Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Em Davos

A instabilidade política associada às eleições presidenciais constituiu a principal causa da retração de investimentos diretos em 2018 no Brasil, segundo dados recentemente divulgados pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Esqueceu-se a entidade de considerar um fator igualmente relevante e que fez acender o sinal vermelho nas premissas estratégicas dos planejadores: a fragilidade da economia, revelada pela assustadora dependência de um único e insuficiente modal para o escoamento de produção, quadro dramatizado pela greve dos caminhoneiros. Ao tentar estimular investidores, o presidente Bolsonaro terá de mostrar em Davos, na Suíça, seu inarredável compromisso com a democracia e sua disposição de tornar o Brasil competitivo e atraente para o capital.

PAULO ROBERTO GOTAÇ

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

Moro no Fórum Econômico

Entre as mensagens que o ministro da Justiça e Segurança, Sergio Moro, apresentará no Fórum Econômico Mundial, está a ideia de que a corrupção prejudica não só as políticas governamentais, mas também o lucro das companhias. Esse importante evento poderá proporcionar bons dividendos econômicos ao País em forma de investimentos, pois os investidores externos procuram sinais de credibilidade e transparência. Oxalá que as empresas que ainda não haviam compreendido esse ensinamento assimilem rapidamente a primeira lição da cartilha e possam ter grande sucesso. Outra boa lição que está dando a equipe em Davos é a sobriedade: para lá foi uma pequena comitiva, não uma vergonhosa caravana, como em passado recente. Como brasileira, agradeço por não ter de passar por tal vexame.

IRENE MARIA DELL’AVANZI

irenedellavanzi@hotmail.com

Itapetininga

Globalização inclusiva

“Precisamos de uma globalização mais inclusiva.” Surpreendente. Então os ideólogos de Davos, berço e alento da globalização neoliberal capitalista por tantos anos, inserem o termo “inclusão” em suas diretrizes? Soa como os adversários fóruns sociais, como os de Porto Alegre desde 2001. Não se diz isso por empatia, solidariedade, imperativo moral ou ideologia política contra a concentração de renda, global, regional e nacional. A elite capitalista antevê os riscos da expansão do populismo nacionalista, “antiglobalista”, divisionista e supremacista. O risco é de agravamento de tensões e conflitos, que podem desembocar em impasses e soluções de força se prevalecerem a intransigência e a intolerância das lideranças ora no poder. E de derretimento da confiança internacional, com o esfriamento das relações entre os países no sistema de comércio global. Sem confiança, isso é péssimo para os negócios, todo mundo perde com a retração da atividade econômica. Todos, incluídos os alucinados que pregam a corrida para o abismo. Mas os mais fracos e pobres perderão antes e mais, como sempre: nesse caso, países e, nestes, a parcela desfavorecida da população. Não é à toa que certo líder tropical é destaque no evento. É um espécime a ser mais bem compreendido, como agente exemplar desse processo agudo e corrosivo. E ele não encontrará ambiente acolhedor às suas causas paladinas, em especial se associado a outros paladinos da discórdia. Se avançar nessa direção, ruim para os negócios. E vai dar ruim para o País.

ROBERTO YOKOTA

rkyokota@gmail.com

São Paulo

Guerra total

Nas fotos do protesto contra o presidente do Brasil em Zurique, promovido pela esquerda internacional, que no Brasil é representada pelo PT, um cartaz mostra uma Kalashnikov apontada para sua cabeça, com os dizeres “Kill Bolsonaro” (“mate Bolsonaro”) – numa alusão ao fracassado atentado durante a campanha eleitoral que derrotou o PT e de algum modo, para os manifestantes, tem de ser completado. Isso mostra que no Brasil se declarou guerra total contra os vencedores do pleito, dado o forte inconformismo dos derrotados, que agora chegam a um nível, pode-se dizer, de “terrorismo” explícito. Todo o cuidado é pouco!

ULF HERMANN MONDL

hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

Divergências nas redes

Vejo com absoluta naturalidade a reportagem Grupos pró-Bolsonaro perdem fôlego nas redes sociais (21/1). Como milhões de brasileiros, votei em Jair Bolsonaro no segundo turno, mas isso não significa fidelidade absoluta e cegueira seletiva. Espero que o caso Queiroz seja rigorosamente investigado e, provadas irregularidades de quem quer que seja, haja punição exemplar. É isso que nos diferencia do PT: não endeusamos bandidos.

LUCIANO NOGUEIRA MARMONTEL

automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)

PODER JUDICIÁRIO

‘Falta de pudor’

Já acostumados com as bandalheiras perpetradas pelos governos petistas e as falcatruas financeiras de próceres do PSDB e de outros partidos, contumazes em se alimentar dos propinodutos desmontados pela Lava Jato, choca saber das investidas contra o erário de determinados juízes cara de pau, que pretendem com ações judiciais sui generis ser indenizados por não terem sido elevados a postos superiores na hierarquia da corporação, em tempo que consideram hábil, como se fosse obrigatória tal promoção (20/1, A3). Essa situação cômica e trágica nos mostra a diferença abissal entre eles e o cidadão comum, pagador de impostos e credor do governo em suas mínimas necessidades assistenciais e materiais, muitas delas obrigatórias pela nossa Constituição. Essa casta corporativista do Judiciário tem de ter um limite, para que não se propague o inconformismo entre nós, cidadãos comuns, responsáveis pelo pagamento dos salários, dos penduricalhos e outras facilidades que eles recebem.

ALOISIO ARRUDA DE LUCCA

aloisiodelucca@yahoo.com.br

Limeira

Pretensões absurdas

O fato de ser aceito por quatro dos nove ministros do STJ o acesso gratuito aos tribunais, isto é, sem pagar as custas processuais, de um desembargador com ganhos superiores a R$ 30 mil e outras regalias, mostra como certos setores da magistratura realmente não têm pudor nas suas pretensões financeiras.

ADILSON PELEGRINO

apelegrino@terra.com.br

São Paulo

Corporativismo explícito

Nem no Império alguém teria tanta falta de escrúpulos, confiando no corporativismo de seus pares. Desta vez, por um voto, o corporativismo foi derrotado. Quantos casos desse jaez não saem vencedores?

ADEMIR VALEZI

valezi@uol.com.br

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


DEPÓSITOS EM SÉRIE


Os 48 depósitos feitos na conta de Flávio Bolsonaro em 2017, sempre de R$ 2 mil cada e em intervalos curtos de tempo (de 2 a 6 minutos), certamente não foram feitos no caixa do banco, se não o atendente ia fazer somente um único depósito. Foram feitos por várias pessoas em diferentes agências bancárias (tamanha sincronização!) ou pela mesma pessoa em envelopes com indicação do destinatário e depositante. Mais uma dos famosos “aloprados”? Ainda bem que os jornalistas em Davos não leem Português, se não o presidente teria de dar explicações convincentes. Pobre Brasil!


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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FALTOU UM PITO


Excelentíssimo sr. presidente Bolsonaro, sou seu eleitor. Estive em todas as passeatas realizadas na Avenida Paulista. Vibrei muito com as perspectivas de mudanças com um novo governo. Exultei de satisfação com suas escolhas para o Ministério. Porém me entristeci com as notícias abrangendo as atividades de seu filho, que têm tudo para complicar sua governabilidade: o cheque em nome de sua esposa; e os 48 depósitos na conta de seu filho (vide primeira página do “Estadão” de 19/1). Presidente, o senhor é um homem de muita cultura. Com certeza o senhor estudou, na história do Brasil, o fato em que o bandeirante Fernão Dias Pais, o caçador de esmeraldas, mandou enforcar o próprio filho para manter a disciplina e a ordem na bandeira que dirigia. Não se assuste, sr. presidente. O fato, hoje, é muito simples: o mito sobrou, mas faltou um pito (ou alguns pitos).


Celso Vicente Fiorini cvfiorini@gmail.com

São Paulo


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EXPLICAÇÕES


Se Flávio Bolsonaro não tiver explicações lógicas e bem fundamentadas, que se declare impedido de assumir a cadeira no Senado. Será muito melhor para que seu pai governe com mais tranquilidade, pois eu, assim como milhões, votei nele para acabar com a podridão que o PT fez virar norma no meio político e empresarial do Brasil. Não adianta ninguém falar que a falecida Dona Marisa deixou uma imensa fortuna vendendo cosméticos, que o filho de Lula ficou milionário trabalhando no zoológico ou que sua ex-amante Rosemary Noronha carregava malas cheias de dinheiro em suas viagens. Queremos um governo honesto!


Alberto Souza Daneu curtasuasaude@uol.com.br

Osasco


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ONDE ESTÃO A COERÊNCIA E TRANSPARÊNCIA?


A grande imprensa mirou sua metralhadora no senador Flávio Bolsonaro (PSL). Diante das acusações, esperamos que o deputado se explique. Nunca é demais perguntar: e os mais de R$ 40 milhões da assessora do deputado estadual André Ceciliano (PT), candidato à presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), caiu no esquecimento? Alto lá, uma imprensa que se presta a denunciar fatos deve fazê-lo por igual. Deixar de lado as movimentações da assessora do deputado petista é sinalizar que o jornalismo tem lado. Todos devem explicações de seus atos, independentemente de partido. O eleitor tem o direito de saber o que faz seu parlamentar, como lida com o dinheiro do contribuinte. Por infeliz coincidência, ambos os casos estão no Rio de Janeiro, Estado que foi destruído na gestão Sérgio Cabral. Se a imprensa quer prestar um grande serviço ao País, cobre transparência e coerência dos eleitos e seja transparente e coerente também. É o mínimo que se espera.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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O GOVERNO ENGATINHA


O novo governo apenas começou a engatinhar. Um macaco velho como José Sarney já teria mandado decretar segredo de Justiça neste caso do filho trapalhão.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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CASO QUEIROZ


Está atrapalhando, é fato. Aponta-se para ocorrido antes do atual governo. Mesmo assim, atrapalha – o que deve ser a motivação disso tudo. Para tirar o bode da sala, Flávio Bolsonaro poderia confessar o que deve ter sido uma prática generalizada e exigir a investigação igual à de todos os congressistas. E aceitar uma penalização, também igual para todos. Delação premiada?


Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo


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ACORDO TÁCITO


Com fatos já chegando à exaustão, estão fazendo com que haja um grande acordo tácito executado por gente muito poderosa, inconformada que está com a vitória de Jair Bolsonaro nas últimas eleições. Fatos como depósitos bancários, relatório do Coaf, assessor sambando na frente de câmeras e fotos do assessor com suas duas filhas e respectiva mulher tentam denegrir a imagem do senador Flávio Bolsonaro e, por consequência, toda a sua família.


José Piacsek Neto bubanetopiacsek@gmail.com

Avanhandava


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‘ONDE FOI QUE EU ERREI?’


Ao escolhermos ser pais, sabíamos que a tarefa seria difícil e árdua. Caminhamos junto deles, levamos no colo, corremos por tudo e para tudo, mas neste caminhar há pedras pelo caminho, não é nada fácil, mas grandioso. Pensamos “será que bons exemplos não bastam?”. Penso que não, pois há lá dentro daqueles corpinhos, ainda necessitados de exemplos e carinho, alguma índole que não conhecemos, pode mudar o rumo da história e do caminho que traçamos para eles. Sorte de quem tem bons filhos, como eu. Mas tem pais, não só políticos, que, apesar do bom exemplo, viram cair a ficha e pensar “onde foi que eu errei?”. Sinto assim com Jair Bolsonaro, um homem que temos como exemplo de dignidade para ser um representante do povo, com a honestidade que nos apresentou. Tomara que seu filho, o senador Flávio, não esteja encalacrado em maracutaias, como alguns filhos de políticos, vistos como desonestos. Ovelha negra há em muitas famílias, apesar da retidão ímpar de sua educação recebida no lar. Oxalá o filho do presidente não manche a boa reputação conseguida por seu pai, pelo exemplo de bom caráter. A vida é assim, pode pregar peças indesejáveis ao pai, num momento de maior necessidade de credibilidade para que ele alavanque o comprometimento que teve com a população que o elegeu. Tudo precisa ser investigado, seja filho deste ou daquele político, enfim, todos, sem nenhuma distinção. Os que ainda não foram, urge que o sejam. Vamos passar o País a limpo. E que assim seja.


Creusa Colaço Monte Alegre ccolacomontealegre@yahoo.com.br

São Paulo


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O COAF E QUEIROZ


O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) está investigando as contas dos assessores de deputados na Alerj, e, como sabemos, a de Fabrício Queiroz, que foi auxiliar de Flávio Bolsonaro, filho do presidente e hoje senador. Queiroz teve um movimento diferenciado em sua conta bancária. Sabemos, ainda, que é um velho costume neste país que esse tipo de funcionário costume dar parte do que ganha ou a quem o nomeou ou ao partido do qual ele faz parte. O Brasil sempre soube disso. Mas, como o senador (ex-deputado) é filho do presidente, a quem estão querendo desgastar, a imprensa não fala em outra coisa, a não ser nisso. Queremos saber se o Coaf investigou os filhos de Lula, a filha de Dilma e muitos outros integrantes do governo “petralha”, pois, sabemos, todos ficaram milionários, como Tio Patinhas.  Quando isso acontecerá?


Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo


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TRANSPARÊNCIA


O presidente Jair Bolsonaro afirmou em campanha que haveria transparência em seu governo, então acho de bom alvitre que o caso de Flávio Bolsonaro, seu filho, seja muito bem explicado, e se houver algum ilícito, que seja devidamente punido. Este seria, sem dúvida alguma, um ato firme do presidente, do qual ele sairia com mais apoio. Gostaria que a cúpula atual do Coaf fosse analisada na sua independência e transparência e, se possível, devidamente trocada, ao mesmo tempo que deveria explicar a razão de muitas outras movimentações financeiras suspeitas não terem vindo a público.


José Fernandez Rodriguez rodriguez1941@gmail.com

Santos


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DE REPENTE

                                          

Outro fato importante e extraordinário que a eleição de Jair Bolsonaro nos trouxe foi a exposição súbita do Coaf, outrora desconhecido da maior parte da população. Este órgão passou os últimos 16 anos inerte, assistindo, talvez, nas duas acepções que a palavra sugere, os corruptos movimentarem bilhões e bilhões de reais, como se fossem meras moedas que usamos para comprar balas, e agora emerge como se fosse um órgão da mais alta lisura e competência para investigar e tornar pública num piscar de olhos a movimentação de qualquer um que tenha ligado a seu nome a palavra “Bolsonaro”.

                                            

Jatiacy Francisco da Silva jatiacy@hotmail.com

Guarulhos


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O SENADOR, O PASSEIO DO ‘CEBOLINHA’ E A PREVIDÊNCIA


Ninguém minimamente informado duvida de que a reforma da Previdência é urgente e importante. Porém, da mesma maneira, é inaceitável que alguém ainda ignora que o caixa do governo federal é um só, abastecido pelos impostos que quase todos nós pagamos. Quase todos, pois os empresários agraciados com os Refis livram-se ano após ano. E chegamos ao capítulo das despesas com os servidores públicos e nesse, àqueles referentes aos assessores dos parlamentares. O caso em tela, do senador Flávio Bolsonaro, ilustra bem o esquema que rege a nomeação dos assessores parlamentares. A falta da mínima lógica nos seus argumentos, tentando explicar os depósitos iguais e consecutivos em sua conta bancária, realizados por seus assessores, quando deputado estadual no Rio de Janeiro, na verdade se constitui num mea-culpa. Como já é do conhecimento público, os assessores, via de regra, destinam parte dos seus vencimentos para os seus respectivos parlamentares. O fato é mais escabroso ainda se atentarmos para uma inexplicável existência, no atual recesso da Câmara dos Deputados, de suplentes que assumiram seus cargos para tapar o buraco até o início da próxima legislatura daqui a 10 dias. Pois bem, esses verdadeiros cometas nomearam “assessores” que ganham sem trabalhar e sem saírem dos seus Estados. É o caso de Wattyla Felypeck, mais conhecido como Cebolinha, assessor do suplente de deputado federal Wilson Bezerra (MDB-RJ), que, segundo reportagem de 20/1 do “Estadão”, transmitia ao vivo o seu passeio de lancha na Costa Verde fluminense, em horário que deveria estar trabalhando em Brasília. São esses indolentes que aos milhares incham a folha de pagamento dos servidores públicos indevidamente. A reforma da Previdência tem, por justiça, de vir acompanhada do fim dessas distorções, assim como de outros altos vencimentos existentes no Poder Judiciário, que não se justificam quando comparados aos restantes dos servidores públicos.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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PERDÃO DE DÍVIDAS


O ex-presidente Michel Temer concedeu um perdão de R$ 47,4 bilhões de dívidas tributárias nos últimos dias do seu mandato (“Estadão”, 21/1). Pois é, e estão preocupados, fazendo barulho, etc., com R$ 1,2 milhão de Fabrício Queiroz. Não que não devam apurar, tanto faz um bilhão ou um centavo. É dinheiro público. O que não daria para fazer com este perdão da dívida? Os beneficiados têm o maior interesse em desestabilizar o governo Bolsonaro, vão bater bumbo, fazer barulho, tudo o que for possível, porque estão vendo que as mudanças vão mexer com os interesses deles. O presidiário Lula também concedeu idêntico benefício em seu mandato, no valor de R$ 60 bilhões.


Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro


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QUANTA BONDADE


Os ex-presidentes Lula e Temer perdoaram dívidas das empresas no valor total de R$ 108,200 (cento e oito bilhões e duzentos milhões de reais) no Refis. Quanta bondade, e também muita falta de vergonha! Pelo menos, os R$ 8,200 milhões deveriam perdoar dívidas de pessoas físicas.


Ariovaldo J. Geraissate ari.bebidas@terra.com.br

São Paulo


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O CORDÃO DOS DEVEDORES


Notícia de primeira página do “Estadão” de sexta-feira (18/1) informava: “MT declara calamidade financeira”, juntando-se ao Rio de Janeiro e a mais quatro Estados nessa situação, que querem a ajuda financeira do governo. Logo, logo, serão seguidos por outros Estados, senão todos. Não seria o caso de colocar nesta fila os mais de 60 (sessenta) milhões de brasileiros que estão inadimplentes e com o nome sujo nos serviços de proteção ao crédito, parcelando seus débitos a taxas de juros “subsidiadas”, como usufruem os Estados, e não às taxas “escorchantes” cobradas pelo sistema bancário?


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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ESTADOS MAL DAS PERNAS


Temos uma ótima Lei de Responsabilidade Fiscal, mas que, por causa do nefasto jeitinho institucional brasileiro, jamais penaliza os péssimos administradores públicos, que infelizmente são muitos neste país. E, fruto desta orgia com os recursos públicos, Estados como Goiás, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Minas Gerais já estão iniciando 2019 com um rombo orçamentário previsto de R$ 74,1 bilhões. Destes, com exceção de Goiás, já decretaram calamidade financeira. Ou seja, atrasam pagamentos dos serviços essenciais, salários dos servidores, paralisam obras, etc. Porém, acostumados a mamarem nas tetas da União, estão de pires nas mãos em Brasília, pedindo ajuda ao também deficitário governo federal. Mas, mesmo com os rombos, se negam a cortar despesas improdutivas, apenas as paliativas. E, dos 26 Estados da Federação, mais o Distrito Federal, somente em torno de 10 Estados hoje se encontram em situação boa ou razoável de equilíbrio orçamentário para este ano. Ou seja, não será surpresa se nos próximos meses mais 11 Estados decretarem também a tal calamidade financeira. Ou seja, enquanto essa zorra continuar, o contribuinte é que paga as contas e as orgias dos políticos.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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A CAIXA PRETA DE ESTADOS E MUNICÍPIOS


Governadores e prefeitos estão decretando calamidade financeira. Seus governos estão falidos, com a arrecadação em baixa e despesas em constante alta. Além dos altos ganhos dos marajás do funcionalismo, há a corrupção. Tudo o que já foi apurado e até punido poderá se revelar coisa pequena se as investigações avançarem para Estados e municípios. Os corruptos abriram as portas e os cofres públicos para o roubo geral. Ações pontuais da polícia e do Ministério Público têm encontrado superfaturamento e desvios em obras, serviços e manutenções de estradas, escolas, saúde, merenda escolar, obras diversas e tudo o mais que o poder público contrata. É preciso oferecer condições e meios para o Ministério Público Estadual, a exemplo do que fez o Federal, conhecer e apurar os crimes cometidos contra o erário na sua área de atuação. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) já tem uma importante folha de trabalho e experiências vitoriosas. Faria muito mais se os governos o dotassem de mais recursos e, especialmente, abrisse um disk-denúncia para onde os conhecedores de problemas em Estados e municípios pudessem encaminhar as informações com segurança.

              

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo


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‘ARMAS E DIREITOS’


Brilhante o artigo do professor Denis Lerrer Rosenfield (“Armas e direitos”, 21/1, A2), sobre o decreto do presidente Jair Bolsonaro que disciplinou a posse de armas. “A ideia de que o povo armado piora o índice de homicídios é falácia desarmamentista (...). Boa parte dos que são contra esse direito (proteção à vida) vive em condomínios com forte segurança e circula em carros blindados. É a elite, embora seu discurso seja supostamente antielitista! Os politicamente corretos adoram estatísticas, sobretudo para triturá-las e enganar os incautos. Pessoas que fazem mau uso de suas armas, assim como de seus veículos ou de suas facas, devem ser responsabilizadas por suas ações. É o processo de escolha em ato. Cada um deve assumir o que faz. Não cabe ao Estado tutelar o comportamento individual!”, assinou o respeitável articulista. Assim sendo, indago aos “politicamente corretos”, fakes por ideologia: precisa desenhar?


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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ODE À IDEOLOGIA


O artigo de ontem do professor de Filosofia (sic) Denis Lerrer Rosenfield, com o título “Armas e direitos” (21/1, A2), é uma ode à ideologia. Politizar e confundir a questão do desarmamento e dos direitos humanos (assim como o aquecimento global e outros temas em que não cabem interpretações ideológicas), e para isso utilizar paradoxos e uma lógica enviesada, demonstra que ele não deve seguir uma filosofia cartesiana!


Otavio Santos Cupertino Durão otaviodurao@hotmail.com

São José dos Campos


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EQUILIBRANDO A BALANÇA


Excelente o artigo do professor Denis Lerrer Rosenfield (21/1, A2, “Armas e direitos”), que aborda com realismo o direito à legitima defesa que todo cidadão deveria ter ao portar armas de fogo, já que o Estado não garante segurança à sociedade, com uma taxa de 63 mil homicídios/ano. Como pregam alguns, a ideia de que povo armado piora o índice de homicídios é outra bravata desarmamentista. Pesquisas indicam que na Suíça, onde existem 8 milhões de habitantes e 3 milhões de armas na mão de civis – fato que por si só daria o título de um dos países mais bem armados do mundo –, houve apenas 18 homicídios por arma de fogo. No Paraguai não é diferente, no país vizinho existe 1 milhão de armas de fogo para 7 milhões de habitantes, com uma taxa de 4,7 mortes por 100 mil habitantes em 2014, ante 21,2 por 100 mil em 2014 no Brasil. Aprovada a lei que permite ao cidadão de bem defender-se em condições de igualdade, permitindo o porte armas, o que pode mudar nessa balança desigual em que o cidadão comum sempre levou desvantagem é que o número de mortes de bandidos pode aumentar, num equilíbrio de forças há muito desejado.


Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo


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COMPETÊNCIA E VIOLÊNCIA


Convenhamos, não é necessário apregoar violência para provar competência!


Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo


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DIZEM O QUE PENSAM?


Praticamente todas as manifestações pela imprensa de “especialistas”, cuidadosamente escolhidos, são contrárias ao que estabelece o decreto recentemente assinado pelo presidente Jair Bolsonaro que regulamenta a posse de armas pelo quase indefeso cidadão desta “Terra Brasilis”. Embora apontem como consequência um suposto aumento do número de homicídios, esquecem-se eles de que a iniciativa se harmoniza com compromisso de campanha eleitoral e que, portanto, conta, para o bem ou para o mal, com a aprovação da maioria do povo. Observa-se, mais uma vez, a preocupação, presente em posicionamentos de autoridades e políticos, de parecerem “boas praças” ou politicamente corretos, o que quer que isso signifique, embora muitos pensem de maneira oposta ao que pronunciam.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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MARQUETEIROS


O ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto Santos Cruz, declarou que o governo dispensou o serviço de marqueteiros, como era o padrão caríssimo adotado pelos governos do PT de Lula e Dilma. Acontece que o governo Bolsonaro está em desvantagem, pois hoje os maiores marqueteiros contra seu governo são a “poderosa da mídia” e sua constelação de jornalistas que diariamente derramam sua bílis nos meios de comunicação. Aparentemente, trabalham por amor “à arte”, mas de fato estão a fazer a defesa do prior status pleno de benesses com que o governo anterior tanto os favorecia e, claro, a ideologia que os norteia. Está muito difícil de acreditar na isenção da imprensa. E de que nos vale imprensa livre, se lhe falta um mínimo de equanimidade e justiça? Se estão a cometer prejulgamentos antes mesmo que investigações sejam finalizadas? Chegaram a comentar que em Davos se pode tratar de assuntos vários e que certamente Bolsonaro seria questionado sobre seu filho senador e seu assessor. Ou seja, pretendem usar o Fórum Econômico Mundial para expor ao mundo um problema pontual e pessoal de um filho do presidente! Isso, para mim, é uma infâmia!


Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo


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A MÍDIA CONTRA O BRASIL?


A mídia está contra ou a favor do Brasil? Porque é sabido que, enquanto o PT estava no poder, empregou adoidado petistas na República com a condição de que pagassem “dízimo ao partido”, e para disfarçar supervalorizaram os salários acima da inflação, para que não desse a impressão de extorsão – e nunca a mídia denunciou nada. Hoje estão ferozes atribuindo o mesmo a Flávio Bolsonaro, claro que em escala estadual. Fizeram a mesma coisa no início do governo do ex-presidente Temer, com aquela denúncia esdrúxula feita pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, que inclusive já foi arquivada por falta de provas. O que pretendem, afinal? Tomar o País nas mãos, desestabilizando o atual governo, que também mal se iniciou? Acho que ainda não entenderam que os inimigos da mídia hoje são as redes sociais, e não o governo Bolsonaro. O povo se cansou de ser manipulado, buscando alternativas onde possa fazer seus próprios julgamentos. O Brasil se digitalizou e parece que eles continuam na era do fax.


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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APARELHAMENTO


O PT não só aparelhou o governo, colocando mais de 30 mil pessoas em Brasília ganhando no mole e ainda pagando 20% de dízimo para o partido. Aparelhou, também, a dita chamada impressa marrom, com o pagamento de gordas verbas publicitárias, e até os clubes de futebol, ganhando da Caixa Econômica, no mole, milhões – e intermediários se dando bem. Agora todos estes, incluindo os partidos que apoiam o PT desde sempre, claro, não aceitam a perda das boquinhas e das mamatas, e por meio da mídia controlada por eles e seus princípios, detonam a toda hora o novo governo no sentido de mostrar que os únicos competentes, mesmo sendo corruptos e corrompendo, são eles. É lamentável, mas é o Brasil dos ditos brasileiros contra o Brasil.


Maria M. J. Simoes mmjsimoes@bol.com.br

São Paulo


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‘A COMUNICAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO’


Sou leitor e apreciador das opiniões do professor Eugênio Bucci. Tenho-o como referência de credibilidade. Respeito suas falas, que servem de rica matéria-prima para a formação de minha opinião. No entanto, como leitor do “Estadão” e por entender que os órgãos da imprensa devem responder às necessidades de informação dos assinantes que pagam para ter informações isentas e de elevada qualidade, manifesto minha insatisfação com o artigo “A comunicação do governo Bolsonaro” (17/1, A2). Como inúmeros eleitores que observam o novo presidente e sua equipe, sou apreensivo com o que virá. Tem apresentado turbulências e idas e vindas. Considero que seja mais fruto da inexperiência do que da incompetência ou de intenções criticáveis dos seus membros. Como brasileiro, em respeito a votação majoritária que Bolsonaro recebeu, torço pelo seu sucesso e dou-lhe o benefício da dúvida inicial. Somo o cansaço com as teses superadas e ineficazes dos governos lulistas. Considero necessário deixar o País funcionar para que possamos buscar dias melhores. A imprensa tem enorme responsabilidade nestes momentos iniciais do governo. Primeiramente, em obter e fornecer notícias baseadas em fatos e dados de fontes confiáveis, verificados, como recomenda a boa prática jornalística. Deve se abster de manifestar opiniões sem justifica-las com argumentos sólidos, pois não estamos mais em campanha eleitoral, sob pena de formar opiniões enviesadas nos leitores. Por exemplo, afirmativas como “(...) a EBC vai se erigir em casamata na guerra moralista que se avizinha (...) Notem-se as investidas contra os afetos homoafetivos. Note-se o fanatismo religioso estatizado. Note-se a cruzada contra o politicamente correto (...)”. Tudo isso pode ocorrer, mas há que se certificar da correção dessas afirmativas neste momento, em benefício dos leitores.


Savio Capelossi Filho capelossi@gmail.com

São Paulo


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BOLSONARO EM DAVOS


A esquerda, defenestrada do poder no Brasil e em outros países, possui uma estrutura nacional e internacional cujo objetivo é minar a governabilidade da direita. Vale tudo. As ações da esquerda miram o sacrifício do povo. Quanto mais sacrificarem o cidadão, melhor para a esquerda. Os seus agentes ainda estão infiltrados no governo e na sociedade brasileira. A mídia, em parte por amor à esquerda, em parte pelo dinheiro, divulga o que lhe for apresentado. Isso ocorre não só no Brasil. É do comunismo internacional.


Ottfried Kelbert okelbert@outlook.com

Capão Bonito


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ABERRAÇÃO


Votei em Bolsonaro nos dois turnos e sou filiado ao Partido Verde. Estou estarrecido com a indicação de Valdir Colatto, conhecido por defender a caça de animais silvestres, para “tomar conta” das florestas brasileiras. Todos nós, defensores do meio ambiente, das florestas e da fauna, não podemos permitir que este senhor seja nomeado para chefiar o Serviço Florestal Brasileiro. Conclamo os leitores do “Estadão” e de outros veículos a se unirem contra esta aberração perpetrada pela ministra Tereza Cristina, que indicou o nome da “raposa para tomar conta do galinheiro”. Espero que a lucidez do presidente Bolsonaro não permita a concretização deste crime contra nossas florestas.


Antonio de Pádua Oliveira e Silva dpaprop@terra.com.br

Campinas


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MUDANÇAS CLIMÁTICAS


Concordo com todas as alegações do professor José Goldenberg no artigo “Aquecimento global e desinformação” (21/1, A2), sobre mudanças climáticas. Informações são cruciais nos dias atuais, como sempre o foram. Deveria ele, porém, acrescentar que, de acordo com a Nasa – o mais completo grupo de cientistas do clima no mundo –, a temperatura na Terra deverá se elevar entre 1°C e 3°C, e o nível dos mares, entre 0,30 m e 1,20 m,  até o ano 2100. Cada um que julgue se isso será ou não tragédia mundial.


Antonio Licio antonio.licio@terra.com.br

Brasília


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AS CRÍTICAS DE FHC


Senhor ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, senti mais uma decepção ao ler as suas críticas sobre o governo Bolsonaro, recentemente. Logo o senhor, ex-presidente, que ultimamente ajudou a pregar mais um prego no caixão do PSDB, partido em que jamais tornarei a votar. E lembre-se: citar percepções de países europeus sobre o Brasil chega a ser cômico, pois esses países não têm autoridade para criticar ninguém. Suas críticas resvalam pela má vontade. Termino esta carta dizendo diretamente ao senhor: quem não ajuda não atrapalha.


Maria Helena Abs Piovesan raquel.helenap@uol.com.br

São Paulo

                      

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REFORMA POLÍTICA


Quero cumprimentar os editorialistas deste jornal pelo editorial de sábado intitulado “A hora da reforma política” (19/1, A3). Esta é a reforma das reformas. Sem ela, o Estado brasileiro jamais sairá do anacronismo e do mar de lamas. É uma reforma complexa e de difícil compreensão pelo eleitorado, porém urgente. Vamos dar as mãos, povo e imprensa, para pressionar o novo Congresso por essa reforma. Parabéns ao jornal. Este é um grande serviço prestado à Nação.


Cláudio Messias Alves claudiomalves2017@gmail.com

Sertãozinho


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MUDAR O VOTO


Em boa hora o editorial (19/1, A3) chama a atenção para a necessidade da reforma política. Apenas contesto a forma de envolvimento da sociedade sugerida: “por meio de seus representantes”, dando a entender os políticos. Errado! A reforma política deve ter um alvo primordial, que é reformar os políticos! Para reformar os políticos é preciso reformar o voto, sua qualidade e o compromisso do eleitor com o resultado. Para isso é necessário exigir mais do eleitor, eliminando o voto dos analfabetos, dos menores, dos que são totalmente dependentes dos programas sociais e dos presidiários, tornar o voto facultativo, distrital e instituindo o recall. Sem melhorar o voto, os políticos não mudarão, nem a política. Os “representantes” nem sequer proporiam o voto facultativo, quanto mais o recall... Portanto, as propostas terão de surgir pelos movimentos que propuseram a mudança de governo. Alguma liderança terá de surgir desses movimentos, caso contrário, nada será mudado.


Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo


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JUÍZES BLINDADOS


“Supremo Tribunal Federal (STF) acerta contrato de R$ 2,8 milhões para compra de 14 blindados para uso de ministros” (“Estadão”, 19/1). Suas Excelências, nos seus deslocamentos, agora terão carros blindados novinhos em folha à sua disposição, que custam “apenas” R$ 2,8 milhões. Os privilégios dos ministros na versão blindados são os mesmos desde a época do Império, quando dispunham de lindas carruagens puxadas por cavalos brancos, conforme uma pintura de Debret que retrata as facilidades de mobilidade dos juízes da época. Como só existem 11 ministros no Supremo, para quem seriam os 14 comprados, ou haveria 3 unidades de reserva? Perguntar não ofende! 

                 

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)


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DESMORALIZAÇÃO


Não foi necessário cabo nem soldado. Bastou um “reco” sem nenhuma patente para desmoralizar e declarar a falência da Suprema Corte, autoridade acima de qualquer coisa. Cidadão eleito senador em 2018, para ser diplomado como, de fato, senador da República a partir de fevereiro de 2019, é diplomado em público. Antes sem foro. Declaro, aqui, que sou professor e tenho 72 anos. Nunca vi ou convivi com um Supremo tão fraco e desmoralizado. Acovardado, como um presidiário o rotulou. Taí, agora posso dizer que vi. Com decisões monocráticas, fazem o que querem. Não há consulta ao plenário. Se é Corte, há juízes?


Pedro Ravelli pedroravelli@uol.com.br

São Paulo


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LINHA DIRETA


Soa estranho ministros do STF fornecerem seus telefones particulares a repórteres para com eles comentarem decisões que proferiram ou irão proferir. Temos agora um caso extremo em que o ministro antecipou à imprensa, durante as férias, o que pretende fazer com um processo que receberá. O STF precisa ter um canal institucional de contato com a imprensa e os ministros deveriam se impor a circunspecção inerente ao cargo.


Wagner Tavares de Goes wtgoes9@gmail.com

São Paulo


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A DIREITA ESPANHOLA É DE EXTREMA-DIREITA


Para os diplomatas catalães, que tentam explicar a outros países por que razão a Catalunha precisa de independência de Espanha para viver uma democracia plena, o mais difícil é fazê-los compreender que a Espanha não é um país democrático comparável aos da União Europeia. É por isso que outros países não compreendem que a Catalunha não pode dialogar com o governo espanhol e encontrar uma solução que evite a independência. Para entender que a Espanha não conseguiu construir um verdadeiro sistema democrático, além de uma concha formal, é útil explicar que a Espanha viveu um genocídio durante a ditadura fascista de Franco (1936-1975) com mais de 150 mil assassinatos extrajudiciais (compare com 3.500 da ditadura chilena ou os 30 mil da ditadura argentina) e que, movendo-se para a democracia, como o fascismo não foi derrotado, sobrevive nas instituições do Estado (especialmente no Judiciário, na polícia e no exército), grandes empresas e meios de comunicação. O pai do atual rei foi nomeado diretamente por Franco. O grande partido de direita (PP) foi fundado por um ministro franquista. Os partidos de direita (PP e Cs) não condenam o fascismo espanhol. A Fundação Franco, que espalha o legado do ditador, não é proibida e recebe subsídios públicos. Portanto, em Espanha, todos sabem que o PP é um partido de extrema-direita com a abordagem de Franco. Desde 2006, os seus votos têm sido partilhados com Cs, outro partido de direita nacionalista espanhol que nasceu para ir contra toda a singularidade política e cultural da Catalunha. Mas as eleições regionais na Andaluzia em dezembro de 2018 não deixaram margem para dúvidas quanto ao verdadeiro caráter da direita espanhola. O Vox, um partido explicitamente de extrema-direita (contra a Catalunha, contra os imigrantes, contra a igualdade de gênero...), foi apresentado. PP, Cs e Vox fizeram campanha criticando a Catalunha, em vez de propor políticas para a Andaluzia. Resultado: os 50 lugares à esquerda (33 PSOE e 17 AA), os 47 lugares à direita (26 PP e 21 Cs) e o Vox entrou, pela primeira vez, com 12 lugares. O que fizeram os PP e Cs? Nenhum cordão sanitário contra a extrema-direita. Eles não tiveram nenhum problema em pactuar com o Vox. Preveem também que esta aliança com a extrema-direita se repetirá em toda a Espanha. PP e Cs mostram que, na realidade, eles também são de extrema-direita sob o disfarce de partidos democráticos. Estão unidos pelo ultranacionalismo espanhol contra a Catalunha e pela necessidade de poderem decidir democraticamente o seu futuro num referendo.


Jordi Oriola Folch jordi.oriola@gmail.com

Barcelona, Catalunha (Espanha)


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DESCULPAS DE MAU PAGADOR


Para entender, do exterior, o conflito entre a Catalunha e a Espanha, é necessário entender aspectos essenciais desta relação que vão além dos aspectos mais evidentes, como o monstruoso déficit fiscal de 9%; sendo este um aspecto importante, não é de modo algum a principal razão da desconexão emocional entre a maioria dos catalães e o Estado em que são obrigados a viver. Sem a Catalunha e os catalães, nenhuma mudança para o Estado espanhol teria sido possível nos últimos dois séculos: não teria havido nem a primeira nem a segunda República, nem uma mudança do regime de Franco, nem os socialistas teriam chegado ao poder, nem José María Aznar teria conseguido governar. Direita e esquerda na Espanha cortejaram o catalanismo para ganhar poder na Espanha, e tão facilmente quanto prometeram, não cumpriram as promessas. E quando não foram os líderes dos partidos, a própria estrutura do Estado, em grande parte herdeira da Espanha arcaica e atávica, tem actuado como censuradora das aspirações nacionais catalãs. Consideremos a decisão sobre o Estatuto de Autonomia da Catalunha em 2006. Esta norma tinha passado no crivo de dois parlamentos, o catalão e o espanhol, sendo posteriormente ratificada em referendo pelos cidadãos da Catalunha. Mesmo assim, a Corte Constitucional Espanhola anulou parte dos artigos em 2010. Hoje, a Catalunha é a única comunidade autónoma da Espanha que não é governada por um estatuto aprovado por seus cidadãos. Conclusão: os catalães não têm sequer um estatuto próprio, mas um estatuto imposto. Na cultura política catalã, o pacto é sagrado. Frases como “um mau acordo é melhor do que uma boa demanda” fazem parte da cultura do país, e a decisão de 2010 de cortar o Estatuto de Autonomia ignorou o acordo, os pactos anteriores. O sentimento coletivo que gera o atual movimento de soberania nasce dessa traição à palavra dada. Agora, o governo do Partido Socialista no poder fala da elaboração de um novo estatuto acordado, de um melhor tratamento fiscal, da recuperação do diálogo e do estabelecimento de relações fluidas com a sociedade e o governo catalão. Dado o contexto, quem confiaria?


Manuel Pérez Nespereira pnespereira@gmail.com

Barcelona, Catalunha (Espanha)

        

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PATINETES E BICICLETAS COMPARTILHADOS


Muito oportuna a matéria do “Estadão” de 19/1 “Prefeitura quer proibir patinete em calçadas” (página A15). São Paulo está vivendo mudanças aceleradas no cenário da mobilidade urbana, agora impulsionadas pelo compartilhamento de bicicletas e patinetes. Isso é bom para os usuários e é bom para o meio ambiente. Mas, numa megacidade como a nossa, é de esperar que isso evolua rapidamente para uma infestação desses equipamentos na cidade. O que fazer a respeito? Quem pedala sabe o que significa embrenhar-se no trânsito da cidade: há princípios de conduta e de segurança a respeitar, no interesse do próprio ciclista e dos demais – pedestres, carros, etc. Há requisitos de segurança, como o uso de capacete (alô, Contran?). Sabe, também, que as ciclovias existentes, “projetadas” e construídas daquele jeito que vimos, apresentam muitos problemas no seu desenho, qualidade do pavimento, obstáculos e capacidade de fluxo. Os novos usuários, sobretudo os de bikes e patinetes compartilhados, em sua maioria são inexperientes. Muitos trafegam na contramão (!) e nas calçadas, ou em qualquer espaço que julguem mais fácil. Por outro lado, há o problema do estacionamento dos equipamentos sem estação (dockless) e o impacto disso para o espaço público. Enquanto são “apenas” dezenas de milhares, a população calmamente vai se acostumando. Mas em breve serão centenas de milhares, e sabe Deus onde isso vai parar. Como vivemos no país da improvisação, podemos esperar uma grande confusão no futuro, até que seja tarde demais para consertar as coisas (como o caso do veto de FHC ao artigo que proibia a circulação de motos pelo corredor, que, passados 20 anos de muita discussão e nenhuma solução racional que atendesse a todos, deu no que deu). O assunto requer planejamento, normas, infraestrutura e fiscalização. E, acima de tudo, ampla campanha de conscientização dos usuários. A prefeitura anunciou que está pensando em coibir a circulação de patinetes nas calçadas. Certo. Mas isso é muito pouco. Creio que as empresas que vêm avidamente introduzindo seus serviços e plataformas de bikes e patinetes, etc. (isso é um negócio, não?) deveriam ser chamadas a compartilhar o investimento financeiro nessa infraestrutura e no trabalho de conscientização geral. É a opinião de um ciclista, que gostaria de ver esses serviços se ampliarem, para o bem da população de São Paulo, mas de forma harmônica, civilizada e sustentável.


Fernando Nogueira fernando@bikeways.com.br

São Paulo


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A PRIORIDADE DO TRANSPORTE COLETIVO


Todas as novas alternativas que favorecem a mobilidade para alguns, como os patinetes elétricos e as bicicletas, trazem transtornos para outros e, acima de tudo, aumentam a desigualdade social, à medida que diminuem os usuários do transporte coletivo, que é a forma mais inclusiva de transporte das pessoas. Com todas as novidades adotadas, não diminuíram os congestionamentos, mas apenas o número de usuários do transporte coletivo. Então as autoridades não podem se esquecer de que a prioridade é investir em transporte coletivo para que todos possam se locomover.


Marcos de Luca Rothen marcosrothen@hotmail.com

Goiânia


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‘O QUE PENSAR?’


Bom dia, Ugo Giorgetti, li sua coluna domingo no “Estadão” (“O que pensar?”, 20/1, A20) e fiquei um pouco perplexa com a sua interpretação do ato do Palmeiras em relação ao time do Acre. Você dizer que o que ele fez foi humilhante e que essa atitude é típica de paulista piorou ainda mais minha perplexidade. Você chegou a perguntar para os garotos do Acre se eles se sentiram humilhados? Pois eu acho que se sentiram inspirados. A meu ver você, sim, os humilha quando diz que terão “pouquíssimas possibilidades de ver novamente” tanta abundância! Ou seja, você os tachou de inferiores sem dó nem piedade. Aliás, você sentiu pena deles, e este é, sim, um sentimento humilhante. São esportistas, não sei se você já praticou algum esporte ou apenas escreve sobre isso, mas quem pratica esportes gosta de desafios, de se pêr à prova constantemente. Ver algo como viram aqui em São Paulo, com certeza, os fez ter vontade de crescer, ver aonde podem chegar! Também não sei se você é paulista, mas foi esse sentimento que fez este povo crescer e ser o Estado mais próspero do País e ao qual todos recorrem quando precisam de atendimento à saúde, melhores escolas e melhores empresas para trabalhar.


Julinha Lazaretti julinha@alergoshop.com.br

São Paulo

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