Fórum dos Leitores

.

O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2018 | 03h00

DESIGUALDADES

Na educação

Diagnóstico exato e grave o do editorial Educação desigual (9/12, A3), sobre a educação como principal variável de acesso às oportunidades sociais. A experiência internacional mostra que a única maneira de garantir a todos uma educação de qualidade está no investimento no ensino fundamental e médio, tanto da parte do Estado como das famílias. Imperativo de justiça, como diz o editorial, cuja falha recairá sobre pobres e remediados, mas também sobre mais afortunados e ricos. Esse é um alerta para todos, a começar das autoridades.

PEDRO PAULO A FUNARI

ppfunari@uol.com.br

Campinas

Tenho a impressão de que o foco do editorial do Estado e do IBGE sobre a razão da desigualdade do ensino em escolas públicas e privadas está errado. Qualquer um com mais de 60 anos de idade se lembra de que quando fez os cursos primário e médio a escola pública era muito melhor do que a privada. Para esta ia principalmente quem tinha dificuldade de ser aprovado e pais com boa condição financeira – era a época do PPP: papai pagou, passou. Na escola pública não havia isso, aprendia quem se dedicava. O que mudou, então, para esta piora? Coincidentemente, ela começou com a “promoção automática” e o estabelecimento de direitos e nenhuma obrigação para alunos e pais. A grande liberdade para os alunos levou à situação de hoje, em que professores são agredidos em sala de aula, achincalhados por pais e alunos, e nada acontece! Por essas e outras, a autoridade do professor vem sendo mais e mais reduzida, com claros reflexos no respeito que tem dos alunos. Como resultante, os professores empenham-se cada vez menos em ensinar, porque isso pode até ser perigoso, e os alunos muito menos ainda em aprender. E agora vêm alguns por aí dizendo que é “por causa do social”? Tenham paciência! Revejam o que fizeram. Vejam como é nos países onde a educação é eficiente. Abram os olhos, por favor!

WILSON SCARPELLI

wiscar@terra.com .br

Cotia

Abismo social

Li com atenção a entrevista de Luciano Huck (9/12, A8) e o apresentador comportou-se como tal: enunciou uma série de obviedades. Discorreu sobre um novo partido de centro, sobre a agenda liberal na economia, sobre Bolsonaro ter sido eleito democraticamente, enfim, tudo o que o leitor do Estadão sabe muito bem. Elogiou os notoriamente elogiáveis e ficou em cima do muro sobre Lula e Bolsonaro. Acha que seu conhecimento do País como apresentador de TV viajante é superior ao dos que fizeram mestrado em Harvard. Está incomodado com a desigualdade que presenciou e cobra ações de Bolsonaro. Mas, apesar de ter visto a desigualdade em seus 19 anos de viagens, nenhuma ideia de como dirimi-la lhe ocorreu? Se é com essa cabeça que pretende entrar na política, melhor continuar sendo entertainer, no que é expert, como mostrou na entrevista.

SANDRA MARIA GONÇALVES

sandgon46@gmail.com

São Paulo

Em raríssimos momentos da nossa História tivemos governantes comprometidos com um projeto de País, na maioria das vezes predominou o projeto de poder, daí essa gritante e perigosa desigualdade social, entre tantos outros graves problemas, caro Huck. É o que dá empurrar com a barriga, brincar de governar, não enfrentar as questões primordiais que travam a Nação. Contemplar um governo com um legalista, uma pauta liberal e uma reforma radical das práticas políticas, além de disciplinar a educação, já é um bom começo de projeto de País. Nenhum lugar do mundo foi pra frente com corrupção, fisiologismo, estádios de futebol belíssimos e “lucidez sociológica” baseada em assistencialismos eleitoreiros – está aí a prova nos últimos 18 anos. Tentar mudar a pauta é o grande mérito de Bolsonaro, não há retorno, o povo sabe disso, só os “lúcidos relevantes” não entendem e decerto remarão contra, de olho no que perderam.

HAROLDO BEZERRA DE AMORIM

hbamor@bol.com.br

Pindamonhangaba

CORRUPÇÃO

Ação entre amigos

O artigo Dia Mundial de Combate à Corrupção, do ilustre advogado Modesto Carvalhosa (8/12, A2), mostra um lado oculto da corrupção. Hoje em dia todos estamos atentos às barbaridades cometidas por autoridades públicas em conluio com grandes empresários para o assalto sistêmico aos cofres públicos, vale dizer, ao bolso de todos os brasileiros. Essa é a faceta da corrupção com a ajuda de parceiros do poder público que são os “amigos do rei”. É a identificada como “corrupção institucionalizada”. O que a grande maioria dos cidadãos brasileiros não percebe é outro tipo de falcatruas perpetradas pela “corrupção legalizada ou constitucionalizada”. O articulista dá dois exemplos escandalosos dessas manobras corruptas legais, que não podem ser evitadas por estarem previstas em leis ou na Constituição e por isso passam a ser “direitos adquiridos” ou “cláusulas pétreas”. Por elas se chega ao absurdo de servidores receberem mensalmente até cinco vezes o teto constitucional, uma vez como remuneração ou salário e mais quatro como “verba indenizatória”, prevista na Carta. O outro exemplo é o de várias categorias de servidores que têm direito a quatro meses de férias por ano e vendem uma parte ao governo. E assim vai. O problema agora é como combater ou acabar com essa escabrosa corrupção constitucionalizada. Só com uma nova Constituição ou uma profunda revisão da atual. E quem teria de fazer isso? O grupo político que tem poder no Congresso Nacional e jamais acabará espontaneamente com essa “ação entre amigos”. E depois, quando falam em intervenção, todos os “amigos” ficam indignados...

JOSÉ CLAUDIO MARMO RIZZO

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

O dr. Modesto Carvalhosa esqueceu-se de mencionar a recente conduta dos procuradores públicos que inseriram no Código de Processo Civil Brasileiro autorização para receberem, além de suas remunerações, “honorários advocatícios” – procurador não é advogado. Verba que, evidentemente, pertence ao povo.

LEONEL CUNHA

leonelcunha@icloud.com

Curitiba

Tarefa hercúlea

A equipe de Sergio Moro terá muito o que fazer além de combater os grandes criminosos da República. A corrupção está entranhada nas vísceras do serviço público. Por exemplo, acabo de me aposentar pelo INSS e minha vida tornou-se um inferno, com inúmeras ligações e mensagens, em casa e no celular, de bancos oferecendo crédito consignado. Como é que eles têm meus dados, se não for de fonte de dentro do INSS?

SERGIO ARAKI YASSUDA

sergio-araki@uol.com.br

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


ENTREVISTA LUCIANO HUCK


Se o apresentador Luciano Huck não pretende mais sair da “caixinha” política, como afirmou em entrevista ao “Estado” (9/12, A8), precisa melhorar, e muito, seu discurso. Huck critica o presidente eleito Jair Bolsonaro, por este não ter um plano para a redução da desigualdade social. A questão da desigualdade no Brasil é crônica, complexa, multifatorial, de solução a longuíssimo prazo, impossível de acontecer sem reformas estruturais e sem redução do déficit fiscal. Portanto, seria até de estranhar se algum mandatário oferecesse algum tipo de solução simplória para este problema. Além disso, elogiar Lula por conquistas sociais, no mínimo, questionáveis é ser demasiado “politicamente correto”. Para arrematar, a descrição tão entusiasmada quanto pouco consistente que o apresentador faz de um possível novo partido de centro mais parece o anúncio de um filme a ser lançado: PSDB, o retorno.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


*

CONVICÇÕES


“Não acho que Bolsonaro tenha um projeto de país”, declarou Luciano Huck. “Não vejo um projeto de redução das desigualdades (...)” (9/12, A8). Ainda bem que ele não se candidatou. Programas sociais com objetivo de redução das desigualdades de renda são insustentáveis. O Bolsa Família é exemplo disso. A desigualdade só pode ser reduzida com a oferta de trabalho remunerado, que só acontece com desenvolvimento econômico e investimento privado, livre de corrupção, e tributação suficiente com um Estado mínimo e eficiente. Huck seria um paraquedista na Presidência, sem convicções do que precisaria ser feito. Bastam as 17 vezes em que disse “acho”, e nenhuma vez “estou convicto”, na entrevista. Bolsonaro tem convicções, que são todas conhecidas. Basta de indecisões típicas do peessedebismo fhcista!


Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo


*

PAÍS DE PRIVILÉGIOS


Luciano Huck, em entrevista ao “Estadão” (9/12, A8), cobra um plano de redução da desigualdade para o Brasil. Muito bem, o apresentador de TV disse que o Renova elegeu 17 parlamentares (deputados e senadores) – um saldo positivo a ver como esta eleição mudou a cara do Congresso Nacional. O que esperamos dos parlamentares que vão pela primeira vez exercer um mandato? Eles têm a real noção dos verdadeiros problemas deste país? A começar pelas desigualdades, não se pode admitir um Congresso, um Judiciário, tribunais de contas cheios de privilégios, como se o restante do Brasil não existisse. Esta eleição mostrou, por exemplo, que o Fundo Partidário é desnecessário, basta ver a forma como Jair Bolsonaro foi eleito. Mas excelências abrem mão de seus privilégios? Quando Luciano diz conhecer os problemas do País através de suas viagens, ele está longe de saber sobre os fatos reais. É preciso visitar uma escola, uma creche, uma faculdade, uma delegacia de polícia, um posto de saúde, um hospital e passar uns dias lá vendo o dia a dia das pessoas – sem TV, que mascara a realidade e faz virar show. Se um ministro de cada setor visitasse suas bases, saberia identificar os problemas. Do contrário, seguimos apontando fatos, mas o problema é sempre o mesmo: como fazer? Essa difícil receita só terá sucesso se todos, inclusive os parlamentares, estiverem dispostos a perder parte de suas benesses, pois pode não parecer, mas esse é o grande motivo das desigualdades deste país. Eis a beleza da democracia: poder apontá-los.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


*

PETER PAN


Somente após viajar pelo País, por força de seu trabalho, Luciano Huck descobriu a desigualdade social que nos assola, e agora, encarnando Peter Pan, cobra um projeto social para o Brasil, como se num passe de mágica essa questão fosse resolvida.


Rodolfo Jesus Fuciji fucijirepresentacao@ig.com.br

São Paulo


*

AULA DE LUCIDEZ


A entrevista de Luciano Huck (9/12, A8) é um primor de análise do Brasil, nos obscuros tempos atuais, destacando-se por partir de um cidadão com pretensões políticas. Em corajosas palavras, reconhece que o futuro presidente carece de um projeto de país por omitir-se no enfrentamento das inadiáveis reformas estruturantes, atribuindo-o às crenças deste, ao mesmo tempo que reconhece que ninguém foi enganado, daí o necessário voto de confiança e diálogo iniciais, sem extremismos. Clama por uma agenda social prioritária que enfrente a histórica e consolidada desigualdade, apontando também a escola como epicentro da sociedade, atribuindo esta outra omissão, novamente, às convicções do presidente eleito. Reconhece a falência partidária do atual modelo e, com uma sinceridade inexistente no meio político, declara publicamente a decepção pessoal com Aécio Neves e, como justa, a prisão de Lula. Só faltou abordar os descalabros do atual Congresso, fazendo-se necessária a consulta popular nas deliberações que envolvam salários de servidores e isenções fiscais, entre outras. Sem dúvida, uma aula de lucidez. 


Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto


*

ELE TEM?


Abro o jornal “O Estado de S. Paulo”, edição de domingo, dia 9/12, e deparo com a figura do sr. Luciano Huck, por demais conhecida do distinto público, em destaque na primeira página do jornal. Ele declara, cheio de “autoridade”, que o presidente “Bolsonaro não tem um projeto para o país”. Na entrevista, o sr. Luciano Huck não diz, mas induz, que ele tem. Ora, recordo-me de que o sr. Huck não é outro, senão aquele mesmo que, não faz muito tempo, empunhava um chicote no seu show erótico de TV, ameaçando fustigar uma ninfeta em trajes exóticos de seminudez, mascarada de zorro, e outra que atendia pela alcunha de Feiticeira. É esse o personagem que ora se apresenta como o futuro salvador da Pátria! Pobre Brasil! Consta que este cidadão Huck passou pelos bancos da minha Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, de onde saí e de cujos ensinamentos vivi durante toda a vida, na minha profissão de advogado. Duvido mesmo de que o sr. Huck, como bacharel em Direito, tenha aberto alguma vez o Código Civil ou a Constituição do Brasil. Já tivemos a “noite dos 14 anos”, representada pela aventura petista, de triste memória. Não queremos mais outra aventura... Avante, Bolsonaro, o senhor é um homem simples, probo, idealista, patriota, tem tudo para dar certo.


Abdiel Reis Dourado abdiel@terra.com.br

São Paulo


*

ELITE PRIVILEGIADA


Que me desculpe o sr. Luciano Huck! Primeiro, acovardou-se em não disputar a Presidência da República. Segundo, não é só a diferença de ganhos entre a população que fará com que o País siga para um novo rumo de crescimento. E terceiro, o apresentador que me desculpe mais uma vez, mas o primeiro a dividir pelo menos 50% do “salário milionário” seria ele próprio, pois já seria um bom início para os menos privilegiados.


Nelson Cepeda fazoka@me.com

São Paulo


*

ALMOFADINHA


Bolsonaro pode até não ter um projeto para o país, conforme disse Luciano Huck, mas é melhor do que ter na Presidência um almofadinha que vem falar de “redução da desigualdade” e da necessidade de o País “não ficar andando de lado para sempre”, sem ter a mínima condição de liderar o planejamento e a execução de políticas que resolvam esses problemas. Se Huck pretende mesmo concorrer à Presidência um dia, deveria investir uma ínfima parte da fortuna que amealhou em sólida formação para tanto. Seriam dois anos de dedicação exclusiva numa instituição da América do Norte ou da Europa, mas duvido que ele se disponha.


Marcelo Melgaço melgacocosta@gmail.com

Goiânia


*

OS DETALHES


O apresentador Luciano Huck disse não ver “um projeto de país” para o Brasil em tudo o que o presidente eleito Jair Bolsonaro disse ou diz. Ocorre que qualquer projeto de país, para ser bem-sucedido, primeiro que tudo, precisa de pessoas técnicas e honestas com boas práticas e boas intenções, possuidoras de propósitos específicos de combate à corrupção, à ineficiência e à má administração. No caso brasileiro, a Constituição federal e as bancadas do Senado e da Câmara dão os parâmetros que ou limitam o que se pode manejar do Orçamento Público ou limitam o que se pode manejar das vontades políticas. Querer, Luciano, um projeto de país que vá reformular finalmente séculos de uma quase mesma história é não querer enxergar os detalhes que, para o melhor de nossa presente história, realmente aqui e agora, importam.


Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


*

PRIMEIRA PÁGINA


O “Estadão” trouxe em sua primeira página de domingo a manchete “‘Bolsonaro não tem um projeto para o País’”, como sendo a parte significativa da entrevista de Luciano Huck. Não é bem assim, como se pode ler. Aliás, falta-lhe o atributo: conteúdo. Sabe-se que a primeira página de um jornal é significativa, expressa o próprio jornal. E o dignifica, ou não. Neste caso, a opinião não é de algum analista ou de um estudioso. É de um apresentador de programas populares na TV. É evidente o segmento de brasileiros ao qual é dirigida a mensagem. E a intenção do jornal, certamente, não é, aqui, de “bem informar”. Tal procedimento decepciona a quem aprecia comentários abalizados. É lamentável.  


Pedro S. Sassioto pssassioto@uol.com.br

São Paulo


*

DESTAQUE IMERECIDO


Será que Luciano Huck é um “estadista” de tal categoria que mereça a primeira página do jornal para fazer uma apreciação sobre o futuro governo? Sempre considerei o “Estadão” um jornal equilibrado e sério.


Jose Maria C. Del Olmo jmc.delolmo@gmail.com

São Paulo


*

CENTRO RADICAL


Quem é este cidadão Luciano Huck para vir dar palpites? Pior, ainda, é o jornal coloca-lo em foto de primeira página. O jornal, Huck e FHC podem pegar o seu centro radical e irem às favas.


J. S. Morel Filho zzmorel@icloud.com

São Paulo


*

FALTA DE SINTONIA


Assinante de muitos anos do jornal “Estado”, fiquei perplexa ao ver na primeira página do jornal de domingo uma entrevista do sr. Luciano Huck. Pergunta: o que qualifica um apresentador de um programa medíocre de televisão, sem bagagem ou currículo como político ou intelectual, para ser entrevistado pelo “Estadão”? O que o qualifica para se manifestar sobre um governo ainda em formação, de um presidente eleito com expressiva porcentagem de votos populares? O mais incompreensível é a dita entrevista ter sido colocada em destaque de primeira página, quando o governo em formação vem sendo objeto de artigos muito bem escritos por colunistas sérios e responsáveis do jornal, sem o mesmo destaque. Esta falta de respeito e de sintonia da imprensa com a inteligência, os anseios e os interesses de seus leitores é uma das causas pelas quais a cada dia aumenta exponencialmente o desejo de cancelar minha assinatura.


Marcia Paciornik marciapaciornik@uol.com.br

São Paulo


*

CONTRIBUIÇÃO


Sou assinante do “Estadão” e causou-me espanto o grande espaço utilizado em matéria com o apresentador de TV Luciano Huck. Não me interessa a opinião política dele, como a de outros famosos do mundo televisivo. Temos muitas celebridades da academia, da política e da ciência que contribuiriam muito mais para o debate em questão.


Celso Antonio de Britto Freitas celsoabfreitas@hotmail.com

São Paulo


*

O SAPATEIRO E AS SANDÁLIAS


O nível a que caiu a imprensa nacional está retratado na primeira página deste jornal em sua edição de domingo, 9/12. Quem é o sr. Huck para ter a petulância de, indiretamente, dizer que sabe mais do que 57 milhões de eleitores brasileiros que elegeram o novo presidente da República? Está na hora de as nulidades recolherem-se à sua insignificância e a imprensa, de não dar acolhida a personalidades destituídas de qualquer valor cívico, moral, ético e político em busca de holofotes para iluminarem suas carreiras de outra natureza que não a dedicada às coisas de Estado. Diziam os romanos “ne sutor ultra crepidam”, ou, em nosso bom Português, “não suba o sapateiro além das sandálias”. O “Estadão” e o sr. Huck que não se esqueçam da máxima latina. A televisão, as artes cênicas e as artes musicais, especialmente as de maior apelo popular e mais rasteiras, criam ídolos populares, mas nem de longe criam estadistas.


Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br

Campinas


*

AVENTUREIRO


Mais um aventureiro que se lança à política não querendo ser, querendo (Luciano Huck, 9/12, A8). Bela retórica que já estamos cansados de ouvir. Pelos nomes citados, como exceção, um ou dois se salvam. Um ciclo foi quebrado nas últimas eleições, um novo projeto está sendo lançado, ao contrário do que acha o entrevistado. O projeto dele é que precisa ser provado, afinal o Brasil não é nenhum programa de televisão de apelo emocional para consertar lata velha e barraco de uns poucos escolhidos.


Eliton Rosa elitonrosa@gmail.com

Rio de Janeiro


*

MESTRE DE OBRAS FEITAS


A eleição presidencial de 2018 indicava a atuação forte de um candidato “outsider”, visto que o eleitor estava cansado dos velhos candidatos de sempre e dos políticos profissionais. Um dos nomes mais cogitados para este posto foi o do animador de auditório global Luciano Huck. Muita gente se entusiasmou com essa possibilidade, acho que até ele. Mas na hora da verdade, ao saber, como a imprensa à época divulgou, que a diretoria da Rede Globo avisou que se ele saísse para disputar a eleição seu contrato seria rescindido imediatamente, ele abortou esta aventura e preferiu manter seu salário milionário na TV. Como diria o outro, direito total dele. Agora, este senhor vem ao “Estadão” afirmar que o presidente eleito Jair Bolsonaro não tem projeto para o Brasil. Ele virou um mestre de obras feitas? E se acha no direito de criticar o novo governo, mesmo antes de ele se iniciar? Plagiando o famoso rei, pergunto: por que não te calas e abraça seus admiradores no seu programa de auditório?


Maurício Lima mapeli@uol.com.br

São Paulo


*

COBRAR É PRECISO


Luciano Huck, obviamente, tem de cobrar do próximo governo – e deve. Porém deve dizer o que seria do Brasil já semidestruído, a destruição que seria do Brasil na continuidade do PT.


Roberto Moreira da Silva  rrobertoms@uol.com.br

São Paulo


*

PALHAÇADA


O Bozzo da Globo, agora, afirma que Bolsonaro não tem projeto para o Brasil. Por que não te calas, Bozzo?


Gabriel Anastacio anastacioangola@terra.com.br

São Paulo


*

É PRECISO ESCLARECER


O novo governo ainda nem começou e alguns fatos exigem posicionamentos claros e transparentes. Por exemplo, o caso das investigações sobre verbas irregulares para campanhas eleitorais recebidas pelo futuro chefe da Casa Civil e, agora, para completar, as acusações que surgem de procedimentos irregulares envolvendo membros da família Bolsonaro, um dos quais recentemente eleito para o cargo de senador. Que as respostas sejam claras e transparentes.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


*

DE PEDRA A VIDRAÇA


Faltando poucas semanas para iniciar seu governo, Jair Bolsonaro primeiro teve de explicar o estranho caso da funcionária de seu gabinete de deputado federal que fazia as vezes de caseira e cuidadora de seus cachorros na casa de Angra dos Reis, além de gerenciar uma loja de açaí. Na última semana, o futuro presidente se viu às voltas com outra explicação complicada, a do depósito não declarado no Imposto de Renda de R$ 24 mil na conta de sua esposa, Michelle, referente a um empréstimo seu para Fabrício Queiroz, um PM amigo, ex-assessor de seu filho o deputado estadual Flávio Bolsonaro, eleito senador (PSL). Ambos os casos demonstram como é difícil, desconfortável e traiçoeira a transição de pedra em vidraça, que está apenas começando.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


*

PRESIDENTE EM APUROS


O presidente Jair Bolsonaro não convenceu ninguém quando tentou explicar os pagamentos recebidos por sua esposa de um ex-assessor de seu filho, o qual teria movimentado recursos incompatíveis com o patrimônio e a renda, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).


Marcos Abrão  m.abrao@terra.com.br

São Paulo


*

ERREI


Não se trata de erro contra o Fisco, caro presidente Jair Bolsonaro, é preciso investigar, antes de mais nada, se não houve crimes descritos nas leis brasileiras, incluindo o Código Penal.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


*

AS CONTAS DE QUEIROZ


Neste momento, meu pensamento tem a simplicidade de um começo, é simples e elementar. Uma porção da mídia, tanto escrita quanto televisiva, comenta como se fosse primordiais e gravíssimas as transações e depósitos de ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Claro, é necessário que tudo seja esclarecido. Pois bem, por que será que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) não investiga de onde veio o dinheiro dos filhos dos políticos encalacrados em escancarada e vergonhosa carreira de corrupção? A mesma mídia é a que parece querer acalentar cansativamente a ideia de que tem algo de errado com a família dos Bolsonaro... Bater na mesma tecla para com isso desacreditar e para esmorecer o futuro governo pode levar para um futuro caminho incerto. O governo não trabalha sozinho. Parece que não, mas o povo é muito importante e, para tal, as mensagens do que está certo ou errado nas redes sociais estão fortes.  Que se investiguem todos, indistintamente, mas chegou o momento de não ser saudável uma oposição que não seja somente e única, de ajudar o País a andar para a frente.


Creusa Colaço Monte Alegre ccolacomontealegre@yahoo.com.br

São Paulo


*

ESTES INCRÍVEIS ASSESSORES


Num ano pede empréstimo de R$ 24 mil e, no outro, movimenta R$ 1,2 milhão. Tem boi nessa linha. Não pode ser dois pesos e duas medidas.


Emerson Luiz Cury emersoncury@gmail.com

Itu


*

‘É NÓS’, QUEIROZ


Por mais boa vontade que o PM e ex-assessor de Flávio Bolsonaro Fabrício José Carlos de Queiroz tenha em atender ao presidente Jair Bolsonaro em explicar a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em suas contas, será muito difícil, se não impossível, sem que haja irregularidades. Quanto mais eu vivo, mais me lembro de velhos ditos populares, como estes que vira e mexe mamãe dizia: o peixe sempre morre pela boca, e em boca fechada não entra nem sai mosquito.


Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo


*

CONTROLE?


Este órgão, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foi criado em 1998. Quais contas, até agora, ele fiscalizou? A de dona Marisa Letícia, com R$ 11 milhões? A da cria dela com Lula, filhotes exemplares, que nunca nada movimentaram? E a da “presidenta”? E a dos demais membros da quadrilha “petralha”? Criado no século passado, mas, ao que parece, inaugurado agora, com a eleição de Bolsonaro. Este país é uma vergonha, mesmo, e muita gente que está nos nossos Três Poderes é que nos fazem sentir isso.


Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo


*

COAF NÃO VIU GOLIAS


Qual um sismógrafo avariado – porém e, de repente, diligente –, o Coaf começou a rastrear gorjetas, transformadas, por apavorada motivação político-partidária, em fricções tectônicas financeiras. Bom que se vasculhe tudo e todos. Mau – e tão patife quanto o patriotismo dos canalhas – que este mesmo Coaf não tenha farejado o frenesi milionário de saques, depósitos, transferências, aplicações da quadrilha chefiada por Lula, Zé Dirceu, Palocci, Delúbio, Vaccari e quejandos. Olhado de patamar bíblico, o Coaf vê o estilingue de Davi e não viu os tentáculos meliantes de Golias. Ponto. Coaf, Sérgio Moro vem aí.


José Maria Leal Paes myguep23@gmail.com

Belém


*

RENAN EM AÇÃO


“Aliados de Renan Calheiros ameaçam levar Flávio Bolsonaro a Conselho de Ética” (“Estadão”, 10/12). Eis uma ameaça, que mostra toda a dimensão hipócrita de Renan Calheiros, a possíveis adversários, contra alguém que ainda nem tomou posse no Senado, ameaçando-o com uma denúncia vazia de fatos ainda não apurados, para a Comissão de Ética, que ainda também não foi indicada. Igualmente insinuar que Flavio seria responsável pelos desvios de um terceiro, sem antes investigar o que realmente aconteceu, mostra que o candidato Renan fará o diabo para se eleger à presidência do Senado, custe o que custar. O Brasil estará bem melhor se Renan não for eleito como presidente do Senado.                          


Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

    

*

DENÚNCIAS MIL...


Parece que vai aparecer uma denúncia contra o ex-juiz Sérgio Moro dizendo que ele aos 11 anos trapaceou num jogo de pega-varetas.


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


*

PARA NÃO CONTAMINAR O GOVERNO


Como prova de lealdade ao presidente Jair Bolsonaro, os que foram escolhidos para ministérios e postos-chave e tenham problemas devem se antecipar a possíveis acusações e explorações, afastando-se para não correr o risco de contaminar o novo governo. Seguir o exemplo de Henrique Hargreaves, chefe da Casa Civil do governo Itamar Franco que, em 1993, sob suspeita de irregularidades, pediu exoneração e, três meses depois, verificado que nada havia contra ele e as acusações eram levianas, voltou ao ministério e ali permaneceu com amplos poderes até fim do governo. Convidado para um ministério ou alta função de governo, o indivíduo tem de ser consciente de que sua figura pública é maior do que a privada. Deve assumir publicamente seus problemas, por eles responder e por todos os meios evitar que turvem a imagem do grupo que integra. A equipe dessa lealdade para poder carregar o pesado fardo de mudar os conceitos, parâmetros e procedimentos da administração pública brasileira. Sua função transcende os interesses pessoais. Desse procedimento tipicamente republicano dependem o sucesso do governo que se instalará em 1.º de janeiro, o esperado desenvolvimento do País e o bem-estar do povo. Quanto aos parlamentares eleitos no grupo, precisam evitar as briguinhas, pois também são responsáveis na gigantesca tarefa de reconstrução nacional.


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo                                                                                                    


*

OS 22 DO BOLSONARO


O presidente eleito Jair Messias Bolsonaro (PSL) completou a equipe de ministros do seu governo. E, dos 22 escolhidos, todos têm perfil ou conhecimento na área de atuação. E, até o presente momento, todos parecem idôneos e sem mácula no currículo. Vale lembrar que o Messias da “Bíblia” (Cristo) escolheu 12 apóstolos, e foi traído e negado. Já o Messias brasileiro (Bolsonaro) escolheu 22 ministros, e, neste caso, a possibilidade de traição/decepção/corrupção/etc. é muito maior, pois é muito poder e dinheiro envolvido. Enfim, nesta difícil missão, torço pelo sucesso de Bolsonaro e sua equipe, pois este país precisa e merece um futuro muito melhor. Reflexão: que o nosso Messias seja o bom gestor. Amém.


Alex Tanner alextanner.sss@hotmail.com

Sumaré


*

MEIO AMBIENTE


Lamentável a escolha de figura tão obscura como Ricardo Salles, por Jair Bolsonaro. Bola fora!


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz


*

RICARDO SALLES


O futuro ministro do Meio Ambiente declarou ser contra o javali, a esquerda, o MST, mas não declarou ser contra o trabalho rural semelhante ao trabalho escravo.


Fausto Ferraz Filho faustoferraz15@gmail.com

São Paulo


*

TEMPOS MODERNOS


Sugiro ao novo ministro do Meio Ambiente, o advogado Ricardo Salles, que ele estude os novos métodos da agricultura holandesa. Com uma área menor que Sergipe, a Holanda conseguiu se tornar o segundo país que mais exporta alimentos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A Holanda conseguiu reduzir em 90% o uso da água, praticamente eliminou o uso de pesticidas, reduziu muito os antibióticos no gado e nas aves. O novo ministro do Meio Ambiente faria um grande favor ao Brasil e ao mundo se apresentasse a nova e superprodutiva agricultura holandesa à bancada ruralista.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


*

EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE


Sem combinar com os vulcões e com as placas tectônicas, não tem conversa.


Sergio S. de Oliveira ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)


*

COMPOSIÇÃO DE GOVERNO


O governo eleito está sendo composto por generais, economistas, juízes, policiais e outros profissionais de notório espeito nacional. Onde já se viu tamanho absurdo? Tomando conhecimento diário do noticiário escrito e televisivo, fico me perguntando por que ninguém até agora sugeriu a formação de um governo composto majoritariamente por profissionais da mídia, como artistas, comentaristas, apresentadores, articulistas e, principalmente, jornalistas. Afinal, eles têm solução imediata para tudo.


Edison Ribeiro Pereira edisonribeiro@hotmail.com

São Paulo


*

SAMBA DO CRIOULO DOIDO


Impossível discordar que governar, no Brasil, é pior do que o samba do crioulo doido. Muitos acertos e muitos desencontros se entrelaçam, todavia, o que nos interessa de fato são as intenções dos governantes, notadamente dos que ainda não adquiriram a prática do ofício. Há grande polêmica em relação ao meio ambiente e à soberania nacional, que não se resume ao Acordo de Paris, mesmo com Paris em chamas. Há grande preocupação com o Triplo A, encaixado na discussão, que é uma faixa de terras ao norte da América do Sul, composta por 62% de terras brasileiras, 34% colombianas e 4% venezuelanas, idealizada no governo Collor pela ONG Gaia Foundation, vinculada à Real Casa Britânica (algo a ver com as “saudosas” constantes visitas do príncipe Charles à região amazônica?). A alma do negócio é que essa faixa contém enormes reservas de biodiversidade, recursos hídricos e de minérios e que grande parte desses recursos tem sido saqueada ao longo dos anos por vários países. Então, é de suma importância que a segurança nacional seja ampliada e preservada, mas que não seja usada como desculpa para a não observação do Acordo de Paris, que por seu turno também é extremamente importante, pois a conservação do ar respirável também é patrimônio nacional e mundial. Lé com lé, cré com cré, cada coisa em seu lugar.


Carmela Tassi Chaves tassichaves@gmail.com

São Paulo


*

FORA DE FOCO


A polêmica sobre o cumprimento dos compromissos assumidos na Conferência do Clima COP-21 está totalmente fora de foco e sem sentido. Nos Estado Unidos a situação é diferente, e os Estados federativos e municípios/cidades executam políticas próprias, estabelecendo metas de 100% de energias renováveis, independentemente das falas e ações do presidente Donald Trump. O Brasil, com o factível desflorestamento zero em prazo de dois anos, recuperaria uma popularidade global favorável ao agronegócio e aos investimentos industriais.


Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo


*

INTERVENÇÃO EM RORAIMA


O presidente Michel Temer, ao decretar intervenção federal em Roraima, dá a exata dimensão da relapsa atuação dos nossos dirigentes públicos. No caso de Roraima, governado por Suely Campos (PP), há três meses não se pagam os salários dos servidores. É mais um dos Estados, entre os 14 e o Distrito Federal, que por lastimável gestão gastam mal e mais do que arrecadam. Não é por outra razão que estão quebrados. E, mesmo assim, o Congresso Nacional, enterrando a Lei de Responsabilidade Fiscal, aprova um projeto que impede penalizar os prefeitos irresponsáveis que ultrapassam o limite constitucional de gastos com pessoal. Assim não dá!


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


*

A RESPONSABILIDADE DE TEMER


Mais uma vez está nas mãos de Michel Temer o destino do País. O presidente já “amarelou” e não vetou o aumento salarial do Judiciário, mesmo com um abaixo-assinado “embaixo dos braços”. Agora, se vislumbra a excrecência da Câmara dos Deputados em “liberar geral” os gastos dos municípios, desrespeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Como o povo de bem já sabe que Temer “treme” nestes casos importantes, o próximo desastre se aproxima em alta velocidade. Temer, não “trema” e vete este escabroso “golpe” contra o Brasil!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


*

LEMBRANÇAS DO AI-5


Neste momento em que um novo governo, eleito democraticamente, se prepara para assumir, surgem denúncias que até aqui foram muito mal explicadas. É claro que a lembrança do odioso Ato Institucional n.º 5 (AI-5) – imposto aos cidadãos brasileiros 50 anos atrás e que transformou uma discutível intervenção militar num odioso golpe de Estado – nos traz a preocupação de como reagirá um presidente de perfil militar diante de situações inexplicáveis. Mas nada justifica o pessimismo forjado por aqueles que perderam diretamente a eleição.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


*

‘EDUCAÇÃO DESIGUAL’


Sobre o editorial “Educação desigual” (9/12, A3), tenho a impressão de que o foco do jornal e do IBGE sobre a razão da desigualdade do ensino em escolas públicas e privadas está errado. Qualquer um com mais de 60 anos de idade lembra que na época em que fez os cursos primário e médio a escola pública era muito melhor do que a privada. Para esta última iam principalmente aqueles que tinham dificuldade de serem aprovados e tinham pais com boas condições financeiras; era a época do PPP (“papai pagou, passou”). Na escola pública não havia isso, aprendia quem se dedicava a aprender. O que mudou, então, para a piora que hoje se vê nas escolas públicas? Coincidentemente, a piora começou à época da instituição da “promoção automática” e do estabelecimento de “direitos e nenhuma obrigação” a alunos e pais. A grande liberdade aos alunos levou à situação de hoje, em que professores são agredidos na sala de aula, mas não acontece nada. Professores são achincalhados por pais de alunos, mas não acontece nada. Com estas e outras, a autoridade dos professores vem sendo mais e mais reduzida, com claros reflexos no respeito que eles têm dos alunos. Como resultante, os professores empenham-se cada vez menos em ensinar, porque isso pode até ser perigoso, e os alunos, muito menos ainda em aprender. E agora vêm alguns por aí dizendo que é “por causa do social”? Tenham a paciência. Revejam o que fizeram. Vejam como é nos países onde a educação é eficiente. Abram os olhos, por favor!


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


*

O ASSASSINATO DA CADELA MANCHINHA


Alguns diriam que fatos muito mais graves acontecem, contudo isso não afasta a importância do ocorrido com a cadela Manchinha, morta em decorrência das agressões de um segurança de supermercado em Osasco (SP). Além do fato da agressão e da morte do animal, isso põe em evidência o perigo que tais agressores representam para as próprias pessoas. Se uma pessoa age de tal forma com um cão inofensivo, ela tem um potencial de, numa desavença até simples, agredir, ferir e até matar um ser humano – a índole dessas pessoas é ruim e perigosa para a sociedade. Já tem passado por comissões da Câmara dos Deputados projeto tornando mais graves as penas por agressões a animais. A relevância de penalizar fatos ditos como de “menor potencial” é importante, pois nessas ocorrências pessoas podem ser feridas ou mortas – como já aconteceu em desavenças de transito, de vizinhos barulhentos ou que enchem as casas vizinhas com queimadas em seus quintais. Não que se vá encher cadeias com pessoas com penas menores, todavia a simples condenação penal já é algo grave para a maioria e serve de agravante em situações futuras.



Heitor Vianna P. Filho lagos@araruama.com.br

Araruama (RJ)


*

LEI INADEQUADA


A morte da cadela Manchinha, há alguns dias, causou enorme comoção nas redes sociais e uma mobilização de ativistas dos direitos dos animais em manifestações, como as ocorridas em Osasco e Campinas. O fato provoca uma reflexão sobre a inadequação do artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, que se aplica tanto para animais silvestres como para domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A pena prevista em caso de praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais é de 3 meses a 1 ano de prisão, além de multa, podendo ser agravada em até um terço em caso de morte do animal. Claramente, há duas incongruências na letra da lei: 1) em ambiente urbano, a morte de gatos e cachorros deveria ter obviamente uma pena maior, para dissuasão em decorrência da repercussão social, devendo ser agravada em caso de múltiplas mortes; 2) no caso de legítima defesa contra animais peçonhentos (aranha, serpente e escorpião), por causa do veneno, não deveria haver punição.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


*

COMPORTAMENTO ANIMAL


Esclarecimento técnico sobre o fato de cães permanecerem ao lado até mesmo do caixão fúnebre de seus donos. Para os humanos, isso seria uma demonstração de fidelidade reconhecida, como sendo o cão o melhor amigo do homem. Sob a análise do comportamento das espécies, essa relação sentimental fica restrita apenas às manifestações emocionais dos humanos. Por tratar-se de um animal doméstico, sua relação com o proprietário é apenas de dependência. Ali ele encontra alimento e abrigo, e é natural no comportamento de espécies domésticas a permanência no local que lhe é favorável. O fato de ele acompanhar o cortejo fúnebre de seu dono e mesmo permanecer ao lado do túmulo por um período nada tem que ver com fidelidade. Isso ocorre em função do seu faro altamente desenvolvido, sendo que ali permanece, como seria em qualquer outro local, até o momento em que o cadáver entra em estado de putrefação. Após isso, o odor que identifica seu dono desaparece, e a relação, por parte do animal, termina aí. Assim que outro humano lhe fornecer as mesmas condições, o animal restabelece a mesma relação. A relação sentimental ocorre apenas pelos humanos. A isso chamamos antropomorfismo.


Orivaldo Tenorio de Vasconcelos, médico veterinário, coordenador de Comportamento Animal da Funep-Unesp professortenorio@uol.com.br

Monte Alto


*

DESCASO COM BONS PMS


Há poucos dias, o cabo PM Santino, atualmente servindo na Rota, defendeu um cidadão de bem de ser fuzilado por dois assaltantes. Órgãos da grande mídia, até onde sei, mantiveram, de modo parcial e vergonhoso, silêncio sobre o fato. Espera-se, ao menos, que o heroico policial seja, no entanto, homenageado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Não é possível que nós, cidadãos já reféns em potencial do chamado crime organizado, ainda tenhamos de fazer coletas de recursos a fim de promover simbólicas homenagens a bons policiais. Aí já é demais!


Vanderlei de Lima toppaz1@gmail.com

Amparo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.