Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

02 Junho 2017 | 03h03

CORRUPÇÃO

É isto a mídia?

Concordo com o editorial É isto a justiça? (1.º/6, A3), que critica o escandaloso acordo firmado entre Joesley Batista e Rodrigo Janot. Também acho um absurdo Joesley ficar totalmente impune por todo o mal que causou ao nosso país. Mas discordo do editorial quando critica o juiz Sergio Moro, dizendo que ele tem “uma visão muito peculiar de justiça” e que as delações não estão acompanhadas de provas materiais. Será que todo o dinheiro recuperado dos delatores não é prova material? E seguindo o dinheiro recuperado e as “dicas” dos delatores, será que a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público (MP) não encontrarão muito mais dinheiro escondido? Quanto a Michel Temer, ele pode ter sido prejudicado pelo vazamento das gravações, mas não é santo e está rodeado de pessoas envolvidas até o pescoço com a Lava Jato. O MP ou quem quer que seja que vazou parte das gravações tem culpa, mas a mídia não fica atrás, pois aproveitou o episódio para faturar também. Será que a PF, o MP ou a mídia não conseguem descobrir quem vazou, de forma criminosa, essas informações? Esse informante é o verdadeiro vilão dessa história e precisa ser punido, não os “meninos” de Curitiba. E se existem políticos bons, eles que se apresentem e comecem a trabalhar, aprovando as reformas necessárias para tirar o País da crise, pois até agora só vejo os políticos corruptos tentando achar um jeitinho à brasileira para se safarem. Atualmente estão contanto até com a ajuda da mídia.

MARIA CARMEN DEL BEL TUNES

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

Eventos combinados?

O jornalista Lauro Jardim, que revelou a notícia da gravação do presidente Temer pelo dono da JBS, disse que baseou seu “furo” em transcrição feita pela Procuradoria e que até então não ouvira a gravação. Conclui-se que o material veio da Procuradoria. A primeira dúvida: alguém já comparou essa transcrição, espalhada aos quatro ventos, com o que ouvimos da gravação? Ainda segundo os jornais, o dono da JBS transferiu-se para Nova York no dia 10 e a divulgação da transcrição foi feita em 17 de maio. Nesse ínterim o dono da JBS teria comprado dólares e vendido ações, indicando que sabia que a divulgação estava prestes a ser feita e seria sucedida por débâcle econômico. Tal sequência de eventos sugere ter havido um entendimento do tipo “você está livre, saia daqui, vá para fora, que no dia tal vamos divulgar a fita e vai ser um fuzuê”. Quem, da Procuradoria ou outro órgão, cometeu o crime de deixar vazar uma transcrição de fita sigilosa? Quem mais, além dos da JBS, ganhou com essa divulgação? Foi a melhor forma de tratar do assunto? São questões importantes, pois esses mal conduzidos eventos levaram a grande instabilidade e prejuízo ao País. Vai ficar por isso mesmo?

WILSON SCARPELLI

wiscar@terra.com.br

Cotia

Silêncio ensurdecedor

O que dizer do silêncio do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e do ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as delações dos irmãos Batista, que também denunciaram Lulla e Dil-lma? Pelo jeito, quanto mais alta a propina, menos importante se torna. Lulla continua com movimentos para se eleger agora, caso passem no Congresso as diretas já, ou em 2018. São US$ 150 milhões de propina, meio bilhão de reais, que vieram de empréstimos do BNDES e poderiam ter sido investidos nas microempresas, as que empregam 75% dos brasileiros. Por enquanto a espuma foi centrada no presidente Michel Temer, que representa o presente. Mas o passado delinquente insiste em voltar. Vai ficar por isso mesmo? A conferir...

BEATRIZ CAMPOS

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

Gravações da JBS

Vimos que o sr. Joesley gravou o presidente Temer, que recém-completou um ano de mandato, e está causando todo esse pandemônio. Gostaria de saber quantas gravações ele fez com o ex-presidente Lulla, que durante oito anos de governo abasteceu o caixa da JBS com mais de R$ 8 bilhões financiados a preço de banana pelo BNDES. Se disser que não fez nenhuma gravação, essa história estará mal contada.

LUIZ ROBERTO SAVOLDELLI

savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo

A delação do diabo

Se o diabo fosse preso e buscasse a redução de sua pena pela delação premiada, como esta se daria? Continuaria ele a mentir e a acusar, de acordo com a sua própria maligna natureza! Para justificar seus argumentos, correria atrás da fabricação de provas fraudulentas, que é a sua especialidade, claro. Cabe aos condutores desse processo de delação distinguir entre “Dimas”, o ladrão que teve arrependimento genuíno de suas transgressões e usaria a delação no compromisso com a verdade, e “Judas”, que se vendeu ao diabo por algumas dracmas e não se arrependeu, mas se suicidou. Considero inaceitável colocar uma “delação” no “ventilador do País”, provocando uma enorme tempestade, sem sequer antes ser avaliada a consistência dessas “provas” apresentadas, pondo o Brasil no limbo, entre o céu da recuperação, que já ia despontando, e o inferno do retrocesso!

SILVIA REBOUÇAS P. DE ALMEIDA

silvia_almeida7@hotmail.com

São Paulo

FORO PRIVILEGIADO

Ponto sem nó

Os eminentes senadores, ao aprovarem a PEC que extingue o foro privilegiado, demonstraram que não se dispõem a dar ponto sem nó. Estrategicamente, votaram-na excluindo do texto a possibilidade de execução de pena logo após condenação em segunda instância. Ficou claro o intuito de se livrarem de condenações com decretação de prisão que possam ser confirmadas por essa jurisdição superior. Com inúmeros recursos em suas mãos, a decisão final voltará a ser do STF. Ganham tempo e se beneficiam. Não surpreende a votação unânime.

PAULO GUIDA

paulo.guida@yahoo.com.br

São Paulo

Mais privilégios

Diante da unanimidade (69 a 0) no Senado, logo vi que haveria algo que favorecesse os políticos. De fato, a PEC prevê que eles ficarão isentos de cumprir pena se condenados em segunda instância, só a cumprirão se condenados pelo STF, como hoje. No entanto, como o processo, pela PEC, começa na primeira instância, serão adicionados uns oito a dez anos à duração do processo. O que já era bom para os políticos ficou melhor ainda.

HAMILTON CARVALHO

hamiltonbcarvalho@gmail.com

Barueri

Estão acabando com o foro privilegiado para aprovar o foro superprivilegiado. Não é à toa que a votação foi por unanimidade.

DÉCIO ORTIZ

decio.ortiz@uol.com.br

São Paulo

“O que o Senado aprovou é uma vergonha! Eles continuarão a ser ‘mais iguais’ que os demais brasileiros”

JOSÉ ROBERTO IGLESIAS / SÃO PAULO, SOBRE O NOVO FORO MAIS QUE PRIVILEGIADO

rzeiglesias@gmail.com

“O povo quer saber: que história é essa de o delator da JBS Ricardo Saud ter feito um ‘road show’ com o sr. Edson Fachin pelos gabinetes dos senadores, às vésperas da sua sabatina para o STF?”

FREDERICO D’AVILA / SÃO PAULO, SOBRE O CASO DOS BATISTAS

frederico@fda.agr.br

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CONSELHO DE ÉTICA?

O Conselho de Ética do Senado anunciou, sem corar, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) como membro titular do órgão, cujo objetivo é analisar denúncias por quebra de decoro parlamentar que podem levar à cassação de mandato. Só mesmo no macunaímico país da jabuticaba, do samba e do carnaval um político que é alvo de nada menos do que 8 inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) poderia ocupar cargo assim. Muda, Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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'NÃO É PORCO'?

Simplesmente um acinte, um desrespeito à sociedade brasileira e ao País as indicações do PMDB para o Conselho de Ética no Senado. Não me surpreende, vindo de onde veio. Três dos indicados são objeto de investigação: senadores Romero Jucá, Jader Barbalho e Eduardo Braga. Existe a presunção de inocência? Sim. Mas com tantos processos, será que são realmente inocentes? Parece aquela história: tem focinho de porco, pé de porco, orelha de porco, rabo de porco, mas não é porco. As más intenções desses senadores saltam aos olhos. Aliás, não só as deles. De toda a cúpula política do Congresso, que dá as cartas neste país, há décadas - e o povo sem poder fazer nada. Por quê? Porque este é o nosso sistema, manipulado por eles de acordo com seus interesses. Eles têm as rédeas, então manobram como querem. Na Europa dos séculos 19 e 20, alguns povos quebraram isso com sangue. A pior das soluções. A mais indesejável. Mas tiveram de recorrer a isso. Acho que os Conselhos de Ética do Congresso têm de ser compostos por membros da sociedade civil, por intermédio de alguma forma de eleição. Não tem como confiar na seriedade de um Conselho de Ética onde os componentes são acusados e investigados pela Justiça. Vai ser parlamentar julgando outro parlamentar. Quem vai condenar ou cassar o mandato de quem? O que também foi corrupto vai condenar outro corrupto? Parem de brincadeira! E, para coroar esse escárnio, o presidente Temer declarou, na posse do ministro da Justiça, que é a favor da lei contra o abuso de autoridade. Acaba de fazer coro com o autor da proposta, senador Renan Calheiros. É tudo farinha do mesmo saco.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro 

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PEC DO FORO

Muito pior do que ler na primeira página do jornal que políticos foram blindados de prisão na PEC do foro privilegiado foi ver estampada ali a figura de dois corruptos, Eunício de Oliveira e Romero Jucá, rindo da cara de todos nós, brasileiros. Pobres brasileiros!

Angela M. de Souza Bichi angela_bichi@hotmail.com

São Paulo

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SUSPEITAS

Quando vejo Eunício de Oliveira e Romero Jucá sorrindo (primeira página do "Estadão", 1/6), fico pensando quanto será que o Brasil está perdendo.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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TROCA DE FRALDAS E POLÍTICOS

Num momento de extrema inspiração e conhecimento sobre a nossa classe política, disse Eça de Queiroz: "Fraldas e políticos devem ser trocados de tempos em tempos e pelos mesmos motivos". O Senado, ao aprovar o fim do foro privilegiado, não deixou de blindar a classe, vedando a prisão de políticos, a não ser em caso de flagrante. Não há notícia no mundo democrático de uma classe política de desqualificação tão grande quanto a brasileira. A pergunta que não quer calar é: os políticos brasileiros são venais por hereditariedade ou os brasileiros é que não sabem escolher seus parlamentares?

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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ACORDEM

Já está se tornando voz corrente nas ruas de todo o País: "No dia em que o primeiro deputado, senador ou ministro tomar um tiro no meio da fuça, os outros perceberão que a estação das caças está aberta". Os imbróglios que aconteceram na semana passada e continuam acontecendo esta semana na Câmara e no Senado começaram a despertar pensamentos desesperadores no povo. Acordem.

Leônidas Marques leo.marquesvr@gmail.com

Volta Redonda (RJ)

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PULE DE DEZ

Áudio de Aécio Neves e Gilmar Mendes, evento com Temer no Instituto de Gilmar Mendes, família de Gilmar Mendes fornece gado para a JBS, Gilmar Mendes acata habeas corpus do empresário Eike Batista... Notícias nessa direção estão ficando muito comuns, ou seria algum tipo de maldição coincidente?

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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OS FILHOS DILETOS DO STF

A rataria pestilenta de Brasília - à frente, Michel Temer e 12 mil assinalados de tribo não relacionada no apocalipse, Lula, Dilma, seus áulicos e fanáticos do Congresso e do Judiciário - está encurralada pelos fatos. Oremos: Guido Mantega, então ministro da Fazenda, escondia dinheiro na Suíça (fazia de bobos o Banco Central, a Receita Federal e o diabo); Aécio Neves poreja desvios múltiplos de conduta; Renan Calheiros, filho dileto do Supremo Tribunal Federal (STF), conduz a oposição a Michel Temer; Jader Barbalho chama de "bandidos" os irmãos Batista nas redes sociais e vai para o Conselho de Ética presidido pelo não menos impoluto Edison Lobão. José Sarney, a ressurreição dos mortos da política, costurou o despejo de Osmar Serraglio do Ministério da Justiça. Em resumo, uma dança politicamente macabra. Nos anos da guerra fria, os soviéticos temiam a instalação de um regime comunista no Brasil. Temiam que os brasileiros avacalhassem os mandamentos de Karl Marx. Mas Abraham Lincoln não escapou: para o Brasil de Brasília, a democracia é o governo dos ladrões, para os ladrões e pelos ladrões.

José Maria Leal Paes tunantamina@gmail.com

Belém

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GUIDO MANTEGA - AUTOAVALIAÇÃO

"Eu me sinto terrível porque minha reputação foi colocada por água abaixo. Eu passei a ter problemas em restaurantes, no hospital. Não posso ter uma vida normal. Logo agora que iria iniciar palestras no exterior. É muita humilhação ser chamado de ladrão", disse Guido Mantega. E completou: "A minha vida virou um inferno" (15/5/2017). Em 29 de maio de 2017, o ex-ministro Guido Mantega reconheceu que possui uma conta não declarada no exterior. Alega que os fundos são provenientes da venda de um empreendimento imobiliário e que nunca foram depositados valores indevidos na referida conta. Analisando as duas declarações, feitas em menos de duas semanas, podemos inferir que: 1) se a venda do empreendimento gerou um depósito não declarado no exterior, é porque foi transacionado oficialmente no Brasil por um valor subdeclarado, o que levaria à sonegação fiscal ou foi feito com ágio não justificável (propina; tal qual a que a JBS alega que fizera com imóveis de Aécio Neves), sendo este pago no exterior. Em qualquer uma das hipóteses, há fraude fiscal e crime de falsidade ideológica. 2) Se a conta não é declarada, caracteriza evasão de divisas e ocultação de patrimônio. 3) Comparando os ilícitos penais confessos na segunda declaração, cabe indagar o que Guido Mantega considera "reputação" na sua declaração anterior?

Claudio Juchem cjuchem@gmail.com

São Paulo 

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REPATRIAÇÃO

Se a conta que o ex-ministro Guido Mantega tem na Suíça, com US$ 600 mil, era mesmo com o dinheiro da venda de um imóvel, fica aqui a pergunta: por que ele não aproveitou para legalizar esse dinheiro com a lei da repatriação?

Juarez C. Pereira Filho jcintra@ancoradouro.com.br

Campinas

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A QUEM PERTENCE?

Estamos testemunhando tristes acontecimentos nesta terra de Pindorama: seu presidente recebe empresário mafioso na penumbra do palácio e, após divulgação "exclusiva", por importante veículo de imprensa, de gravação secretamente montada, é obrigado a depor na Justiça por causa da conversa clandestina, passando, em consequência, boa parte do tempo em que deveria estar governando a conversar com advogados e a executar manobras suspeitas que envolvem uma dança de cadeiras de ministros com propósitos escusos. Afinal, a quem pertence esta melancólica República?  

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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TUDO PELAS REFORMAS

Não há dúvida de que o presidente Michel Temer percebeu que terá de usar todas as suas forças para colocar o Brasil novamente nos trilhos, mas, diante da avalanche de acontecimentos negativos contra o seu governo, que são verdadeiras armadilhas, espera-se que ele atravesse incólume nestes dias e, se for preciso, que lidere uma manifestação popular de rua em apoio às reformas trabalhista e da Previdência, tendo como slogan "Não Renunciarei".

José Millei millei.jose@gmail.com

São Paulo 

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REFLEXÕES SOBRE A NOVA CRISE

Ao longo dos 127 anos de instabilidade da República, já se viu de tudo. De golpes de Estado, ditadura sanguinária, presidente fantoche, assassinato político, armação de renúncia que frustrou o renunciante e redundou em novo golpe anos depois, mas a crise atual é totalmente inédita, pois, se analisarmos com cuidado, acusam o presidente de crime de responsabilidade por obstrução de Justiça, no entanto acrescentam que ele agiu por omissão, ou seja, agiu porque não agiu, no entanto quem obstruiu de fato a Justiça, agindo, os irmãos milionários Joesley e Wesley Batista, foram perdoados, pois "correram risco de vida" (essa desculpa é ótima, para quem acredita nela), e os elementos que foram corrompidos, os dois juízes e o procurador da República, e foram os elementos de fato da obstrução terão como pena a aposentaria compulsória, bem remunerada. Assim, resta a instabilidade política para a Nação, e a minoria oposicionista barulhenta, movida pela vingança, joga lenha na fogueira, mas esquece os agravantes da delação em que Lula e Dilma são citados. Então, neste momento em que milhões de brasileiros estão desempregados, gera-se uma forma de obstrução das reformas para retomar o crescimento e a geração de empregos. Então temos de achar que esta crise é muito estranha e por trás dela deve estar algum corporativismo que não quer ouvir falar em reformas da Previdência e trabalhista. Quanto às delações de propina, o sr. Temer pode responder depois que acabar o mandato. E fica a lição: os problemas do Brasil são a República e o presidencialismo, a solução passa por acabarmos com os dois.

Luís S. Soares Rodrigues luisseveriano@bol.com.br

Mesquita (RJ)

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TRAPACEIROS INGLÓRIOS

Nós, brasileiros comuns, estamos assistindo a um filme de terror. Toda a Nação tem conhecimento da trapaça a que o nosso presidente foi submetido pelos irmãos da JBS, que conseguiram iludir a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o STF e ter aliados como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), demonstrando a fraqueza e a senilidade das nossas instituições, aceitando uma arbitragem vil. Vai, aqui, um apelo nacional a Temer para que não renuncie.

Ivan Bertazzo bertazzo@nusa.com.br

São Paulo

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EVENTOS COMBINADOS?

O jornalista Lauro Jardim, que revelou a notícia da gravação do presidente Temer pelo dono da JBS, disse que não havia ouvido a gravação e tinha baseado o furo em transcrição feita pela procuradoria. Conclui-se que o material veio da procuradoria. A primeira dúvida: alguém já comparou essa transcrição com o que ouvimos da gravação? Ainda segundo os jornais, o dono da JBS transferiu-se para Nova York no dia 10 de maio e a divulgação da transcrição foi feita no dia 17 de maio. Entre esses dias o dono da JBS teria comprado dólares e vendido ações, indicando que sabia que a divulgação estava prestes a ocorrer e que seria sucedida por debacle econômico. Tal sequência de eventos sugere que ocorreu um entendimento do tipo "você está livre, saia daqui, vá para fora, que no dia xis vamos divulgar a fita e vai ser um fuzuê". Quem, da procuradoria ou de outro órgão, cometeu o crime de deixar vazar uma transcrição de fita sigilosa? Quem mais, além dos da JBS, ganharam com essa divulgação? Foi a melhor forma de tratar do assunto? São questões importantes, pois estes mal conduzidos eventos levaram à grande instabilidade e prejuízo ao País. Vai ficar por isso mesmo?

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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LAVA ÉGUA

  

Os Batistas (J&F) propuseram R$ 1 bilhão como multa para fechar o acordo de leniência; a Procuradoria queria R$ 10 bilhões. Aconteceu um milagre: foram pagos R$ 220 milhões sem qualquer outra penalidade. Sucesso, foi Lava Égua!

  

Marius Arantes Rathsam mariusrathsam@hotmail.com

São Paulo

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PREJUÍZO SEM FIM

Eis o resultado da participação do BNDES e da Caixa Econômica Federal no capital da JBS: nós, contribuintes, vamos pagar R$ 2,7 bilhões, parte correspondente a 26,24% da multa de R$ 10,3 bilhões que a empresa pagará no acordo de leniência. Ou seja, pagamos para os gângsteres da JBS cometerem crimes e para se livrarem da punição. Revoltante!

Omar El Seoud ElSeoud.USP@gmail.com

São Paulo

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CHAPA DILMA-TEMER

Aproxima-se o julgamento, ao menos são essas as informações, da ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não obstante o presidente Temer, por si só, ter-se enrolado com Joesley, da JBS, de forma e modo irreversíveis, na verdade não merece a cassação nesta ação proposta pelo PSDB. Os fatos públicos e notórios não precisam de outras provas, é isso que diz a nossa lei. Pois bem, é fato público e notório que Temer, quando compôs a chapa com Dilma, não passou de figurante necessário. Não foi coadjuvante. Não foi participante. Enfim, apenas e tão somente foi um insignificante figurante nessa chapa. Por isso não merece ser cassado. 

Carlos Benedito P. da Silva carlosbpsilva@gmail.com

Rio Claro

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PEDIDO DE VISTA

Gilmar Mendes sinaliza pedido de vista ao processo de cassação da chapa Dilma-Temer. É mais um clássico exemplo para o mote popular: "O pior cego é o que não quer ver", já que pedido de vista ao processo, nesta altura dos acontecimentos, certamente não alterará os já decididos votos dos membros do TSE.

Roberto Twiashor rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

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PINGUELA ATÉ 2018

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come: um presidente sem moral, um Congresso idem, eleições indiretas seguem a cartilha e a direta rasga a Constituição. Eis o paradoxo. Acredito que o melhor seria a permanência de Temer e a sua pinguela, logo, eleições apenas em 2018. Isso seria justo para muitos desempregados que já começaram a sentir a sombra da fome.

Leandro Ferreira leandroferreoradasolva@gmail.com

Guarulhos

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PREMISSA NA POLÍTICA

Mais uma vez, Eliane Cantanhêde, que vê a notícia além da notícia, esclarece a posição do Senado em relação às eleições diretas. De fato, nenhum deles a quer. Essa coisa de atender à demanda popular não está no DNA político. O negócio é mudar para ficar como está. Essa sempre foi e será a premissa reinante.

Arlindo Carneiro arlincarneiro@yahoo.com.br

São Paulo

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HONESTO E MALANDRO

Para presidir o Brasil nas atuais circunstâncias será necessário respeitar o binômio honestidade e malandragem. Honestidade, coisa quase impossível de achar entre os políticos, para parar de dilapidar o suado dinheiro dos brasileiros. Malandragem para dobrar a Câmara e o Senado, onde o clamor público é considerado doença e só se fazem projetos ou se tomam decisões visando a interesses próprios. Será que existe alguém com esses atributos? Cartas para a redação.

Geraldo Siffert Junior siffert18140@uol.com.br

Rio de Janeiro 

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OPERAÇÃO CIFRA OCULTA

E impressionante o número de petistas envolvidos em operações da Polícia Federal ou apenas na corrupção nunca antes vista no País. Agora é o ético e honesto Fernando Haddad, que, fraco, nunca disse a que veio, e está enrolado em suspeita de recebimento de propina. Nada mais é novidade em se tratando de PT, afinal, os quatro últimos tesoureiros do partido ou estão presos ou foram envolvidos em recebimento de propina - e, claro, o chefe-mor, Lula, que foi padrinho de Haddad, de nada sabe ou sabia? É lamentável e vergonhoso.

Zureia Baruch Jr zureiabaruchjr@bol.com.br

São Paulo

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HADDAD E A 'CAÇA ÀS BRUXAS'

Fernando Haddad comandou o Ministério da Educação por mais de sete anos, de forma ilibada e eficiente, administrando um orçamento que é o dobro do da cidade de São Paulo, sem o surgimento de máfias e cartéis. Foi o principal responsável pela criação do Ideb, do Fundeb, do Prouni, do Pronatec e do Proinfância, ações sociais que possibilitaram o ingresso de milhões de brasileiros de baixa renda nas universidades, em cursos profissionalizantes e creches. Como prefeito, criou a Controladoria-Geral do Município, com status de secretaria, e combateu com sucesso a corrupção e a sonegação. Repactuou contratos, recuperou verbas de gestões anteriores, abateu em R$ 46,5 bilhões a dívida da cidade, ações que possibilitaram o investimento recorde de R$ 17 bilhões em quatro anos. Para ter uma ideia, João Agripino Doria Jr. promete investir R$ 8 bilhões no mesmo período, equivalentes a menos da metade. Haddad foi o único político que contrariou interesses espúrios de grandes empreiteiras, como no caso dos CDIs do Itaquerão aprovados na gestão Kassab e que a Odebrecht queria que a Prefeitura recomprasse por estarem "micados", e como no caso da obra do túnel da Roberto Marinho, de R$ 2,6 bilhões, contratada na gestão Kassab e anulada na gestão Haddad por indícios veementes de superfaturamento. Nesta hora de "caça às bruxas", é necessário separar o joio do trigo e preservar a honra dos raros políticos que merecem esse cuidado.

Francisco Nascimento Xavier franciscoxavier1000@gmail.com

São Paulo

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PRAGAS DO BRASIL

Duas pragas difíceis de exterminar no Brasil: a cracolândia e a corrupção. E pelos mesmos motivos: falta de vontade política, má-fé e incompetência dos agentes envolvidos. E não dá para ignorar que os atores desse drama são viciados no mais alto grau: uns nos vapores destrutivos do crack, outros na prática lamentável e continuada do patrimonialismo e do desvio dos recursos do País.

Renzo Galuppo renzo.galuppo@gmail.com

São José dos Campos 

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AÇÃO NA CRACOLÂNDIA

A ação desencadeada pelas autoridades (sic) de plantão para acabar com a cracolândia faz lembrar outra ação lamentável tomada, na década de 1950, pelo então governador do Estado de São Paulo Lucas Nogueira Garcez, que, pressionado pela sua esposa Dona Carmelita, uma pessoa extremamente católica, devidamente instada pelo cardeal Don Carmelo, resolveu acabar com a "zona" do meretrício que havia em torno das Ruas Itaboca e Aimorés, no Bom Retiro. O efeito dessa medida desastrada na ocasião foi espalhar a prostituição por toda a cidade. Hoje, a ação contra a leva de pobres coitados e drogados moradores de rua tomada pelas referidas autoridades, esquecidas ou desinformadas, só conseguiu transferir a cracolândia de lugar, passando das imediações da Rua Helvetia para a Praça Princesa Izabel, próxima dali. A tentativa seguinte de internar os drogados em clínicas especializadas para tratamento de viciados provocou forte reação dos eternos "defensores das minorias", tais como organizações ditas "sociais", ONGs "caça-níqueis" e políticos oportunistas que, no entanto, não proferiram uma palavra sequer em defesa da minoria constituída pelos moradores, vizinhos à praça, que não podem mais usá-la para lazer. Dois pesos para uma mesma medida!

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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'NA ESQUINA DA RUA HELVETIA'

O brilhante artigo de Flávio Tavares "Na esquina da Rua Helvetia" (1/6, A2) expõe o problema dos drogados nas ruas de forma pungente. É, antes de mais nada, um problema de saúde pública. 

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

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A PONTINHA DO ICEBERG

O colunista Flávio Tavares (1/6, A2) é um velho militante da esquerda tupiniquim, talvez hoje também desgastado como os tucanos do PSDB, mas acerta no ponto da pontinha do iceberg: a cracolândia é de fato a imagem da outra cracolândia que acontece em Brasília, no governo. Esquece-se de dizer que isso tudo é consequência da Constituição de 1988, comuno-coronelista, e o que assistimos hoje é ao dramático caos de um país com governo comunista e coronelista ao mesmo tempo. As espertezas dos comunistas foram simplesmente engolidas pelas espertezas dos coronéis do poder, e o resultado é a "cracolândia generalizada" pelo País. Comunistas são os restolhos que sobraram da limpeza porca e mal feita pelos milicos da ditadura.

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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GUERRA ÀS DROGAS NÃO FUNCIONA

A posição do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), em relação à guerra às drogas não é segredo para ninguém. Se era, em razão de suas recentes atuações na cracolândia, centro de São Paulo, não é mais. Fruto das ações covardes da Polícia, milhares de moradores de rua e dependentes químicos, sentindo-se assustados e coagidos, se espalharam pela região, criando novas cracolândias, desmentindo a frase que o prefeito adora dizer e repetir: "A cracolândia acabou". Sabemos que a guerra às drogas não funciona e nunca funcionou, servindo apenas de justificativa para a opressão da população de baixa renda, e agora o prefeito está usando-a para a violação dos direitos humanos, submetendo os moradores de rua e dependentes químicos a exames médicos obrigatórios e internando-os mesmo que contra a vontade deles. Mesmo sendo uma ação bem intencionada, não pode se tornar obrigatória. Os direitos dos cidadãos devem ser respeitados antes de qualquer outra coisa. Doria deve entender que sua proposta para solucionar os problemas relacionados à cracolândia é falha e é equivalente ao cárcere privado. Não há justificativas para os atos bárbaros e violentos da Polícia neste caso. "Todo mundo tem de se convencer de que não é possível acabar com a cracolândia. A cracolândia não é causa de nada, é consequência de uma ordem social que deixa à margem da sociedade uma massa de meninos e meninas nas periferias" (Drauzio Varella).

Giovanna S. Boullosa gigiboullosa@gmail.com

São Paulo

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DIREITO À VIDA

 

Está difícil de assistir à espetacularização cotidiana sobre a cracolândia e suas filiais, por meio da Prefeitura, do Judiciário e dos ditos direitos humanos - estes que obstaculizam a retirada forçada dos dependentes que precisam de tratamento (claro que tem de haver critério). Perderam a noção do bem maior, que é a vida. Será que não aprenderam isso na escola? Pouco se preocupam com a privação da vida dos cidadãos de bem que sofrem as consequências dessa situação - pois é, os drogados ainda serão forçados a sair das ruas, mas parece que só para o cemitério; enquanto isso, continuam fazendo o terror, e salve-se quem puder.

 

Manoel Edilberto Fernandes Modesto manoefa@gmail.com

São Paulo

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UM ESTADO À PARTE

Desde que no Brasil surgiram os tais direitos humanos, coisas do arco da velha acontecem em nome deles. Em São Paulo, no início do ano, vimos várias ações dos traficantes acontecerem na cracolândia, com morte de agentes, tortura e confronto com a polícia, como se aquele lugar fosse um Estado à parte, onde o verdadeiro Estado não podia entrar. Sabe-se que há uma década que os tais representantes dos direitos humanos vêm agindo na cracolândia e ela só piorou. Mas agora que o prefeito João Doria e o governador Geraldo Alckmin resolveram tomar uma ação mais enérgica, a secretária dos Direitos Humanos da prefeitura se demite com estardalhaço. Se perguntassem aos familiares dos drogados que ficaram reféns da droga naquele espaço, com certeza seria unânime o apoio, porque sem a droga fácil, com certeza, os filhos procurariam ajuda de desintoxicação urgente, que está disponível pelo Estado. Diante das críticas sobre a limpeza física e do narcotráfico, vale perguntar: quem nasceu primeiro, o PCC ou os direitos humanos? Quem pariu quem? 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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FERIDA CRÔNICA

Sobra demagogia e falta pragmatismo nas críticas negativas às ações da Prefeitura para resolver a questão da cracolândia. Entre muitos erros e alguns acertos, o fato é que o prefeito João Doria tocou concretamente nesta ferida crônica e vergonhosa, coisa que as gestões passadas nunca fizeram. Esperar o desaparecimento de usuários e traficantes das ruas da noite para o dia é ilusão, assim como é imoral a atitude política e sistemática de "torcer contra". A afirmação de que era melhor deixar a cracolândia como estava é inclassificável. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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EXTREMA-UNÇÃO PARA VICIADOS

A luta ideológica dos narcoativistas contra o prefeito João Doria e a demolição da cracolândia são causa sem sentido de vida e não tem apoio da população. Defender o showroom do tráfico é ajoelhar-se aos pés dos comandantes do crime e sacramentar drogados sem consciência. O estado deles é grave. Cracolândia nunca mais! Nem em São Paulo nem no Brasil. 

Devanir Amâncio devaniramancio@hotmail.com

São Paulo

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'INTELECTUAIS E POLÍTICA'

Leandro Karnal: "Rosenberg foi condenado à forca no tribunal do pós-guerra. Na prisão, seus últimos escritos mostravam a permanência do antissemitismo. Pergunta boa para o Brasil de 2017: por que alguém não muda de ideia mesmo quando todos os fatos desmentem sua crença?" ("Caderno 2", 31/5, C6). Isso mesmo: por quê?

Fernando Procópio de A. Ferraz fernando@procopioferraz.com.br

São Paulo

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ÓTIMA PERGUNTA

"(...) por que alguém não muda de ideia mesmo quando todos os fatos desmentem sua crença?" A neurocientista israelense Daniela Schiller tem a resposta: ideologias políticas de esquerda, mesmo comprovadamente superadas pela história, se cristalizam no cérebro das pessoas com o avançar da idade. Uma espécie de emburrecimento.

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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DEMISSÃO DO SECRETÁRIO DE CULTURA

É inaceitável que o prefeito de Sampa, João Doria (PSDB), mantenha no cargo o secretário de Cultura, André Sturm, após ele ter ofendido e ameaçado de agressão física um cidadão que apenas defendia o movimento cultural na periferia da cidade. Sturm revelou seu total baixo nível, autoritarismo, falta de diálogo e desequilíbrio emocional. Doria mostra a cada dia ser um produto de marketing, uma piada pronta como gestor e que não tem a menor competência, experiência e muito menos respeito pela cultura e pelos direitos dos paulistanos. Perplexos, assistimos a um despreparado e carreirista como ele que, mal tendo assumido a Prefeitura, já queira abandonar o barco e tentar a Presidência. Lamentável.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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FALTA DE DECORO

Pela falta de decoro com o cargo, André Sturm deve ser exonerado do cargo de secretário municipal de Cultura. E pensar que por ali passou Mario de Andrade! 

Pedro Felice Perduca pfperduca@terra.com.br 

São Paulo

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DESCULPA ESFARRAPADA

Fui assessor especial do governador Geraldo Alckmin de 2011 a 2013 e cansei-me de comprar passagens para ele, tanto para viagens oficiais ou pessoais - estas últimas com a finalidade de visitar seu filho e netos que moravam no México. Ele deixava claro que era para tirar as passagens em classe econômica e eu só conseguia convencê-lo a viajar de executiva quando havia alguma promoção, um "upgrade" da companhia, ou quando a diferença para a classe executiva era pequena em relação à classe econômica. Mesmo os secretários de Estado, quando viajavam com o governador em missões oficiais, tinham de ir na mesma classe que ele. Então, a desculpa do ex-diretor do Instituto Butantã dr. Jorge Kalil, de que precisava de "um mínimo de conforto" para viajar, é esfarrapada. Ele se esqueceu de explicar que esse conforto extra era totalmente antagônico ao comando central do Estado e "às expensas do contribuinte paulista". Vergonhoso! 

Frederico d'Avila frederico@fda.agr.br

São Paulo

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'DIÁRIO OFICIAL'

A incompetência administrativa do governo Alckmin acabou, ontem, com a impressão do "Diário Oficial", que iniciou há 127 anos, em 1.º de maio de 1891. Ele, cuja assinatura era paga, servia para informar com precisão todos os atos do governo e outras notícias de interesse público. É alegado que ele dava prejuízo, mas todos os governos anteriores conseguiram editá-lo, e agora ele vai estar na internet, que fica mais barato, mas à qual nem todos os paulistas têm acesso. Dessa forma, este governo vai acabando com tudo o que era funcional e de utilidade pública. 

Raul S. Moreira raulmoreira@mpc.com.br

Campinas

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A HISTÓRIA DO MEU AVÔ

Meu avô está com 78 anos e hoje está internado no Hospital das Clínicas (Incor) em estado grave. Não o teremos por muito tempo junto de nós, por isso envio esta carta como um último desejo dele: nos últimos anos ele tem vivido momentos difíceis, e em todos eles ele foi acolhido pela equipe do HC, e seu desejo é que fosse publicada no maior jornal de São Paulo, "O Estado de S. Paulo", a sua história, para de certa forma homenagear os profissionais que cuidaram dele com todo carinho. Nasceu em 1938, no interior de São Paulo, em Jaborandi, o caçula com nove irmãos; o pai faleceu num acidente elétrico, pois trabalhava com fiação elétrica, e ele teve de parar os estudos para trabalhar e ajudar sua mãe em casa. Cresceu, veio para São Paulo, trabalhou muito como ajudante de obras, mas, mesmo se estudo, esforçou-se e foi servente, mestre e pedreiro. Em meados de 1979 nasceu na Rua Oscar Freire a Construtora Pereira e Silva - uma pessoa sem estudo criou um a construtora. Ele sempre trabalhou muito, e até associa o estar vivo ao trabalho. Em 1983, teve o primeiro infarto, e fez cirurgia de revascularização; em 2000, teve outro infarto e precisou realizar outra ponte safena e uma mamária. Mas foi em 29 de outubro de 2012 que ele teve um infarto que debilitou muito sua saúde, e ele foi muito bem acolhido e cuidado pelos profissionais do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas. Ele é um paciente grave e, não tendo mais possibilidades de intervenção cirúrgica, foi necessário fazer apenas tratamento clínico com medicamentos. A partir deste ano, começou a ser cuidado pelo dr. Nilson Popp, da equipe de coronária do hospital. Por um tempo, fez acompanhamento com o dr. Sérgio Ozela, do Hospital dia. Todos trataram meu avô muito bem. Como se não bastasse, em 2013 surgiu uma hérnia inguinal, mas meu avô não poderia operar por causa de seus problemas de saúde. O cirurgião disse que, se ele operasse, morreria ou ficaria muito debilitado. Em dezembro de 2016, deu entrada no PS Incor com sepse de foco urinário, que desencadeou uma piora dos rins e um quadro de infecção generalizada. Foi atendido pela doutora Juliana, que cuidou dele como uma mãe, além de todo o amor e paciência das técnicas do pronto-socorro do Incor, de cujos nomes não me recordo. Graças a Deus ele se recuperou e teve alta em 9 de janeiro de 2017. Mas, em 1.º de março, foi novamente internado para tratar uma pneumonia, e teve alta no dia 8. Em 31 de março, a hérnia encarcerrou e ele teve de passar pela tão temida cirurgia, mas como emergência. O procedimento foi um sucesso, mas após o procedimento ele teve outro infarto e piora dos rins. Teve uma melhora, mas está novamente internado no Hospital das Clínicas, no Incor. Estava com pneumonia, que evoluiu com a piora dos rins, está bem fraco e debilitado, mas, mesmo assim, expressou o desejo de que escrevesse para o jornal e homenageasse estes profissionais que se dedicam tanto ao seu trabalho com amor. Todos, os técnicos do PS do Incor, os técnicos da enfermaria do Incor, que atualmente está no Instituto de Ortopedia: Eliana, Cassio, Julio, Luma, Lu, Tamara, Teresinha. As enfermeiras Verônica, do PS, Ana, da enfermaria do Incor, que está na Ortopedia, o enfermeiro Alexandre e a enfermeira Zélia. Aos médicos dr. Nilson Popp, dr. Sérgio Ozela e à doutora Juliana da Cardiologia, o dr. Wares e o dr. Geovani, da Geriatria. Aos cirurgiões dr. Rafael e dr. Kerly. E a todos aqueles que trabalham no Hospital das Clínicas, cujos nomes não citei, muito obrigada pelo amor e pelo carinho que vocês têm com a profissão. Para nós, vocês são os melhores. "Acredito na Medicina que serve aos doentes, e não na que se serve deles" (Hipócrates).

Fernanda Pereira Souza fernanda.pereirasouza@gmail.com

São Paulo

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