Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 03h00

ESTADO X NAÇÃO

Proposta debochada

Inacreditável! Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não desistem. Agora apostam no fim do auxílio-moradia para superarem a resistência do Planalto ao pleito imoral de um reajuste de vencimentos acima de 16%. Para início de conversa, auxílio-moradia, para quem tem casa própria na cidade onde trabalha, é uma excrescência inaceitável. Tal proposta pode ser classificada como ofensa à nossa inteligência, como a alegação do ministro Ricardo Lewandowski de que ministros aposentados estariam em extrema penúria. Com 13 milhões de desempregados e um número maior ainda de brasileiros que simplesmente perderam o ânimo, essa insistência de quem recebe os maiores vencimentos no serviço público, desculpem, mas beira a deboche. O fato de o Orçamento para 2019 ser extremamente deficitário não lhes diz respeito, assim como o acúmulo de processos naquele tribunal aguardando julgamento há anos também não vem ao caso.

GILBERTO PACINI

benetazzos@bol.com.br

São Paulo 

Voracidade corporativa

Excelente o artigo Corporativismo voraz, de José Antonio Segatto, no Estadão de sábado (A2). Com dados e argumentos sólidos ele mostra que o Brasil foi garroteado por corporações ativistas que conseguiram aumentar os privilégios dos incluídos e destruir o futuro dos excluídos. Para qualquer democracia, é uma doença das mais sérias. Precisamos alertar os presidenciáveis e os parlamentares para não se deixarem cair no conto das corporações.

JOSÉ PASTORE

j.pastore@uol.com.br

São Paulo

Ordem do dia

O professor Segatto, no seu artigo Corporativismo voraz, trouxe à luz de forma brilhante, concisa e clara um tema pouquíssimo discutido pelos políticos e por nós, cidadãos. Espero que esse tema seja mais recorrente nesse excelente diário.

CEZAR JOÃO AUGUSTO

cezar@mercabenco.com

São Paulo

Sangria tributária

O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, como burocrata da “intelligentzia barnabé” (Receita avalia criação de nova alíquota de Imposto de Renda para ricos, diz Rachid, 25/8, B6), com certeza proporá alíquotas de desconto do imposto que deixariam a maioria de seus irmãos altos funcionários fora dos novos limites. Joga dubiamente em duas mesas, tentando agradar a gregos e troianos, seja quais forem os que ganharem as eleições. Interessante caso de oportunismo.

ULF HERMANN MONDL

hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

Que pesadelo!

Ao ler o editorial As pressões por verbas (25/8, A3), bate-nos um sentimento misto de indignação e impotência, tal é o estado a que chegamos. Um país como o Brasil dizer que não tem R$ 3,5 bilhões para levar a cabo o recenseamento decenal chega quase a ser cômico. Afinal, R$ 3,5 bilhões equivalem, ao câmbio atual, a menos de US$ 1 bilhão, algo como o que Dilma torrou na compra daquela sucata de Pasadena, impropriamente chamada de refinaria. Isso para não falar dos bilhões que vieram à tona nas investigações do chamado petrolão, dos outros bilhões ofertados a ONGs “amigas” e mais tantos bilhões gastos em publicidade nos desgovernos Lula e Dilma; dos milhões entregues a movimentos sociais como o MST, à UNE e outras entidades esquerdistas, da farra dos cartões corporativos. Foram cerca de R$ 30 bilhões na Copa da Fifa e outras dezenas de bilhões na Olimpíada, não esquecendo os muitos bilhões (de dólares!) investidos pelo BNDES em países como Cuba, Venezuela, Angola, Nicarágua, Bolívia e outros da confraria rubra, dinheiro que foi e seguramente não voltará. E por aí vai o despautério. Como explicar que o CNPq esteja ameaçando zerar seus investimentos em pesquisa científica? Como imaginar o MEC sem recursos sequer para levar a cabo o Enem de 2019? É triste ver a que ponto chegou o Brasil nesta ressaca da farra fiscal em que nos meteu o lulopetismo. Mas o pior mesmo é saber que o principal responsável por toda essa desgraceira – o multirréu preso em Curitiba por corrupção e lavagem de dinheiro – ponteia as pesquisas para o Planalto. Se isso não for um pesadelo... 

SILVIO NATAL 

silvionatal49@gmail.com

São Paulo

Leito de Procusto

Se o déficit primário do País está estimado em R$ 139 bilhões, como informa o editorial As pressões por verbas, é porque as despesas previstas são da ordem de igual valor ou superiores às receitas. O que fazer para equacionar o problema? Ou aumentar as receitas – o que não é possível, em face da enorme carga de impostos sobre a nossa economia, sem retorno que a respalde e justifique –, ou diminuir as despesas. Em seguida, enquadrá-las, tanto quanto possível, na “cama de Procusto” orçamentária. Além disso, desvincular as receitas para permitir seu remanejamento em face das prioridades que surgirem e indicarem a necessidade desse procedimento. E só fazer gasto extra no caso – difícil, mas não impossível – de se conseguirem receitas extraordinárias (receitas de capital, por exemplo), que exigirão aval do Legislativo para ser utilizadas. Se nada disso for feito, só restará o velho sistema de empurrar com a barriga. 

JOSÉ ETULEY B. GONÇALVES

etuley@uol.com.br

Ribeirão Preto

Hora de mudar 

Está na hora da reversão do quadro caótico deixado pela esquerda, por causa da ineficiência na administração pública nos últimos 15 anos. Na verdade, não só ineficiência, mas também a conduta desonesta da corrupção, dívida pública, gastança desenfreada, tudo isso causando desemprego e desconfiança dos investidores. E como aqui as penalidades são relativamente leves, alguns dos responsáveis estão presos, mas outros já foram soltos, graças às corporações fortalecidas – sem falar na Segunda Turma... O que reamente queremos é um Brasil forte e confiável, com projetos objetivos de crescimento econômico e social que proporcionem aos brasileiros melhores condições de vida, saúde, educação e segurança.

FRANCISCO NAVAS FILHO

francisconavas@uol.com.br

São Paulo

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A maioria dos brasileiros passou 21 anos reclamando da ditadura dos militares, até cederem o governo do País à democracia. E o que fizeram os políticos nestes mais de 30 anos no exercício da democracia e poder? É desanimador, mas continuamos no Terceiro Mundo em educação, saúde, segurança e demais indicadores. Nem meus netos verão o Brasil no Primeiro Mundo.

LAÉRCIO ZANNINI

spettro@uol.com.br

Garça

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“A reportagem Chavismo usou câmbio negro para desviar US$ 1,2 bi nos mostra claramente as razões da paixão do PT pelos bolivarianos. Sempre usaram artifícios muito parecidos para se locupletar. Irmãos de sangue”

ODON FERREIRA DA COSTA / SÃO PAULO, SOBRE CORRUPTOS

odonfcosta@uol.com.br

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“Em cima do petróleo, os Maduros colheram os frutos do bolivarianismo: muito dinheiro para eles e sofrimento para o povo. Lula, dize com quem andas e te direi quem és”

JOSÉ CARLOS DE CARVALHO CARNEIRO / RIO CLARO, IDEM

carneiro.jcc@uol.com.br

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ADICIONAL PARA APOSENTADOS

Absolutamente inoportuna e mal analisada a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de estender a todos os aposentados que precisem de assistência permanente – os chamados acompanhantes ou cuidadores – um adicional de 25%. Ora, se essa medida for realmente implementada, não faltarão, num país como o nosso, primoroso em construir falcatruas as mais criativas, pensionistas que inventarão as mais diversas “necessidades” para pleitear um suposto cuidador. E daí para surgirem legiões de cuidadores fantasmas (ou “fake”, na linguagem moderna) será um pulo. Além do que, é incabível e irresponsável o STJ onerar o INSS em R$ 3,5 bilhões – o custo dessa medida – antes da tão necessária reforma da Previdência, em plena crise econômica e sem uma discussão mais ponderada e profunda da questão. Certos magistrados definitivamente carecem de visão mais abrangente dos problemas do País e da sociedade.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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APOSENTADOS, OS ETERNOS CULPADOS

Adicional a aposentado que depende de cuidador tem impacto de R$ 3,5 bilhões ao ano (“Estadão”, 24/8, A1-B1). Fizeram a conta rapidamente, com divulgação do “rombo”. Mas qual é o rombo dos “penduricalhos” do funcionalismo público e, em particular, dos congressistas? Isso o governo não divulga (ou nem sabe?). Considerando que a maioria dos aposentados ganha pouco mais do que o salário mínimo, os 25% significam algo em torno de R$ 250 ao mês. Por quantos dias é possível ter um cuidador com essa “fortuna”? 

Luigi Vercesi luigiapvercesi@gmail.com

Botucatu

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EM MARCHA LENTA

É incrível como este nosso Brasil anda em marcha lenta, mesmo percebendo que as fissuras da injustiça social e econômica existem e estão expostas. Esta lerdeza nas decisões dentro das nossas instituições é centenária e crônica. Como muito bem destacou o “Estadão” no editorial “O preço da procrastinação” (21/8, A3), em 12 de maio de 1870, 18 anos antes da abolição da escravatura, Joaquim Nabuco, um dos mais destacados abolicionistas, fez um duro discurso com relação à omissão da Coroa sobre a escravidão. No mundo cristão, era a única Nação que ainda mantinha a escravidão, como lembrou Nabuco. E somente depois de longos 18 anos acordamos para pôr um fim a esta grave lacuna humanitária. A marcha lenta, porém, continua depois de quase 150 anos da proclamação da República! Mesmo com a fratura exposta de um déficit fiscal que deverá fechar neste ano nos insustentáveis R$ 159 bilhões, com um PIB que não cresce, com mais de 13 milhões de desempregados, a saúde num caos que dá pena – ou, melhor, que mata brasileiros por falta de atendimento –, com a pior educação pública do continente, mesmo assim e perversamente, como diz o editorial, procrastinamos a reforma da Previdência, a tributária, a política, etc. E, em consequência, sem recursos para investimentos em infraestrutura e até saneamento básico, faltam também recursos para segurança pública, no que, infelizmente, o Brasil, detém o pior índice de assassinatos do mundo (64 mil brasileiros em 2017). O pior é saber que não temos mais dentro das nossas instituições um Joaquim Nabuco para defender esta nação. Dos nossos dirigentes públicos, eleitos ou não nas urnas, raros são os que estão preocupados com o Brasil. E não fosse a nossa imprensa, o caos seria ainda maior.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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COMO OS DIABOS FOGEM DA CRUZ

Embora esteja mais do que provado que a reforma da Previdência é crucial para a recuperação econômica do País, todos os candidatos à Presidência da República se esquivam de comentá-la, para não perderem preciosos votos.

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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A PREVIDÊNCIA E O PT

Sou assinante do “Estadão” há muitos anos e sempre encontro o que ler em qualquer página. Na sexta-feira, porém, não li a página A9 (“‘A Previdência não precisa de uma reformulação geral’”, entrevista com Marcio Pochmann, economista coordenador do programa do PT nesta eleição). É lamentável supor que alguém encontrará ali algo que possa ser aproveitado.

Paulo Mario B. de Araujo pmbapb@gmail.com

Rio de Janeiro

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HÁ SINCERIDADE?

Ouvem-se, a todo momento, grupos empresariais recomendarem máxima atenção do próximo presidente e suas equipes ao ajuste das contas, a reboque de reformas imprescindíveis, como a da Previdência, e à redução do tamanho do Estado. Quanto a este último aspecto, seria de todo conveniente investigar até que ponto os grandes investidores nacionais, ao respaldá-lo, estão sendo sinceros. Não será ele visto com cautela pela Fiesp, por exemplo, que vive manifestando preferência por um governo paizão, capaz de garantir aportes generosos oriundos do BNDES, e pelos ruralistas que impõem como condição para apoiar a reforma da Previdência um bondoso refinanciamento das dívidas do Funrural? Até onde os megaempresários brasileiros desejam realmente o enxugamento da ação oficial nos negócios?

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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QUE FUTURO NOS ESPERA?

O Banco Central informou que as remessas de dinheiro para o exterior no primeiro semestre deste ano superaram US$ 1 bilhão e, novidade, não foi capital especulativo. São famílias que levam seus recursos ao exterior porque chegaram à conclusão de que o futuro não é aqui. Além disso, há grande quantidade de brasileiros que migram para outros países sem dinheiro algum, na esperança de encontrar uma vida digna, mesmo que sem luxos, mas sendo respeitados em seu trabalho e podendo contar com boas escolas para seus filhos, segurança, apoio à saúde e uma aposentadoria que lhes permita desfrutar de uma velhice tranquila. Tudo, aliás, que o Brasil vem negando a seus cidadãos. A conclusão é que os dinâmicos e corajosos se mudam, os acomodados fazem concursos públicos.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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CADUQUICE

Bancos auferem lucros recordes sob quaisquer circunstâncias econômicas. Judiciário e ruralistas se batem por aumento de benefícios. Congresso se vale da necessidade da coalizão para receber o que acha que mereceu dar ao Executivo. Enquanto isso, o salário mínimo aumenta minimamente, o piso para pagamento de Imposto de Renda fica impavidamente estagnado há anos, educação e segurança são mera retórica de campanha e transportes públicos estão sempre aquém das necessidades reais de quem precisa deles. O que mais é necessário para provar que este sistema político caducou?

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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A ARMADILHA DO CHEQUE ESPECIAL

O cheque especial é, na realidade, uma armadilha. Usado como crédito fácil, resulta numa dívida muitas vezes impagável. A regulamentação de seu uso serve somente para atrair mais incautos, mascarando a armadilha. É uma cortesia muito boa quando bem usada; atende a uma emergência e facilita o equilíbrio das contas, porém deve ser usada com critério e parcimônia.

Fábio Duarte de Araujo abionyube@visualbyte.com.br

São Paulo

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CINTOS AFIVELADOS

As instabilidades do câmbio e da Bovespa resultam do cenário externo e, em maior dose, da indefinição do panorama eleitoral. O ilustre economista Armínio Fraga, em recente entrevista, afirma que os mercados vão reagir ao que for dito, a como forem ditas as coisas e a quem ganhar algum favoritismo até o pleito. A verdade, porém, é que a pouco mais de um mês das eleições ainda não se sabe, ou não se entende, o que até agora foi dito pelos candidatos, com o potencial de afetar as transações financeiras. Na equação do favoritismo entra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao deixar a pendenga sobre a candidatura de um preso em segunda instância se arrastar, não permitindo qualquer prognóstico concreto. Assim, parece certo o ex-ministro quando prevê um período de alta turbulência até outubro. Permaneçamos sentados, com os cintos afivelados.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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GRÁFICOS

Que ninguém alegue ignorância. A responsabilidade é de todos. A ladeira que o dólar sobe é a mesma em que o Brasil desce...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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DEPOIS DO TÚNEL

O que ninguém sabe é aonde o Brasil desembarca quando sair do túnel escuro e fétido em que se meteu: no velho continente de uma França justa, moderna e democrática, ou na África, do Zimbábue, onde nada é nada e tudo é menos que nada.

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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A CRISE NÃO PODE CONTINUAR

Está chegando o dia da decisão na corrida eleitoral deste ano. Mesmo condenado em segunda instância e preso, Lula e o PT insistem em sua candidatura. Mais importante do que permitir ou não que ele seja candidato é a Justiça Eleitoral decidir de forma terminativa. Salvo melhor juízo, se não pode apresentar todas as certidões exigidas para o registro, não há que falar mais nisso. O quadro tem de ser fechado com os que cumprirem as exigências legais. Precisamos recuperar o respeito às instituições e ao ordenamento jurídico. Os que repetidamente acusam o “golpe” devem ser chamados a responder por este crime de denunciação caluniosa, que põe em dúvidas nosso Poder Judiciário. Calar é consentir. Da mesma forma, os que tentam tumultuar a vida nacional têm de assumir a responsabilidade pelo que fazem. Os Poderes da República têm de funcionar, exigir o pleno cumprimento das leis e impedir todo tipo de desobediência civil. Sem isso, a crise continuará indefinidamente.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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FUX E AS ‘FAKE NEWS’

A pregação do ministro Luiz Fux ameaçando não diplomar um candidato eleito utilizando-se de uma “fake News” impressiona. Sua Excelência está decidido a cumprir fielmente a promessa, embora todos nós saibamos ser de difícil comprovação. Aliás, coisa mais fácil de comprovar já passou pelo TSE sem maiores consequências. Mas e se por um acaso o candidato de número 13 for eleito passando-se por um outro parceiro que, na última hora, não pode comparecer por um motivo de força maior: estava preso? Pode isso, ministro Fux?

Marco Antonio Esteves mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro

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ILEGAL

A Justiça é, de fato, cega. Um candidato condenado por colegiado, publicamente reconhecido “ficha suja”, postulante ao cargo de presidente, foi inscrito no TSE como se fosse “ficha limpa”.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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FANFARRICES DO CONDENADO

Como se já não bastasse o extenso dano causado pela política externa brasileira durante o seu mandato, vem agora o tuxaua Lula da Silva declarar-se vítima de um golpe continuado, ainda em andamento.  O pataqueiro de Garunhuns mais uma vez ofende a Nação e atenta contra o Estado de Direito. FHC certamente tem as credenciais necessárias para desmascará-lo perante a opinião pública internacional. Esperamos que sua pregação alcance os corações e mentes da audiência certa. E que a Justiça brasileira não mais tarde, nem falhe.

Luiz Ernesto R. Gozzoli gozzolil@bellsouth.net

Santos

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O MUDO FALOU

FHC falou, enfim, ainda que tarde. No “Financial Times”, mas muito tarde.

Lembro-me bem, não cheguei a ser filiado, mas fui eleitor do tucano de primeira hora. Desde quando aquele grupo formado por Franco Montoro, Mário Covas, FHC, José Serra e várias outras grandes figuras pelo Brasil afora abandonaram o PMDB dominado por Orestes Quércia para fundar um novo partido. Com muita dificuldade, ele começou uma brava luta para estabilizar a economia desde os tempos do presidente Itamar Franco. Conseguiu, entregou ao seu sucessor um Brasil muito melhor do que recebeu. Fez o mais difícil. Contudo, depois, assistiu calado à destruição institucional quase total do País pelo aparelhamento petista. Desnecessário descrever. Nem o seu legado soube ou não quis defender. Os seus correligionários, sabe-se lá por que, seguiram o mesmo caminho, o que garantiu o ostracismo para vários deles. Bons quadros até. Hoje, às vésperas de fazer 61 anos, não mais voto no PSDB, esperei tempo demais, o pronunciamento de FHC demorou muito mais do que podia, além do que falou pouco. O lugar para falar tudo era aqui, há muito tempo. Na minha opinião, ele e outros tucanos são corresponsáveis pelo desastre petista. Por omissão. A História falará por ele.

José Jairo Martins josejairomartins7@gmail.com

São Paulo

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PESQUISAS ELEITORAIS

Pelo andar da carruagem e, como não será preciso provar, alguns institutos de pesquisa vão colocar Lula na véspera da eleição com 101% das intenções de votos.

Luiz Frid  luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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2019-2023

Pelo resultado preocupante das pesquisas de intenção de voto às vésperas do pleito de outubro, o País segue ameaçado de manter tudo como d’antes no quartel de Abrantes (ou pior) no próximo quatriênio, de 2019-20123. Vota certo, Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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FEITIÇARIA BRABA

Se as pesquisas de opinião que objetivam saber quem são os melhores colocados na corrida ao Senado (lembrando que estão em jogo duas vagas por Estado) não estiverem equivocadas – o que duvido – e sem manipulação – o que não acredito –, muitos dos atuais senadores continuarão a representar seus Estados ano que vem. Mesmo com muitos deles envolvidos na Lava Jato e sendo acusados por outros crimes contra o erário cometidos quando exerciam cargos públicos, parece que a população ou não acredita na Justiça – que vem se esforçando no combate à corrupção – ou é muito ingênua ou os currais eleitorais, em pleno século 21 e com toda a penetração e atuação das redes sociais, continuam fazendo seus estragos na vida nacional. Ver os resultados apontando, por exemplo, para uma possível vitória de Renan Calheiros, Romero Jucá, Jader Barbalho e Eunício de Oliveira (atual presidente do Senado) é exemplo claro de que a maioria bebeu mesmo da água “enfeitiçada” a mando de um rei louco, e que é necessária uma “limpeza” institucional profunda e séria.

João Direnna  joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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O SISTEMA ERRADO

Tudo errado no sistema eleitoral brasileiro: os partidos políticos já escolheram quem será o próximo presidente da República, sem qualquer participação da população nessa escolha. Os partidos políticos agora vão receber bilhões de reais para fazer propaganda desses “candidatos”, a título de fundo partidário. Iniciado o horário eleitoral gratuito, mais uma aberração: um candidato tem 5 minutos de propaganda, enquanto os outros têm apenas 5 segundos! O sistema eleitoral brasileiro foi feito para atender os interesses dos partidos políticos e perpetuar o poder nas mãos desses partidos, é virtualmente impossível alguém conseguir furar esse sistema caro e profundamente injusto. O povo brasileiro deveria ir para as ruas protestar, exigir eleições diretas, acabar com a ditadura dos partidos políticos, que tanto mal já fizeram à Nação.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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IMERSOS NA LAMA

O que ninguém pensa é que há gerações inteiras que nasceram “sob corrupção” e que não são nem capazes de imaginar um mundo sem ela! Não fazem a conexão entre esta e as revelações da Lava Jato. Pelo contrário, os malfeitos são culpa de algumas pessoas. Essas gerações não têm a mínima condição de diagnosticarem que vivem imersas na lama, pois nunca viveram em outro solo. Alguns poucos afortunados viajam para o exterior e acabam por lá ficando. Muitos estão se preparando para ir embora caso o PT vença a eleição este ano. Os petistas virão com toda a sua fúria reprimida, expurgarão os bons, e recolocarão os maus no poder, afinal eles só funcionam por essa pobre lógica binária. E salve-se quem puder.

Sandra Gonçalves novosandgon@terra.com.br

São Paulo

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EM QUEM VOTAR

Gostaria de colocar alguns pontos para reflexão antes da decisão do “em quem votar”. O presidente não é um mágico que resolve todos os problemas, pois ele depende do Congresso, como se está vendo claramente no governo Temer. Por exemplo, grandes perdões de dívidas para os ruralistas foram aprovadas pelo Congresso, vetadas por Temer e os vetos derrubados pelo Congresso. Moral da história: é mais importante ter um bom deputado e um bom senador que um bom presidente ou governador. 2) Não vamos esperar o milagre – que não costuma acontecer – de não serem reeleitos os políticos venais que temos – continuarão a ser eleitos os de sempre como Renan Calheiros, os Sarney e toda essa turma, pois a maioria dos votantes não presta atenção em quem vota para o legislativo e vota “em quem já ouviu falar” (como, por exemplo, o Romário, o Aurélio Miguel, o Tiririca...) ou até mesmo no nome do “santinho” que estava no chão no caminho do local de votação! Então, precisamos colocar gente nova, com outra mentalidade e fazer esforços para divulgar – principalmente entre os menos informados – a importância de escolher bem seus deputados e senadores e não apenas o seu presidente e o seu governador. 3) Se dentre os candidatos a governador e a presidente não há o candidato de seus sonhos, aceite que você tem de escolher “o menos pior” e “o que tiver as melhores chances de fazer um melhor governo”, lembrando que, como disse acima, o executivo não governa sem o legislativo, e gente que não tem partido nem coligação será massacrado pelo Congresso... e não vai fazer nada do que prometeu. 4) Gente que promete demais não cumpre. Melhor exemplo que Lula não tem! Todos acreditaram que eles governariam para os pobres, mas eles acharam que os pobres eram eles e enriqueceram deixando com os pobres as dívidas do Fies, das compras de eletrodomésticos em prestações e por aí vai. Temos de votar em gente realista, que tenha alguma condição de fazer algo, e não em sonhadores, que não conseguirão transformar seus sonhos em realidade...

Cristiane M. da Silveira Magalhães cris_magalhaes@uol.com.br

São Paulo

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SAÍDA DE EMERGÊNCIA

A menos de dois meses da eleição a grande maioria dos eleitores sabe em quem “não” votar para presidente, deputado federal e senador, e não é culpa do eleitor, da desinformação. Ao contrário, quanto mais o eleitor pesquisa e se informa, mais cresce a indecisão, por falta de candidatos equilibrados, com perfil definido, projeto de governo apropriado para a nossa realidade. Temos até candidato virtual, que pode ou não estar na urna em outubro; temos candidatos extremistas, centristas, místicos, ecológicos, tecnológicos ou qualquer adjetivo que diferencie um do outro. Os eleitores estão como passageiros de avião de primeira viagem, que procuram sentar-se ao lado da porta de emergência, imaginando ter mais chances em caso de queda. Resta saber quem é este candidato “porta de emergência”.

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco

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DEMOCRACIA DITATORIAL

As pesquisas eleitorais brasileiras, em todos os níveis das instâncias disputadas, são inexoráveis e precisas: somos todos, brasileiros, reféns dos partidos políticos que nos impõem escolhas e opções restritas, e ficamos entre os candidatos ruins e aqueles piores ainda. E como votar quando o eleitor gostaria de votar em nenhum dos candidatos? Bem, aí a democracia é ditatorial: ou o cidadão eleitor vota ou sofre restrições e penalidades. E assim, depois, os eleitos refletirão a democracia representando a Nação nas suas decisões, a partir das deliberações das bancadas dos partidos políticos; e sendo, por consequência, decisões democráticas, legais e legítimas.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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ELEIÇÃO EM MINAS GERAIS

Chega a ser espantosa a incoerência do eleitorado mineiro. Para governador, Anastasia lidera as pesquisas de intenção de voto, porém, para o Senado, as mesmas pesquisas indicam a liderança de Dilma Rousseff, esta mesma, apeada da Presidência da República por crime de responsabilidade, e uma figura oposta à do governador em termos de postura política. É como acender uma vela para Deus e outra para o diabo. Com estas incoerências do eleitorado, será muito difícil de o Brasil virar um país sério.

Godofredo Soares godofredocaetanosoares@gmail.com

São Paulo

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A INTERVENÇÃO MILITAR NO RIO

Repetindo Nélson Rodrigues, a unanimidade é burra, da mesma forma que ninguém pode contentar a todos sobre determinadas ações ou providências. A intervenção militar no Rio de Janeiro era necessária e contentou a maioria da população, embora todos saibam que a atividade policial só pode ser exercida satisfatoriamente pelas forças de segurança estaduais, por meio das Polícias Militares e Civis. Os militares são treinados para a guerra, para os combates contra adversários, mas nunca contra irmãos de Pátria. No entanto, se erros existirem, merecem ser perdoados nos limites da legalidade, levando em conta que as intervenções militares sempre surtem o efeito de afugentar os bandidos e os transgressores mais violentos e agressivos. No caso do Rio, não se pode esquecer de que os militares estão realizando uma verdadeira limpeza nas polícias civil e militar, erradicando os corruptos e impondo a todos o dever irrecusável de combater a criminalidade. De todo o esforço, sem dúvida, sobrarão lições de dignidade, honestidade e ética a todos.

José C. de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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O OLHAR DA ONU

“ONU se diz preocupada com violência no Brasil contra venezuelanos” (“Estadão”, 23/8). Curiosamente, a ONU se preocupa com a violência contra refugiados venezuelanos em Roraima, que nasceu da incapacidade do Estado de dar um mínimo de suporte aos imigrantes forçados que aqui chegaram. Nenhuma palavra se perdeu contra a ditadura de Nicolás Maduro, que arruinou aquele país e gerou o êxodo, bem como os muitos assassinatos de brasileiros que acontecem no Brasil, advindos do embate entre grupos de crime organizado, além da violência galopante que é produzida por uma verdadeira guerra civil interna que penaliza a sociedade.

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

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CORRUPÇÃO NO FUTEBOL

Por que José Maria Marin e seus amigos na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nunca incomodaram nosso Ministério Público e nossa Justiça? No Brasil, são todos honestos. E por que José Maria Marin foi condenado nos EUA a quatro anos de prisão e multa de U$$ 1,2 milhão? Com a palavra, nossos promotores públicos e nossa Justiça.

Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

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MARIN É VÍTIMA

Chega a ser patética e comovente a bravura cívica de alguns leitores contra o octogenário José Maria Marin. É cômodo e fácil tripudiar, jogar pedras e mandar para o fuzilamento pessoas que não têm mais energia e saúde, e não podem mais se defender como gostariam. Marin acabou sendo a única vítima da brutal e implacável vingança dos Estados Unidos depois que os norte-americanos perderam a disputa para sediar a Copa de 2018. Marin foi bravo: permaneceu preso, embora com 86 anos, saúde debilitada, mas não delatou ninguém para tentar salvar a própria pele, como costuma fazer a maioria dos detentos. Sou amigo fraternal de Marin há 40 anos e permaneço seguro de que o ex-atleta do São Paulo, ex-vice-governador paulista e ex-presidente da CBF não fez nada de errado que desabone sua conduta. Nessa linha, é oportuna a lembrança de Augusto dos Anjos para os paladinos por correspondência: “A mão que afaga é a mesma que apedreja”.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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