Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

01 Maio 2017 | 03h00

STF

Virar a página

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar Eike Batista, com a ressalva de que este deverá cumprir medidas restritivas em casa ou fora, porém com tornozeleiras. E mais, alega o ministro que os fatos de que Eike é acusado ocorreram nos anos de 2010 e 2011, ou seja, cinco, seis anos atrás. José Carlos Bumlai também já foi liberado pelo STF. A impressão com que nós, cidadãos de bem, ficamos é de que roubando e saindo em viagem, com o dinheiro bem “aplicado”, podemos voltar dentro de alguns anos e nada vai acontecer. Tomo a liberdade de sugerir que o juiz Sergio Moro prenda de imediato o chefão da quadrilha, que até o fim do ano estará livre para comandar sua volta ao poder. Depois disso, podemos virar a página e o último a sair faça o favor de apagar a luz.

EDUARDO A. DE CAMPOS PIRES

eacpires@gmail.com

São Paulo

Jurisprudência

Segundo Gilmar Mendes, a conduta supostamente criminosa de Eike Batista estaria ligada a um grupo político atualmente afastado da gestão pública. Então, ficamos assim: o sujeito se alia/se associa a um grupo no poder, rouba, suborna, faz caixa 2, lava dinheiro, pratica evasão de divisas, mantendo fortunas no exterior, etc. e tal, aí passa um tempo, afasta-se do poder e fica tudo como dantes no quartel de Abrantes? José Carlos Bumlai e Eike já estão fora. Os próximos seriam José Dirceu, Eduardo Cunha, Antônio Palocci? E o resto da caterva, do tipo Renan Calheiros, Romero Jucá, Sarneys pai e filha, Lula, etc., vai continuar livre, leve, solto e rico?

MARISA BODENSTORFER

Lenting, Alemanha

‘Constrangimento ilegal’

Impressionante a alegação para soltar o farsante, corrupto e pseudoempresário Eike Batista. O ministro deveria levar em consideração, na verdade, o constrangimento da população lesada pelos desvios de finalidade dos impostos pagos e usufruídos por esse indivíduo, e não soltá-lo por constrangimento, como justificado de forma, diria, cínica. Estão ficando cada vez mais claros para a população os reais motivos das sempre benevolentes atitudes do STF na defesa desses criminosos. Está mais do que na hora de a população focar e pressionar também os juízes de segunda instância nos julgamentos dos condenados em primeira instância da Operação Lava Jato. Esses colegiados precisam, sim, dar prioridade a tais processos, pois estamos em procedimento de cura de um câncer, no nosso país. E sabemos que não se cura câncer com analgésicos. Caso isso não seja feito em tempo hábil, a corrupção sairá vencedora e tudo ficará realmente como dantes...

MARCO AURÉLIO REHDER

marcoarehder@yahoo.com.br

São Paulo

Enquanto isso...

... aqui, na minha região, um funcionário de uma granja de galinhas está atrás das grades por ter-se apoderado indevidamente de uma dúzia de ovos...

VIRGÍLIO MELHADO PASSONI

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

GREVE DAS MORDOMIAS

Leitmotiv

O imposto sindical obrigatório rendeu R$ 3,6 bilhões em 2016 ao aparelho sindical. Isentos de tributação e de fiscalização. Este é o principal motivo da “greve” promovida por sindicatos e centrais: o fim de suas mordomias.

JOSÉ PAULO CIPULLO

j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto

Com 16 mil sindicatos e a média de 10 diretores em cada um, espalham-se pelo País centenas de pelegos a depredar bens públicos e impedir o direito de ir e vir. Prejuízo para mais de 200 milhões de brasileiros. Graças a Deus, chega ao fim esse odioso imposto sindical obrigatório. Vão ter de trabalhar!

HUGO JOSE POLICASTRO

hjpolicastro@terra.com.br

São Carlos

Lula fez falta

Nessa “greve” de sexta-feira ficou evidente a importância de Lula. Não havia um interlocutor de confiança com quem negociar uns pixulecos para abortar a manifestação.

CLAUDIO JUCHEM

cjuchem@gmail.com

São Paulo

É golpe!

A grande adesão à greve mostra que a Nação tem força moral para resistir às “reformas” intencionadas pelos golpistas.

TIBOR RABÓCZKAY

trabocka@hotmail.com

São Paulo

Reformas

Discordo dos que acham que as reformas serão prejudicadas pela greve. Ao contrário, a adesão ao movimento paredista foi próxima de zero, se forem considerados os milhões de trabalhadores que, impedidos de trabalhar por piquetes, bloqueios de ruas, estradas e avenidas e paralisação dos meios de transportes, preferiram ficar em casa, não sair às ruas em apoio aos sindicatos. Os grevistas nem sequer conseguiram preencher o Largo da Batata, aqui, em São Paulo. Apelaram para a violência, recurso de quem não tem um único argumento sólido para defender um ponto de vista. Caberá ao Congresso Nacional a escolha entre um Brasil viável e mais justo ou o caos.

MILTON PEREIRA DE TOLEDO LARA

t.lara@terra.com.br

São Paulo

Baderna

Agitadores e até motoqueiros armados impedindo a saída das garagens dos ônibus urbanos, barricadas com fogo prejudicando a circulação nas grandes avenidas da cidade, vandalismo com destruição de vitrines e saques em lojas, sabotagens nas linhas dos trens metropolitanos e muitas outras barbaridades, isso não é e nunca será uma manifestação a favor ou contra medidas do governo. É baderna orquestrada pela inconsequente e tristemente famosa turma do “quanto pior, melhor”.

LUIZ ANTÔNIO ALVES DE SOUZA

zam@uol.com.br

São Paulo

Contraproducente

O pequeno movimento de 28 de abril, chamado de “greve geral”, na realidade teve pouco de uma greve e nada de geral. Quem não apoiava as reformas trabalhista e previdenciária pode não ter ficado a favor delas, mas, certamente, a população está hoje, em grande maioria, contra os arruaceiros que saíram por aí obstruindo ruas e estradas, agredindo a imprensa e depredando bens alheios. A iniciativa pode ter sido um tiro no pé, pois, longe de atrair, afastou a possibilidade de novos simpatizantes do brado “fora Temer”.

VANDERLEI DE LIMA

toppaz1@gmail.com

Amparo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

DIA DO TRABALHO


Neste 1.º de maio, o trabalhador brasileiro não tem muito o que comemorar. O desemprego no País já atinge quase 14 milhões de trabalhadores, enquanto outros tantos milhões estão na informalidade. Não é por acaso que todos os anos o dia 1.º de maio é consagrado à classe trabalhadora, quando acontecem muitas comemorações e protestos pelo Brasil e no mundo. Centrais sindicais promovem concentrações, manifestações, comícios, festejos e até mesmo sorteio de eletrodomésticos e automóveis para atrair o público, para lembrar os direitos dos trabalhadores e quanto sofrimento foi preciso para conquistá-los – e agora correm o risco de perder parte desses direitos diante das reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo governo federal. Então, neste 1.º de maio, comemorar o quê? Em 1866, a associação internacional dos trabalhadores decidiu, em congresso realizado em Genebra, na Suíça, lutar no mundo inteiro para que o trabalho não ultrapasse 14 e até 18 horas por dia. Porém, passados 20 anos daquele congresso, operários norte-americanos ainda não tinham conseguido esse direito. Então, operários de Chicago decidiram fazer uma greve geral marcada para o dia 1.º de maio de 1886. A repressão policial castigou duramente os grevistas, atirando bombas contra os trabalhadores, que estavam desarmados. Passado quase um século e meio, a situação dos trabalhadores que reivindicam seus direitos não tem sido diferente. Homens, mulheres e crianças foram presos e seus principais líderes, condenados à morte. No dia 11 de novembro de 1887 foram enforcados na prisão os sindicalistas Spies, Ficher, Engel, Parsoms e Teodoro. Ling se suicidou, e esse crime contra o direito dos trabalhadores tornou-se símbolo de suas lutas e hoje é relembrado no dia 1.º de maio. O direito a oito horas de trabalho por dia só foi conquistado pelos trabalhadores em 1932. Lembrando que, no Brasil, até 1987, a jornada semanal era de 48 horas. A partir da Constituição de 1988, entretanto, a jornada média foi fixada em 44 horas semanais, variando em algumas categorias, como a dos metalúrgicos das montadoras, em que a jornada é de 40 horas. Nesta segunda-feira, 1.º de maio, os trabalhadores não terão muito o que comemorar, já que o desemprego que assola o País continua aumentando, mesmo com as intervenções do governo na taxa de juros, por exemplo. A cada dia cai mais o poder de compra, em decorrência da perda de renda. Com as mudanças que virão, o País tende a sair da celeuma em que se encontra hoje.


Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul


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REFORMAS AVANÇAM


Ótimo para o País: uma ampla reforma trabalhista, sem que sejam feridos os direitos dos trabalhadores, finalmente foi aprovada na Câmara dos Deputados.  Graças ao bom diálogo que o Planalto vem mantendo com o Congresso, a aprovação mereceu expressiva margem de 296 votos a favor e 177 contra. Uma vitória dos trabalhadores, empresários e responsabilidade saudável para os sindicatos, que devem acompanhar e dar seu aval também aos acordos firmados entre as partes, o que evitará o absurdo do crescimento das ações trabalhistas. Como mantido no texto final, “a convenção ou acordo coletivo tem força de lei e prevalecerá sobre disposições legais”. É bom frisar que o projeto desta reforma nasceu na Câmara dos Deputados e merece o nosso aplauso. Ele tem o mérito de corrigir, depois de décadas, falhas imperdoáveis da nossa retrógrada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Também a nossa economia será beneficiada com a aprovação da reforma, já que ela vai simplificar e modernizar a relação capital/trabalho.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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IMPOSIÇÃO


A classe empresarial por certo está satisfeita com a tramitação do projeto de reforma da CLT. Por coincidência, ele tramita num momento em que a classe trabalhadora mundial está sendo chamada a comemorar o seu dia, o 1.º de Maio. Por certo, mais cedo ou mais tarde serão realizados movimentos de trabalhadores, pois o método empregado pelo atual governo foi a imposição, atendendo aos interesses de uma das partes.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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CALÇA VELHA


Nossa CLT é tão ruim quanto uma calça jeans velha e corroída por traça: qualquer remendo pode melhorar.


Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo


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MODERNIDADE


O moderno nem sempre é bem-vindo para todos. Existem modernizações que, na verdade, trazem o retrocesso e a decadência. Hitler e seus partidários se diziam modernos e modernizantes. Da mesma forma, esta tal “modernização trabalhista” vem para instalar o caos e a insegurança, a assimetria na relação capital/trabalho, sufocando conquistas e direitos históricos, assim como Hitler e sua modernidade realizaram na Alemanha a “modernidade” imposta pelo capital e pelo patronato.


Nélio Índio do Brasil nelioindiodobrasil@gmail.com

Campinas


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URGÊNCIA


O que interessa, mesmo, no momento é a terceirização de todas as atividades e o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. O resto... poderá vir com o tempo, sem pressa.


Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)


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ESTÁ FALTANDO SINDICATO!


Com quase 17 mil sindicatos, entre as reformas articuladas pelo governo federal para modernizar o País está o fim do imposto sindical obrigatório. Infelizmente, ainda não pode, porque faltam criar sindicatos do mico leão, das árvores desmatadas, das ararinhas azuis, dos lobos-guarás, das águas roubadas pela transposição do Rio São Francisco, etc. Muitos sindicatos ainda precisam ser criados empenhados em proteger os representantes legais da nossa fauna e flora! Se o imposto acabar, quem os protegerá?


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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JUSTIÇA


Finalmente, justiça foi feita com os trabalhadores brasileiros, agora desobrigados de pagar a contribuição sindical.


Moises Goldstein mgoldstein@bol.com.br

São Paulo


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SEM TETA


Com o fim do imposto sindical obrigatório, seus líderes, agora sem teta, logo passarão a engrossar a fileira dos sem teto.


Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo


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IMPOSTO OBRIGATÓRIO


Toda a pressão dos sindicatos pela tal “greve geral” da última sexta-feira se deveu ao desespero dos sindicalistas vagabundos que vão perder a mamata, com o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. No mais, não estão nem aí para as reformas trabalhista e da Previdência. Querem mesmo é garantir o deles. Acorda, Brasil!


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz


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NOVO SINDICALISMO


O enorme esforço das entidades sindicais de trabalhadores para paralisar o País demonstra o desespero de tais organizações, em face das reformas que estão sendo objeto de análise e votação no Congresso Nacional. A consequência da postura dessas lideranças de classe é a convicção da esmagadora opinião pública nacional de que elas só visam aos interesses corporativistas individuais desses líderes, que percebem, caso as reformas estruturantes de que tanto necessitamos sejam aprovadas, que tais poderes  desaparecerão, dando início a uma nova era, de um sindicalismo moderno e atuante, que virá em benefício da imensa classe trabalhadora brasileira neste início de milênio.


José de A. Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro


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28 DE ABRIL


Para fugir do trabalho, os “grevistas” saíram pelas ruas queimando pneus...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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DIA DO PELEGO


Como já sugerido no “Fórum dos Leitores”, o dia 28 de abril deveria daqui por diante ser o Dia Nacional do Pelego, ou Dia Nacional da Mamata Sindical, ou, ainda, Dia da Consciência da Picaretagem Sindical.


Luiz Henrique Penchiari lpenchiari@gmail.com

Vinhedo


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‘A HERANÇA DO PRÓXIMO PRESIDENTE’


Excelente o artigo “A herança do próximo presidente” (“Estadão”, 27/4, B12), de Zeina Latif.  Qualquer partido político com aspirações à Presidência da República e o mínimo de bom senso deveria apoiar as reformas propostas pelo atual governo, principalmente a da Previdência, que nenhum dos governos passados teve a coragem e a competência de implantar, apesar de todos terem tentado, principalmente Lula no seu período de maior popularidade e aprovação. As reformas são necessárias, todos concordam. Sem as necessárias reformas, o Brasil se torna ingovernável para o próximo presidente e a previdência pública sucumbe sem sustentabilidade econômica em poucos anos: apenas em 2018 o rombo será maior que R$ 200 bilhões, já inevitável, mesmo que a reforma seja aprovada.


Vagner Ricciardi vb.ricciardi@gmail.com

São Vicente 


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PARÁBOLA DO PARQUE


Era uma vez uma cidade. Construída ao redor de uma floresta belíssima de quatro quilômetros quadrados, que formavam um perfeito quadrilátero, a cidade tinha apenas quatro ruas, de dois quilômetros cada, que cercavam o terreno, ocupando todo o lado de fora da floresta. Assim, as casas, belíssimas e todas iguais, davam para a rua. Todas elas tinham um belo quintal, voltado para dentro e, logicamente, com vista para a floresta. No centro do terreno, a bela mata, que tinha lagos, pássaros silvestres e pequenos animais, foi transformada num parque com acesso a todos os habitantes. Todos viviam felizes e em paz. Toda e qualquer proposta de melhoria era submetida aos moradores, que sempre concordavam, em absoluto consenso. Até que um dia alguém pensou em aumentar o parque comunitário. Fizeram um plebiscito. Todos concordaram. Por aclamação. Afinal, quem não gostaria de ter um parque maior? Acontece que só havia uma maneira de aumentar o parque, uma vez que o terreno era totalmente cercado pelas ruas e suas casas: cada morador deveria ceder 10% de seu quintal para a expansão do parque. Nesse momento, começaram as brigas. Cada um encontrando um motivo para que seu quintal ficasse intacto. “Que pegassem o quintal do vizinho. Afinal, no meu tem uma piscina. Como vou destruí-la?” “E eu, que ladrilhei todo o quintal, quem vai me pagar o prejuízo?” “Pior é o meu caso, que tenho cinco carros – só uso dois –, mas não tenho onde guardar os outros.” “E eu, como faço com meus churrascos para mais de 200 pessoas? Tirem o quintal dos outros, que meu churrasco é mais importante.” A partir daquele dia começou uma guerra entre a vizinhança, com acusações mútuas, fofocas, mentiras, brigas de comadres. Acabou-se a paz da cidade. Um esperto empreiteiro, que morava em outra cidade, aproveitou a confusão para comprar três casas vizinhas, derrubá-las, abrir uma passagem e lotear toda a floresta, que hoje tem favela, assaltos, trânsito, alagamentos, boca de tráfico, inflação, etc. Não sei por que, mas hoje, ao criar esta despretensiosa parábola, logo me lembrei da reforma da Previdência...


Percy de Mello C. Junior percy@replicante.com.br

Santos


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NÃO RESOLVERÁ


Tudo indica que este Titanic movido com o suor dos trabalhadores conseguirá arrebentar o iceberg, não afundará e prosseguirá a viagem, para felicidade de todos os integrantes governamentais, políticos e empresários corruptos que sugaram e continuam sugando o seu sangue sem que os brasileiros beneficiários e sustentadores da Previdência fiquem sabendo oficialmente quem são os verdadeiros responsáveis pelo monstruoso rombo em que foi enfiada essa entidade que deveria garantir a tranquilidade na velhice do povo brasileiro. Eu acredito que essa reforma virá, mas não resolverá. Porém, a verdade um dia virá!


Benone Augusto de Paiva benonepaiva@gmail.com

São Paulo


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NO FUTURO


A camarilha do governo Temer teima em dizer que a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária será o bálsamo da economia tupiniquim. Parte considerável da mídia entende que sim e apoia o que está sendo dito e está escrito em ambos os projetos. Como sempre, no Brasil, daqui a alguns anos, ninguém se lembrará dos discursos contrários e dos avisos dos especialistas quando perceberem que as reformas eram pífias, mal elaboradas e sem a amplitude que se cogitava. Como dizer daqui a três ou quatro anos que a Previdência tem déficit e está com problemas? Como sustentar que as reformas não alavancaram novos postos de trabalho e a própria economia? Quem será cobrado? Quem será responsabilizado? Espero que todos se lembrem bem dos discursos e dos defensores destas reformas, para que não tenhamos de desenhar novamente para eles o grande problema em que nos meteram por falta de inteligência e honestidade de princípios.

  

Rafael Moia Filho rmoiaf@uol.com.br

Bauru


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O TESOURO AMEAÇADO


A reforma da Previdência em tramitação no Congresso Nacional é extremamente importante para o futuro do País. Se nosso Congresso não mantiver o rigor dos pontos essenciais da proposta do governo, voltaremos a ser um “paizinho da América do Sul”, sem grandes atrações para investimento de empresas nacionais e estrangeiras, porque um porcentual cada vez maior do dinheiro público deverá bancar a Previdência. Adeus à modernização da infraestrutura. Temo por nosso Congresso, que muitas vezes prefere agradar a alguns eleitores sem se importar com o futuro do País. Isso já aconteceu várias vezes. Temos de seguir caminhos já explorados por outras nações que fixaram em 65 anos a idade mínima para aposentadoria. Fiquem atentos, os próximos dias determinarão o nosso futuro.


Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br

São Paulo


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REFORMA POLÍTICA


Cumprimentamos o professor José Eduardo Faria, da FGV, que no “Debate Estadão – a reforma política que queremos” (28/4, A8/A9) defendeu uma mudança na distribuição de cadeiras no Congresso Nacional, considerada por ele “desproporcional ao número de eleitores e à população das regiões do País”. Realmente, o golpe militar de 1964, além de outros malefícios, deixou-nos uma herança maldita. Por um ucasse da ditadura, a representação parlamentar dos paulistas no Congresso Nacional foi reduzida, ficando desproporcional ao tamanho do eleitorado de nosso Estado. Essa injustiça histórica, que diminui nossa cidadania, foi posteriormente consagrada pela Constituição de 1988, que considera todos os brasileiros iguais, mas sendo uns mais iguais que outros. Já é tempo de reagir e exigir o restabelecimento da representação correta, ampliando o número de nossos parlamentares.


Arsonval Mazzucco Muniz arsonval.muniz@adv.oabsp.org.br

São Paulo


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FÓRUM ‘ESTADÃO’


Parabéns ao “Estadão” e à Fecomercio pelo evento realizado na quinta-feira com casa cheia e que nos ajudou a pensar a respeito de nossos caminhos (“Debate Estadão – a reforma política que queremos”). Porém, um aspecto triste foi que só se viam pessoas idosas, eram raros os jovens. Mesmo sabendo que o mundo digital está criando novos caminhos para essas discussões e constatando que partidos e sindicatos já não conseguem se adaptar a esse mundo novo, é uma pena que poucos jovens tenham achado válido participar deste evento que certamente teria contribuído para sua compreensão melhor desse tema.


Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo


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‘MANIFESTO À NAÇÃO’


Até agora não entendi por que nenhum dos três destacados advogados que redigiram o brilhante “Manifesto à Nação”, publicado no “Estado” de 9/4/2017, foi convidado a participar do “Debate Estadão – a reforma política que queremos”, pois nesse manifesto é proposta “a reforma política que eu quero, assim como o resto do Brasil quer”.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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O BRASIL TEM DE ACORDAR


Nascido nos anos 40, com mais de 50 anos de advocacia, assinante de “O Estado de S. Paulo” há 59 anos, acompanho cotidianamente a política nacional. Jubilosamente, deparei-me no dia 9/4 com o “Manifesto à Nação”, lançado por Modesto Carvalhosa, Flávio Bierrenbach, e José Carlos Dias, a quem, contritamente, peço vênia para assinar com eles este grito de alerta. Será que teríamos de ingressar numa revolução aberta, como a francesa, a russa ou a espanhola, para nos livrarmos destes sugadores da Pátria?! O Brasil atual está completamente fora da realidade! Nossa Constituição federal é tão enganadora e irresponsável quanto estes ladravazes esquerdistas, que prometem a todos a Terra e o Céu, sabendo que não contam com nada a ser partilhado, senão a mera ilusão de um paraíso inexistente, tal prometendo sem qualquer possibilidade de cumprir suas fantasiosas promessas de eternas campanhas. A Constituição de 1988 prometeu o que jamais poderia cumprir, já que nem se fôssemos o mais rico país do mundo não se conseguiria entregar tudo o que os constituintes de 1988 tiveram a irresponsabilidade de assegurar aos seus concidadãos. O Brasil precisa cair na realidade! Seu estágio de desenvolvimento atual, debalde alguns esforços bem-sucedidos, está bem mais atrasado do que a maioria dos países da Europa mediterrânea, sem falar em Estados Unidos, Japão, Alemanha, países escandinavos e a própria Coreia do Sul, que vem nos dando um banho de capacidade de organização e desenvolvimento socioeconômico, fazendo o dever de casa com uma disciplina a fazer inveja aos prussianos de Bismarck. Por isso, acolho entusiasticamente quase todos os pontos das políticas elencadas pelos três ilustres manifestantes, fazendo uma única ressalva, quando propõem a vedação ao exercício de qualquer cargo público por congressistas. A objeção se assenta na minha proposta de reforma, a qual, entendo, deva ser o governo estruturado num presidencialismo mitigado, isto é, um presidencialismo não ditatorial, como vem sendo o presidencialismo brasileiro, em que a forma de governo preconizada seja o parlamentarismo representativo, devendo a chefia de governo ser liderada por um parlamentar escolhido entre seus pares, que elegeria um primeiro-ministro, que, por sua vez, formaria livremente o seu gabinete, mais ou menos como vêm fazendo França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Japão e tantos outros. O primeiro-ministro chefiará o governo. Ao presidente da República caberá a chefia do Estado, ao mesmo sendo conferido o poder de dissolver o Parlamento, convocando novas eleições, ante eventuais impasses em que não lograsse o próprio Parlamento estruturar um governo de coalisão com as forças políticas componentes do Congresso Nacional. Quanto ao mais, essas imorais benesses, com os afrontosos privilégios, deverão ser sumariamente cortadas, numa sociedade onde possa imperar não apenas a igualdade, mas, também, a isonomia em sua mais clara expressão. É inadmissível que uma sociedade no estágio civilizatório que logramos alcançar possa ostentar tantas mordomias e hediondos privilégios, como se fôssemos uma Índia piorada. Em certos aspectos o Brasil está pior do que os mais atrasados países africanos, ou o próprio Brasil Colônia, onde se dizia que a Coroa Portuguesa só fazia explorar seus territórios; ou o dos dois reinados, no tempo do Império, quando os reis portugueses aquinhoavam seus apaniguados com títulos nobiliárquicos temporários ou um cartório extrajudicial (o que o Brasil faz até nos dias atuais) em favor dos protegidos da “Corte”, mantendo a imensa maioria da população brasileira a viver como puder: ao Deus dará. Acorda, Brasil!


Raymundo do Prado Vermelho raymundo@rvermelho.adv.br

Maringá (PR)


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ABAIXO-ASSINADO


Finalmente uma proposta que é uma resposta erudita, lúcida, consciente, com diagnósticos cirúrgicos e soluções contempláveis e alentadoras para o sofrido povo brasileiro, atônito diante do caos que se tornou o nosso Brasil (“Manifesto à Nação”, 9/4, A2). Agradeço e acompanho os eminentes juristas Modesto Carvalhosa, Flávio Bierrenbach e José Carlos Dias, assinando embaixo o seu “Manifesto à Nação” e a mobilização social que deverá segui-lo. Vamos divulgar e viabilizar, talvez com um abaixo-assinado, essa luminosa formulação que nos faz ver uma luz no fim do túnel.


Renata Miceli Zoudine lu2003sp@hotmail.com

São Paulo


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O PODER POPULAR


Não tem como não concordar com os temas constitucionais para uma reforma indispensável (“Manifesto à Nação”, 9/4, A2)! Li uma carta de leitor que dizia: se as pessoas sórdidas se unem e constituem uma força, as pessoas de bem devem se unir e também constituir uma força! Sabemos que, com este Congresso, não conseguiremos as mudanças necessárias, porém temos de ter em mente que o poder emana do povo!


Cleo Aidar cleoaidar@hotmail.com

São Paulo


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OS PARQUES DE SÃO PAULO


O editorial “Parques abandonados”, de 22/4 no “Estadão”, é uma importante lembrança sobre o estado lamentável em que o ex-prefeito Fernando Haddad deixou os nossos parques. E poderia ir mais além, se abordasse as áreas de mananciais e Mata Atlântica que ele entregou aos invasores integrantes do MTST, e logo à beira de suas represas, Guarapiranga e Billings, que fazem parte de nossas reservas de água potável. A cidade de São Paulo possui um território de 1 522,986 km², incluindo a área da Serra do Mar, ainda com razoável preservação da Mata Atlântica, até a divisa com a cidade de Itanhaém. É um território maior que muitos países da Europa e de alguns Estados brasileiros, mas a sua área urbana é totalmente carente de área verde. Segundo levantamento realizado pela equipe do professor Paulo Saldiva, da USP, em 2011, tínhamos 2,5 m²/habitante, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 12 m²/habitante. E com certeza esse índice diminuiu bastante, de lá até hoje. Eu e um outro engenheiro fomos incumbidos, em 1984, na gestão do prefeito Mário Covas, a vistoriar todos os parques municipais da nossa cidade, e os encontramos bem arborizados e limpos, apenas com algumas deficiências de equipamentos, na maioria manuais para a sua manutenção, que, aliás, era o objetivo de nossa vistoria. A sede do Parque do Carmo, que anteriormente foi uma fazenda, era luxuosa, seu banheiro com peças de mármore de Carrara, etc. Ao ler o editorial de 22/4, não pude deixar de sentir um desprezo pelo prefeito que saiu. Ele poderia ter acomodado os moradores sem-teto, sem atender às invasões, em outras áreas da cidade, sem prejudicar o abastecimento da cidade e a qualidade da sua água potável. O prefeito João Doria tem um projeto para a concessão para a manutenção dos parques através da iniciativa privada, mas tal iniciativa não poderá acarretar ônus à população, já que os impostos que paga incluem a manutenção dos parques, entre outras atribuições. A prefeitura tem um crédito de R$ 100 bilhões, com 38% de créditos podres, e, com o dinamismo do prefeito Doria, espera-se que ao menos uma boa porcentagem deles possa ser quitada, podendo parte ser aplicada na recuperação dos parques.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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ABUSO DE AUTORIDADE


Será que o abuso de autoridade (policial) em relação aos moradores de periferia também será enquadrado na nova lei de Abuso de Autoridade, aprovada no Congresso Nacional, ou será que a porta do pobre ainda será arrombada a pontapés e os tapas no rosto ainda serão desferidos por causa de um cigarro de maconha? Ou a lei só serve mesmo para colarinho branco que corre da Operação Lava Jato como vampiros do alho? Eis a questão.


Leandro Ferreira leandroferreoradasolva@gmail.com

São Paulo


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FOI QUASE, RENAN!


Renan Calheiros acerta em cheio quando aponta para a necessidade de uma lei para coibir abusos de autoridade. Afinal, nossas autoridades não podem legislar em causa própria. E suspeitos de irregularidades não podem decidir assuntos que afetam as investigações e o julgamento de seus próprios casos. Assim, sempre que determinada matéria que lhes afetar diretamente for levada em pauta, os parlamentares afetados deveriam estar impedidos de participar das deliberações e das votações a respeito. Só que não é isso o que o seu projeto de lei propunha. Coitado do Renan, acertou no título e errou no conteúdo. Valeu a “boa intenção”!


Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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IMPUNIDADE PREMIADA


O Brasil inteiro deve torcer para que os próximos acordos de delação iluminem os porões do Supremo Tribunal Federal (STF), esclarecendo, principalmente, o comportamento sistemático de alguns dos seus ministros. Do contrário, o conjunto Polícia Federal, Ministério Público e procuradores da República terá trabalhado em vão. No momento, a opinião pública lê o futuro de corruptos e corruptores condenados pela Lava Jato: processos emperrados e prisões de brevidade intolerável. Tudo, é claro, com o aval da Justiça.


Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)


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OS ENCANTOS DE PORTUGAL


Afinal, qual é o encanto que Portugal tem sobre os ministros do STF Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes? Lewandowski se reuniu com Dilma Rousseff lá e, depois, espancou a Constituição, separando o inseparável: o impeachment da cassação dos seus direitos políticos. E, no retorno de Gilmar Mendes de lá, com Dias Toffoli a reboque, o trio mandou soltar dois condenados pela Lava Jato.  Curioso. Será que voltamos a ser a colônia?


Jair Nisio jair@smartwood.com.br

Curitiba


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‘UM INIMIGO DO POVO’


Foi essa a referência que o ministro relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, fez aos seus pares quando percebeu a intenção da turma de libertar vários condenados. Ora, a obra “Um inimigo do povo” é do escritor norueguês Henrik Ibsen, que, em pequena síntese, afirma que um médico denunciou que a água da cidade estava contaminada. Com a notícia, o turismo local ficou às moscas e o povo, por sua vez, se viu obrigado a suportar prejuízos e, ao mesmo tempo, condenou o médico pelas verdadeiras declarações. Ou seja, seria melhor calar-se e deixar as coisas acontecerem ou mostrar o problema e suportar o ônus dessa rebeldia? É o que pensam alguns ministros do Supremo Tribunal Federal em seus votos!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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