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Cartas selecionadas para a edição impressa e portal estadao.com.br

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2019 | 03h00

BARRAGENS PERIGOSAS

Vale ataca de novo

Mais sirenes de alerta de rompimento das barragens da Vale são acionadas. De novo. Sempre tarde da noite ou de madrugada. Só agora a Vale descobre que suas barragens, usadas durante décadas, não têm comprovação de segurança. Depois de Mariana e Brumadinho, onde as tais sirenes não funcionaram, esses acionamentos “preventivos” e outros “por engano” parecem parte de uma estratégia de terror deliberada, de forma a causar os maiores incômodo e preocupação possíveis e mandar um recado à população apavorada: “Se mandem!”. E só agora a Vale descobre também que o conteúdo de suas barragens está virando água, a tal liquefação. Milhões de toneladas de rejeito sólido estão subitamente virando água, a única forma de haver um rompimento como o visto e filmado em Brumadinho. E não se fala de sua negligência na manutenção das barragens, especialmente dos drenos de fundo, nem de seu desleixo no monitoramento das estruturas. Tudo o que se vê é a guerra de laudos e o jogo de empurra, de forma a fugir das responsabilidades. Enquanto isso, no aconchego de seu gabinete em Brasília, a centenas de quilômetros de distância, o ministro Onyx Lorenzoni recomenda o fim do comitê responsável por fiscalizar e orientar as compensações pelo rompimento da barragem de Mariana, até hoje emperradas. E tudo fica por isso mesmo.

RENZO GALUPPO

renzo.galuppo@gmail.com

São José dos Campos

Cúmulo dos cúmulos

As cidades, os povoados, os campos, os rios e a própria história já estavam lá. Aí a Vale S.A. se instala, transforma a região em área de risco e assume o destino de tudo como se fora Deus. Em lugar dos pássaros, canta o alarme da vergonha: “Abandone imediatamente sua residência!”. Só no Brasil mesmo...

RICARDO C. SIQUEIRA

ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Teatro do absurdo

A manchete do Estadão de ontem, Temor sobre a Previdência derruba a Bolsa e eleva o dólar, alerta para a necessidade da aprovação de uma reforma, urgentemente, sob pena de, em breve, uma situação de insolvência das finanças do Brasil. Entretanto, temos assistido a um circo de horrores protagonizado pelo Congresso Nacional, sob a liderança do presidente da Câmara e os aplausos de uma oposição irresponsável e suicida. Esse teatro do absurdo me fez pensar na inimaginável situação de alguns passageiros de um avião em pleno voo que, por não gostarem do piloto, fazem de tudo para derrubá-lo.

LUIZ ANTÔNIO ALVES DE SOUZA

zam@uol.com.br

São Paulo

Balaio de gatos

Líderes de 13 partidos manifestam apoio à reforma da Previdência. Nota oficial: “... qualquer reforma previdenciária deve ter como princípios maiores a proteção aos mais pobres e mais vulneráveis...”. Que balaio de gatos! Se esse é o apoio dado pelos partidos à “reforma da Previdência”, melhor pensar numa alternativa ao projeto apresentado pelo atual governo – que tem como “pecado original” propor mudanças em políticas as mais diversas (de assistência social, de trabalho, de aposentadorias e até de carreiras públicas) – para o País encarar o futuro. Não seria muito mais adequado (como diria Jack, o Estripador) ir por partes? Afinal, o grande problema do erário, gerador de déficits orçamentários crescentes e insustentáveis, reside hoje na concessão de benefícios sem base atuarial e, portanto, insustentáveis de aposentadoria e pensão, e na falta de dotações orçamentárias específicas para benefícios de cunho assistencialista. Os que têm direito à aposentadoria são os que para ela contribuem, de acordo com a temporalidade. Saiu desses parâmetros, é assistencialismo (que não pode ser imposto à massa de trabalhadores da iniciativa privada) a ser pago por toda a sociedade! É tão difícil entender que são assuntos diferentes?

JORGE R. S. ALVES

jorgersalves@gmail.com

Jaú

EDUCAÇÃO

MEC à deriva

Num ambiente ideologicamente polarizado, caracterizado pela falta de diálogo e pelo afã de entregar resultados imediatos, a fim de se estabelecer ou de convencer adversários e/ou desafetos de que os caminhos que escolhemos são os melhores, é muito provável que sejam feitas escolhas de viés arbitrário. As deliberações republicanas jamais eximirão cada um de nós da parcela de responsabilidade nas formulações civis e democráticas. E nesse tipo de construção não existe mais ou menos: ou se incentiva o republicanismo e a democracia ou o autoritarismo. O professor, mais do que qualquer outro profissional, deve, com o seu exemplo, incentivar os futuros cidadãos a se acostumarem aos protocolos democráticos e isso exige de cada um a máxima autodisciplina, o que só pode ser mostrado pelo exemplo cotidiano, a conversa, a orientação e o trabalho direcionado para a plenitude civil. Nesse sentido, é espantoso que justamente no ambiente escolar tal regra de ouro não fique clara para os gestores, os quais, cada vez mais, esquecendo-se de que são também educadores, premidos por pressões políticas e ideias estapafúrdias como a militarização dos colégios ou a (in)segurança das escolas, exigem do professor atitudes autoritárias travestidas de “gestão da sala” ou “domínio da turma”, incentivando crianças sem maturidade a denunciar (in)ações dos docentes que dão prioridade a ações pedagógicas e formativas em detrimento de ações de contenção, pois o que importa é a aparência, e não o fato de que crianças, jovens e adultos, em razão da polarização mencionada e da falta de vivência social real, se desacostumaram de conviver civilizadamente. O papel do educador é manter-se firme como um farol, de forma persistente, metódica, e sistematicamente demonstrar com o seu exemplo o comportamento desejável de todos. Não para que todos fiquem quietos e robotizados, mas para facilitar a vivência e o aprendizado dos conteúdos, dos quais a escola cada vez mais se distancia.

AIRTON REIS JÚNIOR

areisjr@uol.com.br

São Paulo

CRIME COMPENSADOR

Revoltante

Inescrupulosos pela segunda vez roubaram equipamentos médicos no valor de R$ 2 milhões. Desta vez, em Diadema. Não foi divulgado se os aparelhos foram recuperados. O casal de colombianos suspeito foi preso tentando roubar celulares num hospital. Eles pagaram fiança de R$ 1.500 cada um e responderão pelo crime em liberdade. Além do prejuízo, as pessoas que faziam tratamento na unidade tiveram de interrompê-lo. Enfim, roubam bens de R$ 2 milhões e pagam fiança de R$ 1.500. Relação estranha. Surreal!

JOSÉ PERIN GARCIA

jperin@uol.com.br

Santo André

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APESAR DO PRESIDENTE

Não poderia ser mais louvável e animadora a notícia de que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, assumirão a articulação política no Congresso Nacional visando à aprovação da reforma da Previdência, deixando picuinhas de lado e chamando unilateralmente para eles uma responsabilidade que deveria ser do presidente da República, Jair Bolsonaro. Se essa articulação der certo e a reforma for aprovada a contento, o presidente Bolsonaro corre sério risco de ver sua imagem junto ao público não só cair, como despencar. Será clara demonstração de que o País pode, sim, seguir em frente com, sem e apesar dele. Ou seja, Jair Bolsonaro corre sério risco de tornar-se um mero objeto decorativo. Um presidente "sem pasta". 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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CAFÉ COM LEITE

Considerado "café com leite", o presidente Jair Bolsonaro ficará de fora das articulações da reforma da Previdência. Pelas infantilidades demonstradas, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Paulo Guedes, ministro da Economia, resolveram, por conta própria, tomar as rédeas para a sua aprovação. Já Bolsonaro, como uma eminência parda, ficará com o Twitter e "rememorando" o golpe militar. É o País entrando nos eixos e colocando cada macaco em seu galho! 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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COMEMORAR O QUÊ?

Ridícula a orientação do presidente Jair Bolsonaro aos setores do Exército para fazer as comemorações do aniversário do golpe militar de 31 de março de 1964. Comemorar que a Constituição federal foi rasgada, a cassação de mandatos de senadores, deputados federais, estaduais, prefeitos, sem direito à defesa? Quantas torturas, mortes, prisões ilegais, violação aos direitos humanos e uma feroz censura à imprensa e a criações artísticas foram praticadas? Fica registrada minha manifestação de protestos contra esta ordem de Jair Bolsonaro.

Marcos Tito marcostitoadvogados@gmail.com

Belo Horizonte

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31 DE MARÇO DE 1964

Pode-se criticar o presidente Bolsonaro de querer comemorar os 55 anos do movimento de 1964 (nos 50 anos quem estava no poder era o PT). Sendo ele militar, entende-se. Por que denomino movimento de 1964? Porque de fato o foi. Quem não viveu a época não tem ideia de como era a bagunça em que o País se encontrava (inflação descontrolada, rebelião de marinheiros com apoio explícito do almirante Aragão, etc.). Isso resultou em grande movimentação da Igreja (Marcha da Família), da imprensa e da classe média contra o governo de João Goulart. Havia debates intensos, nas rádios, nas TVs e nos jornais e todos acompanhavam tudo com interesse. A maioria dos governadores estava contra Jango, sendo poucos os que o apoiavam (Leonel Brizola, Miguel Arraes, Seixas Doria e, talvez, Mauro Borges). Lembro-me de que Adhemar de Barros, que era governador de São Paulo, mandou um monte de ônibus da CMTC para nosso bairro para levar pessoas para recepcionar o ex-ministro da Marinha, Silvio Heck, em Congonhas, que conspirava abertamente contra Jango. Ocupamos somente um dos ônibus e fomos a Congonhas não porque apoiávamos alguém, mas por pura farra de adolescentes. Então era um movimento que ganhava cada dia mais adeptos, e o quadro piorou com o comício da Central do Brasil. O apoio ao movimento de 1964 foi enorme e houve até campanhas como "Ouro para o bem do Brasil", que teve grande repercussão e adeptos. Muitos, como Lacerda, Magalhães Pinto, Juscelino Kubitschek e jornais como "O Estado de S. Paulo", esperavam que os militares ficassem por pouco tempo. A história mostrou que não.

Milton Akira Kiyotani miltonak@gmail.com

São Paulo

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GOLPE

Classifique cada um o movimento de 1964 como quiser: golpe, contragolpe, revolução. É tolice que só importa aos que estão nas extremidades do espectro político. Devemos lembrar o passado pelo bom legado que nos deixou, mas também pelos erros cometidos. Devemos tentar repetir os primeiros e nunca mais cometer os segundos. A PEC impedindo Hamilton Mourão de assumir em caso de saída de Jair Bolsonaro é golpe. Chamar Alexandre de Moraes para discutir projeto de Michel Temer quando Sérgio Moro pôs o seu à discussão é golpe e falta de respeito de uma obviedade ululante. No jornalismo tradicional, os novos estão impregnados pela ideologia universitária e são acolhidos, ao fim da sua formação acadêmica, por seus heróis, remanescentes das lutas pretéritas. A liberdade de imprensa é mais que isto que vemos aí: implica isenção e responsabilidade. Há 70 anos os Aliados destruíram a Alemanha e o Japão, que hoje, sem mágoas, se irmanam para comandar o mundo democrático. E nós aqui, perdendo tempo e nos digladiando pelos erros mútuos cometidos há 55 anos. Pobreza gera pobreza, exceto para as dinastias de sempre.

Paulo Roberto Santos prsantos1952@bol.com.br

Niterói (RJ)

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COISAS MAIS IMPORTANTES

Com tantas coisas para o nosso presidente Jair Bolsonaro se preocupar e fazer, e ele está preocupado em celebrar um triste período de tortura e morte. Senhor presidente, a situação do Brasil não está boa, siga mentes sensatas e responsáveis de seu governo: pense mais no bem-estar do sofrido povo brasileiro.

Devanir Amâncio devaniramancio@hotmail.com

São Paulo

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COMEMORAÇÃO INCONSTITUCIONAL

Ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obter um provimento impeditivo da comemoração do golpe militar de março de 1964 é correto, mas é necessário apontar fundamento constitucional, sem o qual a Corte Suprema não pode agir. Não bastam discursos ideológicos, históricos, filosóficos, etc. O que releva em importância é que dita comemoração contraria frontalmente o preâmbulo da Constituição brasileira, que, por ser preâmbulo, não deixa de ter densidade e força normativa. Diz ele: "Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar os direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias (...)". Evidentemente, a comemoração de um ato de ruptura do governo democrático que então vigia é incompatível com essas finalidades da Constituição que hoje nos rege. 

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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COERÊNCIA

O fato de o presidente Jair Bolsonaro ter sugerido aos comandantes militares comemorar a revolução de 1964 neste domingo, 31 de março, gerou forte reação da esquerda brasileira, inclusive de um site de quinta categoria que sempre se preocupa com criticar o sr. presidente da República - não vou citar o nome, para não promovê-lo. Ocorre que, em 2017, na Câmara dos Deputados, o PT e o PSOL comemoraram o centenário da Revolução Russa, por exemplo, que assassinou 5 milhões de pessoas. Não houve qualquer reação da esquerda e da chamada grande mídia em 2017. Onde está a coerência da esquerda e da mídia em geral?

Eraldo Bartolomeu Cidreira Rebouças real742@yahoo.com.br

Poços de Caldas (MG)

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GOLPE MILITAR

Dizer na caradura, sem corar, que não houve ditadura militar no Brasil e que o golpe que deu início ao regime de exceção de intermináveis 21 anos (1964-1985) foi "uma revolução democrática" (apud Jair Bolsonaro) é o mesmo que afirmar que a Terra é plana e que o sol gira em seu entorno. Francamente!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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CAÓTICOS ACONTECIMENTOS DE 1964

Com a devida vênia, venho, democraticamente, na qualidade de assinante, expressar minha integral discordância do inteiro teor do artigo "Devidas?", de autoria do jornalista e professor Eugênio Bucci, publicado no "Estadão" (28/3, A2). Desconheço a idade deste senhor, mas certamente deverá ser mais novo do que eu. A meu juízo, somente quem vivenciou os caóticos e lastimáveis acontecimentos de março/abril de 1964, não sei se é o caso dele, pode afirmar, como ora o faço, que não ocorreu golpe algum, à época, em nosso país. Ao revés, atendeu-se ao insopitável e inadiável clamor social, advindo não só do povo, como de todos os demais segmentos da sociedade que pugnavam pela mantença da ordem e do progresso em respeito aos dizeres, estampados em nosso pavilhão, com o condão de que não viessem a se instalar em nossa pátria o totalitarismo de esquerda, que agasalharia não só o terrorismo, como o comunismo e outros regimes ditatoriais e totalitários que aqui não caberiam. Tive a honra de participar da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que caminhou pelas ruas da capital paulista bradando contra aqueles que, à sorrelfa, queriam tomar o poder a qualquer custo. Felizmente a intervenção militar salvou nosso Brasil desse perigo iminente e nos restituiu a tranquilidade e a paz indispensáveis. Não enxergo nenhum despautério no fato de que nos quartéis se façam as comemorações de rigor no dia 31 de março. Se o escriba me permitir, gostaria de lhe sugerir que mude um pouco seu repetitivo repertório e que, com sua brilhante pena ou teclado, passe a abordar outros assuntos de maior relevância para os leitores do "Estado", fato que também, ao meu sentir, se aplica ao imortal e brilhante Luis Fernando Veríssimo, cuja capacidade é irretocável e inquestionável.

José Roberto Cersosimo jrcersosimo@uol.com.br

São Paulo

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'DEVIDAS?'

Sr. professor Eugênio Bucci, qual o seu conceito de "ditadura"? Sou também professor, 84 anos, ex-atleta que, como tal, representou nosso país em competições internacionais, inclusive durante o período que o sr. classifica como ditatorial. Em referido espaço de tempo, não me recordo de haver tido meus direitos de cidadão suspensos, bem como meu direito de ir e vir cerceado. Que "ditadura" foi aquela? Sugiro que, para viver uma delas, vá passar algum tempo em Cuba ou na Venezuela.

Amaury Antonio Pasos amaury@esbelt.com.br

São Paulo

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REMEMORANDO

A palpável ameaça da implantação de um regime comunista no Brasil foi o real motivo que originou o golpe militar que eclodiu em 31 de março de 1964, durante o governo de João Goulart. Esta foi a origem da ditadura que durou até 1985, quando no Brasil voltou a vigorar o regime democrático. Não há dúvidas de que, para evitar o pior, o Brasil experimentou, por longos 21 anos, um remédio não apenas amargo, mas causador de múltiplos e indesejáveis efeitos colaterais. No entanto, não fosse a existência daquele chamado golpe militar, poderíamos ter sido subjugados por um governo comunista dirigido por ditadores que, na União Soviética, teve Joseph Stalin como exemplar representante. É por essas razões que, na minha modesta opinião, deveríamos, sim, comemorar festivamente a data de 31 de março, como o dia em que foi garantido ao povo brasileiro o direito de viver sob um regime democrático.

Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

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1964

Passados 55 anos, tenho plena convicção de que o povo brasileiro deseja e merece que suas Forças Armadas tivessem ficado inertes nos quartéis simplesmente apreciando o panorama que se delineava, sem ter desviado o curso da história.

Edison Ribeiro Pereira edisonribeiro@hotmail.com

São Paulo

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COMO QUISEREM

Golpe, revolução, ditadura, democratura, foi o que aconteceu no Brasil e em toda a América Latina com o apoio dos EUA e da maioria das entidades brasileiras desde a Igreja a empresários, bancos, jornais, menos o povo, é claro. Hoje o inverso acontece. Os mesmos de ontem que alegaram comunismo para seu intento hoje bradam por liberdades, como se a ditadura vermelha, comunismo, socialismo, como quiserem, civil ou militar, nunca estivesse tão perto de se estabelecer no Brasil com o PT em 13 anos de governo, que muitos dos mesmos apoiaram e apoiam até hoje.

Eliton Rosa elitonrosa@gmail.com

Rio de Janeiro

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DESAFIO

Os recentes governos socialistas no Brasil resultaram numa juventude infiltrada por conceitos esquerdistas de subserviência ao Estado. Não viveu o conceito capitalista, e a direita para ela é sinônimo de bicho-papão. Falta-lhe iniciativa, e apenas reclama seus "direitos". Ensiná-la a viver a liberdade consciente é o grande desafio.

Ottfried Kelbert okelbert@outlook.com

Capão Bonito

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DITADURA NUNCA MAIS

O atual governo federal prega um revisionismo na história do Brasil, querendo subtrair os registros de que o País viveu uma ditadura militar por 21 anos. Afirma que a mesma não existiu. Como assim? Quem raptou e manteve preso meu pai, Carlos Adauto Vieira, no quartel do Exército, em Curitiba, em 1964 e 1968, deixando minha mãe, uma menina de vinte e poucos anos, sozinha com quatro filhos? Tudo sem o devido processo legal, sem o contraditório, sem qualquer direito à defesa. Foram muitos dias de aflição, porque não se sabia o paradeiro do dr. Adauto, se ele ainda estaria vivo. Foi um conhecido da família que, por acaso, numa partida de futebol no campo do Exército, identificou meu pai entre os presos no local. Só então foi possível acionar os advogados que faziam resistência ao regime, para formalizar a acusação e o processo. Ao final, ele foi absolvido, por absoluta ausência de provas da fictícia conspiração. A prisão foi pura arbitrariedade. Não fosse este lance de sorte, talvez ele tivesse sido mais um dos 434 cidadãos brasileiros assassinados pelo regime militar, das quais 202 continuam desparecidos. No dia 9 de novembro de 1989 eu estava em Berlim e testemunhei a queda do muro. Foi, sem sombra de dúvida, um dos momentos mais marcantes da minha vida. Quase um ano depois, em 3 de outubro de 1990, se deu a reunificação política da Alemanha, quando a antiga Alemanha Oriental deixou de existir, passando a ser regida pela constituição da Alemanha Ocidental. Desde então existe apenas a República Federal da Alemanha (RFA). Mas aquele muro enorme, atravessando a capital Berlim de norte a sul, ficou como abjeta cicatriz de um período sombrio da história alemã, que todos preferiam esquecer. Os revisionistas, sempre eles, entraram em ação, fazendo campanha para que todo o muro fosse imediatamente demolido. Queriam, ingenuamente, apagar a história. Após longos debates ficou decidido que uma parte do muro ficaria preservada, como monumento histórico, para alertar as futuras gerações e evitar a repetição dos erros do passado. Para olhar a história de frente é preciso ter coragem. E os alemães nos dão o maior exemplo. Hoje é crime fazer apologia ao nazismo na Alemanha, ou negar o holocausto. Retirou-se do hino alemão a frase: "Alemanha acima de tudo", por sua conotação fascista. E é essa coragem que permite, na atualidade, que as Forças Armadas sejam uma das organizações mais respeitadas na Alemanha. Ninguém confunde um soldado alemão de hoje com as terríveis tropas nazistas. E isso justamente porque não se tentou negar o lado obscuro do passado. Pelo contrário, ao jogar holofotes na verdadeira história, permite-se às novas gerações separar, com clareza, o joio do trigo. As Forças Armadas do Brasil são motivo de orgulho para todos nós, brasileiros, mas a insistência dos tais revisionistas em denegar a história lança sombras sobre o passado da corporação, que só poderão ser afastadas pelas corajosas luzes da verdade.

Carlos Adauto Virmond Vieira adauto@adauto.com.br

Joinville (SC)

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A (NECESSÁRIA) PRIORIDADE AO FUTURO

O momento exige muito equilíbrio, desprendimento e juízo. O País vem da derrocada da esquerda rumo a um governo que vai do liberal à direita. Os escândalos que apodreceram a imagem da classe política resultam em expressivas figuras cumprindo penas, prisões preventivas e centenas de processos. Há o risco da radicalização, que não interessa a ninguém, já que o povo despreza tanto a esquerda quanto a direita. Pior é que se insufla a população contra a autoridade constituída e as instituições do Estado. Isso precisa acabar. Quem ganhou a eleição tem o dever de governar e quem perdeu, até por inteligência e sobrevivência, tem de reconhecer o quadro e se preparar para as próximas. No fim do regime militar, a grande questão era o que fazer dos opositores que enveredaram para a subversão e o terrorismo e dos agentes do Estado que se excederam na repressão. O caminho encontrado foi a anistia, que perdoou tanto uns quanto outros. Os anistiados, independentemente do lado em que estiveram, usufruem do benefício do perdão e criticam sua extensão ao adversário. Mas foi possível obter um certo grau de pacificação e a redemocratização. Hoje temos situação análoga. Ao lado dos que reconhecidamente assaltaram os cofres públicos para enriquecimento ilícito estão os políticos que recorreram aos esquemas de corrupção para custeio de campanhas e justificam que aquele era o único meio de sobreviver na atividade. Não falemos em nova anistia, mas talvez esteja na hora de priorizar a garantia de que os esquemas fraudulentos não se repitam e deixar o passivo para a apuração da Justiça, reconhecido o direito dos envolvidos à ampla defesa. Será um desperdício perder com o passado o tempo e os esforços que podem (e devem) ser aplicados na construção do futuro. Pacificar é preciso.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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LIXO E SAÚDE PÚBLICA

Sobre a reportagem veiculada na edição de terça-feira (26/3, A15), intitulada "Dengue cresce 264% e mortes chegam a 62, metade em SP", há que registrar a grande contradição entre a preocupação de nossas autoridades sanitárias e a evidente incompetência do poder público (especialmente municipal) em assegurar a necessária limpeza dos mais diversos espaços públicos, estejam estes localizados em áreas centrais ou periféricas. Em São Paulo, capital, a quantidade de lixo e entulho jogada é assustadora. Não raras vezes nos deparamos com fezes humanas em diferentes pontos da cidade, lixeiras quebradas, lixo se acumulando há dias sem ser recolhido, e aí fica a seguinte pergunta: tal situação não é propícia para diversos problemas de saúde pública, sem mencionar a perda de autoestima do cidadão? 

Rui Tavares Maluf rtmaluf@uol.com.br

São Paulo

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ALDEIAS XIKRIM E O PROJETO SALOBO

Pelo site do "Estado" em 27/3/2019, o repórter Luiz Maklouf Carvalho informa que, em atendimento a demandas de associações indígenas dos índios Xikrims quanto a "alto potencial de dano" por sua barragem de rejeito, Francisco Marinho, procurador do Ministério Público Federal, deu parecer favorável à suspensão das atividades de lavra do Projeto Salobo, em que a Vale explora minério de cobre na Serra dos Carajás, "até que sejam analisados os impactos, medidas mitigatórias e medidas compensatórias para as comunidades indígenas". Ora, o procurador não leu a argumentação da Vale, que informou que a barragem e o projeto Salobo estão 30 km a norte da área dos Xikrims, do outro lado da Serra dos Carajás, e que a drenagem que passa pelo projeto Salobo flui para norte, ou seja, para mais longe ainda da área dos indígenas? Está certo que os índios podem não conhecer Geografia nem saber ler mapas, mas o procurador também? Parece má-fé, não?

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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POSSE ILEGAL E IMORAL

Se o presidente dos Estados Unidos, por meio de decreto, em evidente desrespeito ao Direito, à moral, à Justiça e à legislação internacional, autorizou Israel a apossar-se das Colinas de Golan, que pertencem à Síria, desta feita, creio que amanhã será a Amazônia.

Jorge Mema Bernaba jorgebernaba@gmail.com

Araçatuba

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MEU VOTO DE VOLTA

Sr. presidente Jair Bolsonaro, devolva meu voto. Não aceito sua ingerência em assuntos que não conhece. Não aceito o voto brasileiro, na ONU, a favor da anexação de territórios ocupados e roubados. As Colinas de Golan pertencem à Síria. Ao contrário de seu diálogo, sua atitude favorece a discórdia e a guerra. Ao senhor, os assuntos brasileiros, que não são poucos. Nossa bandeira ainda é verde e amarela.

Lamia Arbx lamiaarbx@yahoo.com.br

São Paulo

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