Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2019 | 03h00

REELEIÇÃO

Delírios de grandeza

No centro da turbulência de uma governança pífia, em que os índices econômicos são frustrantes e as derrotas do Poder Executivo são reiteradas no Legislativo, Jair Bolsonaro admitir a possibilidade de sua reeleição e dizer que “lá na frente todos votarão em mim” revela severo transtorno de personalidade. Não passa do preço que pagamos por um regime arcaico, do presidencialismo em que o órgão mais importante e poderoso da República faz-se encarnado numa pessoa física.

AMADEU R. GARRIDO DE PAULA 

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

Ajuda divina

De todos os absurdos que ouvi nestes meus 74 anos de vida, talvez o maior tenha sido ouvir o presidente Jair Messias Bolsonaro dizer que admite candidatar-se para um segundo mandato. Na minha modesta opinião, o que ele deveria fazer, mesmo, é tirar o País da crise e pedir a Deus que o ajude a ficar na Presidência até o fim deste mandato.

VIRGÍLIO MELHADO PASSONI

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul

O primeiro mandato

É um pouco cedo para Bolsonaro cogitar da investida de uma reeleição. Antes, deve fazer um bom governo e esperar por uma consequente aclamação popular que dê respaldo ao Executivo para fazer mais reformas econômicas em benefício do povo. Mas estes possíveis louvores não devem significar uma anulação do que foi dito em sua campanha: que não iria se reeleger.

WASHINGTON DE JESUS MELO

melowj@gmail.com

São Paulo

Promessa descumprida

De todas as promessas feitas por Jair Bolsonaro, a que menos importa que não seja cumprida é a da reeleição. Aliás, se o presidente só cumprir a promessa de desestatizar parte do conglomerado de estatais por onde sangra uma fortuna de dinheiro público, que poderia ser investido na combalida infraestrutura, Bolsonaro já ganhará um enorme cacife para descumprir a promessa de não ser candidato à reeleição.

ABEL PIRES RODRIGUES

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

Mérito

Bolsonaro é bastante espontâneo e costuma falar em voz alta tudo o que pensa, e isso se torna um prato cheio para seus adversários políticos. Mas ele tem o mérito de, em menos de seis meses de governo, ter entregue ao Congresso para aprovação uma proposta de reforma da Previdência que, certamente, se aprovada, pode começar a tirar o País do sufoco.

JOSE MILLEI

millei.jose@gmail.com

São Paulo

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PLANALTO

Secretaria de Governo

De comandante militar do Sudeste a ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, quatro estrelas, infante, é o primeiro general da ativa convocado a sair da testa da tropa para um gabinete no 3.º andar do Palácio do Planalto. Especialistas em meteorologia da Praça dos Três Poderes viram na nomeação do substituto do general Santos Cruz um recado do comandante em chefe Jair Bolsonaro. Para quem? Para quê? Depende do intérprete ou do decodificador. Mas ninguém está autorizado a pensar no jipe, num cabo e num soldado.

JOSÉ MARIA LEAL PAES

myguep23@gmail.com

Belém 

Dança dos generais

Bolsonaro tirou o general Floriano Peixoto da Secretaria-Geral da Presidência e o pôs no comando dos Correios. É a dança dos generais de Bolsonaro!

ROBERT HALLER

robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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CASO MORO

De pasmar

O Brasil foi saqueado ao longo de anos por várias organizações criminosas aliadas do Partido dos Trabalhadores (PT), que se apropriaram de parcela expressiva do dinheiro público e promoveram o enriquecimento ilegal de servidores, políticos e empresas, comprometendo o desenvolvimento nacional e distorcendo por meios financeiros a representação política do País. A Operação Lava Jato puxou o fio da meada e trouxe à tona um sofisticado esquema de ladroagem que por pouco não nos fez mergulhar no mesmo pesadelo que vive hoje a Venezuela. E, quando o País tenta se desvencilhar deste atoleiro, eis que surgem informações de que hackers acessaram ilegalmente mensagens de celular de autoridades da Lava Jato, que foram publicadas pelo site The Intercept, tentando ligar o atual ministro da Justiça a ilícitos. Por causa disso, Sergio Moro foi ao Senado de boa vontade para esclarecer o caso, e – pasmem – durante a audiência, o senador petista Humberto Costa chegou a exigir dele a renúncia e um pedido de desculpas ao País. A invasão criminosa nos telefones de um juiz e de procuradores e a divulgação das mensagens não deixam dúvidas, até aqui, de que o ataque tinha alvo certo, o ministro Moro, eum beneficiário, Lula da Silva. Tanto que, logo após a publicação das primeiras mensagens, advogados do presidiário de Curitiba não tardaram em clamar pela nulidade dos processos em que seu cliente fora condenado. Indiferentes a isso tudo, os senadores – alguns respondendo a vários processos no STF, como Renan Calheiros – passaram oito horas e meia questionando o ex-juiz. Haja cara de pau.

PAULO R. KHERLAKIAN

paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

Mais um desgaste

A presença de Sergio Moro no Senado deu a impressão de que ele estava numa audiência processual na qual estava sendo julgado por sua conduta como juiz. Foram mais de oito horas e, ao fim, ele declara que, se algo for provado contra ele, ele deixa o cargo. Mais um desgaste para a equipe de Bolsonaro.

URIEL VILLAS BOAS

urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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GOLFO PÉRSICO

De volta ao pó

Noticiou-se na sexta-feira (21/6) que Donald Trump, presidente dos EUA, desistiu de revidar o ataque iraniano de quinta-feira a uma aeronave remotamente pilotada americana. O que o fez desistir, em verdade, foi a ameaça do Irã de bloquear o Estreito de Ormuz, ponto estratégico de passagem de grande quantidade de petróleo na região do Golfo Pérsico, além de evitar uma guerra nuclear, capaz de destruir a “obra de Deus”. Seria o apocalipse, na visão de João, o apóstolo. Uma guerra nuclear poderia, então, aplicar ao nosso planeta a sentença: “Tu és pó e ao pó voltarás” (Eclesiastes 3:20).

JAIR GOMES COELHO

jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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LIDERANÇA SOBRE MASSAS

Esse jeito Bolsonaro de ser. Muitos analistas políticos têm batido na tecla da necessária interlocução entre o Executivo e o Legislativo. Afinal, o Congresso tem a legitimidade institucional para aprovar ou não os projetos do governo e os cidadãos devem ficar fora desses assuntos. O Parlamento é o lugar onde se fala e onde se verbalizam opiniões divergentes. Portanto, “bora conversar” que tudo se resolve.

Resolve? Não. Contudo, ainda que resolvesse, a política é só isso? É apenas um formulário institucional onde os Poderes conversam e as opiniões, magicamente, se harmonizam, porque todos querem o bem do País? Acumulam nossas instituições méritos que as façam merecedoras da confiança nacional? Novamente, não.

Tenho como verdadeira a clássica lição segundo a qual a política é possível pelo que as pessoas têm de bom e necessária pelo que nelas há de mau. Sociedades humanas, para um ou para o outro, precisam de elite e precisam de liderança. Certa feita, comentando as habilidades de Lula como comunicador, registrei minha observação segundo a qual, sobre o mesmo assunto, ele tinha opiniões diferentes para públicos diferentes e, graças a isso, era aplaudido dizendo "A" e dizendo o contrário de "A". Essa “habilidade” é uma das condições necessárias para identificar um trapaceiro, jamais um estadista. Estadistas não molham o dedo na saliva e o esticam ao ar para perceber de que lado sopra o vento no auditório.

Na política, liderança e, especialmente, liderança exercida sobre a massa, é um dom distribuído em proporções escassas. Bolsonaro tem esse dom e só ele explica a vertiginosa escalada que o levou à Presidência. Não adianta atacar e fustigar Bolsonaro, apontando suas limitações porque elas nunca foram dissimuladas. Ninguém está a descobrir uma face oculta do presidente. Tais limitações sempre fizeram parte do jeito Bolsonaro de ser, jeito que a população conhece e ao qual atribui valor elevado num mercado de baixas cotações.

Parcela significativa da sociedade sabe que Bolsonaro não é o príncipe perfeito, mas percebe nele sadia intenção de se sacrificar para fazer a coisa certa. Não tenho o costume de usar citações bíblicas em textos sobre política, mas é impossível não lembrar, aqui, das palavras de Jesus sobre tomar a própria cruz e seguí-lo. Tirar o Brasil da situação em que está exige do governante esse mesmo ânimo para enfrentar aqueles que fogem como o diabo de qualquer cruz. Que dizer-se de carregá-la! Ela, a cruz, é parte do problema do governo com a base.

Constranger as redes sociais ao silêncio, sustar as cívicas e civilizadas mobilizações de rua e diagnosticá-las como intrusivas e impróprias, outra coisa não é que tentativa de isolar o presidente de seu principal e mais consistente apoio.

Percival Puggina puggina@puggina.org

São Paulo

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ÓRFÃOS

Uma galáxia de tolos sustenta os poderosos de todos os tempos e de todas as ideologias. Reis, imperadores, ditadores e presidentes, totalitários ou democratas, capitalistas, fascistas ou comunistas, todos assumem o poder e lá se mantém porque um mundo de idiotas, órfãos de paternidade, os sustenta e neles se completa, em sua brutal carência de personalidade.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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FERROVIAS

Um momento dialético. Como é sabido, os fatos são bifrontes. Jamais se viu na história brasileira um mar político de ondas tão agitadas e, por outro lado, um povo que só fala de política, ainda que entre interlocuções que se transformam em destroços. Para aqueles que creem na formulação da dialética de Hegel (tese, síntese e antítese), sem falar em seu avesso reducionista, a médio e longo prazo os trens tornados traças no Brasil poderão voltar a trafegar em ótimas ferrovias que engrandecem a união das liberdades e da democracia equitativa. Trata-se claramente de uma mera hipótese, mas não nos custa crer na projeção do destino do respeitável filósofo alemão. O que não se pode é dar-se ao entorpecimento conformista, acrítico e desesperançado.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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SALVADOR DA PÁTRIA

Uma das fragilidades da política é, face às dificuldades que vivenciamos, tentarmos de tempos em tempos eleger um “salvador da Pátria” que tenha o poder de solucioná-las. Essa nossa característica não podemos mais aceitar, principalmente agora que os exemplos históricos do passado, nos permitem constatar que tal tendência nunca foi, aqui e no mundo, solução para problemas que vivenciamos.

José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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NÃO SE ENCONTROU

É sabido que o País foi dilapidado pela "tigrada" petista durante anos, causando um desemprego recorde. Também é verdade que o presidente Jair Bolsonaro, eleito para acabar com essa fanfarronice petista, perdeu a oportunidade de resolver esse grave problema, pois ainda não se encontrou na sua nova função. Com ideias desconexas e sempre obrigado a desdizer o que já havia dito, contribui para o aumento do desemprego, perdendo essa oportunidade de ouro. Até parece que ele é da turma do "quanto pior melhor". Muda sua atitude, Messias.

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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FÚRIA DESTRUTIVA

Lula foi o pior presidente que o País já teve, chefe de uma quadrilha criminosa, corrupto e incompetente, arruinou o País. Elegeu Dilma Rousseff para sucedê-lo, deu no que deu. Diante desse cenário catastrófico, era de se imaginar que qualquer pangaré poderia ser um presidente melhor que Lula e Dilma. Jair Bolsonaro se apresentou como o anti Lula, chutou a imagem do ex-presidente um dia antes de levar a facada que acabou o ajudando a vencer a eleição. Bolsonaro, porém, tem se mostrado capaz de ser pior do que Lula e Dilma. Sua obsessão cega pela direita pode acabar destruindo completamente o País para agradar a bancada ruralista escravocrata. Nunca se viu tanta vontade de destruir a natureza como na sua gestão, nunca se viu tanta gana de acabar com todos os Parques Nacionais brasileiros, todas as reservas naturais e áreas de preservação. Parece que Bolsonaro enxerga a natureza como o inimigo que tem que de destruído para o crescimento da nação. As instituições têm sido capazes de conter parte da fúria destrutiva de Bolsonaro contra a natureza. Ele ainda não conseguiu acabar com todos os Parques Nacionais por decreto. Resta saber até quando o Brasil vai assistir passivamente aos ataques covardes do presidente da República contra o principal patrimônio do País.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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HISTÓRIA

Em entrevista ao Estado, em 3/6, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse, entre outras coisas, que “a for­ma pe­jo­ra­ti­va co­mo se tra­ta o tal Cen­trão ho­je, ama­nhã na his­tó­ria vai en­trar co­mo os par­ti­dos que sal­va­ram o Bra­sil do co­lap­so so­ci­al”.  Esta afirmação faz lembrar um fato muito interessante do passado recente da nossa história: o processo de impeachment de Dilma Rousseff só teve início por iniciativa do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que nunca gozou da simpatia da opinião pública durante seu mandato e era também na época tratado de forma pejorativa. Cunha é atualmente muito mais lembrado por estar preso, acusado de vários crimes de corrupção, do que por sua atitude “histórica”. De nada adianta mandatários, políticos ou parlamentares protagonizarem um feito digno de entrar para a história se a moralidade que permeia os atos destes cidadãos é, no mínimo, duvidosa. O Centrão votará a favor da reforma da Previdência por pressão da opinião pública. Só que, enquanto não abandonar o velho hábito do toma lá dá cá, continuará a ser referido de forma pejorativa e vai passar bem longe da história.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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DEVORADO

Havia nas cercanias da cidade de Tebas, onde reinavam Laio e Jocasta uma esfinge que propunha ao caminhante um enigma: "Qual é o animal que pela manhã anda sobre quatro patas, ao meio dia, sobre duas e a noite sobre três?" Édipo respondeu que era o homem, quando recém-nascido, quando adulto e na velhice, sendo poupado de ser devorado. O Brasil enfrenta, sem respostas, vários enigmas e por isso está sendo devorado por uma crise econômica e política, enquanto o nosso presidente, inebriado com o poder repentino está tratando de interesses financeiros dos nossos vizinhos, os argentinos. Como é possível dois poderes da República acumularem superavit de R$7,7 bilhões no fim do ano de 2018? Se a Esfinge fizesse essa pergunta ao nosso presidente, por certo, ele seria devorado.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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TEMPESTADE

A história nos faz perceber como as coisas se impuseram ontem e como são impostas no presente. Por 14 anos o Brasil esteve entregue à sorte com os (des)governos do PT. Atravessamos uma tempestade política, econômica e ética sem precedentes. Palácios transformados em centrais de arrecadação e distribuição de valores desviados. Na Petrobrás e outras estatais, em uma única operação, foram subtraídos R$20 bilhões. A leniência em relação aos crimes do “colarinho branco” teve fim. Ex-presidente, ex-governadores e vários outros agentes públicos cumprem prisão ou respondem a processos. Uma grande resistência às transformações persiste. O combate prosseguirá e a Lava Jato, por mais que queiram, não acabará. Haverá de chegar o dia em que olharemos para trás e perceberemos que valeu a pena lutar.

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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VENDA DA JUSTIÇA

Como se sabe, a simbologia do direito tem origem na deusa romana Justiça, filha de Zeus com Têmis, a guardiã dos juramentos dos homens. A imagem representa o Poder Judiciário como uma mulher com os olhos vendados (a imparcialidade da Justiça), a espada (a força, a coragem, a ordem e a regra necessárias para impor o direito) e a balança (a intenção de nivelar o tratamento jurídico de todos por igual; a ponderação dos interesses das partes em litígio). O que está em discussão no caso "Morogate" é a revelação do detalhe de que a venda cobriu apenas um dos olhos, fazendo com que a espada e a balança pendessem para um dos lados. Por oportuno, cabe dizer que nem todos os meios justificam os fins e nem todos os fins justificam os meios…

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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ESTADO DE DIREITO

O Estado de Direito está comprometido quando o ex-juiz não julgou, foi parte da acusação. A divisão entre os Poderes pende para um Judiciário refém da "opinião publicada", um Legislativo renovado com a mais sórdida e velha política e o Executivo eivado de ignorantes, incompetentes e desprovidos de faculdades mentais. Até a laicidade do Estado está em xeque, quando o presidente usa convicções religiosas para seus ditames e participa de evento de uma igreja como suposto fiel e candidato.

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

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AUTODETERMINAÇÃO NA CATALUNHA

Catalunha versus África do Sul. A Espanha tem nove líderes políticos do governo catalão em prisão preventiva há um ano e meio, acusados de rebelião, sedição e peculato por terem organizado, em 1 de outubro de 2017, um referendo de autodeterminação na Catalunha para dar voz ao povo e conhecer sua opinião. Fizeram-no porque, durante sete anos, houve manifestações de milhões de pessoas e porque 80% do povo catalão concorda que esse conflito deve ser resolvido através de um referendo. No referendo de 1 de outubro participaram 2,3 milhões de pessoas e a resposta do Estado espanhol foi enviar a polícia espanhola para impedí-lo com violência, deixando mais de mil feridos. Depois, houve a repressão do governo central, que suspendeu as funções do governo catalão e se apoderou de todas as instituições catalãs.

Há alguns dias assisti ao documentário “El Estado contra Mandela y los otros”. Ao ouvir os testemunhos dos procuradores e dos seus defensores, foi para mim como um déjà vu em relação ao caso catalão. Na África do Sul, mantiveram-se firmes e defenderam os seus ideais de democracia para o povo e de não discriminação contra negros. Aqui, na Catalunha, assistimos a um julgamento de quatro meses, no qual os arguidos também defenderam o direito de decidir o futuro da Catalunha, os direitos de expressão, de reunião e, naturalmente, de poder realizar um referendo. Neste caso, queríamos fazê-lo de comum acordo com o governo espanhol, que não o quer assim. No primeiro caso, em Pretória, enfrentaram penas muito severas, até mesmo a pena de morte, mas isso não os impediu de continuar a defender suas teses com incrível veemência. No nosso caso, também enfrentam penas muito graves, de mais de 20 anos de prisão, que lhes querem impor como vingança, como repressão, para que sirvam de lição contra a causa independentista catalã. É preciso alertar para as políticas restritivas e antidemocráticas que são utilizadas num Estado-Membro da União Europeia, no século XXI, para que estas atrocidades não sejam permitidas.

Maria Rosa Rodrigo Lázaro mrrodrigol47@gmail.com

Barcelona (Espanha)

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SAÍDAS

Do Brexit ao Brêxito. Em 2016, em mal calculado passo, o partido conservador britânico resolveu submeter à consulta popular a saída (exit) do Reino Unido da União Europeia (UE). A iniciativa ficou conhecida como Brexit; isto é, “saída britânica”. David Cameron, o primeiro-ministro da época tinha a convicção de que a permanência na UE iria prevalecer e que o referendo apenas referendaria tal iniciativa. Todavia, os adeptos do Brexit, de forma mais articulada e sonora, levantaram a bandeira de que o Reino Unido tinha muito mais ônus do que bônus com a permanência na UE. Os custos dos recursos que saem são maiores do que os benefícios que entram. Na ocasião, vale lembrar, a Europa enfrentava a crise imigratória que despertara não só sentimentos humanitários em alguns, mas também nacionalistas em outros. Passados três anos, os britânicos enfrentam a maior crise política desde a Segunda Grande Guerra, com votações e motions no Parlamento em Westminster indo a lugar nenhum até agora, salvo sucessivos meetings aqui e ali para prorrogar a saída. Aconteça o que acontecer, o Reino Unido continuará fazendo fronteira física com um integrante do bloco europeu: a República da Irlanda, que se tornou independente há aproximadamente 100 anos. Aliás, foi a partir desta região que o IRA, sobretudo na segunda metade do Século XX, praticou atos de terrorismo político-religiosos, imortalizados na música Sunday Bloody Sunday, da banda U2. Felizmente, a paz foi finalmente selada há 20 anos. Se não houver um acordo para a questão das Irlandas, muitos problemas emergirão não só na frente política, econômica e tarifária. Enfim, um prato cheio para criar no empresário o abominável sentimento de incertezas.

O Brasil tem tudo para sair da recessão com êxito econômico. Seria um Brêxito. Ao contrário da Europa e EUA onde já muito se fez, no Brasil há muito por fazer nas áreas de infraestrutura, além dos setores básicos, tais como saúde, educação e segurança pública. Mas para tal é preciso capital e confiança; ambos ancorados no tripé segurança política, econômica e jurídica, além da desprestigiada responsabilidade fiscal. O investidor nacional, e sobretudo estrangeiro, é como um “pardal de cerca”. Qualquer movimento errado de quem se aproxima, o pássaro voa. Espera-se, pois, que, para o Brêxito, haja um pingo de serenidade dos congressistas para aprovar as reformas necessárias, a iniciar pela impostergável Previdência. Ao chefe do Executivo, espera-se foco no essencial e contenção verborrágica em assuntos periféricos. Os integrantes do Congresso Nacional, amontoados em dezenas de partidos que, depois de eleitos, ninguém sabe a quem representam, precisam demonstrar responsabilidade e clara visão de futuro. Apesar das naturais discussões no campo das ideias, se o básico for seguido com bom senso e espírito republicano, a porta ao Brêxito tende a se abrir, e, por meio dela, possam adentrar as conquistas socioeconômicas e educacionais que tanto se almeja. Cabe-nos torcer para uma honrosa aterrisagem ao Brexit e uma serena decolagem do Brêxito.  

Mauricio Gomm Santos mauricio.gomm@gstllp.com

São Paulo

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EXTINÇÃO DO DINHEIRO VIVO

Dinheiro, um mito em extinção. Todos nós já ouvimos as mais incríveis histórias (verdadeiras ou fantasiosas) sobre o dinheiro e até sonhamos ter muito dinheiro. Também soubemos de casos de pessoas que o guardaram no colchão e perderam para a inflação. O avanço da tecnologia e das comunicações, no entanto, está empurrando cédulas e moedas para o fim. Embora 52% das vendas no comércio ainda sejam pagos com dinheiro vivo, estima-se que 70% dos pagamentos gerais já se processem por  transferências eletrônicas e similares. Cada dia os cartões agregam mais usuários e baixam o valor médio de utilização. O “dinheiro de plástico” paga transporte, benefícios sociais, restaurantes, bares e até a verdura na feira-livre. Calcula-se que em 20 anos, com a maioria da população integrada aos meios eletrônicos, não haverá mais dinheiro. Moedas e cédulas, que existem desde o século VII antes de Cristo, deixarão de circular porque têm custo de manutenção, levam contaminação, podem ser roubadas e, ainda, favorecem a corrupção. As malas e cuecas recheadas de notas apreendidas nos últimos tempos são testemunhas disso. Esconder valores ficará cada dia mais difícil. Assim seja...

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br       

São Paulo  

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DESEMPREGO E DESALENTO

"Sem trabalho eu não sou nada, não tenho dignidade", e dá-lhe depressão e nome sujo. Hoje o quadro das lojas de Sāo Paulo é deprimente, à espera de um movimento que nāo vem. E a "tesoura" sempre à espreita de quem ainda não fechou as portas. Onde havia cinco funcionários, hoje há dois, onde havia três operadores de caixa, hoje há apenas um. O faturamento desabou, queda livre. Estoques baixos, mercadorias consignadas e rupturas: à espera de um milagre. Até o gerente tem que se virar nos trinta, se precisar, pega a vassoura. E a "tesoura" sempre à espreita. Em cada condomínio, casa, em cada família, o drama da falta de emprego e de não poder corresponder financeiramente perante aos seus. Além do mais, não podemos fechar os olhos aos que sucumbem ao tráfico de drogas e ao crime, que tem vagas e "paga bem". Depressões, suicídios, dependência química e desalento. Quando o índice de desempregados é alto (13%), por trás dele, existem vários problemas.

Leandro Ferreira ferreiradasilvaleandro73@gmail.com

Guarulhos

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CUSTO

Conforme pode-se constatar no Portal da Transparência, sem levar em conta todos os tribunais brasileiros, mas apenas os principais em Brasília, temos que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem 11 ministros, 1.738 funcionários e 87 veículos. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), tem 33 ministros, 2.059 funcionários e 150 veículos. O Tribunal Superior do Trabalho (TST), 26 ministros, 2.123 funcionários e 80 veículos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 13 ministros, 1.611 funcionários, sendo 897 funcionários efetivos e 744 cargos em comissão, e 38 veículos.

Tudo isso tem um custo, pago por nós e sem qualquer contribuição pelas citadas elevadíssimas quantidade de funcionários em um regime previdenciário que lhes proporcionará daqui a dez anos continuar recebendo o mesmo valor do cargo que ocupavam quando se aposentaram. Sem a denominada reforma previdenciária, o nosso amado Brasil não suportará os pagamentos e nós continuaremos pagando uma enorme quantidade de elevados impostos/taxas/tarifas.

Fernando Geribello fernandogeribello@gmail.com

São Paulo

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FALTARÁ DINHEIRO

O Poder Legislativo não quer aceitar o óbvio: a cobertura de rombos pelo erário, inclusive os da Previdência, esgotará o tesouro e faltará dinheiro para todo mundo, inclusive servidores públicos de todos os poderes.

José Carlos de Carvalho Carneiro josecarlosdecarvalhocarneiro@gmail.com

Rio Claro

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COMPETÊNCIA X INDICAÇÃO

Por independência e probidade, ministro do Supremo não deveria receber indicação, mas provar competência.

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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DECRETO DE ARMAS

Infelizmente, o presidente Jair Bolsonaro faz decretos sem consultar sua constitucionalidade e ainda desrespeita o Legislativo. Não por outra razão a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado derrubou o decreto de liberação de armas., já que um projeto desta magnitude e complexidade não pode ser decidido por decreto, mas exclusivamente pelo Congresso. Agora a matéria vai para o plenário da Casa...

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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REQUISITO

Caso 'Flordelis'. Constata-se mais um deslize do sistema eleitoral. Candidatos são escolhidos por partidos cuja base não é qualquer requisito de moral, ética e intelecto, mas apenas capacidade de “alavancar” votos. Situação intensificada pela quantidade de partidos puramente caça-níqueis para seus “organizadores”.

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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