Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2019 | 03h00

SANEAMENTO BÁSICO

Prioridade

A epidemia de dengue se aproxima perigosamente de 1 milhão de casos em todo o País. O tema do saneamento básico deveria ser prioritário nas campanhas eleitorais para prefeito e vereadores do próximo ano. A sociedade deveria exigir ruas asfaltadas, limpas e bem iluminadas, água limpa e tratada, assim como canalização de córregos e limpeza de áreas que mais parecem lixões a céu aberto, diante do total abandono do poder público. O resultado disso é um enorme gasto público com saúde e a ocorrência de dezenas de mortes. As escolas deveriam ensinar cidadania como disciplina, incentivar a reciclagem e explicar direitos e deveres do cidadão em relação à cidade e ao meio ambiente.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

Avanço no Senado

Nada como uma crise econômica e social, com alto nível de desemprego, para fazer a classe política brasileira trabalhar! Assim agiu o Senado Federal, que na quinta-feira aprovou o substitutivo do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que firma um novo marco legal para o saneamento básico no País. Aleluia! Esta é, ainda hoje, uma grande dívida do Brasil com os mais de 50 milhões de brasileiros que não são atendidos com serviços regulares de fornecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto. Com a aprovação deste projeto, que agora será analisado pela Câmara dos Deputados, finalmente se abre a possibilidade de a iniciativa privada também participar dos investimentos nesta área, que são inadiáveis. A previsão é de que em dez anos o setor receba R$ 700 bilhões em investimentos. Isso, além de criar milhares de empregos e reduzir o custo de internações no SUS, vai propiciar melhora considerável na saúde da família brasileira, principalmente nas regiões mais desfavorecidas.

PAULO PANOSSIAN

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

Pequenos municípios

O Senado aprovou já na quinta-feira o projeto de lei que atualiza o marco regulatório do saneamento básico, e a matéria segue, agora, para a Câmara, que deve ter o mesmo entendimento. O texto prevê que os serviços poderão ser prestados também por empresas privadas, que disputarão a concessão por meio de licitação. E daí, qual é o problema? Bem, uma empresa privada só terá interesse em contratos com municípios maiores, que podem proporcionar retorno financeiro também maior. Obviamente, desprezará os pequenos, porque o retorno do investimento será o inverso. Trata-se, pois, de uma lei mamão com açúcar para as empresas privadas, mas amarga para pequenos municípios.

LAÉRCIO ZANINI 

spettro@uol.com.br

Garça 

Esgoto sem monopólio

Quando a telefonia era um monopólio estatal, ter um linha de telefone era símbolo de status, demorava anos para conseguir um aparelho, custava caríssimo e o serviço era péssimo, um pesadelo que atrapalhava o desenvolvimento dos negócios e do País. O mesmo ocorre hoje com o serviço de água e esgoto, outro monopólio do Estado: não atende metade do País, o serviço é péssimo, há enormes desperdícios e não deixam ninguém da iniciativa privada oferecer um serviço melhor. O Brasil espera que as mudanças no marco regulatório do saneamento básico acabem com a enorme vergonha da falta de saneamento básico no País.

MÁRIO BARILÁ FILHO 

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo 

TRÂNSITO

Asas ao populismo

Manchete de primeira página do Estadão de 6/6: Em SP, só 6,3% dos motoristas têm mais de 20 pontos na CNH. Há alguns anos o governo alemão divulgou uma pesquisa sobre como ia o respeito às leis de trânsito pela população alemã, praticamente na mesma época em que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo divulgou seus dados. Eram praticamente iguais: 90% respeitam as leis; uns 7% respeitam, têm noção de limite, mas cometem infrações que acreditam não ter maiores consequências; e, finalmente, uns 3% cometem infrações mais graves. E há um traço de pesquisa em que aparecem os sociopatas, os que não têm limite e cometem infrações gravíssimas. Os dados sobre acidentes, aqui ou em qualquer parte do planeta, são parecidos e apontam que uma minoria é responsável pela maioria das infrações gravíssimas. Vários especialistas vêm chamando a atenção para o disparate das propostas do presidente Bolsonaro para o trânsito, que no fim vão privilegiar principalmente os maiores infratores. A questão é que baboseira mata. Morre-se às pencas no Brasil porque é difícil de conseguir dados confiáveis, não por má-fé, mas porque são pouco detalhados, falhos ou até inexistentes. A CET São Paulo é dos pouquíssimos órgãos do País que têm dados detalhados e confiáveis e que têm força para divulgá-los. No geral, não temos pessoal suficiente para atender os incidentes e acidentes, há falta crônica de corpo técnico e perícia, laboratórios e cruzamento de dados que nos permitiriam ver a real situação. O resultado dá asas a qualquer populismo, como o de Bolsonaro.

ARTURO CONDOMI ALCORTA

arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

Libera geral

Aqueles que acham que multar infratores no trânsito por meio de radares e agentes fiscalizadores é alimentar uma tal “indústria de multas” estão a distorcer a realidade, imaginando-a possível de ser contida apenas por pessoas responsáveis e cumpridoras das leis, sobretudo aqui, no Brasil. Ora, por essa lógica, libere-se tudo, e não só no trânsito, pois daí então poderemos observar a natureza humana em seu mais puro estado de primitivismo. Negar que quanto mais duras são as leis mais uma sociedade se torna segura e civilizada é negar o óbvio, porque é com limites que o ser humano aprende a conviver civilizadamente em sociedade, desde a mais tenra infância. Para apoiar os ímpetos populistas de um presidente da República que vai na contramão do bom senso, muita gente usa argumentos que contrariam até a teoria da gravidade. Lamentável!

ELIANA FRANÇA LEME

efleme@gmail.com

Campinas

Matéria-prima

Fico perplexo cada vez que ouço ou leio a expressão “indústria da multa” para se referir ao que alguns acham um excesso de fiscalização do trânsito por radares, agentes e outros. Ora, toda indústria necessita de matéria-prima e a matéria-prima desta “indústria” nada mais é do que a infração. Basta não cometê-la que a “indústria”, sem matéria-prima, deixará de existir.

EUGÊNIO A. CLEMENTI JÚNIOR

eugenioclementi@hotmail.com

Americana

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CLIMA DEMOCRÁTICO

Tivemos a decisão do STF, que autoriza a venda de subsidiárias das estatais, sem a necessidade de aval do Congresso. No Parlamento, em boa hora veio a aprovação da MP que autoriza o combate a fraudes no INSS, que pode trazer uma economia de até R$ 10 bilhões. E com chave de ouro, a aprovação do substitutivo do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) de um novo marco legal do saneamento básico, que permite a participação da iniciativa privada e deve propiciar R$700 bilhões de investimentos, criando milhares de empregos e melhora da saúde da população que não é servida por esses serviços essenciais de água potável, coleta e tratamento de esgoto etc. Porém, não fosse a pressão da imprensa, e embasamento técnico dos formadores de opinião certamente esses projetos estariam engavetados. Neste sentido, é equivocada a percepção do presidente e de boa parte de seus seguidores, quando criticam até de forma ofensiva a imprensa e formadores de opinião pelas denúncias de atos fora de curva deste governo. Como assim também ocorreu com todos os presidentes do Brasil. Porém, sorte de um País no qual a imprensa trabalha com independência e a serviço da comunidade denunciando os erros e até ilícitos praticados por membros do Executivo, Judiciário e Legislativo. Como muito bem afirma o jornalista Eugênio Bucci, em seu artigo no “Estado”(6/6, A2), a “Imprensa só é útil quando aponta indícios de ilícitos e condutas estranhas. Só ajuda quando incomoda quem manda”. Lógico que, sem deixar de reconhecer os acertos do governo, como vem ocorrendo, entre outros, com o projeto da reforma da Previdência. E, graças a esse clima democrático, em que, em todo o mundo (exceto em ditaduras) os governantes vivem sob pressão, é que o governo, Congresso, e STF, para o bem do País, tiveram uma semana produtiva. Oxalá, nas próximas semanas com o mesmo sucesso ocorram a aprovação da verba suplementar de R$248 bilhões para o governo, o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia, e principalmente, sem descaracterizar, a aprovação da reforma da Previdência, na Câmara.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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LIDERANÇAS COMPLEXAS

Nunca como agora tivemos lideranças políticas tão complexas e instáveis no comando da gestão pública entre nós. Tal triste realidade agrava a solução dos grandes problemas que vive a população brasileira. Que uma nova geração que começa a surgir no setor consiga o mais rápido possível substituir essas suas carcomidas antecessoras rumo à construção da grande nação que temos tudo para ser.

José de Anchieta Nobre de Almeida r.nunez58@hotmail.com

Rio de Janeiro

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FALTA DE LIDERANÇAS

A "briga" entre a líder do governo, deputada Joyce Hasselman, e o senador Major Olímpio, ambos do PSL, mostra como está complicado o quadro político, dificultando articulações e entendimentos para os encaminhamentos e deliberações sobres os mais diferentes assuntos, de interesses corporativos e também temas que interessam à coletividade. De certa forma constata-se a falta de lideranças, já que houve grande renovação entre os congressistas. Os líderes partidários precisam se entender para a prática de uma política que leve em consideração a busca de soluções e não de aumento de problemas na economia e na área social.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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CONTRA TUDO

A esta altura do primeiro semestre do decepcionante e polêmico governo Bolsonaro, cabe, por oportuno, citar frase do poeta espanhol Antonio Machado y Ruiz: "É próprio de homens de cabeças medianas investir contra tudo aquilo que não lhes cabe na cabeça". Não poderia soar mais apropriada, pois não?

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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À ESPERA DO BOM SENSO

O presidente Jair Bolsonaro tem marcado sua curta atuação impondo decisões originárias de seu modo de pensar, provavelmente atendendo seu restrito grupo de apoiadores, porém com sérios reflexos negativos junto à toda a população, em razão do nosso ainda incipiente comportamento coletivo, claramente dependente do regramento legal, aliás, função primordial do Estado. Difícil entender como o principal mandatário do País adentra na relação vivencial de um povo estimulando-o a degradar o meio ambiente, incentivar a posse e o uso de armas letais, e agora, propondo a retirada de regras restritivas às pessoas ao volante. Será que essas iniciativas, longe da exigência constitucional da harmonia, fazem bem à jovem democracia brasileira, à nação e à imagem no exterior do Brasil? Quando vai aportar o bom senso nessa presidência?    

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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‘PROPINAR’

Propina, a prática que atrasa o País. A palavra propina vem da Grécia antiga e, na língua portuguesa, significa “pequena gratificação” ou “gorjeta”, dada por alguém satisfeito com o serviço ou favor recebido. Em Portugal, identifica o valor pago pelo ano escolar. Mas, no Brasil, é conhecida desde a República Velha (1889-1930), como método ilícito para o enriquecimento através da função pública, o que leva a concluir que a corrupção aqui está presente há pelo menos um século. Mensalão, apurações da Lava Jato, escândalos do futebol e dos mundos político e empresarial são demonstrações disso e do vigor que o ato de “propinar” ganhou com o passar dos anos, enriquecendo uns, lesando outros e destruindo a reputação de muitos. Bom que temos agora um clima voltado para acabar com esse que é um mal federal, estadual e municipal e contamina os Três Poderes. O povo só voltará a acreditar no governo, no Parlamento, na Justiça e nas instituições no dia em que puder ver (e sentir na prática) todo o dinheiro saído dos cofres públicos para a execução de obras e serviços chegar íntegro ao seu destino. Quando ocorrer, teremos o País emancipado e pronto para rumar ao sonhado grande destino. Sem esse requisito de transparência, jamais.   

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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COMUNICAÇÃO ESCORREITA

O Brasil precisa de filosofia da linguagem. E prestigiemos Mourão. Vivemos as obtusas redes sociais, o sujeito sem verbo, o verbo sem predicado, com esforço entendemos que um quer desqualificar o outro com palavrórios antes impublicáveis. E não só no seio da sociedade, mas também no governo. Claro que é utópico pensarmos num aperfeiçoamento da linguagem a ponto de atender-se a seus reclamos filosóficos. Sentido dos nomes, não raro só pela pronúncia e som identificadores do objeto, mas também pelas frases e abstrações. A comunicação escorreita entre os povos foi o principal motivo da evolução humana. O espancamento da sintaxe nos indigna profundamente, dizia Fernando Pessoa: preferia a invasão de Portugal. Não é exagero. Sem evolução cultural, esqueçam as reformas. E sequer temos o básico da educação formal. No âmbito do governo, ido à China de diligência, Mourão, em entrevista a um jornal de São Paulo, demonstrou que domina conceitos fundamentais - que o presidente não tem; daí a cólica intestinal. Continue firme, general, demonstre que vice não é decoração.

Amadeu Garrido amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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CARA DE PAISAGEM

O PT quer preservar o estrago feito. Existem situações que, não importa quantas vezes as tenhamos presenciado, são naturalmente engraçadas e sempre nos fazem rir. Lembro-me, por exemplo, de um comercial em que, a partir do tropeção de alguém, as pessoas iam desabando umas sobre as outras em longa série de trambolhões. Nas comédias pastelão, o sujeito derrubava uma pilha de pratos e ficava olhando para outro lado como se nada tivesse a ver com o acontecido. Era engraçado.

O petismo faz a mesma coisa, mas sem graça alguma. O partido que viria para regenerar a República patrocinou uma sequência de desastres dos quais nenhuma dimensão da vida social, política e econômica ficou de fora. E lida com tais questões como se nada tivesse a ver com elas. Derrubou pilhas de pratos da economia, contabilizou 13 milhões de desempregados (na realidade o número é muito maior), quebrou os degraus da escada do PIB gerando estagnação e recessão. Fez o mundo olhar para o Brasil com ar de escândalo, vendo-nos como irresponsáveis, como se o Brasil fosse uma Grécia gigantesca e autofágica que engole o próprio PIB. A produtividade do brasileiro cai. Criminalidade em alta e repressão em baixa. E, claro, corrupção de dez dígitos. Bateram-se carteiras no salão. As relações entre o PT e a crise brasileira são para lá de conhecidas. No entanto, diante da enorme rejeição social, perante o estrago causado pela crise e a corrupção, os dirigentes petistas andam por aí, em meio a uma montanha de pratos quebrados, olhando para os lados, xingando a todos e pondo as culpas em quem está juntando os cacos do País. Tenho assistido às reuniões do Congresso a que comparece o ministro Paulo Guedes. São eventos importantíssimos, de extrema urgência. Neles o ministro discorre sobre os botões que precisam ser acionados para que a explosão não aconteça. O que faz o PT, acompanhado da colônia de partidos que o cercam? Nem ao menos tenta ser discreto ou engraçado. Nem olha para o lado com cara de paisagem. Não esboça o menor sinal de constrangimento. Dedica-se, furiosamente, a impedir que medidas saneadoras sejam tomadas. Discursa como se estivesse preocupado com zelar pelos pobres enquanto protege os privilegiados do sistema previdenciário em vigor.

Percival Puggina puggina@puggina.org

São Paulo

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GRANDE NAÇÃO

Senhores com poderes legitimados nas três instâncias da República, tenham, por favor, a honra de levar avante o que é necessário para que todos nós brasileiros tenhamos alguma esperança de que o Brasil será uma grande nação

Carlos Leonel Imenes leonelzucaimenes@gmail.com

São Paulo

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NOVA FORMA DE ADMINISTRAÇÃO

Novos tempos na administração municipal. A antiga forma de administrar uma cidade de um gabinete perdeu lugar para as necessidades contemporâneas e para a busca incessante de melhorias no desempenho dos serviços de interesse da comunidade. E entre as novas demandas, surge a figura dinâmica do administrador “mobile”. Por essa definição entenda-se a busca externa e constante de verbas e contatos políticos que possam contemplar a cidade com novas obras e mais qualidade de vida. O modelo de prefeito que dirigia uma cidade sem sair de seus limites geográficos está definitivamente enterrada. Vivemos a era da tecnologia da informação, que altera a convivência, o relacionamento e os resultados que essa grande teia social, política e administrativa pode gerar. Dessa tendência não escapa nem o atual e muito menos os futuros prefeitos, cujo desempenho e sucesso em suas administrações dependerão da fluência, versatilidade e amplo relacionamento político. Não é difícil imaginar o motivo. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, não dá para se esperar que tudo caia do céu. Que o prefeito seja ungido com verbas abençoadas e inesperadas, enviadas espontaneamente pelo governo. Principalmente nos dias atuais, minguados de verba. Só lembrando, são 5.561 municípios em todo o Brasil, 645 só no Estado de São Paulo.

Essa mudança de postura tem uma exigência: estar presente onde se decide. Essa logística de relacionamentos envolve viagens constantes com a finalidade de estar próximo de quem tem a caneta, a chave do cofre e faz acontecer. Porém, para ser colocada em prática com resultados, essa moderna postura administrativa tem de integrar a capacidade de criação de interfaces e conquistas ao desempenho de uma equipe multitarefa, afinada com o planejamento e execução de ações e demandas em todas as áreas do município, equipe essa composta pelo que se convencionou definir como “cargo de confiança”. Essa integração é parte fundamental da estrutura de inovação gerencial na administração pública. Ela é tão importante que está sendo repensada e replanejada nas cidades com moderno sistema de gestão, com o objetivo de alcançar melhores índices de eficiência. A compreensão dessa mudança de cultura chega também ao Legislativo municipal por meio da sensibilidade e visão de seus vereadores. E sugere uma nova maneira de perceber, de pensar a gestão pública de forma exponencial, ou seja, dez vezes melhor, mais rápida e econômica. Esse esforço vai além da atenção, do filtrar e do atender as demandas da comunidade. Afinal, não é mais a questão partidária o que importa, mas aquilo que afeta o cidadão, o que lhe diz respeito, o que facilita as suas realizações, a sua qualidade de vida. Algo pelo qual deveria ser a razão e o propósito transformador de todo político.

David Ferretti david@dfa.com.br

Amparo

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VOLTAR-SE À BANDEIRA

Com referência à publicação da foto na Coluna do Estadão (7/6, A4), vale registrar que a postura do deputado Rodrigo Agostinho,  ao voltar-se para a Bandeira Nacional durante a execução do Hino Nacional em sessão no Senado pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, está completamente equivocada. O Hino Nacional, a Bandeira Nacional, o Brasão da República e o Selo Nacional são os quatro símbolos oficiais da República Federativa do Brasil. Suas apresentações e seus usos são regulados pela Lei Federal n° 5700/71. Não há precedência muito menos hierarquia entre eles, já que todos, isoladamente ou em conjunto, são símbolos da nação e expressam o espírito cívico do povo brasileiro. Constitui-se violação de culto ao Hino Nacional virar-se na direção da Bandeira Nacional durante a execução do Hino, exceto quando a Bandeira é o símbolo cultuado, que não é o caso.

João Antonio Grecco jagrecco@globo.com

Jacareí

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NOVO MUNDO

Quando acordo de manhã e lembro que Donald Trump é o presidente dos Estados Unidos e Jair Bolsonaro é o presidente do Brasil sinto vontade de voltar a dormir ou me mudar para a Nova Zelândia. E lembrar que a América seria o Eldorado de um Novo Mundo. Os americanos já colecionam Nixon, Regan, Bush e Trump. Nós enfileiramos Sarney, Collor, Lula, Dilma, Temer e agora uma penca de Bolsonaros. Deus, definitivamente, não é americano nem brasileiro.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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MÉRITO RELEGADO

Até pouco tempo atrás, nos governos Lula e Dilma, para galgar cargos era necessário ter o crachá do partido deles ou de algum aliado. No início do governo de Jair era preciso ter usado o uniforme verde oliva e agora parece que entraremos na safra dos evangélicos. E para o mérito fica reservado algum porão.

Sérgio Barbosa sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

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DECISÃO MONOCRÁTICA

Sobre o artigo “Senado propõe restringir decisão individual no Supremo” (“Estado”, 7/6, A4). Eis uma medida salutar para fazer a corte constitucional voltar a ser uma verdadeira corte constitucional que só vota em colegiado verdadeiras questões constitucionais, pois já faz um bom tempo que as decisões monocráticas advindas de queixas, tanto do Legislativo, como do Executivo, transformaram aquela corte em algo assemelhado a um reles juizado de porta de cadeia, da baixa politicagem. Sugestivo seria que, depois do Senado, a Câmara também endossasse essa excelente proposição, que colocaria muita coisa no lugar.                     

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

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MEIO AMBIENTE NA CONTRAMÃO

A Etiópia era coberta por florestas, que foram destruídas para a agricultura e expansão urbana. Hoje a Etiópia está realizando um enorme esforço para recompor suas florestas, o objetivo é plantar 4 bilhões de árvores, como se cada um dos cem milhões de habitantes plantassem 40 árvores. O Brasil segue impávido no caminho contrário, desmatando cada vez mais seus biomas, não realiza qualquer ação relevante para recuperar áreas degradadas, aposta todas as fichas na eterna expansão da fronteira agrícola, usa cada vez mais agrotóxicos perigosos, mata rios inteiros com atividades de mineração irresponsáveis e insustentáveis. Em poucas décadas a conta vai chegar e o Brasil será finalmente obrigado a tentar recuperar a destruição irresponsável que está promovendo no meio ambiente.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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DESENVOLVIMENTO X DESEMPREGO

O País atingiu 13,1 milhões de desempregados (12,4% da população ativa). O número de desalentados – aqueles que desistiram de procurar trabalho – é de 4,9 milhões, o maior da série histórica. Os números mostram uma situação crítica. São urgentes frentes de trabalho. Já tivemos – quando das secas no Nordeste – contratação de pessoas para a capina de acostamentos de estradas. Nos EUA, quando da quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929, o Exército da Salvação oferecia sopa noturna e beliches para pernoite. Mas a crise só foi equacionada e vencida quando o presidente Roosevelt criou o Tennessee Valley Attorney com a construção de barragens para usinas geradoras de energia elétrica e sistemas de irrigação. O Brasil teve algumas tentativas de desenvolvimento, entretanto sem êxito. Ficamos na primeira fase: produção primária e exportação de matéria prima, tal como desde o descobrimento, com o pau brasil, sem agregar valor. Em comparação, a China decidiu enriquecer e, assim, se desenvolver. E é impressionante como tem conseguido. Vejamos nossa situação.

Produção e exportação de soja: os agricultores dependem de fertilizantes. A Cargill (estrangeira) vende o fertilizante e em troca oferece os galpões para armazenamento da soja. O produtor ganhou pouco. O intermediário torna-se o exportador, com lucro. Com a quebra da Bolsa de Nova York, a exportação de café do Brasil caiu 90%; o café era 70% das exportações. O governo Vargas comprou 18 milhões de sacos de café estocados em Santos e no interior do estado de São Paulo e queimou grande parte em junho de 1931. Foram mais de 14 bilhões de quilos de café. A recessão terminou em 1932.  

Tentativas de desenvolvimento: durante a 2ª Guerra Mundial, a importação sofreu uma crise. Da Inglaterra, deixamos de receber os tecidos mais nobres: a casimira e o linho irlandês. Nossas fábricas de tecidos (como a Bangu e a Nova América – empresas de porte que desapareceram agora, com a importação de tecidos da China) não os produziam. Inventaram um sucedâneo: o caroá – tecido grosseiro, áspero.

Café: o governo brasileiro propôs a fabricação de café solúvel. A Nestlé criou a tecnologia. Só mais tarde é que surgiram fábricas brasileiras de café solúvel (criou-se até o “Café Pelé”). Mais recentemente surgiu o café de cápsula, da Nescafé estrangeira.

Montadoras de automóveis e caminhões: com a 2ª Guerra, sem ter como importar, a Fábrica Nacional de Motores – instalada para montar aviões de guerra – passou a fabricar o caminhão FNM, projeto italiano, da Alfa Romeo (depois montou o automóvel JK). A necessidade de autopeças deu origem à fábrica de amortecedores e freios, por exemplo. Juscelino, quando governador de Minas Gerais, estabeleceu duas metas, era o binômio Energia e Transporte. Como presidente do Brasil, estabeleceu metas de desenvolvimento (50 anos em cinco). A Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes (GEIPOT) foi criada para instalar uma indústria automobilística. O DKW alemão era montado pela VEMAG (brasileira). A Iseta, pequeno veículo italiano, era montado pela Romi (fabricante de tornos). Nenhum projeto brasileiro. Mais tarde, o engenheiro Gurgel começou a fabricar um carro nacional – sem ter que pagar taxas aos estrangeiros. Mas faltou apoio do governo. E faliu. A Índia fabrica automóveis, como o Tata e o Mahindra, que chegaram a ser exportados para o Brasil.

Computadores: o Brasil teve uma fábrica de computadores pessoais, ao mesmo tempo em que a IBM dos Estados Unidos. Era a COBRA – Computadores Brasileiros, que não teve o apoio e estímulo para enfrentar as estrangeiras.

Aviões: neste ponto houve sucesso. A Embraer conseguiu vencer. Agora, entretanto, está em vias de ser negociada com os EUA.

Petróleo: após longa e árdua luta, criou-se a Petrobrás. Partiu do nada e, ao longo dos anos, cresceu e se tornou uma grande e completa empresa. “Do Poço ao Posto”. Conseguiu êxito na descoberta de petróleo submarino, como pioneira, com o pré-sal. Agora é dirigida politicamente por quem age para reduzí-la.

Sem desenvolvimento não há como acabar com o desemprego.

RSF rsimasfilho@outlook.com

Brasília

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FLUXO PARA O EMPREGO

As elites e os trabalhadores. Empresários e operários formam uma união indissolúvel, pois um não vive sem o outro. Os operários querem empregos e os empresários querem resultados. É surpreendente os que trabalham e procuram o trabalho se juntarem ao PT ou partidos irmãos, que têm por foco o ataque ao que chamam de elites, estando nelas os empresários que organizam as empresas que criam empregos, sem os quais não existe produção, que dá origem aos recursos com os quais são pagos os salários. Não havendo produção, não existem recursos e em consequência, salários. É o que ocorre na Venezuela, Cuba e outros países que vivem com a venda de petróleo. A luta deve ser pela melhoria da qualidade da educação, que hoje forma analfabetos, para os quais não existem empregos.

A boa campanha dos sindicatos seria apelar aos empresários para concentrarem parte de suas fortunas na educação, proporcionando aos jovens boa formação técnica, que resulta na melhor qualidade do produzido por menor custo, competindo com mais resultado, e proporcionando melhores salários. A educação de qualidade complementa o trabalho das mães que preparam os filhos para recebê-la.

Fábio Ribeiro da Silva fabio.r.silva@uol.com.br

São Paulo

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GRITO DAS RUAS

As manifestações que têm acontecido por todo o Brasil são legítimas e democráticas, bem como o direito de greve está previsto no Título II “Dos Direitos e Garantias Fundamentais” da Constituição Federal de 1988 em seu artigo 9º, “é assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”. Do mesmo modo, são de fundamental importância, relevância e imprescindível para o entendimento sobre o direito de greve os aspectos regulatórios da Lei Ordinária 7.783/89, por exemplo, dos serviços ou atividades essenciais regulados no seu artigo 10. Nesse sentido, é importante observar que o direito de greve não é garantido de forma irrestrita. É preciso considerar a oportunidade e o interesse a defender. Ou seja, aquela tem relação direta com o momento em que pode ser deflagrado o movimento grevista, enquanto que este corresponde aos objetivos profissionais a serem alcançados pelo movimento paredista. Dessa forma, a greve no Brasil tem condicionantes que relacionam o momento (oportunidade) e os interesses a serem defendidos pelos trabalhadores. Ou seja, a greve é sim um direito social à disposição do pólo hipossuficiente (trabalhadores) nas relações sociais entre os obreiros em face dos desmandos de empregadores incautos. Entretanto, o movimento paredista está condicionado ao cumprimento de diversas regras, caso contrário, os abusos cometidos sujeitam-se às penas da Lei (art. 9º, §2, CF/88).

Neste contexto, a ironia é que o País (União, Estados, Distrito Federal e municípios) pode estar à beira de uma “greve” generalizada, principalmente porque o desemprego cresce, os índices econômicos de crescimento não deslancham, a saúde pública está uma calamidade e a criminalidade só aumenta. Infelizmente, os políticos, diferentemente do distinto nacionalista e patriota alferes Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier), grande mártir da Inconfidência Mineira, patrono cívico do Brasil e herói nacional, ainda continuam cegos, mudos e surdos aos gritos que vêm das ruas. Por ora, os “manifestantes” ainda não conseguiram conectar a oportunidade com o interesse a defender. Mas, quando isto acontecer, o cenário será imprevisível.

Antonio Sérgio Neves de Azevedo antonio22yy@hotmail.com

Curitiba

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O SAMBA ESTÁ DIVIDIDO

O carnaval carioca é uma fonte de oportunidades sem igual, representando um mercado envolvendo negócios milionários. A mais famosa festa popular brasileira também enseja, sob o prisma cultural, uma explosão de criatividade. Ela gera empregos, arrecada impostos e estimula o comércio e a prestação de serviços. Esse gigantismo traz um pouco de nostalgia quando lembramos o tempo em que era mais alegria e menos economia. Alegria promovida por frevos, ranchos, grandes sociedades e as escolas de samba. A alegria virou negócio e a pureza de outrora deu lugar a um clima de disputas que veio, nos últimos três anos, a jogar por terra a credibilidade que aqueles que lideram as várias escolas de samba viram consagrada nos “negócios” que gerenciam. O samba está dividido, o samba atravessou. Quando poderemos cantar de novo “este ano não vai ser igual àquele que passou”?

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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PAÍS QUE PAROU

O dia em que a terra parou. “No dia em que todas as pessoas do planeta inteiro resolveram que ninguém ia sair de casa, como se fosse combinado em todo o planeta”. Dentro das devidas proporções e fazendo uma simples analogia, tudo leva a crer que a letra da canção está encontrando seu espaço no tempo. Se a música era uma previsão, parece que ela está se concretizando, pois a sensação que se tem é de que as coisas estão parando.

Recordemos as comemorações de Natal. Quase não vemos mais luzes e enfeites. Em vários lugares, o carnaval do agito está dando lugar ao carnaval da “calmaria”, sem folia. Hospitais estão fechando as portas ou mendigando recursos, pois não conseguem mais atender à população e muito menos diagnosticar doenças, há uma tal virose. Em muitas escolas encontram-se pessoas, alunos e professores, mas não se busca a educação ou o conhecimento, para isso as mentes parecem estar paradas. No futebol, até mesmo os amantes da bola não conseguem mais saber quem são os selecionáveis, muito menos escalar a seleção, olhem a que fase chegamos. As redes sociais estão minando os relacionamentos interpessoais, o cara a cara, o contato, as conversas que possibilitam os bons conflitos de trocas de ideias ou até mesmo que evocam a nostalgia. A política então, nem se fala. E assim, na dinâmica da sociedade brasileira tudo se move no mesmo lugar, como um carro que ronca o motor mas não consegue sair do atoleiro.

O dia em que a terra parou, tempo esquisito, que misteriosamente parece que chegou.

Walber Gonçalves prof.walber@hotmail.com

São Paulo

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