Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2019 | 03h00

REFORMAS

Inábeis ou ladinos?

Quem tem o PSL como amigo não precisa de inimigo. Rememorando: o ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados foi covardemente destratado, chamado de “tigrão” e “tchutchuca” por um deles quando tentou explicar a reforma da Previdência. E o que fizeram os ilustres governistas? Nada! Entraram mudos e saíram calados. Na última segunda-feira levaram mais um banho da oposição. Dos 66 integrantes da CCJ, apenas 20 são oposicionistas e mesmo assim conseguiram ganhar de lavada, 50 a 5. Explica-se: os lerdos e incompetentes que se dizem governistas, quando perceberam que a derrota era iminente, juntaram-se à esquerda e ao Centrão e a pauta inicial da imprescindível reforma foi passada pra trás, dando lugar à votação da emenda do orçamento impositivo, que nada mais é do que autorização para a gastança. Precisa falar mais alguma coisa? Três meses de mandato e os neófitos parlamentares já se parecem com abomináveis e astutas velhas raposas.

SÉRGIO DAFRÉ

sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

Perigo da desorganização

A manter sua incrível inabilidade de articulação no Congresso Nacional, o governo pode ver a reforma derrotada logo na CCJ. Mas pergunto: há realmente necessidade de o presidente da República ou o ministro da Economia se humilharem perante os parlamentares para lhes provar que as reformas são absolutamente necessárias e sem elas o País quebra?

FAUSTO JAMES VIDOTTO

faustovidotto@yahoo.com.br

São Carlos

Estratégia infeliz

O PT e seus aliados sempre foram contrários a projetos para favorecer os brasileiros, como a Constituição Cidadã, que vigora até hoje; o Plano Real, que pôs fim à inflação; e a Lei de Responsabilidade Fiscal, que regulariza os desmandos dos gastos públicos. E agora com que moral os responsáveis pela destruição do Brasil em 13 anos de desgoverno tentam atrasar o debate da reforma da Previdência na CCJ, essencial para tirar o Brasil do caos econômico, adotando a estratégia do “quanto pior, melhor”, em prejuízo dos trabalhadores que, no futuro, não terão o benefício da aposentadoria?!

JOSÉ WILSON DE LIMA COSTA

jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

Imoralidade

Levantamento feito a pedido do Estadão/Brodcast mostra que há no País 5.239 pessoas que recebem acima do limite de R$ 5,8 mil do INSS, a maioria anistiados políticos e ex-combatentes. O maior desses benefícios chega a R$ 52,6 mil por mês! Nós, o povo brasileiro, exigimos que seja revista e interrompida essa sangria e se acabe com tais privilégios absurdos e imorais, bem como com todos os penduricalhos na administração pública, sejam quais forem os motivos alegados, como direitos adquiridos, leis, normas, decretos, regulamentos, amizades, imposições divinas, repressão política e o que mais for. Basta! A Nação não pode mais permanecer refém desses privilegiados.

MARIO MIGUEL

mmlimpeza@terra.com.br

Jundiaí

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FINANÇAS PÚBLICAS

Saco sem fundo

Sem condições de controlar as despesas dos deputados e senadores, o Congresso reembolsou despesas de mais de R$ 2,8 bilhões nos últimos dez anos aos parlamentares, em passagens aéreas, alimentação, combustível e hospedagem, entre outros gastos. Pelo andar da carruagem, a fanfarronice com dinheiro público vai continuar por muitos anos ainda. Além disso, o Supremo Tribunal Federal autorizou que os Estados “burlem só um pouquinho” a Lei de Responsabilidade Fiscal, proferindo decisões favoráveis aos governadores nesse sentido. Esses são simbólicos exemplos da falta de gestão pública entre deputados, senadores e governadores, que só olham para o próprio umbigo. Haja saco sem fundo!

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

Não é capim

Ressarcimento de despesas de alimentação, combustível, viagens, hospedagens para os congressistas e seus assessores? Haja dinheiro público! Sem contar os gastos nas Assembleias Legislativas, nas Câmaras Municipais, mais os dos governadores, dos prefeitos... Costumo comparar o Brasil a uma locomotiva de última geração puxando milhares de vagões vazios, que nada transportam, mas nos trazem um custo altíssimo. Dinheiro público não é capim!

ARNALDO DE ALMEIDA DOTOLI

arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

‘Cotão’

Esse tal “cotão” é imoral e gera vício. Afinal, ressarcir nababos com dinheiro público é um descalabro. Uma multinacional pode agir assim com seus executivos, mas na máquina pública são outros quinhentos. E sem a imprensa livre nem saberíamos disso! Em dez anos de imoralidade foram quase R$ 3 bilhões pelo ralo. E esses colarinhos-brancos ainda querem ser acariciados para cumprir sua obrigação de trabalhar, votar as reformas?! Temos de parar com essa imoralidade. Se o sujeito já ganha R$ 33,7 mil por mês, por que cargas d’água temos de ressarcir notas fiscais “mandrakes”? É uma montanha de dinheiro público mal gasto. Socorro! 

LEANDRO FERREIRA

ferreiradasilvaleandro73@gmail.com

Guarulhos 

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HISTÓRIA DO BRASIL

Rememorando

Hoje, 22 de abril, completam-se 519 anos da chegada dos portugueses às terras brasileiras. Encontraram primeiro o Monte Pascoal e dois dias depois lançaram âncoras em Porto Seguro, hoje Baía de Cabrália. Eles vieram numa frota de 13 navios e 1.500 tripulantes, capitaneados por Pedro Álvares Cabral, fidalgo do Conselho de Sua Majestade, o rei dom Manuel I. Sejam homenageados Portugal e o povo lusitano. Eles teriam vindo, entre outros motivos, para tomar posse desta terra de Santa Cruz, catequizar os gentios, desenvolver o comércio de madeiras e especiarias e reagir às investidas dos mouros da África. Tudo indica que nossa terra já era conhecida, figurando em mapas de anos anteriores. Para essas incursões os portugueses haviam aperfeiçoado os navios, especialmente as caravelas, com proas elevadas, que possibilitavam espaço maior para o transporte de carga e mantimentos. Usando a bússola, o astrolábio e o quadrante, nossos colonizadores viajaram pelos quatro cantos do mundo, criando um vasto império. É por isso que a língua portuguesa é falada hoje por 260 milhões de pessoas, a quinta no mundo, a terceira do Ocidente.

M. CECÍLIA NACLÉRIO HOMEM

mcecilianh@gmail.com

São Paulo

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“Enquanto o governo não ‘atender’ os deputados e garantir as benesses solicitadas, nem a CCJ vai fazer o seu trabalho, quanto mais a Câmara dos Deputados. Benesses primeiro. É assim que é. E o Brasil que se dane”

GUSTAVO GUIMARÃES DA VEIGA / SÃO PAULO, SOBRE O ‘TOMA LÁ DÁ CÁ’ PELA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

ggveiga@outlook.com

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“Bolsonaro deve aproveitar as dificuldades que os petistas provocam para se capacitar”

EUGÊNIO JOSÉ ALATI / CAMPINAS, SOBRE ‘FAZER DO LIMÃO UMA LIMONADA’

eugenioalati13@gmail.com

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GOVERNO X CONGRESSO

“Deixado de lado por Bolsonaro, Congresso impõe agenda própria” (“Estado”, 21/4). Será que o Congresso, como um todo, só examina e vota as proposições que chegam do Executivo se vierem com afagos e agradinhos, como faz um cachorrinho nenê? Por que não assume logo, por si mesmo, a responsabilidade que dele se espera? Pior, ainda, é quando se vê a busca de agrados por membros dos partidos ditos “da base”.  Presidentes Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, o que dizem? O negócio é este mesmo? É difícil de perder esse costume?

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com .br

Cotia

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PRERROGATIVAS

Rodrigo Maia diz que o presidente, priorizando a independência dos poderes, “abre a possibilidade de restabelecermos nossas prerrogativas”. Se os congressistas tivessem um mínimo de pudor, dentro de suas prerrogativas, cuidariam do que é urgente e importante para o Brasil, tal como a reforma da Previdência. Mas não o fazem. Cuidaram, rapidinho, de aprovar o desejado orçamento impositivo. Resumindo: querem dinheiro, dinheiro e dinheiro. O País que se dane! Com todos os equívocos que se podem atribuir ao presidente Bolsonaro, os congressistas, na prática, comprovam e lhe dão razão quando pretende remover a “velha política”. Como em certos ambientes, afagos só com dinheiro.

José Roberto Cicolim jrobcicolim@uol.com.br

Cordeirópolis

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QUE PAÍS É ESTE?

Os deputados que fazem parte da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), num golpe contra todos os brasileiros, decidiram votar a PEC do Orçamento Impositivo em detrimento da reforma da Previdência. O ministro do STF Alexandre de Moraes censurou a revista “Crusoé” e o site “O Antagonista”, ordenando a retirada de reportagem do envolvimento do seu chefe Dias Toffoli com a empresa Odebrecht. Assim, resta perguntar: que país é este?

Darci Trabachin de Barros darci.trabachin@gmail.com

Limeira

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ATRASO NA CCJ

O Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados sempre foram contrários aos projetos que favoreceram aos brasileiros, como a “Constituição Cidadã”, que vigora até hoje, o Plano Real, que pôs fim à inflação, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que regulariza os desmandos dos gastos públicos, entre outros. Agora, com que moral os responsáveis pela destruição do País em 13 anos de desgovernos tentam atrasar o debate para a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), essencial para tirar o Brasil do caos econômico em que se encontra, adotando a estratégia do “quanto pior, melhor”, em prejuízo dos trabalhadores que no futuro não terão o benefício da aposentadoria?

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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COISA SÉRIA

Enquanto os parlamentares brincam de aprovar a reforma da Previdência, o País caminha seriamente para o precipício.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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UM CAMBALACHO DE POLÍTICOS

Pura besteira esperar que da politicalha botocuda saia algo de sensato e honesto nesta reforma da Previdência e em outras medidas que devem ser votadas para colocar o País nos trilhos. Assistimos a alguns discursos em que fingem defender a democracia, os direitos e a República, mas praticamente sem exceção lembram ratazanas de porão esfomeadas, roendo até os alicerces, sem se preocupar com a queda do imóvel. Fazem parte do Congresso Nacional, vulgo Cambalacho, como apelidou o povo cansado dessa situação, mas continua elegendo a mesma cambada de sempre, com pouca variação, e mesmo assim, se entram com boas intenções, os puros logo se corrompem. Parece praga celestial, como na piada de que reclamaram com Deus por ter colocado tanta riqueza e beleza nesta terra, enquanto noutras, desertos como um Saara. E ele respondeu que precisavam ver o povo que Ele colocaria neste paraíso.

Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça

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ABSURDOS IMPERDOÁVEIS

O povo brasileiro não aguenta mais tanta desfaçatez praticada pelos nossos dirigentes públicos. São vários os exemplos mais recentes. Um deles vem do Planalto: depois de o governo proporcionar um bilionário prejuízo para a Petrobrás e para 1 milhão de investidores, finalmente se materializa o reajuste do preço do diesel. Não como inicialmente proposto, de 5,74%, mas de 4,84%, ou mais R$ 0,10 por litro nas bombas. Pelo valor anterior estipulado pela estatal, que de forma estapafúrdia foi suspenso pelo presidente Bolsonaro, de 5,74% nas bombas, este combustível teria um acréscimo de mais R$ 0,12 no litro. Entenderam? Somente mais dois centavos... Ora, se o governo volta atrás desta decisão que desrespeita as regras de mercado, é porque não estava no radar a greve dos caminhoneiros – ou o presidente, literalmente, não passa de um embrulhão. São tantas as crises que promoveu junto com seus filhos nestes quase quatro meses de governo que não dá para jogá-las para debaixo do tapete institucional. Ora, não é possível acreditar que, com os menos dois centavos no litro do diesel os caminhoneiros vão desistir de fazer a tal grave, não é verdade? Ora, o povo brasileiro não merece assistir a estes absurdos imperdoáveis que vêm ocorrendo no seio das nossas instituições. Principalmente quando sabemos que temos uma economia em marcha lenta e 13 milhões de desempregados. Urge respeito ao nosso país, dando um basta a esta irresponsabilidade promovida pelos nossos dirigentes públicos. Os prejuízos são de toda ordem: vêm do Congresso, do Planalto e também do Supremo Tribunal Federal (STF). Como citado acima, somente Bolsonaro, ao suspender autoritariamente o reajuste da Petrobrás, deu um prejuízo de R$ 32 bilhões para a Petrobrás. No Congresso, segue o circo de horrores: nas sabatinas não respeitam autoridades convidadas, inclusive parlamentares do partido de Bolsonaro, o PSL; e colocam também todo tipo de dificuldade para atrasar a inadiável reforma da Previdência, para a qual parece que o próprio presidente se lixa. E agora, desgraçadamente, abre-se o esgoto institucional dos absurdos praticados: em nome de proteger a denúncia do delator Marcelo Odebrecht contra o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo, seu colega de Corte Alexandre de Moraes envergonha a Nação ao censurar matéria da revista digital “Crusoé” e do site “O Antagonista”, que publicaram a história. Como nos tristes tempos da ditadura militar, Moraes fere a Constituição, da qual deveria ser guardião, e manda às favas a liberdade de imprensa. É muita esculhambação para um país como o Brasil, com mais de 40 milhões de pobres, distribuição de renda medíocre, 50 milhões sem saneamento básico, atendimento à saúde um caos, educação precária, 13 milhões de desempregados, déficit público de quase R$ 140 bilhões, etc.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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ENTRE O RUIM E O PÉSSIMO

A propósito do editorial do “Bolsonaro e os caminhoneiros” (“Estado”, 16/4, A3), permito-me expressar uma opinião um tanto distinta da emitida pelo jornal. A Petrobrás não apenas é uma empresa monopolista, como atua num setor de capital importância para a Economia – o dos combustíveis que impactam a vida de todos. Sendo assim, ela deveria tomar suas decisões de forma responsável, de olho não apenas em seu fluxo de caixa, mas também considerando os diversos impactos de suas decisões na vida dos brasileiros. E, se não faz isso, cabe ao presidente, que tem por dever de ofício ver as coisas no “modo macro”, fazê-lo. Afinal, a Petrobrás pertence ao Brasil e deve servir aos brasileiros, e não o contrário. Sou um liberal “de carteirinha”, mas economia de mercado pressupõe abertura e concorrência –  rara no Brasil e inexistente no setor petrolífero –  e, mais que isso, supõe a existência de uma cesta de opções também  nos modais de transporte, que, todavia, é monopolizado pelos caminhões. O Brasil não tem, sabidamente, alternativa alguma ao modal rodoviário. Se os caminhoneiros param – e eles ameaçavam parar, segundo a Abin –, o Brasil também para.  Gostemos ou não, esse é o “novo normal” e quem quer que fosse o presidente estaria neste mesmo barco. Uma crise como aquela de maio de 2018 é tudo o que PT & puxadinhos sonham agora, quando a Previdência está tramitando a duras penas no Congresso. Logo, há objetivos maiores a serem preservados: a governabilidade,  a estabilidade social e política, o crescimento do PIB, a arrecadação de tributos, a votação das reformas, o poder de compra das famílias, o baixo nível de inflação, de juros, etc. E tudo isso seria comprometido por um novo movimento como aquele de maio. Não acho que Bolsonaro esteja  dando “carinho” em excesso a quem age com truculência, como vê o editorial referido. A questão é de outra ordem:  dadas as circunstâncias, o presidente agiu de forma prudente e preventiva para evitar o pior, tendo, todavia, de decidir entre o “ruim” e o “péssimo” ­– ossos do ofício. E, para evitar um mal maior, optou pelo “ruim” – que, a rigor, nem foi tão ruim assim, já que os múltiplos da Petrobrás estão mais valorizados hoje que em fevereiro – há dois meses. E, por falar nisso, na terça-feira os papéis da petroleira estavam em alta de 3,6% (!) no meio da tarde. O valor de mercado da Petrobrás voltará – e quem sabe ultrapassará – o patamar anterior a esta minicrise. Quem viver verá. 

Silvio Natal  silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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GREVE DOS CAMINHONEIROS

O representante dos caminhoneiros Wanderlei Alvez, o Dedeco, está descontente com o atual governo e juntamente com o seu grupo convocou uma greve da categoria para o próximo dia 29. Será que o Dedeco e seu grupo sabem que a última greve “foi um sucesso” graças ao apoio do povo brasileiro e do mito, Bolsonaro? Será que eles sabem que não podem  mais contar com esse apoio, pois o povo brasileiro não quer mais pagar a conta do prejuízo causado por uma greve dos caminhoneiros e que o mito, hoje é o chefe de governo? Enfim, espero que Dedeco e “cumpanheiros” saibam que têm todo o direito de fazer greve, mas que o direito deles acaba onde começa o meu direito, de ir e vir. O povo brasileiro não vai mais aceitar bloqueios nos pedágios, cargas perdidas, etc... E que o mito não vai mitar, pois o mito está tentando manter o seu mandato e um pouco do seu apoio popular, que precisa ser bem maior que o número de caminhoneiros existente no País. 

Maria C. Del Bel Tunes Goulart carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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VARGAS LLOSA E ALAN GARCÍA

Aguardávamos a análise do Prêmio Nobel de literatura e ilustre colaborador de “O Estado” sobre o fato histórico do suicídio de Alan García (21/4, A11). O enfoque não poderia ser outro. Político polêmico, excelente orador e possuidor de cultura incomum entre os peruanos. Compreendeu, depois de um primeiro governo desastrado, orientado ao estatismo e ao estrangulamento da economia de mercado, que esta representa a democracia – o menos pior dos governos. Entretanto, não se sensibilizou pela necessidade de combate à corrupção que sempre devastou o Peru e grande parte de nossa América Latina. E não deixou o governo tão pobre como entrou (“Meu patrimônio é este relógio”). Abriu diversas oportunidades culturais a Llosa e o cumprimentou de imediato no momento do Prêmio Nobel. O quadro demonstra o drama ambíguo das criaturas que empalmam governos em nosso continente pobre e estremecido pela praga que suga o público em favor do patrimônio privado.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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SALÁRIO MÍNIMO DE 2020

Estão batendo bumbo no fato de que em 12 anos é a primeira vez que o salário mínimo de 2020 não terá ganho real. Só terá a correção pela inflação. Deixem-me perguntar: e o ganho real acrescentou o quê? Deixem de ser hipócritas. Leiam o artigo 7, inciso IV da Constituição. Lá diz ao que o salário mínimo tem de atender. Por que não cobraram isso dos governos anteriores? Por que não cobraram do governo do PT, que se diz defensor do povo e do trabalhador? Por que se calaram? Cobrem isso dos presidentes. Ninguém vai lhes criticar por isso, afinal estariam cobrando o que diz a Constituição. Mas é mais cômodo fingirem que não sabem ou não veem. Fazem como avestruz. Salvo a hipótese de achar que o salário mínimo atual atende ao disposto na Constituição, a mídia está sendo hipócrita. E, se acham que realmente atende, peçam para o seu empregador lhes pagar o salário mínimo atual. Simples assim.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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QUASE TUDO É FAKE

Na política, o Brasil virou o país da piada sem graça, da falta de compostura, do tuite alucinado e mal escrito, da divisão sem sentido, do ódio, da farsa, da mentira. Só não são “fake” a pobreza, a desigualdade, o salário mínimo sem ganho real há anos – e já se anuncia que vai continuar assim –, o carioca ter trocado a alegria pela tristeza. Não é “fake” que a nossa vida mudou, que o nosso emprego se foi, que o nosso dinheiro minguou. O resto, abra o olho e, nas noites de tempestade, queime o ramo que guardou do Domingo de Ramos.

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

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O FIM DO MEIO AMBIENTE

Dilma Rousseff sempre disse que o meio ambiente era um obstáculo para o desenvolvimento do País, o presidente Jair Bolsonaro pensa da mesma forma e parece disposto a remover o obstáculo ambiental de uma vez por todas. Ninguém terá mais de se preocupar com regra nenhuma: matas ciliares, reserva legal, áreas de proteção permanente, terras indígenas, parques nacionais, tudo vai virar uma enorme plantação de soja com as novas regras da gestão Bolsonaro. Um exemplo: o dinheiro da multa pelo desastre de Brumadinho (MG) vai ser usado para premiar a empresa que cometeu o crime ambiental, o ministro do Meio Ambiente vai conceder à Vale, sem licitações, a gestão de vários parques nacionais, como “punição” por Brumadinho. Dilma Rousseff vai assistir de camarote ao obstáculo do meio ambiente ser removido para sempre pela gestão Bolsonaro.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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BARRAGENS DA IRRESPONSABILIDADE

A desídia comprovada das administrações em Mariana e Brumadinho, que produziu centenas de mortos e outras centenas de desaparecidos, afastou recentemente o presidente Fábio Schvartsman da Vale. O andamento do processo, resguardando interesses escusos com a velocidade de um cágado sedado, em pouco tempo será substituído por novo escândalo, tendo como escudo impenetrável o nosso apequenado Supremo Tribunal Federal (STF), cuja pompa requer uma limpeza com esfregão nas negras togas que os tornam invulneráveis. Os juízes acham que são deuses. Os ministros do Supremo têm certeza. Enquanto isso, centenas de corpos ainda se encontram sepultados na lama. Enquanto isso, o chefe do governo pretende aumentar o Bolsa Família com pagamento de l3.º salário para os beneficiários e reduzir o reajustamento do salário mínimo dos aposentados. Esperemos notícias melhores.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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FALTA EDUCAÇÃO DE TRÂNSITO

Li a sugestão de um leitor a respeito da proibição das motos na Marginal Pinheiros, de que eles deveriam frequentar cursos de cidadania. Aprovo totalmente. E desconfio de que haja muitos bandidos escondidos debaixo dos capacetes nas ruas de São Paulo. Ainda na quarta-feira, só pelo fato de eu ter mudado de faixa, sem absolutamente ter nem remotamente cortado a passagem de um motoqueiro, recebi em seguida um murro em meu espelho retrovisor direito e um grito raivoso com gesticulação já típica deles. Pensam que as ruas e avenidas são exclusivamente para seu uso, numa evidente distorção de seu direito.

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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VACINAS

Grande parte da população brasileira tomou a vacina contra a gripe em todo o território nacional. E pensar que Oswaldo Cruz quase foi linchado quando quis vacinar o povo contra a febre amarela no início do século 20. Os pioneiros sofrem em todas as áreas do conhecimento e da vida. Viva Oswaldo Cruz!

João Baptista Herkenhoff jbpherkenhoff@gmail.com

Vitória

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