Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2019 | 01h00

Educação

Comentários impróprios

Culpam governos anteriores pela necessidade de cortes, ou contingenciamento na educação. Só que, se houve erros no passado, cabe ao governo atual providenciar as correções necessárias. Quanto aos milhares de manifestantes por todo o Brasil em favor da educação, o problema não são os “idiotas úteis”, como classificou o presidente em linguajar impróprio ao cargo que ocupa, mas os “idiotas inúteis”, que nada fazem para melhorar a situação ou fazem errado quando tentam sair da letargia.

Alvaro Salvi

alvarosalvi@hotmail.com

Santo André

Inocentes úteis

Idiota é uma palavra usada popularmente quando alguém se refere a outrem que não pensa igual a si. Sua capacidade de ferir depende das circunstâncias em que for empregada e por quem. O presidente Jair Bolsonaro conseguiu a proeza de transformá-la em ofensa à Nação ao substituir a qualificação consagrada na política brasileira de “inocentes úteis” pela dele de “idiotas úteis”, referindo-se, principalmente, a adolescentes, jovens e professores na manifestação em defesa da educação brasileira, ameaçada, no entender deles, por eventuais cortes de recursos públicos federais.

Eduardo J. Daros

daros@transporte.org.br

São Paulo

Gastar menos

Gostaria de lembrar aos participantes dos protestos, alunos, professores e reclamantes diversos, que o dinheiro para pagar as faculdades públicas não é do governo. A conta é paga pelos brasileiros comuns, em grande parte lutando para sobreviver e sair da crise, muitos deles desempregados, sem dinheiro, e mesmo assim pagando os pesados impostos embutidos em cada gasto feito, além dos impostos diretos. Se a população não tem dinheiro e o dinheiro dos impostos não é suficiente, mesmo porque a maior parte vai para a folha de pagamento governamental - inchada de funcionários públicos em boa parte desnecessários, bem pagos e, ao contrário da população, muito bem blindados das crises atual e futuras - e outra parte vai para a corrupção promovida pela parte podre do poder público, então a solução é gastar menos. O mínimo que esses professores e alunos podem fazer é agradecer pela escola “grátis”, apesar da quase recessão, colaborar com a economia e fazer a parte que lhes cabe, ou seja, que os alunos sejam verdadeiramente alunos e os professores sejam verdadeiramente professores. É pedir muito?

Armando Rodrigues

armando.alp@terra.com.br

Barueri

Grana curta

Batizado pelos organizadores como Dia Nacional de Greve na Educação contra o corte de verbas nas universidades e institutos federais, o protesto de quarta-feira, em mais de 200 cidades pelo País, foi organizado após o anúncio de que o contingenciamento de verbas para a área da educação implicará o congelamento de R$ 5,8 bilhões, sendo R$ 1,7 bilhão retirado de universidades e institutos federais. Mas, como se pôde ver, os manifestantes estavam mais concentrados no “fora Bolsonaro” e “Lula livre” do que em reivindicar recursos para a educação. A explicação talvez esteja no fato de que a União Nacional dos Estudantes (UNE), uma das lideranças do protesto, é feudo da esquerda radical (PCdoB) e sobrevive com recursos públicos, que foram milionários nos governos petistas. O que deixa claro, também, por que em 2008, quando Lula fez cortes no orçamento do Ministério da Educação, e em 2015, quando o governo de Dilma Rousseff bloqueou R$ 9,4 bilhões (superiores em 62% ao valor do corte atual), não fosse ouvida nenhuma dessas vozes estridentes que agora atacam o presidente Jair Bolsonaro. É de lembrar ainda que foi no mesmo ano em que determinou o maior corte já feito no orçamento da Educação que Dilma Rousseff lançou como slogan do seu governo o lema “Brasil, pátria educadora”.

Sergio Ridel

sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

Ajuda do Congresso

Os srs. congressistas estão extremamente preocupados com diminuição de verba para a educação, o que é extremamente louvável. Mas os recursos são escassos e uma maneira de resolver isto seria, por exemplo, o Congresso Nacional diminuir suas fabulosas despesas como salários enormes, mordomias, excesso de funcionários nos gabinetes e, principalmente, com suas aposentadorias completamente fora das médias nacionais.

Marco Antonio Martignoni

mmartignoni@ig.com.br

São Paulo

Status quo

Todos sabemos do aparelhamento ideológico à esquerda na área da educação. No entanto, a consequente educação social, que deveria privilegiar alunos carentes, de um lado, e evoluir na prática educativa, hoje está focada simplesmente no social, já que 70% dos alunos matriculados em faculdades públicas não teriam condições de pagá-la, como reconhece o próprio ministro Abraham Weintraub. Já no aspecto educativo, descemos ladeira. Cursos deixam a desejar. Nossas universidades estão fora da lista das cem melhores do mundo. Resultado trágico. Por outro lado, a burocracia que administra a educação faz questão de manter a pompa e circunstância. Reitores com motoristas e outras mordomias, cursos de extensão mais propensos a viagens de turismo do que a seu real propósito, cursos mal formulados para servirem mais à classe docente do que à discente, teses esdrúxulas e sem perspectivas reais de se desenvolverem, alunos enviados ao exterior que ao final permanecem por lá por lhes serem oferecidas melhores condições de desenvolvimento, seja acadêmico ou profissional. Em suma, há desperdício de dinheiro na área educacional, que esses profissionais não assumem por estarem mal acostumados quanto à supervisão de seus trabalhos. Por outro lado, deve-se reconhecer pela manifestação havida que estão articulados para organizar protestos. Manifestação para melhorar o nível da educação? Não, pela manutenção do status quo.

Sergio Holl Lara

jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

Barão de Cocais

Barragem ameaçada

Nem Hollywood, no auge dos filmes de desastre, bolou uma história tão louca como essa das barragens da Vale, que desmoronam. A de Mariana matou 19 pessoas e causou um desastre ecológico monstruoso no Vale do Rio Doce. A de Brumadinho matou 270 trabalhadores e moradores da região. Agora será a vez de Barão de Cocais, ameaçada de romper amanhã, cujos 6 mil moradores têm só 1 hora e 12 minutos para correr e fugir da morte anunciada? Suspense.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Cidadania ultrajada

Fui às ruas, na quarta-feira (15/5), exercendo meu direito à manifestação cidadã, protestando por menos privilégios aos políticos e servidores e mais investimentos em Educação. Portanto, inaceitável ser classificado como "idiota inútil" e "imbecil", principalmente pelo presidente da República que recorrentemente consegue semear discórdia até em atos administrativos de rotina, porque apresentados com uma destemperança verbal distante daquilo que se espera do ocupante da principal função Executiva da Nação. Desta forma, respondendo como cidadão ultrajado pelos termos utilizados, devolvo as mesmas palavras depreciativas a quem as proferiu. Quem sabe minha atitude conduza o sr. Jair Bolsonaro a uma reflexão que o leve a entender que o respeito é um exercício em que todos se obrigam: do mais humilde brasileiro ao presidente da República? Não elegemos dirigentes para nos ultrajarem.

Honyldo Roberto Pereira Pinto

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

Desalento

Votei em Jair Bolsonaro, mas confesso meu total desalento com a forma como ele (e seus filhos) vem agindo. Parece que têm um propósito único, que é o de causar enorme balbúrdia na política, não consigo ver com que objetivo secreto. Mas tudo indica que há um... Ao classificar como "idiotas" os manifestantes desta semana, ao dizer que não é vaselina e ao chamar de "esculacho" a mais que justa investigação dos deslizes de um seu filho, bem, como Paulo Guedes diz, atingimos o fundo do poço. Tudo isso gera um grande desânimo e um sentimento de total descrença no futuro do Brasil.

Nelson Penteado de Castro

pentecas@uol.com.br

São Paulo

Caminho novo

Finalmente a Educação está sendo discutida no País, com direito a manifestações, debates, ameaças, cálculos e conteúdos. Nunca havia sido tema de tal interesse nacional. Foi preciso ter a coragem de enfrentar a academia - da mesma maneira que se está enfrentando a criminalidade com o armamento da população, os privilegiados com a reforma da Previdência, a velha política com a aversão ao "toma lá, dá cá", o Estado inchado e ineficiente com as privatizações e as críticas da oposição com a indiferença. Há um caminho novo e virtuoso se abrindo ao País. É importante que se registre, com todas as letras, sons, imagens e nomes, o que os inimigos do Brasil estão dizendo, para esfregar nas suas fuças quando os primeiros resultados da mudança começarem a se avolumar, para que nunca mais as mentiras, as balbúrdias, as mediocridades e as esquerdas tenham lugar no País. 

Gilberto Dib

gilberto@dib.com.br

São Paulo

'Quanta virulência!'

Concordo com o leitor sr. Décio Antônio Damin, em sua manifestação no "Fórum dos Leitores" de ontem ("Quanta virulência!", 17/5, A3)  sobre a agressividade, o desrespeito e a falta de educação de alguns deputados da oposição que destrataram o ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante a explicação sobre o contingenciamento de algumas verbas para a universidades públicas. Durante os governos petistas e de Temer houve cortes maiores de verbas do MEC do que os bloqueios do atual governo, e os deputados não convidaram ou convocaram os ministros da pasta da Educação para esclarecer aqueles cortes em audiência pública. O que se espera de nossos representantes no Congresso Nacional é que aprovem a reforma da Previdência, essencial para tirar o Brasil no caos em que se encontra, para evitar novos cortes de verbas públicas em todos os ministérios.

José Wilson de Lima Costa

jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

Explicação

"O dinheiro do roubo está voltando aos cofres públicos", palavras do ministro da Educação para os deputados do PT.

Eugênio José Alati

eugenioalati13@gmail.com

Campinas

MEC

Aos deputados e manifestantes que vaiaram o ministro da Educação, Abraham Weintraub, sugiro que eles indiquem a "ex- presidenta" para o cargo.

José Gilberto Silvestrini

jgsilvestrini@gmail.com

Pirassununga

Chega de cisões

Esta opção de governar usando a truculência, xingamentos, falta de compostura e ver comunista até no Chapeuzinho Vermelho, alimentando o "nós" contra "eles", criado pelo petismo, não está agradando, pelo menos àqueles que querem que o Brasil melhore. Inclusive protestando nas ruas. 

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

Habilidade ou dinheiro?

A inabilidade deste governo é indiscutível. Mas será que houve "habilidade" em outros governos ou o que havia era dinheiro? FHC, Lula e Dilma diziam cada barbaridade de arrepiar, mas só Dilma se deu mal, porque a economia foi para o buraco e o País entrou na maior recessão de sua história. FHC se beneficiou do Plano Real e Lula surfou na onda de crescimento espetacular da economia mundial. O governo Bolsonaro está escancarando que o Congresso Nacional não age em prol do Brasil, nem mesmo a favor de um governo, mas sim de acordo com o que recebe em troca. Sem mesada (tanto Lula quanto FHC compraram parlamentares), os políticos nem se preocupam em minimamente disfarçar a falta de decência. Cito apenas duas declarações de FHC que caíram no esquecimento: "São vagabundos" (em 1998, sobre brasileiros que se aposentavam com menos de 50 anos) e "se a pessoa não consegue produzir, coitada, vai ser professor" (em 2001, sobre a angústia dos pesquisadores bolsistas). FHC, doutor em Sorbonne, poliglota, culto e adorado pela esquerda, pouco fez pela educação. Já de Lula espera-se qualquer coisa.

Ary Braga Pacheco Filho

ary.pacheco.filho@gmail.com

Brasília

Governo Bolsonaro

Com as recentes manifestações nas ruas, o povo parece concordar com o presidente Bolsonaro quando afirmou "não nasci para ser presidente".

Vidal dos Santos

vidal.santos@yahoo.com.br

Guarujá

Custe o que custar

Realmente, o presidente é um verdadeiro campeão! O "Lula Livre" e o "É Golpe" não conseguiram mobilizar tanta gente e tão rapidamente quanto Bolsonaro. Colocou uma multidão na rua para protestar contra medidas absolutamente necessárias. Enquanto uma parte dos ministros trabalha arduamente para consertar o Brasil, a outra banda que segue o guru põe tudo a perder. O presidente não quer a reforma da Previdência e, assim, tudo faz para implodir seu governo. O pior é que pode conseguir!

Conseguiu instalar um "parlamentarismo de fato". Sua preocupação é o porte e posse de todo tipo de arma. Não se incomoda com queimar ministros sérios e acobertar o do Turismo, por exemplo, com seu laranjal. E ainda vai criar mais dois ministérios para o "toma lá, dá cá". Vai conseguir seu próprio impeachment. Quer litígio a qualquer preço!

Cecilia Centurion

ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

Dever cívico

Se o governo de Jair Bolsonaro, perto de completar cinco meses, deixa muito a desejar, com o Parlamento e a oposição não é muito diferente. O Congresso não dá mostras de querer abandonar seu tradicional fisiologismo - o comportamento do Centrão, nesse sentido, é "exemplar" - e a oposição de esquerda pouco oferece além de espernear e continuar venerando, nas palavras do ex-governador Ciro Gomes, um defunto eleitoral. Se esta tríade conseguir entender que a aprovação da reforma da Previdência é uma questão acima de ideologias e partidarismos, e que dela dependem milhares de desempregados e seus familiares, estarão prestando um dever cívico inestimável. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

O tempo passa

Ainda há tempo de o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, voltar a ganhar a confiança daqueles que o elegeram no último pleito, desde que consiga aprovar a reforma da Previdência, que não pense alto na frente dos microfones e use de todas as forças positivas para manter o seu ministério e, principalmente, os ministros Sergio Moro e Paulo Guedes, que estão em pleno campo de batalha tentando melhorar a vida dos brasileiros.

Jose Millei millei.jose@gmail.com

São Paulo

Precipício

O centrado e realista ministro da Economia, Paulo Guedes, disse com todas as letras em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO) esta semana "que o Brasil está prisioneiro da armadilha de baixo crescimento, não é de hoje. Não adianta achar que vamos crescer 3%, a realidade é que estamos no fundo do poço. Estamos à beira de um abismo fiscal". Diante disso, resta torcer para que o Congresso tenha bom senso e vote pela aprovação da premente reforma previdenciária, caso contrário, será dado um passo decisivo à frente rumo ao despenhadeiro. Reforma, Brasil!

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

A reforma e o Congresso

Associando o que nos foi informado em dois pontos, "Coluna do Estadão" (15/5, A4) e no artigo de José Nêumanne "Suspeitos do Centrão é que mandam no Brasil" (15/5, A2), evidencia-se que o Centrão está sendo o maior entrave para que cumpram tarefas que recoloquem o País numa rota saudável. Na "Coluna do Estadão" até os números são informados: 68% dos deputados novatos e 57% dos deputados consultados são favoráveis às mudanças na Previdência. No entanto, o que se vê é procrastinação gerada pelos presidentes das duas Casas Legislativas e pelos deputados antigos, com bloqueios para que as coisas andem. A nova previdência e o pacote anticrime já deveriam ter sido votados, em favor do Brasil, mas evitar que as coisas andem é a forma de preservar os deputados envolvidos na Lava Jato sem julgamento ou investigação. Por que, então, tudo o que se vê e se ouve atribui ao Executivo a falta de "articulação"? Qual o tipo de articulação que falta? Por que não se pergunta diretamente ao senhor Rodrigo Maia qual o tipo de articulação ele pretende? Nas manifestações deste senhor, principalmente ele, é repetitiva a queixa de falta de "articulação". Então a imprensa deveria ajudar o País, perguntando a ele o que ele pretende e divulgando ao público o que está faltando.

Abel Cabral

abelcabral@uol.com.br

Campinas 

Jogando contra

Com este Congresso que só vota coisas do seu interesse e as propostas e medidas provisórias do governo ficam para as calendas, correndo o risco de nem serem votadas, não vamos a lugar nenhum. Propostas do governo de interesse do povo entram no "toma lá, dá cá". Vide a possível recriação de ministérios, partidos esquerdistas contra a reforma da Previdência e, assim, defendendo privilégios. O Congresso joga contra o povo que o elegeu. Pobre Brasil, que tem de suportar este tipo de gente.

Gustavo Guimarães da Veiga

ggveiga@outlook.com

São Paulo

Canetada

Se existe um consenso político nas três esferas de governo, federal, estadual e municipal, é a necessidade de aprovar com urgência a reforma da Previdência. Caso contrário, caminharemos para um colapso social. O que impede o presidente Jair Bolsonaro de dar uma canetada e mandar os congressistas de araque procurar vossas turmas, afinal de contas o presidente manda ou não manda?

Arnaldo de Almeida Dotoli

arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

A reforma de um País

No mês de março decidi fazer uma reforma completa em duas paredes internas com 6 metros de pé direito por 5 metros de comprimento (a casa é do final do século 19). O motivo? Estavam com umidade e, por isso, estufadas. Mesmo assim, levei um ano para tomar essa decisão, pois sabia pelo que iria passar - uma das paredes, a maior, está situada exatamente na sala onde estão computadores e equipamentos diversos, muito delicados. Fiz a obra porque meu assessor para assuntos construtivos, professor dr. Edson Negrão, indicou dois mestres da alvenaria que executaram um excelente serviço. Bem, nem preciso dizer o transtorno que refazer duas paredes, levantadas numa época em que se usava barro para unir tijolos, em vez de cimento, causou. Um pó fino e pegajoso tomou conta de tudo, mesmo com todo o equipamento coberto e protegido. É indescritível. Após três semanas, tudo ficou pronto e muito bonito. Daí veio a limpeza, tarefa que me meti a fazer uma parte pessoalmente, tirar o grosso da coisa, pelo menos nas áreas próximas aos equipamentos, para depois entregar todo o serviço nas mãos de competentes faxineiras. Fiquei doente... Achei que ainda tinha 19 anos. Praticamente arrebentei as minhas costas, mesmo sendo preparado fisicamente por exercícios diários. Mas, apesar de tudo, valeu a pena. Simplesmente ficou lindo. Você deve estar perguntando "ué, por que ele está contanto tudo isso?". Porque, pensando sobre o assunto, fiz um paralelo entre reformar apenas duas paredes antigas e reformar um país com características jurássicas como o Brasil. Quando foi dado início à obra, o transtorno foi grande, uma sujeira sem igual num ambiente onde passo grande parte do dia: poeira (como já mencionei), restos de parede, mais poeira e tudo em volta se transformando num marrom Saara, até descarnar todas elas e iniciar os preparativos da reforma: escovar os tijolos, passar duas demãos de fluido impermeabilizante, aplicar a massa, mais uma demão de impermeabilizante, argamassa e, finalmente, o revestimento. Ufa! Agora, imagine pegar um país após 13 anos de completa insensatez econômica, social e política, enraizado num projeto político esboçado por Salvador Dalí em sociedade com Baco e irmãos Metralha, e querer que tudo se resolva em apenas cinco meses. É da filosofia de botequim a frase "tudo piora antes de melhorar". Dia destes, recebi outro daqueles zaps de morrer de rir, com Bolsonaro rezando Ave Maria, cheia de graça, e a cena já sendo divulgada com outro significado. O que muita gente não está entendendo é que não estamos vivendo apenas numa era de mudanças, estamos vivendo uma mudança de era, com novos valores, saindo de uma estrutura de governo linear para uma estrutura exponencial em pleno voo. Um exemplo simples, só para clarear a mente: antes você tinha de ir à locadora de vídeos cumprindo todas as etapas do processo (deslocamento, pagamento, assistir, rebobinar, devolver...). Hoje você tem, por exemplo, um Netflix. Na economia tradicional havia apenas o táxi. Hoje você tem o Uber e mais uma dezena de opções democráticas para a sua mobilidade. Neste cenário, precisa um presidente convencer o Legislativo do que é bom ou mau para o País? Ou é a função deste Legislativo trabalhar com rapidez para um Brasil melhor, com mais qualidade de vida e segurança para todos, em vez de apenas almejar vantagens pessoais? A realidade brasileira está expressa em todas as letras e estampada na cara de todos. Não há o que ou a quem enganar. Veja, nesta nova era, até a função de presidente está mudando. A forma de se comunicar mudou. Para quem ainda não se ajustou, vai aqui um lembrete: o smartphone matou a máquina fotográfica, o gravador, a máquina de calcular, GPS, fax, telefones fixos... Isso não exclui o presidente de cometer erros para mais ou para menos (como sempre afirmam as pesquisas de opinião pública...). São erros verbais, não estruturais, como no passado. Sim, há o enorme problema dos 14 milhões de desempregados! Mas eles foram desempregados nestes últimos cinco meses ou essa cifra vem subindo como o aquecimento global ao longo dos últimos 13 anos? Enfim, não há varinha de condão e o Mandrake já se aposentou há muito tempo. Quer a verdade? É preciso desestabilizar o governo em todos os sentidos para que os parasitas de sempre consigam sobreviver. Danem-se o País e o seu futuro. É como aquele garoto que foi excluído do time por jogar mal e está torcendo raivosamente para que todos os seus colegas quebrem a perna. O Brasil vive a sua última chance de dar certo de forma moderna e democrática. É preciso mais do que nunca bom senso. Fora isso, só alugando. 

David Ferretti

david@dfa.com.br

Amparo

Tô voltando

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) negou o último recurso e determinou o cumprimento imediato da pena ao dirigente petista José Dirceu. Remetendo-me a antigo sucesso da cantora Simone, vejo o ex-ministro do presidiário Lula da Silva cantarolando na carceragem de Curitiba, de onde nunca poderia sair: "Pode ir armando o coreto e preparando o feijão preto, eu tô voltando!". José Dirceu, negocie com o chef da cozinha carcerária o preparo de um "feijão amigo" para alimentar o papo com os amigos e companheiros que o visitarão por isonomia penal e solidariedade partidária. Ministro Dias Toffoli, prestigie o chefe, hein!

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

Lula feliz 

Lula deve receber Dirceu de braços abertos na cadeia. Pelo andar da carruagem ou trapalhadas diárias do governo Bolsonaro, feliz, o ex-presidente - vivo ou morto - vê aumentar suas chances de eleger o próximo presidente da República. E Ciro Gomes? Ciro precisa andar mais onde o povo pisa: no barro.

Devanir Amâncio

devaniramancio@hotmail.com

São Paulo

Em cana novamente

José Dirceu de volta à cadeia. A Justiça tarda, mas geralmente não falha.

Vicente Limongi Neto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

Sobre a ineficiência do Judiciário

O Brasil é uma República Federativa. Isso está no art. 1.º da Constituição. Porém, na prática, há uma mistura de Estado unitário com Estado federativo em vários aspectos que precisariam de maior reflexão. No caso da ineficiência do Judiciário - retratada no editorial "Indesculpável ineficiência" ("Estado", 15/5, A3) -, há uma possibilidade de resolver a questão. O grande problema do Brasil é o número de instâncias judiciais. Isso, associado ao imenso número de processos, provoca esta tão discutida ineficiência, em face da grande acumulação de processos, particularmente nos tribunais superiores. Ocorre que seria possível pôr em prática, no Judiciário, a estrutura da República Federativa. Para tal, bastaria alterar as competências constitucionais das instâncias judiciais de forma a finalizar os processos que não ferissem disposições "materialmente constitucionais" nos Tribunais de Justiça (TJs) de segunda instância. Com isso o trânsito em julgado passaria para a segunda instância para a imensa maioria dos casos. Seria preciso dividir a Constituição federal em dois grandes "livros" (na linguagem jurídica). No primeiro estariam as disposições materialmente constitucionais (os princípios) e, no segundo, as disposições formalmente constitucionais (ou seja, tudo aquilo que está na Constituição, mas que poderia ter sido objeto de uma norma infraconstitucional). A partir daí as competências dos tribunais seriam alteradas no sentido de o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar apenas aquilo relacionado ao primeiro livro e os TJs e Tribunais Regionais Federais (TRFs) aquilo que está relacionado ao segundo livro, bem como à legislação infraconstitucional. Caberia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a uniformização da jurisprudência nacional para que a aplicação da lei seja uniforme no território nacional. Isso, sim, promoveria eficiência. Todo o processo seria julgado por um juiz em primeira instância e por um colegiado em segunda instância, garantindo-se o direito à revisão das decisões monocráticas. Um ministro do STF, por exemplo, não trataria mais de habeas corpus e se ateria apenas às grandes questões relacionadas a princípios constitucionais.

Ricardo Tannenbaum Nunez

r.nunez58@hotmail.com

Marília

Fila

A Justiça precisa se organizar. Respeitar a fila, priorizar os processos mais antigos. Dar um basta nos furões abonados com caros advogados. No artigo 5.º da Constituição consta que "todos são iguais perante a lei". Exemplo claro de tal transgressão à Carta Magna são repetitivos de forma acintosa desrespeitar a fila com processos do ex-presidente. 

Humberto Schuwartz Soares

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

Brilhou em Dallas

Em Dallas, onde recebeu uma premiação, o presidente Jair Bolsonaro foi a estrela da noite. No entanto, quem brilhou foi o governador de São Paulo, João Doria, que, circulando entre as mesas dos convidados, continuou a asfaltar a estrada que poderá levá-lo ao Palácio do Planalto em 2022. Para o asfaltamento desta estrada está fazendo acordos com todos os políticos do Brasil, bem diferente da tática utilizada por Bolsonaro na última eleição. A tática de Doria se assemelha muito à de Geraldo Alckmin, que ficou pelo caminho.

José Carlos Degaspare

degaspare@uol.com.br

São Paulo

Virada Paulista - Quando o gratuito é muito caro

Em relação ao Estado, à arte e à cultura, está havendo um tremendo equívoco. Não sei de onde os dirigentes das Secretarias de Cultura tiraram a ideia de que cabe a eles promoverem e financiarem com o dinheiro público eventos como a Virada Paulista, Descobrindo São Paulo e tantos outros de que nem ficamos sabendo. Essas barbaridades, que sujam a cidade, promovem nulidades e complicam a vida de quem mora em determinadas ruas, são apresentadas como gratuitas, mas, como  não existe nada de graça, tudo tem um preço, essas iniciativas do governo são muito caras e nada têm de arte ou cultura. Na verdade, é algo que precisa  ser  revisto, e jornais como o "Estadão" precisam entrar em campo para mudar isso. É inaceitável que um secretário de Estado da Cultura entenda que a opinião de três comissionados da sua Pasta possa substituir uma lei em vigor (a lei? Ora, a lei) para atender a interesses não explicados e, na melhor das hipóteses, impor um tipo de manifestação artística só aceitável nos regimes totalitários, que usam desse estratagema para sua propaganda política. Pão e circo.

Maria Gilka

mariagilka@mariagilka.com.br

São Paulo

Palavras ao vento

Substituir o termo "deslizamento" por "escorregamento" seria suficiente para encobrir a quantidade de estruturas malconservadas que vêm abaixo a cada chuva no Rio de Janeiro? Esta turma não se emenda, não é mesmo? 

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

Rio de Janeiro

A Cidade Maravilhosa, após ser governada por várias raposas, está desmoronando, literalmente, o que é uma pena.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

Confiança e credibilidade

De grande valor o trabalho dos profissionais do "Estadão" Felipe Resk e Renata Cafardo na apuração de fatos com relação à professora de Química Joana D'Arc. É o que chamo de jornalismo de caráter. Mentiras existiram desde a idade declarada pela própria professora, passando por fases não condizentes com épocas, até chegar à falsificação de um diploma da Universidade Harvard. Vem à luz, agora, a informação de que Joana D'Arc não comprovou as despesas por ela declaradas à Fapesp, que financia pesquisas no Estado, já beirando R$ 400 mil. Estamos num país onde nós, que defendemos a ideia de que professores devem se ater a ensinar, somos massacrados pelos que defendem o espaço acadêmico também como lugar de aprender a pensar, tendo como vetores profissionais da educação. O fato é, em si, um caso isolado, mas, e na proporção? Quantos semelhantes podem existir? Daí eu me pergunto: em quem nossos jovens estão confiando? Quem estão tendo como exemplo? Quem está formando suas opiniões?

Marcia Meirelles

marciambm@yahoo.com.br

São Paulo

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