Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2019 | 03h00

O BRASIL E AS REFORMAS

Parlamentarismo branco

A magnitude dos problemas econômicos e sociais brasileiros em contraste com a atitude “lavo minhas mãos” do governo Bolsonaro parece indicar ser uma espécie de parlamentarismo branco a saída institucionalmente menos dramática para o País. Conforme dita a velha máxima de que na política não há vácuo, os atores tupiniquins começam a ocupar os espaços vazios. Estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que quase 1/4 dos domicílios brasileiros não possui renda do trabalho. Está aí, no desemprego de mais de 13 milhões de brasileiros, o caráter emergencial da aprovação da reforma da Previdência. Em tese, pois nem o mais dramático dos indicadores econômicos parece ser capaz de sensibilizar a atuação do governo no Congresso Nacional. Se, por um lado, o Executivo não patrocina sequer as próprias pautas reformistas, o Legislativo tem assumido o protagonismo na tentativa de contornar a crise econômica que se arrasta desde 2014, como demonstra a disposição de lideranças da Câmara em acelerar a discussão da proposta de reforma tributária. Bolsonaro e asseclas deveriam rever seu tom agressivo aos parlamentares, pois, se não pelo parlamentarismo branco, a outra saída para a crise institucional que vem se instaurando a cada dia será a mesma experimentada por Collor e Dilma.

ELIAS MENEZES

elias.natal@hotmail.com

Belo Horizonte

Os dois burros

As escaramuças trocadas entre o Executivo e o Legislativo, ansiosos por protagonizar a aprovação de reformas vitais, remetem à conhecida imagem dos dois burros unidos por uma corda, que, ao descobrirem apetitosas touceiras de capim separadas por determinada distância, a elas se dirigem em sentidos opostos e descobrem que a corda que os liga não permite, por seu comprimento, a nenhum deles alcançar o alimento. Depois de tentativas infrutíferas que, se insistidas, determinariam a morte dos oponentes por inanição, resolvem assumir atitude cooperativa e vão para uma mesma moita, alimentam-se e, depois, dirigem-se à outra, o que redunda em benefício para ambos, que, alimentados, se congratulam e comemoram a decisão tomada a tempo de salvá-los da fome. Espera-se que os nossos disputantes se voltem, enquanto podem, aos mesmos objetivos, para benefício geral. Ou preferirão assumir atitudes irracionais que poderão levar o País a um ambiente de impasse destrutivo?

PAULO ROBERTO GOTAÇ

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

Disputa que atrasa o País

O período eleitoral é um momento em que a Nação fica com os nervos à flor da pele. O ideal seria que, passadas a votação e a posse, o ambiente voltasse à sobriedade. Mas o que temos no momento no Brasil é a sequência do clima de campeonato, em que uns falam mal dos outros e o povo sofre as consequências. Entre o que pregam direitistas e esquerdistas estão o endurecimento de regras, intervenção militar, o fim da Lava Jato, a libertação do ex-presidente condenado e outras teses que têm repercussão pública, mas em nada contribuem para a restauração do País ou a melhoria da condição de vida do povo. Mesmo não havendo cargos a disputar hoje, o clima de disputa permanece e atrapalha o avanço das reformas – previdenciária, tributária, política, social – que tanto o governo quanto os congressistas têm a obrigação de executar. Queiram ou não, o momento é de transição. Reformar o Estado e remover a legislação e procedimentos que levaram à crise é fundamental. Sem isso o País quebra e poderá, também, quebrar o sistema político. Alguns Estados e municípios já quebraram financeiramente, outros logo quebrarão e, se o socorro demorar, quebra a Federação.

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES

aspomilpm@terra.com.br 

São Paulo

Reforma para todos

Alguns governadores de Estado não aceitam ser incluídos na reforma da Previdência sem que haja uma compensação financeira e por receio das próximas eleições. Novamente, interesses particulares acima dos da Nação. Isso, sim, é uma formação de quadrilha (não a de festa junina)! 

DARCI TRABACHIN DE BARROS 

darci.trabachin@gmail.com

Limeira

Fazer uma reforma da Previdência apenas para o poder central é absurdo, porque praticamente o País inteiro está quebrado pela gastança governamental nos âmbitos federal, estadual e municipal. E, entre os vários cânceres que nos atingem, o mais maligno é justamente a questão previdenciária do poder público, incluindo autarquias e sociedades de economia mista em todo o País. E a Previdência do setor público tem de ser idêntica à do setor privado. Privilégio e corporativismo corroem a administração pública.

JOSÉ FRANZINI NETTO 

financeiro@gaivota-fiat.com

Araras

2020

PT centro-esquerda?

Tecendo considerações sobre as possibilidades do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições municipais de 2020, o editorial Acredite quem quiser (25/6, A3) dá a dimensão da enrascada em que se vê aquela legenda atualmente: das 27 capitais, o PT aparenta ter chances eleitorais em apenas 4, no Norte e Nordeste. Aqui, em São Paulo, num momento em que a grande maioria parece querer distância do vermelho, os três petistas “prefeituráveis” são notórios comunistas (Carlos Zarattini, Paulo Teixeira e Jilmar Tatto). O PT e seus satélites estão claramente identificados com a revolução socialista e valem-se da ação clandestina de baderneiros e radicais, useiros e vezeiros em questionar as instituições “burguesas”, promoverem greves políticas, interdições de vias mediante o uso de fogo em pneus, incêndio de ônibus, ataques a agências bancárias e outras formas de vandalismo – para não mencionar que esta gente tem a caradura de aplaudir o desgoverno de Nicolás Maduro, na Venezuela, que é boicotado por dezenas de democracias que não o reconhecem. Perde-se, assim, na poeira do tempo, a memória dos idos em que Lula e seus companheiros empolgavam ao vender uma imagem edulcorada do PT de intransigente apego aos valores éticos e à valorização da democracia representativa. Enfim, enganaram enquanto deu. Quanto à assertiva consignada no editorial de que o PT pretende-se “líder do campo da centro-esquerda”, permito-me redarguir que, salvo engano, o PT identifica-se com o PCdoB e com o PSOL, partidos socialistas, de esquerda – a propósito, a vice de Fernando Haddad na eleição presidencial foi Manuela D’Ávila, do PCdoB –, e irmana-se com os regimes ditatoriais de Cuba e da Venezuela, entre outras tiranias de viés marxista mundo afora, circunstância que, a meu juízo, o coloca “oficialmente” no campo da esquerda.

SILVIO NATAL 

silvionatal49@gmail.com

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fins justificando os meios

Abutres na espreita. Na política, a cadeia alimentar se manifesta em sua plenitude, em configurações nefastas ao País; predadores, caças, e por fim os necrofagos, também  conhecidos como carniceiros. Na natureza, a cadeia alimentar tem finalidades específicas e equilíbrio na preservação, concluída com limpeza ambiental e reciclagem. Portanto, renovação saudável, meio ambiente e autossustentabilidade do todo. Um círculo virtuoso. Na política encontra-se o oposto, a perpetuação do status quo e do poder, onde os fins justificam os meios. Portanto, não renovação, poluição moral e ética, e a sustentabilidade de alguns grupos no poder. Um círculo vicioso. Quem diria, um senador condenado, liberado para gozar férias no Caribe; o presidente do Senado dizendo que, se Moro fosse parlamentar seria cassado e preso (piada de mau gosto); um projeto de lei encalhado há dois anos no Senado sobre abuso de autoridade é aprovado agora em sete horas (que agilidade); vazamentos criminosos e a "indignação" calculada do sistema, inclusive por juízes do Supremo Tribunal Federal (STF), notórios frequentadores de "eventos" com patrocinadores e advogados de defesa; parlamentares interessados e processados julgando ministros (bastiões da moralidade); defesa do foro privilegiado; a mídia buscando agulhas no palheiro para inflamar os ânimos contrários, entre outras mazelas. Há cheiro de sangue no ar e carcaças a criar e expor. Os abutres estão à solta, os fins justificam os meios, desde que favoráveis aos interesses do sistema, apegado ainda à tradicional coalizão.

Luiz A Bernardi

luizbernardi51@gmail.com

São Paulo 

Presidencialismo e parlamentarismo

As fragilidades da nossa República. O Executivo insistindo em legislar (por decreto), o Legislativo invadindo atribuições do Executivo e o Judiciário criando ou validando leis como se Legislativo fosse. A nossa República vive contradições que tendem a enfraquecê-la e impedir o avanço político-social. A harmonia dos Poderes é o esperado, para que haja decisões equilibradas e no interesse da sociedade. Executivo e Legislativo devem mirar o interesse público e trabalhar à exaustão para encontrar o consenso. E o Judiciário deve ater-se às suas tarefas de dirimir dúvidas sem jamais inovar ou tolher os outros Poderes. Hoje vemos o Parlamento derrubando o decreto de armas, discutindo a reforma da Previdência e tentando fazer a reforma tributária à revelia do Executivo, o que pode levar ao impasse. O ideal é que todas as medidas surjam do consenso, ainda que difícil de ser alcançado. Não interessa o protagonismo de qualquer deles. As intransigências, vaidades e espertezas podem servir a grupos ou a indivíduos, mas nunca à nação. Vivemos a contradição de ser um país presidencialista e ter a Constituição de viés parlamentarista. O quadro é instável por natureza. Presidencialismo e parlamentarismo não convivem. A insistência pode levar à inviabilidade e esta, à necessidade de novas decisões sobre forma de governo onde a restauração da monarquia, inclusive, deva ser levada em consideração. Se isso vier a ocorrer, pelo menos que não se pense numa monarquia tupiniquim, mas em algo no padrão do Reino Unido (Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales), cuja forma de governo existe há 12 séculos e tem seu formato atual há mais de 300 anos, tendo passado incólume por guerras, ocupação territorial, atos terroristas e catástrofes diversas.

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br                                                                                                     

São Paulo

Comportamento irracional

O governo brasileiro respondeu com bravatas e grosseria ao pedido de diálogo feito pela Alemanha. A França também já advertiu o Brasil sobre a necessidade de cumprir acordos assinados. Tudo indica que o Brasil irá sofrer sanções internacionais por seu comportamento irracional diante das questões ambientais: nada justifica o que o País vem fazendo, o desmonte das agências reguladoras, Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a negação da existência das nações indígenas, a mineração irresponsável destruindo rios inteiros, o esgoto correndo eternamente a céu aberto por todo o País, o uso de agrotóxicos banidos no mundo todo, a obediência cega aos caprichos da bancada ruralista escravocrata. A tudo isso se soma a absoluta incapacidade do presidente Bolsonaro em lidar com visões diferentes das suas. 

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

Apreço por Bolsonaro

No encontro bilateral do do G20, realizado no último dia 28, na cidade de Osaka, no Japão, entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro e dos Estados Unidos, Donald Trump, este e suas agências de notícia, sem dúvida carecem de informações mais corretas ao afirmar que o povo brasileiro ama o seu presidente, ignorando as últimas pesquisas que colocam Bolsonaro numa das piores posições de aprovação do governo de um presidente da República nos primeiros seis meses de governança. Contrariando Montesquieu, Trump precisa saber que no Brasil, Executivo e Legislativo não se entendem. Uma reforma da Previdência se arrasta sem solução definitiva, enquanto o Judiciário e suas turmas (não da Mônica) provocam uma indecisão Jurídica. Enquanto Trump está às voltas com os aiatolás iranianos, capazes de provocar uma guerra nuclear que acabaria por envolver o mundo todo, antecipando a visão do profeta João sobre o Apocalipse, Bolsonaro viaja mais do que os navegadores nas suas aventuras a descobrir novas terras. Mesmo batendo recorde de voos internacionais, Bolsonaro não descobriu nada, só uma forma de proteger parentes e colegas de farda. 

Jair Gomes Coelho

jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

Fila da Corte

Prioridade no Supremo Tribunal Federal (STF). Têmis, a deusa da Justiça, nos é apresentada com uma venda nos olhos para indicar a imparcialidade, a equidade, a ausência de preconceitos. Sua escultura cumprimenta diariamente os ministros do STF. Infelizmente, suas Excelências parecem tê-la relegado ao esquecimento. É impressionante a prioridade que os ministros dedicam a qualquer pleito do presidiário Lula. Ele consegue "furar a fila" da Corte onde mais de 2 mil processos tramitam. Na última terça-feira, 25/6, os pleitos de Lula entraram e saíram da pauta em poucas horas e, não fosse o bastante, contou com o ministro Gilmar Mendes, que se esforçou para conseguir sua liberdade. Acho que a deusa Têmis está voltando às suas origens quando não tinha os olhos vendados. Os deuses estão furiosos e nós mortais também.  

Jomar Avena Barbosa

joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

Posições envelhecidas

O STF impede o amadurecimento do Brasil ratificando posições envelhecidas em detrimento da contemporaneidade, o que talvez represente uma maneira educada de dizer não ao futuro.

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

Abuso de autoridade

Finalmente temos uma nova lei que pune o abuso de autoridade. Louve-se a rapidez com que foi aprovada logo após ter sido posta em votação, coisa um tanto rara no Congresso. Ao que se diz, pune juízes e membros do Ministério Público. Acredito que já havia outra tratando desse assunto, aquela que dá base para que o ministro Sérgio Moro esteja sendo acusado. Espero que, se houver agora realmente duas leis sobre o mesmo assunto, não gerem confusão jurídica. É de se esperar que a nova defina os parâmetros do que seja abuso de autoridade, até porque se não o fizer, e deixar as coisas a análises subjetivas, poderão ocorrer abusos nessas análises subjetivas, ainda que não propositais. Como ela se aplica a juízes, é interessante saber quem terá poderes para aplicá-la aos ministros do Supremo, caso haja necessidade. Acredito que é conveniente que os membros do Congresso editem outra lei abrangendo os abusos de autoridade de todos os que os cometem, inclusive membros do Congresso, e não apenas algumas classes. Caso contrário, será punir apenas uns e outros não, tornando-se, com isso, o Brasil, um país de leis maracutaicas que visam apenas amedrontar aqueles que têm obrigação de apenar criminosos, uma vez que a interpretação do que é abuso poderá ser subjetiva, coisa que espero que não ocorra.

José Carlos

jcpicarra@hotmail.com

São Paulo

Rumo ao precipício

Ao cabo do primeiro semestre do polêmico e claudicante governo Bolsonaro, em vez do número de desempregados diminuir, o que se vê é a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano despencar de 2% para míseros 0,8%, juntamente com a queda da popularidade do presidente, de 67% para 46%. Como se vê, o País segue de vento em proa rumo ao precipício. Pobre Brasil.

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

Reformas

O Brasil precisa de tantas reformas. A principal delas, do Estado paquidérmico e ineficiente. Porém, a de natureza tributária é fundamental para acabar com a guerra fiscal e centralizar a arrecadação, quando Estados falidos e prefeituras insolventes não conseguem sequer pagar a folha dos servidores. Nossa federação chegou ao limite da irracionalidade e para tanto, cogitar apenas a reforma previdenciária não é suficiente para o caos do Brasil.

Carlos Henrique Abrão

abraoc@uol.com.br

São Paulo

Nova cultura

Vamos analisar duas imagens analógicas para providência, Providência e previdência. Primeira: "as formigas são previdentes (prevenidas). Providenciam e estocam alimentos nos bons tempos para não lhes faltar comida nos maus tempos - períodos chuvosos - quando são obrigadas a ficar longos períodos dentro do formigueiro". Segunda: "fulano, hoje, colhe as consequências da esperança passiva, molde psicológico impresso na infância e juventude. Tendo recebido tudo de "mãos beijadas" de seus pais, não se esforçou nos estudos, no trabalho e não teve atitude produtiva e colaboradora. Suas atitudes sempre responderam aos pensamentos alheios. Viveu no mundo quimérico com os braços cruzados à espera de que a Providência lhe trouxesse o maná e de que os outros, menos ele, realizassem tudo."

A questão da reforma da Previdência, tamanha a quantidade de interesses e pormenores envolvidos nas aposentadorias, se arrasta há um bom tempo. A cada ano, provoca um rombo maior nas contas públicas, fato sabido e amplamente divulgado. Tem sido neste primeiro ano do governo Bolsonaro, uma das mais importantes preocupações. São incontáveis análises, comentários e discussões que parecem não ter fim. É também o grande problema econômico e social de inúmeros países mundo afora. Por quê? Porque numa sequência de irresponsabilidades, a maioria deles copiou e adotou sistemas quase idênticos de proteção, benefício e bem estar social idealizados após a 2ª guerra. Grosso modo, trata-se de um sistema financeiramente insustentável, conhecido como pirâmide. A situação imediata das primeiras décadas foi resolvida, mas não houve a preocupação de quem pagaria a conta mais a longo prazo e o que seria feito no futuro para cobrir o custo do benefício, quando poucos teriam que arcar com as despesas de muitos. Deixaram por conta da Providência.

Voltando às imagens, com a das formigas, deduzimos com facilidade que na criação existe um pensamento universal que obriga tudo e todos, inclusive o homem, a se prevenir para o futuro incerto, providenciando o que for necessário para a subsistência. Com a segunda, do fulano que fez poucos esforços na vida, e levando-se em conta que o ser humano não é um animal, pois além da parte biofísica, possui mente, inteligência, sensibilidade, consciência e espírito, subentende-se que cada um deve aprender e deve ser o próprio provedor, o providenciador do próprio futuro. Alguns dirão que não se enquadram nesta imagem, que fizeram tudo como "manda o figurino", ao que responderemos, "ok, mas reveja se fez tudo sem ficar esperando por alguma solução milagreira ou ajuda alheia". Ao que se empenha, busca, trabalha e trata de superar-se a cada dia, a Providência o ajuda. Segundo a Logosofia, ciência do aperfeiçoamento, do conhecimento de si mesmo e da evolução consciente, o que quase ninguém pensa é que para internar-se em regiões desconhecidas, sejam de qual natureza forem, há que tomar as providências e precauções que lhes são próprias. Por isso, quando surgem as dificuldades, muitos maldizem a si mesmos e se lamentam, sem reparar que é preciso se deter várias vezes aqui e acolá para eliminar os elementos adversos que colocam obstáculos no caminho. Tornam-se então oprimidos pelo peso das faltas que tiveram que padecer, pela sua imprevisão, desobediência e ignorância.  A adversidade é uma inimiga permanente e aumenta com os erros que se comete, com as falhas, distrações e ausência de previsão. Se somos estéreis, se nossas mentes permanecem inertes, nada poderemos esperar senão desgraças cruéis e implacáveis que nos perseguirão até o último dia da nossa existência. Ao contrário, promovendo acertos, eliminando os defeitos e imperfeições, chegaremos às portas da ventura.

Podemos concluir que a reforma da Previdência pública deve ser equacionada imediatamente para o bem da nação. Já a da providência, na verdade é a construção de um novo arquétipo, um novo modelo de ser humano, proativo, diligente, voltado para sua superação e para o bem. Dele surgirá um homem íntegro, mais colaborador, ágil, ativo, que sabe resolver por si mesmo os próprios problemas, atuais e futuros; que conhece e é consciente dos seus pensamentos e sentimentos. Entendamos que essa nova modalidade de conduta deverá ser ensinada preferencialmente a partir da infância.

Reformar a providência então, é reconstruir-se, é criar definitivamente atitudes originadas da própria Previdência. Vale lembrar um velho ditado popular que diz que "colhe-se o que se planta". Por fim, a boa notícia é que a mudança para edificar uma nova cultura, formada de seres que bastam a si mesmos em todas as ordens, já está sendo gestada. Dela estão surgindo indivíduos conscientes de que as providências para o futuro, inclusive da que chamamos de aposentadoria, não serão mais tratadas como um problema, mas uma oportunidade a ser encarada como aprendizado no grande caminho que a Providência nos deu a oportunidade de percorrer, a vida.

Luciano Carneiro Tavares

lucianocatav@gmail.com

Belo Horizonte

Conduta do juiz

Aula superficial de processo. Moro adotou o método da abstração, ao invés de falar sob fatos concretos. Juiz fala com as partes, prova ilícita de boa fé pode ser aproveitada segundo um precedente americano (lá vige o direito dos precedentes) e declarações olímpicas de que foi imparcial. Um juiz criminal pode falar com promotor e advogado. Mas não se trata disso. O que importa ver é a substância da conduta do juiz, em relação a um e a outro. Fatos. É evidente que o juiz se aliou à acusação. Bom para o combate à corrupção, ruim para o Estado Democrático de Direito. Não devemos pagar preço de tal ato para punir os praticantes de crime contra o erário público. Uma ditadura poderá propor-se a combater a corrupção e isso não a tornará menos funesta ao processo civilizatório de um povo. 

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

Argumentos pífios

Sérgio Moro com sua pequena espada, mas muito bem afiada, conseguiu destruir o fortíssimo exército da corrupção que assolava impiedosamente o nosso país. Incrível como o grupo do mal com tudo de mais destruidor que existe sucumbiu a esse nosso herói. Certamente agora há intensa movimentação dos antes todo poderosos no sentido de destruir seu acusador. Argumentos pífios são lançados para tentar restabelecer a roubalheira que se espalhava como capim para alegria da turma do mal. Mas os brasileiros do bem estão atentos e essa recente vitória de 3 a 2 no Supremo que bem demonstram a firmeza dos novos momentos. 

Geraldo Siffert Junior

siffert18140@uol.com.br

Rio de Janeiro

Reputação ilibada

Se o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes tem elevado saber jurídico, parece mostrar que não tem reputação ilibada. Ou o contrário... 

Luiz Frid

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

Desafia a lei

O articulista do Estadão e professor de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Denis Lerrer Rosenfield, no seu artigo que discorre sobre o projeto de armas de Jair Bolsonaro ("Estado", 24/6, A2), sensato, e até favorável a possibilidade de armar a população, faz uma avaliação sobre o grave erro que o presidente cometeu quando desafia a lei vigente, querendo impor a sua vontade através de um decreto que o Senado em boa hora derrubou, como certamente também fará a Câmara. Denis Lerrer esclarece que a Lei do Desarmamento em vigor não pode ser modificada por um decreto presidencial, ou seja, "devem ser seguidos os ritos do Estado de Direito". Jair Bolsonaro precisa entender de uma vez por todas que, para dirigir a nação, não vale o que ele pensa e deseja impor à sociedade. Precisa literalmente respeitar a Constituição. Para tal, tem seu ministro da Justiça e até os membros do Supremo para consultar. Assim como, desde a sua campanha eleitoral, disse que não entende de economia e recorre ao bom ministro da economia Paulo Guedes, deveria fazer no caso deste projeto de armas, mas infelizmente não o fez e não consultou o ministro Sérgio Moro. Assim não dá. 

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

Projeto de governança

Essa obsessão por armas e seus usos que o atual governo federal e parte de seus apoiadores apresentam é um sintoma que não nos parece relevante dentro da dura realidade e dos problemas que ora vivenciamos. Cremos que está faltando um projeto de governança mais contextualizado, para que possamos enfrentar efetivamente as grandes vulnerabilidades que ora vivenciamos.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

Punição de militar

Merece punição exemplar o militar, sargento, que, comparticipando de comitiva presidencial, é preso por ter em sua bagagem 39 quilos de droga. Aliás, esse comportamento não condiz com a disciplina e a ética vigentes em nossas Forças Armadas e jamais pode servir de estímulo para outros militares, se a atuação criminosa não for reprimida adequadamente.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

Resposta instintiva

Julgamento dos prisioneiros políticos catalães: mais instinto do que intelecto. As conclusões das acusações (Ministério Público, Conselho Jurídico do Estado e também da acusação popular do partido de extrema-direita Vox) foram devastadoras, forçando a legislação espanhola a encaixar no infeliz discurso que o rei fez contra os independentistas em 3/10/2017. Os imputados pelo referendo de independência de 1/10/2017 são acusados dos seguintes crimes: rebelião (que implica violência e, portanto, inventa que houve violência física e psicológica), sedição, participação em organização criminosa, desvio de fundos e desobediência. Os acusadores apresentam os acusados como manipuladores, desprezando a vontade popular soberana. Não levam em conta o desejo de independência de 2,3 milhões de eleitores, quase metade do censo catalão, porque acreditam que foram levados por pseudo-criminosos a exercer violência física e psicológica. E por todas estas razões, pediram uma sentença dura e exemplar para que não se repita uma tentativa de independência, que na realidade foi impulsionada pelo povo e na qual não houve nenhum tipo de violência física, simplesmente pressão reivindicativa para exigir uma negociação que leve a uma solução democrática na forma de referendo de autodeterminação acordado com o Estado. Dado que consideram que houve violência psicológica, é interessante constatar que, fazendo uma comparação com o segundo clichê freudiano, a acusação baseou-se em argumentos primário-instintivos e racionais mas, de modo algum, em argumentos intelectualmente elaborados, uma vez que faltou uma visão de conjunto. E quando as regras primárias é que regem, a resposta é mais instintiva do que intelectual.

Amadeo Palliser Cifuentes

amadeopalliser@gmail.com

Barcelona (Espanha)

Opinião e novos tempos

"Não sou nada. Nunca serei nada. N?o posso querer ser nada..." Mas entre ofender a gramática e agredir outrem com o meu português ruim lá no Facebook, nada como colaborar com o "rodapé" mais famoso do Brasil. Se o pensamento crítico era lenda no colégio, regado a marijuana, é aqui no Fórum dos Leitores que sinto o seu perfume. O telhado é de vidro, é bem verdade meu caro Quiroga, mas não há nada melhor do que ser contestado e contestar. Opinião, seja na "poesia" do jornal impresso, seja no frescor do portal. Muito além do que rasgar a seda, porém rasgando. Um brinde ao jornal mais democrático da praça, obrigado por dar voz aos sem vozes. Obrigado pelo filtro, pela correção e por não distorcer o objeto do pensamento acelerado. Vivemos em novos tempos, em que muitos "arquitetos" do jornal impresso lá no passado morreram com a dúvida do que seria o jornal no futuro: O jornal sobreviveria com o advento internet? Ei-lo aqui, saudosos. "Na palma da mão para aliviar", mais vivo do que nunca. Provando e comprovando a sua eterna versatilidade em prol de nobres e plebeus. 

Leandro Ferreira

ferreiradasilvaleandro73@gmail.com

Guarulhos

Piada pronta

O Supremo Tribunal Federal (STF) tendo de intervir em abuso de privilégios a senador corrupto, em prisão domiciliar, que ia passar férias em Aruba. Congresso que inverte dez medidas contra a corrupção em medida contra os que combatem a corrupção. Presidente da República que só se preocupa em liberar armas, acabar com multas, desproteger o meio ambiente, tirar recursos da educação, descuidar da segurança de crianças em carros e outras paranóias afins. Um país piada pronta. 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

Prioridade do governo

Se as prioridades do governo são a "descontaminação da ideologia esquerdista" e o agrado aos seus apoiadores em detrimento aos milhões de desempregados e a estagnação da economia... Então deve achar que está no caminho certo. Que pena. 

Maria Ísis M. M. de Barros

misismb@hotmail.com

Santa Rita do Passa Quatro

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