Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 05h00

ESTADO DA NAÇÃO

A realidade se impõe

A revisão para baixo das perspectivas de crescimento do produto interno bruto (PIB) para este ano, com mediana em 1,5%, segundo a Pesquisa Focus, reafirmada pela divulgação do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), impõe uma dura realidade ao (des)governo Bolsonaro. Com a desaceleração da atividade econômica, que parece ter-se alastrado pela indústria, pelos serviços e pelo comércio, a aprovação da reforma da Previdência se reafirma como o principal mecanismo de geração de boas expectativas quanto ao futuro da economia brasileira. Continuará o governo a travar debates secundários, apontar culpados e se digladiar internamente, entre grupos que pouco interesse têm pelo Brasil?

ELIAS MENEZES

elias.natal@hotmail.com

Belo Horizonte

Fundo do poço

Depois de décadas, desde o governo Castelo Branco, nunca presenciei nenhum outro governo a informar com tanta precisão a situação econômica do Brasil como o fez o ministro da Economia, Paulo Guedes, e, mais ainda, indicando o caminho para superar o problema. Por outro lado, a decepção está na Câmara dos Deputados, com os novos participantes se comportando exatamente como os que nós, eleitores, mandamos de volta para casa. Uniram-se aos que restaram e juntos dificultam o andamento das reformas, como a da Previdência, a troco de vantagens. Jamais esperávamos desses parlamentares comportamento tão rasteiro. Recall ainda não temos, por isso só nos resta anotar quem são eles e aguardar a próxima eleição.

MARIO COBUCCI JÚNIOR

maritocobucci@gmail.com

São Paulo

Cabo de guerra

De fato, Paulo Guedes proclamou em alto e bom som: “A realidade é que estamos no fundo do poço”. O governo prevê uma estimativa muito menor para o crescimento da economia neste ano, portanto, o corte de despesas deve ser ampliado. Eu credito a maior parte deste desastre aos congressistas que fazem cara de paisagem e vão empurrando com a barriga a aprovação da reforma da Previdência. Belo trabalho sujo, também de uma oposição que só pensa em voltar ao poder, nunca no bem do Brasil. Em meio a isso tudo, as universidades federais e muitas escolas particulares resolveram fazer atos contra o corte de verbas decidido pelo governo. Qual foi a parte que esses intelectuais privilegiados não entenderam da declaração de Paulo Guedes? Porventura querem que a Casa da Moeda recomece a fabricar dinheiro insolvente para resolver suas prioridades? Também a inexperiência e a impulsividade verbal de Jair Bolsonaro, malgrado as suas boas intenções, são causadoras de situações polêmicas, muito bem aproveitadas e insistentemente divulgadas pelos que querem o fracasso de seu governo. Parece que estamos em meio a um jogo de cabo de guerra. Resta saber quem terá mais força no final. Seja qual for o resultado, perderemos. Pois o único jogo que deveríamos enfrentar seria o de trançar os fios para fabricarmos uma corda que salvasse este país e este povo. Perderemos todos!

MARA MONTEZUMA ASSAF

montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

Brasil boicotado

Por que Paulo Guedes ainda precisa explicar na Câmara dos Deputados que o País foi deixado no fundo do poço econômico pelos governos petistas, sem citar os causadores? Por que deputados federais – e possivelmente senadores – relutam em aprovar a reforma da Previdência, mesmo num recomendável regime de urgência? Por que congressistas insistem em dificultar a redução das despesas de custeio, a exemplo da redução do número de ministérios? Impedem o equilíbrio do Orçamento e o investimento em obras públicas, que reduziriam o desemprego e acelerariam a economia. Os congressistas estão sabotando não só o governo, mas o Brasil, a sociedade brasileira, em defesa de regalias não justificáveis. O seu falatório é mero jogo de cena desavergonhado. Infelizmente, isso não tem sido denunciado com a ênfase necessária na imprensa. Se o governo o fizesse, seria acusado de golpista. Parece que só há uma solução: uma ampla mobilização da sociedade contra o Congresso. É triste.

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

MP 870

É inacreditável que uma medida administrativa para reduzir ministérios e enxugar a máquina pública, anseio da grande maioria da população, posta em prática por um governo legitimamente eleito sob a forma de medida provisória (MP), tenha de passar pelo crivo do Congresso e, mais surrealista ainda, ter recebido cerca de 530 emendas. Pior: ainda correndo o risco de caducar. O que querem os tais deputados do Centrão? Manter uma estrutura de governo inchada para poderem indicar seus apaniguados e continuarem a fazer suas negociatas, sempre em benefício próprio? É nauseante!

CELSO NEVES DACCA

celsodacca@gmail.com

São Paulo

Hienas famintas

A matilha de hienas famintas no Parlamento já sentiu o cheiro da carniça do novo e cambaleante governo: ou aprovam a reforma da Previdência ou o País quebra. Pautas importantes valem ouro para a “bancada da corrupção”, que antevê bilhões de reais na aprovação de emendas e nomeações para cargos importantes. O Brasil precisa declarar guerra a essa bancada, um país não pode viver refém de partidos e políticos que praticam extorsão contra os interesses nacionais.

MÁRIO BARILÁ FILHO

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

Coaf

A União Nacional dos Juízes Federais do Brasil aponta inconstitucionalidade na transferência do Coaf para o Ministério da Economia. Os deputados que votaram a favor dessa transferência (eles não querem ser investigados no âmbito do Ministério da Justiça, comandada por Sergio Moro) não cumprem a Constituição brasileira e não são merecedores dos votos que receberam. Eleitores de cada Estado desses deputados, olho neles, para nas próximas eleições os eliminarem do cenário político.

WILSON LINO

wiolino@yahoo.com.br

São Paulo

JUSTIÇA

Simples diferença

Parece que muita gente ainda não entendeu, então, vamos lá: o ex-presidente Michel Temer foi solto pelo Superior Tribunal de Justiça porque ainda não sofreu nenhuma condenação, apesar de ter vários processos abertos contra ele. Já o ex-presidente Lula foi condenado em segunda instância (por corrupção e lavagem de dinheiro) e é por isso que ele está preso em Curitiba.

ABEL PIRES RODRIGUES

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


PROTESTO CONTRA CORTES NA EDUCAÇÃO


Evidentemente, o presidente da República e o ministro da Educação criaram conflitos desnecessários e provocaram as reações esperáveis. Mas é desalentador ver os protestos de professores e estudantes universitários recheados de bandeiras vermelhas com a foice e o martelo. São estes o “progresso” e a “cultura” que eles podem nos oferecer?


César Garcia cfmgarcia@gmail.com

São Paulo


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CORTES DE VENTO


Não entendo por que tanta grita em relação ao corte de verbas nas universidades federais (contingenciamento, que dificilmente será revertido por uma arrecadação fiscal maior). A alegação principal é o prejuízo de pesquisas variadas. Certamente, são importantes, resta saber para quem. O Brasil tem sistematicamente deixado de conquistar honrarias e prêmios internacionais, a menos que prefira não divulgá-los, já que ninguém os conhece. Um Nobel não nos faria mal algum, mas somos dos poucos países de nosso porte que jamais recebeu um sequer. Jogar dinheiro fora, decididamente, é assunto a ser repensado, mesmo. Não importam as reclamações de interessados que em nada beneficiam o povo que paga a conta.


Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo


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PERTURBAÇÃO


Protestos? Vi nas ruas camisas e bandeiras vermelhas. Educação é a mentira usada para perturbar mais uma vez o trânsito. Por que não fazem protesto no domingo, como faz quem tem ocupação? E mais: lá, na universidade, não explicam que corte e contingência são diferentes. Mas não querem saber. Estão ali por politicagem.


Roberto Moreira da Silva  rrobertoms@uol.com.br

São Paulo


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GOVERNO BOLSONARO


O atual governo é capaz de tudo, até transferir o domingo para o meio da semana.


Vidal dos Santos vidal.santos@yahoo.com.br

Guarujá


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MANIFESTAÇÕES


É tempo de, em prol do Brasil, união e reduzir despesas públicas. Sindicatos que perderam receitas são os mentores das manifestações paralisantes, comprometedoras do sagrado “ir e vir”, usando os inocentes úteis estudantes. É tempo de reduzir despesas, ser patriota e fazer mais com menos.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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GOVERNO VAMPIRIZA UNIVERSIDADES


É como se o governo Bolsonaro tivesse entrado num tatame octógono para enfrentar adversários já herdados dos governos petistas, derrotados nas últimas eleições. Perde para o desemprego, perde, de um modo geral, para a infraestrutura do País, perde para a estruturação de seu governo/quartel, em que um sem autoridade, Olavo de Carvalho, tem seus sapatos lambidos diante da impertinência deste guru que deve possuir poderes inconfessáveis sobre o vencedor do PT. Restou um adversário supostamente indefeso, então o governo decidiu atacar universidades, contingenciando verbas no sentido de enfraquecer o que considera o ensino superior um criadouro de esquerdopatas. Como reação desse absurdo democrático, houve ontem, em todo o País, manifestações em repúdio a um governo que prestigia as armas e renega a cultura. Nas suas viagens pelo exterior, deveria visitar a Coreia do Sul e copiar os métodos de educação daquele país, onde a cultura é prioridade nacional.


Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)


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EDUCAÇÃO E IDEOLOGIAS


Finalmente a articulista Vera Magalhães (“Educação em pé de guerra”, 15/5, A8) dá uma esclarecida relutante sobre o que é corte e contingenciamento. A impressa aproveitou para amplificar e confundir os leitores usando o termo corte erradamente. Os governos Lula e Dilma realizaram também contingenciamentos na educação. As universidades têm de avaliar seus doutorados, mestrados e pesquisas do ponto de vista do custo/benefício. O dinheiro público precisa ser bem empregado, e não usado como diletantismo nas universidades. No caso do articulista Roberto DaMatta (“Sobre o ‘marxismo cultural’”, 15/5, C5), ele cita líderes talentosos: Lenin, Stalin, Mao e Fidel – só se for o talento em execuções de milhões e mortes nos Gulags.


José Luiz Abraços octopus1@uol.com.br

São Paulo


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FUGA DE TALENTOS


Sobre a matéria “Cortes sucessivos de verbas provocam autoexílio de cientistas no exterior” (“Estado”, 14/5, A13), por curiosidade, quando foi que estes pesquisadores saíram do País por cortes em verba em pesquisas? Foram todos neste ano? E quais foram as pesquisas científicas que trouxeram benefícios para o nosso país que justificaram suas formações com dinheiro público? Só por curiosidade.


Roberto Castiglioni rocastiglioni@hotmail.com

Santo André


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A PARALISAÇÃO DAS ESCOLAS PARTICULARES


É simplesmente lamentável o ofício em que a Federação de Escolas Particulares assume uma atitude política contra a defesa da Educação e orienta as instituições de ensino para o desconto de salário de quem “não compareça ao trabalho”. Pior é o presidente da federação, Ademar Batista Pereira, propor que, “caso as escolas fossem se posicionar politicamente, que fosse em defesa da reforma da Previdência, e não por cortes na Educação” (“Estado”, 15/5, A15). Isso demonstra que a entidade não guarda nenhum compromisso com a educação, mas suas metas são políticas. Repito: lamentável!


Tibor Rabóczkay trabocka@iq.usp.br

São Paulo


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DESTEMPERO


A fala destemperada do sr. Jair Bolsonaro, em viagem ao exterior, sobre os participantes das manifestações contra o corte de verbas para a Educação, demonstram que este senhor é de fato um incapaz para dirigir os destinos de nosso país. Ele deveria, antes de falar asneiras, pensar e raciocinar, mas vemos que o seu Q.I. é limitadíssimo. Ele, sim, deveria voltar para a escola para ver se aprendia algo, pois não sabe nada, e seus filhos são os maiores exemplos disso. Pare de falar bobagens, sr. Bolsonaro, saia do seu casulo palaciano e vá trabalhar!


Antonio S. Ribeiro ribe1959@gmail.com

Cotia


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PUNIÇÃO EXEMPLAR


Meus cumprimentos ao juiz federal Ricardo Uberto Rodrigues, da 1.ª Vara Federal da cidade de São Carlos (SP), por sua brilhante sentença condenando em R$ 50 mil sete estudantes da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) que, em 2018, ao invadirem e ocuparem a reitoria, causaram tal montante em danos ao erário. Nós, os reais trabalhadores deste país, aqueles que pagam impostos, cidadãos ordeiros, agradecemos pela exemplar punição, que só não foi completa pela falta de coragem da reitoria da Ufscar, que não expulsou os desordeiros, coisa que deveria ter feito obedecendo ao regimento interno da universidade. Sim, esta e outras universidades são públicas, mas não são a “casa da mãe Joana”, até porque de gratuita ela não tem é nada, pois quem paga por ela somos nós, via impostos.


Paulo Boccato pofboccato@yahoo.com.br

São Carlos


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FUNDO DO POÇO


Não é fácil de enxergar a saída do fundo do poço com um governo que toma decisões polêmicas (armamento da população, cortes de verbas para o ensino), que não se entende com o Congresso, apesar dos insistentes recados dados pelas lideranças dos partidos e as derrotas sucessivas em votações de questões de menor importância, e com presidente influenciado por um autoproclamado guru que só contribui para aumentar ainda mais a tensão no governo. Senhor presidente, foi eleito para tornar o Brasil um país próspero e mais seguro. Estes temas deverão ser o foco, não o presente caos brasiliense.


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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‘ESTAMOS À BEIRA DE ABISMO FISCAL’, DIZ GUEDES


Se alguém apontar uma empresa ou um país que tenha ficado em má situação e tenha se recuperado em alguns meses, eu até me curvaria. Leva anos, ou até décadas, para uma organização chegar à bancarrota. Como podem querer que se recupere num piscar de olhos? Acho que só sabemos criticar... criticar... criticar! Parece que só nos basta apontar culpados. Críticas ao presidente pelo que fala ou pelo que não fala... críticas aos sues filhos por motivos torpes... críticas aos congressistas por negociarem...! Parece que todos se esqueceram de que nosso principal objetivo, no qual devíamos estar todos focados, é a recuperação econômica e financeira do País. É essencial que todos – ricos e pobres, esquerda e direita, empregados e empregadores – estejamos ombreados na luta pela nossa grande meta. Nenhum brasileiro será capaz de nos tirar sozinho do buraco. Nem se fosse um grande líder! Pois nunca o País esteve numa boa situação sem que o Primeiro Mundo nos estivesse puxando para cima. E o Primeiro Mundo não está puxando ninguém.


Luiz Augusto Casseb Nahuz luiz.nahuz@gmail.com

São Paulo


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QUEM MANDA NO BRASIL?


Como bem disse o jornalista José Nêumanne (“Estado”, 15/5, A2), o governo é exercido, de fato, pela troica Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e Valdemar Costa Neto. Os dois primeiros tiveram recentemente votações irrisórias em seus Estados. O terceiro foi condenado a sete anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão petista, e é eminência parda do arruaceiro Centrão, que realmente manda no País. Não estaria na hora de o ministro Paulo Guedes convocar para uma reunião de emergência os três comandantes das Forças Armadas e explicar, mais uma vez, por que o Brasil está “no fundo do poço”?


José Carlos Degaspare degaspare@uol.com.br

São Paulo


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‘SUSPEITOS DO CENTRÃO É QUE MANDAM NO BRASIL’


No “Estadão” de 15/5, página A2, o artigo de José Nêumanne faz radiografia perfeita do Brasil atual. Por que só ele se dedica a dar a verdade? Não deveríamos ter todos os veículos de informação e seus respectivos funcionários imbuídos do mesmo espírito? A meu ver, só um deslize da parte dele. Pareceu-me que ele é favorável ao parlamentarismo. Se no presidencialismo o Parlamento já faz o que nos leva ao fundo do poço, imaginemos aonde iríamos com o parlamentarismo. Nêumanne chega ao fulcro da questão mencionando Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e Valdemar Costa Neto (7 anos de prisão) como artífices da irresponsabilidade com o País. Só deixou de colocar Paulo Pereira, o Paulinho da Força – força pela anarquia, deve ser.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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CUMPRIMENTOS


Quero cumprimentar, publicamente, o jornalista José Nêumanne, por seu brilhante artigo “Suspeitos do Centrão é que mandam no Brasil” (15/5, A2). Gostaria de destacar um dos muitos trechos que considero da maior pertinência e de indiscutível importância o destaque: “Representantes do cidadão proíbem presidente de cumprir compromisso com povo”. As leves críticas ao presidente, eu as relevo, embora não concorde com todas as mencionadas no brilhante texto.


Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br

Campinas


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CALCULOU MAL


Para prometer nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro calculou mal as consequências possíveis de uma eleição. Esqueceu-se de que poderia haver um Centrão capaz de travar o seu governo. Esqueceu-se, ainda, de que Olavo de Carvalho poderia ser uma pedra no seu caminho, da mesma forma que desprezou o senso de organização e disciplina, além da cultura, que predomina nos militares. Esqueceu-se, ademais, de sua mania de falar antes do tempo ou em horas impróprias, circunstância que já acarretou sérios problemas de governança. Enfim, como vai andando a carruagem, logo os brasileiros vão pensar que os “cumpanheiros” do mensalão estavam certos, o que será um verdadeiro desastre nacional.


José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


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CONSENSO NACIONAL OU O ABISMO


Ate onde sei, existem dois métodos de obter apoio político para aprovação de uma nova lei ou projeto nacional. O primeiro método é o método do consenso e do convencimento das bases eleitorais variadas de que a lei é boa para o país. Com as bases eleitorais apoiando o projeto, o congressista se sente obrigado a apoiá-lo, pois percebe que pode não ser reeleito ao votar contra. Foi assim no impeachment de Dilma. Houve pressão popular e consenso de que a continuação do governo de Dilma não era o que a maioria das bases eleitorais queria. O Congresso terminou por expressar essa vontade e votou a favor do impeachment. Sem consenso, sobra o segundo método. Esse é o método da troca de favores: “Você vota no meu projeto, que eu te ofereço uma contrapartida que te beneficie no curto prazo”. Esse método é o mais comum e mais fácil. Esse método exige negociações que quase sempre não são abertas ao público. O voto é visto simplesmente como uma moeda de troca pelo congressista. Esse é o modus operandi dos fisiológicos, cujos votos irão decidir os rumos do país. A falta de consenso só interessa a eles. É importante o governo e os favoráveis aos projetos do governo conhecerem claramente esses métodos. Grandes projetos necessitam de grandes maiorias. Não parece haver consenso definitivo entre as bases eleitorais para justificar a aprovação das reformas necessárias ao País. Se o governo não quer (nem pode) partir para a troca de favores, me parece que a única chance de aprovação das reformas está no uso do método do consenso. Parece-me que nem o governo nem a imprensa perceberam isso. O governo não gasta energia em convencer a população a pressionar o Congresso pelas reformas como encaminhadas. E a imprensa atrapalha quando não denuncia incessantemente (com nomes e sobrenomes) aqueles que partem para o segundo método, além de dizer que a culpa de tudo é a falta de “articulação” do governo. O primeiro método está cada vez mais distante. Sem comunicação apropriada e convencimento dos eleitores, a tendência neste momento é a desidratação da reforma ou a rendição do governo aos métodos do Centrão. Enquanto isso, o dólar já passa de R$ 4 novamente. Se os eleitores não sabem o caminho, por que os políticos saberão?


Felipe Lapyda lapydaf@hotmail.com

Boston (MA), EUA


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DÚVIDAS


Gostaria de saber por que o sr. Paulo Guedes, em suas falas, nunca diz sobre a reforma da Previdência para os deputados, senadores, ministros, militares e outros... Será que deputados e senadores vão continuar se aposentando após oito anos de trabalho (trabalho?) e recebendo mais que qualquer trabalhador? E o que a equipe vai fazer em relação aos que têm dívidas com a Previdência?


Maria José Guedes Gomes Ferreira mtitaguedes@gmail.com

São Paulo


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FHC, PENSIONISTAS E APOSENTADOS


Dias atrás, o “Estadão” publicou declaração de Fernando Henrique Cardoso sobre a Previdência em que ele diz: “Não tire dos mais pobres”. Ele nunca se importou com os mais pobres, pensionistas e aposentados. Disse que quem se aposenta com menos de 50 anos é vagabundo – ele se aposentou aos 37, e dois de seus ministros em 1998 se aposentaram abaixo dos 50 anos. Um aos 47 e outro, aos 43. E foi no seu governo que foi criado o fator previdenciário, que a cada ano achata as aposentadorias dos brasileiros.


Eliton Rosa elitonrosa@gmail.com

Rio de Janeiro


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DOCE ILUSÃO


Economistas leitores de estatísticas, palestrantes e visualizadores de mercado opinam sobre o mesmo na mais pura insensatez, ou são incapazes de enxergar a realidade ou deveriam buscar outra profissão. Nenhum, sem exceção, está atrás de uma mesa de indústria, comércio ou serviço para sentir na pele o que realmente está acontecendo. Imaginar que a economia cresceria 2,5% este ano, não faço ideia de onde buscaram essa projeção. Dou uma dica: meçam a movimentação dos pedágios nos últimos 12 meses e vejam se é possível fazer essa projeção de crescimento.


Manoel Braga manoelbraga@mecpar.com

Matão


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PIADA


A oposição no Congresso quer modificar a idade para aposentadoria compulsória de ministros de 75 para 80 anos, alterando a “PEC da Bengala” a fim impedir indicações de Bolsonaro durante o seu mandato. Seria mais inteligente se propusessem a redução para 70 anos.


José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo


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SERGIO MORO NO SUPREMO?


O senhor presidente da República pode até ser bem intencionado, não duvido, mas certamente falta-lhe bom senso. Chega a ser inacreditável que uma pessoa que foi parlamentar durante tantos anos e, portanto, devendo ter ciência da manipulação explícita que pode ocorrer na esfera de atuação de muitos políticos, chegue ao ponto de, extemporaneamente, anunciar que indicará o senhor Sergio Moro para a próxima vaga a ser aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), atirando-o destarte à arena. Note-se que o senhor presidente já tem idade mais que suficiente para pensar antes de fazer e falar aquilo que lhe vem à cabeça. Deveria ter imaginado que não faltarão aqueles que, por medo ou despeito, não hesitarão em desacreditar o ex-juiz, buscando denegrir sua imagem entre a população, lançando suspeitas sobre sua atuação profissional, sua vida financeira e até sua vida pessoal, objetivando destruir suas relações familiares. Que o povo tenha maturidade para reconhecer os abutres, as hienas e as jararacas. De plantão, relegando-os ao lugar que merecem, ou seja, o lixo da história, e que o senhor Sergio Moro tenha fortaleza mental e física para enfrentar as tempestades que se formarão.


Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém


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O JUSTO DESEJO DE MORO


Uma pessoa precisa, mesmo, ser muito ignorante sobre o funcionamento psíquico para não se dar conta de que somos consciente ou inconscientemente governados por nossos desejos! É óbvio que todo cientista almeja fazer uma grande descoberta, que todo artista almeja brilhar no palco, que todo moleque almeja jogar como seu ídolo e que todo juiz almeja chegar ao topo da carreira. E daí? Dizer que o ministro Sergio Moro conduziu a Operação Lava Jato movido pelo desejo de ir para o Supremo Tribunal Federal (STF) é de uma redundância sem tamanho: espera-se que um bom juiz queira chegar ao topo da carreira e, se ele não quiser, por favor, que vá fazer outra coisa. O que importa na análise da pessoa é se ela é capaz de usar meios ilícitos para chegar ao fim, e não qual é o fim.


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


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O CONSELHO DO SENADOR


O senador petista Humberto Costa declarou em tom jocoso algo típico de petistas enrolados em algum processo na Lava Jato: que Sergio Moro, para ser ministro do STF, precisará fazer um novo concurso e recomeçar. Apenas a título de aviso, pois não sou senador e preciso usar o SUS, acho que o nobilíssimo senador deveria, também, com todo respeito, pedir ao dr. Dias Toffoli a mesma coisa, já que o presidente do STF “tomou pau” duas vezes em concursos para a magistratura de primeiro grau. O PT não muda nunca e se esquece da sua própria história vergonhosa.


Maria M. J. Simoes mmjsimoes@bol.com.br

São Paulo


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O ARROUBO PRESIDENCIAL


A ninguém é dado desconhecer que o ministro Sergio Moro, ao lado de Paulo Guedes, são figuras exponenciais do governo de Jair Bolsonaro – sem eles, perdem o Brasil e, principalmente, o atual presidente. Não é menos verdade que ambos, particularmente o ex-juiz da Lava Jato, vêm sofrendo verdadeiro assédio moral por parte dos parlamentares, principalmente quando defendem iniciativas e reformas propostas pelo Executivo. Os reveses são inevitáveis e nem sempre contam posições firmes do chefe – às vezes essas intervenções vêm com sinal oposto. No mais, o presidente Bolsonaro profere suas costumeiras platitudes – em geral, sem maior responsabilidade – sobre assuntos de seu governo e, particularmente, do seu posicionamento diante das dificuldades encontradas. Foi num desses arroubos que o presidente – num gesto deliberado ou talvez pensando em encorajar o subordinado – anunciou publicamente pela TV que seu compromisso de indicar o ministro Sergio Moro para uma vaga no STF estava mantido. Reconhecidamente, um comportamento – desde que impensado – extemporâneo, impróprio e de extrema desconsideração com o ex-magistrado. Querendo ou não, empanou uma história de vida e respeitosa trajetória profissional. Aprendemos a admirar Sergio Moro pelo seu caráter e coragem no exercício da judicatura, por isso nos sentimos também constrangidos com a situação vexatória que lhe foi imposta. Podemos entender e dar diversas leituras ao verdadeiro escárnio proferido pelo capitão: o primeiro, por ser claro e insofismável, é de que o seu ministro da Justiça é descartável, podendo na primeira oportunidade ser demitido ou deslocado do seu cargo para outro que lhe dê maior conforto; o segundo, sua indicação para o STF pode soar como um mero prêmio de consolação – previamente agendado –, inclusive para confortá-lo no caso de ser defenestrado ou pedir demissão (ou seria exoneração?) do cargo que ocupa; e, por último, clara, por verdadeira chantagem com seu subordinado, visivelmente abatido com seus últimos percalços no Poder Legislativo e mesmo com seu presidente, para se manter firme no cargo, ainda que não consiga implementar o apetrechamento do seu ministério e, tampouco, não se oponha aos sapos que tenha de engolir em razão de sucessivas medidas impostas pelo chefe ao arrepio de sua consideração. Basta lembrar o decreto estendendo a posse de armas, permitindo a determinados cidadãos manter sob sua guarda verdadeiro arsenal, enquanto o ministro sugeria apenas duas armas por pessoa; impedido de nomear uma suplemente de conselheira – mulher especializada em segurança pública – por ingestão de terceiros perante o presidente; real desprestígio pela perda do Coaf para o Ministério da Economia; e, ainda, o questionável decreto sobre o porte de arma – elaborado e assinado sem a abalizada manifestação do ministro da Justiça. Por fim, a dessarroada e inoportuna fala chefe do Executivo pode dar asa e fecundar a narrativa de que o juiz Sergio Moro foi um agente a serviço da direita e que desestabilizou o “petismo” processando e condenando seus principais líderes, inclusive o ex-presidente Lula, como forma de abrir caminho para a eleição de um candidato mais à direita – além do ministério, ainda tinha como prêmio e objetivo de vida represado na vaga para o STF. Se non é vero, é bem trovato!


Noel Gonçalves Cerqueira noelcerqueira@gmail.com

Jacarezinho (PR)


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A SOLTURA DE MICHEL TEMER


Prende Michel Temer! Solta Michel Temer! Longos e longos votos! Traslados e traslados! As operações e decisões remetem o angustiado ex-presidente à rotina dos aeroviários, sempre com uma necessaire e roupas limpas arrumadas numa mala reserva, aguardando alguma escala emergencial de voo. Réu em seis casos, quantas prisões preventivas faltam? Se os superiores juízes reconheceram por unanimidade que há “culpas no cartório”, que venham logo as sentenças da primeira e da segunda instâncias. É certo que o povo não pedirá clemência para este Barrabás!


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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AOS OLHOS DA SOCIEDADE


Pode ser legal, pode estar dentro das regras e normas da Justiça, mas que é imoral a concessão do habeas corpus ao ex-presidente Michel Temer e seu parceiro, assim o é. Claro que a Justiça tem de seguir a lei, e não o que a sociedade clama, mas é difícil de acompanhar um dirigente que, pelas provas, inclusive malas, se apropriou dos recursos públicos, aviltando a pobre população que pena para sobreviver. Não concordamos e sabemos que não temos o que fazer, a não ser gritar nossa contrariedade contra as decisões, infelizmente cravadas pelas leis. Que o Ministério Público consiga provas corretas para que volte a colocar na cadeia o ex-presidente, seu companheiro e outros mais que tiraram da sociedade milhões e que graças ao dinheiro desviado conseguem advogados caríssimos e poderosos para tirá-los da cadeia. Queria ver se alguém simples, como eu, e quase toda a sociedade conseguiriam. Todos estamos tristes em ver o ex-mandatário em sua mansão, aproveitando do que desviou, das malas e malas nas mãos de assessores que criaram o bolo da corrupção. Muito triste que se faça sempre justiça apesar de ela não ser justa aos olhos leigos da sociedade.


Pedro Fortes pec.fortes@uol.com.br

São Paulo


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RESPEITÁVEL PÚBLICO


O teatro é faustoso. No palco, atores canastrões encenam o suspense previsível do dramalhão “entra-e-sai no prende-e-solta”. Na bilheteria da impunidade, a Justiça decadente garante que nem o céu é limite...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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TEMER SOLTO, ALERTA LARANJA


É óbvio que, se Temer e seu amigo do peito ficam soltos, poderão (eventualmente) estar 24 horas por dia trabalhando para esconder tudo o que pode se tornar prova de sua (suposta) descomunal roubalheira. Alguém duvida de que estes fraternos parceiros podem se aproximar das testemunhas para ameaçá-las, chantageá-las ou mesmo comprá-las a peso de ouro? Além disso, estando livres, podem dar destino seguro a objetos de valor, joias, pedras preciosas, ouro, etc. Mas minha opinião sobre este caso é subjetiva e o subjetivismo, por mais plausível que seja, infelizmente, não pode ser determinante num julgamento sobre a necessidade da prisão preventiva, especialmente quando o réu é um ex-presidente, e outros políticos poderosos, protagonistas de casos parelhos, seguem de perto o julgamento. É o supremo direito sendo suprema injustiça.


Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia


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NÃO SOBRA UM


Todos os dias chegam notícias de que mais um político “acima de qualquer suspeita” recebeu propina. O ex-presidente Michel Temer, que surfa na onda do “prende e solta”, pode se complicar ainda mais com a delação premiada de Henrique Constantino, dono da Gol Linhas Aéreas, por receber R$ 7 milhões. Na mesma delação, já homologada, também sobra para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Qual político estará na mídia amanhã?


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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CHALITA


Gabriel Chalita, quem diria, o honesto professor, recebeu grana de caixa 2 nas eleições de 2012 da Gol, conforme denúncia do dono da empresa. Aliás, é difícil haver um político que nunca tenha se metido em caixa 2. E, depois dessa experiência, Chalita apoiou o PT nas eleições em São Paulo e o PT em nível nacional, ou seja, usou o know-how para se dar bem. Mas, sendo ele na época do PMDB, não é surpresa alguma, afinal teve ótimos professores nesta matéria de falcatruas, como Sarney, Renan, Cunha, Temer, Jucá e outros menos cotados.


Antonio Jose Gomes Marques a.jose@uol.com.br

Rio de Janeiro


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CASA DE IRENE


De delação em delação, os intocáveis vão surgindo às pencas. Não existe uma só instituição, empresa estatal ou privada, em que não se conheça um corrupto ou corruptor. No governo ninguém se entende, disputas inconsequentes de egos inflados e invejas descaradas, declarações presidenciais inoportunas e demolidoras de projetos e ações de alguns de seus ministros, intromissões descabidas de gurus e pimpolhos que se autodenominam protetores do reino. No Judiciário, as disputas entre patamares hierárquicos: Supremo Tribunal Federal, de um lado, do outro o Ministério Público Federal e entre eles a Procuradoria-Geral da República, a Polícia Federal e o povo, como marisco apanhando nos rochedos. Dentre todas as situações mais deprimentes, encontra-se o Legislativo, a verdadeira casa da Irene, onde todo mundo entra, aproveita, recebe e sai satisfeito do dever cumprido. Este é o nosso país, que vive momentaneamente na encruzilhada do progresso factível ou da falência, moral e material.


Aloisio Arruda De Lucca aloisiodelucca@yahoo.com.br

Limeira


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ESCAPADA PARA A HOLANDA


Lélis Marcos Teixeira, ex-presidente da Fetranspor e condenado a 13 anos de reclusão por corrupção ativa e que está cumprindo medidas cautelares e ainda é réu em mais três ações penais, pediu autorização ao STF para viajar para a Holanda e lá permanecer por oito dias, tendo em vista o casamento de seu filho, que ocorrerá em Amsterdã. E assim, no Brasil, são tamanhas as facilidades para os criminosos e tamanhas as dificuldades para a realização da verdadeira justiça social que fica parecendo tudo uma questão de menor importância, pois qual mesma a diferença e qual mesmo o problema de alguém que desviou dinheiro público festejar o casamento do próprio filho na casa de um ou na casa do outro?


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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TEMOR


Eduardo Bolsonaro, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, defende que o Brasil produza armas nucleares. Diz que um grande país começa com uma grande força militar. Eu já acho que um grande país começa com educação e oportunidades de trabalho. Ele citou o Paquistão como exemplo, então vale também a Coreia do Norte? Esta visão de futuro vai nos levar abaixo do fundo do poço!


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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BOMBA NUCLEAR


Ao contrário do que pensa Eduardo Bolsonaro, o Brasil não tem capacidade para ter uma bomba atômica. O País tem um longo caminho a percorrer antes disso, um bom começo seria o Brasil finalmente ser capaz de coletar e tratar seu esgoto doméstico.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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ECEME


Brilhante e mais um texto magistral de dr. Ives Gandra da Silva Martins: “A Escola de Comando e Estado-Maior do Exército” (“Estadão”, 15/5, A2). Texto claro, elucidativo, didático e que todo brasileiro, sem exceção, deve ler para compreender a nobre e constitucional função e o espírito atual das nossas Forças Armadas em ser guardiã de nossa Carta Magna garantindo manter os Três Poderes livres e independentes.


Fabio Alves Paes de Barros fabioapbarros@gmail.com

São Paulo


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PROTEÇÃO À DEMOCRACIA


Esmerado o artigo do professor dr. Ives Gandra da Silva Martins no “Estadão” em 15 de maio de 2019 (página A2). Inquestionavelmente, uma democracia sem defensores e proteção fica à mercê do arbítrio de pseudossalvadores da Pátria e déspotas potenciais.


Luiz Gonzaga Bertelli lgbertelli@uol.com.br

São Paulo


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CURIOSIDADES ADMINISTRATIVAS


Ao estabelecer por decreto regras de utilização de patinetes elétricas na cidade de São Paulo, com a proibição de trafegar nas calçadas, o prefeito Bruno Covas presta mais uma colaboração para o rol de leis disparatadas. Numa cidade que conta, segundo informa a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), com 503,6 km de vias com tratamento cicloviário permanente, sendo 473,3 km de ciclovias/ciclofaixas e 30,3 km de ciclorrotas, e que, apesar disso, assiste passivamente à maior parte de seus ciclistas desrespeitando regras de trânsito e, rotineiramente, trafegando pelas calçadas em alta velocidade, pondo em risco a segurança de pedestres, sem sofrer qualquer tipo de fiscalização ou punição, é curioso que Covas se ponha a penalizar usuários de um serviço incipiente. Notadamente porque bicicletas, mais pesadas e mais velozes, carregam um risco potencial de maior dano a pedestres do que os provocados por patinetes. E como dispõe o Código de Trânsito brasileiro, em seu artigo 29, § 2.º: “Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres”.


Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo


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PATINETES, CAPACETES E MULTAS


Temos no Brasil um dos mais altos índices de incidentes, acidentes e fatalidades no trânsito do planeta Terra. As causas são várias, sem dúvida falta de educação e desprezo pelo coletivo. O problema das patinetes elétricas por aplicativo está principalmente no completo despreparo da população para usá-las. Foi assim com o banho de sangue dos motoboys, foi assim com o desrespeito dos ciclistas para com os pedestres (e trânsito geral) e está sendo assim com o caos provocado pelas patinetes. Mais uma vez prevenção e educação foram deixadas de lado pelo poder público. Sobre o caso, uma autoridade deu entrevista à TV Globo (“SPTV 1”) dizendo que o acordo da Prefeitura com os responsáveis pelas patinetes era colocar 100 delas para testes e, para surpresa deles, agora temos 4 mil rodando e enlouquecendo a cidade. Como assim? Sem comentários. Qualquer veículo mal conduzido é perigoso, até um tanque de guerra, quanto mais um veículo instável como uma patinete. Para resolver os problemas, sempre buscamos soluções mágicas. Desta vez, capacetes e multas. Ninguém se pergunta por que capacete para ciclistas (urbanos) não é obrigatório – repito: não é obrigatório em todos os países da Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, ou em qualquer país ou cidade onde segurança no trânsito é coisa para lá de séria. Capacete não é obrigatório porque os dados são irrefutáveis: não funciona. A explicação é longa e parece não haver interesse em sabe-la. No caso das patinetes, o capacete não evitará bater com o rosto no chão, onde ocorrem praticamente a totalidade das lesões na cabeça, ou evitar que dentes, ombros, braços, pulsos acabem quebrados, ou ainda lesões graves nos joelhos e pés, ou mesmo lesões cervicais. Patinete é instável e suas pequenas rodas, inapropriadas para o horror de calçamento que temos. Também ninguém parece se lembrar de, nem se perguntar por que não se multaram ciclistas com comportamento pouco adequado. Um buraco no emaranhado de leis torna impossível multar ciclistas. Quero lembrar que estamos no país onde existem lei que cola e lei que não cola, simples assim. Capacete e multa vão resolver o caso? Foram incluídos aí monociclos, skates e minimotos elétricas? E os entregadores de aplicativos? Só as patinetes?


Arturo Condomi Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

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