções apodrecidas” contidos nesse tumor. A mais recente, noticiada no “Estadão” de 26/3/2017, mostra o escândalo de diárias, maiores do que um salário mínimo, pagas a promotores e procuradores de Justiça em deslocamentos curtos que não podem custar mais do que a quinta parte do valor pago. O pior é que essa diária, estabelecida para fazer frente a despesas de trabalho como ajuda de custo, acaba sendo incorporada ao salário destes “servidores” públicos, que no início de carreira percebem “astronômicos” R$ 25 mil, quantia muito maior do que a faixa salarial final recebida por várias funções de nível superior na iniciativa privada. Obviamente, tudo isso pago pela imensa maioria dos trabalhadores celetistas que ganham por mês menos do que um desses funcionários recebe como diária. Sendo incorporado, quando o servidor se aposentar, o salário “inchado” vai servir de base para o cálculo da sua aposentadoria integral. Como é rósea a vida de quem trabalha no serviço público! O terrível é que, se fossem dadas novas “lancetadas” na parte desse tumor que abriga os órgãos encarregados de combater a corrupção no País, tribunais, varas nas diversas instâncias, procuradorias, etc. de Brasília, Curitiba ou de outras cidades do Brasil, se encontrariam “secreções purulentas” semelhantes. Não seria isso uma forma de corrupção? A explicação (e nunca justificativa) para essa “podridão” seria a mesma de sempre: tais práticas são todas legais, pois fazem parte de normas e regulamentos devidamente aprovados “por quem de direito”. Sim, podem até ser legais, de direito, mas não são legítimas por serem injustas, indecentes e imorais. Essas práticas corrompem, no mínimo, o significado das expressões usadas para explicá-las (e nunca justificá-las). Por enquanto, a esmagadora maioria dos brasileiros continua em busca de um tratamento suave, “profilático”, que livre o País deste “tumor” sem grandes traumas. Esperamos que o tratamento não venha a se tornar “cirúrgico”, ou seja, agressivo e traumático.

 

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

 

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VONTADE POLÍTICA

 

É impressionante como o Brasil conseguiu em pouquíssimo tempo reverter uma situação que, num primeiro momento, parecia insolúvel: a chamada crise da carne, cuja exportação já está sendo retomada após a suspensão do embargo imposto por centenas de países mundo afora. Seria sensacional se nossas autoridades tivessem o mesmo empenho em equalizar com a mesma rapidez problemas que, embora não apresentem tamanha gravidade, afetam de maneira severa a nossa população, e que acabam demandando anos, décadas para que se chegue a uma solução. Quando chegam!

 

José Marques seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo

 

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ACIDENTE DE PERCURSO?

 

É interessante notar como está sendo resolvida a jato esta crise dos frigoríficos, posto que os países importadores já estão retomando a compra de carnes do Brasil. Há duas hipóteses: a primeira é de que realmente não havia qualquer problema com nosso produto; e a segunda é de que nossa “diplomacia” está apertando os botões certos. Cá entre nós, espera-se que a primeira conjectura seja a verdadeira. Se é que vocês me entendem...

 

Eleonora Samara eleonorsamara@bol.com.br

São Paulo

 

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CUMPRIMENTOS

 

Numa coisa temos de concordar: as rápidas e eficientes medidas tomadas pelo governo Temer e, principalmente, pelo seu ministro da Agricultura, Blairo Maggi, conseguiram reverter rapidamente uma situação crítica na exportação da carne brasileira. Parabéns!

 

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

 

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SANGRIA ESTANCADA

 

Gostaria de cumprimentar o ministro Blairo Maggi que, com técnica, capacidade e, principalmente, sabedoria, conseguiu contornar a crise da Carne Fraca, até porque, sem sua habilidade, nosso país  iria mergulhar  numa crise ainda pior que a crise que já vivemos, pois sem a interferência dele com autoridades do setor frigorífico do mundo inteiro milhares de brasileiros perderiam o emprego.

 

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

 

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LAMENTÁVEL

 

Vi com muita preocupação as notícias da demissão de 400 empregados do Frigorífico Peccin e da interdição por 90 dias de outros frigoríficos, o que quer dizer que eles serão fechados também. Não há empresa que suporte ficar 90 dias sem produzir. Muitas outras pessoas perderão seu emprego, com consequências terríveis para suas famílias e para os municípios onde estão instaladas essas empresas. Já o delegado da Polícia Federal causador deste imenso transtorno, que por vaidade conseguiu os seus cinco minutos de fama, deve estar sentado em sua escrivaninha cuidando do próximo escândalo. Agora, estão recolhendo todos os produtos das empresas interditadas, sem termos notícia de quais foram os lotes em que foram encontrados problemas que prejudicassem a saúde dos consumidores, e pelo menos até o momento não temos notícia da imprensa de que a Polícia Federal efetuou outras análises, a não ser os dois laudos apresentados na deflagração da Operação Carne Fraca. O Ministério da Agricultura tem de mostrar ao mundo que está tomando medidas enérgicas e essas empresas estão “pagando o pato” pelo estardalhaço deste caso. Em outros países, as empresas sofreriam uma intervenção (e não uma interdição), com o afastamento dos responsáveis até que tudo fosse apurado e esclarecido, e os responsáveis poderiam até ser banidos do mercado, mas as empresas continuariam sob nova administração, corrigindo-se o que está em desacordo com a legislação. Ou alguma empresa da indústria automobilística foi fechada pelas fraudes cometidas com a manipulação dos gases emitidos pelos seus veículos? E olhem que essa fraude é um crime contra o meio ambiente, com consequências para a saúde pública mundial. Bom, lamento que uma operação para apurar a corrupção no pagamento de propina, em que uma meia dúzia de pessoas seria presa, tomou esta magnitude pela irresponsabilidade de um delegado da PF. Daqui a seis meses a imprensa não falará mais nisso, mas os frigoríficos estarão fechados e as centenas de famílias dos desempregados e o poder público municipal estarão lidando com as consequências.

 

João Tortosa joao.tortosa@gmail.com

São Paulo

 

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CARNE FRACA

 

A carne dos matadouros que praticaram alguma irregularidade justifica o termo carne fraca. Aqueles que a produziram cometeram um crime que a Polícia Federal descobriu e, justamente, quer punir. Entretanto, a polícia cometeu também um gravíssimo erro, transformando o desvio de alguns frigoríficos num desastre que está atingindo os produtores honestos, que sem dúvida são a maioria, e provocando grandes prejuízos à economia da Nação. O protagonismo da Polícia Federal e de alguns procuradores é uma atitude nociva, que está fazendo parecer epidêmica a corrupção do País, quando, entretanto, é uma doença sistêmica limitada aos políticos e ao tradicional porcentual de desonestos. É mais do que justa a luta contra a corrupção, entretanto os servidores da lei deveriam aprender a servir em silêncio. O lema dos “carabinieri”, na Itália, traduzido, diz: habituados a servir em silêncio e em silêncio morrer. Talvez não funcione mais nem na Itália, mas é um bom lema.

 

Francesco Magrini framagr@ig.com.br

Cachoeira Paulista

 

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CONGRESSO NACIONAL

 

Que a nossa Justiça é branda e lenta nós já sabemos. Já que estamos sendo obrigados a aguentar figuras como os presidentes da Câmara e do Senado, gostaríamos que eles entendessem uns anseios básicos vindos da população que os elegeu. Deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), mesmo que venhamos a votar no seu partido político ou em qualquer outro que seja, nós continuamos querendo ter o poder de escolha do nosso candidato, não queremos que esse poder de escolha passe a ser do partido em questão, ou seja, o voto em lista fechada é um verdadeiro absurdo político-partidário. Senador Eunicio Oliveira (PMDB-CE), o foro privilegiado é algo antigo e obsoleto, vem da época da colônia, e em países desenvolvidos ou países que não cultuam a corrupção isso não existe. A população brasileira vive um momento de mudança de mentalidade e amadurecimento, e acreditamos que os políticos devem também pensar no Brasil grande, limpo, digno, e não, como andam fazendo alguns vários, pensando somente em si próprios. O foro privilegiado não só deve ir para discussão em plenário, como deve ser abolido, mesmo porque quem não deve não teme. Por fim, “avança, Brasil” e “viva a Lava Jato!”.

 

Rodrigo Affonso dos S. Echeverria rodecheverria73@hotmail.com

São Paulo

 

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LISTA FECHADA

 

Deputados e senadores implicados no atoleiro provocado pela Lava Jato querem transformar os eleitores em meros frequentadores de um baile de máscaras da lista fechada. Você não vota em pessoas, mas em letras identificadas por números (dezena, centena, milhar). De maneira nenhuma me submeterei a esse absurdo. Voto nulo e vou para casa tomar minhas cervejas.

 

Clodomir de Jesus Redondo clodoredondo@bol.com.br

Araçoiaba da Serra

 

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PARA NÃO VOMITAR

 

A “lista fechada” é para que você consiga votar, no escuro e sem vomitar nos mais ilustres corruptos do Brasil, aquelas raposas peludas que são os donos dos partidos e lideram as listas negras da Lava Jato.

 

Paulo Sérgio Arisi franciscoselles43@gmail.com

Porto Alegre

 

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BASTA!

 

Alguns políticos, a exemplo do governador Pezão e do deputado Vicente Candido, acham que em Brasília há plantações de árvores que dão dinheiro, porque Pezão disse há algum tempo que o governo federal tinha de socorrer o Rio de Janeiro porque eles não tinham banco nem imprimiam moeda. E, agora, Vicente Candido quer que o Tesouro crie um fundo eleitoral. Já não bastam o Fundo Partidário e o maldito horário político “gratuito” nos rádios e na TV, que só é gratuito para os políticos, porque nós, pobres mortais explorados e pagadores de impostos, é que pagamos por ele?

 

Roberto Reis roberresp@uol.com.br

São Paulo

 

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PÓS-VERDADE E PÓS-MENTIRA

 

O sr. Ciro Gomes, vice -presidente do PDT, adoraria ver sua fantasia de receber a bala Sérgio Moro e “a turma dele”, caso viessem a prendê-lo, transformada em fato real, mas atenuado pela turma do “deixa disso”, pois, assim, adquiriria a notoriedade de que necessita para alavancar seu projeto eleitoral. Por outro lado, Lula, envolvido em vários processos, deixa os fatos de lado e torna relevante o que deseja que as pessoas acreditem, quando constantemente repete que não há cidadão mais honesto e com mais lisura que ele no País. O primeiro cria um imaginário e deseja, para seu benefício, vê-lo transformado num fato, não, porém, até as últimas consequências; o segundo está diante de fatos, mas os despreza e constrói uma quimera que quer real. Lula é a pós-verdade; Ciro, a pós-mentira.

 

Paulo Roberto Gotaç  prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

 

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TERCEIRIZADOS

 

Ciro Gomes é um ferrenho defensor da terceirização.  Quando disse “vou receber a turma dele (Sérgio Moro) na bala”, referiu-se aos cangaceiros a seu comando.

 

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco

 

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O ETERNO E DESPREZÍVEL

 

O eterno e desprezível candidato ao Planalto, Ciro Gomes (PDT-CE) disse que, se Lula for candidato em 2018, ele não o será. “Muy amigo” “delle”, afirmou que seria um desserviço ao País a candidatura do barbudo. Já tentou duas vezes, mas não teve cacife popular para galgar a Presidência da República. Não satisfeito, afirmou que sua ex-esposa Patrícia Pilar (que é muita areia para o seu caminhozinho) tinha o crucial papel de dormir com ele. Chamou um eleitor de burro, disse que João Doria é “farsante”, que o juiz Sérgio Moro é exibicionista e que Michel Temer é golpista. Já para o povo brasileiro ele é um neurótico revoltado e maluco que deveria se tratar num hospício. Só isso!

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

                      

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OPERAÇÃO LIMPA BRASIL

 

Ciro Gomes, que como político nada de útil fez pelo Brasil, ameaçou o juiz Sérgio Moro de morte se ele aparecer no Ceará. Lamentavelmente, temos de conviver com políticos imbecis, corruptos e verdadeiramente bandidos. Precisamos de uma operação Limpa Brasil, não aguentamos mais todos os dias ver explodir novas denúncias de corrupção.

 

José Roberto Iglesias rzeiglesias@gmail.com

São Paulo

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