Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 03h00

CONTAS PÚBLICAS

Por favor...

Estamos à beira da depressão, com 13 milhões de desempregados. As contas públicas estão em frangalhos e sabemos que o País só vai crescer e criar empregos se fizermos as reformas necessárias. Portanto, o Congresso deveria ter um pouco de consideração pelos pobres brasileiros, principalmente os desempregados, e aprovar logo essa reforma da Previdência. Se isso não for feito, tudo o que conseguimos, como inflação baixa, juros baixos, contas externas superavitárias, vai por terra de novo. Por favor, srs. congressistas, pensem um pouco no nosso povo!

MARCO ANTONIO MARTIGNONI

mmartignoni@ig.com.br

São Paulo

Previdência sem futuro

Continua a disputa por poder no Congresso, em total desrespeito aos brasileiros, haja vista a caótica situação da economia. Esse pessoal nunca teve a coragem de propor projetos de reforma previdenciária porque sempre extorquiu o erário com seus altos salários, vantagens e mordomias. Muito diferente da realidade do nosso povo. Há que parar com essas picuinhas e debruçar-se urgentemente sobre a proposta do governo, que já está pronta para discussão, possíveis melhorias e votação. O Brasil está parado e essa atitude de um grupo de parlamentares, incluído o presidente da Câmara, é totalmente condenável.

ORLANDO RODRIGUES MAIA

ormaia@uol.com.br

Avaré

Melhor não esticar

De acordo com a Coluna do Estadão (19/5, A4), a reta final dos trabalhos da reforma da Previdência coincidirá com a tentativa do Executivo de aprovar no Congresso o crédito suplementar ao Orçamento da União de R$ 248,9 bilhões, como reforço de dotação orçamentária para o governo tocar a vida. Sem isso não haverá como pagar nem ao menos as aposentadorias e pensões. Ainda segundo a coluna, “no limite, se não aprovar o crédito suplementar com apoio do Congresso, Bolsonaro pode cometer crime de responsabilidade fiscal”. A situação tange o surreal: quem definiu e aprovou o Orçamento da União do presente ano foram os parlamentares da legislatura anterior, quando Jair Bolsonaro ainda era apenas candidato ao Planalto. O Orçamento então aprovado contemplava a hipótese (não confirmada) de bom crescimento do PIB e da arrecadação tributária. Pelo visto, foram irrealistas e imprudentes. O presidente Bolsonaro não tem nada que ver com isso e luta para manter a máquina pública – sabidamente onerosa – funcionando à custa de cortes e contingenciamentos de toda ordem. Ameaçá-lo de impeachment caso a suplementação não seja aprovada, a meu juízo, equivale a uma declaração de guerra do Legislativo ao Executivo. E, como se sabe, a toda ação corresponde uma reação – terceira Lei de Newton. Melhor para o País que todos tenham juízo e não se estique demais a corda. Ela pode se romper.

SILVIO NATAL

silvionatal49@gmail.com

São Paulo

Despeito?

Então, deputados preparam proposta alternativa para a Previdência (Estado, 18/5)? O novo texto substitutivo da reforma prevê, no mínimo, economia de R$ 1 trilhão em dez anos. Mais uma manobra vil do amontoado de partidos conhecido por “centrão”, que não admite que os louros fiquem com o presidente Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, pois nenhum governo até hoje havia feito uma proposta dessa envergadura, que derruba privilégios e beneficia os menos favorecidos, os aposentados pelo INSS. Qual a real intenção dessa manobra? Desmoralizar o governo, para que não obtenha sucesso em ações futuras, isso é evidente. E chancela o medo do deputado Paulinho da Força de que se aprovada a reforma da Previdência Bolsonaro seja imbatível em 2022. Que mesquinharia! “Você pode conquistar qualquer coisa na vida, desde que não se importe com quem fiquem os créditos” (Harry Truman).

SÉRGIO DAFRÉ

sergio_dafre@hotmal.com

Jundiaí

Quando não houver mais recursos para pagar aos servidores públicos, aos aposentados e pensionistas, como agirão os parlamentares barganhadores? Até quando vai continuar a tentativa de “toma lá dá cá”?

JOSÉ CARLOS DE C. CARNEIRO

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

Só notícias ruins

Sabemos que os cofres do País estão depauperados graças aos 14 anos de políticas voltadas pata atender países ideologicamente alinhados com aqueles que se ufanavam de ter guindado os amados pobres a condições melhores. Que tristeza vermos as reformas necessárias sendo boicotadas, de todas as formas, por congressistas sempre mais interessados em garantir suas mordomias, num corporativismo indecente. Enquanto a equipe econômica anuncia bloqueio de políticas públicas, até mesmo de ações para estimular o emprego, o Supremo Tribunal Federal (STF) prevê mais gastos, com a aquisição de carros novos e reformas, além da famosa compra de lagostas e vinhos finos, entre outras iguarias de que as excelências não abrem mão, nem um pouco preocupadas com o povo brasileiro, que se esfalfa para bancar tantas mordomias pagando impostos cada vez mais extorsivos. Pergunto: o País tem jeito?

APARECIDA DILEIDE GAZIOLLA

aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul

País deles é outro

Deu no Estadão (19/5): Em cenário de cortes STF prevê gastos de R$ 29,5 milhões. Definitivamente, o Brasil do STF não é o meu! Alheio ao cenário de contingenciamentos, o ministro Dias Toffoli tá nem aí para os cortes de gastos na administração pública. Dentre os arroubos de sua gestão, outra reforma no gabinete da presidência do tribunal, novos telefones fixos e carros blindados, além das lagostas na manteiga queimada e dos vinhos premiados internacionalmente, que despertaram extrema indignação e ira na sociedade. Houvesse nessa casa respeito ao contribuinte, compromisso e fidelidade na defesa da Lei Maior, tal qual exponenciais e saudosos juristas magistralmente a honraram em tempos não tão distantes de nossa República, os referidos carros blindados seriam desnecessários. Sem falar que um cardápio básico da mesa dos brasileiros, contendo, entre outros itens, arroz, feijão, sardinha frita, pirão de peixe e afins, acompanhado de bebidas comerciais e sobremesas regionais, jamais seria rejeitado pelos magistrados à mesa do dia a dia. Como corolário, seguramente, os ministros teriam o aplauso do povo nas ruas, dispensando, por óbvio, o uso das aeronaves oficiais para fins não republicanos e o fretamento de caríssimos voos particulares.

CELSO DAVID DE OLIVEIRA

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


NA ROTA


Imagine que você more na rota do rompimento de uma barragem de minérios. Dizem para você ficar alerta para a necessidade de sair correndo, porque essa barragem pode se romper dentro de uma semana. Você conseguiria dormir? Sem um barbitúrico? Isso é Brasil, Minas Gerais (“Barragem em risco cria ‘terrorismo psicológico’”, “Estado”, 20/5, A21).


Elisabeth Migliavacca

São Paulo


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PAÍS INGOVERNÁVEL


A falta de “articulação” e o avanço do Centrão, como diz a manchete de ontem do “Estado” (“Com governo desarticulado, Centrão tenta impor agenda”), é o oportunismo dos deputados para deixar este Brasil ingovernável. As alterações no projeto da reforma da Previdência, a ser apresentadas por eles, são mais um passo para quebrar o País – e quem perde com isso é o povo. A transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia, por sua vez, é mais um passo para perpetuar a corrupção e a impunidade dos bandidos que agem para assaltar os cofres públicos. E, por fim, o retardamento da aprovação da medida provisória da redução dos ministérios é mais um passo para voltar a situação anterior, na qual os partidos comandavam a indução de políticos .                                           


Vilson M. Soares vilsonsoares@globo.com

São Paulo


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OS GALHOS E O TRONCO


A “reforma da Previdência terá a marca da Câmara”, diz presidente da comissão. Chegamos novamente ao legítimo “nós contra eles”, neste caso nós, a Câmara (e demais parlamentares), contra eles, o Executivo, diga-se Bolsonaro. Ora, o Executivo encaminhou projeto à Câmara elaborado pelas melhores cabeças do Executivo, e os deputados (e senadores), supostamente eleitos como legítimos representantes do povo (diga-se Brasil), deveriam aperfeiçoar este projeto para que resulte no melhor possível para o Brasil. No entanto, pelas experiências de uma infinidade de projetos, o resultado deste aperfeiçoamento provavelmente não terá mais nenhuma semelhança com o encaminhado pelo Executivo. É impressionante a miopia dos parlamentares, preocupando-se em não cortar o galho em que se encontram comodamente sentados e esquecendo-se de preservar o tronco que, se desmoronar, levará tudo junto. O povo e o futuro dele que se lixem.


Gerhard Berke gberke@terra.com.br

São Paulo


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CONGRESSO


Novo lema: “Nós acima de tudo e o Brasil abaixo de nós”.


Gustavo Guimarães da Veiga ggveiga@outlook.com

São Paulo


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ATREVIDOS


Em respeito à democracia, penso que todos os cidadãos deveriam avaliar o que segue. O presidente foi eleito com 57.797.847 votos, dados a ele por um projeto de administração. Os deputados federais, num total de 513, foram eleitos com total de votos dos deputados empossados de 54.507.268, sem que se avaliassem seus projetos. Cada deputado tinha, no máximo, um programa de trabalho. Constata-se, portanto, que o eleitorado elegeu um nome para levar a cabo um projeto de governo e 513 deputados para legislar e fiscalizar o Executivo, e que os votos dados ao dono do projeto de governo são superiores aos dados aos 513 deputados. Espera-se, portanto, que estes 513 deputados trabalhem no interesse do País e auxiliem o projeto de governo para o qual foi eleito o presidente. Ocorre que, na Câmara, somente 27 deputados conseguiram votação pessoal que lhes garantisse o exercício da função. Todos os demais, 486, só lá estão porque o voto de legenda lhes garantiu assumir o cargo de deputado federal. O próprio presidente da Câmara conseguiu pouco menos de 75 mil votos, que não chegam ao 0,0002% adiante aludidos. Muito tênue a representatividade que estes 486 deputados federais têm. Pior, a grande maioria (357 dos 513 deputados, ou seja 69,6% do total) lá está com votos pessoais que não chegam a 0,002% dos votos dados ao presidente. Com tais características, é muito atrevida a forma como a Câmara tem tratado os projetos de governo, não fazendo o que se espera dela, que é trabalhar e votar os projetos. Os deputados não estão fazendo nem uma coisa nem outra. Temos de cobrar nossos deputados.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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A POLÍTICA ENTRE DOIS PARTIDOS


No artigo “A política brasileira entre dois passados” (18/5, A2), o cientista político Bolívar Lamounier faz uma bela explanação sobre a nossa política quando aponta uma verdade incontestável: “Nós, leitores preguiçosos, lemos o título e deixamos de lado o subtítulo do livro”. E assim muitos jornalistas se aproveitam de uma frase para, em cima dela, criarem suas narrativas. Quando aborda o assunto partidos políticos, é certeiro ao afirmar que nossos partidos políticos são meros grupos de interesse, corporativistas e – acrescento, sem medo de errar – corruptos. Basta ver como estão se comportando no Congresso para votar a favor da reforma da Previdência, que, como sabido, vai tirar o Brasil do caos. Só votam se forem beneficiados; do contrário, o povo que se dane. Dá para acreditar que eles pensam no País e nos milhões de desempregados?


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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CENTRÃO


Um bloco de partidos denominado Centrão sempre adota posições aleatórias e inconsequentes, na maioria das vezes, visando a seus próprios interesses. A dúvida que não quer calar é se o nome adequado é Centrão ou Porcentão ($), ou se a ideologia dominante é esquerdista, direitista ou monetarista.


José Paulo Cipullo j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto


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DIÁLOGO?


Gostaria de saber, no linguajar dos partidos do Centrão e de esquerdas, o que significa diálogo com a Presidência?


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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‘CONCHAVÃO’


A ausência de quaisquer propostas que preparem o País para um futuro melhor bem ilustra quem são os tais representantes do “Conchavão”. Muito mais que 40, fizeram do Congresso o seu “Sésamo” institucional...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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AS CÍNICAS REFORMAS


“Façamos mudanças, mas só as que nos interessam para mantermos nosso status” (lembram-se do célebre filme “O Leopardo”, que se passa na Itália, na época da revolução de Garibaldi, em que o príncipe herdeiro, representante da nobreza, participa da revolução popular fingindo ter assumido sua causa, mas para que, mudando, se mantivesse tudo como estava?). Esse é o lema de nossas castas privilegiadas, mesmo diante do País à beira do colapso. As reformas estruturais que os que amam o Brasil desejam – a da Previdência, a financeira, a administrativa, a política, as sociais –, aquelas que podem nos recuperar, em termos cíclicos de curto e de longo prazos com caráter mais desenvolvimentista, são as que de fato podem promover com investimentos a diminuição dos custos produtivos, com maior nível de produção promovendo mais empregos e com bem-estar social maior. Precisamos de seriedade fiscal controlada, de gastos e de tributação; amenizados e controlados os privilégios cartoriais; comportamentos políticos saneados, com representatividade e mecanismos de controle diretos da população; mudanças administrativas que busquem qualidade e eficiência; enfim, tudo o que permita a realização de investimentos que aumentem as inovações e a produtividade, isto é, com menos custos de produção por unidade produzida, maior qualidade e mais produção por unidade de mão de obra; trabalhadores mais eficientes com educação de qualidade, que possam produzir mais e melhor. Isso tudo com “reformas verdadeiras”, libertadoras da ineficiência, dos privilégios cartoriais, da corrupção e da criminalidade. E com a máxima urgência.  


Renata Miceli Zoudine apjunior1@yahoo.com.br

São Paulo


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‘NÃO FOI ESSA A PROMESSA’


Aproveitando o título de editorial de ontem no “Estadão” “Não foi essa a promessa” (20/5, A3) de campanha o “toma lá, dá cá”. Anistiar os deputados que não cumpriram a lei na campanha eleitoral é dar o dinheiro de quem paga impostos e que o presidente perdoou aos aproveitadores do Congresso.


Wilson Lino wiolino@yahoo.com.br

São Paulo


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REFORMA POLÍTICA


Apesar da renovação do glorioso Congresso Nacional, ainda grassa ali o fisiologismo. Ao invés de ficar reclamando e assustando ainda mais a população, nosso atual presidente Messias poderia, apesar de não ter habilidades para fazê-lo, fazer articulação pela malfadada reforma política. Seria fundamental incluir um item novo: já que há reeleição para governadores e presidente, por que não limitar o mandato dos nossos par(a)lamentares? Eleição, no máximo reeleição, e, depois, seriam obrigados a largar o osso e deixar o caminho livre para outros cidadãos que lutem por causas mais nobres, e não apenas em causa própria. Fica a sugestão.


Renato Amaral Camargo natuscamargo@yahoo.com.br

São Paulo


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CAOS MENTAL GENERALIZADO


1) Não sabem que negociações só podem ocorrer na política entre grupos com objetivos construtivos? Agora: a) citem um grupo consistente numa Câmara esfacelada; b) citem um objetivo construtivo nesta Câmara; e c) não há que “negociar” propinas nem cargos em troca de votos, isso seria corrupção. 2) Não sabem que uma economia levada ao extremo do endividamento, com déficit fiscal astronômico e desemprego de 13 milhões de cidadãos urbanos, não se conserta em cinco meses? Quem produziu isso? Os governos PT/PMDB/PSDB dos últimos 15 anos. Aliás, eles “negociaram” com o Congresso amistoso distribuindo benesses que sonegaram aos cidadãos. 3) Não sabem que o PT procurou implantar uma ideologia para se perpetuar no poder? Qual é a ideologia de Bolsonaro fora a de não ter nenhuma ideologia? 4) Não sabem que o sistema de educação que aí está produz mas de 50% de analfabetos funcionais entre alunos de 15 anos? E que universidades e administração da educação são cabides de empregos para aparelhados incompetentes? 5) Qual é a parcela da sociedade que está viciada por uma propaganda nefasta a que esteve submetida por três décadas? Se sabem e se são de boa-fé, por que aqueles da imprensa não concordam com que Bolsonaro está empenhado numa mudança de paradigma na política?


Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo


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TAMBÉM SOMOS RESPONSÁVEIS


Embora seja uma realidade dolorosa, temos de reconhecer que o Congresso que aí está foi eleito por nós, estando ou não dentro dos tão falados “currais eleitorais”. O mesmo aconteceu com os 57 milhões de eleitores que elegeram o sr. Jair Bolsonaro para presidente. Todos sabiam de seus 28 anos de vida política inexpressiva, de suas posições extremadas em relação às ideologias diferentes da sua, bem como de sua ira destemperada com segmentos minoritários da população. Nem o fracassado exemplo de Collor, com o mote de “caçador de marajás”, foi suficiente para trazer à percepção coletiva que gestos icônicos com as mãos, simbolizando armas, e promessas de combater a violência com mais violência são ideários simplistas e insuficientes para compor todo um programa de governo. O resultado aí está: um Congresso renovado por legisladores inexperientes, claramente manipulados pelos donos dos currais de sempre e em permanente litígio com um presidente visivelmente despreparado para a função. Diante deste quadro lamentável, é forçoso reconhecermos que, enquanto não abandonarmos a cultura da omissão e do oportunismo, efetivamente buscando votar em pessoas compromissadas com o bem comum e cobrá-las disso, continuaremos habitando currais eleitorais que solapam nosso futuro e o de nossos filhos e netos.


Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto


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UM BREVE E NECESSÁRIO PARADIGMA


Num momento aproximado de nova recessão e de ingovernabilidade, um artigo de Matthew Wilbun King especial para o BBC Future traça um paralelo metodológico entre um pequeno país e nosso imenso Brasil. 51.060 metros quadrados e 4,9 milhões de habitantes. Incomparável, é óbvio. Mas tamanho é apenas um dos elementos de análise. Costa Rica, democracia estável, despende 6,9% em educação, em comparação com a média mundial de 4,4%; economia, antes agrícola, hoje largamente diversificada; maior recorde em desenvolvimento humano e em redução da desigualdade social na região; políticas ambientais progressistas, com adoção de energias renováveis como hidrelétrica, solar, geotérmica e biomassa; extinguiu seu exército em 1949, talvez único país que adotou essa pregação incansável de Albert Einstein. Sem prisões políticas, torturas e homicídios oficiais, para os castristas que pretendem comparar. E ainda muito a fazer, como declarou Carlos Manuel Rodrigues, seu ministro do Meio Ambiente. Segundo afirmou alguém nestes dias, nenhum país é ingovernável. O problema é a “representação” democrática, posta na análise “Como nosso cérebro atrapalha o combate às mudanças climáticas”. Deixamos a um bando de corajosos – e cheios de pecados inconfessáveis – com seus archotes combater os predadores que atacam à noite nossos celeiros. E aguardamos, mas o nosso Brasil não tem mais tempo.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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‘POPULISMO PENAL’


Cumprimento a senadora Soraya Thronicke, temos muito de apoiar sua iniciativa por consultar seu eleitorado. O maior respaldo possível a uma ideia é o “sim” do povo. O político tem obrigações para com o eleitor, o que ele não deve é tomar decisões contrárias a este. Grogue a ideia estampada no editorial publicado no “Estadão” de 18/5 (A3) “Populismo penal”. Nosso sistema é o de democracia representativa, trazendo plebiscitos e referendos com participação direta do povo. Como diz a senadora: “Como ignorar 97% de um eleitorado?”. Chegamos a uma ditadura do Legislativo? O trabalho é direito do preso (art. 41 e 126 da Lei de Execuções Penais – LEP), mas também um dever para ressarcir o dano (art. 39, VII e VIII da LEP). O preso deve estar ciente do dano que causou e suas obrigações). Pouca coisa há de vir do povo? Política criminal séria, de grande eficácia, seria ouvir os setores jurídicos, científicos, comerciais, industriais, classes de trabalhadores e donas de casa, não somente as redes sociais, sem barbárie. Mas dos parlamentares há de vir o quê? Há mais de três décadas sem decisão! Supremo Tribunal Federal (STF) e os valores da Constituição federal: Lewandowski legislando no impeachment de Dilma e Toffoli e Moraes censurando! “Todo o poder emana do povo”, que o exerce através de representantes legais, fundamento básico da democracia.


Flávio Bacci fiodorbarikhov@gmail.com

Bragança Paulista


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‘O QUE NÃO PODE É CRIMINALIZAR A POLÍTICA’


Davi Alcolumbre disse que não se pode criminalizar a política. Não sei em que país vive o senador, pois no Brasil a política está criminalizada há muito tempo.


Marcelo Melgaço melgacocosta@gmail.com

Goiânia


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PUNIÇÃO E REABILITAÇÃO


Curioso os EUA cobram, sim, em trabalho os custos dos presidiários após o cumprimento da pena, mas no Brasil, como defende o “Estadão” (“Populismo penal”, 18/5, A3), a pena é para reabilitação social do preso, e não punição pelos crimes cometidos. Mas é este o Brasil: copiamos dos EUA só o que tem de ruim (McDonald’s, Coca Cola, etc.), mas o que tem de bom criticamos. E quanto à pesquisa feita pela deputada, que o “Estadão” classifica como não compatível com a realidade, vamos ao plebiscito, aliás, fizemos um com relação às armas, e o Congresso o depreciou com a Lei do Desarmamento.    


Luis Fernando M. Carvalho meirelles@meirellescarvalho.com.br

São Paulo


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SINUCA DE BICO


Está claro que o Congresso Nacional, com o apoio de parte da mídia, colocou-se numa sinuca de bico. Não entenderam os parlamentares desde o início do novo governo que não haveria mais o “toma lá, dá cá”. Chegou-se ao limite do elástico e, agora, querem apresentar seus próprios projetos de reformas, simplesmente para não encherem a bola do presidente da República e ainda com a desculpa esfarrapada da falta de articulação. Bando de canalhas.


Manoel Braga manoelbraga@mecpar.com

Matão


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NEGOCIAR? SÓ COM AS RUAS


Não concordo com o editorial “A ameaça de Bolsonaro” (“Estadão”, 18/5, A3). Dentre outras opiniões, diz o jornal que o presidente “manifestou desconforto com a necessidade de lançar-se a negociações políticas para fazer avançar a agenda governista com o Congresso”. O presidente fez o que lhe competia, entregando ao Congresso um minucioso projeto de lei para a reforma da Previdência, pondo à disposição do Congresso seus assessores técnicos que elaboraram a proposta. Negociar o quê?   Em artigo da mesma edição do “Estadão”, “A política brasileira entre dois passados” (A2), escreve Bolívar Lamounier: os partidos políticos “são meros grupos de interesses, protagonistas do corporativismo desatinado a que nosso país chegou”. Senhor redator, quem nos ameaça é o fisiologismo insaciável dos partidos políticos que não entenderam o recado das ruas. Estamos fartos do “toma cá, dá lá” e do presidencialismo de coalizão de Lula, que nos levaram ao petrolão e ao mensalão, responsáveis pelos mais de 13 milhões de desempregados. Creio, mesmo, que os congressistas estão precisando de novo clamor popular como o que os mobilizou para a correção de rumo deste país em 2016, do qual a deputada Janaína Pascoal foi motivadora. De novo às ruas, deputada!


Antonio Carlos Gomes da Silva acarlosgs@uol.com.br

São Paulo


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BOBAGENS


Sobre o editorial “A ameaça de Bolsonaro”, repercutir as bobagens ditas e feitas por Bolsonaro é uma perda de tempo e, por consequência, bobagem. Isso me lembra Jânio Quadros proibindo os biquínis. Percam o tempo e opinem sobre o que realmente interessa.


Nelson Mattioli Leite nelsonmleite@uol.com.br

São Paulo


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SOLUÇÕES


Senhores economistas, analistas, comentaristas, jornalistas, técnicos e outros especialistas mais, por que não trazem ou apresentam as soluções junto com as críticas?


Jaime Eufrasio Sanches jaime@carboroil.com.br

São Paulo


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MOURÃO NA CHINA


Enquanto o presidente Bolsonaro serve de motivo para piadas indo ao Texas, o vice Hamilton Mourão foi à China tratar do futuro do Brasil, para melhorar e incrementar os negócios do País com os chineses, que têm muito a nos ensinar, uma vez que passaram de um nação que até o século passado apenas copiava o Ocidente capitalista, mas aprendeu que isso não tirava o país de uma miséria milenar graças a ditadores como Mao Tse-tung, que matou milhões de habitantes com uma visão comunista. O sucessor de Mao, Deng Xiaoping, mudou totalmente a China com a adoção de uma política que, chamada de comunista, o era só para agradar a russos e cubanos, mas, aplicando na educação de sua gigantesca população, que fornece mão de obra barata, desenvolveu o país que hoje assombra e até assusta americanos. Hoje, a China coloca no espaço satélites competitivos com nações de Primeiro Mundo e muitos outros produtos de tecnologia avançada que vão de celulares, veículos, aviões até, claro, armamentos. A estratégia brasileira busca sair de eterno fornecedor à China de minério de ferro barato e recebedor de aço de qualidade para exportar demais produtos carentes aos chineses, como carnes em geral, soja e outros, para alimentar sua gigantesca população de mais de 1 bilhão de habitantes. Palmas para esta inciativa de visão militar, porque só paparicar os EUA não traz benefícios a nosso país, carente de desenvolvimento para tirar da miséria mais de 13 milhões de desempregados.


Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça


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UM JANTAR PARA DIRCEU


Tristeza é a única palavra que pode descrever o meu sentimento ao saber que José Dirceu, antes de se apresentar à Justiça, teve um jantar em sua homenagem, com a presença de 300 pessoas em Brasília. 300 brasileiros homenageando uma pessoa condenada por furto e lavagem de dinheiro! 300 amigos? 300 comparsas? 300 membros da mesma quadrilha? Que vergonha que sinto de ser brasileiro!


Godofredo Soares godofredocaetanosoares@gmail.com

São Paulo


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JUSTIÇA


A Justiça é cega, tardia e, frequentemente, vai na contramão da opinião pública. Mas, às vezes, acerta na mosca. Lula está na clausura há mais de um ano, e agora acompanhado de Zé Dirceu. Viva a Justiça!


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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PADRINHOS DE LULA


“Lula está apaixonado e pretende se casar, afirma ex-ministro” (“Estado”, 19/5). Lula deverá convidar para padrinhos Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.


Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas


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A SOBERBA


Elevação da taxa de desemprego no País; aumento no número de brasileiros em situação de pobreza e de extrema pobreza; cortes bilionários no Orçamento da União. Pois fiquem sabendo que nada disso é capaz de sensibilizar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Entre os gastos previstos para despesas que envolvem a rotina da Corte – estimados em R$ 29,5 milhões – estão a compra de veículos blindados, reforma no gabinete da presidência do tribunal e refeições com lagosta e rótulos de vinhos agraciados com premiações internacionais (“Estado”, “Em cenário de cortes, STF prevê mais gastos”, 19/5, A8). O que, de per si, já é insustentável causa mais espanto pela justificativa dada ao jornal pela Secretaria de Comunicação Social do STF: a de que a gestão do presidente Dias Toffoli tem adotado um conjunto de medidas para reduzir gastos e melhorar a prestação de serviços. Sobre a extravagante licitação de lagostas e vinhos, informou que reproduz contrato semelhante firmado pelo Itamaraty. Como se reduzir despesas de um lado e haver precedente de licitação em outro ministério pudessem relevar a ausência de princípios éticos e cívicos que devem nortear o serviço público, especialmente em se tratando de membros do mais alto degrau do Poder Judiciário.


Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo


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SANEAMENTO BÁSICO


Cumprimento a Comissão Mista do Congresso que aprovou o substitutivo do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sobre saneamento básico. Sabemos que os peixes, sapos e outros matam mais de 90% das larvas de mosquitos. É muito importante, portanto, a limpeza de rios, fundos de vale e saneamento básico para todas as casas impedindo a proliferação de doenças como dengue, zika e até mesmo um novo vírus, “mayaro”, que se confunde com a chikungunya.


Regina Ferrari ferrari@tavola.com.br

São Paulo


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‘DESPREZO PELO CLIMA’


Oportuno o editorial do “Estadão” de 19/5 sob o título “Desprezo pelo clima”, ante a equivocada política do presidente Bolsonaro sobre o aquecimento global e suas nefastas consequências. Que o presidente não acredita nos estudos que comprovam o aquecimento global foi confirmado explicitamente com as nomeações dos ministros das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, por mais incrível que possa parecer. O primeiro acredita ser uma maquiavélica campanha marxista contra os países democráticos e favorecer a China. Cumpre salientar que a China e a União Europeia, conforme informou a revista “Veja”, reafirmaram, no fim de 2018, compromisso com o Acordo de Paris e se comprometeram a transferir US$ 100 bilhões por ano às nações pobres para ajudá-las na adaptação às mudanças climáticas. Considerando que o nosso país é o que apresenta as melhores condições para ajudar na contenção do aquecimento global, estamos abrindo mão de uma importante colaboração mundial para contribuirmos com o Acordo de Paris e, mais, resolver os nossos próprios problemas neste campo. É lamentável que em pleno século 21 tenhamos em nosso governo pessoas tão obtusas, como os padres católicos do século 17, que se recusavam a acreditar na teoria heliocêntrica de Copérnico, que foi o ponto de partida da astronomia. Naquela época, eles condenaram Copérnico à morte. Agora, pessoas como o ministro das Relações Exteriores estão condenando nossos descendentes à mesma sina. Como diz, e bem, o editorial: “Ser visto como inimigo do meio ambiente pode custar caro para o País, na forma de barreiras tarifárias ou outras para produtos brasileiros, principalmente agrícolas”, ao que eu acrescentaria os da pecuária, além das ajudas internacionais acima citadas. Já a nomeação do ministro do Meio Ambiente, condenado em primeira instância por fraudar processo de conservação ambiental quando era secretário do Meio Ambiente em São Paulo, é um acinte ao povo brasileiro. E também é um escárnio aos mais comezinhos princípios de moralidade e honestidade. Qualquer declaração dele como a do encontro sobre o clima em Salvador, Bahia, que foi cancelado, não merece nenhum comentário. Em termos de meio ambiente, o governo Bolsonaro me fez lembrar a frase do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, que viveu em nosso país: “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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‘SUSTENTABILIDADE PARA MANTER LIDERANÇA’


Em atualizadíssimo artigo, José Roberto Mendonça de Barros mostra que o sucesso do agronegócio brasileiro é resultado de inteligência, criatividade, pesquisa e muito trabalho sério (19/5, B4). Os pesquisadores da Embrapa e de outros institutos foram os grandes protagonistas na geração das ideias que os produtores, com confiança e denodo, puseram em prática. Parabéns ao Beto por trazer tudo isso à tona num texto denso e de grande importância para mostrar que o Brasil pode dar certo!


José Pastore j.pastore@uol.com.br

São Paulo


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ONDE ESTAVAM?


Noticiou-se que Caetano Veloso, em espetáculo no Vale do Anhangabaú, na capital paulista, convocou os espectadores para que, no próximo dia 30 de maio, se manifestem maciçamente, em ato programado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), contra o governo Bolsonaro, que tem apenas cinco meses de gestão. Como perguntar não ofende, gostaria de saber por onde andavam ele e a UNE durante os aproximadamente 14 anos de governo petista, que envergonhou e atrasou o País. Triste é saber que há boquirrotos que ainda se deixam manipular.    


Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém


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DIA ÚTIL?


O Brasil em crise e a próxima manifestação da UNE será em 30 de maio, quinta-feira, dia útil. E o direito de “ir e vir”, como ficará? É justo lutar pela Educação, mas seja patriota, respeite o Brasil. Por que não no domingo, dia 2 de junho? As grandes, ordeiras e vitoriosas manifestações em 2016 aconteceram aos domingos, sem prejudicar os demais brasileiros.


Humberto Schuwartz Soares h-s-s@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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COISA DE ‘MITO’


Confesso jamais ter nutrido grandes expectativas – afinal, elegemos um presidente e o Brasil atual pede quase um David Copperfield com seus passes de mágica para resolver as pendências –, mas devo aplaudir Jair Bolsonaro. Não bastasse ter promovido a conversão de notórios comunistas em fervorosos cristãos a comungar na igreja e transformado libertários e progressistas em ultraconservadores – como vimos no carnaval –, agora está aí o “mito” a converter o pessoal da mortadela e os militantes do MST – os mesmos que já protagonizaram a destruição de laboratórios de pesquisa – em universitários aflitos com a excelência do ensino. Fora de série.


Silvio Natal silvionatal49@gmail.com

São Paulo


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ARMAS E LIVROS


Por que esta turma de fica falando que “a melhor arma é um livro” nunca convenceu os amiguinhos do Hamas, das Farc, do tráfico a trocarem os AR-15, AK-47 por exemplares de “Dom Quixote”, “Grande Sertão Veredas” e “Revolução dos Bichos”?


Geraldo Magela da Silva Xavier silvag34@yahoo.com.br

Belo Horizonte


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NORDESTE À MODA DO SESC


A mostra denominada “À Nordeste” reúne peças, objetos e quadros representativos da região, na tentativa de explicar origens e costumes do povo que a habita. Não é algo para ser “digerido” com facilidade pelo público, por mais que o simpático diretor do Sesc paulista, Danilo Santos de Miranda, se desdobre em sofisticadas explicações. O próprio folheto distribuído aos visitantes, bem diagramado, constitui obra de arte, assinada pelos curadores Bitu Cassundé, Clarissa Diniz e Marcelo Campos. Quando alego dificuldade de entendimento, refiro-me ao cidadão comum que vê os objetos pela primeira vez e não consegue distinguir a beleza de determinadas peças ou figuras. Tenho a impressão de que o nordestino que mora em São Paulo se identifica mais com o forró e as comidas regionais do Centro de Tradições Nordestinas do que com a sofisticada exposição em foco. Salvo a hipótese de que minhas impressões se ressintam de conhecimentos mais aprofundados a respeito do assunto. Uma das curiosidades expostas, por exemplo, é um compacto em que o artista Marcelo Silveira gravou um único mote, “Tudo Certo”. Ele explica que seu pai sofreu de Alzheimer por longos oito anos, durante os quais só repetia essa frase, que ele repete à exaustão de forma artística. Isso é arte? Tudo é arte, poderiam dizer os curadores. Ou vira. Para o frequentador do Sesc 24 de Maio não faltam orientadores para tirar qualquer dúvida. Talvez o visitante tenha dificuldades, como eu, de admirar certas peças. Deverá ir mais de uma vez para se enfronhar melhor de suas origens e significados. A mostra fica de 16 de maio a 25 de agosto no 5.º andar do Sesc 24 de Maio. É mais uma iniciativa de grandes méritos dessa brilhante instituição, vez por outra ameaçada de corte de verbas. 


Flávio Tiné José flavio.tine@gmail.com

São Paulo


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MINHOCÃO


Sobre a matéria “Os 6 desafios do Parque Minhocão” (“Estado”, 18/5, A20), desde sua implantação, o Minhocão vem suscitando discussões e críticas. No meu entender, ele é necessário por ser a única via direta de ligação entre as regiões leste e oeste, mas foi implantado sem levar em consideração o seu entorno. Simplesmente foi construído, deixando os imóveis das quadras contíguas ao “deus dará”! Uma das piores consequências foi, na Rua Amaral Gurgel, onde há reverberação sonora resultante da “caixa acústica” formada pelo piso da rua e suas calçadas com os prédios lindeiros e a parte inferior do dito elevado. A única saída do som desagradável que ali foi produzido (principalmente pelos caminhões e ônibus quando dão o arranque de saída após o semáforo abrir, ou quando estes saem do ponto de parada) são as frestas laterais que resultaram entre os prédios laterais, prejudicando todos os seus moradores. O resultado disso foi a desvalorização desses prédios, que estão hoje em precárias condições de abandono. A minha proposta é de uma participação entre a Prefeitura e os empreendedores imobiliários na qual esta desapropriasse metade das quadras lindeiras ao Minhocão na Rua Amaral Gurgel, desde a Rua Major Sertório até o Largo do Arouche, de forma a termos um parque contínuo de cada lado da dita rua. Este parque seria apenas ocupado por dois grandes “pilares” constituídos pela circulação vertical (elevadores e escada) de grandes prédios horizontais construídos, na sua maior parte, sobre a dita Rua Amaral Gurgel. Esses edifícios teriam área total construída equivalente ao potencial construtivo estipulado pela lei de uso e ocupação do solo de toda a região em questão. Os empreendedores imobiliários comprariam todos os imóveis desvalorizados, construiriam e venderiam por valor atualizado à nova situação. Ganhariam a Prefeitura, pela melhoria conseguida para a região, os proprietários dos prédios existentes (atualmente sem compradores, pois a área é desvalorizada, sem compradores), a própria região, que receberia duas grandes áreas verdes longitudinais e paralelas, e os futuros moradores (de classe média e média baixa), que não precisariam de condução para ir ao trabalho na região circunvizinha e no centro da cidade. Sem deixar de lado a criatividade (inerente a todo arquiteto), proponho sobre o cruzamento das Ruas Amaral Gurgel e Santa Izabel um conjunto de comércio (pequeno shopping) situado numa base piramidal truncada que sustenta ama torre mais elevada que o conjunto de prédios habitacionais de sentido horizontal, destinada a escritórios. Essa torre deverá compor, em altura, com os edifícios altos da região até o Edifício Itália. Vale terminar com uma observação jocosa, pois as ruas transversais à Rua Amaral Gurgel têm, em seu nome, uma evolução funcional demarcada e respeitosa, ou seja – “Major” Sertório, “General” Jardim, “Marquês” de Itu e “Santa” Isabel, terminando no “Largo” do Arouche, que desmancha toda a importância crescente das ruas anteriores.


Hoover Américo Sampaio, arquiteto hoover@mkteam.com.br

São Paulo


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FICÇÃO


Ficar sem o Minhocão, para São Paulo, é ficção de malucos. A cidade precisa é de outro Minhocão sobre a Radial Leste. Parem de brincar de urbanistas, a cidade precisa se mover. Chamem o velho dr. Paulo para projetar outros.


Ronaldo Rossi ronaldo.rossi1@terra.com.br

São Paulo


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CRISE POLÍTICA NA ÁUSTRIA


A divulgação de um vídeo com o vice-chanceler austríaco derrubou o governo. A separação de poderes entre chefe de Estado e chefe de governo, a possibilidade de dissolução do Parlamento e de convocação de novas eleições resolveram rapidamente a crise política. A imediata renúncia do envolvido e a rápida ação do presidente mostram a flexibilidade do sistema misto de governo, em que há dupla legitimidade eleitoral: o presidente da República eleito em eleições diretas por maioria absoluta de votos, em dois turnos, e o primeiro-ministro responsável pela maioria absoluta perante o Parlamento.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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LIÇÕES DA ÁUSTRIA


O vice-primeiro-ministro da Áustria, que pertence a um partido de extrema-direita que faz parte da coalizão governamental, foi filmado durante a fase de campanha num momento de lazer, embriagando-se, dizendo absurdos machistas, ofensas ao parceiro de coalizão e, pior, oferecendo contratos governamentais para recompensar eventuais doações de campanha de uma magnata russa. O vídeo foi feito e vazado de maneira ilegal, mas, em menos de uma semana, ele pede desculpa oficialmente, condena seus próprios atos, desaparece como figura política e ainda leva no bojo o governo, que anuncia nova eleição geral, mesmo não havendo ainda nenhuma prova de que recebeu doação ou de que tenha havido algum favorecimento. Está aí a principal diferença para com o Brasil, onde dezenas de bilhões de reais foram comprovadamente desviados de empresas públicas e a desculpa para minimizar o crime é justamente a de que teriam sido usados como verba de campanha. E recentemente fomos além, pois o STF julgou que agora este tipo de desvio deve ser descriminalizado e julgado por uma Corte especial, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desculpas não houve ainda de ninguém nem tampouco uma condenação real da sociedade, pois grande parte da elite econômica, a quase totalidade dos políticos e a esquerda ideológica continuam escamoteando e minimizando os fatos, como se não fossem tão graves ou se trate de perseguição política. E a parte da sociedade que se revoltou e foi às ruas, e por isso talvez tenha se sentido sem opção na hora de votar, é chamada de golpista, fascista, elitista e preconceituosa, inclusive pela mesma imprensa europeia que se indigna com o vídeo vazado. Temos, ainda, um longo caminho a percorrer, e antes de mais nada precisaríamos mudar a direção, o que está se provando muito difícil, principalmente enquanto não conseguirmos nos unir em torno de um novo projeto para o País, que consiga vencer esta imensa podridão do nosso Estado.


Martin Kunze Martin.kunze@uol.com.br

São Paulo


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O RESSURGIMENTO DO SOCIALISMO NA ALEMANHA


Kevin Kühnert é mais uma pessoa que acredita que o socialismo dá certo. Ele argumenta, por exemplo, que nele teríamos igualdade e que, no capitalismo, isso não existe. No entanto, a chance de dar errado é total. Há algum tempo tivemos Hitler, que acreditava nisso, mas seu governo, como noutros casos, deu errado também. O capitalismo é a melhor solução.

    

Marcos P. R. Barbosa marcospaulorodriguesb@gmail.com

São Paulo

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