Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 01h00

Estado da nação

Naufrágio

Torna-se cada vez mais evidente a ingovernabilidade do Brasil a partir da instalação da chamada Nova República, em 1985, formalizada pela Constituição de 1988, com texto alterado mais de cem vezes desde então e com cerca de 1.700 propostas de emendas tramitando no Congresso. Traumatizado por dois impeachments de presidentes da República, por quase 14 anos de esquerda corrosiva e perplexo diante de um espectro de horror, aos poucos revelado, envolvendo vergonhosa promiscuidade entre os setores empresarial e político, o País entra na atualidade com mais de 12 milhões de desempregados, quase falido, com investimentos parados à espera de reformas urgentes que não conseguem deslanchar num Parlamento fisiológico, onde se aninha uma oposição radical e vingativa que anseia por terra arrasada a fim de recolher os escombros em seu próprio benefício. O momento clama por um período de serenidade em busca de soluções patrióticas que evitem o naufrágio.

Paulo Roberto Gotaç

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

Reforma da Previdência

Será que os parlamentares que são contra a reforma da Previdência sabem o porquê ou simplesmente são contra porque gostam do “quanto pior, melhor”? Melhor seria se eles estudassem o assunto. Afinal, o que falta para esses políticos perceberem que os tempos são outros e o Brasil está mudando?

Orélio Andreazzi

orelio@andreazzi.com.br

Suzano

Ao ler no Estadão (11/4) a degradante notícia de que o tal do “centrão” pode obstruir a votação da reforma por não ter sido consultado sobre a nomeação do novo ministro da Educação, tive duas reações: a primeira foi de asco profundo; a segunda, de revolta por viver num país onde gente desse tipo consegue chegar ao Parlamento.

Nei Gravina Job

neigravina@gmail.com

Rio de Janeiro

Polarização

A pesquisa da Ipsos (14/4, A1) confirma o que se está percebendo neste início de governo: a polarização atingiu até as famílias e redes de amigos. O problema é que a oposição ao governo Bolsonaro se generalizou, unindo os petistas aos demais esquerdistas, a corporativistas, alckmistas, novistas e outros. Do lado dos bolsonaristas ainda não há como provar que o governo melhorará o País, mesmo argumentando com o acerto de tudo o que já está sendo feito, incluindo certas mudanças que contrariam políticas públicas, práticas governamentais, valores culturais e morais, costumes e até chavões que os quatro governos anteriores, todos na linha socialista, adotaram, impingiram, praticaram e acostumaram a população a acreditar como benéficos para os mais pobres, quando praticamente todas as nações já os testaram e revogaram. Então é melhor, por enquanto, abandonar as discussões, até mesmo evitando as pessoas que estão contra. Vai passar...

Gilberto Dib

gilberto@dib.com.br

São Paulo

Petrobrás

Preço do diesel

Não se justifica tamanho furor pelo fato de o presidente ter suspendido o aumento do preço do diesel por alguns dias, pedindo que lhe expliquem os motivos desse aumento, em níveis bem superiores ao índice de inflação. Ele não cancelou o aumento, apenas quer entendê-lo antes que seja aplicado. Como monopolista e sem estar sujeita a atividades de competidores, a Petrobrás precisa, sim, explicar os aumentos que aplica nos preços dos produtos que vende.

Wilson Scarpelli

wiscar@terra.com.br

Cotia

Interferências

Não faz mais sentido o País ficar à mercê do “bom humor” dos caminhoneiros, ameaçando greve sempre que se julgarem prejudicados. Já passou da hora de nossos governantes investirem maciçamente em ferrovias, o que nos trará benefícios em todos os sentidos.

Luiz Roberto Savoldelli

savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo

Educação

Professores celetistas

O professor José Goldemberg, ex-secretário e ex-ministro da Educação, no seu artigo Uma Lava Jato para a educação? (15/4, A2) apresenta como solução para a qualidade do ensino a avaliação dos professores para a melhoria dos salários, esquecendo-se de propor o que fazer com os que tiverem avaliações ruins. Fácil seria pensar em programas de reciclagem, mas isso causaria mais despesas e os resultados poderiam ser incertos. O fulcro da questão não é o salário, mas, sim, a estabilidade funcional, adquirida após o estágio probatório. Ou seja, o professor adquire a condição de funcionário público, com direito a todas as benesses relativas a ela, até depois de se aposentar. Das áreas de atuação no arcabouço do governo - seja municipal, estadual ou federal -, a educação é a que demanda maior nível de atualização para acompanhar as mudanças sociais, científicas e tecnológicas do dia a dia do mundo contemporâneo. O ensino público brasileiro, sustentado pelo erário, só apresentará melhoras quando as contratações forem pelo regime da CLT, e não pelo regime estatutário, permitindo substituição dos mal avaliados e premiando os bem classificados.

Pedro Luiz Bicudo

plbicudo@gmail.com

Piracicaba

Censura

Cala-boca não morreu

Voltamos à Idade Média, época do terror da Inquisição. O que faltava era o Supremo Tribunal Federal (STF) aplicar a censura aos meios de comunicação. Alexandre de Moraes (outra grande decepção!), seguindo instruções do “presidente” do STF, Dias Toffoli, mandou retirar imediatamente da revista eletrônica Crusoé e do site O Antagonista a matéria ‘O amigo do amigo do meu pai’. Tempos tenebrosos estes que vivemos.

Heleo Pohlmann Braga

heleo.braga@hotmail.com

Ribeirão Preto

Em São Paulo

Destruição ou tombamento

As reclamações referentes à destruição de uma vila de 1930 em São Paulo levantam, como sempre, a questão do tombamento de prédios históricos da cidade. Esses tombamentos são muito cruéis para os proprietários, que ficam com o ônus de preservá-los e não podem usufruir o seu valor. Eu acredito que se o povo da cidade quer preservar um imóvel tem de comprá-lo dos proprietários e dar-lhe o destino que achar correto. Jogar essa carga sobre os seus donos é injusto e só incentiva a destruição.

Radoico Câmara Guimarães

radoico@gmail.com

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Uma cidade sem dono 

Não é errado dizer que os donos de uma cidade são seus moradores, assim como são proprietários dos Estados e do País como um todo. É com o dinheiro deles, por meio de taxas e impostos, que a máquina pública funciona. Para gerir os recursos públicos, os contribuintes elegem os gestores: prefeitos, governadores e presidente da República. Elegem, também, vereadores, deputados estaduais, federais e senadores, incumbindo-os de fazer as leis que regem sua vida e para fiscalizar os atos dos poderes constituídos. Infelizmente, os eleitos nem sempre são pessoas dedicadas e interessadas na incumbência de representá-los condignamente e, erroneamente, escolhem ladrões-corruptos, verdadeiros usurpadores de seus próprios recursos. E, com isso, não recebem o retorno em serviços a que têm direito. Um dos melhores exemplos, dentre os Estados e o Distrito Federal, é a cidade do Rio de Janeiro, um orgulho natural pela exuberância de suas belezas naturais, merecidamente chamada de Cidade Maravilhosa, uma pérola incrustrada num Estado, o Rio de Janeiro, que vem sendo administrada por milicianos, ladrões e políticos incapazes e corruptos. Nos últimos 20 anos, três ex-governadores, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral, e o último, Luiz Fernando Pezão, foram presos por corrupção. Engrossam a lista 10 deputados estaduais, incluindo todos os presidentes da Assembleia Legislativa, no período de 1995 a 2017, e, por incrível que pareça, 5 dos 8 conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), justamente o órgão de fiscalização das contas estaduais. Colocaram raposas para tomar conta dos galinheiros. Os assaltos aos cofres dos governos estadual e municipal, em regime de quadrilha, tiveram como alvo entidade operadora de transportes, diversas construtoras, empresas fornecedoras de serviços e insumos como os hospitalares e escolares. E, é claro, a população. Com esses roubos praticados nas duas últimas décadas, os administradores públicos abandonaram a cidade, preocupados em gerenciar os milhões e milhões usurpados. Não se preocuparam em esconder as compras de mansões, iates, jatinhos e joias caríssimas para suas esposas e amantes, tudo pago com o dinheiro usurpado da população - parte de suas fortunas aplicaram em paraísos fiscais. É triste este cenário. Mas, embora o Rio de Janeiro seja o Estado campeão em propinoduto, não se pode deixar de mencionar que a corrupção está incrustrada em quase todos os Estados e municípios. Há que implantar uma Operação Lava Jato em cada um deles, funcionando de forma ininterrupta. As feridas das falcatruas no Rio de Janeiro foram abertas na semana passada, com a queda de dois prédios na comunidade de Muzema, zona oeste da cidade. Estarrecido, o País tomou conhecimento de que as construções foram feitas por milicianos, uma força policial paralela e ilegal, sem quaisquer escrúpulos: terrenos invadidos, construções irregulares em Área de Proteção Ambiental, sem projetos submetidos à aprovação dos órgãos competentes. Esses imóveis, como são irregulares, são vendidos à população de baixa renda, sem documento formal e legal, como uma escritura pública. Até então, os milicianos viviam de cobrar taxas pagas para permitirem aos entregadores chegarem aos bairros carentes - a entrega de gás é uma delas. A cidade está um caos, vítima, em dias de chuvas, de alagamentos e deslizamentos de encostas, com a conivência das autoridades e complacência da Justiça, resultando em dezenas de mortes nos últimos meses. O título que encima esta carta está errado, a Cidade Maravilhosa tem dono, sim: os políticos e empresários corruptos e a grande máfia dos milicianos. 

Mauro de Campos Adorno Filho

maurinhoadorno@gmail.com

Mogi Mirim

Tragédia construída

Há décadas temos no Rio de Janeiro área da milícia, quadra do tráfico, construções irregulares, falta de saneamento básico, excesso de lixo nas encostas e comunidades de olhos fechados para os riscos do avanço vertical sobre a natureza. Tudo começa a complicar com o primeiro pingo de chuva, e, junto com ele, a também primeira tolerância do poder público que, lentamente, avança à tolerância de todos os dias. Um longo caminho, capaz de transformar uma pequena gota d'água numa grande enxurrada (de imundície, de erros e de gente).

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

Estilhaços

Descaso do poder público; ocupação irregular do solo; políticos inescrupulosos que prometem o que for preciso para se elegerem, na verdade seu grande e único objetivo, longe do interesse público e próximo dos objetivos particulares e de eternização no poder; crescimento da influência das milícias, por intimidação, no dia a dia das pessoas. Estas são algumas das manifestações de um efeito dominó cuja origem não se consegue identificar e que converge para as tragédias humanas e perdas materiais, lamentadas após as últimas enchentes no Rio de Janeiro. Acrescente-se a este cenário um aspecto demográfico lento, mas com efeitos no longo prazo, que deveria desde já provocar reflexão da sociedade e que apresenta conexões com a qualidade da educação, mal ranqueada e lembrada somente nos palanques: o preocupante número, entre potenciais vítimas, de avós com 35 anos de idade. Trata-se de uma bomba de retardo que um dia detonará, com estilhaços de sofrimento.

Paulo Roberto Gotaç

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

Espécie ameaçada

Desde os tempos mais remotos o homem insiste em teimar contra as forças da natureza. Tragédias provam, quase que diariamente, que a natureza não está nem aí para a beleza da cidade do Rio de Janeiro, para a extinção de espécies, para a destruição da Floresta Amazônica, para a poluição dos rios, para a escassez da água potável, para a miséria instalada no planeta, etc., etc., etc. A explosão demográfica crescente, em progressão geométrica, chega ao século 21 como um tsunami para nos assustar com tempos apocalípticos. Mas nada disso demove as populações e os governantes de evitar a ocupação desenfreada do uso do solo nas grandes cidades. Não adianta lutar contra a força da gravidade, contra as chuvas fortes e contra a instalação de favelas em áreas de risco. As mortes anunciadas acontecerão independentemente das leis, das fiscalizações, dos avisos sobre intempéries. A espécie que está mais ameaçada no planeta é a do homo sapiens.

Mário Negrão Borgonovi

marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

Bolsonaro, o diesel e a mídia

A intervenção do presidente Jair Bolsonaro na majoração do preço do óleo diesel, contrariando o receituário liberal do ministro Paulo Guedes, da Economia, revelou a quantidade de especialistas na matéria existentes na imprensa, especialmente a televisada. Salvo honrosas exceções, o domínio da ciência econômica não é o forte dos jornalistas. Peritos em pitacos vazios e tendentes a incendiar o cenário com o subproduto do petróleo, comentaristas da mídia chique se perdem em devaneios, suposições e poses de pitonisas sistematicamente desmentidas pelos números e pelos fatos. Estilo artilheiro em manobra, o presidente se confessa desapetrechado para lidar com os números do ministro Paulo Guedes, o que não lhe impede de errar ou acertar, aqui e ali.

José Maria Leal Paes

myguep23@gmail.com

Belém

Transparência

Passou da hora de sabermos (e talvez seja essa a curiosidade do presidente Bolsonaro) quanto custa um barril de petróleo produzido no Brasil e como chegamos ao preço final de 1 litro de gasolina, etc. Ninguém discorda de reajustar o preço dos combustíveis de acordo com os preços internacionais. O que se quer saber é se o valor do custo reflete a realidade do preço-base ou se ele está inflado com casuísmos e parte de um valor muito alto. Como tem fins lucrativos, no final temos sempre de pensar que interessa à Petrobrás e a seus acionistas que o preço de produção seja o mais baixo e o preço de venda ao consumidor seja o mais alto possível. Ou seja, nem sempre o que é bom para a Petrobrás é bom para o povo brasileiro. É preciso transparência! Por que não esclarecer? Parece simples. Só uma empresa gigantesca, que ganha muito, mas muito mesmo, consegue deixar de ser quase falida e se tornar superavitária (?) em tão pouco tempo. À custa de quem? Do povo brasileiro, que pode estar pagando preços aviltados nos combustíveis e a favor de uma empresa que, sem concorrentes no mercado, tem uma clientela cativa e escrava? Acionistas e outros adoram isso e, lógico, chiam e movimentam os fantoches quando o presidente da República faz perguntas incômodas...

Neder Carrara

ndrcarrara@yahoo.com.br

Agudos 

Ações da Petrobrás

Circula na mídia a afirmação de que a Petrobrás perdeu R$ 32 bilhões de seu valor por causa da intervenção do governo no reajuste do diesel. Incorreto. As ações apenas voltaram ao valor dos meados de fevereiro (valor superior ao de dezembro). A especulação vive de oscilações e a recente queda, em parte, se origina no vindouro dia de exercício de opções.

Tibor Raboczkay

trabocka@iq.usp.br

São Paulo

O presidente e o petróleo

O petróleo é nosso, o petróleo é do povo brasileiro. Quem deve colocar preço no combustível é o presidente da República do Brasil, e não organizações a serviço do poder global. A Petrobrás é uma empresa estratégica e não deve se submeter ao poder econômico do poder global. Não sou acionista da Petrobrás, mas sou cidadão brasileiro. Brasil acima de tudo.

Francisco Anéas

franciscoaneas66@gmail.com

São Paulo

Responsabilidade administrativa

Ao intervir, sem capacidade - no sentido jurídico - para tanto, na direção da Petrobrás, cujo presidente admitiu a intromissão indevida, o presidente Bolsonaro reafirma não ter conhecimento de Economia, mas não é disso que se trata. Cuida-se de conhecimento das leis, do qual a ninguém é dado alegar ignorância. Uma sociedade de economia mista é gerida, em última análise, segundo suas disposições internas, pelo Conselho Administrativo, submetidas suas decisões ao crivo dos acionistas aptos a fiscalizá-las; além disso, considerada a participação da União, o erário desta pode ser submetido ao crivo judiciário por meio de iniciativa de qualquer cidadão (ação popular). Verificado um prejuízo relevante, configura-se responsabilidade administrativa. 

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

Bolsonaro e a economia

Quando alguém declara que não entende nada de certo assunto, o esperado é que nunca tome qualquer decisão sem consultar o especialista. Ainda mais quando o faz por impulso, ignorando que a cada ação corresponde uma reação. Só mágicos conseguem tirar coelhos da cartola sem consequências. Presidentes, jamais!

Eliana França Leme

efleme@gmail.com

Campinas 

Diesel x fretes

É como dizem: a ignorância é que atravanca o progresso. Não precisa haver reunião de ministros, comitê e, pior ainda, greves. Basta ter nos contratos de fretes uma cláusula que estipule que, "havendo alteração de qualquer insumo inerente aos custos do frete, seu preço será reajustado proporcional e automaticamente". Simples assim.

Godofredo Soares

godofredocaetanosoares@gmail.com

São Paulo

Prejuízo

Parabéns aos 58 milhões de eleitores que elegeram Jair Bolsonaro (PSL) pelo prejuízo de R$ 32 bilhões dado por ele à Petrobrás, para agradar aos caminhoneiros. E isso é só o começo. Bolsonaro não tem competência ou preparo para ser síndico de prédio. Se ele permanecer no cargo, o Brasil vai falir de vez.

Renato Khair

renatokhair@uol.com.br

São Paulo

Acordo

Já disse antes que Bolsonaro (em quem votei por falta de opção) tem se mostrado com QI igual ao de Dilma Rousseff. Ao interferir na Petrobrás, não mediu as consequências, perda de R$ 32 bilhões no valor da companhia. Poderia ter chamado os caminhoneiros e a Petrobrás e tentar uma solução tipo mexer nos impostos. Para isso o fato de ser sábado e domingo não deveria valer como descanso, isso é emergência, sr. presidente! Foi assim que Dilma caminhou para o precipício.

Cecilia Centurion

ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

Murphy

Adaptando antiga Lei de Murphy, "não existe situação ruim que o presidente não consiga piorar".

Guto Pacheco

jam.pacheco@uol.com.br

São Paulo

Meu apoio

Todos sabemos que os combustíveis no Brasil são extremamente caros e que houve sempre política errada de priorizar o transporte rodoviário, e não o ferroviário. Com isso os custos para a produção de alimentos desde os insumos até o transporte da produção para as centrais de abastecimento saem muito mais caros do que ocorreria se houvesse uma estrutura ferroviária eficiente. Os sócios da Petrobrás, saqueada nos governos petistas, querem que esta recupere seu vigor financeiro para que tenham lucro, mas o povo não está pensando nisso, mas, sim, na alimentação, com encher a barriga dos familiares. Vimos o que ocorreu na greve dos caminhoneiros: alimentos que ficaram caríssimos por falta de oferta. Mas quem tem grande poder aquisitivo não sentiu na pele a falta de nada, a vida não mudou para estes, que desembolsaram apenas um pouco mais nas suas compras, contudo a maior parte da população sofreu. Sou contra todo tipo de estatal por saber que num país como o nosso essas empresas são utilizadas como cabides de empregos e foco de corrupção, mas, já que elas existem, que sejam utilizadas em favor do povo quando este for sofrer por falta de responsabilidade de governantes, como ocorreu nos governos malditos de Lula e Dilma. Bolsonaro não era minha opção favorita para a Presidência, mas era o tínhamos para o momento, e neste ponto de brecar o aumento dos combustíveis tem meu total apoio, e espero que na reunião desta terça-feira seja tomada a solução correta para a população. Se a Petrobrás não quebrou com o butim petista, não quebrará agora.

Alberto Souza Daneu

curtasuasaude@uol.com.br

Osasco

Bem-vindos ao mundo real 

Como cidadão e pequeno acionista da Petrobrás, atrevo-me a dar despretensioso pitaco sobre a intromissão do Planalto nos preços do óleo diesel. Vamos aos fatos: 1) o País não tem, hoje, alternativa alguma ao transporte rodoviário, à conta de décadas de miopia de administrações que não conseguiram enxergar, em tempo hábil, a importância econômica e estratégica do investimento na malha ferroviária. 2) Tendo à mão novos instrumentos de comunicação - telefone celular, aplicativos de mensagens, internet, etc. - e atuando na linha "unidos venceremos", dada sua condição monopolista no transporte de cargas, o setor decidiu, então, ir à luta contra outro setor monopolista: a Petrobrás. Descontente com o histórico menosprezo às suas demandas, no mês de maio de 2018 os caminhoneiros encostaram seus caminhões em fila indiana, praticamente paralisando o País. 3) Com a "faca no pescoço", nada restou ao então presidente Michel Temer senão capitular. 4)  Entre as concessões então feitas, destaca-se a criação de uma tabela de fretes, complementada "por uma política de subsídio ao preço do diesel" ("Estado", 13/4, A3). 5) A tabela de fretes e os subsídios ao diesel vão sabidamente na contramão da economia liberal. Porém, economia de mercado pressupõe a existência de um "mercado" também na área de transportes - sabidamente inexistente. Temer foi muito criticado, mas não me recordo de alguém ter oferecido uma ideia que satisfizesse, a um só tempo, o "mercado" e também aos caminhoneiros, no sentido de pôr termo à crise que paralisou o País. 6) Com esse triste pano de fundo, chegamos, agora, a um novo impasse: os preços do diesel estão em alta e o presidente Jair Bolsonaro, informado pela Abin e com receio da irrupção de novo movimento ante a anunciada majoração em 5,7% do preço do diesel, interveio para que a Petrobrás recuasse momentaneamente, o que terminou derrubando seu valor de mercado em R$ 32 bilhões num único dia. 7) Dada a ação inopinada, as críticas, é óbvio, vieram de todos os lados: "intervenção na Petrobrás!", "intromissão", "desrespeito ao mercado", etc. Não vi os críticos, todavia, oferecerem um plano salomônico para evitar nova paralisação - porque ela fatalmente virá caso o governo insista em que um gerente executivo de comercialização ("Estado", 13/4, B3) de uma companhia monopolista (!) possa ter autonomia para majorar, em até 7%, o preço do produto de olho apenas no caixa da empresa onde trabalha. Todos somos a favor do "mercado", mas, convenhamos,  a própria Petrobrás o fere, porque é monopolista... assim como os caminhoneiros! O assunto é sério e, pelo visto, Bolsonaro não pagou para ver - e quem pagaria em seu lugar? Eu sou um liberal daqueles "de carteirinha", mas tenho absolutamente clara a dificuldade, num país cheio de contradições, como o nosso, e em que não há opção idônea ao transporte de cargas, de ignorar a força que demonstraram ter os motoristas de caminhão. Bem-vindos todos ao mundo real. 

Silvio Natal

silvionatal49@gmail.com

São Paulo

Estado x governo

Que o governo encontre outra solução para os caminhoneiros! Princípios e valores que embasam os ambientes de negócios e fazem a prosperidade de um país não podem ser descartados na primeira dificuldade. Países bem-sucedidos, como os Estados Unidos, que o presidente Bolsonaro diz admirar, distinguem-se por colocar as instituições acima dos governos. Desde a sua independência, no século 18, quando optou pelo federalismo e a plena descentralização dos poderes, aquele povo cultua a segurança jurídica como forma de proteção dos direitos à liberdade e, em particular, ao de empreender e realizar negócios com garantias avalizadas pelo Estado, e não pelos governos. Desaparelhar o Estado, em particular as agências reguladoras, e garantir - através de lei - blindagens que as tornem profissionais deve ser o ponto de partida para qualquer movimento que objetive a eliminar as incertezas de investir no Brasil. Empresários sérios não depositam seus recursos confiando apenas nas suas boas relações com governantes.

Nilson Otávio de Oliveira

noo@uol.com.br

São Paulo

Invasões de terras

A atuação mais enérgica do secretário especial de Assuntos Fundiários, Luiz Antonio Nabhan Garcia, nos primeiros cem dias de governo do presidente Jair Bolsonaro, representa um importante indicativo de avanço em aspectos de segurança para o campo. No 1.º trimestre de 2019, o Incra registrou uma ocupação de terra no País, contra 43 invasões registradas em propriedades em igual período do ano passado. Há tempos o setor cobrava postura de combate às ocupações ilegais, aos atos de incitação à violência e de afronta ao Estado Democrático de Direito. É preciso que o modelo ideológico de distribuição de terras seja repensado com fundamento em bases mais criteriosas dos pontos de vista jurídico e constitucional.

Marcelo Vieira, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) virgilio.amaral@agenciabluechip.com.br

São Paulo

O fim da Renca

Correto Jair Bolsonaro em acabar com a Reserva Nacional do Cobre (Renca), criada pelo governo militar para evitar que um grupo estrangeiro do qual um almirante não gostava fizesse pesquisa mineral nessa vasta área, do tamanho do Estado do Espírito Santo, situada no Amapá e norte do Pará. Para justificar a criação desse monstrengo de restrições, foi alegada necessidade de proteger reservas de cobre que ninguém conhece, ninguém viu. O absurdo da criação dessa "reserva" foi por demais óbvio, pois na ocasião o País importava a maior parte do cobre que consumia. Com isso, desde então nenhuma empresa pôde pesquisar qualquer tipo de minério nessa área. Hoje, sabe-se que ela é rica em ferro, que está à superfície de montanhas, e ouro, que vem sendo descoberto e lavrado por milhares de garimpeiros que para ali foram e atuam à margem da lei. Pode ter outros mais, como manganês, cromo, níquel e outros a verificar. Sobre ataque às florestas, o Brasil precisa reconhecer que quem mais promove desmatamento é o Incra, e não as minerações. É só ver e comparar. Entre outras, olhem Rondônia e a região ao redor de Carajás. 

Wilson Scarpelli

wiscar@terra.com.br

Cotia

O fim das Vossas Excelências

Saiu, bem recentemente, um decreto presidencial que determina o fim dos tratamentos do tipo Vossa Excelência e outras nojeiras. A bem da verdade, nos últimos 20 anos isso não passava de uma excrescência, pela atuação, além de medíocre, corrupta das autoridades. Em todos os poderes, para não ser injusto.

Paulo H. Coimbra de Oliveira

ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro

Suspeita pairando sobre o STF

Será mesmo que a CPI da Lava Toga não é boa para o Brasil, como afirmou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre? Diante do que vem sendo corajosamente noticiado por veículos de comunicação idôneos dando conta de que temos o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) citado na planilha de propinas da Construtora Odebrecht sob o codinome "amigo do amigo do meu pai", não seria recomendável que, ao invés de barrar uma investigação na alta cúpula do Judiciário, se permitisse que ela chegasse ao destino, igualando a todos, como determina a Constituição?  Após a saída do PT do cenário político, é desejável que haja uma força que interrompa hábitos herdados da velha política que resultaram na cassação de uma ex-presidente e na prisão de outro ex-presidente condenado por corrupção e lavagem de dinheiro? Aceitar como inimputáveis uma casta do Judiciário poderia abrir um perigoso precedente que poderia resvalar para o autoritarismo, o que não é bom para a democracia. Se a gravíssima denúncia da revista "Crusoé" não for esclarecida, os brasileiros terão de conviver com uma suspeita que paira sobre o presidente do STF. A propósito, a Corte acaba de censurar a revista por reportagem sobre Toffoli, mandando tirar do ar e intimando os responsáveis pela publicação da revista "Crusoé", em vez de apurar os fatos primeiro, tratando a reportagem como fake news. A dúvida é: será que a matéria, que foi produzida com base em documento da Operação Lava Jato, é fake news?

Paulo R. Kherlakian

paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

Censura

Desde quando o cidadão brasileiro Antônio Dias Toffoli não pode ser investigado por denúncias feitas e documentadas pela mídia? Tentando confundir o nome dele com a instituição Supremo Tribunal Federal, quer proteção que nenhum cidadão num regime democrático pode ter. Se a matéria é fake news, existem leis que punem seus autores. Está com medo do que, apelando para a velha censura? 

Luiz Frid

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

Calar é pior

Com que então o STF, instituição máxima de defesa das prerrogativas constitucionais democráticas, pratica ato explícito de censura, mandando retirar do ar uma reportagem sobre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli? Está certo que não é a primeira vez, nos tempos recentes, mas agora o ato discricionário visa a calar denúncias de corrupção contra um seu ministro, denúncia que se torna muito mais danosa à democracia se for silenciada do que se for esclarecida, o que deveria ser de interesse de todos, inclusive da própria Corte. Aliás, não é o STF que tem se pronunciado pela presunção de inocência de todos os acusados, mesmo e apesar de provas robustas em contrário, então por que não se valer de seus próprios princípios e enfrentar acusações, confiantes nas liberdades juridicamente democráticas? Por que calar os que acusam, e não acusá-los, então, de caluniadores e de difamadores?

Marcelo G. Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro 

Dias Toffoli

Quem não deve não deveria temer!

  

Robert Haller

robelisa1@terra.com.br

São Paulo

Investigação do Judiciário

O presidente do Senado declarou: "Sou contrário a que se investigue o Judiciário, pois isso não é bom para o País". Faltou a ele acrescentar: "Bom é roubar e permanecer impune".

Celso C. Cretella

cpropano@gmail.com

São Paulo

Respeito

Por que os cidadãos comuns têm de respeitar políticos e autoridades se políticos e autoridades não respeitam nem o País nem cidadãos comuns?

André Luis Coutinho

arcouti@uol.com.br

Campinas

Indenização a Francenildo

Por meio de decisão da 4.ª Vara da Justiça Federal, o caseiro Francenildo receberá R$ 950 mil da Caixa Econômica Federal (CEF) em processo por danos morais. Trata-se do escabroso caso em que na calada da noite de 2006, o então presidente da instituição Jorge Mattoso - responsável pelo início do brutal aparelhamento do PT na Caixa - entregou o extrato da conta bancária do caseiro ao então ministro da Fazenda Antonio Palocci. Com a crise instalada no governo, ambos (Mattoso e Palocci) foram exonerados de seus cargos. Independentemente do evidente valor exorbitante da condenação - fora dos parâmetros de razoabilidade para esse tipo de condenação -, cabe ação de regresso contra o ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso, para que este venha a ressarcir aos cofres da instituição financeira os prejuízos por ele causados. 

Milton Córdova Júnior

milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)

Hein?

É isto mesmo, Antonio Palocci quer ser consultor de curso à distância?  Que curso? Seria curso de "Como assaltar uma nação e ficar livre, leve e solto?". Parece brincadeira!

Aparecida Dileide Gaziolla

aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul 

'Ler o inimigo'

"O inimigo nunca é, de fato, o 'Marxismo cultural' ou 'Neoliberalismo', o inimigo é sempre a ignorância." A expressiva frase de Leandro Karnal ("Ler o inimigo", 14/4, C5) identifica o lamentável cenário que tem dominado a sociedade brasileira e os seus recentes governos. E que alegria foi a referência a Burke, Taine e Tocqueville. Reler as obras destes "clássicos conservadores" tem sido um bálsamo pessoal nestes tempos de arrogante superficialidade. Agradeço ao jornal e ao articulista, pela agradável percepção de não estar completamente ilhado.

Celso Augusto Coccaro Filho

ccoccar@gmail.com

São Paulo

Polarização

Sobre a matéria "Polarização política no Brasil supera média de 27 países" ("Estado", 14/4), não me incluo entre os que não querem conversar, e a meu ver a pesquisa passa ao largo de fatos fundamentais. Indiscutível que há gente que não aceita conversar, e por aí a pesquisa deveria iniciar suas investigações e concluir sobre a realidade. A esquerda é a parte que nem sequer aceita sentar, nem mesmo para um aperitivo ou bate-papo. Como posso afirmar isso? Segue o que vejo no dia a dia: 1) durante 14 anos a esquerda esteve no governo. Passadas as eleições, o País assimilava o resultado e a convivência pacífica ocorria; 2) passada a última eleição, e já se vão 105 dias, a esquerda contesta o novo governo em todas as frentes, como veremos a seguir; 3) no Congresso, a esquerda nem sequer avalia o que se pretende, é contra e não se discute; 4) a comprovação mais evidente é dada pelas mulheres da esquerda, com enfrentamentos diários. Zeca Dirceu, filho de condenado, demonstrando sua total falta de educação, e o bando de senhoras que se junta para roubar registros de reunião, invadir a mesa coordenadora e sabe-se lá o que mais elas inventarão, mostram de onde vem a rejeição completa ao diálogo. 5) A inconsequente tentativa de colocar Lula como inocente, mesmo depois da sequência de julgamentos e contínuas ratificações de condenação, inclusive deixando de levar em conta o bloqueio de  R$ 9 milhões de um fundo mostra que a esquerda não admite o óbvio. 6) Um conjunto de pessoas, destacando Dilma, Haddad e Jean Wyllys, sai pelo mundo pregando que no Brasil eles não são respeitados, ao invés de se sentarem e conversarem para haver entendimentos entre brasileiros. Ignoram um entendimento atávico: roupa suja se lava em casa. Por tudo exposto, considero que a pesquisa do Instituto Ipsos, longe de ajudar a desanuviar o ambiente, alimenta que a falta de diálogo permaneça.

Abel Cabral

abelcabral@uol.com.br

Campinas

Esquerda x direita

Na esteira da pesquisa Ipsos publicada neste domingo, realmente é melhor não discutir com quem segue a pregação do ódio e da mentira, e são fanáticos.

Marcos Honorio Belluzzo

mhonorio@uol.com.br

São Bernardo do Campo

Governos inviáveis

Com a expulsão do esquerdismo no Brasil, houve, sim, a sua reação, no sentido de tentar inviabilizar qualquer governo que não seja dele. A maioria do povo, por sua vez, rejeita estas maquinações de partidos e grupos de esquerda, incluídos aí os corpos docentes e discentes de universidades federais. Interessante observar que a mídia em geral tenta acobertar ou suavizar e até justificar em seus noticiários estas ações malignas e antipatrióticas. 

Ottfried Kelbert

okelbert@outlook.com

Capão Bonito

Radicalismo político

Não acho que quem pensa diferente de mim foi enganado ou é totalmente equivocado. Penso que nossas experiências e vivências determinam nossa consciência política e por isso muitas vezes é difícil de conviver com quem pensa tão diferente. Não há identificação e sem isso é difícil de estabelecer um contato mais profundo, pois não ocorre empatia, parceria, cumplicidade. 

Maria Ísis Meirelles Monteiro de Barros

misismb@hotmail.com

Santa Rita do Passa Quatro

Passaporte diplomático

Edir Macedo, o milionário da Igreja Universal, agora tem passaporte diplomático! Nada como ter um amigo no lugar certo! E assim caminha a humanidade, ou melhor, o Brasil! 

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

Não confundir

A quem possa interessar e no sentido de esclarecimento, a renovação do passaporte diplomático do bispo Edir Macedo, com quem não simpatizo, foi inicialmente dado pelo governo Lula. Ou seja, troca com troco, Bolsonaro apenas o revalidou. Então, a imprensa deve ser, além de tudo, esclarecedora, e não confundidora.

Antonio Jose Gomes Marques

a.jose@uol.com.br

Rio de Janeiro

Eleição na Espanha

Uma coalizão de direita com Pablo Casado (Partido Popular), Albert Rivera (Cidadãos) e Santiago Abascal (Vox) está muito próxima de obter a maioria absoluta de cadeiras (176 deputados do total de 350 parlamentares) do que uma coalizão de esquerda com Pedro Sánchez (Partido Socialista) e Pablo Iglesias (Podemos), de acordo com as intenções de votos das recentes pesquisas eleitorais realizadas na Espanha. O partido do primeiro-ministro socialista lidera e terá boa votação, mas ficará aquém do necessário para sozinho formar o governo. As mídias sociais desempenharão papel relevante, nestas últimas semanas de campanha eleitoral, pois o resultado ainda está totalmente aberto e poderá ser muito apertado.

Luiz Roberto Da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

Evento ladeira abaixo

Fui pedalando para o Red Bull Ladeira Abaixo, uma divertida corrida que mistura de carrinhos de rolimã com carro alegórico de carnaval, domingo em São Paulo. A primeira surpresa foi saber que num evento da Red Bull, patrocinadora de alguns dos melhores ciclistas do planeta, não havia local para estacionar as bicicletas. Os ciclistas que não desistiram e foram embora travaram suas bicicletas em qualquer lugar, algumas atrapalhando a passagem do público. Travei minha bicicleta próximo à estação do Metro Mackenzie, onde vi o público saindo da estação e sendo informado de que o acesso para o evento se dava só na saída do outro lado da Avenida Consolação, contornando o Mackenzie pela Rua Maria Antônia ou subindo até Rua Dona Antônia de Queirós. Nenhuma sinalização indicativa na estação ou no metrô. Talvez pelo celular, mas e se não tiver sinal ali? Um funcionário do evento sugeriu que a responsabilidade pela confusão foi da Secretaria de Segurança Pública, do que duvido, porque ela não é e nunca foi responsável pela sinalização para o público. Já dentro do evento, descobri que, se estivesse com meus netos, eles simplesmente não conseguiriam ver nada. Quem viu alguma coisa estava encostado à grade pisoteando as plantas do canteiro central da avenida, um pouco mais alto que o asfalto. Quem colocou o filho sobre os ombros teve a camisa imunda de barro. O evento tem um forte tom de brincadeira infantil e a maioria das crianças e adultos baixinhos simplesmente não viram nada. A maioria do público, bom para dia chuvoso, ficou no asfalto da avenida sem ver nada. Eu, com meus 1,85 m de altura, pouco vi, irritei-me logo e fui embora. Red Bull é promotora de grandes e importantes eventos mundo afora, incluindo em cidades onde os cuidados com o receptivo de turismo é prioridade. Quem permitiu tantos erros primários neste que deveria ser um divertido Red Bull Ladeira Abaixo? Alguns são obviamente responsabilidades do governo do Estado, responsável pelo metrô e pela segurança pública, e outros, da Prefeitura, a destruição das plantas do canteiro central, a falta de sinalização nas ruas, não pensar no público infantil. Não sei quem fez as reuniões pela Red Bull, mas ou desconhece a qualidade da organização de seus eventos lá fora ou não entrou na onda do "faz de qualquer jeito". Ou, então, a Red Bull só está preocupada com a gravação de imagens para mídias sociais. Que se dane a cidade, que se dane o público, vivam os milhões de "likes"! Ao governador João Dória, que vem de uma das respeitadas empresas de eventos do Brasil, seria conveniente zelar melhor pela coisa pública. Ou também aí o que vale é só a propaganda? Como educador, lembro a ele - e por que não ao prefeito de São Paulo? - que só se vai construir um futuro melhor para São Paulo e para o Brasil quando se começar a educar o povo com pequenos exemplos de boa qualidade. Sinalizar correto pode ser um bom primeiro passo. E um evento destes é uma excelente oportunidade. 

Arturo Condomi Alcorta

arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

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