Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para a edição impressa e portal estadao.com.br

O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 03h00

MUSEU NACIONAL

‘Os donos do incêndio’

A reflexão suscitada no editorial Os donos do incêndio (5/9, A3) indica corretamente que a sociedade brasileira pode ter sido impelida ao julgamento fácil e parcial sobre as responsabilidades no desastre que acometeu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, vinculado à UFRJ. Ora, como indicam os números apresentados, o orçamento da universidade cresceu significativamente, mas esse crescimento foi direcionado quase exclusivamente ao pagamento de servidores, em vez de ser para a pesquisa e o aprimoramento científico e tecnológico da própria instituição. Como demonstra o episódio do incêndio, uma decisão extremamente temerária e equivocada, pois a preocupação com os recursos humanos deveria estar a reboque da existência da ocupação desses servidores. Afinal, hoje temos um inexistente museu, com diretores e servidores; do mesmo modo há uma estatal para o desenvolvimento e administração do trem-bala – deveria ter sido construído até a Copa de 2014 – que mantém 146 servidores sem funções práticas (Um país exausto, 3/9, A3). Mais grave ainda é o aparelhamento partidário das universidades públicas por facções políticas avessas ao jogo democrático e que confundem a missão institucional com a oposição político-partidária, sendo remunerados para oferecer possivelmente um boicote sistemático do próprio trabalho que deveriam desenvolver, a fim de confirmar suas teses obscuras. Nessa perspectiva, são todos preparadores e donos do incêndio – tanto do que aconteceu como dos que virão. Todas essas ponderações indicam quanto precisamos evoluir para estancar o severo desperdício de recursos públicos de natureza financeira e humana, os quais deveriam operar em benefício de toda a sociedade brasileira.

AIRTON REIS JÚNIOR

areisjr@uol.com.br

São Paulo

Cabidão

Enciclopédico o editorial Os donos do incêndio. É ponto pacífico que o Museu Nacional padecia de falta de dinheiro para implementar medidas de segurança. Sabe-se também que parte substancial dos parcos recursos era usada para pagar aos funcionários públicos que trabalhavam na instituição. Pergunta: com a destruição do museu, para onde vão os funcionários não demissíveis? Se essa instituição fosse privada, os empregados seriam demitidos. Deus salve este país.

JOSÉ SEBASTIÃO DE PAIVA

jpaiva1@terra.com.br

São Paulo

O que está em risco

A indignação e a tristeza manifestadas neste Fórum sobre o incêndio do Museu Nacional, bem como o editorial de 5/9 que revela com números e fatos a inépcia fiscal e administrativa da UFRJ (leia-se PSOL e PCdoB) nesse episódio se concentram, como é natural, na perda irreparável do patrimônio histórico e cultural. Contudo não pode passar sem registro o fato de que os incêndios recentes em locais públicos, como o Memorial da América Latina, o Museu da Língua Portuguesa e agora o Museu Nacional, por um extraordinário golpe de sorte, aconteceram quando esses locais estavam fechados. Não fosse essa circunstância, a precariedade da segurança contra incêndios e a numerosa afluência de público (o Memorial, por exemplo, comporta 1.600 pessoas) decerto causariam imprevisível número de vítimas de morte. Não é só o patrimônio que está em risco!

CELSO L. P. MENDES

CelsoLPMendes@ieee.org 

São Paulo

Aparelhamento político

A falência do Estado na Venezuela, o vergonhoso voto do ministro Edson Fachin no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o chocante incêndio do precioso Museu Nacional guardam entre si a mesma singularidade: o aparelhamento político das instituições. O editorial Os donos do incêndio tocou no ponto certo. A falência do Estado é consequência da incompetência e da corrupção que acompanham o aparelhamento político em universidades, agências reguladoras, estatais e tribunais. As mudanças em outubro terão de ser radicais. O povo não aguenta mais políticos com propostas meia-sola. O político decente não pode ser condescendente com a prática do aparelhamento institucionalizado pelo PT e que, infelizmente, parece não ter fim. 

NILSON OTÁVIO DE OLIVEIRA

noo@uol.com.br 

São Paulo

Culpe-se a esquerda

Sim, a culpa pelo incêndio é da esquerda. E não só porque toda a cúpula da UFRJ (que endossou tratar-se de tragédia anunciada) foi nomeada pelo PT, mas também é filiada ao PSOL. Aliás, reparem no silêncio da tropa de pseudointelectuais que fez todo aquele alvoroço quando Temer ensaiou fundir o Ministério da Cultura com outra pasta. Com a fumaça das chamas extinta, a história do ocaso do Museu Nacional vai vindo à tona e eis que surge a informação de que há anos foi feita proposta para que o museu recebesse doação de US$ 80 milhões do Banco Mundial sob a condição de se tornar uma fundação. Ou seja, deixaria de ser gerido por um ente do Estado (se é que isso pode ser considerado gestão) e poderia passar a receber doações, ter orçamento independente da UFRJ, etc. Mas a esquerda, com sua fome de controle da sociedade via aumento da atuação do Estado, preferiu ver tão importante patrimônio cultural queimado... Chega de ideologia na cultura! E na educação, na saúde, na segurança e na Justiça. Procura-se um estadista!

OSCAR THOMPSON

oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

JUSTIÇA E ELEIÇÕES

Inelegível chapado

Que consciência política e cultural é essa que permite uma discussão até no STF da candidatura à Presidência de um condenado por dano cometido à Nação?

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

Lá como cá, reflitamos

Reflexão não faz mal a ninguém, sobretudo às vésperas de eleições tão importantes como essas que se avizinham no Brasil. Estamos num mundo em permanente mutação em todas as áreas. A tecnologia, os conflitos sociais, as crises econômicas, uma educação a reboque das transformações vertiginosas, políticas e políticos atípicos, tudo isso merece uma observação mais atenta. Ainda ontem o Estadão publicou artigo do New York Times sob o título Qual a finalidade da Suprema Corte?, assinado pelo escritor e jornalista David A. Kaplan (A12), onde se percebe que a coisa é de âmbito mundial. Vejamos um pequeno trecho: “A arrogância da corte enfraquece o Congresso. Os legisladores reconhecem que há pouco benefício em realizar seu trabalho se, no final, a corte vai resolver as questões difíceis de qualquer forma”. O artigo merece ser lido na sua totalidade. Não estamos sós, porém, lá como cá, o voto resolve.

ÉDEN A. SANTOS

edensantos@uol.com.br

São Paulo

 

COMO GENTE GRANDE

O candidato ao governo do Rio de Janeiro Anthony Garotinho foi condenado na terça-feira pelo Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2), por unanimidade, pelo crime de formação de quadrilha. Como o julgamento foi em segunda instância, ele poderá ficar inelegível por oito anos. Nos últimos tempos, Garotinho tem escapado da cadeia, cinematograficamente e com muita malcriação e travessuras. Esperamos, agora, que, além de perder os direitos políticos, pague na cadeia pela série de crimes que praticou durante sua extensa carreira política. Já é hora de a Justiça brasileira tratar Garotinho como gente grande.

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

*

ESPERNEIO

Condenado na segunda instância, Garotinho pode ser preso e ficar inelegível. Quer ver o garoto que teima em não obedecer às leis espernear novamente?

José Roberto Niero jrniero@yahoo.com.br

São Caetano do Sul

*

CHEGA DE TERGIVERSAR

O eleitor é, hoje, vítima de uma situação que não criou, e vê líderes políticos comprometidos pedindo o seu voto. O ex-presidente Lula, apesar de preso, insiste em ser candidato - o que lhe foi negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE); José Dirceu, condenado a mais de 30 anos, foi solto pelo Supremo Tribunal Federal (STF); Dilma Rousseff, que deveria estar inelegível por oito anos, concorre hoje ao Senado; e Anthony Garotinho, condenado em segunda instância, engrossa o time dos inelegíveis que lutam por concorrer. Tudo num calendário eleitoral curto, a apenas um mês das eleições. Carecemos de uma reforma de procedimentos que tornem o direito efetivamente positivo e não permita tergiversações. O legislador definiu que político condenado por um colegiado é ficha-suja e não pode ser candidato; governante afastado por impeachment é inelegível por oito anos; e condenado em segunda instância tem de cumprir a pena. Não há mais o que discutir. Tudo o que se faz diferente disso serve apenas para enfraquecer as instituições e manchar ainda mais a imagem do político nacional perante o eleitorado. É a decepção quanto à eleição e aos Poderes constituídos, que se amplia e nos conduz a um futuro incerto.

Dirceu Cardoso Gonçalves  aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

        

*

TRUQUE BAIXO

Que o respeitável Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após ter barrado a inaceitável candidatura do condenado ficha-suja Lula, continue atento e vigilante contra a maracutaia ilusionista petista de querer confundir e ludibriar o incauto e ingênuo eleitor do partido com o truque ótico de sua campanha eleitoral, que mistura de forma criminosa, própria da grei, o "candidato Lula" e o "candidato de Lula". Às vésperas da eleição, todo cuidado será pouco. Vota certo, Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

*

SONOPLASTIA

Ao esticar a corda, "Lulla" deu o tom de campanha. Será tocada com Haddad em lá, lá de laranja...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

*

CARA DE PASSADO

É o fim da picada: Fernando Haddad foi acusado na segunda-feira, pelo Ministério Público de São Paulo, de ter cometido crimes de corrupção, quadrilha e lavagem de dinheiro. Comenta-se que a estratégia do PT na escolha do candidato a vice-presidente era usar alguém que ainda não estivesse associado à corrupção. Alguém com cara de futuro, e não de passado. Está na hora de Lula trocar de vice. Se Haddad continuar, o tempo todo, pondo a máscara de Lula, podem acabar confundindo as coisas. 

Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

*

ELEITORES

A maneira como têm sido tratados os eleitores mostra a absoluta falta de respeito a eles. Diante das pesquisas, com ou sem Lula, as previsões são impressionantes, sendo eles jogados para lá ou para cá, como se fossem absolutamente amorfos, sem qualquer descortino ou vontade própria. São tratados, pelos que disputam o espólio de Lula, como imbecis. Será isso o que realmente pensam de nós os políticos? Talvez até tenham razão...

Décio Antônio Damin deciodamin@terra.com.br

Porto Alegre

*

'TÁ TUDO DOMINADO?'

Neste momento, Lula, da inacreditável cela climatizada em Curitiba, e Marcola, do telefonicamente vulnerável presídio em Tremembé, turbam e conturbam a cena político-eleitoral e a paz social, respectivamente. Nada e ninguém se ergue para reduzi-los ao que são: criminosos comuns, delinquentes inescrupulosos em seus fins. Desafiam a lei, instigam advogados a iniciativas impensáveis, como, no caso de Lula, a de pretender que dois peritos de comitê chinfrim da ONU possam desmontar a estrutura judiciária eleitoral do Brasil; e, na outra ponta do absurdo, Marcola age como o sinistro senhor da morte de alguém, em qualquer ponto do território nacional. Em resumo, se é para provocar, provocam. Se para achincalhar, achincalham. E tudo parece dominado.

José Maria Leal Paes tunantamina@gmail.com

Belém

*

'ATENTADO À SOBERANIA'

"Atentado à soberania", foi assim que o "Estado" (4/9, A3) chamou as imorais tentativas das lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) para fazer de Lula da Silva o candidato do PT à Presidência da República. A despeito da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o recusou com fundamento em legislação explícita, o PT, que não está nem aí para a Justiça, prossegue anunciando Lula como postulante ao cargo e já anunciou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido de liminar que autorize a candidatura. Pretendem os petistas que a decisão seja do ministro Ricardo Lewandowski, que, segundo eles, seria o juiz natural da causa. E aí é que mora o perigo: Lewandowski nem sempre é fiel à Constituição e, para ficar num só exemplo, patrocinou a manutenção dos direitos políticos de Dilma Rousseff no processo que a destituiu da Presidência, ignorando o mandamento constitucional. O que mais poderá fazer num caso envolvendo o prisioneiro petista? Fica o alerta aos brasileiros: ameaças à soberania, nos dias de hoje, encontram eco não nos quartéis, mas, sim, em palácios na capital federal.

Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

*

SOBERANIA NACIONAL

Apesar de toda a crítica fundamentada que tem sido apresentada ao absurdo voto do ministro Edson Fachin no TSE, favorável a Lula, informações que circulam na mídia indicam que outros ministros do STF também defendem que uma recomendação de duas pessoas de um conselho da ONU deve prevalecer sobre a assinatura dos milhões de brasileiros que propuseram a Lei da Ficha Limpa, o Congresso e o Judiciário nacionais. Absurdo atentado à nossa soberania. Verdadeiro crime de lesa-pátria. 

Marcos Lefevre lefevre.part@hotmail.com

Curitiba

*

O COMITÊ DA ONU E AS NOSSAS LEIS

O presidiário Lula da Silva quer que o Brasil cumpra, incontinente, a "recomendação" do Comitê de Direitos Humanos da ONU para que "elle" possa participar do certame eleitoral, mesmo sabendo que esse órgão não tem poder para interferir nas leis de qualquer país. Mesmo assim, diz que não acatará a decisão imposta pelo TSE. Na verdade, "elle" quer a destruição da democracia. Fora Lula e toda a sua quadrilha petista! 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

*

O VERDADEIRO PLACAR

Cumprimento os ministros do TSE no julgamento da candidatura do ex-presidente Lula (preso) para a Presidência da República, no qual o ministro Edson Fachin levou uma lavada não apenas de 6 a 1, mas, contando os votos dos signatários da Lei da Ficha Limpa, foi previamente de 1,5 milhão a 1. 

Valdy Callado valdypinto@hotmail.com

São Paulo

*

ATÉ ONDE VÃO?

Depois de ouvir o "não" do TSE, o PT vai ao STF. E depois? Vão recorrer a quem? A Deus? Porque com o diabo já fizeram um pacto há muito tempo!

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz 

*

PARTIDO OU FACÇÃO CRIMINOSA?

PT afronta voto do TSE e insiste em candidatura de Lula. O princípio de que decisão judicial não se discute, apenas se cumpre, não faz parte da cartilha da PT. Portanto, este partido está mais para uma facção criminosa, que segue regras próprias estabelecidas pelos chefões. Desta forma, o que se espera do TSE é que, diante dessa insubordinação que insufla perigosa rebelião nos seus eleitores, cancele imediatamente o registro do PT, já que este não se encaixa definitivamente nas regras democráticas. Terão medo das consequências? Medo temos nós, o povo, de que esta facção retorne um dia ao poder e nos condene a um destino tal e qual o da Venezuela e de Cuba. Fim do PT já!

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

*

DE VOLTA AO RUMO

Nenhuma novidade a afronta do PT ao Judiciário, insistindo na propaganda "Lula presidente". Há década que o partido afronta a Justiça Eleitoral, inclusive quando o delinquente preso viajava inaugurando até cancela de aeroporto com "Dilma, a gerentona", que destruiu a economia do País. Fez acintosamente propaganda fora do horário eleitoral, usando de toda a máquina pública, desautorizando tudo e todos. Essa ousadia faz parte do programa determinado pelo Foro de São Paulo. Portanto, se o Judiciário, que acaba de se dar aumento salarial quatro vezes acima da inflação, mesmo com o País quebrado pelos governos petistas, deveria agir por merecer, punindo e até cassando a sigla do PT por desacato ao TSE, nós queremos a volta das nossas instituições funcionando para todos, e não abrindo exceções para uns e punindo outros. O Brasil precisa voltar ao rumo certo.

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

*

O OPOSTO IDÊNTICO

Jamais imaginei que o PT produziria o paradoxal oposto idêntico, os bolsonaristas, seja na truculência ao desacreditar as instituições, a política e os políticos com generalizações injustas e os valores democráticos mais básicos. É deveras assustador testemunhar a preferência da sociedade brasileira por tais tendências. De fato, deste pleito surgirá o atestado de maturidade do povo brasileiro. Oxalá tenha aprendido algo com a triste experiência do lulopetismo no poder. 

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas

*

FOGO AMIGO

Na propaganda eleitoral na TV para os deputados do partido do presidiário, pasmem, aparece ao fundo alguém segurando uma faixa enorme com os dizeres "Condenado".

                                             

Jatiacy Francisco da Silva jatiacy@hotmail.com

Guarulhos

*

VICE DE NINGUÉM

A Globonews está apresentando todos os dias desta semana entrevistas com os candidatos à vice-presidência. Hoje, quinta-feira, será a vez de Fernando Haddad, que se apresenta como vice de Lula. Isso é uma afronta às leis, pois uma pessoa não pode ser vice de ninguém. Lula já foi declarado inelegível pelo TSE em razão da Lei da Ficha Limpa, por corrupção e lavagem de dinheiro. Considero um desrespeito esta entrevista.

Paulo Daniel Emmel pdemmel@terra.com.br

São Carlos

*

GOVERNO 'LULLA' 2019

Janeiro de 2019: Fernando Haddad assume a Presidência da Republica. Salve 1: assina perdão ao "cumpanheiro" Lula, visto que todo o processo foi político e nada foi provado. Enquanto o processo de perdão judicial tramita, ele emite o salve 2: propõe o cancelamento da reforma trabalhista e a reversão de todas as privatizações e concessões do governo anterior. Salve é a nova denominação das antigas medidas provisórias que eram emanadas do Palácio do Planalto. Agora, são originadas diretamente da carceragem de Polícia Federal em Curitiba

Claudio Juchem cjuchem@gmail.com

São Paulo

*

ALCKMIN DENUNCIADO

Após longa permanência à frente do governo de São Paulo, marcada por inúmeras denúncias de envolvimento em esquemas de corrupção, o candidato Geraldo Alckmin foi denunciado pelo Ministério Público (MP) de seu Estado, pelo crime de improbidade administrativa - ele, que sempre governou procurando cooptar membros do MP para compor seu secretariado.

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

*

A ALTERNATIVA ALCKMIN

Podemos não gostar de Alckmin, mas diante de Jair Bolsonaro, que pensa só como militar, do poste lulista ou daquele que faz lembrar um velho coronel do Nordeste, a alternativa menos sofrível é o governador paulista, o único que tem experiência suficiente de governo, quando administrou um Estado com mais de 40 milhões de habitantes e quase a metade do PIB do Brasil e pode não ter sido aquele que aprovaríamos de olhos fechados, mas parece ser o único com capacidade de gerir um país quase continente e com problemas inerentes a este porte.

Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo

*

POLÍTICA DEPRAVADA

As eleições chegaram: uns abraçam o papel vocacionado de objeto animado; outros descem vacilantes de um disco voador verde, sem uma mísera semente nas mãos; postes sem luz apostam sem constrangimento na confusão do eleitor e na desconstrução de tudo o que fica em pé; e há também os que vestem capa de heróis vingadores, montados em cavalos brancos, e os que simulam austeridade de sumo pontífice, mas sempre rodeados de "leais" saqueadores do Estado. Assim caminha a patética política brasileira. Precisa-se realmente de algo novo no horizonte. 

Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia

*

CONTOS DE VIGÁRIO

Voltamos a enfrentar o horário eleitoral obrigatório (voltou a escravidão), em que os candidatos ficam contando promessas de vigário. Para piorar a situação, nos noticiários as TVs ficam repetindo os contos do vigário dos políticos. Parece anedota de loira.

Mário A. Dente eticototal@gmail.com

São Paulo

*

ANIMADOR DE AUDITÓRIO

Apesar de tudo o que sofremos e continuamos sofrendo, os brasileiros não querem um presidente. Querem um animador de auditório. Tanto é que temos dois liderando as pesquisas de intenção de voto.

Marcelo Melgaço melgacocosta@gmail.com

Goiânia

*

PROMESSAS 

Em sua campanha eleitoral, o candidato a presidente Henrique Meirelles promete abrir 10 milhões de vagas de trabalho em seu governo. Captei! Ele vai criar dez novos ministérios!  

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

*

MINISTÉRIOS

Presidente Michel Temer, o senhor tem ouvido ou leu a notícia de que o presidente da Argentina, Mauricio Macri, vai simplesmente eliminar de 13 de seus ministérios, de um total de 23 que o país tem, para reduzir despesas? Tal notícia não mexeu com o seu emocional ou gerou arrependimento pelo fato de não ter feito o mesmo no Brasil, onde temos um universo de 23 ministérios, sendo 29 pastas? Era necessário manter o circo em pé e produzir cada vez mais cabides de emprego para agregar e sustentar todos os chupins e puxa-sacos que lhe rodeiam, mamando nas nossas tetas e nos saqueando, não é?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

*

INCÊNDIO NO MUSEU NACIONAL

Referindo-se ao lamentável incêndio, muitos leitores deste fórum, e mesmo a imprensa em geral, têm feito severas críticas (com o que estou de pleno acordo), fazendo citações à destinação de verbas para diversos eventos de menor significação do que a manutenção adequada do patrimônio da Nação. Entretanto, e é incrível, não consigo encontrar nenhuma crítica comparando a absurda entrega de R$ 1,7 bilhão aos insignificantes partidos políticos, ninhos de corrupção, por meio do Fundo Eleitoral, em detrimento do bem maior que é a preservação do patrimônio histórico do Brasil. Não sei se é melhor dizer que se trata de omissão geral ou até mesmo covardia generalizada para com os políticos.

Adib Hanna adib.hanna@bol.com.br

São Paulo

*

NÃO É SÉRIO

Num país que gastou, em um ano, R$ 54 mil na manutenção de seu principal acervo histórico, o Museu Nacional, ver seu conteúdo virar cinza é triste, ainda mais que no mesmo exercício o País disponibilizou à classe política R$ 2,5 bilhões aos fundos partidários, a fundo perdido. Convenhamos, este não é um país sério...

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

*

RECONSTRUÇÃO

A tragédia do incêndio no Museu Nacional, com a perda irreparável de 90% de seu acervo, é uma boa amostra do todo, da incapacidade do Estado criado com a "Constituição Cidadã", por meio de seus funcionários muito bem pagos, com muitos direitos, poucos deveres e responsabilidades. O fato mostra como é necessária uma reforma geral, para que se tenha de novo um Estado capaz de atuar efetivamente em prol da sociedade. Não é só um museu a ser reconstruído, mas todo o Estado hoje totalmente falido.

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

*

CULPADOS

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, em entrevista à BBC News Brasil, afirmou que os culpados pelo acontecido ao Museu Nacional foram os governos do PT, "(...) que levou o País à recessão", visto que o museu é mantido com recursos do governo federal e quem determinava quanto ia para o museu não era o governo nem o Ministério da Educação, era a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Artur Topgian topgian.advogados@terra.com.br

São Paulo

*

OPORTUNISTAS

A imprensa noticiou que "estudantes" invadiram, em protesto, a área do Museu Nacional na Quinta da Boa Vista, após o lamentável incêndio. Triste ver o futuro da Nação representado por jovens já contaminados pela lavagem cerebral neles programada por demagogos de plantão, pois não consta terem lá estado anteriormente, a despeito da deterioração interna e externa. Certamente, não se manifestaram antes porque museus não fazem parte de suas prioridades, preferindo agir como teleguiados, queimando pneus e bloqueando estradas em dias e horários de estudo e trabalho, ou, então, engrossando manifestações de certos "artistas" para os quais sempre houve a concessão de verbas públicas, com mínima ou nenhuma análise crítica!  

Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém

*

SEM HIPOCRISIA

Não há dúvida de que a responsabilidade pela manutenção do patrimônio cultural é do poder público. Entretanto, é preciso deixar a hipocrisia de lado e encarar os fatos. De nada adiantou uma multidão enfurecida ter se aglomerado em frente ao que restou do Museu Nacional do Rio de Janeiro, após o incêndio, para protestar contra o descaso das autoridades. Era necessário ter chegado antes. Assim como é necessário que a população proteste veementemente a cada depredação e pichação de monumentos públicos e prédios históricos, e não apenas olhe e lamente. O poder público só levará a sério a preservação da cultura e da nossa história quando a sociedade, como um todo, entender sua importância, coisa que ainda não acontece como em países de Primeiro Mundo. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

*

CINZAS DO PASSADO

Mais uma tragédia anunciada aconteceu, e mais uma vez esteve presente a "coisa" que mais funciona no Brasil: a incúria administrativa no bem público e dos órgãos de fiscalização governamental. Desta vez foi o Museu Nacional, destruído por incêndio que transformou em cinzas um acervo de 20 milhões de itens históricos e científicos. Mas já está tudo resolvido: o ministro da Educação anunciou a toque de caixa R$ 10 milhões iniciais e mais R$ 5 milhões no futuro, para recuperar o museu. Como não mais acreditamos em nada, sugiro que essa verba, se é que será repassada à UFRJ, que "zela" por este patrimônio histórico, vá acompanhado de um carimbo com letras garrafais, especificando a sua finalidade: "Para uso exclusivo na recuperação do Museu Nacional". Corre-se o risco de o dinheiro, passados a comoção geral, as cobranças e os hipócritas discursos políticos, também virar cinzas. Este ano, até agosto, do total repassado à universidade (R$ 330 milhões), apenas 0,03%, R$ 99 mil, foi destinado ao museu (GloboNews, 3/9). Aí a culpa é do bombeiro, do marceneiro ou do eletricista, enquanto os verdadeiros culpados continuam impunes. Mas, tal qual a Fênix, o Museu renascerá das cinzas e, quem sabe, o próximo governo seja responsável o suficiente para acompanhar de perto a distribuição racional do montante repassado.

Sérgio Dafré sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

*

A MÁ ADMINISTRAÇÃO DA UFRJ

A tragédia do Museu Nacional, destruído por um incêndio de grandes proporções e que perdeu 90% de seu rico acervo de 200 anos de história, não pode ser jogada nas costas do governo federal. Mesmo porque, e infelizmente, administradores públicos repetem esse vício indecente de gerar gastos improdutivos, reclamar por mais verbas, mandando às favas a austeridade e os recursos dos contribuintes.  Certamente, este descaso crônico ocorreu também com dirigentes da UFRJ, que tem a responsabilidade de administrar o Museu Nacional. Ora, será que com os repasses do governo federal para a universidade, que em 2014 foram de R$ 2,1 bilhões e, em 2017, de R$ 2,6 bilhões, não poderiam sobrar algumas poucas dezenas de milhões de reais para a manutenção deste prédio histórico, consertando as goteiras, a hidráulica, as paredes rachadas, a parte elétrica, etc.? Lógico que daria! Mas a ausência do exercício da austeridade com os recursos públicos impede a eficiência e o atendimento célere das prioridades. Pior ainda, os dirigentes da UFRJ são professores e pessoas intimamente ligadas com a cultura deste país, e, mesmo assim, não se esforçaram para reformar, mesmo que aos poucos, aquele prédio. Consequentemente, jogaram no lixo 200 anos da rica história do Brasil. E, quando se fala em passar a administração destes museus para as mãos da iniciativa privada, estes dirigentes se escandalizam e soltam suas trombetas da demagogia pelas ruas do País.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

*

NEGLIGÊNCIA E IRRESPONSABILIDADE

Toda a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tem de ser responsabilizada por esta tragédia no Museu Nacional. Com um orçamento de mais de R$ 3 bilhões, a UFRJ, antro de parasitas metidos a intelectuais do PSOL e do PT, não consegue cuidar nem das próprias instalações. Deve ser interditada por incompetência e negligência. Há quanto tempo a UFRJ não produz nada de relevante para a sociedade carioca e brasileira? Nossa academia é de uma pobreza extravagante. Só pensam nos seus salários já bem polpudos e nas greves anuais. Não é à toa que as nossas universidades estão na rabeira dos rankings internacionais. Parceria com o setor privado é palavrão para eles. A tal autonomia das universidades públicas tem de ser revista, afinal, não faz sentido pagarmos esses marajás e eles nem sequer nos prestarem contas dos seus orçamentos bilionários. 

Sandro Ferreira sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)

*

DOCUMENTOS 

O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro informa que a documentação de funcionamento do Museu Nacional não estava correta e que o local não tinha condições de funcionamento. Ou seja, mais uma herança maldita do PSOL e de sua estupidez. 

Zureia Baruch Jr. zureiabaruchjr@bol.com.br

São Paulo

*

AUDITORIA UNIVERSITÁRIA

Passou da hora de a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público fazerem uma grande devassa em todas as universidades públicas do País. Ficaremos horrorizados com o que os PhDeuses acadêmicos são capazes de fazer por dinheiro e pela nefasta política partidária dentro das universidades.

André Luis Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

*

SOLIDARIEDADE

O Museu Nacional do Rio de Janeiro pode ser considerado uma daquelas joias raras, que conseguem fazer convergir, numa mesma instituição, diversas vertentes da educação e da cultura: edifício histórico, acervo rico, pesquisa científica, docência, atividades culturais, visitação, formação de público, atração turística e encantamento de crianças e jovens pelas carreiras da ciência. Para nós, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (USP), que também trabalhamos com esse tipo de convergência em todas as nossas ações e espaços, é impossível não se identificar e se solidarizar com toda a equipe de gestores, pesquisadores e profissionais do museu, lamentando as perdas ocorridas e ansiando por uma rápida e produtiva recuperação dentro daquilo que é possível diante dos prejuízos irreparáveis. Esperamos que toda a sociedade se sensibilize para a importância da preservação histórica, da cultura e dos ambientes de pesquisa como agentes do desenvolvimento social.

Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária da USP

Margarida Maria Krohling Kunsch, pró-reitora adjunta de Cultura e Extensão Universitária da USP

michels@usp.br

São Paulo

*

AINDA SOBRE O CRIME NO RJ

Qual o objetivo de peritos criminais federais de investigar o incêndio no Museu Nacional, gastando tempo e dinheiro? A conclusão, qualquer cidadão minimamente informado já sabe as causas. Direcionem tal verba para alimentar os hidrantes e varrer as cinzas. 

Guto Pacheco jam.pacheco@uol.com.br

São Paulo 

*

INÚTEIS

Sugiro que o que restou do Museu Nacional seja mantido como está e passe a se chamar Museu Nacional dos Três Poderes: imponente por fora, corrompido por dentro (em todos os sentidos da palavra) e podendo desabar a qualquer momento. E pensar que um ministro ou deputado ou presidente ganha mais por ano, sem nada produzir, do que a verba anual de manutenção daquele museu, que tanto ensinava! Inúteis!

Carlos Alberto Roxo roxo.sete@gmail.com

São Paulo

*

MUITO BONITO...

Não dá para enumerar as tragédias que aconteceram no nosso país por descaso. Mas temos de elogiar as autoridades, governos e outros que estão agora se mobilizando - sempre para saírem bem na foto. Até o BNDES, que estava "estudando" um projeto para atender o Museu Nacional, informou que vai liberar R$ 25 milhões, não mais como empréstimo, que estava para aprovar há meses, mas sim como doação. Muito bonito mesmo. Palmas para os 13 anos do governo do PT. Há uma explicação: como o presidente Lula, que nunca leu um livro, iria se interessar em preservar o museu? A preferência era pela construção do Itaquerão. 

Ariovaldo J. Geraissate ari.bebidas@terra.com.br

São Paulo

*

NOJENTO

O incêndio do Museu Nacional foi notícia nos principais países do mundo civilizado. Muitos desses países tiveram seus museus destruídos por catástrofes ou guerras, mas souberam reconstruí-los para manter viva a História, mesmo em países socialistas. Portanto, causa muita tristeza e vergonha ver como os nossos museus, a cargo das universidades, são deixados ao abandono, por equívocos nas políticas públicas voltadas para a educação e a cultura, que privilegiam artistas milionários ou certas artes de gosto duvidoso - para dizer o mínimo -, especialmente nos últimos anos. Nojento, mesmo, foi o oportunismo criminoso daquela senhora candidata ao Senado por Minas Gerais tentando capitalizar a tragédia em seu favor: "O incêndio do Museu Nacional é um retrato do descaso e do desinvestimento (?!) promovido por Temer, Meirelles e o PSDB" e "o golpe tenta transformar nossa história em terra arrasada". Como assim, criatura? Se Michel Temer está na Presidência, após o "golpe", quem o escolheu para vice? Quem foram os governos que usaram e abusaram da distribuição de cargos para aliados, tendo em vista os encarregados do Museu Nacional serem ligados ao PCdoB e ao PSOL? Quem deu prioridade e comemorou a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo e a Olimpíada, de cujas obras, muitas inacabadas até hoje, foram desviados milhões de reais? 

Aparecida Dileide Gaziolla aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul 

*

INTERESSE

O brasileiro não é muito chegado a visitações de museus, mas, após a tragédia do Museu Nacional no Rio de Janeiro, a população ficou sabendo da sua importância. E não é de estranhar se daqui a alguns dias abrirem as portas do museu para mostrar o que restou do incêndio e, podem ter certeza de que formará fila para a visitação.

Orélio Andreazzi orelio@andreazzi.com.br

Suzano

*

FALTA DE RECURSOS?

Conforme divulgado pela imprensa, centenas de milhares de reais de dinheiro público, captadas pela Lei Rouanet, foram dadas nos últimos tempos para shows, espetáculos (Cláudia Leitte, R$ 5,8 milhões; Luan Santana, R$ 4,1 milhões; Maria Bethânia, R$ 1,3 milhão; Detonautas, R$ 1 milhão; DVD de MC Guimê, R$ 500 mil; musical Shrek, R$ 17,8 milhões; Cirque de Soleil, R$ 9,4 milhões; Peppa Pig, R$ 1,7 milhão) e outras finalidades ditas culturais (documentário sobre José Dirceu, R$ 1,5 milhão; filme sobre Brizola, R$ 1,9 milhão; Museu Lula, R$ 7,9 milhões; Queermuseu, R$ 800 mil; livro com fotos de Chico Buarque, R$ 414 mil). Sem contar o custo da Copa de 2014, mais de R$ 28 bilhões, e da Olimpíada do Rio, mais de R$ 41 bilhões. Mas há mais números para elevar ainda mais este Monte Everest de dinheiro: US$ 1,5 bilhão "doado" com a nacionalização da Petrobrás pela Bolívia, além dos empréstimos feitos pelo BNDES para o Porto de Mariel em Cuba (US$ 682 milhões) e para a Venezuela (US$ 274 milhões) devidos em março de 2018 (parte desses dois últimos montantes provavelmente a fundo perdido). Mas é claro que tudo isso é mais importante do que resguardar a memória do País, não é mesmo? Recentemente, ouvi um programa de turismo no rádio que respondia à pergunta de um ouvinte sobre São Luís do Maranhão (essa joia da arquitetura colonial), e o apresentador disse que não era um bom momento para visitá-la agora porque a cidade e seus monumentos estavam muito abandonados. Isso se repete no Brasil inteiro, com museus e prédios e áreas tombados pelo patrimônio histórico completamente negligenciados. Portanto, não surpreende o que aconteceu com o Museu Nacional do Rio. Amo meu país, mas tenho vergonha de ser brasileira.

Lenke Peres

Cotia

*

'INDIGNAÇÃO'

"Indignação", de Eliane Cantanhêde, no "Estadão" de 4/9 (A6), resumiu o que os brasileiros que ainda pensam com sua cabeça gostariam de dizer aos irresponsáveis que dirigem a Nação ao abismo da ignorância. "Tem dinheiro para tudo, menos para educação, saúde e muito menos para cultura e museus", escreveu Eliane, em seu manifesto, que precisa ser lido pelos candidatos a presidente deste Brasil que perdeu a memória por já ter perdido a razão. Sem passado e com um presente vergonhoso, também já perdemos a esperança no futuro.

     

Paulo Sérgio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

*

IRREPARÁVEL

Museus são ou deveriam ser entidades vivas. Por isso, fundamental o conteúdo, seu acervo. O do Museu Nacional tinha exatamente esse atributo, era seu mais forte elemento. Hoje, após o lastimável acidente, que poderia ter sido evitado, saem a falar todos aqueles que saíram mal na foto, seja pela gestão inócua, ao não darem visibilidade ao museu perante a população nem dotarem-no das salvaguardas mínimas desejáveis, nem o poder público, que poderia ter se sensibilizado quanto ao orçamento pífio que lhe foi destinado e menos ainda setores do poder privado que se teriam beneficiado do auxílio a uma instituição ímpar. Lamentam todos a perda, que não será reparada. O reparo físico será milionário. O conteúdo ainda não sabemos qual será. E os outros museus e bens tombados, como ficarão?

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

*

LUZIA, QUEIMADA PELA INCOMPETÊNCIA

Pão e circo. A regência dominadora. Bolsa família e estádios de futebol. A política que prevalece na cúpula do País contaminando a Nação, dilapidando o Tesouro Nacional e desconstruindo a família. A incompetência em servir o cidadão e a extrema competência em roubar a Nação. Da malfadada expressão "não se faz Copa do Mundo com hospitais", passando pela demolição infundada do Estádio do Maracanã e a construção de outro, reforma e edificação de mais 11 arenas e, pelos gastos com a Olimpíada, ao nível de penúria do Estado do Rio de Janeiro. Caldo de cultura das vorazes bactérias da corrupção a destruir tesouros da história da humanidade e a dignidade de uma nação. Quem assistiu pela televisão aos primeiros momentos do incêndio do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista constatou a imobilidade das guarnições do Corpo de Bombeiros diante da falta de água nos hidrantes. Césares das sucessivas administrações do Estado, na terra, nas prisões, em qualquer parte, tocavam a lira da desgraça planejada. De tanto roubarem o Estado, bola de cristal se faz desnecessária. As labaredas consumiam o passado e o trabalho de tantos dedicados personagens ao longo de 200 anos, agregando valor à iniciativa de Dom João VI ao criar o Museu Real em 1818. Pois todo este patrimônio anunciado, com 20 milhões de itens, era guardado por quatro vigilantes, que talvez nada pudessem fazer para dar combate ao incêndio, iniciado por volta de 19h30, após o término das visitas no domingo de 2 de setembro. Quantos funcionários do museu cuidavam do valioso acervo durante o expediente? Óbvio que o descuido de qualquer um dos passantes pelas salas e sanitários pode ser a origem da tragédia. Previsível, não? Um curto-circuito pode ter ocorrido. Uma mente destrutiva causa danos onde menos se espera. Daí, quais os planos de combate a incêndio, por exemplo? Qualquer empresa que se pretenda estabelecer, um prédio que se intente construir, uma boate para funcionar tem de passar pelo crivo dos órgãos públicos, inclusive do Corpo de Bombeiros. Impossível imaginar um prédio do porte daquele museu, que dentre tantas preciosidades mantinha uma biblioteca em ciências naturais com mais de 470 mil volumes e 2.400 obras raras, sem uma equipe/sistema de combate a incêndio. Peças de valor intangível, como o crânio da mulher Luzia, com mais de 11.500 anos, destruído por governos de fancaria, desprezíveis, mas que se revezam no poder roubando o bem público e iludindo o cidadão que os elege. Tais ocorrências não se restringem ao Estado do Rio de Janeiro, retrato surrealista do sucateamento. A lembrar, em São Paulo, o Estado de maior expressão da Federação, com muitos recursos arrecadados, deixaram ocorrer vários incêndios em edificações semelhantes ao museu consumido pelas chamas e inaptidão governamental: de 2008, com o Teatro Cultura Artística, Instituto Butantan (2010), Memorial da América Latina (2013), Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios (2014), do Museu da Língua Portuguesa (2015), Cinemateca Brasileira (2016). O desastre no Instituto Butantan destruiu um dos mais importantes acervos de cobras, escorpiões e aranhas; 70 mil espécies conservadas viraram cinza. Um exemplo do descaso, do pouco zelo com os bens públicos e o abominável desprezo das autoridades em relação à vida humana. No incêndio do Museu da Língua Portuguesa, um bombeiro perdeu a vida, mas o que ocorreu na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013, matou 242 pessoas e feriu outras 636. As famílias choram os parentes mortos, enquanto os responsáveis não são punidos. A cada sinistro dessa natureza, o clamor público se faz presente, a revolta pulsa forte nos sentimentos de todos, mas eles se dissipam por estímulos de novos escândalos, como se uma dor aplacasse a anterior. O que não dá para aceitar como justificativa da falta de recursos com finalidades culturais é o destino de verbas do Tesouro para atender a apaniguados em documentários, filmes sobre as histórias de vida deles próprios, excursões artísticas e mostras de arte duvidosa e inconvenientes para menores.

         

Ernesto Caruso egcaruso@gmail.com

Campo Grande

*

MEMÓRIA

Lembram-se do filme "Fahrenheit 451", de François Truffault? Espelha triste tendência da nossa memória cultural, lamentavelmente.

Sérgio A. de Moraes Torres sergio.torres47@gmail.com

São Paulo

*

BEATRIZ SEGALL

Nos tempos feios que estamos vivendo no País, um apagão nas artes em geral, o Brasil se despede da beleza, elegância e talento de Beatriz Segall. Beatriz foi magistral em suas interpretações de vilãs; tivesse atuado nas TVs e teatros estrangeiros, seria sem dúvida uma das melhores do mundo. 

Luiz Thadeu Nunes e Silva luiz.thadeu@uol.com.br

São Luis

*

GLIFOSATO

Foi cassada liminar que proíbe o uso de glifosato como agrotóxico. Pesquisas científicas demonstram que esse composto, já banido em muitos países, é extremamente nocivo à saúde, podendo causar doenças, inclusive câncer (é preciso avisar os políticos e juízes que eles e sua família não são imunes, eles também podem ser intoxicados e morrer, como nós). Mas a ganância fala mais alto. Ao invés de investirem os altos lucros do agronegócio em pesquisas científicas para desenvolver produtos que protejam a lavoura e não causem dano à saúde, eles preferem abocanhar mais à custa de vidas humanas. Vale lembrar o benefício de tais pesquisas para o desenvolvimento do País. Nada mais justo que um país cuja riqueza provém em grande parte do agronegócio invista em pesquisas relacionadas a essa atividade.

Shirley Schreier, professora titular sênior do Instituto de Química da USP schreier@iq.usp.br

São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.