Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2018 | 03h00

GOVERNO TEMER

Reta final

O mandato de Michel Temer termina em poucos dias. Não me lembro de outro presidente da República com tão pouco apoio público. No entanto, Temer assumiu um Brasil destruído, herança do PT, e deu início a várias reformas corajosas, que desagradavam às corporações poderosas encasteladas no Estado. Atualizou a septuagenária lei trabalhista, que se havia tornado fonte de milhões de processos e criado milhares de sindicatos, que se beneficiavam de um dinheiro fácil que podiam gastar sem controle. Com essa mudança os processos caíram mais de 50% e os sindicatos doravante terão de trabalhar para sobreviver. Temer alterou a legislação que asfixiava a Petrobrás e nomeou um gestor competente que em pouco tempo recuperou o estrago causado por Dilma Rousseff, que obrigou a empresa a vender combustível abaixo do custo e provou um astronômico prejuízo de R$ 50 bilhões. Cuidou ainda do projeto de reforma do currículo escolar, que deu ênfase à Matemática, a Português e Inglês, ao contrário da proposta petista de dar prioridade, por exemplo, à História da África. O Palácio da Alvorada tinha os móveis destruídos quando se votou o impeachment e agora foi recuperado. Quanto à reforma da Previdência, estava prestes a ser votada quando veio a denúncia do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, arruinando o que havia sido negociado e provocando o início da debacle. A qualidade de sua equipe de governo é reconhecida por seu sucessor, que está mantendo vários de seus membros. É pena, teria sido um belo legado para todos nós. Mas deveríamos reconhecer e agradecer o que Temer realizou.

ALDO BERTOLUCCI

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

PETROBRÁS

Caixa-preta

Essas novas descobertas da Lava Jato de propinas na área internacional da Petrobrás podem ser só a ponta de novo iceberg. Ainda está clara em minha memória a foto de Lula e seu poste, de macacão laranja, sujando as mãos no petróleo da nossa suposta autossuficiência. O problema é que o volume de óleo bruto extraído nunca correspondeu ao dos refinados postos à venda no País. Ainda não se esclareceu quanto do petróleo nacional é exportado bruto e qual o total de refinados importado, nesse jogo de “exportar laranja e importar suco”. Dizem que nossas refinarias não conseguem processar o petróleo daqui, então ele é exportado para sei lá onde. Mas em sei lá onde ele é refinado. Não seria melhor equipar as refinarias da Petrobrás para fazerem esse serviço, ou incentivar a participação de estrangeiros na construção de novas refinarias? Ah, e é bom alguém conferir se as tonelagens embarcadas e desembarcadas correspondem exatamente às constantes na documentação. Como se trata de volumes enormes, não é difícil haver espertinhos fazendo rolos.

NESTOR R. PEREIRA FILHO

rodrigues-nestor@ig.com.br

São Paulo

COAF

Mistério financeiro

Com toda a movimentação milionária absurda nos últimos anos de dinheiro em espécie, em malas, sacolas, bolsas, cuecas, só agora, ao término de 2018, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) resolveu mostrar serviço, identificando “movimentação atípica” (que, evidentemente, terá de ser esclarecida) de assessor do filho do presidente eleito? Por que até agora nenhum banco foi convocado a explicar aquelas outras estranhas transações? Nenhuma autoridade havia sido alertada até agora sobre esses valores milionários transacionados em espécie? Que mistério financeiro é esse?

MARIO MIGUEL

mmlimpeza@terra.com.br

Jundiaí

Tostão contra o milhão

Estranho, de fato, o que acontece no Coaf. Depósito em cheque, portanto, facilmente rastreável, é feito em conta da esposa do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e se faz um cavalo de batalha. Mas a esposa de João Paulo Cunha (caso mensalão) vai à boca do caixa de um banco e retira R$ 50 mil sem identificação e sem que o Coaf atue no caso. Geddel mantém R$ 51 milhões em dinheiro num apartamento, o sistema financeiro brasileiro envolvido até o pescoço, e Coaf nada faz – só se descobriu o fato depois de denúncia anônima. Marcos Valério fez uma imensidão de operações, tanto no mensalão mineiro quanto no mensalão nacional e o Coaf sem nenhuma manifestação. Perguntas que não querem calar: por que o Coaf age assim, será que está aparelhado? Isonomia não é algo que deve ser observado sempre pelos órgãos governamentais? E a imprensa não deveria dar destaque a essas diferenças?

ABEL CABRAL

abelcabral@uol.com.br

Campinas

Sigilo violado

O Coaf deve ter uma corregedoria ou alguém que o fiscalize. Vazar dados bancários infringe o sigilo bancário e é crime. No caso do ex-assessor estampado em manchetes jornalísticas, houve crime. Sou pela a apuração administrativa e criminal.

EDMAR AUGUSTO MONTEIRO

eamonteiroea@hotmail.com

São Paulo

MAIS BUROCRACIA

Retrocesso cartorial

Proposta em tramitação no Congresso exige presença física no cartório de empresários e seus sócios para abertura e fechamento de empresa (5/12, B5). Para modificação de contrato social, também. E aí, como é que ficam as Juntas Comerciais, como a de São Paulo? Ela terá de se submeter aos cartórios também, ou deve virar um cartório? A não ser no caso criminal de roubo de identidade, para que servirá a presença física? Vai coibir a corrupção e a lavagem de dinheiro como? Seria para os grão-senhores donos de cartórios avaliarem se o cidadão está qualificado para abrir uma empresa, ou seja, os tabeliães passarão assim a ser ainda mais donos da população, como nos idos tempos de colônia portuguesa? Trata-se de “burrocracia” retrógrada e ineficaz, mais um caça-níqueis para maximizar os lucros dos milionários cartórios – que não existem em nenhum país desenvolvido! O Congresso deveria retirar tal absurdo de pauta e engavetá-lo, simplesmente. Ou teremos cidadãos honestos que querem empreender punidos pela existência de alguns sujeitos desonestos – na usual inversão de valores que atinge os brasileiros de bem, a maioria.

SUELY MANDELBAUM

suely.m@terra.com.br

São Paulo

Martírio de empreender

Todo político deveria ser obrigado a abrir e gerir uma pequena empresa para saber o martírio que cada lei, como essa de autoria do deputado Milton Monti (PR-SP), causa ao herói empreendedor brasileiro. Basta de burocracia de um Estado ineficiente nas costas do cidadão!

RICARDO GUIMARÃES VIEIRA

mg.turismo@yahoo.com

Belo Horizonte

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


INCONSEQUÊNCIA


Os prefeitos que não foram capazes de realizar uma boa gestão podem ser beneficiados com o projeto de lei aprovado pelos deputados federais – em mais uma inconsequência de final de mandato – que permite exceder o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para os gastos com pessoal. Tal decisão tira o estímulo dos administradores municipais que operaram dentro dos parâmetros regulamentares e faz com que os perdulários se tranquilizem. Espera-se que desta vez o presidente Michel Temer, diferentemente do que ocorreu com a aprovação do reajuste salarial dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), resista a qualquer tipo de barganha e não ratifique a desastrosa deliberação.


Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro


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IRRESPONSABILIDADE FI$CAL


Numa demonstração clara de que não está nem um pouco interessada na reconstrução do País, que atravessa a mais aguda e severa crise econômica de sua história, a Câmara dos Deputados acaba de aprovar a Lei de Irresponsabilidade Fiscal, liberando os municípios a continuarem promovendo o festival da gastança desenfreada. Pobre Brasil...


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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OBRIGATÓRIO


Num momento de crise e de contenção de despesas, mais uma vez a Câmara age de forma irresponsável ao permitir a extrapolação da Lei de Responsabilidade Fiscal quanto ao gasto com pessoal. É voz corrente a necessidade de reduzir o gasto com pessoal nos Três Poderes. Temer tem o dever, a obrigação, de vetar tamanho descaso.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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FIM DE FEIRA


Com a aprovação de lei que altera a Lei de Responsabilidade Fiscal pela Câmara, fica claro na mão de quem estamos reféns. Políticos irresponsáveis. Que venha logo 2019 e haja mudanças a favor do Brasil.


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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MILAGRE ACONTECE


Em 2011, na gestão do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, o valor do contrato de dois lotes de varrição das ruas da Capital custou R$ 1,136 bilhão. Em 2014, o então prefeito Fernando Haddad (PT) fechou dois lotes também por R$ 1,066 bilhão. Já no mês de julho deste ano o prefeito Bruno Covas, sem conseguir fazer licitação, fechou o contrato de seis lotes por R$ 966 milhões. E, agora em novembro, publicou edital com valor de referência de R$ 970 milhões e concluiu a licitação dos seis lotes por um valor R$ 170 milhões menor: R$ 800 milhões por ano. Milagre? Não! Inteligente, o prefeito Bruno Covas, licitando seis lotes, exerceu a melhor regra de mercado do mundo, ou seja, aumentou a concorrência. Agora, é só fiscalizar a qualidade do serviço. Com essa economia de R$ 170 milhões, poderá custear a manutenção das 185 pontes e viadutos da cidade, por exemplo, e até construir algumas creches para nossas crianças. Uma boa administração merece aplauso.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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A QUEDA DO VIADUTO NA MARGINAL PINHEIROS


A imprensa publicou a absoluta falta de inspeção dos viadutos há anos pela municipalidade, porém não publicou quais prefeitos e secretários de obras foram negligentes. Eu gostaria de saber, creio que o povo também, especialmente, o nome dos secretários de obras da Prefeitura do Município de São Paulo para responsabilizá-los juntamente com os prefeitos. E o Ministério Público?


Alpoim da Silva Botelho alpoim.orienta@uol.com.br

São Paulo


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TÚNEIS


Acho que, além de pontes e viadutos, merecem atenção os túneis da nossa cidade. Não vi nenhuma reportagem que falasse deles. Prestem atenção ao túnel que passa embaixo do Rio Pinheiros, sempre pingando água. Já pensaram na tragédia?


Aline Foz fozlili@uol.com.br

São Paulo


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INFRAESTRUTURA URBANA


Permito-me um reparo às considerações do leitor sr. Alcides Ferrari Neto, no “Fórum dos Leitores” de 3/11. Pedir à Prefeitura uma indenização difusa à população é um jogo de resultado zero, pois os recursos da Prefeitura são proporcionados pela mesma população. A indenização deveria ser a cargo pessoalmente dos maus gestores (prefeitos, secretários, funcionários responsáveis), cuja incompetência, negligência, etc. causaram um evidente dano à população.


Franco Porta franco.porta@hotmail.com

São Paulo


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BURACO SEM FUNDO


Depois de concordar com a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro voltou atrás, ignorando solenemente o plano de recuperação fiscal do Estado do Rio. A intocabilidade da Cedae denota uma dependência política incomum, que parece ter relação direta com o aparelhamento da estatal.


Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)


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PALHAÇADA


A mesa diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro acatou o pedido de impeachment do governador Luiz Fernando Pezão, que foi preso. Agora, ao apagar das luzes e sem quórum suficiente. Nesta legislatura não acontece mais nada. Autêntica palhaçada.


Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro


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CORRETIVO


Imagens do batalhão onde está recluso nos mostraram o governador Pezão uniformizado, alinhado a outros presos, prestando continência à Bandeira e ao Hino Nacional. Bom começo de correição, exemplo aos que dizem que a prisão é escola para novos crimes, que não recupera o apenado, etc. Em razão da demanda, há que constituir pelotões cívicos Brasil afora, exclusivo às autoridades e agentes públicos condenados, para que aprendam a doutrina do respeito aos símbolos nacionais e aos interesses da Nação/sociedade, princípios que demandam a lisura no trato da coisa pública, por consequência.


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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FUMACÊ


Documento aponta movimentação atípica no valor de R$ 1,2 milhão de Fabrício Queiroz, PM que era lotado no gabinete do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente eleito Jair Bolsonaro, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. O documento foi anexado pelo Ministério Público Federal à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, realizada no mês passado, que levou à prisão dez deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informou que foi comunicado das movimentações de Queiroz pelo banco porque elas são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar. O Coaf também identificou um cheque no valor de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michele Bolsonaro, em nome do ex-assessor do deputado Flávio Bolsonaro. Longe de mim fazer julgamentos, mas diante de tanta fumaça, um verdadeiro fumacê é bem possível, se não provável, que haja fogo. Isso posto, e diante de tantos e robustos indícios de irregularidades, aconselho o então deputado e ora senador Flávio Bolsonaro a não colocar suas mãos no fogo e correr o risco de tê-las sapecadas.


Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo


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MAU CAMINHO


Uma movimentação atípica do ex-assessor de Flavio Bolsonaro, assim como seu pai, que tinha nos quadros uma funcionária fantasma paga com dinheiro público, mas que passeava com seu cachorro e vendia açaí em horário do expediente. O hoje presidente eleito defenestrou a reportagem da “Folha de S.Paulo” e seus seguidores atacaram violentamente a repórter Patricia Campos Mello, e, no Jornal Nacional, ameaçou cortar toda a verba publicitária da “Folha”. Será que Flávio seguirá o mesmo caminho, dizendo ser mentirosas e caluniosas as reportagens deste jornal?


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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FILHOS PERALTAS


Será que os filhos de Jair Bolsonaro vão deixar o futuro presidente da República  trabalhar em paz? A pergunta é inevitável, beira o constrangimento. Mas não pode deixar de ser analisada pelos observadores isentos da vida nacional. Eduardo e Flávio, pela ordem, deputado federal e senador, estão falando pelos cotovelos. Metem o bedelho onde não devem. Precisam botar um freio nas palavras. Já estão crescidinhos. Passou da hora de descer do palanque. Afoitos, criam arestas com os próprios aliados. Dificultam entendimentos. Dividem. Não somam nem convergem. Precisam aprender que a legítima e saudável política não se faz dando trombadas e coices. Carlos, o filho caçula de Bolsonaro, por sua vez, prestou bons serviços na campanha eleitoral, dedicando-se às redes sociais. Reassumiu o mandato de vereador carioca. Bom senso é isso. Mesmo com a saúde debilitada, Bolsonaro trabalha com afinco na formação do ministério. Não tem cabimento, depois de trabalhar com determinação para eleger-se chefe da Nação, Bolsonaro levar bolas nas costas. E logo dos seus amados filhos. Francamente.


Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília


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AS ACUSAÇÕES DE ANTÔNIO PALOCCI


Fábio Luís Lula da Silva, um dos sócios da empresa Gamecorp, é o filho mais velho de Lula. Antes de o petista assumir a Presidência da República, Fábio trabalhava como monitor do Parque Zoológico de São Paulo. Em 2005, a Telemar comprou R$ 5,2 milhões da Gamecorp. Nessa mesma época, o capital declarado social da empresa era de apenas R$ 100 mil. Luiz Cláudio Lula da Silva, também filho de Lula, recebeu do lobista Mauro Marcondes de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões, pela aprovação da medida provisória que beneficiou a Caoa e a Mitsubishi. Antônio Palocci, ex-ministro de Lula, explicou para a Justiça toda a negociata. Lula e seus milionários filhos estão mais que enrolados com os juízes federais.


José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte


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CORTE ACOVARDADA


O presidiário Lula da Silva mostrou que é “elle” quem manda no Supremo Tribunal Federal (STF). Lá atrás, fazia questão, e conseguia, de que seus recursos fossem julgados exclusivamente pela segunda turma daquela Corte – leia-se Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli –, onde seus anseios saiam vitoriosos. Hoje, com a entrada da ministra Cármen Lúcia, percebeu estar em desvantagem. Tanto é verdade que o “defensor do demiurgo”, Gilmar Mendes, apelou ao simbólico pedido de vista para estudar melhor o seu habeas corpus na semana passada. Ora, fica claro que quem manda no STF é o mesmo que, com propriedade, disse que aquela Corte era “acovardada”. E Lewandowski nem mesmo mandou prender seu protegido naquela ocasião!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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PEDIDO DE VISTA


Por que haver pedido de vista quando existe um sistema informatizado pelo qual a todos os ministros é dado conhecimento antes da reunião de plenário dos votos dos demais colegas? Assim sendo, todos já sabem o que será dito, o que torna duvidoso o pedido de vista. Ou devo entender que os ministros vão despreparados para o julgamento? Se isso procede, devo entender que o ministro (ou os ministros) vão a plenário sem estarem preparados para votar? Nessa hipótese, eles nem sequer estão preparados para dar seu próprio voto. É triste o desempenho deste

nosso STF.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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AMEAÇAS


Numa verdadeira República democrática, todos os componentes dos poderes públicos devem estar sujeitos a críticas, porém parece que a nossa Suprema Corte não está. As ameaças do STF, por seu presidente, Dias Toffoli, ao advogado que dirigiu suas reclamações a um dos ministros da mais alta Corte do País mostra bem isso. E, no caso, ameaçar significou tornar clara a grande distância que separa uns e outros, uns, dentro de suas redomas de realezas imunes ao contato de críticas e censuras, olham do alto para baixo, e outros, colocados ou recolocados em sua figuração de meros cidadãos e espectadores, que se comportem ou serão presos. Senhores ministros, caso tenham cometido algum crime contra os senhores, e se os senhores realmente conhecem bem as leis, então não só ameacem, mas, sobretudo, levem adiante as ações judiciais contra os criminosos, tipificando bem os crimes cometidos para o conhecimento público, mas façam exceção, ao menos, aos de apenas lesa-majestade.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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AS DORES DO STF


“Gabinete de Lewandowski diz que ministro sentiu-se no ‘dever funcional’ de proteger STF” (“Estadão”, 5/12). Ora, ora, quanta hipocrisia de Lewandowski em assumir as dores advindas de um crítico “indevido” desta tão augusta e impoluta Corte, para justificar sua baixa “chave de galão” perpetrada contra um advogado que educadamente criticou o Supremo na sua presença, durante um voo de São Paulo a Brasília. O “impoluto” ministro, que se julga acima do bem e do mal e imune a críticas democráticas, mostrou, ao ordenar a prisão do opinador, ser apenas um reles abusador de autoridade (“sabe com quem você está falando?”). Talvez seria adequado criar um neologismo que definiria a realidade fática da corte constitucional tão desacreditada: “Baixemo Tribunal Federal”.

                     

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)


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SEM NOÇÃO


O excelentíssimo ministro Lewandowski manda soltar bandido neofascista, mas “da turma”, além de escolher quais artigos da Constituição convêm mais aos amigos ao tomar suas decisões, e manda prender um cidadão exercendo seu democrático direito a se expressar livremente. Ele não é sem vergonha, ele é sem noção.


Oscar Thompson OscarThompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba


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CURRÍCULO


Alguém  já leu, ainda que por curiosidade, o currículo do ministro Ricardo Lewandowski? Está circulando nas redes sociais já há um tempo. Vale a pena saber, inclusive sobre a sua tese de mestrado.


Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo


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O ‘CARA’ DO AVIÃO


Um ex-prisioneiro de Auschwitz disse: para que os maus triunfassem, precisou apenas que os bons não fizessem nada. O que apavora não é um picareta togado ser um fascista, mas o resto das pessoas que estavam no avião não terem se pronunciado.


Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo


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DIAS SOMBRIOS


Bolinho de chuva: 2 ovos, 1 xícara de açúcar, 1 xícara de leite, 3 xícaras de farinha de trigo e uma colher de chá de fermento em pó. Fritar em fogo baixo até dourar.


Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco


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UMA DISPUTA TRESLOUCADA


Reportagem de 5/12 do “Estadão” nos revelou que uma disputa tresloucada entre os núcleos político e militar do futuro governo e a intenção de dar um novo perfil ao Ministério do Meio Ambiente dificultavam a escolha do nome do ministro para a pasta. O presidente eleito continua com a ideia fixa, recebida do setor ruralista, de que existe no País uma “indústria de multas” ambientais. Essa ideia é simplesmente absurda. Bolsonaro afirmou, ainda, que “existe muita coisa em jogo nessa área”. E tal afirmação expressa exatamente a situação real, pois o Meio Ambiente passou a ser a preocupação de todas as nações do planeta. Não com os interesses menores de determinados grupos da nossa sociedade. Os ruralistas, por exemplo, se fixam na “indústria de multas do Ibama. Ora, penso eu, se existem leis para preservar o meio ambiente, quem desrespeitá-las, obviamente, deve ser multado. Porém, se os fiscais do Ibama estão multando indevidamente, devem ser processados e expulsos do serviço público, exatamente dentro da nova filosofia do próximo governo. Não se cura uma dor de dente, por exemplo, arrancando todos os dentes do paciente. O que o presidente eleito, aparentemente mal orientado, não está entendendo é que o aquecimento global é uma realidade e representa um perigo mortal para a humanidade. E quis o destino que esteja em nosso território a principal arma para reverter as condições atuais que nos levarão a catástrofes que os cientistas comprovaram que vão se intensificar a partir de 2030, ou seja, daqui a 12 anos. É a preservação da Floresta Amazônica que poderá estancar o inexorável aumento do aquecimento da temperatura média deste planeta, que é o único que temos. Paralelamente, a população do planeta deverá diminuir ao máximo a produção de gás carbônico, além de outras providências necessárias. Não é uma falácia marxista, como acredita o futuro chanceler do Brasil, é ciência devidamente comprovada. Nenhum de nós tem o direito de condenar as próximas gerações a um futuro incerto e catastrófico. E são nossos filhos e nossos netos, e não futuras e distantes gerações. Não podemos voltar ao século 16, quando a Inquisição sentenciou à morte Copérnico, que descobriu que a Terra girava em torno do Sol, e não o contrário, como acreditavam.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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PASTORA NO MINISTÉRIO


Como ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, a pastora Damares Alves não pode colocar suas crenças e convicções pessoais acima dos interesses do País, e é bom que se diga que é a política, sim, que pode mudar a Nação, e não a igreja evangélica. Por ora, o Estado é laico. Ou não?


Maria Ísis Meirelles Monteiro de Barros misismb@hotmail.com

Santa Rita do Passa Quatro


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DIREITOS HUMANOS PARA TODOS


A Declaração Universal dos Direitos do Homem completa 70 anos neste dia 10. Mas os direitos humanos são estudados e defendidos desde o tempo do rei persa Ciro II (539 aC), passando pela Roma Antiga, Idade Média e pela constituição das nações ao redor do mundo. Os povos buscam, com esses conceitos, resolver os problemas mas nem sempre conseguem. Desgraçadamente, o tema foi politizado e tornou-se fator de opressão, divisões sociais e deformações. No Brasil das últimas décadas sua aplicação foi seletiva e injusta, cheia de interesses políticos e ideológicos. Serviu para vitimizar os bandidos e tentar criminalizar os policiais que, por dever de ofício têm de combater o crime. Espera-se que a mudança de paradigmas políticos decorrente das últimas eleições, finalmente, nos leve a uma política consistente de direitos humanos. Que todo o humano credor da proteção do Estado, não apenas os transgressores. Todos, juntos, temos de buscar o fiel cumprimento do ordenamento jurídico, como garantidor da democracia e do bem-estar social, e combater toda desordem, excessos e comportamentos que fazem sofrer o ser humano. É uma importante e inadiável tarefa para todos que queremos e sonhamos com um Brasil novo. Direitos humanos devem atender a todos, jamais privilegiar segmentos e muito menos servir de bandeira ideológica e de aproveitamento social ou político de oportunistas.


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo


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FOGOS BARULHENTOS


Enquanto o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, sancionava em boa hora a proibição de fogos de artifício barulhentos no município, um cão era desnecessária e brutalmente assassinado no interior de um supermercado, o que causou enorme comoção nas redes sociais. É preciso ficar claro que fogos barulhentos têm a mesma dimensão agressiva e violenta perante cães e gatos sensíveis quanto uma agressão física, e deveriam ser repelidos pela sociedade com a mesma veemência. Quem possui animais de estimação ou já teve a oportunidade de observá-los durante estes episódios entende muito bem a magnitude desse sofrimento. Sem contar, obviamente, as pessoas idosas, bebês e doentes que necessitam de repouso mesmo em ocasiões comemorativas. Infelizmente, não é a sanção da lei nem sua regulamentação que mudarão da noite para o dia este hábito festivo que já perdeu sua razão de ser há muito tempo, em vários países civilizados. É preciso conscientização e mudança de paradigma. Não é o que se espera que aconteça, a curto prazo, numa cidade onde o egocentrismo predomina e demonstrações de incivilidade são diárias.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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SILÊNCIO


A Avenida Paulista, em plena virada de ano, sem a barulheira dos fogos de artifício é como a Fórmula 1 sem o ronco dos motores, ou um Fla-Flu sem torcida. Ou seja, muito chato! Se a prefeitura quer silenciar algo, sugiro começar pelos pancadões que não deixam muita gente dormir em paz o ano inteiro. Os fogos da Paulista são tradição, e apenas por um momento. A poluição sonora dos pancadões é que tem de ser silenciada.


Leandro Ferreira ferreiradasilvaleandro73@gmail.com

São Paulo

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