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Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Os cem dias 

Em grande parte do mundo é praxe conceder os cem primeiros dias a um governo empossado para só depois tecer comentários. Vejamos, então: em menos de 90 dias o presidente da República já entregou a reforma previdenciária, aceitando fazer ajustes após discussão no Congresso Nacional. Entregou, também, ao mesmo Congresso, um plano que endurece as punições para os criminosos que dizimam o povo brasileiro de uma forma ou outra. Promoveu a concessão de portos e aeroportos com excelente ágio. Extinguiu milhares de cargos comissionados do Executivo federal, obviamente inúteis, com significativa economia para os cofres públicos. Salvou o bolso dos trabalhadores espoliados pela contribuição sindical obrigatória. Recente notícia dá conta da maior criação de empregos formais no mês de fevereiro nos últimos cinco anos. A bolsa de valores chegou a bater recordes e o dólar caiu. Por outro lado, temos um Congresso em que boa parte de seus integrantes quer cargos, muitos cargos – para plantar suas mudinhas de laranjeiras? –, caso contrário não aprova nada, e ainda conta com um presidente da Câmara dado a chiliques. Para completar, imensa parte da imprensa planta notinhas aqui e ali, feito comadres fofoqueiras que não sossegam enquanto não virem a vizinhança pegando fogo, e já dá o governo como acabado ou faltando pouco para isso, sempre jogando todos contra todos – ops, isso me faz lembrar de alguém... Isso toma um tempo precioso do presidente, que deveria estar trabalhando, e não se defendendo de tudo e todos. Quem tem razão? Aquele que sabe que essa guerra não vai acabar bem para ninguém.

MARCIA MEIRELLES

marciambm@yahoo.com.br

São Paulo 

Aquém das expectativas

Estamos nos aproximando dos primeiros cem dias do novo governo, marca pouco significativa para quem tem 1.460 dias para governar. No entanto, a sensação de um início muito aquém das expectativas almejadas para este governo é, no mínimo, preocupante e, por ora, frustrante. Diariamente, o que se vê é um desencontro total de condutas que só nos leva à perplexidade. A quantidade de desmentidos, as idas e vindas nas atitudes de ministros e a falta de um comando rápido e determinante levam a essa sensação. Os casos dos ministros do Turismo e da Educação são esclarecedores disso. Mas nada, a meu ver, é tão marcante como o tratamento dado ao item mais importante e prioritário do governo: a reforma previdenciária. Não sei se é nova ou velha política, mas entrar em choque com o presidente da Câmara, de quem depende o andamento deste processo, é no mínimo imaturidade. Sabe-se, por exemplo, que nem no PSL, partido do presidente, há consenso para a aprovação da reforma. Sei que é difícil de governar um país tão carente de soluções e de políticas moralizadoras e construtivas, mas ainda temos mais de 1.300 dias pela frente. Há esperança.

PAULO HENRIQUE ANDRADE

phandrade1950@gmail.com

São Paulo

‘Procura-se um presidente’

O trecho final do editorial Procura-se um presidente (26/3, A3) – “a deliberada desorganização política do governo, causada por um presidente cada vez mais desinteressado de suas tarefas políticas e institucionais, tem o potencial de agravar a crise, levando-a a patamares muito perigosos – e talvez seja isso mesmo o que muita gente quer” – parece emblemático, mas não é. A torcida contra este governo existe e não é pequena. Só que é preciso ficar claro para esta gente que um eventual impedimento de Jair Bolsonaro alçaria automaticamente o general Hamilton Mourão à Presidência, coroando o militarismo deste governo, para deleite de uns e desespero de outros. Mas a questão principal não é essa, já que o vice-presidente tem mostrado qualidades de estadista melhores do que se esperava. As consequências de mais um impeachment não seriam imprevisíveis. Ao contrário, seriam previsivelmente desastrosas. Portanto, se o presidente tuitar menos, deixar de lado ideologismos e pequenices, usar da sua autoridade paterna para impedir seus filhos de proferirem asneiras e atuar ativamente para aprovar as reformas, a nação brasileira – bem maior, acima de tudo e de todos – agradecerá imensamente.

LUCIANO HARARY

lharary@hotmail.com

São Paulo

REFORMAS

Brasil em maus lençóis

A propósito das anunciadas “audiências públicas” em que se espera que sejam sabatinados hoje no Congresso integrantes do primeiro escalão do Executivo, chamou-me a atenção (25/3, A6) a vontade manifestada pelo deputado federal João Campos, filho do finado líder pernambucano Eduardo Campos e filiado ao PSB-PE, de “pedir mais explicações” ao ministro Paulo Guedes sobre “onde e como serão aplicados” os recursos com a economia prevista na Previdência de R$ 1 trilhão em dez anos. Salvo engano, por ser quem é, o deputado deveria estar “careca de saber” que nossas contas estão arruinadas, com a União apresentando déficits primários recorrentes (mais de R$ 100 bilhões), os quais, somados aos juros da dívida (não pagos), importam em rombo próximo de meio trilhão de reais/ano (déficit nominal). Isso para não falarmos de Estados e municípios operando sabidamente no vermelho, com governadores e prefeitos de pires na mão. Em semelhante contexto, e dada a clara perspectiva de calote se tal “sangria” não for corajosamente contida, chama a atenção que um deputado federal integrante de conceituado clã político trabalhe com a perspectiva de que a economia preconizada com a reforma da Previdência deva servir para algum tipo de “aplicação”. Se for esse o tipo de cegueira vigente no Parlamento, o Brasil está em maus lençóis!

SILVIO NATAL

silvionatal49@gmail.com

São Paulo

Interrupção de pagamento

O ministro da Economia advertiu que a não aprovação da reforma da Previdência pode ocasionar a interrupção do pagamento dos vencimentos do funcionalismo federal. Encareço ao ministro que, de maneira diversa do ocorrido no Estado do Rio de Janeiro, os servidores do Legislativo e do Judiciário também arquem com o sacrifício, incluindo os parlamentares e os juízes.

MARCO ANTONIO ESTEVES BALBI

mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro

Executivo x Legislativo

Deputados federais falam em diálogo com o Executivo, mas não dizem exatamente o que querem conversar. A começar pelo presidente da Câmara, eles deveriam pôr todo o seu empenho na aprovação do que é bom para o Brasil. O povo quer menos Estado. O povo quer excelência em segurança, saúde, educação e distribuição de renda honesta. Todo o resto o povo faz pelo Brasil.

MARCOS RIBEIRO JACOB

marcosrjacob@hotmail.com

São Paulo

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APREENSÃO EM MINAS GERAIS

Mais uma vez a empresa Vale comparece no noticiário, desta vez ameaçando a população de mais uma cidade de Minas Gerais, Barão de Cocais ("Sob risco de barragem romper, Barão de Cocais entra em estado de vigília", 25/3, A15). A notícia é de que a Defesa Civil prepara plano de salvamento na cidade, pois que a barragem da Vale da Mina Congo Soco já atingiu o nível 3 de risco, que indica iminência de ruptura. A reportagem do "Estado" também relata que em fevereiro 500 pessoas já foram retiradas de casa, pois na ocasião aquela barragem havia atingido o nível 2 de risco. Ora, parece-me que, de lá para cá, a empresa não tomou nenhuma providência para evitar que o nível 3 fosse atingido. Não podemos nos esquecer de que, quando a empresa começou a explorar aquela mina, a cidade já existia, e a Vale tinha por obrigação não alterar a geografia do local a ponto de colocar em risco a sua população. Se o pior acontecer, 9 mil pessoas em 3 mil residências terão uma hora e dez minutos para serem retiradas de lá. O que não se explicita é que, se tal acontecer, essas pessoas terão sua vida totalmente alterada. Não serão engolidas pela lama fétida da barragem, como aconteceu com os moradores de Mariana e de Brumadinho, mas ficarão sem sua casa e sem a maior parte dos seus pertences, além de um futuro incerto pela frente. Já vimos essa situação não só com os moradores de Mariana, mas com todos os moradores ao longo dos 853 km do Rio Doce, além de considerável área do Oceano Atlântico onde o rio deságua, uma vez que sua lama mortal atingiu até o Arquipélago de Abrolhos, no sul do litoral do Estado da Bahia, prejudicando os corais ali existentes. E mesmo depois deste monstruoso desastre provocado pela subsidiária da Vale, Samarco, tivemos de chorar as centenas de vidas em Brumadinho, além da destruição de grande número de casas e terras produtivas naquela região. E ainda estamos na expectativa de que a lama de Brumadinho que escoa pelo Rio Paraopeba não atinja o Rio São Francisco, com consequências imprevisíveis. Nossas autoridades precisam parar esta empresa. Chega de brincar com a vida de milhares brasileiros, por ganância.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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BARBARIDADE

A Vale educa as vítimas em potencial de morrerem enterradas vivas por suas barragens, como aconteceu com os 305 mortos de Brumadinho, como se fosse rotina! A empresa, a "joia" do Brasil, continua treinando os 3.600 habitantes de Barão de Cocais (MG) a correr para não morrer, quando a barragem da Vale desmoronar e o tsunami de lama destruir a cidade. A realidade no Brasil supera a mais delirante ficção. Acreditem, esta nota não é fake news nem roteiro de filme de desastre de Hollywood. Brasil, um país de todas as barbaridades!

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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SOCORRO A ESTADOS E MUNICÍPIOS

"União dividirá com cidades e Estados R$ 17 bi do pré-sal" ("Estado", 25/3). Essa receita extraordinária cabe ao Tesouro Nacional. Deve ser destinada aos investimentos que faltam e que gerariam emprego, renda e impostos, alavancando a economia. Um socorro a Estados e municípios que infringiram a Lei de Responsabilidade Fiscal deve, primeiro, ser precedido de processos administrativos e condenações dos responsáveis, e, segundo, ser de caráter excepcional. Tudo deve ser explicado aos eleitores e contribuintes.

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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PRISÃO E SOLTURA

Um juiz federal e um desembargador (ambos apoiam a Lava Jato) julgaram diametralmente a solicitação da promotoria da prisão preventiva do ex-presidente Michel Temer e de outras oito pessoas. Tais acontecimentos, recorrentes no Brasil, criam a impressão de que as decisões judicias dependem do juiz. E mais: dependem do "status" do réu, pois os presos foram soltos após quatro dias, enquanto 236 mil pessoas estão cumprindo prisão preventiva no Brasil. Ou seja, somente os brasileiros pobres são iguais perante a lei!

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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OPERAÇÃO DESCONTAMINAÇÃO

Desembargador que chama propina de "gorjeta" manda soltar ex-presidente Michel Temer. Alguém surpreso?

Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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JUSTIÇA MONOCRÁTICA

Antonio Ivan Athié, desembargador do Tribunal Federal do Rio de Janeiro, não resistiu à ansiedade e resolveu soltar todo mundo na segunda-feira mesmo.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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QUE SIGA O PROCESSO

A prisão do ex-presidente Temer por determinação de um juiz e sua posterior liberação por um outro magistrado mostram um quadro preocupante. O caso merece algumas observações: as acusações apontam para irregularidades que vêm sendo cometidas há vários anos, e agora, depois do fim de seu mandato na Presidência da República, Temer é detido sem um julgamento. Fica a impressão de conflito num Poder fundamental para nossa democracia. Que o processo tenha uma tramitação sem protelações.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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CIRCO

Na quinta-feira (21/3), por decisão do juiz federal Marcelo Bretas, o ex-presidente da República Michel Temer (MDB), sob forte escolta policial, foi conduzido à prisão. Ontem, 25/3, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2) Antonio Ivan Athié revogou a prisão preventiva do ex-presidente. Sem querer entrar no mérito de se Michel Temer deveria ter sido preso ou não, o que vem ocorrendo no Brasil é um verdadeiro circo: fazem um barulho estarrecedor para prender e, passados dois ou três dias, aquele que foi preso sob forte aparato policial, com armamento pesado, já está solto.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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FRUSTRAÇÃO

Imaginem a frustração de Lula com a soltura de Temer.

Laert Pinto Barbosa laert_barbosa@globo.com

São Paulo

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AONDE A VACA VAI...

Se Temer conseguiu sair, agora a defesa de Lula vai espernear...

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz 

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A DEFESA DO PT

O PT está defendendo o ex-presidente Michel Temer? Mas espera aí. Ele não era o golpista? Não deu o golpe na ex-presidente Dilma? Como é isso?

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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O EXEMPLO VEM DE CIMA

O "Estado" ("O Estado de Direito agredido", 23/3, A3) faz crítica precisa sobre o abuso de poder cometido por magistrados que, amiúde, têm decretado prisões preventivas desprovidas dos requisitos legais. O jornal enfatiza que atos dessa natureza afrontam as garantias e liberdades asseguradas pela Constituição. E classifica esses atos de arbítrio judicial como "grave usurpação do poder estatal para fins alheios à ordem jurídica". Irretocável a análise do jornal. Em adendo - é bom lembrar - os magistrados de instâncias inferiores vêm agindo a exemplo de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que com frequência têm decidido para atender a seus desejos pessoais em detrimento da letra da lei. Marco Aurélio Mello, no minuto final do ano judiciário, em 2018, mandou libertar todos os presos após condenação em segunda instância, porque, segundo ele, o julgamento definitivo sobre o tema estava pendente há meses. Dias Toffoli tirou da cadeia seus amigos, os ex-ministros José Dirceu e Paulo Bernardo, com habeas corpus de ofício e supressão de instâncias. Decretos de prisão ou de libertação de presos - não importa a direção - desprovidos de requisitos legais são atentatórios à ordem democrática. Emanados de integrantes da Alta Corte, tidos como detentores de notável saber jurídico e cuja missão precípua é a guarda da Constituição, transformam-se em fundamento para decisões arbitrárias pelas instâncias inferiores.

Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

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RUPTURA COM O PASSADO

A prisão de um ex-presidente sempre será um episódio lamentável. No curto prazo, provoca instabilidade institucional e prejudica a imagem internacional do País. No entanto, parece inevitável que teremos de passar por essas ocorrências. Elas fazem parte de um processo de depuração da cultura política vigente. Depuração necessária e de muito maior importância, em seus benefícios no longo prazo, do que os riscos envolvidos. Os políticos investigados ou punidos pela Justiça são, em sua maioria, figuras representativas de uma cultura política vergonhosa na qual, com frequência, a atividade pública virou carreira profissional e uma plataforma para o enriquecimento ilícito. Este quadro evoluiu para uma situação em que a prática de atos lesivos ao interesse público se tornou usual, trazendo enormes prejuízos ao País. E a histórica leniência da Justiça com os poderosos forjou esta cultura da impunidade que libertou os políticos para os desvios de conduta. A Operação Lava Jato escancarou a existência deste ambiente apodrecido e a Justiça agora precisa ir fundo na investigação e comprovação dos fatos e na punição dos envolvidos. O que está em jogo é uma ruptura com o passado. O País precisa urgentemente encontrar uma solução democrática e justa para esta aberração cultural. Não podemos fazer de conta que o problema não existe ou ficar travados em filigranas jurídicas.

Manoel Loyola e Silva magusfe@onda.com.br

Curitiba

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JUSTIÇAS FEDERAL E ELEITORAL

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, vai enviar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedido para que os juízes federais passem a ter atribuição de juízes eleitorais, com a finalidade de que os processos dessas matérias continuem no âmbito federal. Assim devem agir as democracias, exercendo, dentro dos limites da legalidade, as ações institucionais nas atribuições dadas mutuamente, uns aos outros, pelos Poderes da República. E, se uma maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entende que as ações de corrupção atreladas a questões de caixa 2 devam ser julgadas pela Justiça Eleitoral, por que não? E se a Procuradoria-Geral da República e a própria Justiça Eleitoral entenderem que melhores serviços à sociedade prestarão caso os juízes federais tenham atribuições e competências para julgamento de questões eleitorais, por que não? A sociedade brasileira entende e agradece o verdadeiro empenho, de todos, para que tenhamos, todos, o melhor que os Poderes da República podem nos dar.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro 

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ERA CAIXA 2

Os advogados do ex-presidente (atual presidiário) Lula vão entrar com pedido para que seu julgamento seja transferido para a Justiça Eleitoral. Provavelmente, vai alegar que o triplex é, sim, dele (seria caixa 2) e que não queria declará-lo para não manchar sua imagem, de homem rico, perante seu eleitorado. E viva o Supremo, a suprema vergonha!

Wilson Lino wiolino@yahoo.com.br

São Paulo

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UNIÃO INSTÁVEL

Começo de governo, a presidência da Câmara dos Deputados em jogo, o clima de harmonia reinava entre Rodrigo Maia e o presidente Jair Bolsonaro. Uma perfeita lua de mel. Bolsonaro precisava de alguém com tarimba para "tocar" a reforma da Previdência e Rodrigo Maia precisava do apoio presidencial para se reeleger. E, como diz a expressão "uma mão lava a outra", acertaram os ponteios e foram felizes por longos dois meses. Como nos dias de hoje é tão comum, o casal se separa. Bastou um tuite atribuído aos Bolsonaros para estremecer o bom relacionamento. Rodrigo ficou nervoso, destratou o ministro da Justiça, Sérgio Moro, classificou o governo como "um deserto de ideias" e acusou o presidente de fazer corpo mole e de falta de diálogo com líderes parlamentares. Só se salvou o ministro da Economia, Paulo Guedes - que vive numa "ilha", segundo o raivoso briguento -, da saraivada de ataques. Mas os ânimos parecem arrefecidos. Bolsonaro minimizou o caso como se fosse uma briguinha entre namorados, Rodrigo Maia, mais calmo, mas ainda reticente, parece aceitar um novo convívio. Ainda bem que não houve o divórcio, pois na partilha dos "bônus e ônus", sem dúvidas, herdaríamos a pior parte.  

Sérgio Dafré sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

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OS TRAPALHÕES 

Examinando as crises destes três primeiros meses de governo federal, chego à conclusão de que todas foram criadas pelos filhos trapalhões de Bolsonaro. Será que eles não perceberam que os 60% que elegeram o pai não foram seus dedinhos confusos, mas uma grande parcela da população de antipetismo e antipolíticos tradicionais? Ou será que não perceberam que o outro poste, o da esquerda, teve 40% de votos composto de anti-Bolsonaro, pró-corruptos e favorecidos da máquina política? Está na hora de pararem de tuitar e de não atrapalhar os bons ministros que foram escolhidos com dedos mais inteligentes. 

Jose Rubens de Macedo Soares joserubensms@gmail.com

São Paulo

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NÃO DECOLAR

Paulo Guedes e generais alertam Jair Bolsonaro de que o governo corre risco de desandar. Expressão mais adequada seria o de "não decolar", pois não há como desandar aquele que jamais andou. O avião presidencial taxia, remedeia, muda de pistas, os operadores não raro trocam farpas pontiagudas; o povo brasileiro fez a opção eleitoral a imaginar que esse avião, que permaneceu nas pistas também nos governos anteriores, decolaria de imediato, se pilotado por um salvador da Pátria, ou o navio singraria os mares, deixaria as amarras do porto com um novo capitão. Mais uma vez a democracia é o menos pior, mas sua conquista simplesmente por meio de votos ocasionais não é a ferramenta de criação do melhor regime político. 

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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'PROCURA-SE UM PRESIDENTE'

Sobre o editorial "Procura-se um presidente" ("Estado", 26/3, A3), o presidente Jair Bolsonaro está sentindo na carne que ser presidente é bem diferente de ser um deputado polêmico do baixo clero considerado ora excêntrico, ora equivocado.

Maria Isso Meirelles Monteiro de Barros misismb@hotmail.com

Santa Rita do Passa Quatro

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À PROCURA

Muito bom o editorial "Procura-se um presidente". Quando for encontrado, que não leve os filhos, pois "poderiam" causar muita confusão. 

Emerson Luiz Cury  emersoncury@gmail.com

Itu

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NEGOCIAR É PRECISO

Tem razão Jair Bolsonaro ao afirmar que "alguns não querem largar a velha política", em resposta às críticas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sobre a necessidade de participação mais ativa do próprio presidente da República nas articulações parlamentares para a aprovação da reforma da Previdência. Aliás, Bolsonaro foi eleito, entre outros motivos, com base na premissa de abandonar a famigerada politicagem do "toma lá, dá cá". Entretanto, é ingenuidade acreditar, apesar do Congresso substancialmente renovado, que tal política simplesmente desaparecerá da noite para o dia. Serão necessárias, sim, negociações para aprovar a reforma, mas isso não significa "toma lá, dá cá". O próprio ministro Paulo Guedes indicou recentemente a concessão de bônus aos parlamentares novatos, a serem usados para a conclusão de obras e para ações e serviços em saúde e educação. Politicagem rasteira é uma coisa, negociações republicanas e morais são outra. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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'NOVA POLÍTICA'

O que vem a ser a "nova política", afinal? Talvez possamos dizer que ela acontece sempre que um governante se proponha a trabalhar com afinco para solucionar os problemas que fazem o povo sofrer; que seja capaz de esquecer-se de si mesmo para se dedicar de corpo e alma a melhorar o País, cultivando a harmonia entre os poderes, imbuído de valores éticos e morais que possam nortear uma sociedade; que aja com sensatez, respeito e tolerância ao contraditório; que busque a união ao invés da divisão e que assuma as responsabilidades que lhe são devidas. Então, podemos falar em "nova política". Porque, no fim das contas, "novo", mesmo, é tudo aquilo que renova nossas esperanças, nos traz o sentimento de pertinência a uma nova realidade revigorante que nos permita sonhar e acreditar num futuro melhor. Mas para isso é preciso uma liderança de peso, um estadista. Tal qualificação, contudo, não é para qualquer um, e sim para aqueles que são tomados pelo genuíno amor à Pátria e que governam pelo povo e para o povo para valer. O bom governo é sempre renovador, porque realimenta e transmite o ideal de que todos juntos somos capazes de construir uma grande nação, que não está acima de todos, mas pertence a todos. E Deus? Ele, em sua infinita sabedoria, com certeza, dispensa o uso de seu nome em vão! Agora, a responsabilidade é de cada um, sobretudo daqueles que foram escolhidos para nos governar.

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas 

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MINUDÊNCIAS

Parlamentares lamentam a falta de afagos do governo federal e aguardam concessões em troca de apoio para a aprovação da reforma da Previdência. Ainda não perceberam que o desatamento do nó górdio das aposentadorias extrapola as minudências políticas e constitui, na verdade, uma emergência que, se não executada com brevidade, tornará superlativa a crise econômica que atormenta a sociedade e afetará as gerações futuras, com desdobramentos na integridade do tecido social. É mandatório, portanto, que os políticos deixem de lado, provavelmente pela primeira vez, questões particulares, promotoras de votos e garantidoras da eternização no poder, pensem em seus descendentes e na estabilidade do País e tenham em mente que células cancerosas matam o organismo, mas elas próprias também morrem.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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CHANCE PERDIDA

O Congresso Nacional está perdendo a chance de se redimir perante a sociedade brasileira apoiando os projetos do Executivo imprescindíveis ao reequilíbrio da Nação e a retomada do pleno emprego. Segue fazendo questão de ser reconhecido como um antro de políticos sequiosos de poder e do "quem dá mais".

Manoel Braga mbraga1951@gmail.com

Matão

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TUMULTUANDO

Onde estão os políticos estadistas? Os que estão aí continuam a tumultuar. Assim não dá!

Milton Bulach mbulach@gmail.com

Campinas

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É PEDIR MUITO?

Será que seria demais pedir a "todos" os políticos, de todos os níveis, independentemente de partidos, que se dediquem a "trabalhar" para o bem do País? Será que seria possível que as excelências de "todos" os Poderes possam deixar de tanto "mimimi" e respeitar aquilo que lhes pagamos com tanto sacrifício? Será que dá para "tuitar" menos bobagens e se dedicar ao que é importante para o povo, e não aos interesses próprios?

Aparecida Dileide Gaziolla aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul 

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NÃO HÁ O QUE NEGOCIAR

Depois de experimentar o gostinho da mudança prometida, com ministros escolhidos sem barganha, o eleitor vê, com um misto de indignação e descrença, os movimentos pela negociação dos projetos da reforma da Previdência e da lei anticrime no Congresso Nacional. Fala-se abertamente em ouvir parlamentares para a nomeação de dirigentes federais nos Estados, na liberação de emendas parlamentares e em outras coisas não republicanas. Há que compreender que as reformas são patrimônio do Estado, não pertencem aos poderes, partidos nem aos políticos. Dessa forma, são inegociáveis. Precisamos virar a página porque o modelo implantado a partir de 1985 já se exauriu, deu problemas e o povo, pelas eleições, optou por novos rumos. Quando envia um projeto, o Executivo já o estudou e fez o melhor segundo sua ótica. Cabe ao parlamentar fazer a sua parte e, se for o caso, aperfeiçoá-lo. Negociação, segundo o que vigorou nas últimas décadas, sugere negociata, e não pode acontecer. A Nação espera uma relação mais séria, honesta e altiva entre Executivo e Legislativo, tanto na esfera federal quanto na estadual e na municipal. Sem isso, nada mudará.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

                                                                                                     

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NO CONGRESSO

O apoio aos militares que viram na reforma da Previdência no governo de um dos seus uma excelente oportunidade de reformular a carreira e aumentar salários e a irônica e despreocupada resposta dada ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que cobrou do governo Bolsonaro mais empenho, são episódios negativos para a aprovação da reforma. A anunciada nova forma de fazer política pode não incluir o "toma lá, dá cá", é bom, mas só poderá ser aprovada no Congresso, e o apoio popular ajuda muito.

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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RESPONSABILIDADE DEMOCRÁTICA

É bom não esquecer que entre o presidente despreparado e o Congresso venal está o pior, o eleitor que os colocou lá...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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MOVIMENTO BOLSONARISTA

Será que o presidente da República tem uma intenção não revelada de, em nome de combater o que ele chama de "velha política", levar a um ponto de inviabilidade sua relação com o Congresso que pretensamente justificaria a instalação de um novo regime militar no País? Resta saber se as Forças Armadas o seguiriam, o que por enquanto não parece, mas a reação negativa do Congresso à proposta de atualizar salários dos militares, ao mesmo tempo em que se propõem sacrifícios aos civis, pode levar os militares a apoiarem este suposto movimento bolsonarista.

Miguel Roberto Jorge miguelrjorge@gmail.com

São Paulo

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A MARTELADAS

Tem gente mal intencionada escrevendo em jornais dizendo não saber o que é "nova política". É o contrário da velha política, em que parlamentares chantageavam o Executivo para só votar a favor de seus interesses caso apadrinhados seus, aos milhares, pudessem ocupar cargos sem concurso público, sem apresentar formação na área, sem serem ficha-limpa nem ter muita obrigação a efetivamente cumprir. O objetivo quase sempre era promover corrupção em favor de quem os indicou. O ideal seria que os novos parlamentares abandonassem essas práticas, mas o presidente Bolsonaro tem encontrado muita dificuldade nesse sentido. Ele não tem habilidade para isso e parece querer abrir caminho a marteladas, seguindo orientação de pelo menos dois filósofos, o intolerável Olavo de Carvalho e o de verdade, Nietzsche.

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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ACELERAR É PRECISO

A equipe de Jair Bolsonaro precisa agir rapidamente para atrair investidores brasileiros e estrangeiros, criando empregos e gerando renda. Chega de disputas veladas com os congressistas. O Executivo precisa enviar dezenas de reformas ao Congresso e contar com o apoio da população para empurrar os nobres senadores e deputados. O Brasil está perdendo muito tempo com fofocas que de nada adiantam. O Brasil precisa mudar, para se tornar um lugar minimamente civilizado, moderno e eficiente. Os modelos adotados anteriormente não funcionaram. Precisamos inovar, com soluções ajustadas às nossas necessidades. Estamos esperando o quê?

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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AGENDA POLÍTICA

Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e Dias Toffoli, pelo bem do Brasil, devem se sentar ao redor de uma mesa, conversar, zerem toda a bagunça e desentendimento em que se colocaram e propor uma agenda positiva para o relacionamento equilibrado dos Poderes da Nação. Os brasileiros não merecem o espetáculo torpe que estamos vivenciando. Ponham, senhores, os interesses maiores da Nação acima das disputas, dos corporativismos e sejam altruístas permitindo que a visão de verdadeiros estadistas possa prevalecer.

Jose J. Rosa jose.rosa1945@hotmail.com

São Paulo 

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TRÊS PODERES

A propósito do oportuno editorial "A harmonia entre os Poderes" (25/3, A2), cabe dizer que o Estado Democrático de Direito existe e viceja desde que haja total harmonia e diálogo respeitoso entre o Executivo, o Judiciário e o Legislativo. "Cada macaco no seu galho" e "cada qual em seu quadrado".

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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BATTISTI CONFESSA CRIMES

De um partido corrupto que quebrou o Brasil, como o PT, que tem seu líder, o ex-presidente Lula, preso em Curitiba, não dá para esperar nada além de vexame e indignação! Contra a vontade do povo brasileiro, Lula, com a conivência do ex-ministro da Justiça Tarso Genro (PT-RS), negou o pedido de extradição de Cesare Battisti feito pelo governo italiano, e concedeu desgraçadamente asilo político ao reconhecido terrorista e mafioso italiano. Este assassino, que estava foragido há 40 anos, foi condenado à prisão perpétua em seu país. Depois de 14 anos no Brasil, foi preso na Bolívia e, no início deste ano, foi deportado para a Itália. Agora, enquanto o PT o defendia como se fosse um santo, o mafioso confessou à Justiça italiana seus bárbaros crimes.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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PROTESTO EM SÃO PAULO

Na matéria "Rios mortos - Bustos de lama em prol do Pinheiros" (25/3, A16), Geraldo Alckmin é "homenageado" na Avenida Paulista com um busto feito de material malcheiroso, como crítica a ele não ter feito a despoluição dos Rios Tietê e Pinheiros. Isso é uma injustiça, porque o ex-governador tratou da despoluição por meio de várias ações, entre elas a captação de esgoto pela Sabesp. E tratou, também, dos constantes transbordamentos do Rio Tietê, rebaixando a sua calha e concretando suas margens. Além do mais, implantou o paisagismo nas suas margens, incluindo o Parque do Tietê, ações que embelezaram a paisagem urbana, outrora degradada. A despoluição dos dois rios é importante e possível, porém envolve verbas astronômicas, que em tempos bicudos, como nos últimos anos, são curtas. E as pessoas continuam a jogar lixo nos córregos. Esta "homenagem" é uma crítica míope, pois não se enxerga o esforço que o ex-governador fez para manter em andamento as inúmeras obras em São Paulo e, ainda, manter a saúde financeira do Estado.

Luiz Loureiro, arquiteto e urbanista loureiroefabiana@gmail.com

São José dos Campos

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VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Muito oportuno o artigo "Algema pornográfica" (25/3, A2). Há 20 anos trabalhamos na Childhood Brasil para enfrentar a violência sexual contra crianças e adolescentes, com o objetivo de que nossas crianças sejam crianças. Apesar dos avanços conquistados em tirar o tema da escuridão e intensificar o diálogo na sociedade, os desafios no contexto do espaço digital se mostram cada vez maiores. O artigo é muito atual ao destacar a importância do papel da educação no cuidado para a construção de uma cultura de prevenção e proteção. Acreditamos que o diálogo e a informação são apenas o primeiro passo para lidar com este enfrentamento. Pensar numa política de Estado cujo objetivo é a prevenção desta violência se faz urgente.

Roberta Rivellino, presidente roberta.rivellino@childhood.org.br

São Paulo

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'ALGEMA PORNOGRÁFICA'

Cumprimento o jornalista Carlos Alberto Di Franco pelo excelente e necessário artigo na página A2 do jornal "Estadão" do dia 25/3, intitulado "Algema pornográfica". Nossas autoridades, representantes do povo, precisam tomar providências para combater a pornografia generalizada. A situação é mesmo grave. A pornografia aumenta os custos sociais e morais. É exatamente como diz o sábio jornalista: é triste ver o Brasil marchando por esse caminho. Os meios de comunicação como TV e internet, se quiserem, podem ajudar no combate a este mal. O tripé composto por família, escola e igreja está na obrigação de combater este mal. É como diz o apreciado e competente escritor do artigo: não é preciso ser psicólogo para prever e perceber as distorções afetivas, psíquicas e emocionais. Meus cumprimentos e meus agradecimentos pela coragem.

Saul Ribeiro dos Santos saul.ribeiro1945@gmail.com

São Paulo

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AOS RESPONSÁVEIS

Excelente, como sempre, o artigo do professor Carlos Alberto Di Franco sobre a pornografia ("Estado", 25/3, A2). É leitura emergente para os responsáveis.

Luiz E. Garcez Leme, professor FMUSP lueglem@me.com

São Paulo

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'NOSSOS MONSTROS'

Cumprimento o dr. Daniel Martins de Barros pelo artigo "Nossos monstros", publicado no dia 24/3/2019 (página A18). Excelente! Concordo plenamente e apoio o seu desafio: quanto menos divulgarem estes casos horríveis que andam acontecendo e quanto menos divulgarem fotos e nomes dos assassinos, melhor será para a nossa sociedade. Isso pode desencorajar outros psicopatas.

Maria Helena Renzetti lenarenzetti@gmail.com

São Paulo

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