Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para a edição impressa e portal estadao.com.br

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2018 | 03h00

INSATISFAÇÃO POPULAR

Coletes amarelos

Estou na França e assisto todo dia aos desdobramentos das manifestações dos gilets jaunes, ou coletes amarelos. A despeito dos vândalos infiltrados, é grande a simpatia popular. É visível que as pessoas estão saturadas de bancar um sistema que não foi concebido em seu favor, mas para mantê-las em fervura branda, arrancar-lhes impostos para, de vez em quando, “mudar para que tudo fique como está”. Essa onda ainda vai correr mundo, ninguém se iluda do contrário. 

FERNANDO DOURADO FILHO

douradofernando372@gmail.com

São Paulo

Paralelos

A revolta na França teve como estopim o imposto sobre o diesel criado pelo presidente Emmanuel Macron como instrumento para combater o aquecimento global. Foi só o estopim, pois o barril de pólvora francês já estava transbordando há tempos, não apenas pela insatisfação da classe média com a política econômica que a vem oprimindo, mas também, e não há como negar, pelos problemas socioculturais criados pelas ondas de imigração que vêm chegando à França há muito tempo. A população já não sentia que o governo representava seus anseios, a sintonia povo-governante foi rompida, resultando nesse caos verdadeiramente revolucionário. Aqui, no Brasil, a insatisfação popular com os governos petistas resultou em alguns eventos memoráveis, como os de 2013 e, mais recentemente, a greve dos caminhoneiros, que tanto prejuízo causou ao País, ainda combalido pela crise econômica herdada do PT. Em outubro o povo buscou alinhar-se com quem melhor expressasse seus anseios de renovação política, econômica e sociocultural. Uma verdadeira revolução, pois quando o povo se propõe, pelo voto, a virar o País do avesso, para recomeçar uma democracia pautada em novos (antigos) valores, isso também é um ato revolucionário, ainda que pacífico e realizado pela via das urnas. Há quem choramingue a cada ato de Bolsonaro, mesmo que ele nem tenha tomado posse ainda. Podem chorar. Ele foi eleito com maioria expressiva de votos e, assim como respeitamos por 15 longos anos a esbórnia dos governos petistas, agora vão ter de respeitar também as mudanças que virão. E virão!

MARA MONTEZUMA ASSAF

montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

Poderes contra o povo

As notícias que vemos na mídia sobre os três Poderes são uma sucessão de agressões à ética, ao patriotismo e ao interesse público. Na iniciativa privada só se tomam medidas para o progresso e são os patrões que estipulam o número dos funcionários e os salários, não há indicações, só histórico. Já na área “governamental” temos os piores serviços públicos pagos por uma das maiores cargas tributárias do mundo, histórico de denúncias de roubos, desvios e toma lá dá cá dos ocupantes dos três Poderes. Espero que o novo governo possa mudar essa bagunça.

MÁRIO A. DENTE 

eticototal@gmail.com

São Paulo

Abusados

Os três Poderes usam e abusam de seus poderes para aumentar os salários de seus “associados”, seja em forma de penduricalhos ou aumentos abusivos. Essa farra só acabará quando o povo brasileiro aprender a se unir e ir para a rua protestar, de forma pacífica, contra tais abusos. 

MARIA CARMEN DEL BEL TUNES

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

Trem da alegria

O editorial Imoralidade (4/12, A3), que trata do reajuste concedido aos altos servidores do Senado, que terão seus salários elevados a quase R$ 40 mil, passageiros da primeira classe de mais um trem da alegria puxado pelo STF, entre outras questões relevantes, destaca a impotência do cidadão ante o novo abuso. O grande problema é que o brasileiro, diferentemente das nações civilizadas, se acostumou a ser abusado, e não falta quem se aproveite disso.

MARCELO MELGAÇO

melgacocosta@gmail.com

Goiânia

Bombas fiscais

Noticia o Estadão (3/12, A1 e A4) que, ignorando a penúria das contas públicas, deputados preparam bombas que deixam os governadores eleitos muito preocupados. Aonde querem chegar S. Exas., ao caos, à insolvência dos Estados? 

JOSÉ SEBASTIÃO DE PAIVA

jpaiva1@terra.com.br

São Paulo

A realidade é que os deputados dão pouca ou nenhuma importância à saúde financeira de seus Estados e farão todo tipo de manobra para elevar seu capital político e impor sua vontade. O caso paulista é um sinal claro disso. O Palácio dos Bandeirantes terá de desembolsar mais recursos para deputados e, em contrapartida, fará cortes em áreas importantes que demandam investimentos do poder público. Minas Gerais e Rio Grande do Sul são casos clássicos de insolvência da máquina pública local. Elevar os gastos sem fonte de arrecadação que absorva o custo é flertar com o caos.

WILLIAN MARTINS

martins.willian@globo.com

Guararema

PROGRAMA ESPACIAL

Falta de coordenação

Muito oportuno o artigo do diplomata Pedro Henrique Batista Barbosa sobre o sucesso da cooperação entre Brasil e China na área espacial (Os 30 anos do programa espacial Brasil-China, 4/12, A2). Faz-nos lembrar que o Brasil foi um dos pioneiros nas atividades de observação da Terra utilizando satélites e um dos 16 países que inicialmente participaram do desenvolvimento da Estação Espacial Internacional. Mas o programa espacial brasileiro não teve continuidade e enveredou por iniciativas que não tiveram sucesso – como a cooperação com a Ucrânia para a utilização da base de Alcântara. Hoje o CBERS é o projeto mais importante nessa área, mas a falta de coordenação entre as instituições brasileiras envolvidas – Agência Espacial Brasileira, Comando da Aeronáutica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – prejudica o desenvolvimento do nosso programa espacial. Um bom exemplo de falta de coordenação é a iniciativa do Comando da Aeronáutica no desenvolvimento do Carponis, apresentado como o primeiro satélite brasileiro de sensoriamento remoto de alta resolução espacial, informação contestada pelo Inpe em nota oficial. Um fato, no entanto, merece destaque: anteontem foi lançado o nanossatélite Itasat, desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), da Base de Vandenberg, na Califórnia (EUA). É um projeto de interesse para a formação dos nossos engenheiros que queiram trabalhar nessa área de enorme importância para o Brasil.

PAULO ROBERTO MARTINS SERRA

paulo.martins.serra@gmail.com

Lorena

DISCURSO DISSIMULADO

Considerando que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, afirmou que o Supremo, depois das eleições, deveria se recolher a suas atribuições constitucionais, deixando a política para os políticos, e considerando que somos todos iguais perante a lei, por que o ex-presidente, atual presidiário, Lula não sai da pauta do STF?

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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LULA LIVRE 

Diante de mais uma tentativa de libertar Lula da cadeia, indago por que diabos não soltam o ex-presidente de vez e o mandam para a Venezuela! Mas com apenas uma condição: tem de devolver tintim por tintim os valores recebidos na roubalheira do petrolão, dos fundos de pensão, do BNDES, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, da Eletrobrás, etc. Não só ele, como a filharada e, é claro, os demais companheiros.

Jose Rubens de M. S. Sobrinho jrmacedo@jemacedoadv.com.br

São Paulo

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MAIS UM HABEAS CORPUS

Lula está louco para ser solto e ir passar o Natal no sítio de Atibaia, que não é seu!

Silvio Leis silvioleis@hotmail.com

São Paulo

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PRISÃO DOMICILIAR

A notícia de que o ex-presidente Lula estaria recebendo pressão de amigos para concordar com uma prisão domiciliar é mera falácia do espantalho ou, como dizia um professor (desembargador aposentado), um "scc" (se colar, colou). Como Lula teve todos os pedidos de soltura negados, distorcem a realidade e plantam um fato que jamais esteve em discussão (prisão domiciliar). Vai que cola!

Milton Córdova Júnior milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)

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DIREITOS

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, criticou, em parecer enviado ao STF, a decisão provisória do Comitê de Direitos Humanos da ONU em favor da garantia dos direitos políticos do ex-presidente Lula, e que recomendou a participação dele nas últimas eleições brasileiras enquanto existissem recursos pendentes. Raquel Dodge afirmou, ainda, que o comitê, ao defender os direitos humanos de Lula, foi frontalmente contrário à lei brasileira da Ficha Limpa. Pelo visto, não é só no Brasil que existem os defensores da prevalência dos direitos individuais - claro, de certos indivíduos - sobre os direitos da sociedade - claro, de algumas partes da sociedade.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro 

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BODE EXPIATÓRIO

A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT), reunida em Brasília, elaborou documento, após mais uma vexatória derrota eleitoral, negando-se a reconhecer os erros cometidos, e optou por culpar "os outros". A roubalheira desenfreada promovida pelos governos Lula e Dilma e a "nova matriz econômica" da "mulher sapiens", que baixou os juros na marra e praticamente quebrou a Eletrobrás, foram os grandes responsáveis pela vitória bolsonarista.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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MEA-CULPA

Arrogante como sempre, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, decidiu não fazer uma autocrítica do partido para que a mídia e a oposição não se beneficiassem do fracasso "delles" nas urnas. Entendeu que as críticas ao "poste" Dilma Rousseff deveriam ser abandonadas e aproveitou para sacramentar Fernando "Andrade", digo Haddad, como uma "nova liderança". Na verdade, nessa quadrilha todos são réus ou estão denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Assim, ao invés de rejeitar a autocrítica, deveriam, sim, fazer um mea-culpa pelas trambicagens impostas ao País. Afinal, humildade não faz mal para ninguém, viu "narizinho"?

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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A QUE PONTO CHEGAMOS!

Impressiona a que ponto chegou a corrupção no Brasil. Desviaram bilhões de reais, que simplesmente "sumiram". Devem ter sido alocados em nomes de laranjas, mas, pelo valor bilionário, devemos ter um imenso "laranjal". Não bastasse isso, agora foi revelado que o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, tinha uma "mensalinho" da ordem de R$ 150 mil, com direito a 13.º "salário". Tinha, também, direito a um bônus, que seria a versão CLT da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Que mais ainda falta vermos?

Cláudio Juchem cjuchem@gmail.com

São Paulo

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CRIME HEDIONDO

Corrupção é crime hediondo, pois provoca a morte de milhares de cidadãos quando retira recursos que poderiam ser utilizados para melhorar e ampliar hospitais e pagar por medicamentos que poderiam salvar vidas; destrói gerações quando desvia recursos que deveriam ser destinados à educação e condenando a juventude ao analfabetismo funcional, dificultando o acesso aos melhores empregos; promove a morte de civis inocentes quando esvazia os recursos que deveriam ser destinados à segurança. Tratei, aqui, das três funções básicas do Estado: saúde, educação e segurança, e quando corruptos, canalhas, sacripantas, larápios do erário são identificados e presos, não podem simplesmente ser tratados como criminosos de colarinho branco. São de fato genocidas, e como tal deveriam ser tratados. Para essas pessoas não se pode pensar em indulto, este tipo de delito deveria ser encarado como crime inafiançável, com pena de prisão perpétua e trabalhos forçados (lamentavelmente esse tipo de punição ainda não consta de nossa legislação).

Jean-François Henry Netter Levy jeanlevy@terra.com.br

São Paulo

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O INDULTO DE MICHEL TEMER

O indulto de Natal existe para fins humanitários quando há excesso de encarceramento, afirmou o promotor de Justiça Roberto Livianu (30/11, A2). Não é o caso, portanto, de admitir que o instituto beneficie condenados por corrupção. A minuta proposta pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), racional e coerente, complementa a brilhante decisão do ministro do STF Luís Roberto Barroso, devendo ser admitida pelo governo, a fim de evitar a perda dos importantes efeitos da Operação Lava Jato para o País.

Maria Lucia Ruhnke Jorge mlucia.rjorge@gmail.com

Piracicaba

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NÃO HÁ OUTRA ALTERNATIVA

Como é que um presidente da República, em pleno regime democrático, tem poderes para passar por cima da lei e mandar soltar alguém que, de acordo com essa mesma lei, tem contas a ajustar com a sociedade, e por isso se encontrava preso? Das duas, uma. Ou se viola abertamente o princípio da isonomia, pelo qual todos são iguais perante a lei e têm os mesmos direitos, ou se tipifica como legal aquilo que o Judiciário considerava crime até então. Não há outra alternativa, a não ser acabar com essa excrecência constitucional que é o indulto de Natal.

Ricardo Daunt de Campos Salles dauntsalles@uol.com.br

Espírito Santo do Pinhal

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ALVO ERRADO

Não faltaram críticas ao STF sobre a decisão a respeito do indulto de Natal proposto por Michel Temer, do ano passado. Mas, desta vez, o alvo das críticas está errado. Qualquer semiletrado que tiver o interesse em ler a Constituição concluirá, sem qualquer dúvida, que Temer tem o direito de conceder o indulto do jeito que ele, e somente ele, quiser. Isso quer dizer que o buraco está mais embaixo. Em primeiro lugar, temos mais uma evidência clara de que temos uma Constituição gritando por mudanças. O que parecia bonitinho e romântico há 30 anos revelou-se completamente contraproducente. Em segundo lugar, temos um código criminal patético, que, combinado com a nossa Constituição, turbina a sensação de impunidade. Finalmente, temos um presidente em busca de criar as condições para o seu próprio indulto, na ocasião oportuna. Ou seja, o problema não é o STF. O problema somos nós, que votamos em gente sem visão e sem caráter para fazer as correções necessárias e para não perpetuar as barbaridades que emperram o desenvolvimento do nosso país.

Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

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AS DESPESAS DO JUDICIÁRIO

Recentemente, o Poder Judiciário recebeu o trenó de Papai Noel puxado pelo presidente Temer travestido do velho Noel (senadores mais 81 renas). De 1885 até 2015, a admissão de pessoal naquele Poder chegou a quadruplicar, crescendo 297%. Se pudermos comparar a função da Justiça quanto ao seu custo-benefício, chegaríamos à conclusão de que o nosso Judiciário, pela praticidade de sua atuação, é uma instituição beneficiada pela cornucópia da riqueza. 

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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O AUMENTO DO STF

O presidente Temer poderia ter fechado o seu mandato com chave de ouro, se não tivesse assinado o vergonhoso aumento salarial para os juízes do Supremo e, por consequência, a todos os magistrados do País. E, como se não bastasse, o sr. Luiz Fux ainda disse que o auxílio-moradia pago a juízes somente seria eliminado mediante o valor do aumento já incluído no contracheque. Além de ser uma vergonha, ainda tem o "toma lá, dá cá". Parabéns, sr. Temer, o sr. não é nada mais que os mesmos. 

Orélio Andreazzi  orelio@andreazzi.com.br

Suzano

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FOI-SE A DIGNIDADE

No episódio da troca do execrável auxílio-moradia por um autoconcedido aumento de vencimentos para o Judiciário, à parte as ridículas justificativas de Luiz Fux, tratando-nos desrespeitosamente como bobos da corte, restou-nos só pagar a conta de uma decisão de uns poucos senadores e um presidente, todos desacreditados e em final de mandato. Isso demonstra que já passou da hora de exigirmos ser consultados em assuntos que vão pesar em nossos bolsos ou interferir no dia a dia dos milhões de brasileiros. Já é tempo de cobramos de gestores, legisladores e integrantes do Judiciário o respeito à prática da consulta pública, como ocorre em países verdadeiramente democráticos. Aos insatisfeitos com os vencimentos, lembramos que a porta tem serventia para entrar e sair. Neste episódio, foi-se o que restava de dignidade aos envolvidos.

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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VALE A CONSTITUIÇÃO...

Neste nosso país, a esperteza predomina até entre os membros do STF. Se para auferir 16,38% de reajuste em seus soldos os ministros fizeram vista grossa para a Constituição, já que ela não permite despesa sem previsão orçamentária, na discussão em plenário sobre a validade ou não do indulto de Natal de Temer foi emocionante ver os ministros defendendo a nossa Carta Magna.  Ou seja, em causa própria, que se lixe a Constituição! Mas, para defender a possível soltura de até corruptos que assaltaram a Nação, vale até desrespeitar um pedido de vista do ministro Luiz Fux... E o povo brasileiro, órfão também pelo descaso da nossa Suprema Corte, certamente vai assistir indignado ao presidente Temer reeditando um novo indulto de Natal, de 2018, que poderá beneficiar corruptos. Como reino dos privilégios, o Brasil jamais será uma nação desenvolvida.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos 

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A IMORAL PROCURADORIA

É inaceitável a conduta de Raquel Dodge, procuradora-geral da República, de tentar manter o nefasto auxílio-moradia pago aos integrantes do Ministério Público. Dodge joga a opinião pública e a sociedade contra o MPF e seus integrantes ao agir de forma tão corporativista e descabida, sem a menor noção da realidade. Em que país será que ela vive? Certamente, não é no Brasil, em grave crise econômica e social e com mais de 13 milhões de desempregados. Além de receber o aumento de mais de 16%, a Procuradoria ainda quer manter um privilégio inaceitável, um tapa na cara do povo brasileiro. Saudades do competente e íntegro Rodrigo Janot. Com um MPF destes, país nenhum precisa de inimigos externos.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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AINDA ASSIM

Foi difícil de acabar com a obrigatoriedade do Imposto Sindical e igualmente difícil de acabar com o auxílio-moradia pago a magistrados e procuradores, mas a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que deveria ser solidária e exultante, quer o auxílio-moradia nos Ministérios Públicos dos Estados e no Conselho Nacional dos Ministérios Públicos. 

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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JUSTIÇA EM FRANGALHOS

Quando vemos mais uma decisão que deixa atônita e incrédula uma população que se indigna todo momento com as ações da nossa Suprema Corte, chegamos a pensar, seriamente, como nossos filhos e netos podem entender o que passa na cabeça de um juiz da nossa maior instância da Justiça. Arquivar um processo de Jair Bolsonaro contra Jean Willys, quando todos presenciaram, registraram e constataram suas ofensas ao então deputado e hoje presidente, é zombar da nossa paciência e jogar por terra tudo aquilo que entendemos como justiça. Nem o flagrante convence mais nosso Judiciário, que acabou dando espaço à política. A Suprema Corte deste país chegou ao fundo do poço com esta e outras decisões que transformaram nossa Justiça num balcão de negócios, onde se veem interesses outros que não aquele em que efetivamente ela deveria atuar. Reprovada e desacreditada por mais de 90% da população, nossa Suprema Corte vem, ao longo dos anos, perdendo a grande oportunidade de se tornar uma instância séria que deveria ser o orgulho de todos os brasileiros. Mas o que vemos são "entendimentos" partidários e coniventes, ignorando a ética, a decência, a moralidade e, principalmente, a imparcialidade. Já dizia nosso jurista maior, o jornalista e escritor Rui Barbosa: "Não existe pior ditadura do que a do Judiciário, pois contra ela não há a quem recorrer". 

Elias Skaf eskaf@hotmail.com

São Paulo

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PROBLEMAS E SEUS CRIADORES

Os problemas deste país são criados por políticos nos cargos, eleitos pelo povo, mas são todos lixo não-reciclável. É só ver quantos presidentes, governadores e prefeitos são acusados por crimes de apropriação indébita. Outro problema é o Judiciário com suas "decisões" não jurídicas beneficiando os que os indicaram, amigos, parentes ou colegas. Enquanto os juízes dos ditos supremos recebem críticas de 100% na opinião dos leitores nos jornais, só um dos milhares de juízes dos não supremos recebe elogios, o da Lava Jato.

Mário A. Dente eticototal@gmail.com

São Paulo

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REPOSIÇÃO JUSTA

Há uma revolta muito grande contra a reposição salarial dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que foi sancionado pelo presidente da República. Entretanto, os sindicatos de todas as categorias dispõem anualmente do dissídio coletivo, pelo qual são reajustados os salários de todos os trabalhadores. Por que esse fato não é noticiado? Afinal, o inciso X do artigo 37 da Constituição federal assegura "in fine" "(...) a revisão anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices". Realmente, a reposição da perda salarial de 16,5% de uma só vez, que se referem a alguns anos sem a devida revisão anual, causa espanto, mas não é injusta. Desejo acrescentar que sou funcionário público estadual de São Paulo, aposentado e que, após quatro anos, tive a reposição de 3,5% referentes à perda salarial desse período. A inflação destes quatro anos foi pelo menos de 16%. Espero que os leitores se dignem pensar no assunto.

José Carlos Franco Fernandes francofernandes@globo.com

São Paulo

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REPRESENTANTE SINDICAL

Um Senado vingativo e marcado pelo temor de alguns de seus membros processados, não reeleitos, que, por conseguinte, perderão o foro privilegiado, aprovou um reajuste devastador para as contas oficiais destinado a favorecer a categoria mais bem remunerada do setor público, o Judiciário. Após alguns dias, o presidente sancionou a decisão, com base num "toma lá, dá cá" envolvendo um ministro da Corte que, fazendo as vezes de representante sindical, se comprometeu a anular o auxílio-moradia de juízes, o que nem de longe compensa os prejuízos com os gastos decorrentes do aumento e de seu efeito cascata. Tal realidade demonstra o fato inequívoco de que nos altos escalões não se leva em consideração o encaminhamento das soluções para os graves problemas que afetam a retomada do crescimento do País, mas sim as questões ligadas aos interesses particulares dos que estão lá encastelados. Espera-se que o povo passe a exercer com maior efetividade o poder que lhe cabe e contribua efetivamente para modificar tais atitudes.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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O QUINHÃO DO SENADO

"Senado ignora Supremo e vai pagar salário maior já em dezembro" ("Estadão", 30/11). O presidente eleito Jair Bolsonaro podia apontar o seu gesto característico que utilizou na campanha eleitoral para o Senado e deixar que o povo pense o que quiser a respeito.

Darci Trabachin de Barros darci.trabachin@gmail.com

Limeira

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PÉSSIMO ENCONTRO

Paulo Guedes reuniu-se na semana passada, num jantar secreto, com o corrupto Renan Calheiros. Duas possíveis frases entre eles: 1) Fique quieto, senão eu aciono a Lava Jato. 2) Tá bom, depois nós conversamos. Qual das duas você prefere?

Roberto Hungria cardosohungria@gmail.com

Itapetininga

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UNIÃO FUNESTA

Num discurso em Fortaleza, o candidato derrotado nas eleições passadas Ciro Gomes disse temer pelo crescimento econômico do próximo ano, pois "a união de Paulo Guedes com Jair Bolsonaro e Sérgio Moro é filho de jabuti com macaco-prego". Seja lá o que isso queira dizer, nós, do lado de cá, estamos muito mais preocupados com a união do PT com Temer, Senado e STF (filhos de cobra com lagarto?), que deixará um funesto legado impagável pelas futuras gerações, que inviabilizará não apenas o crescimento econômico, mas a vida sustentável em todos os seus aspectos. Oxalá este quadro, preparado com muito carinho para atrapalhar o próximo governo, seja derrotado pelas forças compostas pelos três personagens citados por Ciro.

Carmela Tassi Chaves tassichaves@gmail.com

São Paulo

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INDIGNAÇÃO RELATIVA

A indignação de alguns famosos e torcedores com a participação do presidente eleito Jair Bolsonaro na entrega da taça de campeão brasileiro ao Palmeiras tem claro viés ideológico. Se, no lugar de Bolsonaro, estivesse Fernando Haddad, do PT, não haveria indignação alguma. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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RESISTÊNCIA

Fernando Haddad, o fantoche do "chefão" prisioneiro, agora está em Nova York - após recolher mais uma dinheirama dos incautos militantes -, de onde diz que está iniciando o que a petralhada chama de "resistência". Estão resistindo a quê? Aos eleitores que o descartaram? À diretriz do engaiolado? Afinal, o pé que receberam no traseiro foi democrático ao extremo, e com muita vontade, nestes que se proclamam republicanos e democratas, mas que jamais o foram, e não passam de uma organização criminosa que subiu ao poder somente para assaltar e destruir o Brasil. 

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

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DESFILE SOCIALISTA

O candidato derrotado do PT foi visto desfilando em Nova York. Com que dinheiro? De duas, uma: ou com o salário de professor ou com sobras de campanha.

Marcos Catap marcoscatap@uol.com.br

São Paulo

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O MINISTÉRIO BOLSONARO

A configuração da estrutura ministerial do governo Bolsonaro superou o número que ele usou na campanha eleitoral. Serão 22, e não apenas 15 ministérios. Por certo, houve acordos com bancadas de congressistas e outras áreas. Um caso merece ser, aqui, citado: o Ministério do Trabalho perde sua função maior, passando a uma secretaria do Ministério da Economia. E o possível secretário será o deputado federal Rogério Marinho, do PSB do Rio Grande do Norte, que recentemente elaborou um relatório eliminando cem itens da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a pedido de empresários e em prejuízo da classe trabalhadora. Como se nota, é um governo que deixa de lado uma política popular, visando mais à parte econômica.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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PROMESSAS DE CAMPANHA

Durante a campanha eleitoral, Jair Messias Bolsonaro afirmava que reduziria de 29 para "no máximo" 15 o número de ministérios. Mesmo antes de assumir a Presidência da República, o número de ministérios já passa de 20. É como diz o ditado: conversa vai e ficam os fatos.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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MUITO MEIO, POUCO FIM

O infográfico do "Estadão" ("Como ficará a Esplanada", 4/12, A4) bem mostrou: o primeiro escalão do futuro governo tem Casa Civil, Secretaria de Governo, Secretaria Geral da Presidência e Gabinete de Segurança Institucional. Não é muito ministério "meio", em vez de ministérios "fim"?

Francisco Eduardo Britto britto@znnalinha.com.br

São Paulo

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PRUDÊNCIA E TEMPERANÇA

Todos reclamam de que Bolsonaro prometeu um Ministério enxuto com apenas 15 pastas. Acham imperdoável que deverá tomar posse com um pouco mais de 20, mas se esquecem de que Temer recebeu 39 de Dilma Rousseff e só conseguiu reduzir para 30 (23%). Se Bolsonaro conseguir reduzir para 22 (26%), a redução em dois anos terá sido de quase 50%, uma porcentagem alvissareira.

Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

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DESDE 1986

Por alguns nomes, mesmo sem levar em consideração todo o time, o ministério do governo Bolsonaro é melhor do que qualquer outro desde 1986. Simples assim.

André Luis Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

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CRÉDITO ESCASSO

A maioria da população brasileira esperou quase uma década e meia para ter resgatadas suas mais justas aspirações. De repente, surge como que saído de uma cartola Jair Bolsonaro. Seu discurso sobre uma enorme quantidade de assuntos vinha de encontro ao que "eles" aspiravam. Ganhou a eleição de forma clara, límpida e inquestionável. Todavia, nas ações humanas não há perfeição. Passados os primeiros dias de euforia, a Nação começou a conviver com declarações e ações que estão causando calafrios. A promessa de 15 ou 16 ministérios já ficou para trás. Os indígenas e as questões ambientais, segundo algumas manifestações do presidente, precisam ser tratados de forma diferente, inclusive cogitando da saída do Brasil do Acordo de Paris. Não bastasse isso e com todo o respeito que a valorosa nação israelita merece, falar em mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, gratuitamente, sem qualquer objetivo palpável, é para perguntar por que provocar os países árabes, que têm peso relevante na nossa balança de pagamentos, em troca exatamente do quê? Os superávits comerciais, que nos deram um acúmulo de mais de US$ 380 bilhões em reservas e que têm sido uma das poucas coisas boas que têm acontecido nos últimos anos, foram obtidos graças a políticas pragmáticas nesse campo. A isso ainda se somam os ruídos nas relações com o Mercosul, a União Europeia e a China. E, para coroar tantas tolices proferidas, nosso futuro presidente já pretende ouvir as bancadas dos vários partidos, num procedimento em que jurara pôr um basta. Ele ainda tem crédito, mas era preferível nada ter declarado, porque tudo isso acaba nivelando-o àqueles que execrava.

Éden A. Santos edensantos@uol.com.br

São Paulo 

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MANUAL DO ITAMARATY

Espero sinceramente que o governo Bolsonaro consiga "despetizar" radicalmente a administração pública federal em todos os seus (contaminados) níveis, pois, caso contrário, corre o risco de dar uma ordem e, afora os ministros nomeados por ele, ninguém lhe obedecer. Quem teve acesso ao tal manual recomendado pelo Itamaraty a seus diplomatas sabe dos absurdos a que me refiro, pois não passa de uma cartilha repleta de clichês de esquerda, de fazer inveja à cartilha de invasões do MST, na qual sequer falta aos diplomatas uma definição pelo autor do manual do presidente eleito enquanto "zelota" (imitador) e a pecha batida de "homofóbico", militarista e por aí vai. Nós, o povo, pagamos caro por uma diplomacia inepta, salonista e que se comporta infantilmente, feito estudantezinhos radicais típicos de centro acadêmico universitário. E aí não dá...

Paulo Boccato pofboccato@yahoo.com.br

São Carlos

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NA CASA DE RIO BRANCO

E eu que não sabia que o Instituto Rio Branco estava formando diplomatas fascistas, discípulos não do Barão do Rio Branco, mas do presidente dos EUA, Donald Trump, e de Olavo de Carvalho, safa.

Mário Lobo Cunha 

Porto Alegre

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UM HOMEM MELHOR

Relembrar o Barão do Rio Branco, no domingo, foi uma oportuna matéria jornalística em tempos de transição ("A arte da diplomacia", 2/12, E1). Traz à reflexão do leitor uma pessoa improvável, que tem grande destaque no panteão nacional. Filho de político destacado e também político, permaneceu no cargo sob diferentes presidentes. Priorizar a Nação foi o diferencial de conduta. Um ser incomum, boêmio, que quebrou regras sociais da sua época. Isso, por si só, já limitaria ser levado a sério em qualquer função que ocupasse. Mas, se a situação não lhe favorecia no plano pessoal, ainda poderia lhe ser pior: monarquista convicto em época republicana, avesso à política dos governadores, não se prendeu a ideologias nem preferências políticas ao ocupar o ministério em que se notabilizou. Mostrou cabalmente que em qualquer situação o diálogo e a negociação serão virtudes admissíveis e de sucesso possível. Rio Branco moldou a diplomacia brasileira. Conhecia os temas a defender com profundidade, utilizou sua vivência boêmia, o conhecimento que tinha do ser humano a favor de suas defesas e o sucesso obtido recebeu o reconhecimento da nação por seus méritos. Em época tão polarizada ideologicamente, a matéria demonstra que o sucesso não é previsível. Mas que se diferencia quando homens utilizam seus conhecimentos, dialogam e sabem como respeitar seus oponentes sem os caracterizar como inimigos.

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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O FUTURO CHANCELER

É compreensível que Jair Bolsonaro erija Donald Trump como ideólogo, na medida em que são homens de poucas letras, que não têm a grandeza que se espera de verdadeiros estadistas. O que não é compreensível é que o futuro chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, coloque Trump no lugar de cruzado, que resgatará e libertará o cristianismo das garras da China. Diplomata há 28 anos, supõe-se que o Araújo tenha qualidades, ainda que pouco visíveis. O que é bem visível são sua propensão ao misticismo e a tranquilidade com que escreve em seu blog coisas extravagantes como esta: "A esquerda sequestrou e perverteu a causa ambiental, criando a ideologia da mudança climática, também chamada de climatismo", que consistiria no "ajuntamento de dados que possam sugerir uma correlação entre aumento da temperatura e aumento da concentração de CO2 na atmosfera". É inquietante pensar que, nos próximos anos, a política externa brasileira estará nas mãos de um burocrata com vocação para pastor evangélico.

Joaquim de Carvalho jfdc35@uol.com.br

Rio de Janeiro

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OS BANDIDOS DA FLORESTA

Se para a futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, "quem desmata a Amazônia são bandidos da floresta, não o produtor", então que no novo governo esses bandidos sejam localizados, identificados e punidos com severidade, porque o desmatamento da Amazônia vai muito além do aquecimento global. Estudos profundos feitos sobre o sistema de vida em nosso país provaram que, se existe vida no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul, é graças à umidade que essas zonas recebem vindas da Floresta Amazônica. Comparado a outras áreas no mundo na mesma latitude, como não existe uma floresta ao norte como a nossa, por causa dos ventos predominantes, só existem desertos como o Saara. Essa deveria ser uma preocupação séria para o próximo governo, porque as áreas mais produtivas do País correm sérios riscos com o desmatamento da Amazônia. Não dá mais tempo de postergar medidas sérias contra estes "bandidos da floresta". Não dá! 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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AGENDA AMBIENTAL DO GOVERNO BOLSONARO

Aos que criticam a política ambiental do governo Bolsonaro - que ainda nem começou -, sugiro que acessem os estudos do professor Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas. Os estudos do professor Molion não são singulares e seguem a linha de uma corrente de pesquisadores que não têm a oportunidade, muito menos a boa vontade da imprensa, que seja proporcional à ampla divulgação midiática dos estudos patrocinados por organismos internacionais, ONGs e o Observatório do Clima (braço político ambiental da ONU), que recebem vultuosas e nebulosas quantias para fazer terrorismo ambiental sobre a população. 

Frederico d'Avila, vice-presidente da Aprosoja, conselheiro da Sociedade Rural Brasileira e deputado estadual eleito (PSL) fredericodavila@srb.org.br

São Paulo

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'ALGO DE PODRE NO REINO DA DINAMARCA'

O "Estadão" de 27/11 abordou, em editorial sob o título "Degradação a olhos vistos", o estado lamentável em que se encontram pontes e viadutos na cidade de São Paulo. Tal situação deve-se exclusivamente a péssimos prefeitos que administraram a cidade nos últimos anos, inclusive um que se dizia gestor, mas só cuidou da sua carreira política. E não é por falta de técnicos, pois, de acordo com a Lei n.º 16.414/2016, a Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP) possui um quadro de profissionais de Engenharia, Arquitetura, Agronomia e Geologia de 2.074 profissionais. Atualmente, a prefeitura está realizando um concurso público objetivando ao preenchimento de vagas nas carreiras técnicas e de nível superior para 58 arquitetos, 14 agrônomos, 34 engenheiros civis, 2 engenheiros do trabalho e 10 engenheiros florestais, perfazendo um total de 118 técnicos da área de Engenharia e Arquitetura. Para um quadro total nessas careiras de 2.074 profissionais, podemos concluir que não faltam servidores efetivos já em atividade. Durante a administração Haddad, a Secretaria de Infraestrutura contratou uma empresa fajuta para o fornecimento de engenheiros e arquitetos, e recebeu assistentes sociais e veterinários. A atual também contratou empresas do setor de Engenharia para a inspeção de pontes e viadutos, apesar do seu quadro de servidores capacitados para tanto. A situação é tão caótica que até o Tribunal de Contas do Município já se manifestou que irá vistoriar as pontes e viadutos da cidade. Por tudo isso, a interpelação do Ministério Público à PMSP vem em boa hora, para que explique tanto desleixo na manutenção de pontes e viadutos e as contratações de empresas particulares. Afinal de contas, a contratação de empresa para vistoria soa estranha em vista do seu quadro de engenheiros e arquitetos. A situação me fez lembrar a frase de Shakespeare, na tragédia "Hamlet", por oportuna: "Há algo de podre no reino da Dinamarca".

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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PONTES E VIADUTOS DE SÃO PAULO

Com efeito, o mínimo que os motoristas esperam da Prefeitura ao trafegarem pelo cada dia mais caótico e congestionado trânsito de São Paulo é que, ao iniciarem a travessia de uma ponte ou um viaduto, tenham a certeza de que chegarão sãos e salvos ao outro lado, pois não? Francamente!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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SEGURANÇA DA BARRAGEM DO PARANOÁ

O editorial "Degradação a olhos vistos" (27/11, A3) revelou o estado precário das pontes e viadutos na cidade de São Paulo. Em Brasília, em 1991, foi realizada uma vistoria na Barragem do Paranoá, ocasião em que foram detectados sérios problemas, alguns inclusive com risco até de rompimento da barragem. A vistoria efetuada revelou um estado lastimável da galeria de desvio, sob a barragem de terra, com as paredes de concreto parcialmente deterioradas e totalmente às escuras. Toda a instrumentação colocada para acompanhamento do comportamento geotécnico da obra, como drenos, piezômetros, furos de injeção, etc., se encontrava totalmente danificada ou ausente. Grande quantidade de água jorrava para o interior da galeria, carreando argila (proveniente do núcleo argiloso do maciço ou da fundação) e areia (proveniente do filtro ou da fundação) para o chão da galeria e daí para o córrego, a jusante do empreendimento. Acredita-se, pelo volume de lama existente no interior da galeria e pela coloração avermelhada da água em todo o córrego que drena a galeria, que desde a sua construção e ao longo de quase três décadas toneladas de argila e areia foram retiradas do maciço e/ou da fundação, criando vazios em seu interior, com possibilidade real de desabamentos, podendo levar até a um colapso total da estrutura e ruptura da barragem. Foi encaminhada à Companhia de Eletricidade de Brasília (CEB) uma solicitação formal para verificação atual da galeria, mas não houve nenhuma resposta ou providência. Tal fato foi comunicado a articulistas dos jornais locais ("Correio Braziliense" e "Jornal de Brasília"), mas nenhuma notícia foi publicada a respeito, demonstrando o desinteresse dos nossos representantes e comunicadores pela preservação do patrimônio e obras de engenharia em Brasília. O Ministério Público está analisando o assunto.

Antonio Valério, geólogo valerio.progea@gmail.com

Brasília

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PARA QUE REPINTAR A CICLOVIA RIO PINHEIROS?

Estão repintando de vermelho a ciclovia CPTM/Rio Pinheiros entre o Parque Villa Lobos e a Estação Vila Olímpia. Como ciclista, faço aqui meu veemente protesto. O dinheiro gasto nessa pintura, que não é nada barata, deveria ser redirecionado para a manutenção e correção da série de falhas que vêm acontecendo nas linhas da CPTM. Ou, se isso não for possível por razões legais, para a montagem da ponte/passarela para ciclistas que está desmontada e jogada no chão há anos debaixo do mesmo viaduto sobre a CPTM que sofreu afundamento. Não faz sentido sinalizar pintando de vermelho uma via que está completamente isolada do trânsito da cidade e que não tem um cruzamento sequer. Os pouquíssimos veículos que lá circulam fazem parte da manutenção e segurança da CPTM e trafegam com muito cuidado e respeito pelos ciclistas. A via, cuja função original é estrada de manutenção da CPTM, está dividida em duas pistas claramente sinalizadas, na pista e em placas; a que margeia o rio é para veículos motorizados e a outra, ao lado da linha férrea, para ciclistas. Estranho que as duas pistas estejam sendo repintadas, o que dobra o custo da obra. Além de tudo, espero que essa repintura não seja tão escorregadia quanto a original, que andou derrubando ciclistas profissionais com larga experiência e vitórias internacionais. Passou da hora de uma mudança no Código de Trânsito Brasileiro para racionalizar custos e ser realista em relação à segurança no trânsito. Pintar de vermelho indiscriminadamente toda e qualquer ciclovia em toda a sua extensão, independentemente do grau de risco local e real, serve muito mais como propaganda - para não falar em gastos altos e duvidosos, como vimos em passado recente - do que para a segurança dos ciclistas e trânsito geral.

Arturo Condomi Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

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QUEREM O MEU SANGUE

A Eletropaulo pode até mudar de nome (Enel), de endereço, e as contas podem até mudar de cor. Agora, o que não mudará são as contas cada vez mais caras, sempre levantando a bandeira vermelha, ridícula! Cada conta, uma surpresa - e ai de quem atrasa o pagamento, porque no mês seguinte vem uma conta colada na outra, e com juros. Um descalabro. Apetite voraz para cima de famílias que têm 30% de sua renda comprometida com o aluguel e outros 20%, com alimentação e outros bixos. Socorro!

Leandro Ferreira ferreiradasilvaleandro73@gmail.com 

São Paulo 

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NO CONSULADO CANADENSE

Indignação é a única palavra que me vem à mente quando uma pessoa elimina o sonho de um adolescente de 17 anos e de uma criança de 11 anos, que era conhecer a maravilhosa costa leste canadense a partir de 22 de janeiro de 2019. Foi dada entrada no pedido de visto de ambos, sendo que a mãe e o padrasto dos dois já têm o visto concedido e para lá já viajaram várias vezes. Iriam viajar os quatro, mas, mesmo com carta custeio, comprovação de passagem ida e volta já adquirida e paga, além de passeios e hotelaria já reservados, o visto foi negado, com aqueles motivos de sempre: não têm fundos suficientes para se manter, não inspiram confiança de que vão deixar o país após o fim da viagem, blá, blá, blá. Provavelmente, o processo deles caiu na mão do mesmo agente que aprovou o meu visto e negou o da minha esposa, em setembro, fazendo com que eu tivesse de gastar tudo de novo e dar outra entrada, sendo, então, o processo aprovado e a viagem (maravilhosa para um país maravilhoso) já concluída em outubro. Seria pedir muito para que este agente do consulado fizesse uma melhor triagem dos casos que passam pela sua mão? Nota: outro absurdo ocorrido há cerca de dez anos foi quando um pai entrou com o processo de visto de dois irmãos que iriam fazer intercâmbio estudantil e aprovaram um e negaram o outro. Moral da história: nenhum deles foi.

Luiz Eduardo Pazinatto edupazinatto@hotmail.com

Valinhos

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MARIA BETHÂNIA E A LEI ROUANET

Nada contra a cantora Maria Bethânia (grande artista!), mas, opinando sobre a Lei Rouanet ("'Nossa cultura não importa para os governos'", entrevista no "Caderno 2" de 28/11), ela comete um sério erro. A Lei Rouanet "não dá dinheiro para ninguém", mas concede abatimento fiscal ao patrocinador. Então, a Lei Rouanet dá, na prática, dinheiro ao artista e quem proporciona estes recursos, concordando ou não, é o povo brasileiro. Será que ela sabe disso? 

Franco Porta franco.porta@hotmail.com

São Paulo

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MOEDAS E O BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

Os romanos conheciam o rosto do imperador e alguns monumentos arquitetônicos exclusivamente por meio das moedas circulantes na época. De maneira similar, nossas cédulas e moedas alcançam todos os brasileiros, independentemente de classe social, idade, gênero ou Estado da Federação. As moedas da Olimpíada alcançaram milhões de brasileiros, que puderam conhecer melhor os Jogos e colecionar moedas. Assim, é importantíssimo que o Banco Central e a Casa da Moeda não meçam esforços para lançar cédulas e moedas para celebrar o Bicentenário da Independência do Brasil, em 2022. O processo de concepção, desenho, fabricação e distribuição de cédulas e moedas é longo e deve começar o mais rápido possível.

Hilton Lucio, Sociedade Numismática Brasileira hiltonlucio@hotmail.com

São Paulo

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NA ESPANHA, A ASCENSÃO DA EXTREMA-DIREITA

Os resultados das eleições regionais na Andaluzia causaram um enorme choque na Espanha. Tradicional reduto do Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE), esta comunidade autônoma recebeu com muita surpresa o resultado da eleição que levou à ascensão da extrema-direita, com 12 cadeiras no Parlamento. O Partido Vox (criado em 2013) exalta o nacionalismo, mostra-se contrário ao separatismo catalão, xenófobo em relação à imigração, eurocético sobre a União Europeia e antiglobalista na economia. Ao compartilhar os ideais de intolerância e ódio, o partido demonstra ser capaz de alçar importante voo se houver a antecipação das eleições nacionais, em decorrência da frágil governabilidade da coalizão do socialista Pedro Sánchez, o atual primeiro-ministro.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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AVISO PRÉVIO

Benjamin Netanyahu encontrou-se com o secretário de Estado dos EUA na segunda-feira em Bruxelas para discutirem prolongadamente alguma coisa. Trata-se de uma reunião marcada na semana anterior, sem que houvesse programação anterior a respeito. É muito incomum. Como o primeiro-ministro israelense acumula as pastas da Defesa e das Relações Exteriores, algo muito importante numa dessas duas áreas pode estar prestes a acontecer no Oriente Médio.   

Jorge A. Nurkin  jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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