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Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2019 | 03h00

EMPREGO TECNOLÓGICO

Gerações perdidas

Lendo a reportagem sobre vagas sobrando na área de tecnologia (Economia, 5/5), o que obriga as empresas a contratar mão de obra sem o preparo necessário e a despender tempo e recursos para preparar os seus funcionários, chegamos à conclusão de que existem, no mínimo, duas gerações perdidas. E que continuaremos por décadas a correr atrás do prejuízo. Não somente na área de tecnologia, mas em todas as áreas. A começar pelo ensino de base, em que alunos mal conseguem entender um texto simples. Já passou da hora de corrigir as distorções dos últimos anos. Chega de escolas voltadas para a formação de militantes, no lugar de profissionais qualificados. A escola é para transmitir conhecimento.

APARECIDA DILEIDE GAZIOLLA

aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul

Transformação digital

O paradoxo dos 13% de desempregados e 70 mil vagas sem candidatos qualificados tende a se agravar, e não é exclusivo do Brasil. O ministro da Economia e Energia da Alemanha, Peter Altmaier, abordou esse problema em recente congresso em Berlim. As tecnologias emergentes – inteligência artificial, comunicação 5G, indústria 4.0 e outras –, em cuja pesquisa a Alemanha é polo de inovação, demandam 10 mil novos engenheiros e profissionais de tecnologia da informação (TI) de alta qualificação por ano, que não existem. Esse país mal repõe os que se aposentam. Além disso, o ensino das ciências exatas deve se tornar mais rigoroso, o que contribui para desviar alunos para carreiras menos exigentes. No Brasil, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) foi mal direcionado e o exemplo do Nordeste é típico, com 13 mil alunos em ciências da computação ante 190 mil em cursos de Direito, de olho em concursos públicos.

CELSO L. P. MENDES, membro sênior da VDE – Associação Alemã de Eletrotécnica, Eletrônica e TI

celsolpmendes@ieee.org

São Paulo

Cabeças perdidas

Enfim, por que sobram vagas na área de tecnologia? Porque muitos dos nossos jovens e adultos preferem trabalhar num mundo mais seguro, mais livre e mais organizado, como, por exemplo, na Europa. Conheço pessoalmente várias pessoas que estão em diferentes países porque a procura lá também é grande. Faz anos que o Brasil perde suas melhores cabeças. A propósito, excelente o editorial Insatisfeitos com a democracia (5/5, A3).

EUGENIE MARIA KIEP LOCKE, ex-orientadora organizacional

emkl2009@gmail.com

São Paulo

DEMOCRACIA

Insatisfeitos e intolerantes 

O editorial Insatisfeitos com a democracia, na mesma edição do Estado que traz matéria tentando explicar por que o prefeito de Nova York agiu para impedir premiação do presidente brasileiro, democraticamente eleito, comprova que um dos motivos para alguma insatisfação com a democracia está relacionado à falta de tolerância dos próprios políticos com as escolhas legítimas dos eleitores. Por esse motivo são incapazes de conviver uns com os outros.

AIRTON REIS JÚNIOR

areisjr@uol.com.br

São Paulo

GOVERNO BOLSONARO

Situação econômica

Temos um novo governo faz quatro meses. E está ainda enfrentando as mazelas deixadas pelos governos petistas. O governo praticamente está sem recursos para investimento. Mas é verdade que sem criação de demanda de consumo não há como a iniciativa privada reagir. Mas onde conseguir recursos? Fácil: reduzindo as despesas improdutivas de custeio. Parte delas, pela reforma da Previdência; outra, cortando os aparelhados. O governo está fazendo isso. Mas demora um tempo para surtir efeito. Cortar subsídios e encerrar renúncias fiscais, além de cobrar e não perdoar multas, estão na pauta da arrecadação. Qualquer economista amador entende isso. O Brasil está num mau momento, mas não é por conta desta administração.

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

Liberdade para trabalhar

A liberdade para empreender, assegurada pela Medida Provisória n.º 881, é um dos maiores avanços do governo federal, ao lado da liberdade econômica, reafirmando o protagonismo do indivíduo na condução de seus desígnios próprios e, quiçá, do País. A ideia central da retomada do crescimento é o chamado crowding in, ou seja, o motor da economia é o setor privado e, concedendo-lhe liberdade de ação, esse setor não mais teria a sua iniciativa truncada para financiar o déficit público. É uma medida de impacto profundo numa sociedade viciada em ser direcionada pelo Estado paternalista e tolhida em possíveis atitudes de iniciativa própria por medidas estatais coercitivas. Em resumo, o Brasil tornou-se – ou está se tornando – capitalista e, claro, isso são centenas de passos à frente na preconização do crescimento econômico, da geração de empregos e da melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da população. E tudo isso, embora demorado pelas intervenções dos inconformados com o possível sucesso do País, ocorrendo independentemente desse Congresso tão egoísta e retrógrado. Todavia o avanço econômico, todo mundo sabe, só virá com “alta expectativa na educação”. Afinal, sem educação de qualidade, nem ordem nem progresso.

CARMELA TASSI CHAVES

tassichaves@gmail.com

São Paulo

Desburocratização

Não há a menor dúvida de que o pacote governamental de estímulo à economia, com o intuito de desburocratizar o setor produtivo, é altamente benéfico para o nosso país. Esperamos apenas que o governo tenha de fato a capacidade de implementar tais medidas de forma rápida e racional, para que surjam logo os resultados no sentido de estancar esta crise que vive a economia nacional e que tanto mal tem feito à imensa maioria da população brasileira.

JOSÉ DE ANCHIETA DE ALMEIDA

josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

TRANSPARÊNCIA PÚBLICA

Profissão lobista

Finalmente alguém vai tirar os lobistas da obscuridade e lhes dar status de profissão. Quem sabe, agora, vamos poder ver a olho nu em que time jogam os nossos parlamentares. Então, que se restrinja a circulação de lobistas à área do lobby, ou seja, lugar de lobista, como diz o nome, é no hall de entrada. Dessa forma fica tudo às claras. Lobista flagrado em gabinete deveria ser expulso da profissão. E deputado ou senador visto com lobista fora do hall deve ser cassado em rito sumário. Lobby não é pecado. O pecado é negociar às escuras e enganar eleitores. 

ARTUR MENDES

artmendes@gmail.com

Campinas

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O ORÇAMENTO DA EDUCAÇÃO

Desinvestimento em educação é algo lastimável para qualquer governo de qualquer país. É compreensível e esperada, portanto, a avalanche de protestos contra o governo Bolsonaro pelo contingenciamento de R$ 7,4 bilhões do Ministério da Educação (MEC) visando a atenuar o desequilíbrio das contas públicas. No entanto, é atitude absolutamente equivocada atribuir a responsabilidade deste corte brutal exclusivamente a este governo, ignorando acintosamente o principal responsável por esta crise sem precedentes pela qual passa o País: a deplorável aventura lulopetista. É interessante notar, no que tange à educação, que, embora o ex-presidente Lula tenha aberto o crédito para financiamento de cursos superiores, a qualidade do ensino fundamental durante as administrações petistas pouco melhorou, assim como o índice de analfabetismo nunca saiu de níveis vergonhosos. Quem protesta contra Bolsonaro hoje, pelo corte na Educação, deveria igualmente protestar contra Lula pela sua displicência para com o ensino fundamental e a alfabetização, durante seu governo. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA

Enquanto a Alemanha gasta 3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) – equivalente a 80 bilhões de euros por ano – em pesquisas, o Brasil corta o orçamento do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), afetando drasticamente o repasse ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Sem esse orçamento, as pesquisas brasileiras sobre o câncer e várias outras que já estão defasadas, quando comparadas a outros países, ficarão completamente prejudicadas. A saúde e a sobrevivência do ser humano dependem muito de pesquisas científicas, que naturalmente precisam de verbas. Um país sem pesquisa está sujeito a viver sempre na dependência de outros e, consequentemente, pagará a conta que virá embutida nos preços dos medicamentos. Temos de ter em mente que mesmo uma pesquisa científica sem um objetivo delineado pode resultar numa nova descoberta. Basta lembrarmos que muitas substâncias utilizadas hoje na cura de inúmeras doenças foram descobertas por acaso em pesquisas com objetivos não delineados. Por exemplo, podemos citar a descoberta da Penicilina, em 1928, graças às observações de Fleming sobre as culturas do fungo Penicillium notatum; nosso Osvaldo Cruz, com a descoberta da vacina da febre amarela; e outras. Isso deveria ensinar ao governo que investir em pesquisas científicas é um investimento de altíssimo retorno e que gera benefícios à população e ao País de maneira inigualável. Muito mais do que o rendimento dos fundos de reserva brasileiro, de mais de US$ 400 bilhões. 

Valdy Callado valdypinto@hotmail.com

São Paulo

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‘COMO BOLSONARO VÊ A EDUCAÇÃO’

A propósito do editorial “Como Bolsonaro vê a educação” (“Estado”, 4/5, A3), deve-se, de fato, admitir que o presidente equivocou-se ao afirmar que “poucas universidades têm pesquisa, e, dessas poucas, grande parte está na iniciativa privada”. É fato que a universidade pública tem protagonismo nessa área e os números não deixam dúvida quanto a isso. Fato é, também, que os cursos públicos de Sociologia e Filosofia têm poucos alunos, vis à vis os mais de 1,2 milhão matriculados na graduação das federais. Todavia, achei um tanto demasiada a crítica feita ao presidente pela postagem que fez, na internet, de um vídeo em que aluna vergasta professora de Gramática pelo fato de a lente “falar mais sobre política que sobre Língua Portuguesa”. Segundo o editorial, a menina que fez a crítica é “filiada ao PSL”, integrando o diretório municipal do partido em sua cidade e, por tal razão, talvez devesse ficar calada. Com todas as vênias, ponderaria que o fato de a aluna ser filiada a este ou àquele partido político não deslegitima a crítica que fez à professora, que, pelo que se depreende, extrapolou de suas funções dispendendo precioso tempo em proselitismo político – o que, sabidamente, é norma em muitas outras escolas. O editorial diz que a crítica do presidente seria um “estímulo ao patrulhamento ideológico”, mas também, com o devido respeito, divirjo dessa assertiva. Todos sabem que, hoje em dia, o patrulhamento nas escolas de ensino médio e superior existe, sim, e é promovido 100% pelas hostes esquerdistas, mais preocupadas com doutrinar do que com prestar informações isentas e sem viés ideológico ao alunado. A menina, ao criticar o desvio de conduta da professora, não a estava “patrulhando”, mas, sim, alertando-a sobre seus deveres funcionais com os alunos. Merece os parabéns, sobretudo pela coragem. Não deve ser fácil para um aluno que depende de nota para passar de ano peitar professor esquerdista.

Silvio Natal silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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AS CIÊNCIAS HUMANAS

Após a leitura do editorial “Como Bolsonaro vê a educação”, publicado no “Estadão”, fiz a seguinte reflexão sobre a importância da formação humanística em todas as profissões. Na sociedade atual, cada vez mais complexa, a necessidade de um aprimoramento nas relações pessoais e mesmo internacionais exige maior compreensão e implantação efetiva de medidas sócio-humanitárias, em busca da diminuição de desigualdades, respeito às opções pessoais e uma sociedade mais justa. Nessas condições, a desvalorização e a negligência no ensino de matérias humanas, nas diferentes etapas da formação profissional, poderá, por via de consequência, substituir profissionais competentes, com visão social e humanística, por bitolados robôs.

José Paulo Cipullo j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto 

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CORTES ALTERNATIVOS

Com relação aos cortes a serem realizados no orçamento da Educação por este governo caótico de Jair Bolsonaro, gostaria de fazer uma grande sugestão: se é para reduzir orçamentos, para nosso ajuste fiscal, vamos fazer de forma completa e distributiva entre todas as pastas e poderes. O orçamento do gabinete do presidente da República para este ano, por exemplo, é de quase R$ 14 bilhões, e o do Congresso Nacional, de outros R$ 11 bilhões. Não dá para cortar, digamos, uns 30% disso, como na Educação? Isso representaria R$ 7,5 bilhões de economia. Acredito que não afetaria a ineficiência dessas instituições, somente seria necessário demitir algumas centenas de parasitas comissionados que se intitulam cargos políticos. Bom, fica aqui minha sugestão. 

João Marcos Fernandes jmf.dentista@bol.com.br

Jandira

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GOVERNO BOLSONARO

Sobre o editorial “Devaneios” (“Estado”, 5/5, A3), no teatro palaciano, parece que vai acabando o Sonho de uma Noite de Verão; que não comece o Rei Lear na sequência, pois Shakespeare é sempre atual e Antunes Filho, saudoso, sabia disso. Já os que desprezam a cultura ignoram a própria comédia e tragédia que encenam. Pior para o público, que sofre com o espetáculo e sempre paga, caro.

Roberto Yokota rkyokota@gmail.com

São Paulo 

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CONGRESSO X PREVIDÊNCIA

As más línguas estão comentando que parte significativa do Congresso Nacional vai votar uma reforma da Previdência “meia boca”, para Jair Bolsonaro não ter chance, “lá na frente”, de se reeleger.

Francisco José Sidoti  fransidoti@gmail.com

São Paulo

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SOCORRO AOS ESTADOS

O governo federal pretende liberar até R$ 40 bilhões para socorrer Estados em dificuldade. Entenderam, agora, por que nossos congressistas não estão nem aí para aprovarem a reforma da Previdência? Se esmiuçarem o motivo dos rombos nestes Estados, encontrarão a aposentadoria pública: ex-funcionários levam vida de aposentados que a maioria da população jamais terá. Estes “socorros do governo federal” vêm acontecendo periodicamente, porque governadores e prefeitos agem como aquele filho mimado que gasta sem limites porque o papai correrá para pagar suas dívidas. Só que, agora, a fonte do papai Estado secou, não existe mais caixa e o endividamento chegou ao limite. Ou aprovam ou aprovam a reforma da Previdência.

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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GOVERNADORES COMPROMETIDOS

A União socorrerá 11 govenadores, desde que se comprometam com medidas de ajustes em suas contas. Pergunto: o que acontecerá com aqueles que não cumprirem o compromisso assumido?

Euclydes Rocco Junior emteatroteca@gmail.com

São Paulo

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JUVENTUDE ENDIVIDADA

Sobre a matéria de primeira página do “Estadão” de segunda-feira (“Quatro em cada dez jovens já ficaram com o nome sujo”, 6/5), creio que a pesquisa citada deixou de verificar algo: os jovens inadimplentes alegam que despesas domésticas são principal motivo da inadimplência. Será que os jovens, ou a pesquisa, estão (está) considerando compra de celulares, sempre no estado da arte, como despesas domésticas?

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas

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ALTOS E BAIXOS

Adolescentes são aqueles seres que estão numa fase muito cheia de altos e baixos: são o humor, os hormônios, as amizades, os namoros, os estudos, as diferenças sociais, as relações familiares, etc., tudo junto com altos e baixos. A escola, onde passam quase um quarto das horas do dia, é um dos principais locais para detectar as mudanças de atitude dos alunos, portanto pode alertar os pais e tentar ajudar os alunos. Quando a escola é particular, há coordenadores e orientadores que podem ajudar tanto o aluno como seus pais a procurar ajuda de profissionais qualificados. Se a escola é pública, há uma grande diferença, ou seja, conta-se com a sensibilidade e a percepção dos professores para haver esta abordagem de que aquele(a) aluno(a) está com problemas (emocionais e escolares), mas não tem como resolver e a quem enviar este aluno, que não tem recursos. Penso que os governos estaduais deveriam estudar uma maneira para que as escolas públicas pudessem ter recursos para atender, detectar e ajudar os alunos com algum problema, antes que lhes aconteça algo grave. Por exemplo, alunos de Psicologia das faculdades públicas, como estagiários, com supervisão de seus professores, nestes atendimentos. Seria uma parceria em que há vantagens para os dois lados: alunos seriam atendidos por pessoas qualificadas e estes estagiários teriam uma rica aprendizagem, a prática.

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo 

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LEITURA OBRIGATÓRIA

A edição do “Estadão” de domingo (5/5/2019) merece constar numa galeria dos grandes periódicos em razão de suas crônicas, algumas sensatas, outras polêmicas. Os artigos da página A2 são de leitura indispensável: “Assim não dá”, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, reflete uma visão de estadista que apoia a reforma da Previdência, critica o bate-boca da família Bolsonaro, via redes sociais, e propõe o “modus faciendi” para o governo obter êxito nas urgentes reformas de que tanto necessitamos; o outro artigo da página A2, “Espetáculo x realidade”, do almirante Mário Cesar Flores, retrata com cores fortes a realidade brasileira, focada exclusivamente no desfrute pessoal e imediato de um povo sabedor do potencial do País, e, talvez por isso (Deus é brasileiro), totalmente alienado da realidade conjuntural para o desenvolvimento de uma nação. Mencionando o crescimento populacional absurdo – em 90 anos, de 40 para 207 milhões –, associado a uma “elite” política em grande parte devotada exclusivamente para seus interesses pessoais, explica o “deitado eternamente em berço esplêndido” de nosso povo. Por outro lado, o editorial “Devaneios” e o artigo da comentarista Eliane Cantanhêde “Licença para matar” continuam na perseguição a Jair Bolsonaro. Não que o presidente não mereça críticas – que, aliás, são preferíveis às bajulações. Mas que tal, de vez em quando, um “elogiozinho”? Que tal destacar a tentativa de corrigir o estado falimentar do Brasil deixado pelos ladrões do Estado brasileiro? Que tal apoiar a reforma da Previdência, como fez FHC?

Antonio Carlos Gomes da Silva acarlosgs@uol.com.br

São Paulo

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BOLSONARO E AS MÍDIAS SOCIAIS

Jair Bolsonaro descarta regulação das mídias sociais (“Estado”, 6/5, A6). Diante da recente afirmação do governo sobre a regulamentação da mídia (“em meu governo, a chama da democracia será mantida sem qualquer regulamentação da mídia”), é necessário distinguir regulamentação, que ocorre à luz da legalidade e do consenso e controle, que ocorre por meio do poder econômico ou de interesses escusos. As sociedades democráticas têm na regulamentação da mídia um instrumento para preservar justamente a liberdade de expressão e a representatividade dos diversos segmentos sociais, em vez do controle e domínio por grupos que defendem interesses particulares.

Valter Sales Filho valtersaopaulo@yahoo.com

São Paulo

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RESPEITO À MÍDIA

Muito bom que o presidente da República venha, pelas redes sociais, dizer que não regulará a mídia e quem pensar o contrário que vá passear na Coreia do Norte e em outros países. Contrariou, pois, manifestação recente do general Santos Cruz, da Secretaria de Comunicação, a respeito das redes sociais. Na realidade, um governo que se proclama democrático não pode tentar arrolhar a imprensa, porque ela é a viga mestra de todo edifício democrático. Governo com imprensa censurada nunca pode ser chamado de democrático.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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APRENDER A FAZER POLÍTICA

A política é intrínseca ao ser humano que vive em sociedade. Nem tudo tem solução pacífica, pois há maus cidadãos, como há a política do mal. O recente editorial “Concepções de política” (3/5, A3) deu crédito a Jair Bolsonaro por iniciar uma incipiente interlocução com os demais poderes, especialmente o Legislativo, mas isso está a anos-luz de distância do que se espera de um representante com o mínimo de noção do que seja sociedade. De quem passou toda a vida parlamentar à margem, formando apenas uma base de sustentação familiar, não se esperava comportamento distinto. Talvez essa aposta no ostracismo presidencial tenha sido a verdadeira intenção dos que o elegeram, apostando em soluções miraculosas para as necessidades do País.

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

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FICÇÃO E REALIDADE

A imprensa e os comentaristas políticos estão vendo a realidade nacional sob uma ótica distorcida pelas conveniências esquerdistas de mais de 30 anos que lhes beneficiavam. A realidade é que o Brasil chegou a 31/12/2018 em estado falimentar em todos os aspectos: sociais, econômicos e culturais. A decadência nesse período se tornou perceptível até fisicamente, pelos cinco sentidos. Mesmo assim, como ocorre com os 2 mil generais venezuelanos comprados por Nicolás Maduro, que lhe garantem a insensatez, aqui, no Brasil, a insensatez estava sendo garantida pelos agraciados dos Três Poderes, os empresários corruptos, os chefões do narcotráfico e até os salafrários que fraudavam quaisquer transações financeiras em benefício próprio. A imprensa e os comentaristas políticos estavam tão acomodados na crítica ao PT que, agora, não conseguem ver nas mudanças do novo governo os antídotos aos tantos venenos que estavam sendo administrados ao povo pelas esquerdas e não enxergam a realidade. Tudo o que o novo governo está mudando é para melhor, inclusive a excludente de ilicitude. Bandido bom é, sim, bandido morto!

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo

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MILAGRES

O ministro Ernesto Araújo, em discurso para formandos do Itamaraty, num puxa-saquismo exagerado, comparou Jair Bolsonaro a Jesus Cristo! O cara, que já não é modesto, pode acreditar. E daí o País corre o risco de ele fazer “milagres”. 

Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça

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ONDE NASCEU O ÓDIO

“Seu ódio não é bem-vindo aqui”, palavras do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, a respeito da visita, posteriormente cancelada, que faria àquela cidade o presidente Jair Bolsonaro, a fim de receber o prêmio Pessoa do Ano, patrocinado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Vê-se que o alcaide, ao disparar tal rompante demagógico, desconhece a história brasileira das últimas décadas. Se se informasse, saberia que o ódio corrosivo que paira no ar não é o fabricado pelo atual governo, mas o chocado durante os mais de 14 anos de petismo, que dividiram a sociedade brasileira mediante slogans como o “nós e eles”, o “pobre e rico” e o “branco e negro”, representativos de fragmentações alimentadoras do respectivo projeto de poder partidário. Faria melhor o nobre prefeito se prestasse mais atenção ao crescente número de sem-tetos que atualmente pululam em toda Manhattan, em vez de emitir pontos de vista sem base factual.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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INTOLERÂNCIA

Fez muito bem o presidente Jair Bolsonaro em cancelar a ida aos EUA para receber o prêmio Pessoa do Ano de 2019, evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, a ser realizado no Museu de História Natural de Nova York. Foi atacado e tripudiado pelo prefeito de Nova York, Bill de Blasio, apoiador dos sandinistas e defensor do socialismo democrático, dizendo que Bolsonaro era um homem “perigoso devido ao seu racismo e homofobia evidentes” e por ser “a pessoa com maior poder de impacto sobre o que se passará na Amazônia daqui para a frente”. Pode-se discordar do presidente em muitas coisas, mas não se pode tolerar a falta de respeito de um estrangeiro intolerante com o chefe da nação brasileira, que tem procurado dialogar e não cometeu nenhum ato irresponsável e antidemocrático nestes quatro meses de governo.

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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O PREFEITO DE NY

Algum jornalista deveria perguntar ao prefeito de Nova York o que ele conhece do Brasil além de Bolsonaro e as informações que deve ter recebido de algum amigo petista – claro, honesto e ético. Acho que ele não sabe nada sobre a corrupção nunca antes vista no Brasil, sobre a Operação Lava Jato ou as pessoas presas e seus processos – aliás, algumas com mais de um, ou seja, criminosa, mesmo. Afinal de contas, o cara morando em Nova York, ganhando bem, não sendo descamisado nem lesado pelo PT com um desemprego monstro, não tem moral alguma nem crédito para criticar quem quer que seja no Brasil.

Marieta Barugo mbarugo@bol.com.br

São Paulo

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INTROMISSÃO INDEVIDA

Sugiro que o prefeito de Nova York, cantada lindamente por Frank Sinatra, ao invés de se preocupar com Jair Bolsonaro, se manifeste mais enfaticamente contra o ditador Nicolás Maduro, da Venezuela, onde o povo busca comida no lixo – como se lá tivesse alguma coisa para comer; só quem joga fora alguma coisa comível são o próprio Maduro e seus asseclas. 

Alvaro Salvi alvarosalvi@hotmail.com

Santo André

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NOVA GUERRA FRIA

A Venezuela está no foco da nova guerra fria. De um lado estão os Estados Unidos, com seus interesses econômicos e estratégicos. Do outro lado estão a China, com seus interesses econômicos, e a Rússia, com seus interesses estratégicos. Em aparente corrida armamentista, metade dos gastos militares mundiais está nas mãos dos Estados Unidos e da China. Donald Trump quer tirar o chavismo do poder, como primeiro passo para acabar com o comunismo cubano. Vladimir Putin apoia Maduro por motivos econômicos e políticos. A influência russa desafia os americanos. Se Maduro ficar no poder, isso aumentaria a influência geopolítica mundial de Putin e enfraqueceria os Estados Unidos. Se Maduro deixar o poder, os Estados Unidos manteriam a hegemonia em toda a América. A confrontação entre Washington e Moscou está sem o telefone vermelho da época da guerra fria.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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VENEZUELA E O PONTO ZERO

Equilibradas nas trincheiras as forças conflitantes, sem solução diplomática, os soldados entrincheirados, empatados e carcomidos pelas ratazanas representaram o “ponto zero”, o surrealismo da Primeira Guerra Mundial. Nenhum dos contendores é capaz de vencer o outro e as consequências são trágicas. Parece ser esse o futuro da Venezuela, não se sabe por quanto tempo; a população civil desangrando-se na aridez da falta das condições básicas de sobrevivência. Não nos parece suficientemente apto o Grupo de Lima para resolver um conflito continental que tem motivações mundiais, dos EUA, da Rússia e da China. Não seria assim se não se tratasse de potência petrolífera. É hora de intervenção mais incisiva da ONU e de bom senso das grandes potências (pouco plausível, consideradas suas atuais lideranças), mas é o único caminho. Fora disso, é o embate de Nicolás Maduro e Juan Guaidó e do infindável sofrimento de um povo: o malsinado “ponto zero”. 

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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ENTENDENDO A VENEZUELA

A Venezuela era há poucos anos um dos países mais ricos do mundo, no entanto o povo venezuelano nunca se beneficiou dessa enorme riqueza. O gigantesco abismo entre a minoria rica e a maioria pobre na Venezuela permitiu o surgimento de alguém disposto a mudar essa situação: Hugo Chávez. O governo de esquerda de Chávez e seu sucessor, Nicolás Maduro, de fato diminuiu muito a diferença entre ricos e pobres naquele país: hoje praticamente todos são pobres na Venezuela. A lição do colapso da Venezuela é que as elites milionárias precisam cuidar muito melhor dos menos favorecidos, do contrário haverá sempre espaço para o surgimento de alguém com Hugo Chávez, Lula ou Fidel Castro. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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MAIS UMA DO STF

Enquanto a ditadura venezuelana prepara mais uma armadilha contra a oposição, retirando a imunidade de deputados que apoiaram o movimento que tentou remover o ditador Nicolás Maduro de sua trincheira, no Brasil outra arapuca é armada colocando em risco a liberdade de expressão e a democracia. Depois de abrir um inquérito sigiloso e inconstitucional para amordaçar cidadãos que criticam o Supremo Tribunal Federal (STF) nas redes sociais e que ensejou a censura à revista “Crusoé” e ao site O Antagonista, Dias Toffoli criou um grupo de trabalho no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para avaliar os parâmetros para o uso adequado das redes sociais por juízes. Para o presidente do Supremo e do CNJ, a liberdade de expressão dos juízes deve ser compatível com a “preservação da imagem institucional do Poder Judiciário” e “o mau uso das redes sociais pode impactar a percepção da sociedade em relação à integridade” dos magistrados. Resumindo: o ministro, não contente em censurar cidadãos comuns, agora quer cercear o direito à opinião de juízes que expressem publicamente posições contrárias à Corte. Será que a Excelência tem lido a Constituição da qual é guardião?

Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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CENSURA A MAGISTRADOS 

O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, parece não ter sentido qualquer constrangimento com sua participação no episódio da censura imposta aos sites de notícias “Crusoé” e Antagonista, e tampouco no da instauração de inquérito sigiloso para investigar ataques ao Supremo, o qual, para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, constitui “prática compatível com o sistema inquisitorial”. Tanto é assim que na última quinta-feira Toffoli criou um grupo de trabalho, no âmbito do CNJ, para “avaliar os parâmetros para o uso adequado das redes sociais” por juízes e desembargadores. Equívoco imperdoável: o CNJ e o STF são incompetentes para estabelecer censura prévia à liberdade de expressão – de magistrados ou de quem quer que seja –, direito fundamental expresso na Constituição federal, da qual o Supremo é o guardião. Atos de censura à imprensa, cerceamento da liberdade de expressão de cidadãos e instauração de inquérito ilegítimo são reveladores de autoritarismo e de conhecimento deficiente da legislação constitucional, incompatíveis com a missão de presidente da Corte Suprema. Dias Toffoli prestaria um serviço inestimável à Nação se renunciasse ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

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AINDA O MENU DA CORTE

Li na “Coluna do Estadão” de 3/5/2019 que os egocêntricos ministros do STF abririam uma licitação para a compra de lagosta e vinhos no valor de R$ 1,1 milhão (valor inicialmente divulgado) e que o MBL entrou com um pedido de cancelamento dessa licitação. Os ministros deveriam ser cassados pelo “crime” de falta de vergonha. Estão se igualando aos ministros do Supremo da Venezuela. E ainda acham que o povo deve respeitá-los.

Idilio Vallini marielconst@globo.com

São Paulo 

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IGNORARAM AS CRÍTICAS

Li e ouvi indignado que o STF divulgou licitação por R$ 1.134.000,00 para compra de itens como lagosta e vinhos importados para compor o menu servido aos membros da Corte e convidados; o STF ignorou as críticas e acertou a compra por R$ 481.720,00. O menu inclui café da manhã, brunch, almoço, jantar e coquetel, pratos como bobó de camarão, camarão à baiana e medalhões de lagosta com molho de manteiga queimado. Enquanto o País se arrasta com 13 milhões de desempregados, além de outros tantos com subemprego, os ministros impiedosamente tomam vinho importado nas dependências do STF – ou o compraram para quê? À mesa farta do STF tem mais, como bacalhau à Gomes de Sá, frigideira de siri, moqueca (capixaba a baiana) e arroz de pato, vitela assada, codornas assadas, carré de cordeiro, medalhões de filé e tournedos de filé. Vinhos tintos Tannat ou Assemblage que tenham ganhado pelo menos quatro premiações internacionais, envelhecidos em barril de carvalho francês ou americano, de primeiro uso, por período mínimo de 12 meses. Isso é um tapa na cara dos brasileiros que sustentam esta Corte, é uma imoralidade. O pobre com fome, se roubar um frango para comer, será preso e julgado ladrão, e esta imoralidade do STF, como tipificar? É relevante dizer que a “responsabilidade não se delega”, esse crime ou essa irregularidade ou esse desvio – ou seja lá o que for – precisa ser punido. O exemplo vem de cima.

Alpoim da Silva Botelho alpoim.orienta@uol.com.br

São Paulo

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FALTA DE VERGONHA

Infelizmente, a cada dia que passa o STF nos surpreende e nos envergonha. Como podem estes indivíduos que se julgam acima da lei – alguns com duvidosa capacidade técnica –, com o País em crise, o desemprego batendo recordes, e não têm vergonha de abrirem uma licitação para a compra de lagostas e vinhos no valor inicial de RS 1,1 milhão. Como encarar uma situação dessas, se não como um tapa em nossa cara?

Luiz Roberto Savoldelli savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo 

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FARRA NA CORTE

Não é justo o STF comprar medalhões de lagosta e vinhos importados com premiação internacional no valor de R$ 481.720,88 (valor final), de acordo com a sua assessoria. Isso é o cúmulo da falta de vergonha e de compreensão do contexto em que vivem os cidadãos brasileiros, especialmente do extrato social mais baixo. O universo em que vivem os juízes do Supremo é absolutamente artificial. Eles precisariam sair à rua e sentir como vive o povo que luta com um salário mínimo insustentável, sem falarmos nos desempregados. Um estágio em contato com o povo iria ajudá-los a ser mais justos e interpretar melhor as leis e a própria Constituição. Ver o texto da Carta Magna do alto do Olimpo não permite aos juízes verem o que está subjacente à sua redação original. Seus votos quase sempre mostram o encanto e o glamour dos deuses. 

 

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro 

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A EDUCAÇÃO E O BANQUETE

Enquanto os ministros do STF comem lagostas e bebem vinhos finos, o governo corta verba das universidades. Independentemente de valores, isso não causa indignação?

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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IMPEDIMENTO

Dias Toffoli tem de se declarar impedido de julgar os clientes bandidos dos advogados que lhe ofereceram um jantar na noite de sexta-feira (3/5).

Cecilia Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

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PRESIDIÁRIO ‘DANDO AS CARTAS’

O presidiário Lula da Silva, usufruindo da autorização concedida pelos ministros “petistas” do Supremo Tribunal Federal para dar “declarações” a torto e a direito, disse que só aceitará o regime semiaberto se sua defesa puder continuar trabalhando pela sua “inocência” e, obviamente, reconhecida pelos tribunais. Na verdade, sabe que é impossível provar sua inocência, após ter sido condenado por unanimidade já por três instâncias do Poder Judiciário. Apelando à vitimização, o demiurgo pretende o impossível: sair livre das condenações impostas. Pelo andar da carruagem, é melhor deixar do jeito que está!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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QUE TRABALHO?

Os advogados (caros) do inquilino da suíte da Polícia Federal de Curitiba vão pedir progressão de pena para o regime semiaberto, no qual o preso trabalha durante o dia e passa a noite no cárcere.  Conversando cá com meus botões, fico me perguntando em que trabalharia o inominável? O que saberia fazer de produtivo se no pouco tempo como metalúrgico conseguiu a façanha de ter o dedo mindinho decepado? Continuaria a fazer palestras milionárias?  Ah, esqueci: os patrocinadores estão presos ou a ponto de sê-lo. Desconfio de que fará o que melhor sabe fazer: provocar tumulto insuflando a militância partidária a disseminar ódio (“nós contra eles”) e choramingar sobre a vitimização. Também dará aula de Economia, para mostrar como enganar os “amados” pobres de forma a continuarem na miséria e ensinar os “chegados” a se tornarem milionários como sua prole. Enfim, vai pôr fogo no País, como prometeu um dia, com o auxílio de outros tantos parasitas e seus exércitos de gado tangido. Para o bem do País, melhor continuar encarcerado.

Aparecida Dileide Gaziolla aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul 

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ENGANADOR

O ex-presidente Lula admite pedir progressão de regime e diz querer ir para casa, desde que esse pedido não configure admissão de culpa. Lula da Silva não foge à regra, pois todo presidiário se diz inocente e preso injustamente. Oito juízes em três instâncias confirmaram por unanimidade que Lula é um corrupto e lavador de dinheiro, portanto, é mais um criminoso que logo estará livre, solto para voltar a nos atazanar com seus impropérios e palavras de baixo calão.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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ODEBRECHT E AIB

José Police Neto, Antonio Carlos Rodrigues e Gilberto Kassab aparecem como recebedores de dinheiro da Odebrecht (“Estado”, 3/5, A4), o que não surpreende ninguém. Falta a Polícia Federal incluir os mais de R$ 10 milhões doados em 2008 pela Associação Imobiliária Brasileira (AIB) majoritariamente ao então candidato Gilberto Kassab e a alguns candidatos a vereador da cidade. A AIB é uma “associação” que não tem funcionários, não tem folha de pagamento e suas receitas são provenientes de doações voluntárias das empresas do setor imobiliário empreendedor. Em 2009, o prefeito Kassab já retribuiu essas vultosas doações de campanha lançando projetos imobiliários especulativos. A Polícia Federal pode averiguar a AIB e aqueles que a acobertam, e trazer à luz as incríveis doações de R$ 10 milhões, a terem sua origem esclarecida, e a serem finalmente julgadas no âmbito da Operação Lava Jato.

Suely Mandelbaum suely.m@terra.com.br

São Paulo

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INSTITUTO DE EDUCAÇÃO CAETANO DE CAMPOS

O investimento em educação é de suma importância para o avanço de uma sociedade. Felizmente, nossos antepassados tiveram tal previsão quando, em 1846, criaram a Escola Normal Caetano de Campos, na Praça da República, em São Paulo. Eu me formei na Caetano em 1957. A excelente educação que recebi me permitiu ensinar em escolas de ensino fundamental no Brasil, na Alemanha e nos Estados Unidos, recebendo inúmeros prêmios, inclusive o Prêmio Presidencial por Excelência em Ciências em Escolas Primárias, que recebi do presidente George H. Bush, na Rose Garden, da Casa Branca, em Washington DC. Há mais de 50 anos moro fora do Brasil e minha comunicação com parentes e amigos é mais pela palavra falada e muito pouco pela palavra escrita. Por um artigo neste jornal, fiquei sabendo que o Instituto de Educação Caetano de Campos não está mais na famosa Praça da República. Muito triste. Acredito que essa situação precisa ser revertida. Trazer a Caetano de volta para a praça seria um ato simbólico do valor que os paulistanos atribuem à educação. Minha sincera esperança é de que os políticos de São Paulo considerem este apelo.

Kathe Eugster keugster@verizon.net

Palm Beach, Florida (EUA)

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A LEI ROUANET E O MECENATO

Mecenas, conselheiro do imperador romano Augusto, sustentava intelectuais e poetas por filantropia, o que também lhe dava prestígio. Mais tarde, no Renascimento, o prestígio deixou de ser estímulo suficiente para a filantropia e os “mecenas” passaram a receber incentivos de natureza fiscal, ou seja, governamental, prática que é adotada até hoje, tendo o presidente Fernando Collor sancionado aqui a lei que se tornou conhecida como Lei Rouanet. Mas eu tenho idade suficiente para ainda me lembrar dos “mecenas” à Antiguidade: o TBC, nosso Teatro Brasileiro de Comédia, viveu anos somente com o apoio de seu idealizador e da elite paulistana, assim como a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, pelo mesmo idealizador do TBC e por um industrial paulista. Já da Semana de Arte de 1922 só tenho notícias, mas pelo que sei também um “mecenas” pagou o aluguel do Teatro Municipal de seu próprio bolso. E a Jovem Guarda? Os “mecenas” eram a TV e as gravadoras. Bom, o mundo mudou, e não sou afeita a nostalgias. Se para haver cultura é preciso haver vantagens fiscais, que assim seja! A questão recai, forte e gravemente, sobre a corrupção que infesta o sistema de distribuição das benesses. Sergio Moro para cima dela!

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

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‘O DIREITO DE REPELIR INVASÕES’

O editorial “O direito de repelir invasões” (4/5, A3) trata da orientação normativa para a defesa das propriedades públicas. Tendo-se em vista que o número dos bens públicos no País é infinitamente menor que o número de bens privados, seria o caso de o Estado tratar do direito do cidadão de repelir invasões em sua propriedade. Em todo caso, é indispensável levar em conta que, por maior que seja a capacidade das forças do Estado, em vista da vastidão de nosso território, “o direito de repelir invasões” não é somente do setor público, o setor privado, o contribuinte, aqueles que sustentam o Estado têm também o direito de repelirem invasões, são ações legítimas do cidadão e que o Estado não tem capacidade de atender plenamente a tempo e a hora. O País só será seguro quando os bandidos forem combatidos pelo Estado e os cidadãos de bem, que assim o desejarem, possam auxiliar no combate à marginalidade. Por enquanto, o que temos é muita gente auxiliando e não combatendo os marginais.

Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br

Campinas

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INVASÕES E LEGÍTIMA DEFESA

Não há nada romântico em invasões de terras e de imóveis, e nada romântico na legítima defesa. Quem já viu invasões e presenciou os funcionários que residem nas fazendas serem agredidos na frente de seus filhos, serem colocados para fora de suas casas e terem seus pertences adquiridos com trabalho queimados ou roubados sabe como é a realidade – e após a reintegração de posse os invasores se retiram deixando a destruição e os prejuízos para trás, sem ninguém ser responsabilizado, como já vimos várias vezes. Centenas de pessoas com fações, enxadas, pás, coquetéis Molotov e armas ilegais sem documentos, e o proprietário e algum funcionário em minoria tendo de correr para se salvar, enquanto os líderes torcem para morrer alguém do lado deles, para criar um mártir. Não existe invasão pacífica! Imagine se alguém entrar em seu apartamento alegando que um quarto está vazio, pois seus filhos já moram fora. Você pediria reintegração de posse e, quando eles fossem embora, levariam alguns dos seus bens e danificariam o imóvel. É isso o que acontece. Basta respeitar a propriedade alheia, não importa se você é produtor rural, índio, sem-terra. Quem começa com a violência é quem invade, e não quem reage.

Guilherme Alves Ferreira gui.af@uol.com.br

Penápolis

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FLAGRANTES

Recentemente, a mídia divulgou vídeos e reportagens sobre três bandidos agredindo idosa em assalto a uma residência. Os bandoleiros entraram na casa sem se importar com o muro alto, grade e câmera. No local havia uma senhora de 70 anos de idade, que foi agredida pelos marginais. Ela foi puxada pelo cabelo e pescoço e sofreu pancadas na cabeça, onde levou oito pontos. Os três bandidos já foram identificados pela polícia, e dois deles são adolescentes, 16 e 17 anos, com vasta ficha criminal. Mas, como não foram pegos em flagrante, os “anjinhos” saíram da delegacia pela porta da frente. Que absurdo! A lei sobre flagrantes precisa urgentemente ser mudada! Como pode um bandido, criminoso covarde, conviver em sociedade naturalmente só porque não foi pego dentro do prazo de 24 horas do momento do ato criminoso? Não é verdade? 

Alex Tanner alextanner.sss@hotmail.com

Sumaré 

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INTERNET VIVO

Recorro ao jornal “O Estado de S. Paulo”, uma vez que perdi a esperança de uma solução pela Telefônica/Vivo. O fato é que estou sem internet e TV na minha casa há oito dias, completados na sexta-feira (quando esta carta foi escrita). Sei perfeitamente que os serviços AJato e TVA serão desativados no dia 1.º de junho, conforme carta que a Vivo me enviou. Mas a interrupção do serviço se deu na última semana de abril. Nesse período, liguei várias vezes para o número 10666 e a resposta sempre foi: “O serviço voltará às tantas horas”. Ou seja, mentiras repetidas diariamente, sem mais explicações. O procedimento da Telefônica/Vivo tem sido, pelo menos no meu caso, de um profundo desrespeito. E tudo o que eu pedia era uma luz nessa imensa escuridão. Há algo que o consumidor desconheça nessa desconexão? Não creio na desonestidade de uma empresa desse porte. Pedi socorro à Assessoria de Imprensa da empresa na sexta-feira. Disseram-me que entrariam em contato, talvez na segunda-feira, em razão do horário (eram 16 horas. Parece que o expediente lá termina cedo).     

Luciano Ornelas lucianoornelas@gtmarketing.com.br

São Paulo

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