Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para a edição impressa e portal estadao.com.br

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Presidencialismo de colisão 

Por vias tortas, o Congresso Nacional ocupa o vácuo de poder deixado pela Presidência da República e encaminha uma espécie de parlamentarismo informal. Se o Executivo se restringe à pauta ideológica de seu eleitorado “raiz” – especialmente a dos costumes e da obtusa política externa – e desconhece os graves e imediatos problemas cotidianos enfrentados pelos demais cidadãos, a tendência é que eles se agravem, com o incremento da tensão social, de consequências imprevisíveis. Os caminhoneiros são apenas o primeiro sintoma de uma série de insatisfações por vir. Outros agentes políticos se aproveitarão dessa inapetência e a oposição, hoje fragmentada, pode aproveitar a onda para se consolidar. E não apenas a oposição ideológica, mas os setores pragmáticos moderados – incluído o mercado – descontentes com os descaminhos econômicos e prejuízos decorrentes da pauta ideológica errática e limitada. É a estes últimos que se destina o parlamentarismo informal, com interlocução congressual, visto que o Executivo se mostra pouco sensível às advertências do próprio mercado. Se o presidente recusa o presidencialismo de coalizão, em breve só lhe restará o presidencialismo de colisão. Quando chegar esse momento, seu cacife de popularidade e poder já estará bem desgastado e consumido, pois muitas das forças que hoje o sustentam se terão retirado, discretamente. Como fizeram nos governos anteriores. Melhor que não se chegue a esse quadro. Para isso...

ROBERTO YOKOTA

rkyokota@gmail.com

São Paulo

Debaixo do tapete

Que ninguém se iluda, nós não extirpamos o petismo do País, apenas o varremos para debaixo do tapete. Qualquer escorregão pode fazer o tapete sair do lugar, a sujeira voltar à tona e ainda fragilizar seriamente quem eventualmente cair. Daí o perigo dos diversos escorregões do nosso presidente, mas que, mesmo assim, não são nada comparados com aqueles que estão por trás, loucos para puxar seu tapete. Imaginar que o novo presidente iria, num passe de mágica, sustentar uma nova política, capaz de varrer do mapa a velha política do “toma lá dá cá”, parece insanidade de um sonhador, mas, como diz o ditado, de médico e louco todos nós temos um pouco e sonhar nunca é demais. Por isso precisamos dar tempo ao tempo, para que o Brasil possa, finalmente, caminhar com passos firmes, livre de escorregadelas e empurrões de quem quer que seja.

RICARDO D. DE CAMPOS SALLES

dauntsalles@uol.com.br

Espírito Santo do Pinhal

Piromania

O País não está saindo da crise, o desemprego aumenta, as dívidas de pessoas físicas crescem, a economia patina, a inflação dá sinal de querer voltar, os investidores estão temerosos pelas indefinições, a confiança dos empresários despenca. E vem o sr. Olavo de Carvalho, que nada representa, a não ser ter o respaldo do presidente e de seus filhos, soltar impropérios, ofender o vice-presidente da República, atacar os militares, atrapalhar, desestabilizar o fraco e temeroso governo?! Cabe urgentemente “interditar” esse senhor que faz papel de piromaníaco, parecendo ser líder da oposição ao atual governo. Parem! O País precisa de serenidade para poder crescer, necessita criar empregos e dar oportunidade aos que, como eu, estão precisando.

PEDRO EDUARDO FORTES

pec.fortes@uol.com.br

São Paulo

Ofensas

O Rasputin dos Bolsonaros zomba, impune, dos militares e do povo. Tem caroço nesse angu!

ETELVINO BECHARA

ejhbechara@gmail.com

São Paulo

UNIVERSIDADES PAULISTAS

CPI ideológica

Instalou-se na Assembleia Legislativa CPI para examinar a gestão das universidades públicas paulistas, além do tal “aparelhamento de esquerda”. Enquanto o repasse (em porcentual do ICMS) do Estado a essas universidades não mudou desde 1995, elas aumentaram continuamente suas atividades e os serviços à comunidade. Só na graduação o número de alunos aumentou 75,7% na USP, 98,8% na Unicamp e 93,7% na Unesp. Logo, não se sabe de onde veio a ideia de “gastos excessivos”, já que essas instituições estão fazendo mais com menos. A contratação e o avanço na carreira dos professores são por concurso público de provas e títulos, entre os quais não consta “orientação política”. Além de avaliação contínua pelos alunos, a produtividade dos professores é medida pelas publicações em revistas internacionais, em concorrência com cientistas do mundo inteiro. As estaduais paulistas estão entre as primeiras dez universidades na América Latina e a USP está na 118.ª posição no mundo (World University Ranking, 2018). Sempre há espaço para melhorar, mas levar essa “guerra cultural” para essas universidades nada resolve. Que tal CPIs para saber por que as crianças paulistas não são bem avaliadas em Matemática e Português, ou elaborar política séria para melhorar a segurança pública, que não é baseada em mais repressão, mas em inibição do crime e recuperação dos infratores? Ou a ideia é só trocar uma ideologia de esquerda por outra de direita?

OMAR EL SEOUD

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

Intervenção

As universidades públicas do Estado de São Paulo são de excelência e produzem pesquisa científica de qualidade internacional. Mesmo com constantes e enormes cortes orçamentários conseguem assim fazer por causa de sua autonomia. A CPI das universidades, como bem mostra editorial de 23/4 (A3), é uma forma até pouco velada de intervir no que funciona. Lembremos que nem interventores como Paulo Maluf ou extravagantes populistas como Orestes Quércia ousaram tanto. Apenas José Serra quebrou a autonomia, com mudança no Conselho dos Reitores, mas teve de voltar atrás publicando “decreto declaratório”, o primeiro e único na história do Estado. Geraldo Alckmin alterou as regras da Fapesp, mas não chegou perto das universidades. Não há bom senso no governo e apenas pela ação política é que se conseguirá evitar tal disparate.

ADILSON ROBERTO GONÇALVES

prodomoarg@gmail.com

Campinas

PC FARIAS

Lentidão e absolvição

A morosidade da Justiça brasileira é inigualável. O crime que abalou a República, o assassinato do homem forte do governo Collor, o tesoureiro PC Farias, e de sua namorada chegou ao fim depois de 22 anos sem punir ninguém, fato que corrobora a necessidade do pacote anticrime de Sergio Moro e a premência de encarcerar condenados em segunda instância.

J. A. MULLER

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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POLÍTICA

Donald Trump, pelo Twitter, dá sugestões para combater o incêndio da catedral de Notre-Dame; Jair Bolsonaro governa (?) ouvindo e talvez seguindo os conselhos do astrólogo picareta da Virgínia Olavo de Carvalho; o vetusto e venerável Parlamento Britânico não sabe o que decidir a respeito do Brexit, o que vai exigir um repouso prolongado da primeira-ministra Theresa May depois que conseguir livrar-se deste autêntico pesadelo; um humorista é eleito na Itália e, agora, na Ucrânia. Não há como fugir da conclusão: a política virou uma piada, infelizmente de mau gosto.

Paulo Afonso de Sampaio Amaral drpaulo@uol.com.br

São Paulo

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NO GOVERNO BRASILEIRO NÃO

A democracia brasileira não aceita nem admite que nos quadros dos governos no Brasil haja os tais gurus, ou filósofos, ou bruxos, ou pensadores, ou Rasputins, ou vigaristas. Portanto, os olavetos e as olavetes bolsonaráticos e bolsonaráticas devem se resignar com a proscrição de Olavo de Carvalho do governo Bolsonaro. Fica, Bolsonaro! Fora, Olavo de Carvalho, o vigarista da Virgínia!

Ney José Pereira neyjosepereira@yahoo.com.br

São Paulo

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MOURÃO X OLAVO

Hamilton Mourão, que vem atuando de forma exemplar como vice-presidente, fez muito bem em classificar o pretensioso, futriqueiro e intolerável Olavo de Carvalho de “astrólogo”. Parabéns, general!

Marcelo Melgaço melgacocosta@gmail.com

Goiânia

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COMPOSTURA

Recado a  Olavo de Carvalho, usando a mesma manifestação do rei da Espanha Juan Carlos ao finado Hugo Chávez: “¿Por qué no te callas?”. Acho, ainda, que também cairia bem ao filho Carlos Bolsonaro.

Adib Hanna adib.hanna@bol.com.br

São Paulo

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BOLSONARO RECEBENDO O PAI DO NEYMAR

Presidente Bolsonaro, não fui seu eleitor nem de seu adversário, mas me incluo na condição de torcedor do time chamado Brasil, juntamente com os 206 milhões esperançosos do sucesso desta sofrida nação. Relembrando, deste total, 52 milhões de brasileiros estão na linha de pobreza e 14 milhões, na amargura do desemprego, e jogam a pelada do dia a dia em precários campos-cidades de várzeas, cerrados e caatingas, a maioria sem infraestrutura básica. No outro extremo, 20 milhões de brasileiros, que detêm 50% da renda brasileira, frequentam arenas-cidades com água, luz, esgoto e plenamente urbanizadas. O mais cruel, sr. presidente, é que esses serviços prestados pela máquina pública custam R$ 3,6 trilhões, ou 53% do PIB brasileiro, significando 6 meses e 13 dias de trabalho igualmente rateado entre todos deste país, independentemente dos benefícios recebidos. Por isso, sr. presidente, este jogo agora em campo tornou-se crucial desde os primeiros minutos à sobrevivência da Nação e, portanto, inaceitáveis eventuais caneladas e bolas nas traves, bem como a insistência de, numa única partida, transformar nosso secular futebol-política do “toma lá, dá cá”, por novas práticas, que aliás desconhecemos quais são, ante o time-Legislativo. O momento, de extrema delicadeza, é inadequado para a prática de mágicas tiradas da cartola por um desconhecido e pretensioso técnico-guru, que nem sequer mora no País. Basta jogar um jogo limpo, honesto e leal, que as mudanças virão por salutar consequência. Alterar práticas dominantes é trabalho para muitas partidas-gerações. Aliás, sua própria chegada à Presidência é um bom exemplo nesse sentido: um movimento de timing no tempo certo, percebendo o vácuo do insano momento histórico de desgovernança ainda a superar. Desta forma, sr. presidente, observando que o estádio começa a se esvaziar, como indicam as pesquisas, alertamos que não é hora de jogar somente para os presentes e mandar memes para o restrito público fiel ausente, ou entrar em campo com camisa falsificada e sem a esperada elegância de um capitão de time. E, ainda, privilegiar o pai de um jogador famoso, passando-lhe preferencialmente a bola, e assim quebrando usuais regras que determinam tratamento igual para todos no jogo da cidadania, independentemente do estrelismo eventualmente carregado por alguém e, pior ainda, gritar a sequência obrigando parceiros também a devolverem a posse de bola. O momento exige um jogo com profissionalismo ímpar e uma visão predominante do campo chamado Brasil. Assim, buscando afastar a desesperança que se aproxima e realinhando para um placar vitorioso, rogamos, sr. presidente: ouça os nossos técnicos, mude seu estilo de jogo, dê-nos essa vitória. Uma derrota será desastrosa para todos, em campo e fora dele.

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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O PRIVILEGIADO DEVEDOR

Para discutir dívida com o nosso Fisco, o presidente Jair Bolsonaro convoca até o ministro Paulo Guedes e o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, para receber no Planalto o pai do craque Neymar, como se não tivesse outros graves problemas para resolver no País! Por que o privilégio a Neymar, este contribuinte que deve R$ 69 milhões ao Fisco – e que deseja pagar somente R$ 11,5 milhões –, de ser ouvido pelo presidente da República e demais importantes colaboradores do Planalto? Não é esta a tal prática da “velha política” que tanto Bolsonaro critica? Isso porque o que não falta no Brasil são departamentos da Receita Federal para atender e até discutir as dívidas de um contribuinte.    

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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CARÊNCIA NACIONAL

Uma das grandes carências de nosso país é a falta de líderes. A educação de um povo, de uma sociedade, de uma família ou, ainda, empresa se baseia muito nas palavras e ações de seus respectivos líderes e, de forma geral, o desenvolvimento e progresso estão atrelados à qualidade das lideranças. Sem dúvida que a figura de líder máximo de uma nação tem uma representação muito forte e importante e daí para baixo, todo um conjunto de exemplos. No caso do Brasil de 1985 para cá, tivemos líderes medíocres e gângsteres (Sarney, Collor, Dilma), um populista bandido (Lula), arrogância e vaidade (FHC) e a decadência política (Temer). Assim, temos gerações de brasileiros formadas pelo exemplo do que havia de pior, e hoje sofremos todos com péssimos jornalistas e servidores públicos, entidades mercenárias (OAB, sindicatos, ONGs, etc.), políticos ladrões e parasitas. Será um longo e doloroso processo de transição até corrigirmos essa deficiência, e espero que o novo governo comece os primeiros passos para uma mudança nesse sentido.

André Luis Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

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REALISMO PARA GOVERNAR

Impressionante como esta “guerrilha virtual ideológica” dentro dos apoiadores do atual governo está prejudicando sua performance. Parece, para a opinião pública, que os governantes acham que o ato de governar é um jogo de vídeo game, o que apenas agrava as nossas grandes vulnerabilidades. Urge que todas as lideranças da País – incluindo o governo – entendam que precisam encontrar urgentemente soluções factíveis e democráticas no sentido de solucionar as nossas necessidades, que tanto prejudicam a nossa imensa e sofrida população.

José de A. Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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SEMIPRESIDENCIALISMO OU SEMIPARLAMENTARISMO?

Falou-se muito, pouco tempo atrás, em semipresidencialismo, com o governo executando as propostas aprovadas pela maioria dos cidadãos que o elegeram, sob aval e fiscalização do Congresso Nacional. Nossos legisladores atuais parecem-me proativos demais, querendo impor uma agenda a partir dos comandos partidários e sob a batuta de Rodrigo Maia, agenda não discutida com a sociedade. Que voltem às suas funções regulares para que esta democracia funcione. Já basta um Judiciário desfocado, pensando ser um superpoder!

Roberto Viana Santos rovisa681@gmail.com

Salvador

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CARTA DE UM FRUSTRADO CIDADÃO BRASILEIRO

Nasci pouco antes do início da 2.ª Grande Guerra. Padeci um pouco nas filas de pão em São Paulo. Ia toda a família, pois se podia comprar apenas um pequeno filão – de farinha misturada – por pessoa. À noite, de vez em quando, soavam as sirenes para um ensaio de “black out” em São Paulo. Nunca entendi por que, pois já entendia que o Brasil ficava muito longe do palco da guerra, conforme meus avôs diziam. Após 1945 o País se reencontrava com o voto, depois de muitos anos de ditadura. Sob o governo Dutra, o Brasil procurava se ajustar aos novos tempos; entretanto, eis que o inesperado logo acontece. Como dizia a canção carnavalesca, “bota o retrato do velho outra vez”, e Getúlio foi eleito para governar novamente o Brasil. Forças contrárias pressionam e o levam ao suicídio, poucos anos depois de sua eleição. A duras penas se elege novo presidente, até hoje muito considerado. Era o dos “50 anos em 5”. Kubitschek lançou a indústria automobilística e a semente da indústria naval. Depois de alguns solavancos, seguiu-se o “período de 21 anos”. No início, sob Roberto Campos na Fazenda, reestruturou-se economicamente o Brasil. No período seguinte o Brasil cresceu como nunca, tendo atingido 14% em 1971 com Delfim Netto dirigindo a Economia. Mas... sempre há um mas... em 1973 os árabes deram início ao aumento de preços de petróleo com o primeiro salto de US$ 2 para US$ 8 o barril. Nixon reage levando a taxa de juros para um pico de 20%. O Brasil, sem petróleo e sem capital financeiro, tem menor crescimento. O presidente Geisel achava que o furacão não atingiria nossas praias. Nunca entendi o porquê de tal atitude impensada. Ao iniciar a década de 80, a economia brasileira desaba. Apenas ao final do século passado e inícios deste se consegue alguma recuperação, mas longe dos índices da época do “milagre brasileiro”. E, para piorar, nos dois últimos anos do governo Dilma vivemos o “caos”. Nunca na história da República o desempenho econômico, com suas consequências nos anos seguintes, foi tão deplorável. Sob Temer, alguma recuperação, algum alento. Sob Bolsonaro, forte frustração. Não sei o que pensar. Será que temos jeito?

Francisco P. Canto francisco@mcquimica.com.br

São Paulo

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A NOVA LEI ROUANET

A farra dos chamados “projetos culturais”, mamata que residia nos cofres do governo e beneficiava de forma indecente principalmente artistas que representavam a tropa de choque do Partido dos Trabalhadores (PT), recebe um golpe mortal do governo Bolsonaro. Pela mudança na lei, o limite de captação por projeto passará de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão, haverá mais ingressos gratuitos e novo nome para o mecanismo. O nome de Rouanet não merece ser comparado à mamata.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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NA JUSTIÇA

“Ex-ministros podem levar a Lei Rouanet à Justiça.” Estará correta essa manchete? O certo não seria “A Lei Rouanet levará à Justiça ex-ministros”?

Maria Gilka mariagilka@mariagilka.com.br

São Paulo

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QUEDA LIVRE

Na primeira página do “Estadão” do dia 23/4, do lado esquerdo, abaixo, o jornal nos anuncia a queda livre do limite de captação do incentivo à cultura (Lei Rouanet), de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão. Num país onde o presidente não entende de Economia, porém intervém; e tampouco entende de cultura, porém a estraçalha, só nos resta olhar para cima da mesma primeira página do jornal “Estadão” e sentir saudades do nosso maldito da MPB, Itamar Assumpção, que faria 70 anos em 2019. Neste Brasil extremo, sem incentivo à cultura e à deriva, como faz falta o Nego Dito.

Leandro Ferreira  ferreiradasilvaleandro73@gmail.com

Guarulhos 

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CENSURA FOI ‘RESOLVIDA’

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, insiste em afirmar que “não houve mordaça ou censura” aos sites de notícias “Crusoé” e “Antagonista”, com a proibição da reportagem que o identificava como “o amigo do amigo do meu pai”, citado na delação de Marcelo Odebrecht. Para o ministro, a matéria da revista é uma “ofensa à instituição” e foi uma tentativa de pressionar o STF às vésperas de julgamento sobre prisão em 2.ª instância. O raciocínio ofende o senso comum: a reportagem da “Crusoé” foi publicada no dia 11 de abril. O julgamento estava marcado para o dia anterior, 10/4, e, por ordem do próprio Toffoli, em 3/4, fora adiado sem previsão de data para acontecer. Pretender fazer desta matéria – verdadeira, diga-se – um “ataque à instituição” é outra agressão à inteligência alheia. Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga ataques ao STF, comunga da mesma opinião que Toffoli. Autor do decreto de censura aos sites, por ele mesmo revogado, declarou, entretanto, de forma incoerente, que a censura – inexistente, segundo ele e Toffoli – foi “resolvida”. Protagonistas de um dos episódios mais constrangedores da história do Supremo, Toffoli e Moraes não têm mais condições para a função de guardiões da Constituição. Cabe ao Senado Federal fazer uso de sua competência e afastá-los do STF, a bem da normalidade institucional da Nação.

Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

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LIMPANDO O NOME DO TRIBUNAL

Após o inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal para apurar supostas ameaças a ministros da Corte, um grupo de advogados lançou um manifesto em defesa do STF. Segundo o presidente rotativo da Corte, Dias Toffoli, a origem de ataques e injúrias teve como objetivo depreciar o nome da instituição que preside com o apoio de grupos não identificados e até de organizações estrangeiras (CIA, Mossad?) para que se curvem, definitivamente, ao populismo autoritário. A pergunta que fica é: depois de confirmado o nome do presidente do STF na lista de propinas da Odebrecht, fato que motivou  a suspensão da censura imposta à revista “Crusoé”, apurando-se que a notícia, longe de ser uma fake news, tratava-se de um fato real, o ministro já veio a público esclarecer quem de fato era “o amigo do amigo do meu pai”, livrando seus colegas do tribunal de mais constrangimentos?  

Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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DEFESA

Acredito que a defesa da revista “Crusoé”, no imbróglio da censura, poderia ser nestes termos: “Excelências, com efeito! Termos em que, Pede Deferimento. Assinado, advogado.” Vai valer o velho ditado: para bom entendedor meia palavra basta!

Ary Braga Pacheco Filho ary.pacheco.filho@gmail.com

Brasília

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ERRO

É um erro a insistência do ministro Alexandre de Moraes, a pedido do ministro Dias Toffoli, de continuar a investigação das ditas ameaças graves contra os ministros do STF, que já culminaram com mandados de busca e apreensão e bloqueios de contas de investigados no Facebook, WhatsApp, Twitter e Instagram, à revelia do Ministério Público. Essa atitude vai de encontro com a Constituição federal, que reserva à Polícia, sob a fiscalização do Ministério Público, a condução de investigação.

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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CODINOME

Dias Toffoli pode espernear à vontade, censurar o que quiser, que será sempre “o amigo do amigo do meu pai”.

Cecilia Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

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O TEMOR DE DIAS TOFFOLI

Que medo atroz atormenta o ex-advogado do PT quando atropela a Constituição? Não tem poder imperial. Quando a verdade for conhecida, deverá dar explicações. Não apenas ele, mas também seu fiel escudeiro.

José Wilson Gambier Costa jwilsonlencois@hotmail.com

Lençóis Paulista

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CORRIDA MALUCA

Se Toffoli fosse uma pessoa direita, já teria renunciado há muito do seu posto no STF. Mas não. Até porque não faltam outros exemplos a seguir na própria Corte e fora dela. E o Senado da República, que deveria ser a espada e balança do STF? Nada, óbvio! Enquanto o País se incendeia, vão todos assistindo à corrida de submarino (daqueles fabricados pela Odebrecht). Mamar no Estado deve ser uma coisa fantástica, mesmo.

Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

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TIRO NO PÉ

Com toda certeza, Dias Toffoli não imaginava a repercussão negativa da maioria da população, da mídia e até de colegas do próprio Supremo quando impôs censura ao site “O Antagonista” e à revista “Crusoé”, tendo de retroceder em apenas três dias. Isso talvez seja reflexo de sua falta de competência por ocupar tal posto, visto que nem sequer conseguiu passar em dois concursos para a magistratura de primeiro grau, e lá está apenas por ter sido advogado do PT e indicado por Lula. E, para continuar retribuindo favores ao antigo chefe, acaba de autorizar este presidiário a dar entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”. Será que todo presidiário tem esse direito? Sei não!

Luiz Roberto Savoldelli savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo

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MAU AGOURO

Precisamos de senhores das leis que trabalhem para a sociedade, que não abusem da boa-fé alheia! Leio nas redes sociais, nossa grande aliada, que o sumo presidente Dias Toffoli, ao arrepio da Lei de Execuções Penais, autoritária e monocraticamente, cassou decisão anterior do ministro Luiz Fux e concedeu um ilegal benefício ao seu correligionário preso Luiz Inácio da Silva, vulgo “Lula”, que poderá receber jornalistas na cadeia e conceder entrevistas como se livre estivesse. No país da carteirada, alguém ainda tem dúvidas de que os concursos que reprovaram o advogado Toffoli já sinalizavam que o então candidato não era uma abençoada ave de bom agouro jurídico? Um predestinado pusilânime? Sou grato à sabedoria dos humildes amigos dos meus pais e avós. Com eles aprendi o que é retidão, honestidade e correção.

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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AINDA O STF

Cale boca para uns e “fale” para aquele outro. Seria o começo do “controle social da mídia”? 

Guto Pacheco jam.pacheco@uol.com.br

São Paulo

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ENTREVISTA

Será que o repórter que vai entrevistar o presidiário vai pautar as seguintes perguntas? “O senhor admite que é corrupto?” “Qual o motivo que levou o senhor a financiar obras em países comunistas, em detrimento de nossas rodovias, portos, hospitais, escolas e hospitais?” 

Francisco José Ruggero f.ruggero@terra.com.br

São Paulo

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MEGAFONE LULOPETISTA

Com autorização do STF, a tal entrevista bem que poderia ser em cadeia nacional...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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FIDELIDADE

A fidelidade (ou lealdade) é uma característica do que é fiel, do que demonstra zelo, respeito por alguém ou algo. É uma qualidade rara e admirável! Portanto, o chamado “amigo do amigo do meu pai”, o nobre presidente do STF, rábula do PT e seus satélites, “semper fidelis” ao mestre, derrubou a “censura” de entrevistas do inominável ex-presidente! Esqueceu-se de que “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”? Desde quando presidiário pode dar entrevista? Não é à toa que nossa Justiça é uma piada!

Aparecida Dileide Gaziolla aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul 

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PRESOS E CONDENADOS

O eminente ministro Dias  Toffoli, cria do PT, liberou que o honestíssimo e ético Lula seja entrevistado, afinal de contas, mesmo com oito processos nas costas, dizem que ele é inocente. Acho que o “Estadão” deveria também entrevistar o traficante Marcola, afinal só muda o nome, os dois estão presos e estão condenados.

Antonio Jose Gomes Marques a.jose@uol.com.br

Rio de Janeiro

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ENTREVISTA DE PRESIDIÁRIO

Francamente, eu continuo preferindo o Marcola...

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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NOS PROCESSOS

Gostaria de lembrar o ministro Dias Toffoli de que criminoso condenado e preso não dá entrevista. No máximo, dá depoimento nos processos.

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

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SÍTIO DE ATIBAIA

Dono do sítio de Atibaia centro de uma das acusações contra o ex-presidente Lula quer vender o sítio. Perguntar não ofende: quem vai ressarcir as reformas com o dinheiro da corrupção?

Moises Goldstein mgoldstein@bol.com.br

São Paulo

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QUER VENDER O SÍTIO

O “Guinness” deveria divulgar um novo recorde com Fernando Bittar: o do maior cara de pau do planeta! Mais um deboche do PT contra a Justiça brasileira.

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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VERGONHA, CIRO GOMES

Felizmente, Ciro Gomes (PDT) não venceu a última eleição para presidente do Brasil, pois não poderíamos ter um irresponsável, desrespeitoso, sem educação, sem critério e sem bom senso como ele na Presidência. Assim foi seu comportamento, medíocre, ao se manifestar na entrevista ao site “Huff-Post Brasil”, publicada sábado, na qual de maneira grotesca, desrespeitosa e preconceituosa classificou a comunidade judaica de corrupta, ladra, etc. O criterioso e respeitoso jornalista Boris Casoy, com certeza absoluta, diria que “isto é uma vergonha”, né não?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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ANTISSEMITISMO

Se Ciro Gomes não gosta de judeus, é problema dele, agora, difamar no Brasil é crime. O antissemitismo já está bastante grande pelo resto do mundo.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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CARTA ABERTA A CIRO GOMES 

Quando dirigi o Festival Eleazar de Carvalho em Fortaleza, em 2000, programei a obra sinfônica “Preamble for a Solemn Occasion”, do compositor Aaron Copland, e convidei Ciro Gomes para ser o narrador da Declaração dos Direitos do Homem, parte integrante desta bela peça orquestral. Durante o ensaio conversamos e, inicialmente, pareceu-me que sua vontade para mudar o Nordeste poderia ser genuína. Contudo, algo deixou transparecer que não se coadunava com seu discurso e soava meramente retórico. A sua fome pelo poder era infinitamente maior do que a vontade de melhorar a vida do povo. Vejo que minha percepção não estava equivocada. Agora, Ciro Gomes não mede esforços para criar discórdia e, lamentavelmente, segue a estúpida cartilha dos vencidos para tentar chegar ao poder, com a crença de “dividir para conquistar”. Felizmente, como visto, nem mesmo a sua metralhadora giratória atinge quem deveria ser atingido, apenas lhe fulmina. Sua inescrupulosa e discriminatória menção à comunidade judaica, que tanto faz para o progresso de nossa nação, demonstra que ele nada aproveitou da lição que lhe dei a oportunidade de aprender: respeitar o próximo. Sou judeu e muito me orgulho do que construímos e ajudamos a erigir em todos os campos das ciências e das artes. Somos apenas 0,02% da população mundial e 0,06% da brasileira, mas nossos feitos aparentemente o incomodam. Assim, expresso total repúdio e indignação às absurdas alegações de Ciro Gomes. Recomendo-lhe, ainda, que olhe à sua volta, onde encontrará títeres dos malfeitos e da corrupção que devastaram o nosso Brasil, tão admirados por ele.

Nelson Nirenberg, maestro e advogado nirenberg@nirenberg.com.br

Rio de Janeiro

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MENSALIDADE NA UNIVERSIDADE PÚBLICA

“Novo quer cobrar mensalidade de estudantes; USP tem superávit” (“Estado”, 22/4, A4). Estou decepcionada com os deputados paulistas do partido Novo. Repassei para vários contatos antes das eleições a história difícil de Daniel José, e penso que isso o ajudou muito na sua eleição. Agora, o deputado Daniel quer que sejam cobradas mensalidades nas universidades públicas? Eu pergunto a ele: caso não tivesse ganhado as várias bolsas de estudo ao longo de sua vida, teria chegado aonde chegou? Com certeza não. O deputado Daniel, antes de se preocupar com o pagamento de mensalidades nas universidades públicas, deveria começar pelos alicerces de uma boa Educação, ou seja, a educação infantil, a fundamental e o ensino médio nas escolas públicas. Assim, colocar os alunos do ensino público, os que não podem pagar a educação particular e não ganham bolsas de estudo em condições de igualdade na hora dos vestibulares. Veja, também, o que dizem os reitores das universidades públicas de São Paulo com relação ao que representaria esta cobrança. Não adianta  dizer que aos pobres não serão cobradas mensalidades. Então, deputado Daniel, quem passou por agruras, mas teve a sua sorte, não pode ter uma ideia estapafúrdia como a sua.

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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HISTÓRIA DO BRASIL

Dia 22 de abril, aniversário de nosso descobrimento, fiquei muito feliz ao ler a carta da leitora sra. Maria Cecília Naclério Homem comemorando a efeméride. Foram as únicas linhas sobre nosso aniversário... em todo o jornal, nem mais uma palavra sobre este assunto! Uma pena.

Nelson Penteado de Castro pentecas@uol.com.br

São Paulo

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FURTO DE CARROS

Agora, que sei que o maior número de carros roubados na capital paulista (8.836) – do total de 40.144, ou seja, a cada 4,5 minutos um carro foi levado, no ano passado – aconteceu na parte da manhã e que a zona leste reúne oito das dez vias “campeãs” de furtos, estou deveras em dúvida: não sei se me mudo da zona leste, se paro de dirigir de manhã, se vendo o carro  e  passo a usar apenas o Uber ou se vou de vez morar num sítio no interior, onde ainda só se roubem galinhas.

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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BRASIL-CHINA

Sobre o texto da revista “The Economist” “Infraestrutura dita ritmo do crescimento chinês” (“Estado”, 21/4, B5), na cidade de Xangai nos últimos 25 anos foram construídos 700 km de metrô. Ou seja, 28 km/ano. Agora, a velocidade da construção passou para 40 km/ano. São Paulo em 50 anos e conseguiu a inauguração de 102 km, ou seja, 2 km/ano. Qual é a diferença entre a China e o Brasil? Na China existe pena de morte para corruptos.

Michael Peuser mpeuser@hotmail.com

São Paulo

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CÂMERAS EM CONDIMÍNIO

Estou tendo problemas de invasão em meu apartamento (furtos e destruição) no Condomínio Parque das Flores, Jardim Ipiranga. É fechado e com taxa mensal. Peço à síndica a instalação de câmeras, mas ela não instala. O que fazer? Ela é obrigada a instalar?

Ciro Augusto Ramos cir.aug.ram@gmail.com

Limeira

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EXCESSO DE ESPERTEZA

O Brasil vem sistematicamente anunciando a liberação de uso de agrotóxicos banidos nos outros países. O Brasil está usando agrotóxicos banidos no mundo todo em sua produção agrícola e, depois, vai vender esses produtos cheios de venenos para os países que proibiram esses mesmos venenos. A política agrícola brasileira não faz sentido, em algum momento os países simplesmente deixarão de comprar a safra envenenada de agrotóxicos brasileira. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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ATENTADOS NO SRI LANKA

O terrorismo islâmico vem desde os anos 60. Todavia, ganhou protagonismo, no horror mundial, após os atentados de 11 de Setembro. Desde então, o mundo civilizado não teve mais paz. Conseguiremos nos livrar deste câncer? Eis a grande questão.

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz 

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CEILÃO

Em sua primeira página na edição de 23/4, o jornal mostra homenagem na Índia aos mortos no ataque no Sri Lanka. Diz, em seguida, o jornal que o governo cingalês responsabilizou grupo radical islâmico pelos atentados que deixaram cerca de 300 mortos. Fossem outros os tempos, em que os lusófonos tupiniquins falavam português, chamariam o país de Ceilão, o que estaria absolutamente coerente com o adjetivo cingalês. Hoje, a maioria das pessoas que escreve ou que fala só é compreendida, e mal, por pessoas de idêntico nível cultural. A final, que tem que ver cingalês com Sri Lanka? Meus votos são para que o ministro Abraham Weintraub consiga restituir às novas gerações um mínimo de conhecimento e domínio do vernáculo.

Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br

Campinas

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IMPEACHMENT DE DONALD TRUMP NOS EUA

Em 1999, Bill Clinton escapou do impeachment quando os republicanos não conseguiram os 67 votos para afastá-lo do cargo de presidente. Agora, 20 anos depois, Donald Trump pode enfrentar o mesmo desafio de ter de salvar o mandato se a Câmara dos Representantes abrir o processo contra o presidente. Os democratas contam com apenas 47 votos no Senado. Entretanto, atuais 14 senadores republicanos, que estão no cargo há mais de duas décadas, votaram contra Bill Clinton e agora poderiam ser pressionados nas mídias sociais para votar contra Donald Trump. Haverá um enorme desgaste político até as eleições de 2020 para tentar inviabilizar a reeleição do presidente.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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