Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

As redes e a realidade

Fogem ao racional e adentram o temerário os eventos que têm marcado, até o presente, o jovem governo Bolsonaro. É cada vez mais preocupante a insistência do presidente em governar pelas redes sociais, resistindo à interlocução política presencial, própria da governança democrática. Está constatado que essa opção de comunicação representa um terreno pantanoso, onde é impossível identificar terra firme, por seu conteúdo incontrolável, ilimitado e, portanto, imune ao necessário controle de garantias constitucionais mínimas à governança da Nação. Por essas razões, países do mundo inteiro discutem formas de controlar seus efeitos imponderáveis. As redes podem contribuir para a eleição de candidatos, porque inseridas num processo temporal que acaba na manifestação presencial nas urnas. No entanto, por sua natureza operacional difusa e conflituosa, querer usar essa forma de comunicação como ferramenta de governança é um equívoco de consequências temerárias, conforme a realidade factual tem mostrado, aqui e no mundo. Assim, o presidente deve desligar-se da campanha eleitoral e começar efetivamente a governar com as ferramentas institucionais disponíveis, ou propor mudanças constitucionais de representatividade. Os brasileiros, exaustos por seguidas sujeições às experiências administrativas e econômicas fragorosamente fracassadas, aguardam ansiosamente propostas que de fato tornem viáveis tempos melhores. 

HONYLDO R. PEREIRA PINTO

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

Ordem e comando

O comando e a ordem das coisas são fundamentais para que as tarefas assumidas saiam a contento. Tentar resolver tudo simultaneamente leva a perder tempo e dinheiro, além de causar discussões dissonantes sobre os diversos assuntos postos à mesa para resolver. O fim não pode ser outro: muitos pitacos e resultados inúteis. No caso do governo atual, reformas são necessárias, mas a prioridade número um a ser trabalhada é a reforma da Previdência: sem o trilhão de reais projetados pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o Brasil quebra. Portanto, se o presidente Jair Bolsonaro não trabalhar com afinco e voz de comando para organizar essa desordem, a olhos vistos, os primeiros a sentirem os efeitos da “bagunça”, em futuro bem próximo, são os atuais aposentados e pensionistas. Nossos filhos e netos nem sequer se aposentarão. Com uma ressalva: os filhos e netos do proletariado. Os descendentes dos nossos legisladores dormirão tranquilos, sem sobressaltos, pois os polpudos salários de seus papais lhes garantirão um futuro de abundância. Portanto, que o presidente Bolsonaro, homem de fibra e honesto, ocupante hoje da cabeceira da mesa, com o nosso apoio, não deixe que paguemos o preço de mais essa pesada conta. 

SÉRGIO DAFRÉ

sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

Educação e patriotismo

Maus costumes ainda prevalecem na maioria dos colaboradores dos governos. O que é do interesse do País é visto em segundo plano. Começa pelo foro privilegiado, que poderia ser reduzido em 95%, com eficiência e sem abusos de autoridade. A corrupção foi generalizada pelas facilidades concedidas, basta lembrar o mensalão da Câmara, o petrolão... A barganha dos políticos para aprovar as reformas indispensáveis é outra vergonha, porque isso é do interesse do Brasil. Estamos precisando de uma intensa campanha de educação e de patriotismo para combater os atrasos deixados pelos governos anteriores.

FRANCISCO NAVAS FILHO

francisconavas@uol.com.br

São Paulo

PRISÃO DE TEMER

Arbitrariedade

Não votei em Michel Temer, vice de Dilma Rousseff, porque não sou petista. Se ele for julgado e condenado, que cumpra a sua pena. Mas não concordo com a forma absurda, humilhante e publicamente desrespeitosa como Temer foi preso, com policiais armados com metralhadoras. Lembram-se da prisão do Lula? Condenado em todas as instâncias, ficou “hospedado” no sindicato dos metalúrgicos, fez discursos (coitadinho, injustiçado), arrumaram até uma missa por dona Marisa. Mais tarde foi levado, com todo o aparato e respeito, para a prisão. Todos têm de fato os mesmos direitos? Ou a balança da Justiça está pendendo para um lado só?

CLEIDE C. CIPULLO

j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto

Ditadura da caneta

Em que pesem os argumentos apresentados, o despacho do juiz Marcelo Bretas carece de fundamento fático. A prisão de Michel Temer se torna, assim, inconstitucional, uma completa banalização do instituto da prisão preventiva e um abuso do sistema de Justiça, já que não se estabeleceram indícios concretos de que o acusado estivesse ocultando ou destruindo provas. Apenas suposições. E suposição não cabe no ordenamento jurídico. Não nos compete aqui julgar o mérito das acusações. Se o ex-presidente cometeu algum de crime, deve ser rigorosamente punido, como todos os que infringem a lei. Mas dentro dos trâmites legais e necessários de um processo em que acusação e defesa têm pesos idênticos e se respeita, sobretudo, o direito ao contraditório. Agir de forma precipitada, saltando etapas do trâmite exigido, é violar o sistema jurídico. Não podemos compactuar com prisões incompatíveis com os preceitos jurídicos, os trâmites legais. Agir em contrário é impor ao País o descrédito dos valores constitucionais, a ditadura da caneta.

ADEMAR GOMES, presidente do Conselho da Associação dos Advogados Criminalistas de SP

ademargome@admargomesadvogados.com.br

São Paulo

Direitos ameaçados

A Operação Lava Jato vem sendo destruída por seus operadores. A pretexto de combater a corrupção, estão combatendo o Estado de Direito. Começo a achar que algo precisa mudar nos concursos para ingresso no Ministério Público e na magistratura. O saber jurídico deve ser sopesado com o equilíbrio psicológico que integrantes dessas carreiras devem ter. Ultimamente, discrição, sobriedade e equilíbrio, condições essenciais ao exercício de tão importantes funções, têm sido substituídas por exacerbado autoritarismo e tresloucado exibicionismo. A brutalidade de que se revestiu a prisão do ex-presidente Michel Temer foi uma combinação de excesso policial – agentes com metralhadoras e uniformes camuflados – com o desejo do juiz que emitiu o mandado de prisão de desafiar o STF. Os Conselhos Superiores do Ministério Público e da Magistratura têm a obrigação de tomar providências para conter a sanha punitiva, emocional, de alguns de seus integrantes. O Estado de Direito está sob grave ameaça.

JOSÉ ED. BANDEIRA DE MELLO

josedumello@gmail.com

Itu

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“Os congressistas querem impor a velha política do ‘toma lá da cá’ e, no limite, tentar o achaque”

OTTFRIED KELBERT / CAPÃO BONITO, SOBRE AS DIFICULDADES CRIADAS PARA APROVAR AS REFORMAS QUE A SITUAÇÃO CRÍTICA DO PAÍS EXIGE

okelbert@outlook.com

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“O Centrão ameaçando recusar cargos? Isso, sim, seria algo novo na velha política!”

MARIA ÍSIS MEIRELLES MONTEIRO DE BARROS / SANTA RITA DO PASSA QUATRO, IDEM 

misismb@hotmail.com

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“Seleção tico-tico”

  

DELPINO VERISSIMO DA COSTA / SÃO PAULO, SOBRE O JOGO AMISTOSO BRASIL 1 X 1 PANAMÁ

dcverissimo@gmail.com

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GOVERNAR É PRECISO

O sentimento que permeia grande parte da população brasileira, por certo, deve ser o da intranquilidade. A sociedade fez a sua escolha ao eleger o presidente Jair Bolsonaro, por acreditar naquele momento que seria essa a opção redentora dos crônicos problemas nacionais. Talvez possa ter se enganado, talvez não. Entretanto, os sinais erráticos transmitidos em cada tilintar dos dedos no botão de envio de mensagens por redes sociais pela família Bolsonaro são categóricos em demonstrar que o Brasil não caminha bem. É notória a total e proposital falta de sintonia entre o Executivo federal e o Poder Legislativo. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi taxativo ao afirmar que o governo federal é um “deserto”, uma vez que, segundo ele, não existe projeto de governança para o País. Evidencia-se, portanto, ainda que subliminarmente, ser muito séria essa afirmação, pois de duas uma: ou o sr. Rodrigo Maia age para pressionar o presidente a adotar a “velha política do toma lá, dá cá” ou age para desconstruir a Presidência da República e, quiçá, assim, alcançar outras pretensões políticas. O fato é que o País se vê às voltas com uma quantidade relevante de deputados e senadores totalmente descompromissados com a Nação. A expectativa de que este “novo” Congresso Nacional atue em sintonia com os interesses do povo se esvai a cada dia, demonstrando, para frustração geral, que a dita renovação é uma falácia. A esperança de que a eleição do sr. Bolsonaro esteja a assegurar mudanças profundas na forma de governar o Brasil também dá sinais de derretimento, considerando que a taxa de desemprego em relação ao PIB continua altíssima (12%) e o crescimento econômico não demonstra estar ocorrendo. A grande imprensa nacional a todo o momento se vê às voltas com o dever de noticiar a guerra surda que está sendo travada no âmbito do Poder Judiciário e que, indiscutivelmente causa enorme preocupação aos brasileiros de bem. A reforma da Previdência se tornou um martírio, o projeto de segurança pública, idem, a política externa é inconsistente, o plano educacional não consegue sequer ser estruturado e a política de saúde continua a inexistir. Inconteste, assim, que os desafios do Estado brasileiro são muitos e, nada obstante, agravados a cada frase externada pelos governantes e parentes destes, que conseguem, minuto a minuto, torná-los mais difíceis de serem superados. Portanto, logo mais teremos completados cem dias de um (des)governo que insiste em continuar no palanque eleitoral, olvidando-se de que a rampa do Palácio do Planalto já foi percorrida para cima, mas que poderá ser percorrida para baixo a permanecer esta política nefasta de subestimar os anseios do povo brasileiro, a exemplo do ocorrido com o último governo petista, de triste memória nacional. Que tempos são estes em que somos instados a ter de conviver com dois ex-presidentes da República presos e com o atual completamente em descompasso com a realidade de um país vítima de incontáveis mazelas? Governar é preciso, redes sociais não é preciso.

Cláudio Marcio Abdul-Hak Antelo Claudio@ahantelo.com.br

São Paulo

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ENQUADRADO

O presidente Jair Bolsonaro levou um puxão de orelha de Rodrigo Maia, que disse que Bolsonaro deveria se preocupar menos com o Twitter e mais com o comando político da reforma da Previdência. Situação no mínimo constrangedora para um presidente da República, que deveria levar mais a sério sua função e fazer aquilo que dele se espera, parando com estas mensagens sem pé nem cabeça.

Paulo de Tarso Abrão ptabrao@uol.com.br

São Paulo

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A REFORMA NO CONGRESSO

A reclamação dos parlamentares da falta de diálogo com o governo para aprovação da reforma da Previdência nada mais é do que o “(...) dá cá”!

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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QUE TIPO DE DEPUTADOS ELEGEMOS?

Rodrigo Maia vem sendo tratado pela imprensa como o rei da cocada. A todo instante lemos posts referentes à reforma da Previdência e ao seu papel. O presidente da Câmara, ao invés de vestir o manto de rei, perde tempo com picuinhas e fica com mimimi, feito menino mimado que não pode ser contrariado. Que raio de deputados elegemos que precisam ser convencidos das reformas das quais o Brasil precisa? Do lado de cá está muito clara essa necessidade. E por que tanto vai e vem? Elegemos bonecos, ventríloquos, covardes ou palhaços que se deixam levar pelo “quanto pior, melhor”?  

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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ATORES E PERSONAGENS

O deputado Rodrigo Maia parece não ter gostado do tom do ministro Sérgio Moro e revidou chamando-o de “funcionário” de Jair Bolsonaro. O ser humano, em sua complexidade, tem dois comportamentos: o pessoal e o social. No pessoal ele é o ator e no social é o personagem. Rodrigo Maia tem um comportamento pessoal diferente do presidente da Câmara. Idem para Moro, como ministro da Justiça. A dificuldade surge quando não se sabe com quem se está interagindo. Por isso, seria conveniente adotar sinais visíveis, como uma peruca ou uma toga, quando se está representando um papel oficial. Os militares chamam “à paisana” quando podem ser tratados sem continência. Um distintivo, por exemplo, ajudaria. No caso acima, parece que Moro cobrou o “presidente da Câmara” e recebeu uma resposta de Maia, que ofendeu o “ministro da Justiça”. Guerras acontecem por isso. Agora Maia, enfezado, diz que não vai articular a defesa da reforma da Previdência. Baixem as armas, por favor, que o Brasil tem pressa!

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo

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FALTA DE EDUCAÇÃO

As manifestações e atitudes de certos políticos e até de ministros da mais alta Corte do Brasil que vemos estampadas diariamente na imprensa, em especial neste nosso respeitado “Estadão”, nos deixam perplexos. Vejamos a atitude grosseira e desrespeitosa do professor Olavo de Carvalho ao chamar nosso vice-presidente da República de “idiota” e, ainda, ser prestigiado pelo presidente Jair Bolsonaro a sentar-se à mesa de jantar ao seu lado direito em Washington, sem nenhum constrangimento. Também as “largadas” do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes ofendendo todos os que não o enaltecem, proferindo, amiúde, palavras jocosas, ofensivas e de baixo calão. Este comportamento canhestro e contínuo deste ministro em nada enobrece aquela alta Corte, muito pelo contrário, leva ao descrédito público. Trabalho austero e profícuo faz vem à saúde e ao espírito, ministro Gilmar. Neste embalo de falta de civilidade, sociabilidade, educação e respeito entra, também, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, querendo espezinhar o ilustre ministro da Justiça ao classificá-lo de “funcionário” do presidente e, com isso, diminuir a pessoa e a importante função daquele ministro. Aliás, nesse mister, é de lembrar que funcionário, mesmo, e do povo, é o senhor Rodrigo Maia. Isso também nada o deslustra, como quis na ofensa e humilhação dirigida ao dr. Sérgio Moro. Pura arrogância do presidente da Câmara, que nos faz lembrar o dizer no “Evangelho”: “Quem se humilha será enaltecido e quem se enaltece será humilhado”. Senhor deputado Rodrigo Maia, mais trabalho, espírito de brasilidade e respeito às pessoas são o que seu cargo lhe impõe, pelo menos enquanto desfrutar desta função de presidente de Casa Legislativa. O Brasil espera e cobra de “Vossência” e de outras autoridades o respeito ao povo que os sustenta.

Ubiratan de Oliveira Uboss20@yhaoo.com.br

São Paulo

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MAIS DIFÍCIL

Bolsonaro, o povo autoriza o “toma lá, dá cá” com a corja, a conta virá depois. Difícil será aprovar o pacote anticrime pelos criminosos e a velha e suja política.

João Luiz Piccioni piccionijl@gmail.com

São Paulo

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FIM DE FESTA? SÓ PARA ALGUNS

“‘Militares chegaram no finalzinho da festa’, diz Maia sobre pedido de reajuste” (“Estado”, 19/3). É graças aos soldados, e não aos políticos, que podemos votar (Barack Obama), mesmo que alguns parlamentares sejam capazes de fazer afirmações estúpidas contra os militares. A propósito, embora tudo indique que o Brasil está em ritmo de “fim de festa”, castas privilegiadas como o Legislativo, o Judiciário e o Ministério Público continuarão com a orgia – vide as remunerações e penduricalhos de seus membros.  

Milton Córdova Júnior milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)

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PRIVILÉGIOS MILITARES

Não é preciso muita celeuma em torno da discussão da aposentadoria dos militares em relação à dos civis. Se Bolsonaro acha que não há privilégios para os militares, ele que permita aos civis se aposentarem com as mesmas obrigações e as mesmas garantias dos militares. Por exemplo, ninguém mais teria FGTS e precisaria estar sempre à disposição, mas haveria garantia de aposentadoria com salário integral e reajustes iguais aos cargos correspondentes na ativa; o prazo de trabalho seria de 35 anos para todos, independentemente de idade; e a contribuição seria proporcional aos salários e todas as outras obrigações e todos os direitos seriam iguais. Topa, presidente?

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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A RECEITA ANTES

Erraram as Forças Armadas ao propor uma reestruturação da carreira antes de assegurar uma fonte de recursos permanentes. O Congresso Nacional poderia examinar, por exemplo, o direito de exploração da Floresta Amazônica pelos militares, porque são os únicos que têm capacidade de controlar este território e são os representantes da Nação brasileira. Atividades como a utilização da biodiversidade para síntese farmacológica, plantação de cacau biológico na floresta, ecoturismo e monopólio do jogo podem ser fonte de recursos permanentes para as Forças Armadas e para a União. O Brasil pode assumir uma liderança no pós-Maduro, atrelando o real ao bolívar, num primeiro tempo, antes de uma flutuação livre para esta moeda, o que pouparia desorganização e sofrimento suplementar à sua população e crédito à importação garantidos pelos países amigos, a fim de remediar a escassez de produtos essenciais.

Charles Grimaldi Rebetez rrebetez@bol.com.br

São Paulo

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O BRASIL DO FUTURO

No futuro o Brasil vai olhar para o que está acontecendo e terá dificuldade de acreditar: o presidente da República é chefe de uma quadrilha criminosa especializada em roubar dinheiro público; os partidos políticos recebem bilhões a título de fundo partidário; os políticos se aposentam cedo, sem contribuir com nada. Um dia o Brasil vai olhar para este lixo todo que aí está e será difícil de acreditar que fomos tão atrasados, será algo como a escravidão, teremos dificuldade de acreditar que realmente houve um tempo em que as pessoas eram escravas, compradas e vendidas, apanhavam no meio da rua, eram mortas, tudo dentro da lei. Espero que este dia não esteja muito longe.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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BATALHA DE TITÃS

Vergonhoso que a prática da corrupção tenha chegado ao ponto de ser comandada pelos mais altos mandatários do País. Pessoas em quem o cidadão deposita seu voto e confiança de que desenvolva atividades em seu benefício. A certeza da impunidade, a avareza, o desdém a quem os elege explicam a prática da corrupção mesmo sob a ameaça de investigação policial. Não somos ingênuos de não entender que há toda uma economia paralela vivendo do malfeito. Pelos valores desviados e vantagens auferidas, verifica-se que são pessoas poderosas e com influência nas decisões do País. Sim, nesse sentido, a reforma da Previdência está ameaçada, pois depende de votos de pessoas comprometidas com o ilícito. Tumultuar será uma opção provável. O fato é que quem se expuser estará escancarando suas posições indecorosas. Valerá a pena o risco de pôr a perder o butim bilionário? Estamos vendo ser travada uma luta de titãs. Como em toda batalha, ganhará quem tiver a melhor estratégia e combatentes mais bem preparados.

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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SERÁ UMA MALDIÇÃO?

Em apenas três anos, cinco ex-governadores do Rio de Janeiro foram presos: Anthony Garotinho; sua mulher, Rosinha Garotinho; Sérgio Cabral; Luis Fernando Pezão; e, agora, Moreira Franco. Na Presidência da República tivemos dois impeachments, de Fernando Collor de Mello e de Dilma Rousseff, e dois ex-presidentes presos, Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer. Seria isso uma maldição?

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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CORRUPÇÃO

Agora, o ex-presidente Michel Temer e o ex-ministro e ex-governador Moreira Franco foram denunciados por corrupção. Numa rápida análise: de onde sai tanto dinheiro para a corrupção? Sai do nosso bolso. Do cidadão de bem, do trabalhador, do empresário honesto, do contribuinte digno, na forma de impostos e mais impostos, além dos superfaturamentos de obras, que são pagos com nossos impostos. Dinheiro que deveria ser aplicado na saúde, já que hospitais públicos estão com seus pacientes deitados no chão; e na educação, porque as escolas estão mal conservadas e não conseguem ensinar seus alunos porque há mais de 40 alunos por sala, além de correrem o risco de serem baleadas nas suas dependências. E quanto à segurança pública? Recolhem-se cadáveres das ruas todos os dias. Saneamento básico? Moradia? Os corruptos também consumiram tudo. Se realmente houvesse uma luta contra a corrupção, os alimentos seriam mais baratos, a energia, os combustíveis idem, os transporte não teriam valor europeu, teríamos transporte ferroviário para baratear os custos de logística no País; os juros bancários seriam menores. Mas o povo brasileiro ainda não descobriu que a mudança só depende de nós, porque político não luta contra isso.

Antonio Carlos Nogueira anogueira56@yahoo.com

São Paulo

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DITOS POPULARES

Segundo um dito popular, “não há bem que sempre dure nem mal que não tenha fim”. A Operação Lava Jato está promovendo no Brasil uma ação jamais registrada na história do País, colocando atrás das grades figurões até então intocáveis, todos roubando descaradamente os cofres públicos e isentos de qualquer punição. Como paladinos do roubo e da corrupção, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou por votação apertada (6 a 5) que julgamentos de crimes de caixa 2 estariam sob a responsabilidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), numa sentença de pré-morte do Lava Jato. Num contra-ataque rápido e certeiro, os higienizadores da sujeira que tomava conta da política mandaram a Polícia Federal pôr para o lado de dentro das grades o ex-presidente Michel Teme, o ex-ministro Moreira Franco e outras figuras menos carimbadas. Para quem não acredita em “corpo fechado”, aqui vai uma pergunta: por que até agora a ex-presidente Dilma Rousseff está em liberdade privilegiada?

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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COMO UM TUFÃO

A prisão de Michel Temer passou por Brasília como um tufão a levantar poeira de todo lado. A grita foi unânime, tanto dos advogados do detido como dos políticos em geral, que, pode-se dizer, se sentem também ameaçados, pois no universo político brasileiro não existem exatamente “anjos”. Tasso Jereissati, do PSDB, afirmou que este clima de caça às bruxas não passa de um espetáculo para as redes sociais (sempre as redes sociais...), quando na verdade foi um espetáculo de justiça que repercutiu nas grandes mídias do mundo inteiro. Ponto para o Brasil! Petistas chegaram a cobrar provas e fatos consistentes para a prisão de Temer, como se não existissem, tudo para justificar a alegada impropriedade da prisão de Lula. Há quem alegue que a prisão em pleno trânsito de São Paulo foi para criar impacto visual, uma exibição do ex-presidente como troféu – todos preocupados em preservar a imagem (sic) de um político que, segundo se soube, atuou criminosamente por 40 anos, chegando a desviar quase R$ 2 bilhões do erário. Esta grita me faz lembrar o silêncio absoluto ocorrido durante a prisão de Eliana Tranchesi, socialite dona da Daslu, acusada de sonegação fiscal em 2009. A prisão era justa, mas foi organizado todo um aparato “bélico” da Polícia Federal, às 6 horas da manhã, na casa desta senhora, incluindo cenas tomadas de cima por um helicóptero de uma grande emissora de TV (como ela foi convocada previamente para tal ato?). Eliana Tranchesi foi levada algemada e presa no camburão. Ninguém protestou contra o exagero da ação e contra o espetáculo midiático. Ninguém! Quero lembrar que estávamos vivendo em pleno clima do “nós contra eles” e de “abaixo a ‘zelite’ de olhos azuis”, e este espetáculo era uma satisfação dada a um público determinado. O que aconteceu na quinta-feira passada foi uma prisão justa e também um recado enviado à classe política brasileira: ninguém tem costas quentes mais neste país. Bolsonaro bem disse: “Cada um responda pelos seus atos”.

Mara Montezuma Assaf  montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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A PRISÃO DE MICHEL TEMER

A procuradora da República declarou que a atividade criminosa de Michel Temer com o coronel Lima existe há 40 anos. Pergunto: onde estava a Procuradoria da República em todos esses anos? Ao longo deste período, tudo foi uma ação entre amigos, enquanto os contribuintes eram escorchados para contribuir para a riqueza dos participantes da corporação?

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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ESTUPEFAÇÃO

Com efeito, o que causa espécie e estupefação diante da prisão do ex-presidente Michel Temer, alvo de inacreditáveis dez inquéritos até agora, que investigam seu envolvimento direto com crimes de formação de cartel, pagamento de propina e desvio de recursos no valor de R$ 1,8 bilhão (!), entre outros malfeitos de igual gravidade, é a acusação de que o ex-presidente lidera uma organização criminosa há nada menos que 40 longos anos. Acredite se quiser!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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40 ANOS

Michel Temer, o retrato fiel de uma moral e costumes políticos que vêm desde o Brasil imperial!

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo

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REFUNDAR A REPÚBLICA

Como conceber presidentes, governadores, prefeitos, deputados, vereadores e líderes de partidos presos, sem que haja uma reavaliação isenta do atual sistema eleitoral, dos privilégios absurdos a eles concedidos, dos seus projetos abandonados, do superfaturamento, do acinte de bens incompatíveis com a renda, das relações fáceis e espúrias com o empresariado e da incompreensível perpetuação no poder por mais de 40 anos sem qualquer benefício para o País?

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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O STF E A PRISÃO EM 2.ª INSTÂNCIA

Em duas semanas o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará, novamente, o tema sobre a prisão após condenação em segunda instância. É sabido que ministros daquela Corte entendem que a prisão só pode acontecer após condenação em terceira instância. Ansiosas, as pessoas de bem torcem para que o recurso do “demiurgo de Garanhuns”, Lula da Silva, seja julgado antes do próximo dia 11. Ora, se confirmada a condenação, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli ficarão impedidos de soltar o presidiário. Que o STF cumpra sua promessa e “salve” o País, antes de 11 de abril. Para a frente, Brasil!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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APOIO CONDICIONAL

Li na “Coluna do Estadão” de 20/3 que o Supremo Tribunal Federal não recua da disposição de combater as fake news contra aquela Corte e seus integrantes e, de quebra, busca respaldo popular para conduzir a bom termo tal intento. Desde já, ofereço meu singelo apoio a esta legítima diligência dos guardiões da Constituição brasileira. Em contrapartida, porém, este cristão gostaria que ficassem bem explicitadas para o brasileiro pagador de impostos algumas incômodas true news, como o vaguear airoso de José Dirceu e Aécio Neves, a manutenção dos direitos políticos de Dilma Rousseff, o custo de meio bilhão da Suprema Corte, os 2.450 funcionários (o que implica mais de 200 para cada juiz), inclusos 51 garçons e copeiros e outras escabrosidades que vêm a lume dia após dia.

Joaquim Quitino Filho jqf@terra.com.br

Pirassununga

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PARA REFLEXÃO DOS MINISTROS

O STF, na pessoa do ministro Dias Toffoli, mandou que o ministro Alexandre de Moraes abrisse inquérito contra fake news e ameaças aos integrantes daquela instituição. Será que alguns integrantes dessa Corte não deveriam rever suas posturas, que são inadequadas para o cargo que exercem? Seus julgamentos têm sido extremamente políticos, e não mais baseados na Constituição de 1988. Parem e reflitam: por que será que a sociedade brasileira posicionou-se contra o STF nos últimos tempos? Constatamos que esta atual composição de ministros não faz jus ao artigo 102 da Constituição (“compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição”), porque os senhores vivem rasgando-a. Não falo de todos, mas de alguns de seus integrantes, que não têm equilíbrio emocional e, faltando-lhes, sobretudo, educação, chegam ao cúmulo de ofender integrantes do Ministério Público e até colegas do STF.

Agnes Eckermann agneseck@gmail.com

Porto Feliz

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APLICAR O DIREITO ÀS REDES SOCIAIS

A lei concede aos juízes poder de polícia nas respectivas audiências; autoridade a exercer para coibir excessos entre as partes, ameaças ou investidas, passíveis de ocorrerem, inclusive contra os magistrados. Desde que o mundo judiciário passou a existir. Ameaças no interior do Supremo, segundo seu regimento, legitimam reações de índole policial. Na quebra do espaço físico dos dias atuais, a interpretação deve ser ampliada, para alcançar ameaças feitas pelas redes sociais. Por outro lado, o presidente Dias Toffoli não precisaria “distribuir” o inquérito a um dos ministros, porquanto de processo e competência não se trata. Noticia-se que o número dos heróis da internet já foi reduzido. Tomara procedimentos estatais do gênero fossem adotados em relação a todos os crimes que são praticados pela rede mundial de comunicações.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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SEMIDEUSES

Acordei em 21/3 com o noticiário dando destaque à operação da Polícia Federal de sigilosa busca e apreensão em domicílios de supostos “barnabés” divulgadores de fake news (será?) sobre os intocáveis ministros supremos & família, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do coercitivo inquérito baixado de ofício recentemente pelo imperador... ops, presidente Dias Toffoli. Impressionante como a nossa Corte Suprema se torna lépida e expedita para interesses de seus semideuses e para a libertação geral de condenados amigos de patrimônio elevado. O que está sendo arquitetado no submundo dos gabinetes para a plenária de abril próximo, visando à libertação (toc, toc, toc) dos amigos bandidos condenados em segunda instância?

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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O ESCORPIÃO

Dr. Gilmar Mendes, pelo que estou percebendo nos movimentos sociais, a população inteira do Brasil está criticando V.S.ª e seus digníssimos colegas de Supremo. Ora, como o sr. resolveu prender quem lhe critica, concluo que terás de prender 209 milhões de pessoas. Porém, a exemplo do que acontece na fábula do escorpião e do sapo, o seu instinto lhe fará soltar todos no dia seguinte. Fico, aqui, imaginando o trabalho que dará para emitir 209 milhões de mandados de prisão e, depois, mais 209 milhões de alvarás de soltura. É muito trabalho, o sr. não vai aguentar tanto tempo fora de Portugal.

Celso Vicente Fiorini cvfiorini@gmail.com

São Paulo

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FAKE STF

Que “fake” que nada, assistir às sessões do STF pela TV Câmara é mais divertido que aqueles vídeos das campanhas eleitorais. Este é o meu “jus sperniandus”, data vênia, é claro. 

Jatiacy Francisco da Silva jatiacy@hotmail.com

Guarulhos

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A GENI DA NAÇÃO

Nunca vi em minha já longeva idade um Supremo tão desmoralizada quanto este atual. Quando, há alguns anos, se pensaria em atingir as decisões ou honra de tão nobres juízes? Hoje, tornaram-se a verdadeira Geni da Nação. E aí eles saem correndo atrás de potenciais ofensores. Senhores, entre os bem informados, boa parte assina embaixo de algumas ofensas.

Éden A. Santos edensantos@uol.com.br

Barueri

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RESPEITO

Entre tapas e beijos o STF vai fazendo justiça e injustiça, enquanto os brasileiros esperam que a sua maior Corte seja aperfeiçoada, para ser detentora do respeito nacional.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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A ÁGUA DA AMAZÔNIA

Mais uma vez o “Estadão” aborda os danos que vêm sendo causados na Amazônia pelo desmatamento (22/3, A22). E o fez no dia de grande ebulição na política nacional. Na oportunidade, abordou a preocupante perda, por ano, de 350 km² de superfície de água daquela floresta nos últimos 33 anos, ou seja, 11.550 km², que correspondem a mais da metade do Estado de Sergipe. Informa a reportagem que os dados foram revelados a partir da análise de um programa dos satélites de observação da Terra. E, de acordo com os pesquisadores, “uma série de fatores combinados pode estar contribuindo para essa situação, como as mudanças climáticas, a própria perda da vegetação, a construção de hidrelétricas e o avanço da agricultura nas cabeceiras de bacias, além de outras alterações na paisagem produzidas pelo homem”. Este estudo revelou mais uma vez que não se podem realizar obras e outras ocupações na Amazônia sem os devidos estudos sobre as consequências que poderão ocorrer. A Amazônia é um ecossistema de tal dimensão que influencia o clima não só no Brasil, como no próprio planeta. E, em vista do aquecimento global – em que só não acreditam os que têm interesses econômicos vultosos ou os que seguem teorias que não deveriam sequer existir em plena época das grandes explorações espaciais –a situação é preocupante, ainda mais pelo fato de o governo Bolsonaro ter como meta a exploração daquela região, inclusive para a mineração. Como aprendemos com Mariana e Brumadinho, essa atividade representa um enorme perigo para o meio ambiente. Também projeta o governo pelo menos uma nova hidrelétrica naquela região, o que irá altera sobremaneira aquele ecossistema. Com o nosso imenso potencial de energia fotovoltaica, seria importante o governo fazer um estudo de custo/benefício para avaliar a construção de hidrelétricas na Amazônia, em relação à implantação em grande escala da energia fotovoltaica. Afinal de contas, a rede nacional de energia elétrica já está toda interligada, com exceção do Estado de Roraima, cuja ligação já está sendo projetada.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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CUIDADO COM A VIDA

A notícia da perda anual de 350 km² de superfície de água na Amazônia vai ao encontro do artigo de Flávio Tavares na mesma edição do jornal, “Em nome de Deus” (22/3, A2), sinalizando a importância do sínodo organizado pelos bispos católicos da Amazônia, em que se vai discutir a sobrevivência do mais importante bioma da Terra. São os “cuidados com a casa comum”, com o nosso planeta. Enfim, com a vida.

Francisco Eduardo Britto britto@znnalinha.com.br

São Paulo

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PERIGOS NA CICLOVIA

Cresce rapidamente o número de ciclistas que preferem pedalar no meio do trânsito para não pedalar nas ciclovias em São Paulo. A razão é fácil de entender: nas ciclovias é muito mais perigoso, tanto por causa de um grande número de ciclistas (?) que não fazem ideia do que seja civilidade quanto pela possibilidade de assalto, cada dia mais frequente. Fosse o interesse real de Fernando Haddad socializar a bicicleta, teria educado os ciclistas, o que não aconteceu. Assim como rede de esgoto, educação para o trânsito não dá voto, ao contrário de vistosas ciclovias e ciclo-faixas pintadas de vermelho. O resultado está aí, liberou geral, cada um faz o que bem entender com seus próprios direitos, mas ninguém faz ideia do que seja dever de mobilidade cidadã. Há alguns dias, um amigo meu parado no sinal com sua bicicleta teve o braço quebrado por um ciclista desembestado numa bicicleta sem freio. Mal pediu desculpas e se arrancou. Correm muitas histórias como a dele, com nome, sobrenome e local conhecidos, que não são notificadas e ou noticiadas. Poderia ficar pior, e ficou. Nem Haddad poderia imaginar a chegada completamente anárquica dos patinetes elétricos. Ser pedestre próximo de ciclovia já era um perigo, agora, com estes patinetes, é um terror em qualquer canto ou recanto imaginável. Para completar as novas mobilidades, também temos os ciclistas entregadores por aplicativos. Que saudades! Antigamente os ciclistas se matavam dentro da ciclovia. Agora, “sai da frente! A mobilidade progressista sou eu!” A baderna é geral. Ninguém mais está a salvo. Mas a vida dá voltas. O interessante é que até ciclistas mais radicais estão descobrindo que motorista é menos perigoso que ciclista.

Arturo Condomi Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

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