Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para a edição impressa e portal estadao.com.br

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2019 | 03h00

MORDAÇA

Uma mão lava a outra...

De acordo com reportagem no Estadão (Investigação do STF vai excluir parlamentares, 18/4), o Supremo Tribunal Federal (STF) vai excluir deputados e senadores das investigações que pretendem apurar “ameaças e disseminação de notícias falsas contra os ministros da Corte e seus parentes”, como forma de “melhorar o clima” entre os dois Poderes. Lendo a matéria, entendi que o STF passou o seguinte recado ao Congresso Nacional: não mexa comigo que eu não mexo com você. Mas será que os brasileiros vão aceitar tal “acordo de cavalheiros” entre esses dois Poderes? Ou vamos continuar lutando por um Brasil melhor? Mídia e movimentos de rua precisam se unir na luta para prevalecer a democracia.

MARIA CARMEN DEL BEL TUNES

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

Aonde vamos parar?

Quer dizer que o Brasil virou o país do compadrio? No momento em que o Judiciário faz um acordo com o Legislativo para se protegerem, tudo pode acontecer. Isso é o resultado da escolha de amigos dos presidentes para compor a esfera maior da Justiça brasileira, em detrimento da escolha de pessoas com ilibada reputação jurídica. Apesar de tudo o que aconteceu em outubro de 2018, o Brasil vai afundando a cada dia que passa e nosso futuro vai sendo jogado no lixo. O resultado disso é imprevisível, mas os mais antigos já viram esse filme nos anos 60. 

MAURÍCIO LIMA

mapeli@uol.com.br

São Paulo

Os censores

A condição de ministro do STF, a carreira jurídica, os títulos acadêmicos, o magistério, a produção literária, os salamaleques alheios e os tratamentos nobilíssimos estarão, doravante, sempre em segundo plano para Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Aos olhos da sociedade brasileira, de forma permanente, cada um deles ganhou na testa um luminoso em letras garrafais e piscantes de néon: Censurador!

TÚLLIO MARCO S. CARVALHO

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

Dom Quixote e Sancho Pança

Diante da censura explícita aos meios de comunicação, vieram-me à memória as cenas de Dom Quixote percorrendo as estradas espanholas a perseguir moinhos de vento e confiscar a bacia de um barbeiro-cirurgião imaginando tratar-se de um troféu e passando a usá-la como um elmo, acompanhado pelo fiel escudeiro Sancho Pança, que tolamente esperava governar uma ilha... Parece que atualmente há pessoas lendo muitos romances de cavalaria.

ARLETE PACHECO

arlpach@uol.com.br

Itanhaém

Deidades

Ao defender o processo que abriu, vai apurar e julgar, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, disse que liberdade de expressão não é absoluta, pois tem limites, o que é uma verdade incontestável. Toffoli, todavia, finge não saber que quem define esses limites é a Constituição, em cláusula pétrea, até que uma nova Constituinte modifique a Carta Magna, e não alguém que está temporariamente no comando da Suprema Corte – e talvez queira mudar a sigla da instituição para DTF, ou seja, Divino Tribunal Federal...

ABEL PIRES RODRIGUES

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

Direito divino absoluto

Toffoli e Moraes devem ter-se inspirado nas Ordenações Filipinas, de 1595.

EUGÊNIO JOSÉ ALATI

eugenioalati13@gmail.com

Campinas

Pingos nos is

Solidário com as investigações dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, rememoro ofensas explícitas a membros do STF, para as providências cabíveis. Gilmar Mendes afirmou que Ricardo Lewandowski faz “absurdos no STF” (como fez no Senado quando presidiu a sessão do impeachment de Dilma Rousseff). Disse mais: “Eu não sou de São Bernardo, não faço estelionato eleitoral” – em referência à cidade natal do colega Lewandowski. Prova: ata da sessão plenária do STF de 16/11/2016. Ricardo Lewandowski observou que Gilmar Mendes reiteradamente falta ao decoro. Prova: ata de sessão do STF na mesma data. Gilmar Mendes afirmou que Marco Aurélio Mello é uma personalidade da vida pública que nunca foi “grande coisa do ponto de vista ético, moral e intelectual”. Prova: jornal O Globo de 11/5/2017. Marco Aurélio Mello admitiu ter uma “inimizade capital” com Gilmar Mendes e ameaçou: “Em relação a mim ele passou de todos os limites inimagináveis. Caso estivéssemos no século 18, o embate acabaria em duelo e eu escolheria uma arma de fogo, não uma arma branca”. Prova: entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, em 6/9/2017. Luís Roberto Barroso declarou que o ministro Gilmar Mendes é “uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”. Prova: ata da sessão plenária do STF de 21/3/2018. Espero que esta contribuição para esclarecer quem são alguns dos detratores do Supremo seja de valia para os excelsos investigadores.

SERGIO RIDEL

sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

CAMINHONEIROS

Crédito e frete escasso

São mais de 2 milhões de caminhoneiros no País, dos quais cerca de 300 mil sobrando no mercado por falta de trabalho. Liberar crédito para uma categoria em crise financeira por causa da escassez de frete não resolve e pode piorar sua situação, com aumento do endividamento. Colocar pneu novo, motor novo, se não tiver carga para transportar, não adianta nada. Em resumo, o que os caminhoneiros e todo o Brasil precisam é que a economia melhore e o País volte a crescer, com trabalho para todos. Trabalhadores do Brasil, caminhoneiros ou não, uni-vos. Acordai a tempo e enxergai que a solução para vosso problema passa com certeza pela reforma da Previdência, que o Congresso, a classe política e todo o setor público não querem aprovar porque acaba com seus privilégios, ao mesmo tempo que preserva a aposentadoria e os benefícios dos quase 90% da população que recebem salário mínimo. Cerquem seus deputados, senadores, governadores e prefeitos, façam valer seus votos e direitos, antes que seja tarde.

PAULO T. SAYÃO

psayaoconsultoria@gmail.com

Cotia

Preço do diesel

O governo tem maioria no Conselho de Administração da Petrobrás e por essa via pode pedir as informações de que precisa no tocante à composição de preços dos produtos que vende. Mas pelo que se acaba de ver, não tem sido assim.

WILSON SCARPELLI

wiscar@terra.com.br

Cotia


SE A MODA PEGA

Logo após receber ordem de prisão preventiva, suicidou-se o ex-presidente do Peru Alan García, um dos quatro ex-chefes de Estado acusados de ter recebido suborno da empreiteira Odebrecht (sempre ela!). No Japão, esses atos não são raros entre os corruptos desmascarados pela Justiça. Se a moda pega entre os latinos, como seriam as manchetes dos periódicos se os nossos (des)honrados políticos de igual índole, já condenados ou a caminho disso, seguissem o exemplo do precursor peruano? Sei lá! Seguramente, a desacreditada sociedade, estando a lavar as mãos como Pilatos, não exigiria feriado nacional.


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


*

O ‘ABRE-PORTAS’ DA ODEBRECHT


As notícias do dia relativas ao lamentável passamento do ex-presidente do Peru Alan García deram destaque ao fato de que vários ex-mandatários daquele país estão denunciados ou presos em razão de relações pouco republicanas, digamos assim, com a empresa Odebrecht. Lembraram as reportagens, também, que a ação deletéria da empresa estendeu-se por vários países latino-americanos e africanos. Só não vi ninguém destacar que o principal “abre-portas” para a empresa no cenário foi um cidadão hoje preso em Curitiba. É, foi, o principal responsável.


Marco Antonio Esteves Balbi mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro


*

SUICÍDIO


O ex-presidente do Peru Alan García atentou contra a própria vida ao receber ordem de prisão por, supostamente, ter recebido propina da construtora Odebrecht. Segundo consta, as leis peruanas são muito mais rígidas do que as brasileiras, daí o suicídio. Ora, se a moda pega, haveria uma limpeza geral no Brasil. Esso é o resultado de ter leis mais duras, não é mesmo?


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


*

SEM VERGONHA


O ex-presidente do Peru Alan García suicidou-se em meio a um escândalo de corrupção. No Japão, país onde a honra é valiosíssima, o ato é mais comum. Já no Brasil os malandros de colarinho branco nem sequer enrubescem de vergonha.


Marcelo Melgaço melgacocosta@gmail.com

Goiânia


*

VERGONHA NA CARA


O ex-presidente peruano Alan García, acusado de receber suborno da empreiteira brasileira Odebrecht, suicidou-se após receber ordem de prisão. García cumpriu dois mandatos presidenciais e, envergonhado com as acusações de recebimento de propina, optou pelo suicídio. Se os políticos brasileiros envolvidos em enésimos casos de corrupção tivessem brio e, principalmente, vergonha na cara, fariam o mesmo.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


*

OS SUBORNADOS DA ODEBRECHT


Seguindo o exemplo do ex-presidente do Peru, se todos os subornados pela Odebrecht se matassem, o ar aqui se tornaria muito mais respirável.


Jacob Dorf jdorf@uol.com.br

São Paulo


*

NO BRASIL


Alan García se matou com um tiro na cabeça quando a Polícia Federal do Peru foi prender o ex-presidente, acusado de corrupção em contratos com a Odebrecht. Se os políticos e empresários brasileiros se matassem quando a PF chega para prendê-los, não haveria cemitérios suficientes no Brasil. A Taurus venderia toda a sua produção e a Odebrecht entraria no ramo de construção de cemitérios, com financiamento do BNDES.         


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

  

*

CINISMO TUPINIQUIM


Se a moda peruana, que culminou com o suicídio do ex-presidente Alan García, envolvido em corrupção com a Odebrecht, pegasse aqui, no Brasil, nossos partidos políticos como PT, PMDB, PSDB, PTB e cia. teriam de construir vários  novos cemitérios para tantos caciques que iriam tombar, bem como comprar uma fábrica de munição, porque certamente  faltaria bala para tanta cabeça. E haja cinismo dos caciques tupiniquins! Vamos, galera, coragem! Já passou da hora de se redimirem perante o povo brasileiro, de quem tanto roubaram.


Armando Favoretto Junior armandofavoretto@gmail.com

São Jose do Rio Pardo


*

ACALMEMO-NOS


Podemos ficar tranquilos, não existe a possibilidade de político brasileiro cometer suicídio.


Ottfried Kelbert okelbert@outlook.com

Capão Bonito


*

ANDAMOS MAL


No Peru, na iminência de ser investigado, ocorre um suicídio; no Brasil, promove-se a censura geral e irrestrita. Como andamos mal.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


*

AMIGOS


Surreal a palestra do “amigo” Dias Toffoli na Congregação Israelita Paulista, em São Paulo: direito de expressão “não deve alimentar o ódio”! Excelência, quem alimentava ódio era seu amado ídolo, hoje preso, quando vociferava nos palanques o “nós x eles”. O que nós, os pagadores dos polpudos salários dos capas pretas, quando tomamos conhecimento das vossas “peripécias” jurídicas para privilegiar contraventores de todos os naipes, o que sentimos não é ódio, e sim muito asco. O sentimento é de revolta por vermos o senhor e seus pares rasgando a Carta Magna e agindo como inquisidores da Idade Média. Nojo por vermos rábulas ocuparem lugar que não merecem. Dá para termos respeito quando um dia destes vossa “magnanimidade”, em palestra, contou, rindo, como roubaram processo? Estamos errados?


Aparecida Dileide Gaziolla aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul


*

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL


Na contramão do Direito, a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito, sigiloso, para apurar possíveis ataques contra a Corte. Datíssima vênia, ao STF não cabe atuar como investigador. Ele é juiz! “Quem investiga não julga; e quem julga não investiga” – sob pena de praticar contrafação jurídica –, já enfatizou o ilustre ex-ministro de STF professor Carlos Ayres Britto. Agora, até quando teremos o “ilegal, e daí?” sendo praticado dentro do STF? Mas, como nem tudo está perdido, “(...) ainda há juízes em” (...) Brasília.


Gary Bon-Ali garybonali@globo.com

Rio de Janeiro


*

AINDA HÁ JUÍZES EM BRASÍLIA?


Se estivesse apenas tocando bumbo para louco dançar (“haters” das redes sociais), já seria ruim. Mas o STF (Dias Toffoli e Alexandre de Moraes) foi muito além: está incinerando a Constituição em praça pública. Dinamitou o basilar princípio da inércia jurisdicional, garante da imparcialidade. Exerce indisfarçável autotutela personalista (e as demais autoridades, igualmente vítimas de ataques?). Faz a norma constitucional se submeter a um regimento interno, afora o ridículo subterfúgio de entender como sede da corte todo o território nacional (outros juízes não podem dar decisões com alcance nacional?). Triste espetáculo de autofagia. Espera-se que o Pleno corrija este desviacionismo.


André Luiz Morais de Menezes alm.menezes@gmail.com

Ribeirão Preto


*

ATROPELO


Não é só a seleção brasileira que anda mal das pernas, os integrantes do Poder Judiciário, na sua grande maioria, também. Digo isso motivado pela atabalhoada decisão do ministro Alexandre de Moraes, que, por debaixo da toga, toma a dianteira de “investigações”, advogando para si, ou amigos, o que é atentado contra a Justiça. Pois que existe, na liturgia do Direito, o “princípio da inércia processual”, que também se diz Princípio do Poder Geral de Cautela do Juízo, quando nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o Ministério Público (MP) o requerer. Este princípio impede o juiz de aparelhar-se de “motu proprio” ou de ofício, tomar a dianteira do iter processual, (acusando ou investigando), usurpando o direito-poder-da-parte de requerer a intervenção do Poder Judicial. O Poder Judiciário é inerte. Passivo. Só age quando provocado para dizer o direito. Ao desfavor deste princípio não cabem nem justificativas, nem tampouco exceções. Toda a decisão do Judiciário que burlar este princípio é inócua, parcial, partidária, política, contraditória à Justiça, por misturar a decisão com interesses politiqueiros. A decisão “de ofício” do ministro Moraes atenta diretamente contra a Constituição e o Estado Democrático, e mergulha fundo na clara arbitrariedade e abuso de poder. A máquina judiciária que lhe vem posta às mãos é constituída no intuito único de salvaguardar direitos cívicos das partes, ela não tem partida própria, ela só se move se e unicamente quando ou a parte ou o MP acionarem a partida, o start. Então, sim, a máquina judiciária (o Estado-juiz) entra em funcionamento. Maldito o povo quando seus comandantes (ou por ignorância ou, pior, por má-fé) invadem de forma truculenta o Estado de Direito e os princípios regentes da democracia, entre eles o sagrado direito de expressão. O processo começa por iniciativa da parte, diz a lei, e a voz do Estado-juiz é a letra da lei. O juiz-homem, quando se reveste da toga, renuncia a suas opiniões (ainda que respeitabilíssimas) e incorpora a voz do Estado-juiz, esta que é a letra da lei. As partes não vão ao Poder Judiciário “pedir” opinião, elas requerem a dicção do Direito. “Da mihi facutm, dabo tibi jus” (traga-me o fato, dar-te-ei o Direito). É a regra número 1 do caminho processual. Cabe ao ministro a nobre e indispensável humildade de repensar o Direito, para que o torto não lhe tome a dianteira.


Antonio B. Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo


*

PITACO NO INQUÉRITO DO STF


Permitam que um velho operador do Direito – tendo o inquérito policial, por 30 anos, como seu instrumento de trabalho – ofereça sua visão deste episódio, que se fez transformar em imbróglio, da investigação deflagrada pelo STF. Lembro que é comum não só a Polícia Judiciária, como também outras áreas da administração pública (saúde, receita, educação e outras) deflagrarem, no âmbito da sua esfera, apuração de fatos que podem desaguar na definição de uma infração penal ou de mera violação de regra administrativa ou de caráter disciplinar. Penso que incorre em equívoco – ou simples visão divisionista com propósito de emparedar o emissor da medida – quem se apega ao monopolismo da persecução criminal do parquet. Por outro lado, não se discute – por ser mandamento constitucional – que o Ministério Público (federal e estadual) detém privativamente a iniciativa da deflagração do processo criminal, sendo, portanto, o destinatário do resultado da apuração, ainda que apenas em tese informe da autoria e materialidade de infração criminal. Por isso, a posição assumida pela procuradora-geral da República opondo-se à iniciativa do STF de instaurar inquérito para apurar situações, ações ou fatos que atentem contra a Corte Maior do País é legal, cabível e legítima. Quanto à inexistência de fato definido no momento da sua instauração e/ou indicação de autor ou autores alvo – no meu entendimento –, não inviabiliza, tampouco inibe a sua deflagração, visto que a lei processual penal estabelece que a mera existência, em tese, de infração penal justifica e embasa a instauração de inquérito policial. Esse procedimento apresenta como escopo a apuração de fato criminoso (repito, ainda que em tese) com vista a estabelecer a sua autoria e materialidade. Caso caracterizados estes dois elementos, a persecução preliminar poderia, também em tese, ser dispensada para oferecimento de denúncia pelo titular da ação penal apenas com a “notitia criminis”. Finalizando, a manifestação da procuradora-geral da República, em documento em que se opõe publicamente à iniciativa do presidente do STF, parece-me inoportuna, por açodada, intempestiva, por não ter aguardado o momento propício para sua intervenção, e manifestamente ilegal, por não lhe caber, em nenhuma circunstância, decretar o arquivamento de inquérito. Lembrando que o resultado da apuração criminal (preliminar) poderia não lhe ser endereçado, mas sim ao parquet estadual – responsável pelos casos que não envolvam interesse da União.  Por fim, pode o Ministério Público, em situações específicas, requerer o arquivamento do inquérito, após esgotados os trâmites legais – sempre com a ressalva do artigo 18 do CPC e sob auspício do Poder Judiciário.


Noel Gonçalves Cerqueira noelcerqueira@gmail.com

Jacarezinho (PR)


*

HONRA OU DESONRA?


Os ministros do STF, ex-excelências, ficam questionando a mídia pela divulgação das verdades. Especialmente, no momento, o ministro Moraes. Creio que sua honra esvaiu-se com os últimos fios de sua cabeleira. Era até um ministro bem comportado, mas, depois que viu seu padrinho ir em cana, mostrou sua verdadeira face. Que honra, ministro? Aí, no STF, poucos a têm. Honrado é o povo brasileiro.


Iria De Sá Dodde iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro


*

A PALAVRA É CENSURA


Desejo cumprimentar o “Estadão” que, como nos velhos tempos, rejeita atos ditatoriais, como no editorial de quarta-feira (17/4, A3) “O STF decreta censura”. Incabível, mesmo, num Estado Democrático como o nosso, um ministro do STF, que deveria ser um defensor da Constituição, praticar um ato inconstitucional como a intervenção que Alexandre de Moraes decretou. Parabéns ao meu jornal.


Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo


*

AMEAÇA À DEMOCRACIA


Num Estado Democrático digno deste nome, todo tipo de censura aos meios de comunicação é injustificável e atenta contra os mais elementares princípios de Direito, e torna-se ainda mais grave quando feita pelo Poder Judiciário, que tem entre suas atribuições a de garantir ao jurisdicionado o pleno acesso à informação. Todo tipo de censura é abominável e odiosa, e a pior de todas é aquela advinda de medidas judiciais, com o intuito único de amordaçar os meios de comunicação e impedir a liberdade de expressão inerente à essência da própria democracia. Vale, aqui, lembrar as palavras do eminente ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres de Brito, quando afirmou em histórico julgamento que “não há no Brasil norma ou lei que chancele poder de censura à magistratura”. E nunca é demais destacar que todo regime totalitário, seja ele de esquerda ou de direita, tem como prioridade, para atingir seus torpes objetivos, fazer calar, por todos os meios a seu alcance, aqueles que denunciam as irregularidades cometidas pelos detentores do poder. Calar a imprensa e negar ao povo o direito à informação são medidas próprias das ditaduras. Foi assim durante o Estado Novo, de Getúlio Vargas, que contava com o Departamento de Imprensa e Propaganda, o famigerado DIP, comandado por Lourival Fontes. O mesmo se deu durante o regime militar. Em todas essas ocasiões, a bota totalitária tentava esmagar aqueles que denunciavam as iniquidades cometidas pelos ditadores de plantão. A Constituição brasileira, em seu artigo 220, é clara ao garantir a liberdade de expressão e proibir qualquer tipo de censura e de cerceamento ao direito de informação: “Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. § 1.º: Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5.º, IV, V, X, XIII e XIV. § 2.º: É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”. Portanto, a censura imposta à revista “Crusoé” e ao site “O Antagonista” é uma aberração jurídica, que necessita de urgente solução, pelo Supremo Tribunal Federal, instância incumbida de indicar uma solução para corrigir o erro perpetrado contra a revista. Qualquer procrastinação do STF é totalmente injustificável sob quaisquer pontos de vista, por trazer irreparáveis prejuízos à liberdade de expressão, mas principalmente à democracia, tão duramente conquistada por todo o povo brasileiro, em árduas batalhas, que contaram com a indispensável ajuda de órgãos de comunicação, agora vítimas de tamanha violência.


José Carlos Werneck werneckjosecarlos@gmail.com

Brasília


*

QUE JUSTIÇA É ESTA?


Que país é este? A pergunta que não quer calar. Nada mais pertinente do que a CPI da Toga neste momento. Sempre fui um crítico severo de nosso Congresso Nacional, mas agora estou de pleno acordo com o Senado, já com as assinaturas necessárias para a instauração deste procedimento. Essa iniciativa merece aplausos de toda a população. O inquérito do presidente do STF tenta apenas resguardar sua própria imagem, de alguns ministros e perde a sua elevada finalidade de resguardar a Constituição. Se não desejassem se expor, que não criassem a TV Justiça, que teve como pano de fundo a divulgação dos atos da Suprema Corte e de seus ministros. Diversas instituições e inúmeros estudiosos do assunto foram contra esta execrável medida, contrariando, inclusive, a Procuradoria-Geral da República – fiscal da lei – e todo o saber jurídico mundial. Todas as forças vivas da sociedade devem se manifestar contra este atentado à liberdade de imprensa. Repletos de empáfia e vaidade, consideram-se os deuses do Olimpo, em seus púlpitos ricamente decorados. Não se dão conta de que estão se esvaziando a cada dia e a cada decisão contra o clamor público. Carecemos da real Justiça, em favor de todo o País.


João Coelho Vítola jvitola1@gmail.com

Brasília


*

A MORDAÇA INDECENTE


A atual ditadura do Supremo Tribunal Federal é um exemplo fiel – ao vivo e em cores – para os que não viveram os anos de chumbo. A iniciativa tenebrosa de censura e perseguição a jornalistas, em causa própria, violando a liberdade de expressão, nasce da indecente e inconstitucional Lei da Mordaça instituída de forma monárquica pelo presidente do STF, Dias Toffoli – aliás, um icônico representante maior da ala progressista da política. “Acuse seus adversários daquilo que você é.”


Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia


*

POR MUITO MENOS


Se é preciso um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal, como já foi dito, bastou um só ministro do STF calar o País e instalar a “ditadura” da toga.


Orson Mureb Jacob srassis@femanet.com.br

Assis


*

NOVA DITADURA


Hoje o Brasil, na verdade, vive uma ditadura do STF (quase sem juízes) e deste Congresso maldito (onde quase toda renovação consiste em mulheres, filhos, cunhados, primos, etc. de conhecidos caciques), que o povo, por falta de informação, elegeu. Tentam engessar o Poder Executivo, que por sua vez está bichado na base, que o trai.


Ulysses Fernandes Nunes Junior Ulyssesfn@terra.com.br

São Paulo


*

RESJUSTE DO DIESEL


O presidente Jair Bolsonaro ficou entre a cruz, a espada e os investidores da Petrobrás. As ações da empresa caíram 8,5% depois que o reajuste de 5,7% do óleo diesel foi cancelado. Sabem aquele velho ditado popular que diz assim: se ficar, o bicho pega; se correr, o bicho come? Pois então, pensando em beneficiar os caminhoneiros e preocupado com uma nova greve, o presidente preferiu cancelar o aumento do óleo diesel, o que ocasionou uma queda de 8,5% no valor das ações da Petrobrás, causando uma perda de R$ 32 bilhões no valor da companhia. Agora, a pergunta que não quer calar: o que seria melhor para o País, esta queda das ações da Petrobrás ou uma nova greve dos caminhoneiros, sem data para terminar?


Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo


*

NINGUÉM ENTENDE


Bolsonaro deve deixar de dizer que não entende de Economia. Os economistas também não entendem. Em especial os nossos, todos com mestrado e doutorado no exterior. Se entendessem, não teríamos R$ 4 trilhões de dívida pública, 13 milhões de desempregados e a taxa de juros mais alta do planeta, entre outras mazelas. E atingimos o caos com a ajuda eficaz do Legislativo e do Judiciário.


Paulo H. Coimbra de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro


*

RADARES SALVAM VIDAS


É preocupante saber, nesta Semana Santa, quando o fluxo de veículos é bem maior, que 18 mil km de rodovias federais estão sem radares porque o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), nada ágil, não renovou os contratos para funcionamento destes aparelhos nas estradas. Como divulgou o “Estadão”, em São Paulo, onde as estradas estaduais são mais fiscalizadas e têm 924 radares instalados, o número de mortes é menor do que nas estradas federais. Exemplo de duas estradas com extensão e fluxo de veículos parecidos: na Rio-Santos (SP55), com 78 radares fixos, nos últimos cinco anos morreram 78 pessoas. Já na Regis Bittencourt (BR116), no perímetro de São Paulo, com somente 14 radares, ocorreram neste mesmo período 113 mortes. Os próprios motoristas, principalmente os caminhoneiros, constatam esse perigo da falta dos equipamentos, porque os radares, pelas multas aplicadas, obriga o condutor do veículo a respeitar o limite  de velocidade. Espero que o presidente Jair Bolsonaro, mesmo odiando a imprensa, leia esta matéria, porque foi insana sua decisão de suspender a instalação de 8 mil radares nas estradas federais. Boa viagem! Feliz Páscoa!


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


*

PROCURAM-SE MECENAS


Imediatamente, reagindo ao incêndio na Catedral de Notre-Dame, a elite francesa se mobiliza em prol de sua reconstrução, com doação bilionária. Quando é que veremos o mesmo no Brasil, com igual celeridade? Agradecemos a ajuda para a reinauguração do Museu do Ipiranga, em reforma que já dura o mesmo que a construção da pirâmide de Quéops, e do Museu Nacional do Rio, que recebeu apoio milionário  do governo para reparo, sem que se saiba se terá acervo viável para voltar a se tornar museu.


Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


*

COMPLEXO DE VIRA-LATA


A brasileira Lily Safra, viúva do banqueiro Edmond Safra, doou R$ 88 milhões para a causa Notre-Dame. Por que não fez o mesmo com o nosso Museu Nacional, que também foi incendiado no Rio de Janeiro em setembro do ano passado? Um perfeito exemplo do “complexo de vira-lata”.


Eugenio de Araujo Silva eugenio-araujo@uol.com.br

Canela (RS)


*

VOLTAS QUE O MUNDO DÁ


Meu ex-cunhado Paulo Siqueira, que mora a poucos metros da catedral de Notre-Dame, em Paris, desde que se formou em Medicina há 50 anos, estranha a falta de solidariedade dos Tiné aos Siqueira, no caso da catedral. Ele, certamente, já se sente um francês, casado que é com uma francesa, com filhos e netos franceses. Não sei se devo pedir desculpas ou justificar a indiferença. Inicialmente, devo chamá-lo de privilegiado. Nem Chico Buarque, tampouco Fernando Henrique Cardoso, que possuem apartamentos em Paris, desfrutam de tal intimidade com a igreja, pois do reduto jataubense no Boulevard Saint Michel à Ilha da Cidade basta atravessar uma ponte. Dá para ir a pé. Em segundo lugar, não sei se minha cultura “made in Caruaru” alcança os valores de tantos objetos milenares ali depositados. Quando visitei a velha cidade, preferi ver Mona Lisa, no Louvre, ou o que resta dela depois de tanto reparo. Nem fiz “selfie”. Fui visitar as linhas modernas da sede do Partido Comunista francês, desenhada pelo brasileiro Niemayer, e egoisticamente fui ao Arquivo Nacional tentar descobrir a origem do sobrenome Tiné. Informaram que vem de Tonel, apelido dado aos homens que vendiam água em tonéis carregados sobre os ombros, na zona rural. Daí Tonel, Tonelli, Tinel, Tinelli, Tinet e Tiné, nomes abundantes hoje na lista telefônica de Paris. Posteriormente, surgiram os Tiné no Nordeste do Brasil. Mas o que inibiu minha manifestação de solidariedade não foi nada disso. Talvez tenha sido o impacto das imediatas intervenções, todo mundo querendo mostrar que já esteve lá e prová-lo com “selfies”. Preferi esperar e me divertir com o exibicionismo cultural de certos turistas. Até recordei que toda vez que fui à Europa caí na mesmice de subir e descer do ônibus o tempo suficiente para fotografar monumentos e demais pontos turísticos. Nada justifica minha falta de solidariedade, salvo o fato de andar mais preocupado com as mudanças de outra catástrofe, invisível a olho nu, que anda ocorrendo por aqui. O Museu da Língua Portuguesa, o Museu Nacional, o Museu do Ipiranga, a Lei Rouanet – paira sobre o Brasil uma ameaça explicitada em pronunciamentos mil e uma realidade que ninguém contesta. O mundo inteiro sai em socorro de uma igreja para a qual o mundo inteiro viaja. R$ 35 bilhões serão gastos na restauração de imagens, peças e outros detalhes artísticos da bela catedral. Por fim, uma prova de que não estou tão indiferente, como supõe meu ex-cunhado. Uma de minhas netas, a mais velha, entra numa faculdade federal em Ouro Preto, na área de restauração de obras de arte. Ela escolheu o curso muito antes de toda essa tragédia.


Flávio Tiné flavio.tine@gmail.com

São Paulo

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.