Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S. Paulo

04 de março de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Chefe de torcida

Muitos criticam Sergio Moro por ter abandonado a magistratura para ser ministro do governo Bolsonaro, mas sou um dos que o entendem. Como é explicado no Estadão de sábado, o ex-juiz achava-se preparado para enfrentar a má política em Brasília e acredito que tenha aceitado o cargo para poder dar continuidade ao combate ao crime organizado e melhorar a segurança pública, que hoje é uma piada. Porém, ao contrário do que lhe foi prometido, uma atitude muito comum nos nossos políticos, Moro está sendo torpedeado – além da conta, segundo entendo. Tanto o episódio da retirada do caixa 2 do seu projeto anticrime como o da demissão forçada de Ilona Szabó foram grotescos demais e deixaram um dos melhores ministros deste governo em situação vexatória. A cada dia Jair Bolsonaro vem demonstrando que não tem a mínima condição de liderança necessária a um presidente. Um governo de uma nação como a nossa tem de ter no comando uma pessoa preparada para tanto, com liderança e a certeza de escolher a melhor solução para os nossos problemas, sem dar ouvidos à plebe estulta e ignara que pressiona nas redes sociais. E, principalmente, que saiba impedir que seus filhos, somente pelo fato de serem seus filhos, fiquem postando asneiras nas mesmas redes sociais, criando dificuldades para o governo do papai. Moro não precisa de Bolsonaro nem de ninguém desse governo, ao contrário, se ele se aborrecer de vez e sair é Bolsonaro que se vai ver numa situação que é incapaz de resolver. O presidente parece governar o País como se fosse uma torcida organizada de futebol, movida por inútil fanatismo.

GILBERTO PACINI

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

Processo decisório militar

Não sabia até a demissão quem é Ilona Szabó. Mas sei, por ter estado no Exército por 40 anos, como é o processo decisório militar, particularmente em nível de planejamento. O estado-maior, ou staff, em todos os níveis, após estudos pessoais reúne-se com o comandante e todos expõem sua opinião. Às vezes as discussões são acirradas, mas habituados desde tenros anos ao sistema, depois que o comandante, alimentado pelos assessores, toma a decisão, todos trabalharão duro para levá-la a efeito. Sem sequelas, muxoxos ou caras feias. Sem olhar para trás. A unanimidade, também no Exército, é burra. Deixar de opinar segundo suas convicções, buscando alinhar-se aprioristicamente à posição do comandante, é covardia. Penso que no meio civil se dê o mesmo. E como a verdade está no meio-termo, considero uma perda, ainda reparável, descartar essa jovem cientista do papel de aconselhadora de Moro. Sou general, eleitor de Bolsonaro, mas faço restrições a armas para uso pessoal (exceto na residência) e estou convicto de que a maioridade penal aos 16 anos não pode ser generalizada, entre tantas outras objeções. 

ROBERTO VIANA SANTOS

rovisa681@gmail.com

Salvador

Fio de bigode

O recuo do ministro Moro, no que se refere à demissão de Ilona Szabó, mostra que na política a palavra do presidente da República vale pouco. A desautorização do ministro e a falta de compromisso com a própria palavra refletem bem a mudança dos costumes do nosso povo. Antigamente os pais ensinavam aos filhos que a palavra dada valia mais que muitos papéis assinados e registrados em cartório, que o fio de bigode era o documento mais valioso para avalizar um compromisso. Mas hoje quase tudo é falso, mentira, fake news. Os cidadãos brasileiros que votaram em Jair Bolsonaro foram traídos juntamente com o ministro da Justiça. A carta branca prometida pelo presidente evaporou-se. O primeiro mandatário não pode agir e falar intempestivamente porque uma vírgula fora do lugar de seu pronunciamento pode causar crises irreparáveis. Nesse aspecto, tenho saudades de Michel Temer.

MÁRIO NEGRÃO BORGONOVI

marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

De dissabores

Parece que Moro aprendeu que uma carta branca sempre é relativa, não absoluta. Talvez lhe tenha faltado alguma sensibilidade política ao escolher Ilona Szabó para suplente no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, pois uma das promessas de Bolsonaro nas eleições foi voltar a permitir o armamento de pessoas para autodefesa. A presença da esquerdista contrária ao rearmamento seria uma anomalia politicamente inaceitável na atual administração. 

ULF HERMANN MONDL

hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

EM SÃO PAULO

O Minhocão

Recentemente escrevi algumas linhas para falar de pontes e viadutos. Gostaria agora de falar sobre as soluções muitas vezes equivocadas adotadas de uns tempos para cá na nossa cidade. Por exemplo, os dois túneis construídos um na Avenida Rebouças e outro sob o Rio Pinheiros. Por que fazê-los em dois emboques, mais caros e mais feios do que um emboque só – mais aberto, mais largo, bonito e a permitir utilizar as faixas de rolamento reversíveis, nos horários de pico de tráfego? Ciclofaixas em ruas cuja inclinação impede o tráfego de bicicletas! E agora querem acabar com o tráfego no Minhocão. Em países desenvolvidos, a mudança de algo que impacte sobremaneira o tráfego demanda estudo, planejamento de dois a mais anos. Aí, então, se adota ou não, conforme o resultado obtido. Nova York criou um parque elevado sobre uma via férrea desativada. Mas essa via não foi desativada para a criação do parque. A desativação do Minhocão urge ser revista, pois o resultado será problemático, quiçá catastrófico. Foi incluída no Plano Diretor? Pois este pode ser revisto. Podem-se criar projetos técnicos sobre tráfego e arquitetônicos alternativos para mitigar os problemas que hoje advêm do Minhocão. Apenas um estudo profundo determinará a melhor solução. Se a vontade é imitar o que há lá fora, é precípuo elegermos um prefeito como Rudolph Giuliani, que em Nova York adotou a tolerância zero, fez a cidade voltar a crescer e ainda ajudou na superação pelo trauma do 11 de Setembro.

LUIZ FELIPE DE CAMARGO 

KASTRUP, engenheiro civil

lfckastrup@gmail.com

São Paulo

Cidade abandonada

Tenho lido com atenção as críticas desfavoráveis à gestão do prefeito Bruno Covas. De fato, é queixa geral que as vias públicas estão esburacadas e trazendo grandes prejuízos à população. De outra parte, o tal parquinho suspenso não poderia ter sido eleito como prioridade, até porque se mostra desinteressante para o já congestionado tráfego de veículos. Pelo andar da carruagem, Bruno Covas corre o sério risco de superar os antecessores no título de pior prefeito da história de São Paulo.

ALVARO A. FONSECA DE ARRUDA

alvaro.arruda@uol.com.br

São Paulo

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“O prefeito de São Paulo quer transformar o Minhocão no Jardim Suspenso da Cracolândia”

VIDAL DOS SANTOS / GUARUJÁ, SOBRE A ADMINISTRAÇÃO BRUNO COVAS

vidal.santos@yahoo.com.br

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“E eis que surge no Brasil nova e rentável profissão: gerenciador de salários...”

ROBERTO BRUZADIN / SÃO PAULO, SOBRE O CASO FABRÍCIO QUEIROZ, ASSESSOR DO ENTÃO DEPUTADO FLÁVIO BOLSONARO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

bobbruza@terra.com.br

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A ECONOMIA EM 2018

“Com recuperação lenta, PIB brasileiro cresce 1,1% em 2018” (“Estadão”, 28/2). A notícia do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2108 de apenas 1,1% se deve à tibieza da administração Temer no seu apagar de luzes. Apesar dos pesares, essa taxa foi maior do que as da fracassada Dilma Rousseff, que só teve índices negativos. O PIB com crescimento significativamente maior ocorrerá depois da vitoriosa aprovação da reforma da Previdência e de outras em 2019. Claro que as esquerdas tentarão prejudicar de todo modo possível, mas os grasnidos estridentes de seus abutres e harpias no Congresso Nacional não terão maiores efeitos.

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

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EDUCAÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

Enquanto parte da elite brasileira não se debruçar sobre a educação como o mais importante meio para atingir o tão almejado desenvolvimento econômico, social e humano, não vamos caminhar de forma sustentável em direção ao progresso. A economista Zeina Latif, em seu excelente artigo publicado na quinta-feira (28/2) – “O verdadeiro patriotismo” –, nos mostra que a falta de mão de obra qualificada é o grande entrave para a produção, apesar do elevado desemprego. Uma parcela da população está à margem do mercado de trabalho por falta de qualificação. Zeina também alerta para o fato de que a nossa dificuldade não está na falta de investimentos em educação. Somos um dos países que mais investem no setor: 6% do PIB. Mas, diz ela, temos investido mal. A evasão escolar é imensa, com 15% dos jovens entre 15 e 17 anos fora da escola. Lembra-nos de que ainda não cumprimos a Constituição, que estabelece a educação obrigatória e gratuita para pessoas entre 4 e 17 anos. São 23% dos jovens que não trabalham nem estudam. A escola não consegue retê-los ou prepará-los para o mercado de trabalho. A falta de perspectiva dos jovens pode ser a causa da gravidez precoce: de cada 5 bebês que nascem no Brasil, 1 é filho de adolescente. “O avanço em políticas de educação deveria ser prioridade do atual governo, mas os sinais emitidos, por ora, não são bons. Temas relacionados à ideologia nas escolas só desviam daquilo que mais importa. Enquanto se discute executar o Hino Nacional nas escolas públicas, nossas crianças deixam de aprender Matemática e Português”. Sim, saudosistas lembram como era bonito cantar perfilados em suas escolas o nosso lindo hino. Mas se isso por si só fosse tão importante, não chegaríamos hoje a esta precária condição educacional em nosso país. É preciso muito mais do que cenas patrióticas. É necessário ter diagnósticos do nosso atual fracasso e debruçar-se com afinco sobre experiências bem-sucedidas aqui e fora do Brasil. “Com base em cuidadosa análise de evidências, especialistas apontam a necessidade de elevar a carga horária e o tempo aproveitado em sala de aula; reduzir a abstenção de alunos e professores; e valorizar a carreira docente, via salário e formação continuada, mas com cobrança de desempenho. Como ensina Ricardo Paes de Barros, nós sabemos educar; o que não sabemos é copiar casos de sucesso espalhados no País. Há alguns exemplos de escolas com desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) comparáveis ao de países desenvolvidos. Um destaque recente é o Estado do Espírito Santo, com a bem-sucedida implementação de escola em tempo integral e aumento da carga horária”. Zeina encerra seu brilhante artigo com esta frase lapidar: “A educação não é apenas uma questão moral, mas também de crescimento econômico. Deveria interessar a todos”. Os brasileiros realmente patriotas jamais deveram esquecer-se desse alerta, especialmente o ministro da Educação e o presidente da República.

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas

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AS REFORMAS E A INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA

O anúncio da Ford, de desativar sua fábrica de São Bernardo do Campo e a incerteza quanto à permanência da General Motors no Brasil constituem dois preocupantes problemas. Os fabricantes não devem se esquecer dos incentivos e desonerações de que se beneficiaram ao longo dos anos em que operaram no País, decidindo pura e simplesmente encerrar seus negócios. O governo precisa tornar mais transparentes e incorruptíveis as relações com a indústria automobilística, que, nos tempos mais recentes, teve leis de inventivo e desoneração questionadas até pela Operação Lava Jato. Em todo o processo de reformas que o atual governo propõe, é necessário adicionar também um capítulo que garanta relação sadia com as montadoras e o setor que as abastece. Louve-se o empenho do governador João Dória em busca de soluções para a Ford, cuja fábrica tem hoje três grupos empresariais interessados. O setor carece de mudanças, menos ativismo sindical e baixa da carga tributária que possa garantir a lucratividade dos fabricantes e preços dos carros nacionais compatíveis com seus similares no exterior.                 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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TRISTE RADIOGRAFIA

O oportuno editorial do “Estadão” (25/2, A3) com título “Brasil pior do que há sete anos”. É um alerta para a nossa sociedade, nossa classe política e, principalmente, ao atual governo de Jair Bolsonaro (PSL-RJ), para que enverede todos os esforços possíveis, lógico que republicanos, para que a ousada reforma da Previdência, enviada pelo Planalto ao Congresso, seja aprovada.  Sem ela, as nossas contas públicas hoje em frangalhos ficarão insustentáveis e certamente o País entrará em profunda recessão, pior que a deixada desgraçadamente por Dilma Rousseff. Apesar de termos saído da recessão na gestão de Michel Temer, como alerta o editorial do jornal, pesquisa divulgada pelo IBGE constata que encerramos o ano de 2018 com 27,40 milhões de brasileiros subutilizados ou na informalidade, quando em 2012 eram 18,82 milhões. E, neste mesmo ano de 2012, tínhamos 34,12 milhões de trabalhadores com carteira assinada, número que ruiu para apenas 32,93 milhões em 2018. Já em 2014, um pico de 36,61 milhões com carteira assinada. O desemprego em 2012 atingiu 6,74 milhões de brasileiros, e em 2018, infelizmente, 12,84 milhões. Lógico que este contingente de desempregados, que aflige a família brasileira, é fruto de milhares de empresas que faliram por todo o País. Porém, se a reforma da Previdência não é a solução para todos os males, pelo menos, se aprovada sem ser desfigurada, será a coluna para sustentar futuros investimentos, crescimento do PIB, recuperação dos empregos, distribuição de renda e justiça social. A triste radiografia do mercado de trabalho manifesta no editorial do “Estadão”, constatada pela pesquisa do IBGE, não pode ser desprezada pelo governo e pela classe política.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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VOOS DE GALINHA

Ao longo da história da República brasileira ocorreram vários voos de galinha, definidos figurativamente como períodos de progresso fugaz, promissores de melhores condições de vida para o povo. Todos, como acontece com as ousadias aéreas dos galináceos, tiveram duração reduzida e não se sustentaram, levando o Brasil, por falta de consistência política e honestidade de propósito dos líderes que os arquitetaram, a retornar à bem conhecida situação de ciscar no solo. É uma sequência que consolidou a sua condição de subdesenvolvido, apesar da esperança, certa vez manifestada, de um dia tornar-se o país do futuro. Vive-se, nos dias de hoje, um dos períodos de mais difícil redecolagem, resultado de quase 15 anos de experiência, felizmente encerrada, com um modelo ultrapassado de esquerda que, como na maioria dos países onde foi tentado, visou somente ao fortalecimento de um programa de poder do Estado beneficiando exclusivamente a elite controladora.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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BRASIL DO AMANHÃ

Desemprego em alma, injustiça crescente, gastos absurdos de mudanças de políticos e aposentadorias gordas de senadores, eis o retrato que nenhuma reforma será capaz de corrigir. Enquanto o Brasil for uma nação pendular, poucos ricos e muitos miseráveis, inquestionavelmente o amanhã será sem futuro e pouca a ambição da maioria da população, para nosso ingresso no Primeiro Mundo, faltam milhões de quilômetros e bons governantes.

Carlos Henrique Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo

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EMPREITEIRAS DONAS DO BRASIL

Se não é possível uma reformo na Previdência Social, como será possível uma reforma ou fiscalização mais rígida nas maiores empreiteiras do País, diante da delação de uma delas, a OAS, que envolve 8 partidos, 21 políticos e R$ 125 milhões jogados nos ralos da corrupção. Como uma grande empresa pode desviar de seus cofres importâncias tão significativas, sem que haja uma fiscalização séria, pois o que não falta neste regime é a proliferação de tribunais de contas e nos próprios conselhos de fiscalização dentro das empresas. Ao que parece, todos os órgãos de fiscalização financeira fazem parte de um grande caldeirão, onde a corrupção é preparada com grande esmero, com tempero garantido pelas autoridades municipais, estaduais e federais. Com um sistema destes, não há capitão ou marechal que consiga estancar o vício da corrupção que infesta o País, desde a chegada das caravelas às suas praias.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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CORRUPÇÃO NA DERSA

Enfim, a poucos dias de completar 70 anos, chegou a sentença (27 anos e 8 dias), por fraude em licitação e formação de cartel, para o operador de propinas do PSDB, Paulo Vieira de Souza, vulgo Paulo Preto. Desta vez, não funcionaram as preces ao “Anjo Protetor Gi”, da intimidade, fidelidade e crença do condenado, que já intercedera com sucesso no Supremo Tribunal Federal (STF) pela sua libertação em passado bem recente, via habeas corpus liminar, concedido pelo poderoso amigo supremo Gilmar Mendes. Como a fé remove montanhas, não tenho dúvidas de que o “anjo Gi” voltará seus fluidos à Suprema Corte, visando à libertação derradeira de seu devoto, que demandará os blá, blá, blás antirrepublicanos de sempre como fundamentos para o feito. Bora trabalhar, ministro! A propósito, Paulo Preto, quem é o anjo Gi?

Júlio Armando Echeverria Vieira jecheverria50@gmail.com

Santa Cruz, Califórnia (EUA)

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PEDÁGIOS PAULISTAS

Perguntar não ofende: será que há alguma relação entre a roubalheira capitaneada por Paulo Preto na Dersa e os preços extorsivos dos pedágios das rodovias estaduais paulistas?

Jorge Manuel de Oliveira jmoliv11@hotmail.com

Guarulhos

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O ANJO PROTETOR GI

Tal qual os procuradores da Lava Jato de Curitiba, fiquei curioso em saber quem deve ser Gi, o anjo protetor do operador de propinas do PSDB, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, segundo consta do seu diário de cárcere (10 e 11/5/18), apreendido em sua casa. “Fui informado sobre HC Limiar (sic) ao ministro Gilmar e fui à missa pedir ajuda se possível ao meu Anjo Protetor Gi, para relaxamento de minha prisão, por motivos da injustiça impetrados pelo MPF/SP e Juíza Maria Isabel, foi minha 1.ª Comunhão na Igreja da Penitenciária de Tremembé II”, registrou o “cristão” Paulo Preto. Pelo jeito, a fé do recluso no anjo Gi “não costuma faiá”, vez que o ministro Gilmar Mendes, libertador geral supremo, imediatamente soltou o religioso amigo operador de propinas! A pergunta que não quer calar: o anjo Gi intercede pelo bem da República ou somente para os seus devotos?

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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PAÍS SEM LEI

Em qual país se pode matar por estrangulamento, pagar fiança e esperar por décadas a condenação, quase sempre a penas mínimas? Em qual país o roubo de dezenas de milhões resulta em pena de prisão domiciliar? Em qual país um desastre anunciado mata centenas e já se sabe que nunca ninguém será punido? Se a resposta não for Brasil, a resposta está errada! Mas, para a alegria de todos, “já é carnaval”.

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco

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BRUMADINHO

As barragens a montante em cidades de Minas Gerais, construídas pela Vale do Rio Doce e outras mineradoras, já causaram mortes e destruição de grandes proporções, tanto na Bacia do Rio Doce como agora, na de Brumadinho, desta vez com centenas de mortos. E foi só assim que as autoridades resolveram agir e acabar com a festa das mineradoras, como a Vale. Por serem mais baratas que as barragens mais modernas e seguras, as mineradoras vêm colocando em risco há anos não só a vida humana e a de animais de criação, como o próprio meio ambiente a jusante das barragens. A exemplo do que ocorreu em Mariana, com a Samarco, que é de sua propriedade com outra sócia, a desculpa esfarrapada dos dois presidentes das empresas foi a de que foram pegos de surpresa, mentira que foi posteriormente desmascarada. No primeiro caso, além das 19 vítimas fatais, foi totalmente desfigurada toda a bacia do Rio Doce, como graves danos ao Oceano Atlântico, em torno do seu estuário. O presidente da Vale, durante o depoimento na Câmara dos Deputados, cometeu o desrespeito de não se levantar durante o minuto de silêncio às vítimas fatais do desastre provocado por sua empresa, demonstrando a importância que dá à vida de seus semelhantes. E ainda se achou no direito de dizer que a empresa não pode ser condenada por um “acidente”, pois é uma “joia brasileira”. Mas ela está longe de receber esse conceito, somente pelo fato de, por pura economia, optar por barragens assassinas, em lugar das mais seguras, em respeito não só à vida humana à jusante, como ao meio ambiente do País que lhe concedeu a exploração do seu solo. Seus engenheiros também não acataram o Código de Ética da Engenharia, esquecendo-se de que a prioridade é a vida humana. Pena que a nossa legislação, tão permissiva, não possa tratar tais personagens como seriam tratados em outros países. Depois de Brumadinho a empresa vem procurando agir mais decentemente. Notícia do “Estadão” de 17/2 dava conta de que “Moradores deixam suas casas em Nova Lima”, relatando em seguida que 200 pessoas tiveram de deixar suas casas nas áreas próximas à barragem B3/B4 da Vale, naquele município, pelo fato da uma auditoria se negar a atestar a segurança da estrutura. A Vale declarou que foi uma medida preventiva. Porém, cabe aqui uma observação pertinente: se a estrutura, semelhante à de Brumadinho, tivesse rompido, essas pessoas estariam a salvo. Entretanto, não poderiam voltar para suas casas, pois estas estariam sob toneladas de lama.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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CURIOSIDADE

Só por curiosidade: após as tragédias da Vale e do CT do Flamengo, como andam as apurações da tragédia do edifício Wilton Paes de Almeida (1/5/2018)? Alguém foi preso? Ao menos indiciado? E como estão as condições dos outros milhares de imóveis invadidos – perdão, ocupados – pelos sem-teto? Obviamente, depois do ocorrido, os organizadores das invasões – perdão novamente, ocupações – tomaram todas as precauções necessárias para que a tragédia não se repita. Estou certo?

Luciano Nogueira Marmontel automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)

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GESTORES IRRESPONSÁVEIS

Vejo uma semelhança entre Brumadinho e o viaduto da Marginal Pinheiros que desabou: tanto a mineradora Vale quanto a Prefeitura de São Paulo têm em seus cargos máximos um grupo de executivos “sabonetes”. Isto é, quando algo vai mal sob sua gestão, não é com eles, limitando-se a comentar o acidente e lamentar o episódio. Ao ouvi-los, fica a clara impressão de que aquilo não é de responsabilidade deles. É de outro alguém, inominável. No caso da mineradora, conforme fartamente noticiado, há evidências de que os gestores da Vale haviam sido informados pela empresa WUT do iminente risco de rompimento da represa, a ponto de o engenheiro responsável pelo relatório afirmar que, caso seu filho lá estivesse, era para que saísse imediatamente do local e que avisasse a empresa e a vizinhança do risco de rompimento. A Vale nada fez, após o aviso. Deu no que deu. No caso da Prefeitura, o DER avisou a Prefeitura de que havia sérios riscos de queda do viaduto. Aí se observa outra sequência de desculpas pelos gestores públicos. Não seria de competência do secretário de Transportes? Observa-se aquele velho jogo de empurra-empurra em ambos os casos. De um lado, questiona-se se o viaduto é de competência do município ou do Estado. Enquanto isso, o cidadão, que não é de nenhum deles, sofre. Nenhuma medida reparadora ao cidadão foi anunciada pela Prefeitura até o momento, por exemplo, uma redução no IPTU, como forma de compensar qualquer prejuízo do infeliz motorista que, durante os seis meses de reparo, enfrenta maior tempo de viagem diariamente ao passar por algum logradouro afetado pela interdição do viaduto. Até quando teremos de conviver com dirigentes “sabonetes”? Que mal!

Marcos Nogueira Destro mdestro@amcham.com.br

São Paulo

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PELAS RUAS DE SÃO PAULO

Peço ao prefeito de São Paulo, Bruno Covas, mostrar a que veio! Sempre votei no saudoso Mário Covas, e inclusive em João Doria, que deixou a Prefeitura. Porém, as ruas de São Paulo estão caóticas, esburacadas. A Rua Abílio Soares, que liga o Ibirapuera ao Paraíso, está um desastre! Onde estão seus fiscais? Se pensar em reeleição, mostre a que veio já, senão será tarde demais.

Walter Rosa de Oliveira walterrosaoliveira@gmail.com

São Paulo

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RECADO A JOÃO DORIA

A capital paulista está completamente abandonada, jogada às traças, por única e exclusiva culpa de um politiqueiro mentiroso que sonhava e ainda sonha em ser presidente do Brasil, elegeu-se prefeito da capital paulista dizendo-se “gestor”, abandonou a Prefeitura, entregando-a ao seu vice, um jovem sem experiência nenhuma que agora sonha com uma obra faraônica que é fazer um parque de diversão em cima do Minhocão, enquanto a cidade continua imunda e transbordando lixo para todos os lados. Já ia me esquecendo: o nome do traidor dos eleitores paulistanos é João Doria, marquem bem este nome, pois com certeza ele voltará e, como sempre, se autointitulando gestor e fazendo trampolim para voos mais altos. É um baita cara de pau.

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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O MINHOCÃO E O ESPAÇO PÚBLICO

Nos dilemas do Minhocão, o que importa é discutir o espaço público. Em um aspecto, todos concordam: é preciso transformar o Minhocão e melhorar a vida ao seu redor. Mas a convergência de opiniões e soluções encerra-se nessa constatação. Excetuando algumas poucas vozes de bom senso e baixa repercussão, o que se tem visto nas últimas décadas é uma sobreposição de argumentos, discursos e propostas setoriais que passam pelos aspectos técnico, social, imobiliário e até histórico, como se fosse possível separar cada um desses interesses. A rigor, o que está em debate a partir do projeto para o Minhocão, divulgado recentemente pela Prefeitura de São Paulo, não são 900 metros de um possível parque suspenso nem o impacto da mudança do tráfego de automóveis na área ao seu redor, muito embora esses fatos possam impactar diretamente os moradores da região e, portanto, devem ser tratados com prioridade. Mas o que está em debate é a disputa pela hegemonia entre dois modelos de cidade. O primeiro, originado de intervenções norte-americanas do início do século 20, buscava soluções para resolver o crescente tráfego de automóveis em áreas centrais urbanas por meio de viadutos e avenidas segregadas; o segundo, consolidado no decorrer do século 20, defendia a importância do pedestre na escala da vizinhança, considerando o centro urbano como o “coração da cidade”. Atualmente, esses modelos são respectivamente revisitados em soluções para a mobilidade urbana e para a defesa da “cidade para pessoas”. A depender do ânimo dos gestores, esses modelos são tratados conjuntamente ou não. E, para incrementar a polarização, há ainda uma vertente que reivindica o planejamento urbano como instrumento demiúrgico de combate a todas as mazelas urbanas. Esses debates camuflam o essencial, que é discutir qual o papel da rua na cidade brasileira e, em última instância, qual o atual significado do espaço público. A cidade é o lugar dos conflitos, o Minhocão é uma infraestrutura urbana, e a rua está no centro desse debate, porque é o espaço público, por natureza. Minimamente, o projeto de transformação da área tem de considerá-los (cidade, Minhocão, rua) como partes de um sistema de espaços inclusivos articulados em redes (infraestruturais e sociais) mais amplas. Como os aspectos culturais, sociais e estéticos do bairro e, por que não, da metrópole estão sendo levados em conta? Como as diferentes demandas da área podem ser contempladas pelo projeto? Como as especialidades de drenagem, acessibilidade universal, conforto urbano e usos diversificados podem ser integrados ao projeto? Os dilemas do Minhocão passam desde a defesa pela sua demolição, à luz da experiência carioca, até a sua qualificação inspirada no High Line, de Nova York. Mas, independentemente da qualidade do seu desenho, essas ações criam um risco de substituir a segregação resultante do planejamento tecnocrático dos anos 1970 pela exclusão gentrificadora da cidade contemporânea.

Jeferson Tavares, professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (USP) comunicacao@iau.usp.br

São Paulo

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O PARAÍSO E O INFERNO

Com efeito, a transformação do Minhocão em jardim suspenso vai criar um paraíso em cima e um inferno congestionado embaixo. Melhor será pôr abaixo esta aberração e livrar a cidade do caos.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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POPULISMO NO TRÂNSITO

É preocupante ver em pauta a discussão para que os exames médicos de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sejam realizados a cada dez anos. Sabemos bem que as doenças orgânicas que afetam os motoristas são responsáveis por cerca de 12% dos acidentes de trânsito fatais em nossas ruas e rodovias. Cardiopatias, epilepsia, demência, transtornos mentais, hipoglicemia, apneia obstrutiva do sono e tantas outras enfermidades que interferem na direção veicular devem ter acompanhamento conjunto com outras especialidades médicas para a avaliação das condições de saúde do motorista. O homem é o responsável, na maioria das vezes, pelos acidentes de trânsito por desobedecer às regras ou por suas condições físicas em desequilíbrio. Um controle médico do motorista deve ser realizado com perfeição e a concessão da habilitação deve ser referendada por um especialista em Medicina de Tráfego, após um exame de aptidão física e mental, que contribui, inegavelmente, para a diminuição da morbidade e da mortalidade em acidentes de trânsito. Como especialista nesta área e também em Oftalmologia, vejo diariamente doenças oculares como catarata, glaucoma, degenerações retinianas ou simplesmente uma ametropia, com prescrição de óculos atualizada, que são progressivas e causam a redução da visão a cada ano. O que dizer num período tão extenso de dez anos? Certamente, haverá deficientes visuais com permissão para dirigir e, o pior, firmada pelo médico, com todos os seus efeitos legais, que lhes dará aptidão para a direção veicular. Há necessidade de obter dados sobre o uso de medicamentos utilizados pelo motorista para tratamentos da saúde e que interferem na direção, observar deficiências físicas, arguir o candidato sobre cirurgias anteriores, uso de drogas ilícitas ou uso não moderado de álcool, assim como se o motorista já sofreu algum acidente e suas causas. Discussões em nível médico devem ser realizadas com auxílio dos conselhos ou associações de classe para evitar erros de conduta. Medidas populistas como a de 1997 que permitiu a passagem das motos no corredor formado entre os carros, revogando a proibição que vigorava até então no antigo Código de Trânsito e a liberação da velocidade em até 90 km/h nas marginais em São Paulo, quando a Organização Mundial da Saúde recomenda que todas as cidades do mundo adotem velocidades máximas de 50 km/h nas áreas urbanas, demonstram o desrespeito a fatores de risco para a manutenção de um trânsito seguro. Decisões estimuladas pela perspectiva de aplauso fácil e imediato, sem a orientação especializada e científica, são, no caso do trânsito, literalmente, uma receita para o desastre.

Jack Szymanski drjackszymanski@gmail.com

Cascavel (PR)

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AUMENTO DE PRESSÃO NA REDE DA COMGAS

A Comgas está fazendo serviços de manutenção em minha rua e adjacências e, para tanto, enviou, por intermédio de sua empresa prestadora de serviços, mensagem sobre o período e a forma com que os serviços seriam realizados. No meu caso, foram feitos no período de 31/1 a 1/2/2019. Na verdade, tratava-se de projeto de aumento da pressão na rede para atender a um número maior de usuários – o que na minha rua parece improvável, por se tratar de via residencial ocupada por casas em seus 300 m de extensão –, conforme informação dos encarregados do serviço. Para isso, tiveram de implantar redutores de pressão nos medidores das casas. A minha surpresa foi que a conta do mês mais do que dobrou, sendo que em fevereiro houve um reajuste de 21% nas tarifas da Comgas. Só posso concluir que esta empresa está cobrando mais pelos serviços prestados para que os usuários arquem com os custos dos serviços de aumento da pressão na rede.

Sebastião Adilson Tartuci Aun sebastiao.aun@uol.com.br

São Paulo

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