Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2017 | 03h04

CORRUPÇÃO

Fórum ‘Estadão’

“As causas da corrupção sistêmica – o loteamento político de cargos públicos – não foram enfrentadas”, palavras do conceituadíssimo juiz Sergio Moro (23/10, A6). Infelizmente, tem ele razão e pode estar chegando ao fim a “infinita esperança” do brasileiro de que surja uma liderança verdadeiramente democrática que não se deixe contaminar pelos métodos do PT, que, com o aparelhamento das instituições estatais, transformou o Brasil no símbolo mundial da corrupção. Onde estão as propostas? Por que nenhum grande partido político, como o PSDB, se compromete pra valer com a privatização ou com uma reforma estrutural que torne nossas estatais, as agências reguladoras e os tribunais imunes aos governantes e políticos desonestos? Por que não aproveitar o momento para reduzir o gigantismo do Estado brasileiro? Independentemente do partido no poder, há que reconhecer a fragilidade, a ineficiência e o anacronismo do patrimonialista modelo centralizado brasileiro. Nos EUA, até em setores mais complexos, como o de energia elétrica, interligado em todo o território, o poder concedente é regional, por bacias hidrográficas, e com autonomia para fazer cumprir os marcos legais sobre tarifas e caducidade das concessões sem interferências políticas. Por isso é o país onde todo mundo, sem distinção ideológica, quer depositar suas economias.

NILSON OTÁVIO DE OLIVEIRA

noo@uol.com.br

Valinhos

Lava Jato x sociedade

Tenho lido que a maioria dos brasileiros apoia nosso maior patrimônio, a Operação Lava Jato, mas eles temem por sua sobrevivência, diante das vergonhosas e desesperadas investidas das quadrilhas. Entendo que isso seria o fim de tudo. Como cidadãos que pagam altos impostos, não podemos admitir mais esse acinte, pois aí só nos restaria aquele velho jargão: o último que sair apague a luz.

LEONIDAS RONCONI

ronconileonidas@gmail.com

São Paulo

Ou ouvimos (enquanto é tempo) o que diz o juiz Sergio Moro, saindo unidos à rua para protestar contra a corrupção, ou depois não vai adiantar lamentar. A hora é agora!

M. DO CARMO Z. LEME CARDOSO

zaffalon@uol.com.br

Bauru

Mão única

O sucesso da Operação Lava Jato só será pleno no dia em que todos os infratores forem julgados com o mesmo peso e a mesma medida, independentemente do partido político em que eles atuam!

VIRGÍLIO MELHADO PASSONI

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

Os ratos e o queijo

A receita para dar fim à Lava Jato segue a todo o vapor: acordão de imobilidade entre os Poderes constituídos; palavra final do Congresso Nacional para cautelares contra os seus membros; fim de prisão em segunda instância; lei contra abuso de autoridade; prescrições no Supremo Tribunal Federal. Proibindo-se ainda a divulgação de delações premiadas, quiçá, com indenizações a vítimas de danos morais por vazamentos. Pelos ingredientes à mão, a Lava Jato será apontada como a responsável por esse mal que assola o País. Como diziam os antigos, a vítima terá de pedir desculpas. Por fim, a culpa será do queijo.

JOSÉ ROBERTO SANT’ANA

jrsantana10@gmail.com

Rio Claro

‘A Sangue Frio’

O livro A Sangue Frio, do jornalista português Fernando Esteves, revela elos de corrupção entre duas figurinhas carimbadas da política, Lula e José Sócrates, ex-primeiro-ministro de Portugal, abaladas por inúmeras denúncias. Até os nossos patrícios portugueses se desencantaram com o “Lulinha paz e amor”. A mentira tem pernas curtas!

J. A. MULLER

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

Litigância de má-fé

Os advogados de Lula apresentaram o que, segundo eles, seriam os originais dos recibos de aluguel do apartamento que teria sido alugado por dona Marisa Letícia, jurando que não foram forjados. Pelo andar da carruagem, quanto mais eles esperneiam, mais se afundam e correm agora o sério risco de incorrerem em crime de litigância de má-fé.

HÉLIO DE LIMA CARVALHO

hlc.consult@uol.com.br

São Paulo

OLIVEIROS S. FERREIRA

Pesar

Solidários na tristeza que envolve os brasileiros diante do falecimento de Oliveiros da Silva Ferreira, uma das mais destacadas figura do País, a Academia Internacional de Direito e Economia, por meu intermédio, interpretando os sentimentos de seus membros, manifesta o seu pesar pela perda do competente e prestigioso jornalista e cientista político.

NEY PRADO, presidente

neyprado@aide.org.br

São Paulo

Relevância

Li com tristeza a notícia de falecimento do sr. Oliveiros. Lamento a perda e, ao mesmo tempo, penso que foram 88 anos muitíssimo relevantes e admiráveis para seus pares e a sociedade.

FÁBIO DE BIAZZI

fabiodebiazzi@yahoo.com.br

São Paulo

Meus pêsames e minha solidariedade à família pela morte do Oliveiros, um colega pelo qual sempre tive o maior respeito.

JOSÉ A. GUILHON ALBUQUERQUE

jaguilhon@gmail.com

São Paulo

Tive o privilégio de ser aluno do professor Oliveiros. Meus sentimentos e minha solidariedade neste momento de tristeza.

EUGENIO DINIZ

prof.eugenio.diniz@gmail.com

São Paulo

Cultura enciclopédica

Tive um convívio entre duas portas, em trânsito, com Oli, mas as noções fragmentárias que retive de tais encontros foram sempre densas, consequentes e provocadoras. Eram vazadas num misto de irônico ceticismo e daquela lucidez na concepção anglo-saxã do termo, que incorpora a estética do cinismo elegante, própria da grande literatura humorística inglesa do século 18. Era um humanista de cultura enciclopédica que teve na redação do Estado o lugar mais do que apropriado para o exercício de sua magistratura no plano das ideias, da filosofia política. Aos membros da família, meus sentimentos e minha solidariedade.

NAPOLEÃO SABOIA

napoleaopiressaboia@yahoo.fr

São Paulo

“Assistindo às notícias diárias sobre os desdobramentos da Lava Jato, o que mais se ouve são profissões de fé na Justiça brasileira. Para os não envolvidos isso soa como deboche ou certeza de impunidade”

CLAUDIO JUCHEM / SÃO PAULO, SOBRE CORRUPÇÃO

cjuchem@gmail.com

“Se os envolvidos são tão inocentes como apregoam, por que tanto empenho em mudar decisão do STF que permite a prisão após condenação em segunda instância?”

NIVALDO RIBEIRO SANTOS / SÃO PAULO, IDEM

nivasan1928@gmail.com

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

JÁ SE OUVE O TROPEL APOCALÍPTICO

A edição dos jornais de ontem (24/10), terça-feira, merece ser guardada numa biblioteca, como um testemunho do que está acontecendo no Brasil ou daquilo em que os políticos transformaram o Brasil: um circo de horrores, exemplo negativo para as democracias. Informam os jornais que o presidente Michel Temer já "torrou", por enquanto, R$ 12 bilhões com todas as negociações para que possa tirar a corda que está enroscada em seu pescoço. No Rio de Janeiro, o turismo que leva os visitantes da cidade para um passeio na Rocinha é incentivado, e ali a morte espera pelo turista, como no caso da espanhola morta com um tiro numa blitz da polícia. O ex-governador Sérgio Cabral, por sua vez, bate boca com o juiz Marcelo Bretas e é transferido para um presídio federal. E Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas de intenção de votos para a Presidência em 2018, afirma que sua criação, Dilma Rousseff, "traiu" seu eleitorado. Pelo andar da carruagem e pelo que as intenções de voto indicam, os cavaleiros do apocalipse já estão a cavalgar.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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REPUGNANTE

Foi repugnante ouvir o depoimento do ex-governador corrupto e arrogante Sérgio Cabral. Desafiando o juiz da 7.ª Vara Federal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, tanto fez e tanto reclamou que conseguiu, com sua atitude, ser transferido para um presídio federal, bem longe do Estado que solapou. Por outro lado, causa espanto e perplexidade a advogada e esposa do criminoso, Adriana Ancelmo, pedir e obter autorização judicial para participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Advogada fazendo exame do ensino médio? Deveria fazer exame, mas de sanidade mental!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

     

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QUASE UM NERO

No depoimento de Sérgio Cabral ao juiz Marcelo Bretas, vimos um presidiário, com pose de governador, misturar grandiloquência e desespero. Deu no que deu.

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

                                                          

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A AFRONTA DE CABRAL 

A que ponto chegamos! O direito à ampla defesa e ao contraditório, sem critério, sem diferenciar sua aplicação, leva réus em 14 processos (até agora), como o ex-governador Sérgio Cabral, em mais um depoimento ao juiz Marcelo Bretas, a dizer que ele foi "líder" do Estado do Rio. Disse-o num tom de enfrentamento e intimidação ao magistrado. Deveria era ser jogado num calabouço, jogarem a chave fora e ser esquecido. Quebrou o Estado, o funcionalismo do Rio está aí sem receber seus vencimentos, bem como os aposentados. A economia do Estado é péssima, tem o mais alto desemprego do País e Cabral ainda tem a coragem de afrontar e intimidar as autoridades. Só no Brasil mesmo. 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro 

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AMEAÇA

Ouvindo o depoimento do sr. Sérgio Cabral, tive a real impressão de que o juiz Bretas foi ameaçado de morte, quando o meliante declarou que conhece muito bem a família do proeminente juiz.

Ivan Bertazzo bertazzo@nusa.com.br

São Paulo

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ATREVIMENTO

Perceberam a arrogância de Sérgio Cabral ao enfrentar o juiz Marcelo Bretas? Pois é, o sujeito peitou o juiz e ainda fez ameaças tentando dizer que na família do magistrado também se faz lavagem de dinheiro, dizendo que sua família era do ramo de joias, pois mexia com bijuterias. Os Três Poderes estão tão desmoralizados que nem mesmo os bandidos presos respeitam as autoridades que trabalham para moralizar este país. Por seu atrevimento, Cabral mudou de hotel, vai para uma prisão federal. Vivam Marcelo Bretas e o Ministério Público.

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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SOBERBA

Depois de tudo o que fez com o Rio de Janeiro, o comportamento do réu Sérgio Cabral perante o juiz Marcelo Bretas deixa claro que os políticos presos continuam achando que são poderosos e têm direito à impunidade.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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REINTERPRETAÇÃO

No Brasil, afirmações como "a lei é para todos", "o crime não compensa", "não há crime perfeito" e "a mentira tem pernas curtas" são quase sempre reinterpretadas. Por aqui, os efeitos penais variam com os recursos dos envolvidos e com a consequente competência dos advogados contratados para transitarem num sistema legal cheio de fissuras. Os crimes, dependendo de quem os pratica, podem compensar tanto que, em muitos casos, se transformam em fator de ascensão social e popularidade, e muitos deles, em face da impunidade reinante, principalmente no âmbito dos favorecidos por prerrogativas de foro, são virtualmente perfeitos. A mentira... ah, a mentira. Esta, longe de ter pernas curtas, tem tentáculos longuíssimos e constitui matéria-prima fundamental para a eternização de gerações de políticos, sendo usada também, sem o menor constrangimento, pelos que juram nunca terem sequer visto os eventuais delatores e pelos que bradam não haver ninguém mais honesto que eles no País, apesar de provas contundentes apontando ao contrário.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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CRIME HEDIONDO

 

Crime hediondo, como é a corrupção, que mata milhões de pessoas ao tolher recursos de serviços básicos (saúde educação, infraestrutura, transportes, segurança...), merece prisão imediata após condenação em primeira instância e pena dobrada, se confirmada em segunda instância, acrescida de confisco de todos os bens, inclusive de laranjas. Só assim combateremos a impunidade do colarinho branco, ao invés de penas simbólicas com benefícios atenuantes. 

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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QUANDO HAVERÁ JUSTIÇA?

Como revelaram as pesquisas, houve um aumento do número de pessoas que acreditam que a classe política poderá acabar com a Operação Lava Jato e que tudo terminará em pizza. Essa crença foi especialmente reforçada pelo engajamento do Judiciário, quando o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, agindo politicamente na ânsia de depor o presidente Michel Temer, perdoou um empresário que praticou centenas de crimes contra o País, cujas penas somadas renderiam mais de 2 mil anos de cadeia, e, principalmente, pela impunidade de Lula, que, mesmo condenado na primeira instância e em vias de ser condenado pela segunda instância, continua livre e firme em sua campanha difamatória pelo Brasil afora contra a Lava Jato. Pergunta-se: quando o Brasil voltará à normalidade, com uma Justiça isenta colocando o principal artífice do aparelhamento do Estado e mentor da ditadura da corrupção atrás das grades?

Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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DITADURA

Há muita gente que se manifesta contra a ditadura militar de 1964 a 1985. Mas desde então o Brasil vive numa ditadura da corrupção, que gera impunidade e péssimo desempenho dos Três Poderes e dos serviços públicos - saúde, educação, segurança. Somos campeões mundiais de assassinatos e de carga tributária. A Lava Jato acha um monte de trambiques, mas os Tribunais de Contas, por exemplo, não. 

Mário A. Dente eticototal@gmail.com

São Paulo

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QUE FIQUE CLARO

Corrupção mata ao roubar dinheiro público da saúde, da educação, do transporte, da moradia e da segurança. Senadores, deputados e outros políticos corruptos são nada menos que assassinos da população pobre. Isso deve ficar bem claro.

  

Etelvino José Henriques Bechara ejhbechara@gmail.com

São Paulo

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A REPÚBLICA DA COOPTAÇÃO

A corrupção vingou e cresce forte no Brasil. Qualquer uma das tantas manobras de Michel Temer para comprar a sua absolvição na Câmara dos Deputados derrubaria o governo de qualquer país sério. A compra e venda de apoio político se institucionalizou de forma irreversível no País: não existe mais situação, oposição, ideologia, convicção, não existe mais vergonha na cara, tudo se compra e tudo se vende na República da cooptação. Este cenário torna ainda mais absurda a verba bilionária para que as quadrilhas criminosas disfarçadas de partidos políticos façam mais uma orgia com o dinheiro público. Seja lá quem for eleito presidente da República em 2018, terá de pagar propina para todo mundo para governar o País. 

Mário Barilá Filho mariobarilafilho@me.com

São Paulo

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'TEATRO DOS VAMPIROS'

Brilhante reflexão da Vera Magalhães no "Estadão" de domingo ("Teatro dos vampiros", página A8), sobre o atual e vergonhoso caos político que vivemos. A analogia com a música de Renato Russo foi sensacional. Também devemos lembrar que já naquela época o compositor indagava "que país é este", e até hoje estamos sem resposta.

Valter Guerra Hadad valter.guerra@yahoo.com.br

São Paulo

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ROTINA

Colegas leitores do "Estadão", todos os dias de manhã, quando abro as páginas do nosso jornal, já vou com o espírito preparado para o de sempre:  Qual será a roubalheira de hoje? A nova corrupção. A nova falcatrua. Quem roubou o quê? Qual político foi denunciado? A Polícia Federal deu busca onde? Quem foi preso? Qual o novo conchavo do Congresso Nacional? E o do STF? Qual bandido, desta vez, foi solto pela nossa "Justiça"? Tá demais! Tá demais! Não para nunca! Socorro, parem o mundo, que eu quero descer...

Paulo Sérgio P. Gonçalves ppecchio@terra.com.br

São Paulo

        

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ROUBALHEIRA GENERALIZADA

Até quando a roubalheira do dinheiro público vai continuar? A sociedade brasileira literalmente não suporta mais!

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do sul (PR)

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OPERAÇÃO LAVA JATO

 

A Operação Mãos Limpas, na Itália, teve como finalidade precípua combater a corrupção disseminada no seio da coisa pública italiana. A Lava Jato, na verdade, iniciou-se combatendo a corrupção nas estatais, inclusive na Petrobrás, passando, depois, a mirar a classe política em geral. Assim, o editorial "O partido da Lava Jato" (24/10, A3) demonstra que o ataque à classe política não é um combate necessário, salvo melhor juízo, com o que não concordamos, porque no Brasil a classe política está sendo usada por maus elementos para surrupiar a coisa pública. E a Lava Jato, desde que se comporte nos termos e nos limites das leis vigorantes, será um fator de limpeza no terreno político, eliminando os clássicos corruptos e aqueles que são candidatos a se locupletarem à custa do erário. E, na verdade, é assim que o povo deseja que a Lava Jato se comporte e atue.

José C. de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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'O PARTIDO DA LAVA JATO'

Concordo integralmente com o procurador Deltan Dallagnol e não acho que os policiais e procuradores estão se imiscuindo na política ao desmantelar quadrilhas formadas por ladrões disfarçados de políticos. A política, no Brasil, é um caso de polícia, daí a impressão de que policiais, procuradores e juízes estejam querendo se transformar em políticos. Não estão. São funcionários públicos zelosos querendo fazer jus aos salários que recebem do contribuinte. Muito diferentes de pretensos legisladores cujos patrimônios se multiplicam miraculosamente. Como contribuinte e eleitor, gostaria de ver punidos aqueles que ceifam vidas inocentes por meio de desvios milionários, todavia, o foro privilegiado (realmente um privilégio para criminosos de grosso calibre) os protege, e somente os julgados nas primeiras instâncias chegam a ser condenados.

Celso F. Alvares Leite celso@celsoleite.com.br

Limeira

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MINHAS OBSERVAÇÕES

Apesar da certeza de que este comentário, dirigido ao "Fórum dos Leitores" do "Estadão", não será publicado, nem por isso posso deixar de fazer algumas observações contrárias à posição do jornal manifestada no editorial de ontem (24/10, A3), de título "O partido da Lava Jato". Para mim, tais observações são absolutamente necessárias. O referido texto começa por criticar os procuradores da força-tarefa quando "(...) começaram a falar em saneamento da política como seu principal objetivo". A necessidade inquestionável da adoção dessa medida de saneamento da política, entretanto, não é o "principal objetivo" dos procuradores criticados. Como diz adiante o próprio editorial, "o objetivo da operação é colocar essas pessoas poderosas debaixo da lei", o que até agora, no que se refere a políticos, não foi possível conseguir apesar das ações desses obstinados agentes do Poder Judiciário, porque os "representantes dos eleitores" (sic) criam, modificam e interpretam leis a seu "bel prazer", todas para mantê-los impunes. E posições críticas como esta que o jornal está adotando não contribuem em nada para que se consiga alcançar o objetivo de saneamento político do País. Pelo contrário, dá "gás" para "assar a pizza" que se pretende conseguir. Mais adiante, o editorial critica que os procuradores "(...) parecem mais empenhados em construir a imagem de que a operação veio para salvar o Brasil (...)". E alguém tem alguma dúvida sobre isso? Como estaria o nosso país hoje, se não tivessem surgido a Lava Jato e seus estoicos agentes? Quantos bilhões a mais seriam drenados dos "nossos bolsos" e por quanto tempo ainda esta "hemorragia" continuaria a sugar o "organismo" nacional, não fosse a força-tarefa? Prosseguem as críticas com uma afirmação atribuída ao dr. Dallagnol, mas que na verdade é do jornal, dizendo que na visão dos procuradores a operação "tornou-se (...) única intérprete autorizada dos anseios nacionais" e que a "(...) sociedade dificilmente concordará com isso". Antes de emitir uma opinião como esta, o "Estadão" deveria copiar sua maior rival em São Paulo e criar um instituto de pesquisa, que poderia chamar de Dataestadão, para verificar, por exemplo, como mostra um levantamento recente, que 6 (seis) em cada 10 (dez) brasileiros veem "os políticos como os principais beneficiados pelos esquemas de corrupção revelados pela Operação Lava Jato". Com toda certeza, o anseio nacional é acabar com esta pouca-vergonha política, e para tanto não deixaria de autorizar a força-tarefa para realizar essa limpeza ética.

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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FRUSTRADOS

Em entrevista ao "Estadão", Sérgio Moro foi muito bonzinho com o Supremo Tribunal Federal (STF) quando disse que os ministros devem se sentir "frustrados por causa das ações que precisam julgar". Esse STF atual tem de tudo, menos de frustrado, porque são mais políticos do que guardiões da nossa Constituição. Os últimos habeas corpus concedidos a bandidos perigosos do colarinho branco e falas ditas à imprensa por vários ministros mostram que não estavam preparados para a função. Estariam melhor em carreiras políticas, enfrentando as urnas, e não decidindo o que é certo ou errado. As leis na nossa Constituição, para serem interpretadas, não existem "50 tons de cinza". São claras e objetivas, sem aquelas palavras rebuscadas que saem da boca dos ministros em seus julgamentos. Ao leigo parece até que são para confundir. Uma chatice só, porque frustrados ficamos nós! 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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A SOCIEDADE ALERTA

A Lava Jato representa a esperança dos brasileiros de que podemos ter um novo tipo de político no Brasil. Para que ela não termine em pizza, é preciso, como diz o juiz Sérgio Moro, que a sociedade se manifeste contundentemente, fique alerta e a apoie com afinco. Não vamos esmorecer agora! Vamos limpar o Brasil dos maus políticos! 

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

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O INSTINTO DE PLATEIA

O vírus inoculado pela mosca azul produz uma alteração no sistema biológico social. Os sintomas são previsíveis e repetitivos. Essa parte do sistema biológico comporta vários instintos: o sexual, proteção da prole, preservação da espécie, defesa de território, luta por ascensão na escala social. Todos existem nos animais superiores. Quando ratos recolhidos em diferentes lugares são colocados numa gaiola, eles brigam entre si nos primeiros dias, e após algum tempo as lutas cessam. O mesmo ocorre entre galinhas. A questão que surgiu entre os pesquisadores era: por que as brigas cessavam após um algum tempo? A resposta poderia ser simples: depois de um tempo, se conheceram e se tornaram amigos. A resposta é parcialmente correta, eles ou elas se conheceram, mas não para se tornarem amigos ou amigas. A questão é que, após as lutas, os mais fortes comiam primeiro e escolhiam os melhores lugares para dormir. Entre humanos é o mesmo. Todos lutam para encontrar as melhores condições e querem se destacar na plateia. Porém, quando são inoculados pelo vírus da mosca azul, o sistema biológico social fica hiperativo e não consegue parar. É importante conhecer essa dinâmica biológica para entender o que está acontecendo no Brasil. O foro privilegiado é para os mais fortes. Além disso, cada um tem uma cota de cargos para distribuir entre parentes e amigos, todos o amam. Quando entram no mundo das propinas, os mais fortes têm de ganhar mais, claro, não se contentam com milhões, com bilhões, talvez. Ao se tornarem populistas, julgam-se mais honestos e espertos. Essa dinâmica não é privilégio do mundo político, mas de todas as funções em que as pessoas possam se destacar: na parte estética, na cultura, nos esportes, nas artes, enfim, em tudo o que os seres humanos fazem. Quando a doença está instalada, o importante sempre é impressionar e controlar a plateia. 

Alfredo C. Soeiro acsoeiro4@gmail.com

São Paulo 

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PARA NÃO ESQUECER

O artigo "A Constituição de 1988 na visão de Roberto Campos", de Ney Prado, na página A2 de ontem (24/10), sobre a Constituinte de 1988, deveria ser publicado por mais dez dias seguidos, na primeira página e em letras garrafais; e distribuído em forma de "chuva de papel" em todos os bairros, cidades, praias e nos mais distantes rincões do Brasil. Em Brasília, deveria ser mostrado em forma de gigantesco painel. E em todos os canais de TV (aberta e a cabo), durante uma semana seguida, em todos os horários. Quem sabe assim a reforma política se realiza.

Sérgio Bruschini bruschini0207@gmail.com

São Paulo

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ROBERTO CAMPOS

Que saudade do Bob Field ao ler a página A2 do "Estadão" de ontem (24/10)!

Antonio de Padua Barbosa apb3@terra.com.br

Mogi Guaçu

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TRABALHO ESCRAVO, FIM DA POLÊMICA

 

Finalmente o Poder Judiciário teve a coragem necessária para barrar a portaria absurda, escravocrata e completamente desumana recentemente editada pelo Ministério do Trabalho, que buscou atender ao pleito da bancada ruralista. O argumento utilizado por Rosa Weber, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), ao conceder decisão liminar (provisória) que suspende a portaria do trabalho escravo, foi a mais coerente possível. O presidente da República não pode simplesmente baixar uma portaria que muda por completo o sistema de combate à escravidão. Essa história de tipificar melhor o que é trabalho escravo é conversa para enganar bobo, pois o real objetivo da medida era angariar votos para barrar a denúncia que será votada na Câmara dos Deputados. O presidente Temer tem se mostrado o representante do que há de mais antigo na elite brasileira. Parece-me que voltamos ao período do baronato, em que os senhores de terras usavam e abusavam da mão de obra barata. Cumprimento a ministra Rosa Weber! Esperemos que seus pares também cumpram com a mesma honradez a toga que vestem.

 

Willian Martins martins.willian@globo.com

Guararema

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TUDO AZUL... SÓ QUE NÃO

Está certinho o relator da CPI da Previdência, Hélio José (Pros), não há déficit, não há problema com a Previdência. Estão todos errados: Moody's, Zeina Latiff, Celso Ming, etc. Teoria da conspiração. Idade mínima? Regras de transição? Que nada! Tudo azul com o futuro da Previdência, não é, deputado? Hum! Um gargalo gritante, até cego vê o tamanho do ralo, sobra nada para a saúde da Nação.

Leandro Ferreira leandroferreoradasolva@gmail.com

Guarulhos

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O CUSTO BRASIL

Não existia nada pior na gestão do ex-presidente Sarney que o aumento desenfreado do custo de vida. As pessoas ficaram traumatizadas com os reajustes constantes e a alta generalizada e diária de todos os produtos. E é exatamente isso que começo a sentir nesta gestão do presidente Temer. Os combustíveis não param de subir, puxando, assim, todo o resto. Não se ouve um só alento, como uma redução do preço de algum produto ou serviço. O gás de cozinha está com seu custo estratosférico, assim como a energia elétrica, a carne, produtos de higiene e limpeza e por aí vai. Onde está o combate à inflação, presidente Temer e senhor ministro da Fazenda? Será que o senhor ainda não entendeu que o povo não aguenta mais pagar a conta das mordomias dos Três Poderes? Aumentar os itens básicos das classes menos abastadas é uma grande covardia, sr. Henrique Meirelles.

Elias Skaf eskaf@hotmail.com

São Paulo

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PÕE NA CONTA... DO LULA

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) concluiu que não há condições mínimas de celebrar acordos com a Oi. A maior recuperação judicial da história do Brasil se arrasta e parece que ninguém lembra que isso é fruto de mais uma operação mandrake  do PT e de Lula. A Oi é fruto de uma história repleta de absurdos. Durante muito tempo, BNDES, Previ e Petros foram seus principais acionistas, mas, por motivos desconhecidos, renunciaram ao direito de dirigir a empresa em prol de dois sócios privados: Carlos Jereissati e Sérgio Andrade (da Construtora Andrade Gutierrez e um dos principais financiadores das campanhas de Lula). O governo alterou o Plano Geral de Outorgas (PGO) exclusivamente para permitir que a Telemar comprasse a Brasil Telecom, transformando-se na atual Oi. Após esse evento os sócios estatais foram se retirando da empresa, em condições ainda não totalmente esclarecidas, e em benefício dos dois sócios privados nacionais e da Portugal Telecom. Somam-se a isso as propinas pagas ao PT (negociação de José Dirceu) e aos sócios do filho de Lula - Jonas Suassuna - fruto do laranjal do sítio de Atibaia. A torre de telefonia celular que foi colocada ao lado do sítio de Atibaia é só a ponta do tamanho do descalabro e da roubalheira que se processou na Oi. E isso ainda vai acabar sendo debitado na conta do contribuinte ou dos usuários de seus serviços, pois, como não há solução privada, haverá uma "solução" patrocinada pelo Tesouro Nacional (ou seja, todos nós).

Claudio  Juchem cjuchem@gmail.com

São Paulo 

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TURISMO NA ROCINHA

Sobre a morte da turista espanhola Maria Esperanza Ruiz, ao fazer um passeio turístico à Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, pergunto-me como é possível que se permita organizar visitas turísticas (pagas, é claro) a estas áreas. É como ir a um campo de batalha de um país em guerra. O responsável pelo "passeio" deve ser exemplarmente punido por sua irresponsabilidade e ganância. E espera-se que as autoridades do Rio de Janeiro façam sua parte, proibindo atividades dessa natureza e prevenindo os turistas a não fazerem essa loucura.

 

Luciano Nogueira Marmontel automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)

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CIDADE MARAVILHOSA

Quem em sã consciência leva um turista estrangeiro ou brasileiro para visitar a Favela da Rocinha, uma zona de guerra? A cidade do Rio de Janeiro está sendo evitada até por profissionais de outros Estados, por falta total de segurança, e seu destino é acabar como uma cidade fantasma. A grande verdade é que o Brasil inteiro chegou a um ponto sem volta na segurança pública. Se se reprime, morrem inocentes; se não combatida, a violência cresce a cada dia. Viramos uma Colômbia da época de Pablo Escobar.

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco

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PÂNICO COLETIVO

A morte de uma turista espanhola na Rocinha é o trágico retrato da aguda violência urbana que o Rio vivencia nos últimos tempos. Tal realidade, além de potencializar a crise financeira que atravessa a Cidade Maravilhosa, prejudicando seriamente o turismo, sua maior atração, desenvolve ainda na população que aqui vive uma espécie patológica de síndrome coletiva de pânico. Urge, assim, que as autoridades de segurança deem um basta nesta explosão de violência, para que a recuperação carioca possa ser paulatinamente iniciada, beneficiando o país como um todo.

José de A. Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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RACISMO NO FUTEBOL

Lendo a reportagem especial sobre racismo no futebol (24/10, A18), veio-me à mente este acontecimento jocoso e, ao mesmo tempo, vergonhoso. Na década de 1950, a equipe de futebol da Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas, conhecida como Macaca, viajou para a Suécia para realizar partidas naquele país nórdico. De volta para Campinas, o volante titular da Ponte, Pitico, de raça negra, narrou a alguns dos seus amigos fatos ocorridos nessa viagem. Com acentuado sotaque do interior paulista, disse ele: "Lá, na Suécia, é impressionante. As lindas loiras vinham conversar comigo em pleno qualquer lugar". Para os nascidos naquela época, como eu, que nasci em 1941, o seu espanto não era de estranhar. Os principais clubes sociais de cidades do Estado de São Paulo não admitiam negros em seu quadro associativo.

Roberto Bruzadin bobbruza@terra.com.br

São Paulo 

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SEPARATISMOS

O recente caos político-diplomático protagonizado pelos separatistas da Catalunha respinga no resto do mundo. Nos Estados Unidos, o fogo do separatismo no Texas reascendeu. Na Europa, diversos movimentos que desejam fracionar os países e a ordem estabelecida aproveitam para dar seu grito. E aqui, no velho Patropi, o separatismo também tem suas crias. O movimento sulista é o mais conhecido, porém há diversos outros, que desejam separar o Estado de São Paulo, o Nordeste, o Norte, o Estado do Rio de Janeiro; para citar apenas os principais. Em momentos de crise, é natural que tenhamos os bairrismos e regionalismos mais inflados. Afinal, é natural buscar um culpado - que não nós mesmos - para o problema que vivemos. O Brasil é uma nação com um idioma, uma história de colonização, uma moeda e uma Constituição. Temos regionalismos e tradições específicas, sim. Somos uma nação de imigrantes. E foram os imigrantes - oriundos de diversas partes do mundo, diversas etnias e diversas condições socioeconômicas - que construíram este país. Botar tudo a perder porque fulano se acha melhor do que ciclano? Porque a crise - oriunda da má política - quase quebrou o País? Não. Devemos evoluir, isso sim. Banir esta classe política suja, renovar os nomes que habitam o Congresso e nos unir, independentemente de nossa etnia, religião, origem e tradições. Somos um só povo. E unidos - invariavelmente - somos mais fortes. Separados, todos perdemos.

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz 

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INDEPENDÊNCIA DA CATALUNHA

Sem o aval da União Europeia jamais haverá uma Catalunha independente.

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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TIROS NO PÉ

Diferentes "tiros no pé" têm diferentes consequências, como o Brexit, que vai prejudicar mais de um país inteiro, a Grã-Bretanha, o referendo da Catalunha, que vai prejudicar uma região, a eleição de Donald Trump, que vai prejudicar a hegemonia americana. Isso com o olhar esperto da China, que pouco a pouco vai dominando a economia mundial. E temos os "tiros no pé" tupiniquins, como, por exemplo: 1) o do João Doria, que vai dar com os burros n'água, prejudicando-se e a uma cidade; e 2) o das classes política e jurídica, provocando anseios na sociedade para a volta das Forças Armadas ao poder.

Victor Hugo victor-raposo@uol.com.br

São Paulo

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