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Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2019 | 03h00

REFORMAS

Previdência

Após repetir exaustivamente pelos meios de comunicação, parece que o ministro da Economia, Paulo Guedes, finalmente conseguiu convencer a maioria dos parlamentares e da população de que não existe plano B para salvar a Previdência Social. Ou a reforma da Previdência é aprovada pelo Congresso Nacional ou ela quebra dentro de poucos anos e os aposentados que contribuíram por 30, 35 ou mais anos correm o risco de não receber aquilo a que têm todo o direito. Porém, inacreditavelmente, ainda existem alguns deputados como o Paulinho da Força, que, embora esteja convencido da necessidade da reforma da Previdência, declarou que mesmo assim a sua bancada vai votar contra porque, se a mudança for aprovada, certamente Jair Bolsonaro será reeleito – e o Brasil que se dane (como um homem com essa mentalidade tacanha ainda pode ser eleito deputado?). Por essas e outras, a reforma da Previdência não vai ser nada fácil, ainda existem resistências, principalmente do funcionalismo público, que não quer abrir mão dos seus privilégios – há deputados que foram eleitos pelos funcionários com o propósito de defenderem os seus interesses e eles sabem que se não cumprirem o compromisso assumido não terão mais os votos da corporação. E ainda existe o famigerado Centrão, que não se conforma em não poder “negociar” na base do “toma lá dá cá”. Pobre Brasil! 

JOSÉ CARLOS DE CASTRO RIOS

jc.rios@globo.com

São Paulo

Corpo mole

Semana vai, semana vem, e essa reforma da Previdência, tão necessária para o Brasil, continua travada no balcão de negócios. Quem de nós não sabe que o Brasil vai quebrar se ela não vier? Desemprego assustador, falta recursos em todas as áreas, não há investimento, projeções de crescimento pífio caem a cada dia, mas as excelências na capital, a quem cabe acelerar a aprovação das novas medidas, na maior calma. Certamente entendem que o “deles” está garantido... Ledo engano, não está, não! Façam o que tem de ser feito e ponto final.

JOSÉ PERIN GARCIA

jperin@uol.com.br

Santo André

Sem exceções

Não pode existir uma real reforma da Previdência com alguns parlamentares querendo excluir esta ou aquela categoria. Sempre se alardeou que todos estariam incluídos e os próprios parlamentares exigiram a apresentação da proposta dos militares, a fim de darem trâmite a geral. E assim foi feito. Agora, contudo, alguns querem excluir o BPC, as aposentadorias rurais, os professores, as Polícias Militares, etc. Ora, dessa forma, então, também não deveria haver alterações para as Forças Armadas...

HEITOR VIANNA P. FILHO

lagos@araruama.com.br

Araruama (RJ)

GOVERNO BOLSONARO

Presidente no Nordeste

O presidente Jair Bolsonaro organiza a sua primeira viagem ao Nordeste (20/5, A8). Todos os últimos presidentes ficaram penalizados com a região. Ouviram apelos de todo lado e acharam meios de enviar “mais” recursos para lá. Existe um órgão, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), cujo nome já define sua missão e tem uma longa história. Nasceu no longínquo ano de 1909, com o nome de Inspetoria de Obras Contra as Secas. Em 1919, já com alguma experiência, teve o adjetivo Federal adicionado à sua denominação. Em 1945 passou a ter o nome atual. E hoje suas tarefas parecem ser as mesmas de 110 anos atrás. Sabe-se que açudes foram construídos, reservatórios também foram instalados, e outras obras mais. Mas o problema não parece ter diminuído, pois a demanda por verbas adicionais não cessa. Dada a natureza do problema, há outras instituições socorrendo permanentemente a região, como o Banco do Nordeste. Tem-se notícia da pobreza que por lá impera, mas também há notícias de famílias riquíssimas, com ligações em cargos públicos. Penso que seria de bom alvitre um levantamento dos recursos destinados àquela sofrida região e um inventário das obras por lá realizadas, com os respectivos custos. Suspeito que teríamos grandes surpresas.

MARIO HELVIO MIOTTO

mariohmiotto@gmail.com

Piracicaba

CAMINHONEIROS

O que fazer?

Quem acompanha pari passu o problema dos caminhoneiros já há muito tempo tem pelo menos uma noção das consequências da última greve, deflagrada um ano atrás. Estava de tal modo deturpada nas exigências e ações da categoria que poderíamos prever com absoluta segurança o final da empreitada. As transportadoras legalmente constituídas e detentoras de contratos com as empresas produtivas imediatamente se conscientizaram da necessidade de planejar, em prazo curtíssimo, o aumento de sua frota e da logística necessária para darem conta dos compromissos assumidos e de possíveis novos contratos. Já as exigências dos autônomos estão com os dias contados. Eles pretendem que as empresas paguem praticamente quase que o total que elas recebem de suas contratantes. Não põem em discussão os custos dos empresários transportadores: tributários, trabalhistas, administrativos e de manutenção do material rodante. Infelizmente, só vejo um final feliz para nossos bravos caminhoneiros autônomos: venderem suas ferramentas de trabalho e se candidatarem a motoristas das empresas – milhares de postos a serem preenchidos – ou se agregar às transportadoras. Não existe fórmula mágica ou acordo corporativo que venha a solucionar esse imbróglio caminhão-motorista autônomo-frete. Simples assim!

ALOÍSIO ARRUDA DE LUCCA

aloisiodelucca@yahoo.com.br

Limeira 

EM SÃO PAULO

Minhocão

A ideia de transformar o Minhocão num parque linear, sem dúvida, se inspira no sucesso do High Line Park, em Nova York. Mas é importante lembrar que o High Line foi criado sobre uma linha férrea desativada fazia anos, o que não é o caso do Minhocão, importante corredor de veículos numa cidade com trânsito caótico. Querer “embelezar” a região em detrimento do melhor fluxo do trânsito me parece suspeito. Que se recupere o entorno e o “embaixo” do viaduto, sem tirar dele a sua função. Que interesses estarão conduzindo esse movimento? Políticos? Imobiliários? Desvio da atenção de tantas outras deficiências da cidade? Quem sabe?

LÚCIA MENDONÇA

luciamendonca@terra.com.br

São Paulo 

Roleta-russa

Nos planos do prefeito não se fala dos velhos semáforos. Uma verdadeira “roleta-russa” para quem dirige veículos na cidade.

JONAS DE MATOS

jonas@jonasdematos.com.br

São Paulo

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À MODA DO CONGRESSO NACIONAL

Tenho medo de ver que nossos congressistas preparam uma reforma da Previdência do jeito que eles gostam, obviamente visando primordialmente às próximas eleições. Considerando que vão deixar intacta a maioria dos privilégios que a proposta do governo Bolsonaro pretendia cortar, tremo ao imaginar de onde irão poupar o declarado trilhão de reais: tirando de nós, a plebe trabalhadora e pagadora de impostos, com isso afundando ainda mais o País. Um Parlamento composto de partidos que destinam dinheiro público a eles mesmos e não controlam os gastos com esse dinheiro em conformidade com as leis que eles mesmos votaram não tem credibilidade para assumir uma reforma como esta. 

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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POUCO IMPORTA

Inflável com os nada nobres gases da perfídia na ação, da mediocridade no discurso, do despeito por ser opaco e do medo da prisão, o “Botafogo” da planilha da Odebrecht, que atende por Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, já não consegue esconder a desenvoltura como líder da conspiração contra Jair Bolsonaro e, por motivos óbvios, contra Sergio Moro, ministro da Justiça e da Segurança. Filhos e frutos da corrupção pandêmica dos governos Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer sustentados por PT, MDB, PP e satélites – todos, hoje, acoitados no Centrão –, as ratazanas do Congresso querem cargos e grana para alimentar as subquadrilhas ou redutos eleitorais nos Estados. À prostituição parlamentar pouco importa o resto, a convulsão social, a tragédia brasileira.

José Maria Leal Paes myguep23@gmail.com

Belém

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CONGRESSO NACIONAL

O Congresso Nacional se une da direita à esquerda quando se trata de cobrar pedágio e achacar o Executivo, e diz que faz parte das regras democráticas. Aviso: não faz, não. Está na hora de o povo exigir responsabilidade e honestidade dos políticos.

Ottfried Kelbert okelbert@outlook.com

Capão Bonito 

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PAÍS DE MACUNAÍMAS

O Brasil sofre um surto de farisaísmo e hipocrisia desmedido. Tudo serve para tentar desmoralizar o governo Bolsonaro. Concordamos que as bobagens e derrapagens verbais do chefe do governo não ajudam. Mas isso é nada diante da seriedade e da urgência das medidas enviadas pelo governo Bolsonaro ao Congresso, desconsideradas por deputados e senadores com asqueroso desprezo pelos interesses do País e de seu povo. Com cínico olhar de paisagem, não votam e fazem vicioso beicinho, num jogo sujo de marafonas ofendidas. Comportam-se como macabra súcia, em surto de abstinência dos vícios do corrupto petolulismo. Será que o Brasil, a imprensa e a maioria dos deputados e senadores cooptados e enxovalhos pela cloaca petista já se esqueceram do passado recente e fazem-se de desentendidos quando Bolsonaro rejeita negociar com o Congresso nos moldes do petolulismo? País de Bruzundungas, país de Macunaímas!

Alexandre de Macedo Marques ammarques@uol.com.br

São Paulo

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MOMENTO OPORTUNO

O momento político é oportuno para fazer valer a Constituição – o Brasil tem Três Poderes independentes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Devemos aproveitar para definir de forma clara o que é de responsabilidade do Poder Executivo e o que é de responsabilidade do Poder Legislativo. Devemos transferir para o Poder Judiciário o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), que hoje não são órgãos independentes, pois seus integrantes são indicados pelo Poder Executivo e aprovados pelo Poder Legislativo, portanto são vinculados aos dois poderes. Só assim o Brasil poderá começar a definir sua política, com a total independência entre os Poderes.

Péricles Capello Cruz periclescapellocruz@gmail.com

Atibaia

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‘PAÍS INGOVERNÁVEL’

A que ponto chegamos: a maior autoridade do País recebe uma mensagem e a repassa, sem mais nem menos, como fazem as comadres de beira de cerca. Sim, foi dessa forma que agiu o presidente da República, que leu alguma coisa escrita por um tal Paulo Portinho dizendo que o País é “ingovernável sem conchavos”. Bolsonaro não percebeu que uma autoridade de tal porte não deve ficar brincando nas mídias sociais. Tudo o que parte dele tem repercussão, principalmente as negativas. Seria esta a intenção?

Sérgio Barbosa sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

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RENÚNCIA

Esta espécie de “Carta de Bolsonaro ao Povo Brasileiro” é, na verdade, um atestado de preguiçoso e incompetente, duas qualidades que um chefe de Estado não pode ter. Uma lástima! Renuncie logo, presidente, não há mais tempo a perder.

  

Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia

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O RISCO BOLSONARO

Perfeito o editorial “A ameaça de Bolsonaro” (18/5, A3). Se o próprio presidente reconhece que o País está ingovernável, denegrindo a sua imagem, quem é louco para investir no Brasil? Consequência: a Bolsa despenca, o dólar atinge valores nunca vistos (R$ 4,10) e o desemprego atinge 13, 4 milhões de brasileiros, ante 12,1 milhões do trimestre passado, segundo o IBGE. É o que dá um presidente deixar seus afazeres na solução dos problemas (reais) para se dedicar às redes sociais, fazendo declarações idiotas e inúteis.

Nilson Otávio de Oliveira noo@uol.com.br

São Paulo

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‘DIVIDIR PARA DESGOVERNAR’

Dividir, especialidade da casa. A máxima clássica é “dividir para governar” (“Divide et Impera” ou “Divide et Vinces”, de Maquiavel). Como este governo é inovador, detesta história, humanas e os clássicos, inaugura o “dividir para desgovernar”. Coerente: o presidente prometeu desconstruir muita coisa neste governo. Inclusive os clássicos, inconscientemente; mas também a própria base, já precária. É um enorme sucesso; cumpre, reconheço.

Roberto Yokota rkyokota@gmail.com

São Paulo

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ELE NÃO SABIA?

Interessante Bolsonaro dizer que acha o País ingovernável e que necessita do apoio popular para governar. Desde 1991 na política, como deputado, ele não sabia disso? E, para governar, tem de ser o presidente, mesmo, não o povo. Se ele, mandatário-mor da República, não consegue, por que se candidatou? Achou o quê? Se vire nos 30...

José Claudio Bertoncello jcberton10@hotmail.com

São Paulo

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QUAL O ESPANTO?

Em 28 anos de vida pública o atual presidente manteve-se obscuro nos porões do baixo clero, mostrando-se publicamente quando de lá emergia como tosco e polêmico. Nunca foi capaz de construir pontes, diálogos e consensos. Durante a campanha, fugiu de debates e manteve-se isolado nas redes dentro de sua própria bolha. Qual o espanto de agora, ao percebermos sua incapacidade de governar? 

Maria Ísis Meirelles Monteiro de Barros misismb@hotmail.com

Santa Rita do Passa Quatro

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O IMPERADOR BRASILEIRO

O barco do governo Bolsonaro está fazendo água de todos os lados. O presidente e seus filhos desautorizam ministros de Estado; o diálogo entre o governo e o Congresso Nacional está difícil; os ministros são escolhidos com base na ideologia, como aconteceu com o ministro da Educação, que mostrou carteira de trabalho de banqueiro ao invés de diploma de educador; e por aí vai. Com esta desarticulação, parece que as pessoas estão agindo independentemente: o vice-presidente vai conversar com os chineses, a Câmara dos Deputados quer votar sua versão da reforma da Previdência e o ministro Sergio Moro não conseguiu contribuir nada para o problema da segurança pública. Essa situação esdrúxula aumenta, com toda razão, a frustração e as críticas da população, provocando reações “xiitas” do presidente e seus seguidores, na linha “quem não concorda está contra”. Senhor presidente, o povo brasileiro espera que cumpra o que prometeu na sua campanha, começando por acalmar os ânimos, introduzir as reformas necessárias e, já que se considera “o Ciro (imperador) do Brasil”, como falou o pastor africano Steve Kunda, comece a tirar o Brasil desta recessão que dura mais que quatro anos.

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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POPULISMO MESSIÂNICO

Aborda-se o populismo de esquerda e de direita, até porque o mundo ocidental recebe como planta exótica um populismo messiânico. “Action-directe” como o que se denomina povo e se circunscreve aos seguidores de suas crenças, que poderiam guiar um templo, jamais a Presidência da República de um país. O presidente Bolsonaro se lembra do “ancién” Ciro, imperador persa, e crê (ou faz que) veio por Deus, como aquele, para governar um povo, na esteira, agora não do ex-astrólogo, mas de um tal pastor Steve Kunda, congolês (não francês, como disse o presidente) que montou uma arapuca religiosa em Paris, depois de passar por uma vida à margem da lei fundada no rap e no box tailandês. Infelizmente, o comentário de “O Estado” é irrepreensível. Jamais os brasileiros imaginariam que névoas tão escuras cobrissem o Planalto, mas a maioria assumiu riscos imperscrutáveis.

Amadeu Garrido amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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NA DIFICULDADE

São as dificuldades que nos capacitam, senhor presidente!

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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TORCIDA

Vamos torcer para que o “ingovernável” não provoque nem traga consigo ações de fato indesejáveis para a Nação. Esperamos que o retrocesso não aconteça e encontrem uma solução plausível que atenda a todo o povo brasileiro.

Waldir Pedro Alves k3yu67@solar.com.br

Brasília

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COMO ASSIM?

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil é um país excelente, mas o que o estraga é a classe política. Ora, ele pertence a qual classe?

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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MODO PRESIDENTE

O relógio está andando e o tempo não para nem volta atrás. Quando é que Jair Bolsonaro vai sair do modo candidato e entrar no modo presidente?

Governar é preciso, tuitar, não.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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DEVER MORAL

Que o presidente Jair Bolsonaro ainda se encontra em pleno delírio populista ninguém duvida mais, nem boa parte dos que o elegeram. Ele continua tuitando compulsivamente suas ideias demagógicas, se diz vítima de teorias conspiratórias, considera-se enviado por Deus (conseguiu até um pastor que “corroborasse” essa bênção), segue desprezando o Congresso e o que chama de “velha política” e não sinaliza a mínima intenção de mudar. Perante este cenário sombrio, em que a Nação se vê mais uma vez conduzida por um mandatário fraco, a exemplo de Dilma Rousseff, e a caminho de nova recessão, o Parlamento pode e deve deixar de lado o fisiologismo e chamar para si a responsabilidade do que é imperativo para o País neste momento: a aprovação de uma reforma consistente da Previdência, capaz de tirar o País do atoleiro. É um dever moral para com os milhares de desempregados, por quem o presidente da República não parece nutrir a mínima compaixão, preferindo continuar mergulhado num mundo onírico. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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AUTOCRÍTICA

O senador Jorge Kajuru protocolou um requerimento em que cobra explicações do governo Jair Bolsonaro sobre críticas feitas ao Parlamento, após o presidente compartilhar um texto que afirma que o Brasil é ingovernável fora de “conchavos”. Para que o senador tenha uma resposta mais adequada, sugere-se que, primeiro, estude a História do Brasil e que, depois, faça um exame de autocrítica a partir da classe social e política a qual pertence, e, se ainda, porventura, ainda tiver dúvidas quanto às respostas a suas demandas, então que se ponha no lugar do presidente Bolsonaro e pense no que ele mesmo faria para dar andamento às soluções devidas e necessárias ao País. Todo o resto são especulações improfícuas.

Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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GATO POR LEBRE

Positivamente, pode-se afirmar que os quase 58 milhões de eleitores que tornaram Bolsonaro presidente do Brasil comeram gato por lebre. O governo agora tenta derrotar o Congresso com a prerrogativa de poder editar decretos, o que corresponde a uma guilhotinada naquela Casa, esperando-se uma reação dos defensores da democracia. Depois de ameaçar “pôr na rua” 27 mil funcionários de estatais e contingenciar verbas das universidades, o governo investe, tal qual um miúra ensandecido, contra mais de cem projetos de 11 ministérios que poderiam colaborar com o presidente usando a frase do comediante Chaves: “Muito ajuda quem menos atrapalha”. O povo pode, a qualquer momento, regurgitar o gato ingerido em protesto contra tanto embuste.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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COMO ROMPER O IMPASSE?

Bolsonaro e os filhos têm formação intelectual mediana, suficiente para tocar a vida própria, mas não para tocar a vida de todos nós. O grande acordo nacional foi tentado e parecia possível levá-lo adiante, mas o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), menos de mil pessoas, o estão abortando: por razões menores, não aceitam perder vantagens corporativistas. Vejam bem, nem são razões pessoais, pois em termos financeiros, neste país de direitos adquiridos, nada perderiam. O País é, mesmo, ingovernável, a não ser que se reconheça a verdade na declaração de um criminoso (há 300 picaretas no Legislativo) e se façam negócios com eles. Bolsonaro tentou manobrar sem esta gente e deu-se um impasse. Se alguém souber como rompê-lo, que anuncie ao Brasil. E, voltando ao início, a experiência dos Bolsonaro em cargos executivos é zero e no Legislativo soube ser oposição, apenas. Tem coisas, como diria Aracy de Almeida, que não se aprende na escola.

Roberto Viana Maciel rovisa681@gmail.com

Salvador

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‘O GOVERNO CONTRA A ECONOMIA’

O editorial de domingo “O governo contra a economia” (19/5, A3) critica o presidente da República pelo “tuite desastrado sobre sua dificuldade de governar com o Congresso” e acrescenta: “isto é de acordo com a Constituição”. Porém, como governar com um Congresso que age em seu interesse pessoal, atrasando votações como a reforma da Previdência, deformando o pacote anticorrupção e, recentemente, querendo o retorno dos 39 ministérios? Onde estão os editoriais sobre esses “atos constitucionais” (análise literal!), mas que nada mais são do que artimanhas para o retorno da “velha política” (é dando que se recebe...)? 

Francisco Paulo Uras francisco.uras@uras.com.br

São Paulo

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DEIXEM O HOMEM TRABALHAR

Muitas têm sido as críticas ao presidente eleito Jair Bolsonaro. Mas, convenhamos, seriam justas? Vamos aos fatos. A eleição de Jair Bolsonaro e a nomeação de Sergio Moro como titular da Justiça trouxeram um claro recado ao mundo do crime: criminosos não ficarão impunes. Dados do Sinesp – plataforma administrada pelo Ministério da Justiça que contabiliza os boletins de ocorrência de todos os Estados da Federação e Distrito Federal – informam que houve uma redução significativa em oito de nove modalidades de crimes A maior queda foi nos roubos à instituição financeira (43%), seguida pela taxa de homicídios, que caiu 21% em comparação com o mesmo período do ano passado. Caíram, também, latrocínio (12%), estupro (11%), furto de veículo (14%), roubo de carga (27%) e roubo de veículo (23%). Isso, por si só, já é um grande avanço contra a criminalidade, um flagelo agravado pela impunidade que reinou absoluto nos últimos anos, que caracterizaram o período mais corrupto da história recente do País. Entretanto, indiferente aos bons resultados que vão se descortinando, ainda há grande pressão de setores empenhados em inviabilizar um governo legalmente eleito, sonhando talvez com a volta do lulopetismo e do “toma lá, dá cá” em nome da governabilidade. Sugestão: deixem Bolsonaro trabalhar, que as coisas podem melhorar.

Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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ONDE ESTÁ A COERÊNCIA?

Sinceramente, está difícil de entender o que alguns jornalistas querem. Quando se trata de cobrar do governo a aprovação da reforma da Previdência, o fazem como se este governo estivesse há dois anos no cargo. Foi assim nos primeiros cem dias, e as cobranças continuam, mesmo sabendo que quem decide é o Congresso Nacional. Estamos há meses ouvindo e vendo deputados se engalfinharem para manter o Brasil no fundo do poço. Votam rapidamente pautas de seu interesse e descaradamente dizem pensar no povo. Raramente se lê ou se ouve alguém realçar medidas positivas e saneadores que este governo tomou. Um governo que vem apanhando sistematicamente, quando pensa em reagir, não pode. Afinal, ele só tem cinco meses. Onde está a coerência? 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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ELOGIO A BOLSONARO

Por que a mídia/imprensa não elogia a postura de Bolsonaro de não negociar votos em troca de vantagens para políticos? Por que o Novo não o aplaude abertamente? Por que não é isso que chamam de “fazer política competente”? Então, pretendem tirar vantagem de um eventual fracasso do presidente? Acham que vão cansá-lo, como Jânio Quadros? Um corrupto, como o outro aventureiro, Fernando Collor, ele não é. Então está barrando “velha política”. Não merece aplauso, no lugar de críticas rebuscadas por aspectos de menor importância?

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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FORÇAS OCULTAS

As “fake news”, as críticas irreais, infundadas ou fictícias, falsificações ou meias verdades pinçadas com maldade das informações são fáceis de divulgar e de se propagar, alastrando-se repetidamente qual eco nos ventos do impudor que as sustenta. É preciso ignorá-las e com corajosa decisão ampliar o exercício do trabalho do governo e das empresas para objetivar o aumento da produção com crescente produtividade, único meio de aumentar salários reais e emprego, a par das inacabáveis reformas estruturais do País. O governo tem evidenciado capacidade para isso. Estão às claras os autores e as ações dos que querem destruir o governo eleito pela vontade do povo que quer mudanças e empregos, com o seu maior bem-estar e segurança. Bolsonaro precisa contar com o apoio explícito dos que o elegeram. Caso contrário, as “forças ocultas” de Jânio, agora descortinadas e conhecidas, retornarão novamente vitoriosas, com o predomínio dos inescrupulosos privilegiados, dos corruptos e dos criminosos que desconhecem o patriotismo e o bem-estar da população.

Renata Miceli Zoudine apjunior1@yahoo.com.br

São Paulo 

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A HISTÓRIA SE REPETE

Jânio Quadros reuniu no Palácio do Planalto os comandantes militares no feriado do Dia do Soldado, 25 de agosto de1961, e lhes comunicou que era impossível governar com aquele Congresso. “O que V. Exa. deseja que façamos?”, perguntaram os militares. Em lugar de ser curto e grosso, pedindo-lhes para fechar o Congresso, Jânio imitou o lendário beque Domingos da Guia, que driblava os atacantes em sua pequena área e virava e mexia era desarmado e entregava um gol. Disse-lhes que fizessem o que sua consciência determinasse. Os militares não tinham no Regimento Disciplinar do Exército (RDE) nenhuma diretriz para aquela situação, e nada fizeram. Jânio, que já havia antes despachado para a China o vice-presidente João Goulart, enviou então ao Congresso sua carta-renúncia, na qual dizia ser impossível governar constrangido por “forças ocultas”. Contra todas as expectativas, o presidente do Senado, Auro Moura Andrade, reuniu o Congresso, que recebeu a denúncia e imediatamente empossou na Presidência da República o deputado Ranieri Mazzili, presidente da Câmara. Fernando Collor de Mello, quando estava com a corda no pescoço, tentou em 1992 uma jogada desesperada, convocando o povo, vestindo verde e amarelo, para uma passeata em seu apoio. A passeata aconteceu, só que os manifestantes vestiam preto e pediam o seu afastamento. Foi a pá de cal em seu mandato. Em ambos os casos relatados, o tiro saiu pela culatra. Bolsonaro repete, agora, os mesmos erros, falando em “ingovernabilidade” e convocando passeata em seu apoio. Napoleão já dizia que a história só se repete como farsa, mas história não é o forte do presidente. Vejamos no que vai dar esta coisa toda. 

Hélio de Lima Carvalho hlc.consult@uol.com.br

São Paulo

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FALTA

Muitos dizem que os desajustes que ocorrem em nosso país são provenientes de forças estranhas, mas na minha opinião os desajustes só ocorrem por dois motivos: falta de capacidade de alguns políticos e falta de vergonha na cara de outros. Simples assim.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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BIFURCAÇÃO

Nós estamos diante de uma bifurcação, adotamos o novo método de governar que venceu nas urnas, ou seja, não negociar cargos com o Congresso, ou continuamos com o método anterior chamado “presidencialismo de coalizão”, que se traduziu em corrupção e ladroagem e levou o Brasil à bancarrota. Na verdade, entre outras, o que está atrasando a recuperação econômica é a resistência da Câmara federal para aprovar a reforma da Previdência, pedindo cargos nas estatais para colocar apadrinhados e depois saquear o Brasil. Isso não pode continuar. Bolsonaro foi eleito para acabar com isso e agora precisa do apoio da população. Bolsonaro colocou a nu as corporações que destruíram o Brasil, são os políticos corruptos e as lagostas e caviares que querem governar o Brasil no lugar do Executivo. Esta banda podre atrasada quer derrubar o capitão e colocar os velhos parasitas de sempre em seu lugar. Não podemos permitir a volta desta gente. 

Alpoim da Silva Botelho alpoim.orienta@uol.com.br

São Paulo

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APESAR DA BOA VONTADE

Infelizmente, apesar da boa vontade e vítima dos contras, Bolsonaro tem dado mancadas seguidas em praticamente todas as suas atuações. Apesar da sua vivência política, não tem conseguido atender a seus objetivos, principalmente aos desejos do povo.

Laert Pinto Barbosa  laert_barbosa@globo.com

São Paulo

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CAVALO DE TROIA

Pensando no País, elegemos Bolsonaro, e ele nos retribuiu com um Cavalo de Troia recheado com seu clã (os três filhos, um guru energúmeno e idiota que nem aqui mora e uma pá de “olavetes” incompetentes). Até agora, dedicou-se a copiar seu ídolo norte-americano no Twitter e a falar de “viés ideológico”, sem definir o viés do seu governo. Será ele “bolsomaduro”, “bolsomilícia”, “bolsoErdogan”, “bolsoOrban” ou “bolso dos meninos”?

Agora, com a divulgação da tal carta, parece tentar um plágio de Jânio Quadros e suas “forças ocultas”, que renunciou achando que o povo o traria de volta, carregado nos seus braços. Deu no que deu. Há que mostrar competência, exigida até para síndico de prédio. Como diz o matuto brasileiro, “ou caga ou desocupa a moita!”.

Luiz Lucas Castello Branco whitecastel.castellobranco@gmail.com

São Paulo

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FLÁVIO BOLSONARO

Dizem haver indícios de corrupção e/ou improbidade de Flávio Bolsonaro, filho do presidente, quando ele estava na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o que, então, deve ser investigado, como até o presidente proclamou. Mas, com tantos indícios de fraude, corrupção, roubalheira e/ou muitas outras falcatruas, já deveriam ter feito o mesmo com os filhos de Lula, que se tornaram milionários sem comprovar a origem de tanto dinheiro; ou com a filha de Dilma Rousseff, que se tornou fazendeira, na

calada da noite, no Norte do Brasil, onde até o cartório de notas abriu de madrugada para lavrar as escrituras. Por que não o fizeram até hoje? Todos temos o direito de saber.

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

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O EMPREGO DOS SONHOS

Imagine ter um emprego em que se ganha muito bem, trabalha-se muito pouco – apenas dois ou três dias por semana –, não se pode ser mandado embora e ainda pode contratar uma centena dos seus amigos como assessores. Estes amigos de confiança ganharão ótimos salários e serão tão gratos a você que vão fazer questão de depositar boa parte de seus salários na sua conta. Esse emprego dos sonhos existe, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nos e demais órgãos públicos brasileiros, e a mamata toda é um dos principais motivos de o País viver à beira da falência. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo 

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JOSÉ DIRCEU

Saindo de Brasília de carro (por quê?), José Dirceu se apresentou à Polícia Federal de Curitiba com 5 horas de atraso, na sexta-feira, em razão das chuvas, segundo a sua intolerante defesa. Diante de sua imunda folha corrida, pelo jeito, não funcionou o novo plano de libertação expressa do condenado. Infiro que o tempo de viagem conspiraria a favor do paciente. Quem sabe, a meio da viagem, um plantonista supremo (quem?) pudesse conceder outra inusitada liminar de soltura do amigo! A propósito, considerando que a grana da corrupção acabou (sic), por que os petistas não fizeram uma vaquinha para fretar uma aeronave, poupando o chefe do desconforto das perigosas estradas atingidas pela chuva? Combinaram com o mau tempo, mas não com os maus juízes plantonistas! Quando se dará a libertação do amigo, preclaros supremos?

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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PRENDE E SOLTA

O ministro soltou. E, de novo, os desembargadores prenderam. A solução é manter o Zé solto e só prender o Dirceu. Ou vice-versa...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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E O ‘DIRCEU LIVRE!’?

Por que a nobre Gleisi Hoffmann, presidente do PT (ético e honesto), nada fala ou faz pelo “cumpanheiro” José Dirceu, amigo irmão de Lula e seu braço direito desde sempre? Por que não repetem “Dirceu Livre”? Isso é perseguição ou caíram na real de que havia, sim, uma corja que arrombou o Brasil e a Petrobrás? Será que o PT acha que os brasileiros que não votaram no PT não sabiam ou sabem disso? 

 

Antonio Jose Gomes Marques a.jose@uol.com.br

Rio de Janeiro

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DIRETO DE CURITIBA

Com certeza, Lula e Dirceu vão tentar um governo paralelo dentro da cadeia.

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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O DRAMA DE BARÃO DE COCAIS

Estamos na iminência de assistirmos ao terceiro rompimento de uma barragem de rejeitos da companhia Vale, desta vez no complexo de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG). É assustadora a indigência tecnológica da empresa Vale. Após a privatização da empresa, os diretores, conselheiros e outros naturalmente passaram a receber salários e benefícios de acordo com o que é pago pelas grandes empresas no Primeiro Mundo. Mas, lastimavelmente, do ponto de vista administrativo não chegam aos pés dos demais CEOs de grandes empresas. Quando um tsunami atingiu uma usina nuclear no Japão, foram desenvolvidos robôs para trabalharem nas áreas de risco. Três anos depois do primeiro acidente, na véspera da data marcada para um possível evento, já sabido desde fevereiro de 2019, 200 homens são colocados para trabalhar na área de risco. Com certeza o conselho e a diretoria da empresa não conhecem as palavras planejamento nem tecnologia. Só a tal palavra mercado. E conhecem as palavras salários e benefícios. É a maior evidência do nosso subdesenvolvimento o comportamento da empresa Vale. É, também, o túmulo de que qualquer privatização, feita por leigos (economistas não são técnicos em mineração), pode ser um grande fracasso para o desenvolvimento tecnológico, desde a técnica de exploração do minério, a disposição de rejeitos e as trágicas consequências para as pessoas e para os recursos naturais. 

Maria Cristina Cordeiro Dellatorre cristina.cordeiro1414@uol.com.br

Brasília

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UM EXEMPLO

O voleibol foi criado também na Associação Cristã de Moços dos Estados Unidos em 1895 por Willian George Morgan, que atendeu a uma solicitação do inventor do basquetebol, James Naismith, para idealizar uma atividade esportiva em que não houvesse contato físico. Com o passar do tempo, tornou-se um esporte olímpico e praticado por multidões. O vôlei congrega mais união e confiança coletiva, o que justifica a primorosa atitude do ex-atleta olímpico brasileiro Serginho, que inaugurou em Guarulhos as instalações do Instituto Serginho 10, um centro para o incentivo da prática esportiva por menores e jovens. Espera-se que outros sigam o exemplo do nosso Serginho.

Jose Millei millei.jose@gmail.com

São Paulo

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NIKI LAUDA (1949-2019)

Nunca um piloto sofreu tão grave acidente, a ponto de receber a extrema unção no hospital. Tanto a sua sobrevivência como a determinação de voltar a correr, apenas seis semanas após o acidente, demonstraram uma força sobre-humana nunca vista na história da competição. O inacreditável quarto lugar em Monza foi um recomeço extraordinário, depois de ficar ausente duas corridas. A dramática decisão com chuva torrencial, ocorrida no Japão, foi retratada no filme “Rush” (2013). A perda do título na temporada de 1976, por apenas um ponto, ficou intercalada entre o primeiro título, no ano anterior, e o segundo título, no ano posterior. Mas, finalmente, o tricampeonato fez justiça a um grande piloto em 1984. As marcas no rosto, por causa do acidente, e a capacidade respiratória afetada mostravam os riscos de ser piloto. A lenda viva agora pode descansar em paz.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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