Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2019 | 01h00

Terrorismo

Massacre na Nova Zelândia

O massacre em duas mesquitas na Nova Zelândia por um membro da extrema direita da Austrália é o ápice de uma séria crise social. Desde 2015 o movimento Reclaim Australia vem arregimentando membros e atraindo simpatizantes. Manifestações e protestos têm se espalhado por todo o país. Em agosto do ano passado, o senador por Queensland Fraser Anning incendiou a política nacional com um violento discurso contra os muçulmanos e demais imigrantes que não falam inglês. Anning pediu que a Austrália branca tivesse uma política de “solução final” para o problema. Apesar de expulso de seu partido (Katter’s Australian Party) por suas posições, Anning continua a participar das manifestações. E agora a extrema direita fascista, que é contra a política de acolhimento do país vizinho, conseguiu ampla publicidade mundial.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

Fanatismo

De todos os países que visitei, a Nova Zelândia, com certeza, é o mais bonito. Calma, organizada, natureza deslumbrante. Mas os braços do fanatismo e do terror também a alcançaram. Considerado um dos países mais pacíficos e seguros do mundo, ontem acordou estarrecido por mais uma brutalidade. Não temos para onde fugir.

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

Violência

Tragédias anunciadas

“Há tantas realidades quanto pontos de vista. É o ponto de vista que cria o panorama” (Ortega y Gasset). Acontecimentos trágicos neste trimestre, de todos os tipos, culminaram nesta semana com o terrível acontecimento numa escola em Suzano. É preciso refletir e tentar ver o panorama da melhor forma possível. Isso sem abordar as tragédias cotidianas de conhecimento geral, porém de pouca repercussão midiática - mesmo assim tragédias, que ficam nas sombras. A profusão de opiniões e a confusão - intencional, direcionada ou não - divulgadas nos vários meios de comunicação é preocupante. Pretensas correlações são criadas, relações causais intencionais, confusas ou simplesmente abordadas somente pela óptica das consequências, são usadas como plataforma para ataques e fakes de lado a lado. No entanto, os problemas não se resolvem. Além de exponenciarem o tumulto, pior, por vezes desrespeitam até as vítimas. Quanto às causas fundamentais, pouca atenção se dá, quiçá em poucas e louváveis matérias: a degradação de valores fundamentais da sociedade, dos usos e costumes. Eventos trágicos se repetem, sempre seguidos de uma profusão de discursos, sentimentos e pretensas soluções. Fato é que daqui a pouco se repetem. O que acontece, então? Comportamentos: foco nas consequências, recusa a reconhecer erros, postura de infalibilidade, falta de humildade, disciplina e respeito, má gestão familiar, social, ambiental e governamental, na educação, na saúde, na infraestrutura, entre outras, e, finalmente, a corrupção. Enquanto os interessados se recusarem a aprender - com afinco, cidadania, civismo e civilidade - com o erro e atuarem só nas consequências, e não nas causas reais, seremos sempre “surpreendidos” por algo que fatalmente vai se repetir e se perpetuar. Ou mudamos efetivamente, ou vamos continuar procurando respostas que são e estão explícitas.

Luiz A. Bernardi

luizbernardi51@gmail.com

São Paulo

Educação e autoridade

Falta de autoridade e educação precária são os grandes geradores da violência. O brasileiro tem muito receio de exercer a primeira, por ser confundida com autoritarismo. As crianças são criadas como se pudessem fazer tudo, hoje é difícil ver os pais e professores estabelecendo limites. É como se educar fosse um ato autoritário. A falta de educação produz mais violência do que a pobreza. Pitágoras disse há mais de 2 mil anos: “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”.

Luiz Felipe Schittini

fschittini@gmail.com

Rio de Janeiro

População armada

Acredito que qualquer pessoa razoavelmente sensata, acompanhando o noticiário sobre a tragédia do massacre de estudantes e funcionários da escola em Suzano cometido por ex-alunos, não concorda com o armamento da população. Imagino que tendo posse de arma a população passará a ver, a exemplo dos EUA, cada vez mais correria de pessoas tentando fugir de situações de desespero, como se viu. E o pior, a tristeza das famílias velando seus mortos. Acho que um debate nacional e novo plebiscito sobre o armamento da população seria conveniente.

José Sergio Trabbold

jsergiotrabbold@hotmail.com

São Paulo

Sindicalismo

MP 873

Em seu artigo Sua Majestade o presidente (15/3, A2), o ex-ministro Almir Pazzianotto Pinto insurge-se contra a Medida Provisória 873, que versa sobre pagamento de contribuição sindical, ao afirmar que se trata de intromissão do Poder Executivo em assuntos do Legislativo. Ora, as edições de medidas provisórias ao longo da nossa história constitucional recente não revelam uma realidade inexorável, que é a dificuldade de governabilidade do nosso presidencialismo de coalizão, devida ao nosso anacrônico sistema eleitoral legislativo do voto proporcional, não restando ao Executivo alternativa a não ser a utilização de medidas provisórias, mesmo que nem sempre revestidas de relevância e urgência? No caso da MP 873, em particular o disposto no § 2.º do artigo 579 proposto para a CLT não revela medida imperiosa contra o ativismo de parte da Justiça do Trabalho em validar cláusulas normativas de convenções ou acordos coletivos de trabalho firmados em confronto com o artigo 611-B, inciso XXVI, da mesma CLT, que considera ilícita a supressão ou redução da liberdade sindical do trabalhador, incluído o direito de não sofrer, sem sua expressa e prévia anuência, qualquer cobrança ou desconto salarial estabelecidos nos instrumentos coletivos de trabalho? Não estariam presentes na MP 873 a relevância e urgência para garantir a dimensão individual da liberdade sindical como direito fundamental, prevista pelo artigo 8.º, inciso V, da Constituição federal, ao garantir ao trabalhador o direito de não se filiar a sindicato, cujo corolário é o direito de não pagar contribuição a entidade sindical?

Renato Rua de Almeida

renatorua@uol.com.br 

São Paulo

CCR

Acordo de leniência

Alguém pode esclarecer por que o acordo de leniência da CCR no Paraná destinará R$ 17 milhões à Faculdade de Direito da USP (Largo de São Francisco)?

Márcio Roberto Lopes da Silva

marcioped.itu@gmail.com

Itu

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O STF e o caixa 2

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por diferença mínima de votos, manter na Justiça Eleitoral os julgamentos de casos de corrupção relacionados a caixa 2 de campanha. Em seu voto divergente, o ministro Luís Roberto Barroso afirmou que não será bom, após anos de combate à corrupção, mexer numa estrutura que está dando certo e funcionando e passar para uma estrutura que absolutamente não está preparada para isso, referindo-se, aqui, à Justiça Eleitoral. Assim o STF, sempre dividido quando se trata de endurecer ou não o combate aos crimes de corrupção com o dinheiro público, demonstra que as teses jurídicas são mais importantes que os fatos sociais, e que o Direito possui, sim, um fim em si mesmo, pois antes de ser instrumento do interesse e necessidade reais da sociedade é interessante como qualquer jogo que, ficcionalmente, trata as realidades à distância, e sem se imiscuir com elas.

Marcelo G. Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

Clamor no deserto

Com certeza, com o resultado de 5 a 6 no julgamento do STF, aos poucos a Lava Jato vai terminar. E com certeza ficaremos calados a respeito, com exceção de poucos que clamarão aos desertos. Alguém duvida?

Maria do Carmo Zaffalon Leme Cardoso

zaffalon@uol.com.br

Bauru

Quase deu certo

A decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) definindo que é competência da Justiça Eleitoral a investigação e o julgamento de crimes comuns conexos a crimes eleitorais erra ao colocar em pé de igualdade casos de recebimento de recursos não contabilizados para campanhas eleitorais (caixa 2) e a imensa maioria de crimes comuns praticados por agentes públicos - sem que, na verdade, tenham relação com eleições. Como a Justiça Eleitoral não está preparada para investigar e julgar processos de corrupção, de lavagem de dinheiro e de ocultação de patrimônio, a consequência será a ocorrência da prescrição na maioria das vezes. Ou seja, quase a edição de um salvo-conduto para políticos criminosos. Festa para os corruptos e para as ricas bancas de advogados que os assistem. Luto para a sociedade brasileira, que - através de maciças e pacíficas manifestações, primeiro, e depois pelas urnas - mostrou sua rejeição à rapina institucionalizada. E decreto de morte da Lava Jato, que, no futuro, será lembrada como a epopeia que quase conseguiu fazer o Brasil dar certo.

Sergio Ridel

sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

O Supremo e a Lava Jato

Após anos de vivência política podemos afirmar que, independentemente da época, da sigla partidária ou do governo instaurado, sempre houve mais gente puxando o País para baixo do que empurrando-o para cima. Isso talvez explique a nossa secular letargia.

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

Pelo ralo

Com exceção dos corruptos que serão beneficiados com a decisão do STF de enviar para a Justiça Eleitoral crime de caixa 2, nós, a sociedade brasileira que trabalha, paga escorchantes impostos e sustenta uma infinidade de privilégios, estamos cansados de ver escorrer pelo ralo da corrupção dinheiro de caixa 2. Assim penso que a população dará total apoio ao Ministério Público. O STF já deveria estar ciente de que atualmente, nas redes sociais, o povo fala e expressa seus anseios como quer, doa a quem doer.

Marisa Bodenstorfer

baica53@googlemail.com

Lenting, Alemanha 

Agora, sim!

Finalmente, a sociedade brasileira vai entender para que serve a Justiça Eleitoral. Serve para soltar políticos corruptos.

Oscar Thompson

oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba 

Investigação, justiça & impunidade

A Lava Jato entreabriu as "portas da esperança". O STF escancarou o "portal da impunidade"...

A.Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

Suprema indecência 

A maioria do Supremo Tribunal Federal provou o que todo o mundo já sabia: é, descaradamente, o amparo do político corrupto. Uma vergonha para a Nação!

Nilson Otávio de Oliveira

noo@uol.com.br

São Paulo

Os crimes e o tempo

As discussões sobre o encaminhamento dos crimes de caixa 2 e conexos (corrupção entre eles) para a Justiça Eleitoral, decidida pelo STF, foi aparentemente sábia, pois, formalmente, não isenta os culpados de responder por eles. Celso de Mello partiu de uma premissa falsa, um sofisma, para justificar parte do seu voto, o que escancarou a malandragem. Na Justiça Eleitoral há juízes e desembargadores, disse ele, todos reconhecidamente sérios e competentes. Mas são muito poucos, a estrutura é muito pequena. E, assim, os criminosos serão protegidos pelo tempo, como no velho sistema que vigia antes da Lava Jato.

Paulo Mello Santos

policarpo681@yahoo.com.br

Salvador

Justiça Eleitoral

A propósito da polêmica decisão do STF, por 6 votos a 5, de que crimes graves como corrupção e lavagem de dinheiro devem ser julgados pela Justiça Eleitoral, em vez da Justiça Federal, cabe, por oportuno, reproduzir as palavras do ministro Luís Roberto Barroso, um dos votos vencidos: "Faz pouca diferença, ao contrário do que se alardeia, distinguir se o dinheiro vai para o bolso ou se vai para a campanha, porque o problema não é para onde o dinheiro vai, mas de onde ele vem. E o dinheiro vem de uma cultura de achaque, corrupção e propina que se disseminou no País e que todo contrato público tem alguma autoridade levando vantagem indevida". Diante da decisão do Supremo Tribunal Federal, que passa a considerar a sórdida, inaceitável e condenável prática da corrupção e lavagem de dinheiro crimes menores e menos graves, tudo indica que a Lava Jato subiu no telhado e que a bandidagem continuará a corroer os meandros da politicalha do País. Corruptores e corruptos, o banquete está à mesa. Sirvam-se. Pobre Brasil.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

Hediondo

Caixa 2 é crime hediondo, que fere os direitos do cidadão e mata milhares de pessoas.

Etelvino José Henriques Bechara

ejhbechara@gmail.com

São Paulo

Supremo?

Literalmente, meia dúzia de ministros do STF resolveu o futuro de corruptos e criminosos totalmente contrários aos interesses dos brasileiros. É muito poder para poucos. Tudo pareceu detalhadamente previsível. A democracia não aceita a ditadura do STF. Nunca a suprema corte (minúsculo, mesmo) envergonhou os cidadãos de bem. 

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

Coveiros

Nadamos contra a corrente. Não podemos mais ter esperança nenhuma, pois, quando a temos, "Suas Excelências" se unem a enterrá-la. Agora, para desdita do Brasil, com o apoio da mídia, que deixou de ser informativa para ser militante, tal e qual as religiões: há algo de podre nesta parceria...

Doca Ramos Mello

ddramosmello@uol.com.br

São Sebastião

Bagunça

Eu não entendo como os juízes decidem de maneira diferente, se as leis são as mesmas para todos. E os seis vencedores que transferiram as decisões da Lava Jato, mais eficiente e produtiva que o TSE, só fazem confirmar as críticas que todos fazem contra o STF. Enquanto os membros do Supremo continuarem sendo nomeados por indicação, e não por concurso, esta bagunça vai continuar.

Mário A. Dente

eticototal@gmail.com

São Paulo

Justiças brasileiras

O Supremo Tribunal Federal decidiu, pelo "placar de sempre", 6 a 5, enviar os processos de caixa 2 à Justiça Eleitoral, apesar dos apelos (sabidamente em vão) de que tais Cortes não têm competência adequada para julgar os crimes cometidos. Esta e outras situações levantam a seguinte pergunta: por que o Brasil tem várias Justiças (até Justiça Desportiva!) e duas polícias, uma que prende e outra que investiga e soluciona, em média, 5% dos crimes? Não seria esta uma importante reforma que torna o País mais eficiente e menos custoso, com sistema judiciário único e uma só polícia? A palavra com o ministro Sérgio Moro!

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

O massacre e o STF

Enquanto nos contorcemos de dor ante a tragédia de Suzano, com a morte de assassinos e assassinados, seis membros do STF se contorcem de rir de nós, brasileiros, pela peça que nos pregaram ante a perspectiva de liberar corruptos e corruptores. Impotência absoluta? Um país contra seis membros do $TF que livram corruptos, corruptores e alegram seus advogados, acobertando uma verdadeira indústria do crime!

Cecilia Centurion

ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

Segurança nas escolas

Diante dos fatos ocorridos na Escola Raul Brasil, na cidade de Suzano, em primeiro lugar, devemos cobrar de nossos governantes a utilização e a prática do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não só o lado que protege os menores, mas sim todo o seu conteúdo, os deveres e as obrigações também. No meu ponto de vista, os únicos que podem emitir opinião de como ter uma escola mais segura e saudável em todos os pontos de vista são os professores, e estes com 30 anos de magistério. Já em final de carreira! Estes, sim, podem emitir opiniões seguras, pois tiveram contato direto com os alunos, bons e maus. Como professor aposentado (nem pelo dobro do salário retorno à sala de aulas), digo que urgentemente nossos governantes precisam tomar uma posição. Existem policiais militares ou civis aposentados que bem poderiam residir nas escolas, fazendo bicos nas secretarias, como inspetores de alunos, porteiros, etc., devidamente armados. Se existem médicos, padres, professores, comerciantes, etc. que são verdadeiros bandidos, por que ter de passar a mão na cabeça de aluno bandido? Vamos deixar de hipocrisias, a resposta está explícita, tá na cara.

Arnaldo Luiz de Oliveira Filho

arluolf@hotmail.com

Itapeva

Maioridade penal

Um jovem de 17 anos soube planejar e bem executar suas maquinações delituosas no caso de Suzano, mas é menor e a imprensa só pode usar suas iniciais. O Estatuto da Criança e do Adolescente já está em quase completa superação, sendo insuficiente para conter os jovens da atualidade, desde que são perfeitamente conscientes de seus atos. O tempo de redução da idade para o alcance da maioridade penal aos 16 anos até já passou e não há como justificar a permanência do status quo, com milhares de pessoas sendo mortas pela sanha de menores legalmente protegidos. Outrossim, a redução da responsabilidade penal para 16 anos colocará traficantes e outros em guarda, afastando-os do existente processo de cooptação.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

Tragédia em Suzano

Busca pela fama? Família desestruturada? Bullying? Não há justificativa plausível, mas com certeza o culto às armas e a violência são estímulos a crimes assim. Sociedade profundamente doente e, agora, entristecida. 

Maria Ísis Meirelles Monteiro de Barros

misismb@hotmail.com

Santa Rita do Passa Quatro

Em busca de paz

O incentivo ao uso de armas como forma de defesa é o maior equívoco que se pode imaginar. Ninguém consegue se defender numa situação de pânico. Mas consegue morrer com sua própria arma, que depois será acrescida ao armamento que o assassino já tem consigo, potencializando seu poder destrutivo. Deve-se ter em mente que quem está prestes a matar já tem dentro de si um poderoso instinto de morte que o predispõe a matar e, mesmo, matar-se. Armas devem ser usadas unicamente por quem está capacitado a usá-las em suas funções de trabalho, como policiais, militares e agentes de segurança treinados para tal. Civis, ao contrário, devem ser protegidos pelos primeiros. E só devem ter acesso a armas em casos muito especiais, como talvez em zonas rurais, onde o cidadão vive em certo isolamento, sem, portanto, contato imediato com agentes de segurança pública. Se estabelecermos uma simples conexão da facilidade para a aquisição de armas e crimes em massa, veremos que os EUA são os campeões mundiais nessa modalidade de tragédia, e é lá onde se tem a maior liberdade para adquirir armas de fogo, bastando para tal dar comprovante de endereço. Uma sociedade deve ser incentivada a cultivar a paz a qualquer custo, como é no Japão e em todos os países onde nem sequer policiais portam armas. É nisso que devemos focar, mesmo com todas as dificuldades e mesmo dentro deste contexto desfavorável a isso. Mas os passos iniciais precisam ser dados. Ou cultivamos e desenvolvemos a cultura do pacifismo, através de soluções sensatas e edificantes, e nos empenhamos com muito idealismo nas soluções de graves problemas nacionais - como as nossas mazelas que todos conhecemos - ou adotamos a política do "olho por olho, dente por dente", como querem o presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e seguidores, levando-nos a um terror sem fim de uma sociedade permeada pelo espírito da vingança como meio para o enfrentamento da violência, proposta sedutora por dar a enganosa impressão de que, assim, tudo se resolve com mais rapidez. Mas nunca nos esqueçamos de que as soluções que foram as mais bem sucedidas são aquelas implementadas de forma sistêmica, levando-se em conta a complexidade dos fatores envolvidos e tendo clareza do diagnóstico e, portanto, com conhecimento de como cuidar do problema e salvar a sociedade de suas doenças sociais. Ou nos debruçamos sobre as causas e suas soluções com muito empenho, participação e união de todos ou adotamos a vingança como opção, e a consequente e contínua divisão da sociedade brasileira. Se nossa luta contra a violência e prevenção de tragédias tristíssimas como a do fatídico 13 de março de 2019 é difícil e lenta, comecemos a enfrentá-la desde já com espíritos desarmados e desejo genuíno de buscarmos desencadear modelos pacíficos em nossa sociedade, ao invés do modelo beligerante, tão defendido pelo lobby das armas e pelo atual presidente da República. 

Eliana França Leme

efleme@gmail.com

Campinas

Reflexão

Há menos de seis meses a maioria dos eleitores do Brasil elegeu para a Presidência da República um incapaz que encenava com as mãos um fuzil. Agora este país está de luto em razão das consequências nefastas que as armas causam. Isso serve para uma profunda reflexão na sociedade. O Brasil precisa de armas ou empregos? Nosso povo precisa de armas ou de educação e saúde? Nosso país precisa se civilizar ou emburrecer? Até nesta tragédia a imitação do que há de pior nos Estados Unidos nos prova que seguir cegamente a cultura do "grande irmão do Norte" pode não ser o melhor caminho.

Sandro Ferreira

sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)

Porte de armas

Segundo alguns energúmenos, os professores deveriam andar armados. Nossa, que bom exemplo seriam para os estudantes, em especial para as crianças e adolescentes. Os neurônios deles devem ter sofrido curto-circuito. Por analogia, imagina os padres, pastores, médicos, comerciantes, etc. Malucos existem em todas as profissões, classe social e etnias. Já vou encomendar meu protetor de ouvidos. A sugestão de armar a população partiu do "Dilmo" da vez.

Sérgio Barbosa

sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

É cultural

Ainda chocado pelo noticiário de primeira página do "Estadão" de quinta-feira sobre o massacre numa escola de Suzano, fui folheando, letárgico, as páginas do meu jornal, buscando uma notícia que me desse algum alento e me desfizesse a percepção de que vivemos numa sociedade doente, perdida, de valores distorcidos e com poucos bons exemplos a dar aos jovens em busca de modelos para sua vida, quando me deparei com o anúncio do novo filme de ação chamado "Vingança a sangue frio", e aí a ficha caiu. Estamos cercados de referências e alusões à violência, vingança, crimes passionais, em que o ódio impera, a morte se banaliza, o bem se apequena, o egoísmo reina e o mal se agiganta. Não bastam ações do Estado. A sociedade tem de se unir e repudiar qualquer expressão midiática e "cultural" que faça apologia à violência. Vamos fazer um boicote aos filmes, videogames, livros, sites, peças de teatro, exposições e toda a forma de "arte" que não contribua para o fortalecimento ético e moral dos indivíduos. As futuras gerações nos agradecerão.

João Manuel Maio

clinicamaio@terra.com.br

São José dos Campos

Uma voz sensata em Brasília

Em meio ao festival de bobagens patrocinado pelo Executivo, algumas observações do deputado Rodrigo Maia têm surpreendido. Ao comentar o massacre de Suzano, o presidente da Câmara disse esperar que não voltem a falar em armar professores, como já falou Jair Bolsonaro em outra ocasião. Maia já puxou as orelhas do governo quando o Itamaraty, sob comando do discípulo de Olavo de Carvalho, o inacreditável Ernesto Araújo, correu a aderir à Campanha de Ajuda Humanitária dos americanos para a Venezuela, colaborando com 50 mil toneladas, das 200 que não conseguiram entrar no feudo bolivariano de Nicolás Maduro. Uma rara voz sensata em Brasília precisa ser aplaudida. Bem como a voz do vice-presidente, general Mourão.   

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

   

'Diplomacia medíocre'

Divirjo do editorial "Diplomacia medíocre" (14/3, A3), que relaciona interesses comerciais do Brasil a motivações religiosas com os americanos. Há pouco mais de dois meses no cargo e há apenas um mês governando de fato, após passar quase 30 dias internado no leito de um hospital recuperando-se de um grave atentado, o presidente Jair Bolsonaro tenta focar a atenção neste início de carreira numa política externa com parceiros comerciais que até hoje foram desprezados pela diplomacia de governos anteriores, especialmente os do PT, cujo critério na seleção de parcerias era estritamente ideológico. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, não erra quando diz que o Brasil sob o lulopetismo atrasou seu desenvolvimento durante o período em que o Itamaraty era comandado pelo petista Celso Amorim, que, sob orientação de Marco Aurélio Garcia, aproximou o Brasil de países terceiro-mundistas, preferencialmente de ditaduras de esquerda como a de Cuba, Venezuela e países africanos, ao invés de manter uma parceria lucrativa com os EUA, uma potência democrática próspera e de hábitos semelhantes aos nossos. Basta lembrar que a rede de lanchonete americana McDonald's teve seu recorde mundial de faturamento no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Franquias, em 2010. Nem por isso o chanceler sinalizou que deixará de manter negócios com a China, um país oficialmente ateu e de hábitos frontalmente diferentes aos do Brasil, um país de esmagadora maioria cristã. Quando o chanceler diz que "queremos vender soja e minério de ferro, sem vender nossa alma", se refere à manutenção de negócios com países de hábitos democráticos onde bons negócios e respeito a direitos humanos andam de mãos dadas. Negócios, sim, mas não a qualquer preço, a exemplo do rumoroso caso em que o ministro das Relações Exteriores de Lula Celso Amorim defendeu que o Brasil ampliasse as relações com a Guiné Equatorial, país acusado de graves violações de direitos humanos, argumentando que "negócios são negócios". Quanto ao anuncio de Jair Bolsonaro de trocar 15 embaixadores em razão de uma imagem negativa no exterior, é tarefa, sim, dos diplomatas melhorá-la, uma vez que desde sua ascensão ao poder o PT e seus satélites têm se empenhado em acusar Bolsonaro mundo afora de ser fascista e ditador, chegando a compará-lo com Hugo Chávez, este, sim, um ditador que destruiu seu país. Para um presidente que apenas em pouco mais de dois meses de gestão está cumprindo à risca o prometido em campanha, tendo montado um ministério sem os contumazes conchavos políticos, reduziu o número de pastas de 29 para 22 e já enviou para análise do Congresso a reforma da Previdência e o pacote anticrime, projetos fundamentais para a economia e para a desacreditada Justiça do País, além de acabar com a contribuição obrigatória a sindicatos, entre outros feitos, chegam a ser surpreendentes as acusações que ele vem sofrendo de todos os setores da mídia, que, ao que parece, já sentem saudades do lulodilmismo. 

Paulo R. Kherlakian

paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

Necessária mudança de rumo

Parece escapar a muitos que o Brasil tem uma diplomacia ativíssima. Dilma Rousseff, Jean Wyllys, Fernando Haddad e agora se junta a este time FHC, não nos esquecendo de Gleisi Hoffmann com sua presença de apoio na investidura de Nicolás Maduro, além de muitos artistas que viajam pelo mundo "vendendo" o Brasil que eles entendem existir. Com essa campanha, estes cidadãos mantêm um Brasil pobre e atrasado. Não adianta a gente pensar que temos ótima visão no mundo. Tive longa experiência em comércio exterior e sei que nunca foi nem é assim. Sempre tivemos de lutar fortemente para vencer em nome do Brasil. Diante deste quadro, é necessário que se mude a forma de administrar nossa diplomacia. Celso Amorim e Antonio Patriota fizeram um longo trabalho de aproximar o Brasil de países pobres e de afastar-nos dos países ricos. Nem de longe concordo com colocar ideologia e/ou religião associados à diplomacia, mas que o Brasil e seu povo precisam de uma completa mudança de rumos na diplomacia, isso é indiscutível.

Abel Cabral

abelcabral@uol.com.br

Campinas

Notícias

Notícias que merecem maior atenção: 1) governo extingue 21 mil cargos e funções de confiança no Poder Executivo Federal. "A extinção de cargos integra um pacote de medidas do ministro da Economia, Paulo Guedes, para dar mais eficiência à máquina pública e reduzir os gastos com a folha de pagamentos (...)". Atualmente, são cerca de 130 mil cargos comissionados no governo federal. 2) Por cargos e corte de R$ 3,5 bilhões em compras, presidente da Caixa diz que está sendo alvo de ataques. Líderes de partidos se queixam com Bolsonaro. Pergunto: o que políticos têm que ver com banco do Executivo? Os vícios não percebidos pela sociedade emergem

Harald Hellmuth

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

Redução do paquiderme

Parabéns ao presidente Jair Bolsonaro, pela extinção de 21 mil cargos de confiança. Continue assim. Verão que ainda muitos mais podem ser extintos, e os resultados serão a diminuição de gastos e o aumento da eficiência.

Oscar Seckler Müller

Oscarmuller2211@gmail.com

São Paulo

Remédio amargo

Está instalada a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da reforma da Previdência, com 12 opositores e com os deputados do centrão negociando cargos nos segundo e terceiro escalões e a liberação de grana para votar com os interesses do governo e da nação brasileira. A reforma da Previdência é do interesse de todos, sem exceções, mas a oposição precisa marcar posição e, portanto, vai dificultar a votação, apostando no "quanto pior, melhor", já que no próximo ano teremos eleições. É mais uma oportunidade para partidos como o PT, defenestrado pelo povo do poder e relegado ao ostracismo, ganharem novamente notoriedade. O Estado do bem estar social não cabe no mundo atual. A reforma da Previdência é um remédio amargo, caro e tem de ser compartilhado por todos.

José A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

Lobby da jogatina

Agora, sim, a desgraça deste país estará garantida. Pergunto-me sobre a motivação de alguns nobres congressistas que defendem a liberalização de algo tão prejudicial e funesto para as relações familiares. Imagino que tal posição deva estar fundamentada em algum estudo demonstrando haver uma sobra de dinheiro nas mãos do trabalhador brasileiro que poderia ser gasta com jogatina. Como disse o senhor José Serra ("Estado", 14/3, A2), o jogo vai disputar o dinheiro que seria gasto em alimento, roupa, remédios, etc.

Elie Barrak

egbarrak@gmail.com

Planalto Paulista 

'Educação à deriva'

Este editorial (14/3, A3) toca num dos mais graves problemas do País: a esmagadora maioria dos docentes de hoje, despreparados, doutrinados e temperados apenas com viés ideológicos, só consegue transmitir aquilo que aprendeu nas escolas, e isso já vem de duas gerações, no mínimo. Com esse tipo de "ensino", só pode "formar" jovens sem nenhum preparo para ser alguém produtivo, criativo e imprescindível para a sociedade como um todo. E o que estamos colhendo com esta grave falha no ensino que temos é a desagregação da família, a disseminação da confusão de todo tipo, tais como ódio, violência gratuita e incoerências de todo gênero. Lamentamos hoje o crescimento do analfabetismo funcional, mesmo no meio universitário: é comum um jovem formado em curso superior que não tem conhecimento necessário a partir do idioma, e isso traz consequência desastrosa e sinistra não só para ele mesmo, como para toda a sociedade. Aplaudo este grande jornal diário por esse importante editorial e espero, sinceramente, que venha a refletir diretamente nos órgãos competentes federais, estaduais e municipais, pois só com muita vontade política e pressão contínua da sociedade, e de longo prazo, este estado de coisas pode melhorar.

Tadashi Weno

tadashi.weno@gmail.com

São Paulo

Astrologia na educação

Uma de nossas maiores deficiências é a incapacidade das várias administrações públicas de melhorar os níveis da educação no Brasil. Agora encontramos a solução: entregamos o destino da educação a um astrólogo. Agora garantimos nosso atraso para as próximas décadas!

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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