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Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2019 | 03h00

CORRUPÇÃO

Que país é este?

À exceção do atual, todos os governadores vivos que foram eleitos para o cargo no Rio de Janeiro estão ou já estiveram presos, e sempre pelo mesmo motivo: olhos grandes na direção do dinheiro público e mãos leves para pegá-lo. E agora a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa fluminense deu posse a deputados presos. A que ponto chegamos! Por tudo isso é que esse importante Estado brasileiro está nessa situação de penúria.

CARLOS E. BARROS RODRIGUES

ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

Presos empossados

Inaceitável a decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de empossar cinco deputados que estão presos. Como não podem exercer o mandato, assumem os seus suplentes. Não é difícil entender por que o Rio está quebrado. Como é possível esse acinte? Que país é este? 

IZABEL AVALLONE

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

RODRIGO MAIA

Reforma ameaçada

É preocupante que o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), até há pouco um entusiasta esforçado na obtenção de votos para a reforma da Previdência, possa jogar a toalha. Sem negar a importância da reforma para o equilíbrio das contas públicas, Maia diz que a partir de agora cabe ao presidente e a seus ministros o trabalho da obtenção de votos na Casa. E que só vai pautar a votação em plenário quando Bolsonaro confirmar que tem os votos necessários para aprovação. Decisão que fez estragos, como alta do dólar e queda da bolsa. Esse imbróglio se deve ao fato de Maia estar aborrecido com as críticas de bolsonaristas, principalmente de Carlos Bolsonaro, nas redes sociais. O Planalto não pode prescindir do engajamento de Maia. Afinal, com exceção do ministro Paulo Guedes, o governo pouco tem feito em prol da reforma. Aliás, mais tem é atrapalhado... Urge que o presidente da República busque entendimento com a Câmara dos Deputados, porque, se a reforma da Previdência não for aprovada, o Brasil pode amargar uma crise econômica e social pior ainda do que essa que está aí! 

PAULO PANOSSIAN

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

Velha x nova política

Irritado com as críticas à sua atuação, acusado de ser da velha política, o deputado Rodrigo Maia faz ameaças. Ora, isso é muito fácil de resolver: é só mostrar em ações que é da nova política. Maia sabe, como todos nós sabemos, que só não o fará se estiver comprometido com a velha. Nem é preciso desenhar... 

SANDRA MATIA GONÇALVES

sandgon46@gmail.com

São Paulo

Desrespeito

Não é civilizado o presidente de um Poder extremamente importante num país democrático tratar de forma desrespeitosa um ministro de Estado que tem a admiração de toda a Nação e é respeitado internacionalmente por seu trabalho no Judiciário.

MARCO ANTÔNIO MARTIGNONI

mmartignoni@ig.com.br

São Paulo

EM SÃO PAULO

Museu do Ipiranga

O prédio construído no Ipiranga entre 1885 e 1890, antes estabelecimento de ensino, passou a museu em 1895. Fechado várias vezes nestes 123 anos, está mais uma vez assim desde 2013, para obras, com previsão de ficar pronto em 2022. Ou seja, construímos em cinco anos e vamos passar nove anos reformando... Várias foram as reformas, uma delas em 1972, pelos 150 anos da Independência. Naquele ano foi inaugurada uma fantástica apresentação noturna de luz e som, o equipamento enterrado nas alamedas do museu. As fontes luminosas eram extraordinárias de dia e de noite. Museu sempre cheio. É preciso devolver logo o museu para a nossa cultura, perdemos tempo demais.

JOSÉ LUIZ SANCHEZ

jl@msbsanchez.com.br

São Paulo

Transporte alternativo

A desorganização que estamos presenciando na cidade de São Paulo com relação aos modos de transporte alternativos só demonstra a falta de controle ou despreparo das autoridades. Sem o menor respeito ao bom senso, o ex-prefeito Fernando Haddad, com apoio de ativistas, achou que só pintando e colocando tachinhas no chão o problema de segurança dos ciclistas estava resolvido. Balela. O resultado é que cidadãos sem o menor preparo para pedalar correm desembestados pelas ciclovias, pondo em perigo todos os que nelas se encontram ou as cruzam, principalmente pedestres. Os aplicativos de entrega de comida contratam adolescentes que saem pedalando como loucos, fazendo todo tipo de piruetas, andando na contramão e sobre as calçadas, indiferentes a tudo à sua volta. São meninos trabalhadores, muito simples, que demonstram desconhecer regras básicas de civilidade, sem noção do perigo a que expõem a si e aos outros. Quem se responsabiliza por eles e quem pagará seu tratamento em caso de acidente? Quem se responsabilizará por possíveis outras vítimas? Certamente já houve muitos acidentes sem que tenham sido informados ou noticiados. Não bastasse, agora temos os patinetes elétricos aterrorizando calçadas, ciclovias e ruas. A maioria dos usuários é de jovens, muitos deles mal-educados, crentes de que são agentes da transformação da cidade, mas não têm consideração por ninguém. Basta sentar para tomar um café na Faria Lima para presenciar barbaridades, e outra vez se esconde da população a quantidade e gravidade dos acidentes. Passou da hora de se organizar isso tudo, pois sem regras, orientação e educação chegamos a um patamar muito perigoso.

MARIA TEREZA MURRAY

terezamurray@hotmail.com

São Paulo

Colcha de retalhos

São Paulo não será cidade linda, nem em 50 anos, se não tivermos um planejamento global de 20, 30 anos de recuperação continuada da deterioração em que nos encontramos. Individualizo, por exemplo, o asfaltamento de todas as vias públicas da nossa cidade. Urge um planejamento de recapeamento sério, não remendos em profusão, mas tecnicamente correto, de todas as vias, sem exceção. Temos de parar de recapear as vias de grande visibilidade como tapeação ao final de cada mandato dos srs. prefeitos. É preciso um compromisso sério com o povo paulistano, uma transferência honesta de bastão, uma continuidade de responsabilidades, um compromisso de longo prazo. É uma vergonha essa colcha de retalhos que se tornou o sistema viário da cidade. Não há uma única rua que não apresente grandes irregularidades de nível, buracos e remendos em profusão. 

MIGUEL GROSS

mgross509@gmail.com

São Paulo

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PRESOS, MAS EMPOSSADOS

A mesa diretora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), por unanimidade, deu posse a cinco deputados eleitos que estão presos. Simplesmente uma vergonha! Não importa se estão presos preventivamente, não deveriam ter sido empossados. A Alerj precisa ser passada a limpo. Aliás, não só a Alerj. Com a prisão preventiva do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco, vemos alguma mudança no País. Ainda há muito que fazer. A começar pelas mudanças na legislação feita sob medida para atender e proteger os parlamentares. O PMDB, em sua nota após as prisões do ex-presidente e do ex-ministro, fala em desrespeito ao contraditório, presunção de inocência, etc. Gostaria de saber se os presos nas hiperlotadas prisões, vivendo como animais (50 numa cela onde só cabem dez), tiveram esse direito.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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CADINHO

Numa atitude de afronta e mau exemplo à população, a mesa diretora da Alerj resolveu, por unanimidade, dar posse a cinco deputados presos após eleitos, decisão que resultou de acaloradas  considerações dos parlamentares, debruçados exclusivamente sobre o vergonhoso tema desde fevereiro, como se o Estado não tivesse graves problemas a resolver. O eleitor, frustrado e desalentado, se pergunta o que levou os políticos a este monstro parido de retóricas jurídicas secretas. Terá sido um arroubo de infame corporativismo ou medo de que os implicados revelem, caso não recebam algum tipo de compensação, o mecanismo através do qual funciona o cadinho onde são temperados os produtos suspeitos concebidos naquelas catacumbas da corrupção?

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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POLÍTICA CARIOCA

Depois de cinco ex-governadores do Rio de Janeiro presos, a Alerj não deixou por menos, diplomando seis presidiários como deputados... 

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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'ESCULHAMBAÇÃO GERAL'

Senhores, depois de ter, atualmente, cinco ex-governador presos e a Assembleia Legislativa ter dado posse a cinco deputados presos por corrupção, chega a ser uma maldade reclamarem da declaração do prefeito Marcelo Crivella, que disse: "O Rio de Janeiro está uma esculhambação geral!".

Marcelo Falsetti Cabral mfalsetti2002@yahoo.com.br

São Paulo

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ADMINISTRAÇÃO ESCULHAMBADA

Esculhambado é o comportamento desumano do prefeito Marcelo Crivella ao desorganizar a vida das pessoas com estes aumentos obscenos de IPTU. Minha vida entrará nos eixos e a cidade voltará a ser maravilhosa quando esta esculhambada administração deixar o poder. É deboche dizer que a esculhambação quer ser reeleita.

Marcelo de Lima Araújo marcelodelimaaraujo@yahoo.com.br

Rio de Janeiro

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TEMPOS ESTRANHOS

Desde 2005 vivemos tempos estranhos, quando da descoberta do mensalão, com a revelação de pagamentos de propinas para manutenção de uma "base aliada" no Congresso Nacional, que terminou resultando na condenação de ministros, deputados, dirigentes partidários, publicitários e banqueiros. Destes, somente os participantes das duas últimas atividades estão presos. Os demais, todos políticos, estão cumprindo penas em regimes domiciliar e aberto. Muito estranho. Rememorando até os dias atuais, uma conturbada sequência de eventos resultou na prisão de um ex-presidente da República, cinco ex-governadores de um mesmo Estado, ministros de Tribunais de Contas, deputados estaduais e vereadores, expondo-nos às entranhas de um fétido mundo político que nada tem de republicano. Nos últimos cinco meses, elegemos um presidente que se envaidece em visita à uma potência estrangeira e em homenagear um inócuo professor de Filosofia nas redes que rotineira e grosseiramente ataca nossas instituições, enquanto a Nação, parada, aguarda a esperada articulação política para aprovação de reformas estruturais fundamentais. Nos dias recentes, assistimos aos integrantes da Corte Constitucional importarem para sua atuação, muito aquém das origens do Direito romano, um espetáculo digno de gladiadores daquele império, e agora chamando também à arena o Congresso Nacional, instituição igualmente partícipe de disputas que nada têm de democráticas. Anteontem, um ex-presidente e um ex-governador também foram presos, espetacularizando cenas cujos objetivos sugerem disputa de Poderes, e não o acautelamento da ordem legal. Tempos estranhos.

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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LIMPEZA NO SUBMUNDO DO PODER

Os políticos estão assustados com a prisão de Michel Temer ou mais com a de Moreira Franco, que vem a ser sogro de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, que a todo custo tenta ser estrela, e não opaco satélite do Executivo? Moreira Franco, preso no meio da rua, qual reles punguista, é a chave para entender o nervosismo grosseiro do presidente da Câmara ao se referir ao ministro Sérgio Moro dias atrás. À sociedade interessa a limpeza da corrupção no submundo dos Três Poderes da República, que não será obtida com o Supremo Tribunal Federal (STF) travestido de investigador de polícia. 

José Maria Leal Paes myguep23@gmail.com

Belém

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A IRRITAÇÃO DE RODRIGO MAIA

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, está agastado com críticas que vem sofrendo nas redes sociais, as quais reputa serem incentivadas por Carlos Bolsonaro. Em busca de retaliação, começa a erguer obstáculos à reforma da Previdência e ao projeto anticrime do governo. Começou, no dia 19, fazendo desfeita aos militares, ao comentar a proposta de reforma da Previdência da categoria: "(...) o Brasil quebrou e eles estão querendo entrar nessa festa no finalzinho, quando já está amanhecendo, a música já está acabando e não tem ninguém para dançar". No dia seguinte, criticou Sérgio Moro e disse que seu projeto anticrime é um "cópia e cola" do projeto elaborado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Maia, insensível à severa e prolongada crise na economia, busca atingir Jair Bolsonaro, mesmo que o resultado possa fazer o País - num futuro próximo - sofrer um colapso semelhante ao vivido pela Venezuela. Só para registrar: em 2018, Rodrigo Maia, vulgo "Botafogo", foi eleito deputado federal com pouco mais de 74 mil votos; Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República com 57,7 milhões de votos.

Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

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SALTO ALTO

Ato lamentável foi a conduta do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que se insurgiu desrespeitosamente contra o ministro da Justiça, Sérgio Moro, ao desqualificar o pacote de segurança pública enviado ao Parlamento. O chilique de Maia ocorreu porque Moro solicitou que ao seu projeto fosse dado andamento simultâneo com o da reforma da Previdência. Mesmo que essa sugestão seja inviável, em razão de atrapalhar a mais esperada das reformas, Maia não precisaria ter sido grotesco, dizendo que o projeto de Moro é uma "copia e cola" do projeto desenvolvido pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. E mais: que Moro, como "funcionário" do governo, não poderia fazer essa solicitação direta, mas sim por meio do presidente Jair Bolsonaro, já que é quem deve dialogar com o presidente da Câmara. Lamentável! Parece não estarem fazendo bem a Rodrigo Maia os elogios que recebe pela sua atuação no Parlamento. Pelo jeito, anda de salto alto... Mas essa soberba na vida pública é um salto perfeito para a decadência.  

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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DESEDUCADO

Acho que o sr. Rodrigo Maia, deveria ter um pouco mais de educação com o ministro Sérgio Moro. Falar que ele é o presidente da Câmara e que Moro é "funcionário do presidente" é, no mínimo, um argumento de mau gosto. Todos ali, inclusive Maia, são funcionários do povo brasileiro, e o ministro só está querendo uma atenção especial ao seu projeto pois o povo não aguenta mais tantos crimes. Se o sr. Maia não tem pressa de que este projeto vá em frente, é porque deve ter o rabo preso com alguma coisa. O deputado deixe de ser idiota e pense no Brasil, e não só em si mesmo.

José Claudio Canato jccanato@yahoo.com.br

Porto Ferreira

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DISSIMULADO

Quem acredita em Rodrigo Maia esquece quem sempre foi sua "turma". Sérgio Moro e os brasileiros ainda vão se aborrecer mais vezes.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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QUADRILHÃO ENQUADRADO

R$ 1 milhão da Engevix, por conta da construção da usina nuclear de Angra 3, serviu de espoleta para denunciar o R$ 1,8 bilhão que o Quadrilhão de Michel Temer é acusado de desviar para seu bolso, ao longo de 40 anos de roubalheiras. O tiroteio de Rodrigo Maia com Sérgio Moro, que, sem avisar, foi dar uns tiros com a bancada da bala, também ecoou no Saloon Brasília.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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OBRA DE 'ARTE'

A foto da primeira página da edição de 22/3 do "Estado" assemelha-se a uma tela de Rembrandt, uma obra da "arte" investigada pela Lava Jato.

Luiz C. Bissoli lcbissoli46@gmail.com

São Paulo

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É O COMEÇO

Temer foi detido como primeiro passo para averiguar o "desvio" de R$ 1,8 bilhão dos cofres públicos, isto é, do dinheiro dedicado ao atendimento da população em educação, saúde, saneamento básico, segurança e infraestrutura em geral, setores em que há enorme carência em nosso país.

Quanta coisa necessária deixou de ser feita para que uma quadrilha de torpes malfeitores, disfarçados de políticos e outras excelências, se refestelasse no gozo do dinheiro público? Com ele, mais uma dúzia de seus amigos e auxiliares foi detida. Isso deve ser apenas o começo do fim da quadrilha. Ainda faltam Dilma e muitas outras figuras da execrável fauna política tupiniquim. Os rábulas que estão a vociferar contra a "barbaridade" da prisão de Temer vão conseguir polpudos honorários com a defesa desta corja de marginais que vêm dilapidando o erário e prejudicando as camadas mais necessitadas da população.

Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br

Campinas

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O ESCRITOR

O ex-presidente Michel Temer, escritor de livros jurídicos, agora poderá brindar seus leitores com estas novas obras: "Manual do Direito Penal escrito no xilindró", "Tratado de Direito Criminal à luz do sol que nasce quadrado" e - este um potencial best-seller entre os réus da Lava Jato - "Tudo o que um corrupto deve saber sobre a cadeia, mas tem medo de perguntar". Que Temer transforme o limão que ele recebeu do combativo juiz Marcelo Bretas em limonada, prolongando sua carreira literária.

Túllio Marco Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte 

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ABUSO DE AUTORIDADE

Analisando o pedido de prisão de Michel Temer, conclui-se que não há fundamento legal para a decretação. O próprio juiz Marcelo da Costa Bretas diz que a prisão foi necessária para a manutenção da ordem pública, para a garantia da instrução penal e para aplicação da lei penal, sem que nada de concreto tenha ocorrido para tal prisão. O ex-presidente tem endereço certo, não está fugindo do Brasil, não há nenhum fato criminoso novo apurado após a sua saída da Presidência da República. Que se apurem eventuais delitos antes de levá-lo para a cadeia.

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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A PRISÃO DE TEMER

Também penso como Eliene Cantanhêde ("Álcool na fogueira", 22/3, A6), que a prisão de Temer era uma questão de tempo e outros ex-presidentes poderão sofrer o mesmo procedimento. Mas ainda acho que a Operação Lava Jato está longe de ser derrubada pela turba de políticos que têm contas a ajustar com a Justiça. Não creio, porém, que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) vão solapar as atividades da Lava Jato para salvar aqueles que se apoderaram do dinheiro público para usufruírem de uma vida de nababos. Eu, se lá estivesse, não iria manchar a minha carreira e correr o risco de sofrer um impeachment para livrar malfeitores, pois essa é a definição destes larápios. Estes políticos causaram a morte de um número inimaginável de brasileiros esperando ser atendidos na longa fila de espera dos prontos-socorros e dos hospitais públicos do País, por falta da verba que eles desviaram. Também são responsáveis pelos péssimos atendimentos à população nas demais obrigações da administração pública, como a conservação de vias, de estradas, prevenção contra enchentes, etc.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

  

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NA LINHA DE TIRO

A prisão do ex-presidente Michel Temer causa grande impacto. Embora fosse algo até esperado, a medida tira o meio político da rotina. Até tradicionais adversários criticam ou são reticentes, alguns por convicção e outros por temerem ter o mesmo destino. O povo, na rua, especula outros nomes para possíveis prisões. A isso se soma a inconveniente contenda entre Ministério Público, Supremo Tribunal Federal (STF) e parlamentares que, como notáveis da República, deveriam resolver problemas em vez de divergir. Não era prender políticos a mudança que o povo esperava. O que se quer é o desaparelhamento do Estado, melhora na economia, empregos, saúde, educação e segurança. Os ilícitos conhecidos no âmbito da Operação Lava Jato e em outras apurações comprometem significativa parte da classe política. O governo do presidente Jair Bolsonaro nada pode fazer para mudar o quadro, que é anterior à sua eleição; e o Poder Judiciário, para cumprir sua missão, tem de apurar e agir. Por sua vez, os envolvidos, em busca de redução de pena, delatam seus parceiros (ou comparsas) e, a cada delação, mais políticos, executivos, corruptos e corruptores caem na vala comum. É algo impossível de prever até onde se estenderá. Espera-se que, pelo menos, disso tudo saia uma nova legislação de gastos eleitorais, mais compatível com a realidade. Do contrário, os políticos continuarão na linha de tiro e o País seguirá patinando.

Dirceu Cardoso Gonçalves  aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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POR AÍ

Não questiono a prisão de Michel Temer. Entretanto, considero que delinquentes de grosso calibre viajam à vontade, mas deviam estar atrás das grades. Exemplo: Dilma Rousseff.

José Sebastião de Paiva jpaiva1@terra.com.br

São Paulo

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JUSTA PUNIÇÃO

A prisão do ex-presidente da República e presidente licenciado do MDB representa justa punição aos políticos opositores ao regime militar que se deixaram seduzir pelo poder e por ele ser corrompido. Dos três partidos que governaram o País nos últimos 20 anos, falta apenas processar e julgar o ex-presidente FHC. 

  

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

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JUSTIÇA COMPLETA

Depois da prisão de Lula e de Temer, só falta Dilma, e a justiça será feita por completo. A cada dia nossa condição piora! Quando teremos o País que esperamos?

Laert Pinto Barbosa laert_barbosa@globo.com

São Paulo

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UMA BIOGRAFIA MANCHADA

A organização criminosa chefiada por Michel Temer dura cerca de 40 anos. Em 1981, Michel Temer filiou-se ao PMDB. Em 1983 foi convidado pelo governador Franco Montoro para ocupar a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, em 1986, deixa a procuradoria para concorrer ao cargo de deputado federal constituinte pelo PMDB. Elege-se e após o período da Constituinte é reconduzido ao cargo de deputado federal por cinco vezes. Em 1992 assumiu a Secretaria de Segurança Pública, no governo de Luiz Antônio. De volta à Câmara dos Deputados, ocupa a presidência da Casa por três vezes, em 1997, 1999 e 2009. Em 2010, Michel Temer foi eleito vice-presidente da República, na chapa de Dilma Rousseff. Em outubro de 2014, Dilma e Temer foram reeleitos para o segundo mandato, numa disputa acirrada. No dia 17 de abril de 2016, com 367 votos favoráveis e 137 contrários, a Câmara dos Deputados aprovou o relatório do impeachment e autorizou o Senado Federal a julgar a presidente por crime de responsabilidade. Iniciado no dia 11 de maio de 2016 e concluído na madrugada do dia 12 de maio, o Senado determinou o afastamento de Dilma, numa sessão que durou 22 horas, por 55 votos a favor e 22 contra. No dia 12 de maio de 2016, Michel Temer assumiu interinamente a Presidência do Brasil, tornando-se o 37.º mandatário da República, ainda sem receber a faixa presidencial, até que o Congresso realizasse o julgamento que afastaria definitivamente a presidente. No dia 31 de agosto de 2016, após a aprovação do impeachment da presidente Dilma, Michel Temer tomou posse como presidente da República, tornando-se o 14.º a assumir o cargo sem ter sido eleito diretamente pelo povo. A trajetória de Michel Temer poderia ser um orgulho em sua vida, mas Temer preferiu manchá-la praticando paralelamente a sua bela carreira de crimes de corrupção. "A organização criminosa comandada por Temer tinha constante e ativo direcionamento de esforços no sentido de monitorar, impedir (por meio de subtração de documentos) e confundir (pela produção de documentos) as investigações". A Lava Jato identificou um "sofisticado esquema criminoso para pagamento de propina na contratação das empresas Argeplan, AF Consult Ltd e Engevix para a execução do contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01, da usina nuclear de Angra 3". O Ministério Público Federal afirmou que a Argeplan, do coronel Lima, "participou do consórcio da AF Consult LTD, vencedor da licitação para a obra da Usina Nuclear de Angra 3, apenas para repassar valores a Michel Temer". Eis um resumo do imbróglio em que se meteu Michel Temer, e que culminou com sua prisão. Decididamente, este país é uma vergonha, pois há possibilidade de estar havendo lavagem de dinheiro e recebimento dos valores por Temer até hoje. Prisões foram necessárias para estancar pagamentos de propinas. Mas não vamos festejar, logo virão seus advogados de defesa negar os fatos e um habeas corpus lhe será dado antes de acabar o dia. 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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TROCO

A prisão do ex-presidente Michel Temer é o troco que a Operação Lava Jato dá ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela decisão de que a denúncia em tela deve  ser julgada pela dita Justiça comum, e não pela Justiça Eleitoral. Assim, a Operação Lava Jato tem a sua competência reconhecida em todos os casos conexos.

Antonio Brandileone abrandileone@uol.com.br

Assis

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DEPOIS DO CAOS

Parece que novos tempos chegaram após uma década e meia de cleptocracia petista, em que a impunidade reinou absoluta diante de uma sociedade estupefata sem que qualquer CPI ou investigações para apurar desvios milionários chegasse aos autores de quadrilhas organizadas que saquearam o País. A prisão de Michel Temer, o segundo ex-presidente da República preso num curto espaço de tempo - sendo Lula o #001 -, anuncia que o Brasil se divorciou do passado e a paciência dos brasileiros não tolera mais a impunidade como regra. Assegurados todos os direitos de defesa ao réu - praxe comum numa democracia -, Michel Temer terá uma boa oportunidade de provar sua inocência diante da ordem de prisão decretada contra si pelo juiz Marcelo Bretas, que o mantém no cárcere. Se houver fundamento para a prisão do vice de Dilma, é sinal de que Brasil está disposto a se repaginar norteando-se pelo princípio da moralidade. Para coroar com êxito a nova era que pune quem pratica crimes, só falta a ex-presidente Dilma seguir na mesma direção depois de afundar o País num caos, transformando seu vice após o impeachment num verdadeiro herói.

Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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DÁ PARA DESCER DO PALANQUE?

Jair Bolsonaro mostra que não entendeu: comporta-se como se a campanha eleitoral não tivesse terminado e não se dedica à Presidência da República. Vários de seus ministros parecem funcionar sem qualquer orientação - lembrem o vídeo do Hino Nacional cantado pelos alunos nas escolas Brasil afora, ideia absolutamente idiota do MEC -, mostrando que o presidente não existe, pois ainda está em campanha. Os dois ministros válidos devem estar profundamente desanimados por terem aceitado o convite, e a pesquisa do Ibope mostra que os brasileiros também estão ficando desanimados - e, infelizmente, com razão. 

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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PESQUISA IBOPE

Em pouco mais de dois meses do governo Bolsonaro, ainda com o motor amaciando, é absolutamente surpreendente e preocupante que o resultado da pesquisa do Ibope junto à população tenha revelado queda expressiva de nada menos do que 15 pontos porcentuais, de 49% para 34%, da avaliação "boa ou ótima", assim como o expressivo crescimento de 11% para 24% das considerações "ruim ou péssima". Como contra números não há argumentos, resta torcer para que o governo encontre seu norte, crie tração, mude a marcha e siga adiante para entregar tudo o que fora prometido na campanha. Se os números da próxima pesquisa não melhorarem o suficiente para dar ânimo, boa expectativa e perspectiva à população, o País estará diante de um grave problema de imagem ainda no início de sua longa e árdua jornada de quatro anos. Oremos.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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CRÉDITO

A imprensa, com raras exceções, tem enfatizado tudo o que possa desprestigiar o novo governo, apesar das medidas que se mostram acertadas. A queda, segundo o Ibope, de 15% nos índices de "ótimo e bom" tem sido apresentada com destaque e até mesmo satisfação. O nome Bolsonaro incomoda, visto que a tomada de decisões duras não é simpática, embora urgente. Assim também incomodava o nome de Michel Temer, que não passava de 6% nos índices de popularidade, embora tenha deixado um legado de  reformas que resultaram benéficas ao povo (mesmo tendo seu nome envolvido em malfeitos). Bolsonaro e sua equipe parecem seriamente preocupados com o desenvolvimento do País e o bem-estar das próximas gerações, que viram rebaixadas suas expectativas de futuro nos 13 anos de desgovernos petistas. Avaliações de institutos de pesquisas têm se mostrado amiúde distantes da realidade. Deixemos, portanto, o governo avançar, dando-lhe o devido crédito. Que o próprio povo julgue os resultados.

Edmea Ramos da Silva paulameia@terra.com.br

Santos

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DÉJÀ VU

Déjà vu é como classifico a matéria de meia página do "Estadão" de 21/3 (A6) com manchete "Ibope expõe desgaste de Bolsonaro". Fizeram até o favor de fazer um especial gráfico mostrando como é sua situação em três meses de governo, comparada com a de FHC, Lula e Dilma neste mesmo tempo. Ora, estamos fartos de saber que Ibope e esquerda são amigos fiéis, então comparar com estes três ex-presidentes é uma desonestidade flagrante. Sempre, inclusive à época, foram acarinhados por este instituto de pesquisa. O Ibope não pode nem deve ser levado a sério, pois se fosse por suas previsões Bolsonaro jamais estaria ocupando a cadeira de presidente. E ainda contando com uma mídia abafando os pontos positivos de uma gestão e realçando falhas... ora, é covardia. Gostem ou não, ele é o presidente de todos os brasileiros. Deus acima de todos. Brasil acima de tudo.

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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CONTAS

O Ibope e a imprensa têm credibilidade bastante discutível. Lembremo-nos das previsões pré-eleitorais de 2018. Agora, saíram-se com estas: avaliação do governo Bolsonaro, 68% bom e regular; ruim e péssimo, 24%; não sabem ou não responderam, 8%. Total: 100%. Ora, quem não sabe ou não respondeu ou é omisso ou incapaz. Manifestaram-se 68 + 24 = 92, logo, o resultado real é aproximadamente 70% bom e regular e 30% ruim e péssimo, queiram-no ou não os que divulgaram os dados com interpretações mal intencionadas.

Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br

Campinas

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ESGOTO SEM ÁGUA

No Dia da Água (22/3), vale lembrar que toda matéria orgânica, mesmo suja (lixo e esgoto), é matéria-prima: gera energia liberando gás na fermentação ou servindo diretamente de combustível; suas substâncias químicas podem ser recicladas (em vez de importar o caro adubo nitrogenado); seu bagaço pode servir de adubo orgânico, aquele que melhora a textura do solo, sua capacidade de reter água e nutrientes e de resistir à erosão. A própria fermentação (compostagem) se encarrega da esterilização. Espalha-se pelo mundo o movimento "Container based Sanitation Alliance", que une a economia de água ao reaproveitamento do esgoto: solução pragmática nos muitos países que não conseguem oferecer 100% de esgotamento sanitário, com menos doenças e solo mais fértil; tendência sofisticada nos nichos internacionais ecologicamente conscientes, como Califórnia e costa leste norte-americana; objeto de pesquisas científicas sobre sua segurança e utilidade. Não conheço nenhuma entidade no Brasil que pratique e divulgue esses métodos e imagino o tamanho do preconceito a vencer, mas, sendo o Haiti um dos pioneiros nessa área através da ONG Soil (divulgada pela National Geographic Society), por certo os militares brasileiros que lá trabalharam devem ter algo a dizer. 

Silvia C. R. de Vasconcellos, bióloga e ambientalista phisiamed@gmail.com

Jundiaí

 

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