Fórum dos Leitores

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Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Na democracia é assim

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, em entrevista a uma revista, que se a reforma da Previdência for desidratada pedirá demissão. Acontece que em regimes democráticos a última palavra é dada pelas instituições responsáveis por ecoar a vontade popular. O Parlamento é, em democracias verdadeiramente sólidas, a instituição constitucionalmente incumbida de defender os interesses da sociedade. No caso específico da reforma da Previdência, é assim que vai funcionar. A proposta de emenda à Constituição enviada pelo governo Bolsonaro será analisada por deputados e senadores e, gostando ou não, o Congresso Nacional terá de ouvir os reclamos da sociedade e, ao mesmo tempo, procurar uma medida minimamente equilibrada, que resulte em redução do déficit previdenciário e garanta condições verdadeiramente dignas para que, ao término de sua vida laboral, o trabalhador tenha acesso ao sistema de seguridade social. Além disso, é preciso reconhecer que a proposta inclui itens alheios ao INSS, como o abono salarial, por exemplo, que prejudicará mais de 20 milhões de profissionais que ganham, em média, dois salários mínimos. O abono não é pago pelo INSS, mas pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador. Parece-me que setores do Planalto não conseguem conviver com opiniões divergentes, acreditando que seus estudos e análises devem ser vistos como verdade absoluta. A reforma é necessária, mas não será aprovada como foi enviada, quer gostem ou não a equipe econômica, o presidente da República e afins. Na democracia a única forma de se fazer respeitar é pelo diálogo franco e transparente. A sociedade brasileira tem de se manifestar e o Congresso terá de ouvir, ainda que a decisão final resulte no pedido de demissão deste ou daquele ministro de Estado.

WILLIAN MARTINS

willian.apmartins@uol.com.br

Guararema

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Isolamento

O determinado ministro da Economia, que concentra todo o seu esforço na aprovação da inadiável reforma da Previdência, da qual espera uma economia em dez anos de R$ 1,2 trilhão, diz que deixa o governo se ela for desfigurada ou virar uma “reforminha”. Quase isolado nessa luta, pondera que sem uma robusta reforma a economia brasileira pode virar um caos já em 2020. Mas o presidente Jair Bolsonaro, que pouco tem feito pela aprovação dessa reforma, ao saber da declaração de Guedes, em vez de manifestar apoio ao ministro nessa luta, afirmou apenas: “Paulo Guedes está no direito dele. Ninguém é obrigado a ficar como ministro meu”. Esse é o Bolsonaro, sem jogo de cintura, insensível à falta de recuperação da economia e do avanço social no País...

PAULO PANOSSIAN

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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Grau de investimento

O governo deveria empenhar-se de corpo e alma em obter novamente o grau de investimento, isso garantiria o ingresso de dinheiro novo, investimentos diretos e o fim da estagnação em que o País se encontra. É incrível que o ministro Guedes não tenha enxergado a importância do grau de investimento para tirar o País do buraco e ache que vai resolver todos os problemas só com a reforma da Previdência. Lembrando que o País conquistou o grau de investimento com a Previdência que está aí. 

MÁRIO BARILÁ FILHO

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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Partidos bilionários

Não existe um único esquema de corrupção neste país do qual não participe partido político ou algum parlamentar. Avisem ao ministro Guedes que os bilhões de que o governo federal tanto precisa estão nas mãos dos grandes partidos. Em um único diretório do MDB (Rondônia) o TR-4 bloqueou R$ 2 bilhões, em ação de improbidade administrativa da Operação Lava Jato.

MARCOS ABRÃO

m.abrao@terra.com.br

São Paulo

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Ideia estapafúrdia

Como bem disse o colunista Celso Ming, o presidente deixou escapar mais uma ideia estapafúrdia. É muito difícil entender como funciona a cabeça de Jair Bolsonaro. Sua capacidade de criar embaraços e complicações para seu próprio governo não tem paralelo com nenhum outro ex-presidente. Essa de criar uma taxa para atualização do valor de imóveis no Imposto de Renda, com receita imaginária de R$ 1 trilhão, fornece munição para a turma que é contra a fundamental reforma da Previdência, no discurso corporativo de que existem outras formas de resolver o problema. O jornalista e pensador americano Henry Mencken já dizia: “Para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada”. 

ABEL PIRES RODRIGUES

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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O último projeto que vi aprovado por unanimidade aqui, numa cidade do interior, foi o de um vereador que mandava tirar das estradas municipais todas as subidas, deixando só descidas. Torçamos para que o tal novo projeto do nosso presidente não se pareça com aquele.

EUCLIDES ROSSIGNOLI

clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

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Pessimismo

O Brasil deve crescer apenas 1,4% neste ano. O crescimento depende da atividade econômica e esta é resultado da oferta e da procura. Quanto maior a demanda, maior será a produção, que requer recursos humanos e materiais para se concretizar. Cresce a renda e, consequentemente, a demanda é acelerada, demandando mais produção. É o crescimento desejado, solução para o País. Entretanto, entre os principais componentes da demanda – renda e população – temos também o importantíssimo fator psicológico determinado pela disposição para o consumo. Sem ele nada se conseguirá. As críticas devastadoras ao governo têm nos levado a guardar o dinheirinho para os dias difíceis. Nada de gastar. A pergunta que não quer calar é, portanto, óbvia: o que fazer para disseminar otimismo na população brasileira? Mais: de quem é essencialmente esse papel?

LUIZ AUGUSTO CASSEB NAHUZ

luiz.nahuz@gmail.com

São Paulo

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Movimento nas ruas

Para os brasileiros com idade mais alongada e que acompanham a política há muitos anos, está perfeitamente claro que o governo de Jair Messias Bolsonaro não começou bem e, pelo visto, vai continuar assim. Afinal, ao que me lembre – salvo Collor, mas em circunstâncias totalmente diferentes –, nunca antes um presidente da República se viu diante da necessidade de convocar a sociedade para sair às ruas para lhe conceder apoio. 

VIRGÍLIO MELHADO PASSONI

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR) 

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DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA

Sobre a reportagem “Desmatamento avança na Amazônia, que perde 19 hectares de floresta por hora” (“Estado”, 22/5, A14), é simplesmente lamentável e inadmissível o que se tem permitido deixar fazer, fechando os olhos para a continuidade da prática deste crime gigantesco, que atingiu números assustadores: o desmatamento na Amazônia. Por incapacidade, inércia, omissão e até conluio de autoridades com o exército de desmatadores, nada menos que 19 hectares de uma riqueza mundial e natural que tivemos o privilégio ter no Brasil se perde por hora. Agora, mais absurdo e lacônico foi o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao ser questionado a respeito, manifestar-se com o argumento desolador e ridículo de que a responsabilidade pela curva crescente do desmatamento é de governos anteriores. “Ainda não deu tempo de implementarmos nossas políticas”, concluiu. Vai esperar o quê, ministro? Que a floresta seja extinta e trucidada por completo? Por sua vez, e convenientemente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) não responderam aos questionamentos. Vergonhoso.  

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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O BRASIL QUE NÃO QUEREMOS

Lamentavelmente, o governo culpa gestões anteriores pela piora do desmatamento. Já técnicos do governo confirmam que as taxas de devastação se referem exclusivamente ao desmatamento deste ano. Ou seja, o ministro do meio Ambiente, Ricardo Salles, prefere, infelizmente, esconder a realidade dos fatos. Conforme publicou o “Estadão”, dados oficiais indicam que nos primeiros 15 dias deste mês de maio o desmatamento na Amazônia, de 19 hectares/hora, foi o pior mês em uma década e o dobro registrado no mesmo período de 2018, ou o equivalente a 7 mil campos de futebol. E toda esta devastação ocorreu em unidades de conservação administradas pelo Ibama e pelo ICMBio. Lembremos que, para se livrar de uma multa ambiental que recebeu em 2012, quando pescava irregularmente numa área proibida em Angra dos Reis (RJ), em causa própria o presidente Jair Bolsonaro editou decreto que cria núcleos de conciliação para definir as multas aplicadas pelos órgãos oficiais. Por razões como esta a impunidade impera: em cinco meses não foram homologadas pelo Ministério do Meio Ambiente um total de R$ 146,2 milhões em multas. Este será, pois, um “liberou geral” para o desmatamento da Amazônia? Este é o Brasil que não queremos.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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ICMBIO

Já passou da hora de o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade mudar sua denominação para Instituto Cândido Mariano Rondon de Conservação da Biodiversidade. Uma das grandes farsas engendradas por ONGs foi a transmutação de um mero sindicalista, Chico Mendes, em “ambientalista”, fato contestado até mesmo pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri e seus militantes. O que houve na floresta acreana nos anos 80 foi mera disputa por razões econômicas, entre extrativistas artesanais (movidos por seus interesses pessoais) contra empresas (pecuária, madeireiras), muito longe de “ambientalismo”. Chico Mendes jamais moveu “uma única palha” em prol de “ambientalismo” nem sabia o que era isso. Por outro lado, Cândido Mariano da Silva Rondon desbravou e integrou o Brasil, explorando o Mato Grosso e a Bacia Amazônica Ocidental, além de estimular a criação do Parque Nacional do Xingu, sendo lendário o seu apoio às populações indígenas brasileiras. 

Milton Córdova Júnior milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)

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PERTURBADOR

O desmatamento desenfreado da Amazônia, a poluição dos seus rios, os récem-descobertos recifes de corais na foz do maior rio do mundo são questões que preocupam ambientalistas no mundo todo. Antes de bravatear sobre a soberania da Amazônia, o Brasil deveria estudar maneiras de conter o desmatamento voraz da floresta, parar de jogar o esgoto nos rios e estudar os maravilhosos corais da Amazônia. Se o Brasil apresentasse um conjunto de medidas coerentes sobre como lidar com os desafios enfrentados pela região amazônica, o mundo poderia ficar despreocupado, mas não há qualquer indicação tranquilizadora sobre a Amazônia. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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RUMO À IDADE MÉDIA

O Brasil, depois de galgar uma posição invejável entre as grandes potências mundiais, caminha a passos largos rumo à Idade Média, conforme o noticiário dos jornais e da TV. O meio ambiente geme e chora com o retorno do uso de lenha e carvão para cozinhar, pela falta de dinheiro para comprar gás. Mesmo que o Congresso Nacional aprove a reforma previdenciária, panaceia de Jair Bolsonaro para os males do País, enquanto o problema do desemprego não for eliminado, o brasileiro estará condenado a retroceder nas principais conquistas adquiridas no último século. Na concepção de Bolsonaro, o brasileiro precisa é de uma metralhadora, um fuzil de repetição e uma pistola automática. O resto é entretenimento verbal para adormecer bovídeos.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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PACIÊNCIA DO POVO

Não é preciso ser possuidor de nenhuma vidência para antever que as manifestações desnecessárias e inoportunas convocadas para amanhã, domingo, em apoio a Jair Bolsonaro não passarão do fiasco. Serão compostas por um punhado de fanáticos bolsonaristas empunhando cartazes com dizeres ridículos, entoando palavras de ordem mais ridículas ainda. O futuro político deste governo está mais do que claro: se a reforma da Previdência – robusta, evidentemente – não for aprovada, as manifestações de rua, estas, sim, serão maiores e mais intensas do que foram por ocasião do impeachment de Dilma Rousseff. E sobrará para o Congresso também. A paciência do povo – que Bolsonaro tanto acredita que o apoia – também tem limite. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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A PAUTA É CLARA

Aqueles que criticam as manifestações de amanhã, incluindo líderes partidários, Judiciário, colunistas, analistas políticos etc., se esquecem de que a voz do povo é a voz de Deus, e ela está de volta às ruas para exigir postura patriótica de nossos políticos. As reivindicações pautadas são claras, ao contrário de críticas de que são vazias e difusas: a aceleração da reforma da Previdência, o andamento da reforma tributária, a aprovação das dez medidas anticrime e a reforma administrativa, cuja Medida Provisória (MP) 870 reduziu o número de ministérios de 29 para 22, todas medidas emperradas no Congresso Nacional, por conta e obra do chamado Centrão, aglomerado de partidos com cerca de 200 aproveitadores, que nada mais é que o antigo baixo clero, que nunca “apitou” nada no Congresso e agora ressuscitou, tirou as manguinhas de fora e quer mandar no Brasil. O povo está cansado de tantas derrotas de medidas imprescindíveis para que o País readquira confiança nacional e internacional e volte a crescer. Portanto, os agourentos esquerdistas para os quais “quanto pior, melhor” vão sentir na pele a força das ruas. A largada ainda nem foi dada e já está rendendo bons frutos. A Câmara dos Deputados aprovou a MP 870, que estava trancada; a reforma tributária começa a andar, mesmo com um projeto paralelo, com a clara mensagem dos autores de que “este é nosso, ninguém tasca”. As demais, com certeza, seguirão o mesmo caminho, pois políticos só trabalham sob pressão, e se há uma coisa de que morrem de medo são as movimentações populares. Frase de Ibsen Pinheiro, presidente da Câmara em 1992, quando do impeachment de Fernando Collor. 

Sérgio Dafré sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí 

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ENQUADRAMENTO

O capitão Jair Messias Bolsonaro, presidente da República, deveria num domingo próximo convidar os filhos e Olavo de Carvalho, conhecido por boca de latrina, a fazer uma bela macarronada com molho à bolonhesa, abrir uma garrafa de vinho tinto e enquadrar militarmente este povo, para que não mais se meta em assunto ao qual não são chamados. Continuando da forma como está, inseguro, tomando decisões e voltando atrás, cresce na minha mente a sensação de que Bolsonaro não serve nem para síndico de condomínio, quanto mais para ser presidente da República deste país.

Luiz Francisco de A. Salgado salgado@grupolsalgado.com.br

São Paulo

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A EDUCAÇÃO INIMIGA DO ESTABLISHMENT

Para Jair Bolsonaro, o Congresso Nacional que importa é o Twitter. Sua agenda tem de ser aprovada pela base aliada desta rede social, um ecossistema onde robôs, como vaqueiros, tocam o seu gado e o pensamento crítico não sobrevive a uma visão binária da realidade. Assim, por exemplo, para o problema da educação no País, a única proposta que o presidente tem é hostilizar universidades, professores e alunos e desconstruir a atual estrutura educacional sem nada colocar no lugar.

José Tadeu Gobbi tadgobbi@uol.com.br

São Paulo 

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‘OUVINDO O OUTRO LADO’

É realmente louvável o espaço que o “Estadão” oferece para crônicas da qualidade da assinada por Luciano Huck, publicada ontem com o título acima (24/5, A2). A amplitude de sua visão a respeito da Educação contrasta com grande parte das manifestações a respeito proferidas por políticos, na maior parte semi-ignorantes e oportunistas, bem como educadores de viés ideológico retrógado e/ou ultrapassado. Com a imprensa livre e responsável sempre haverá esperança.          

João Paulo Garcia jotapege39@gmail.com

São Paulo

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GESTÃO GOVERNAMENTAL

A exposição do sr. Luciano Huck sobre o que a Coreia do Sul se transformou em 40 anos, tudo baseado na Educação, não é nenhuma novidade (24/5, A2). O que faltou é indicar as saídas deste estado de calamidade em que se encontra a nossa Educação. Passamos uma década mais preocupados com disseminar as doutrinas do que com ensinar principalmente Matemática e Português. Sempre gosto de lembrar que na década de 60/70 as melhores escolas fundamentais (primária, na época) do Brasil eram públicas. Pais, quando viam a perspectiva de seus filhos perderem o ano letivo, os colocavam nas escolas particulares. Sei que o sr. Luciano Huck não admite, mas sabe da qualidade dos colégios militares, por exemplo, onde prevalece a disciplina, algo que a atual sociedade repudia dizendo “meus filhos não são soldados, eles precisam ter liberdade para pensar diferente” – tanta liberdade que atualmente se acham até no direito de agredir seus professores em sala de aula. Portanto, é preciso “gestão governamental”, principalmente dos senhores governadores e prefeitos, a quem estão subordinadas as escolas de ensino fundamental. Se não tem solução, então que o governo federal crie muitos colégios militares, onde há até exame para a admissão, tamanha a procura.

Marcos de Sousa Campos marcosscampos@hotmail.com

Peruíbe 

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SÓ A EDUCAÇÃO, MESMO

Luciano Huck fez referências, em coluna no “Estadão” (24/5), ao estrondoso exemplo que a educação exerceu para o desenvolvimento socioeconômico da Coreia do Sul. Povo determinado, investiu fortemente nesse projeto, que catapultou o país para um alto nível mundial. A educação no Brasil é o projeto indispensável para sairmos do terceiro-mundismo. Só temos de avisar ao Huck que a manifestação pública em favor da educação feita pelos jovens há alguns dias está totalmente no contraponto do objetivo a ser alcançado. Aquilo foi uma baderna conduzida pela bandidagem excluída do poder, que ainda não percebeu que sua ação bandoleira é o oposto do que se necessita para consertarmos a educação em nosso país.

Pedro Paulo Santos santospedrop@hotmail.com

Sorocaba

  

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EDUCAÇÃO, DA COREIA AO BRASIL

Tema constante, serve para qualquer necessidade de explicação de atraso. É verdade que a Coreia do Sul emergiu para país economicamente desenvolvido com base numa atitude da sociedade. Essa sociedade também promoveu a educação como prioridade nacional. A sociedade coreana não é composta de imigrantes, tem tradição cultural milenar. Aqui, no Brasil, governos ditos “de esquerda” produziram um sistema de educação que forma mais de 50% de alunos analfabetos funcionais aos 15 anos de idade. O sistema está aparelhado de funcionários e de professores autores desta proeza. E a sociedade como um todo não reagiu a isso. Chega a parecer que se está aculturado com a existência de ignorância desde os tempos de escravidão. Agora, Bolsonaro não está contra a educação em si, mas contra o cancro estabelecido. Sistematizar uma operação de extirpação é um problema. Quem está preparado para apresentar sugestões construtivas?

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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PROFESSORES VALORIZADOS

Esta história da Coreia do Sul, que Luciano Huck pegou como exemplo (24/5, A2), não é nada diferente da Alemanha e do Japão, que foram destruídos pela guerra e por bombas. Só que lá, conforme Huck mesmo afirmou, o professor é sagrado, ao passo que aqui, é massacrado. Infelizmente, nós, os brasileiros, adoramos comer galinhas de ovos de ouro, neste caso, os professores. Embora todos saibamos que todos os profissionais – médicos, advogados, empresários, engenheiros e até deputados, senadores, governadores, presidente da República e ministros – passaram pelas mãos de professores, aos quais devemos nossa formação e nosso aprendizado, ainda assim não só não os reconhecemos, como eles têm os mais baixos salários do País. Uma vergonha nacional.

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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OPORTUNIDADE PERDIDA

Sobre o artigo de 24/5 (página A2), “Ouvindo o outro lado”, de Luciano Huck, este faz apologia e comparações do Brasil com outros países. Fica fácil comparar o nosso país com outros, falar dos comandantes, após ser o primeiro a pular fora de um barco que está afundando. Lembro ao autor do texto que ele teve a oportunidade, quando pré-candidato, de formalizar sua candidatura à Presidência da República, de expor aí seus desejos e talvez suas realizações, se eleito. No entanto, desistiu sem motivos aparentes. O que lhe faltou? Por que desistiu? Que forças o fizeram pular fora? Hoje, é melhor ficar calado e continuar com sua “lata velha”.

Jose Pedro Vilardi vilardijp@ig.com.br

São Paulo

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CRITÉRIOS

O ex-deputado de Roraima pelo PP Brito Bezerra, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, afirmou que nomeou o filho de sua companheira para seu gabinete “pelo critério de merecimento”, embora ele tenha apenas 18 anos de idade. Não admira que nesta semana 70% dos deputados do partido (PP) tenham votado pela retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) das mãos do ministro Sergio Moro.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro 

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RABO PRESO

O Coaf no Ministério da Justiça era considerado estratégico para o combate à corrupção, lavagem de dinheiro e o crime organizado. Tudo indica que muitos daqueles que votaram pela mudança do conselho para o Ministério da Economia defenderam seus interesses – basta ver a relação dos nomes na imprensa –, por terem o “rabo preso” ou medo de serem pegos por um órgão de inteligência financeira comandado por Sergio Moro.

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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DEPUTADOS

Parafraseando o ex-presidente Lula, eram 300, agora são 228 picaretas e 210 deputados.

Reinaldo Cammarosano tatocammarosano@hotmail.com

Santos 

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CULPA NO CARTÓRIO

Os deputados que votaram para tirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça são os que têm culpa em cartório. Polícia Federal neles. 

Sylvério Del Grossi silvegrossi@hotmail.com

Fernandópolis

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DISPUTA PELO COAF

Se a politicalha corrupta resolveu manter o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Economia, sob a tutela de Paulo Guedes, qual seria o problema para que o ministério da Justiça e Segurança Pública, sob a tutela de Sergio Moro, trocasse com ele informações sobre a atividade deste órgão que é tão temido pelos políticos? Afinal, ambos fazem parte do mesmo time interessado em acabar com a corrupção no País. Tão fácil assim!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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CULPALDO, EU?

Como era de esperar, o ministro Sergio Moro perdeu o Coaf. É óbvio que suas “excelências” votariam no sentido de tirar este importante órgão das severas mãos do Ministério da Justiça, caso contrário, estariam legislando contra eles mesmos, posto que  sofrem constantes denúncias de improbidades financeiras. Pura e simples!

José Marques seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo

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DECÊNCIA JÁ

Perde o Brasil, perde a democracia. A turma do rabo preso, com medo do ministro Sergio Mouro e da cadeia, movimentou-se pela blindagem e a volta do Coaf para o Ministério da Economia, enfraquecendo o conselho. A turma está com medo da cadeia. Cabe, agora, ao Senado tentar evitar esse retrocesso. Integridade e decência já. Seriedade para o nosso amado Brasil.

Roberto da C. Manso Vasconcellos vetrobertocmv@uol.com.br

São João da Boa Vista

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‘RECEITA PARA A REVOLUÇÃO’

O jornalista Fernão Lara Mesquita vem nos bridando, recorrentemente, com artigos de cortante realidade da caótica quadra que atravessamos. Em 21/5 (página A2), apresentou-nos “Receita para a revolução”. Ali está exposta a verdadeira face das questões que afligem 99,5% da população, como explicitou. Poucas vozes na mídia se alinham com essa análise. Ao contrário, insistem diariamente em responsabilizar o governo eleito por tudo o que aí está e, em especial, castigam o presidente impiedosamente. Basta a leitura ou a audiência aos meios da imprensa e seus editoriais. Assim, lembremos: a Medida Provisória (MP) 870 está prestes a caducar (3 de junho); a reforma da Previdência avança com irritante e proposital lentidão; o projeto sobre a Lei Anticrime, encaminhado em fevereiro de 2019, não avançou um milímetro; a comissão mista que analisou a MP da reestruturação do governo impôs um severo revés às pretensões do governo sobre o Coaf, a demarcação de terras indígenas e a atuação dos auditores fiscais da Receita Federal. Quais são os objetivos do Congresso? E a imprensa? Não destaca nem comenta as perdas substanciais dessas atitudes para o País e aqueles 99,5% da população. Aliás, como disse o articulista: “Não é o Brasil que está em discussão. O Brasil é só o prêmio dessa disputa”. Verdadeira constatação.

Jose Antonio S. Bordeira sydreira@gmail.com

Petrópolis (RJ)

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MINHOCÃO, ARTE E CULTURA

Só pela ideia proposta pelo prefeito Bruno Covas de transformar uma via pública em parque já seria o caso de uma ação popular pedindo o seu impedimento; fechar uma avenida para nela realizar a Virada Paulista, também. A imprensa deveria se colocar ao lado do cidadão, mostrando a verdadeira intenção e os objetivos do governo com estes projetos, e não ficar publicando reportagens mentirosas mostrando como se fosse para a Cultura e para o bem do povo fechar ruas importantes como a Avenida Paulista e transformar um viaduto em parque. 

Maria Gilka mariagilka@mariagilka.com.br

São Paulo

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BRASIL-VENEZUELA

Estivéssemos hoje vivendo em tempos do presidente Ernesto Geisel, o general Golbery do Couto e Silva estaria muito preocupado com a entrada de 2 mil a 3 mil venezuelanos por mês no País, e iria considerar como se fosse uma ocupação simpática do Estado brasileiro, como prega até hoje a Escola Superior de Guerra (ESG). Deve-se dizer, ainda, que o general Golbery era, em sua época, o maior conhecedor brasileiro de problemas geopolíticos no mundo.

José Piacsek Neto bubanetopiacsek@gmail.com

Avanhandava

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NOVAS ELEIÇÕES

Conforme suas declarações, o sr. Nicolás Maduro está tranquilo e muito confiante pedindo novas eleições para o Parlamento venezuelano controlado pela oposição. O povo venezuelano (diga-se oposição) precisa fiscalizar e acompanhar o trajeto das urnas desde o seu encerramento até o local da sua conferência, evitando com isso futuras fraudes, como a possível troca das urnas nesse trajeto. 

Flavio Pinto aniltintas@gmail.com

São Paulo 

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A ALEMANHA ANTISSEMITA

A propósito da preocupante matéria “Antissemitismo cresce na Alemanha e assombra judeus” (“Estado”, 22/5, A13), cabe, por oportuno, questionar como foi possível ao país que deu ao mundo pessoas do quilate de Kant, Beethoven, Bach, Brahms e Goethe praticar a covarde, abominável e inominável perseguição e execução de uma etnia que deu ao mundo personalidades de talento e gênio singulares como Abrahão, Jesus, Einstein, Marx e Freud.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo 

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