Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2019 | 03h00

DEFESA DA OAB

Papel inestimável

Desde janeiro as mentes lúcidas da sociedade brasileira estão sendo obrigadas a esclarecer e repor a verdade, sobre inúmeras declarações do presidente então eleito. Agora a verdade sobre o papel inestimável da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi reposta, com absoluta procedência e da forma brilhante de costume, por Miguel Reale Júnior (6/7, A2), que honra o mundo jurídico pátrio. Parabéns, Miguel.

ANTÔNIO C. MARIZ DE OLIVEIRA

mariz@advocaciamarizdeoliveira.com.br

São Paulo

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‘Oração aos Moços’ atuais

O artigo do professor Miguel Reale Júnior, ao comentar e reprovar a entrevista do sr. presidente da República à Rádio Jovem Pan a respeito da OAB, cita a Oração aos Moços, de Rui Barbosa. Nessa locução, Rui, paraninfo dos formandos de 1922, disse: “O direito do mendigo, do criminoso, não é menos sagrado do que o dos detentores do poder, pois com os mais miseráveis é que a Justiça deve ser mais atenta”. Resta a questão: hoje os mais miseráveis têm, de fato, uma Justiça atenta, com os mesmos direitos sagrados dos detentores do poder? Como se sentiria, na atual quadra, o advogado baiano?

JOSE ANTONIO S. BORDEIRA

sydreira@gmail.com

Petrópolis (RJ)

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OBRAS PÚBLICAS

Desperdício bilionário

Oportuno o editorial O preço da paralisação (5/7, A3), que mostra a enormidade das quantias – do nosso dinheiro! – investidas (desperdiçadas) até agora e o montante maior ainda que falta para terminar as obras públicas paradas Brasil afora. Falta cruzar esses dados escabrosos com a corrupção transnacional. Deve ser salientado que as multiobras “inventadas” não têm a finalidade a que oficialmente se propunham, elas são iniciadas como forma de arrancar dinheiro dos cofres públicos e distribuir propinas. Será que estou exagerando? E essas obras são propostas e iniciadas contemplando o custo de seu “recheio”? Afinal, quando, e se, forem entregues, além das instalações físicas, precisarão, principalmente, de pessoal. Nas instalações estarão previstas mais propinas, como vimos em processo recente na cidade de São Paulo. Quanto ao pessoal, esse é o aspecto mais problemático, pois demanda despesas fixas para os municípios e os Estados. Aliás, em muitos casos, dada a deficiência dos projetos, é até melhor largar a obra de vez e iniciar outra em outro local, com novo projeto. Triste Brasil!

NELSON MATTIOLI LEITE

nelsonmleite@uol.com.br

São Paulo

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Melhor concluir

Tendo em vista a segurança da matriz de energia elétrica do País, que o governo já gastou R$ 15 bilhões na obra paralisada de Angra-3 e que para concluir a usina e conservação de equipamentos já adquiridos são necessários R$ 10 bilhões, faz todo o sentido acrescentar R$ 5 bilhões a esse gasto a fim de concluir as obras, que já estão 62% prontas.

PAULO MARCOS GOMES LUSTOZA

pmlustoz@gmail.com

Rio de Janeiro

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REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Diferenciados

O presidente Jair Bolsonaro defende aposentadoria diferenciada para policiais, dizendo que o governo errou ao estabelecer a idade mínima de 55 anos para a categoria, e apela ao bom senso dos parlamentares para que atendam à solicitação de diminuí-la, indo na contramão do que dissera antes, que a reforma da Previdência era para pôr todos os trabalhadores no mesmo patamar. Nesse caso ele agiu por interesse próprio, pois essa é uma categoria que o apoia, expondo-se perante os brasileiros sem cerimônia e ainda com alegações esdrúxulas. Se os policiais nunca tiveram privilégios, a grande maioria dos trabalhadores brasileiros também não e continua não tendo. A reforma é para acabar com privilégios, não para criá-los ou perpetuá-los. 

DARCI TRABACHIN DE BARROS

darci.trabachin@gmail.com

Limeira

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Me engana que eu gosto

O presidente Bolsonaro diz que a reforma da Previdência atenderá e será benéfica para todos. Mas os entendimentos mostram que não será bem assim, privilégios serão mantidos e mais alguns, criados. E a conta continuará sendo paga pelos mais pobres, pela base da pirâmide social. Estados e municípios devem ser incluídos na reforma, o Poder Legislativo está com a solução em mãos. Sem mais protelações! Sugiro também que os vencimentos públicos sejam limitados ao teto de 20 salários mínimos, incluídos todos os penduricalhos, e com apenas 13 salários anuais. Para todos.

VALDOMIRO TRENTO

valdomirotrento@hotmail.com

Santos

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Mais impostos?

No Estadão de 4/7, o economista Paulo Tafner aponta uma incongruência: a reforma previdenciária, como proposta, permite obter o famoso tri com o auxílio de aumento de impostos e cancelamento de isenções. Economizar é bem diferente. Aumentar a CSLL dos bancos pode agradar à tribo (numerosa) que os demoniza, mas o efeito previsível será o encarecimento do crédito. A eliminação da desoneração da exportação dos produtos agrícolas já provocou resistências. Melhor seria ater-se ao assunto Previdência.

ALEXANDRU SOLOMON

alex101243@gmail.com

São Paulo

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Deduções do IRPF

O governo estuda mexer nas regras do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), retirando as deduções de despesas médicas (5/7, B5) – plano de saúde, consultas, cirurgias, etc. – e substituindo-as por uma redução das alíquotas. É sabido o descalabro da situação da saúde e o governo cada vez mais se mostra incapaz de solucioná-lo. Na busca desenfreada por financiamentos, põe os olhos e as garras nessas despesas indispensáveis. Olhemos para quem vai chegando à idade de aposentadoria, quando o rendimento diminui e as doenças aumentam, com a necessidade de utilizar mais os serviços médicos – próteses, marca-passo, saúde bucal, equipamentos ortopédicos, fisioterapia, etc. Os planos de saúde não cobrem tudo, temos de complementar. O Estado não fornece a assistência necessária e a aposentadoria é baixa para os egressos da iniciativa privada, que deviam estar isentos do IRPF – tanto a aposentadoria oficial como a privada. O governo quer vestir um santo com a reforma da Previdência e retira o dinheiro dos usuários do próprio sistema. Uma das promessas de campanha do presidente era aumentar o teto de isenção de IRPF dos aposentados para cinco salários, e agora se cala. Entendo o problema de momento, mas não acho que, nesse caso, se esteja aumentando a justiça social. Vejo com muita preocupação esse desespero de arrecadação.

JACI MANOEL DE OLIVEIRA

jaci.oliveira@terra.com.br

São Paulo

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“Mateus, primeiro os teus. Esse ditado reflete bem a atitude de Bolsonaro ao reivindicar direitos para policiais. Mas por atitude semelhante em prol de outra categoria o então presidente dos Correios, general Juarez Cunha, foi demitido e chamado 

de sindicalista”

  

SILVANA JACQUES IBRAHIM / SÃO PAULO, SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

silvanaib10@gmail.com

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“Se o eleitor erra ao eleger um político corrupto, o culpado é o partido que o escolheu como candidato. Estou errado?”

  

VIDAL DOS SANTOS / GUARUJÁ, SOBRE CORRUPÇÃO 

vidal.santos@yahoo.com.br

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CORRUPÇÃO DAS PRÓPRIAS LEIS

O contraditório do momento. O confronto entre justiceiros e democratas é o tema dos atores do teatro da sociedade brasileira atual. Repugna-nos o interesse econômico predominante, o combate à corrupção sempre ilusório fora da democracia. Esvaziamos nosso sangue em favor das liberdades públicas, sem as quais dá-se o viver de escravos das tiranias, ainda que opulentas ao preço de um Estado inimigo. Entre os males, preferimos um ato grave de corrupção a um inocente remetido às galés por abuso de autoridade. Já interesses econômicos grandiosos, sobretudo internacionais, confortados na corrupção das próprias leis, propõem a opressão em nosso país, desde que sejam satisfeitos. Por isso apoiamos o equilibrado projeto de lei que coíbe o abuso de poder de promotores e juízes aprovado pelo Senado Federal. "Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser." (Johann Goethe). 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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ESPETÁCULOS DEPRIMENTES

Entendo que, enquanto não for implantada uma ampla reforma eleitoral, com a introdução do voto distrital e também da possibilidade de "recall", o povo brasileiro estará condenado a presenciar espetáculos deprimentes proporcionados por parlamentares despreparados, mal educados, desprovidos de senso do ridículo e que não podem ser vistos como nossos legítimos representantes. A finalidade do televisionamento das sessões da Câmara dos Deputados e do Senado é no sentido de proporcionar aos cidadãos o acompanhamento do desempenho daqueles que foram eleitos com a missão de lutar pelo aprimoramento das condições de vida da nação nos seus mais diversos aspectos e não para servir de oportunidade para que medíocres de plantão tenham seus minutos de visibilidade, merecendo apenas os aplausos dos crédulos que neles votaram.

Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém

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CONTINUAÇÃO DA LAVA JATO

A Lava Jato que incomoda. Brilhantes Dallagnol, Galvão e Welter no Espaço Aberto de 6/7. O texto é muito claro quanto à necessidade de continuação da Lava Jato, seus resultados e futuro incerto, por conta de hackers que agiram para desmoralizar a operação. Procuradores, continuem esse trabalho, sem medo, por favor: o País agradece.

Catarina Gomes D'Abreu cathi.dabreu@uol.com.br

São Paulo

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JUSTIÇA

Por que a OAB defende a inviolabilidade de celular de advogado de criminoso confesso como Adélio Bispo, enquanto apoia escutas clandestinas no celular daquele que está desvendando a corrupção em nosso país, responsável pela devolução de milhões de dólares aos cofres públicos? A quem interessa essa justiça lenta com tantos recursos? Ao infrator que tem sua pena postergada indefinidamente, ou ao advogado que vê seus honorários se multiplicarem, também indefinidamente? Quando essas questões puderem ser respondidas sem subterfúgio, com certeza não precisaremos mais recorrer aos tempos de Rui Barbosa para defender uma Justiça com j maiúsculo em nosso país.

Ricardo Daunt de Campos Salles dauntsalles@uol.com.br

Espírito Santo do Pinhal

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EXPLICAÇÕES

É lamentável e até mesmo humilhante que os procuradores da Lava Jato tenham que vir a público dar explicações sobre a prática do bem. Nenhum dos criminosos que nos assaltaram, que amputaram nossos sonhos, que tiraram nossa saúde, nossa educação tiveram que se explicar. Pode ter havido excessos, mas como agir com máfias organizadas e protegidas pelos próprios poderes do Estado e que dispunham de todos os benefícios legais para livrá-los das barras dos tribunais? Neste país não é só difícil  ser honesto, mas mais difícil ainda é que nos seja permitida a prática da honestidade.

Fernando Hintz Greca greca.fernando@gmail.com

Curitiba

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PREÇO POLÍTICO

Higidez. O Congresso Nacional, enxergado à distância, se assemelha a uma estrutura homogênea, intitulada instituição, cuja saúde é necessária para que o sistema geral, do qual é subsistema, avance sob forma de prosperidade e bem estar de seu elementos individuais, tudo dentro de um ambiente o mais democrático possível. Todavia, frustrações surgem quando são focalizados detalhes moleculares de seu funcionamento e se verifica, por exemplo, que muitos dos seus elementos básicos agem de forma a deteriorar a higidez geral do organismo, através da busca, a todo custo, de espaço vital particular, e da necessidade de evitar prejuízos para a sobrevivência no poder - preço político -, sem se importar com as respectivas consequências nocivas para o futuro do todo. As imprescindíveis reformas estão no momento sofrendo procrastinações e podas castradoras que poderão gerar sérias  repercussões, a médio prazo, até para o bom funcionamento democrático do País. 

Paulo Roberto Gotac pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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DESESTÍMULO DA CORRUPÇÃO

O Brasil tem jeito, mas os obstáculos são grandes. A corrupção irriga os malfeitos que florescem em todas as áreas. A corrupção é silenciosa e mortífera. A desfaçatez da maioria dos envolvidos em corrupção, mesmo diante de claras evidências comprovadoras, é se dizer inocente, perseguido. Daí a corrupção ser o pior dos males, causadora de malefícios generalizados. Para desestímulo e eficiência no seu combate, deve-se confiscar os bens dos corruptos e dos corruptores.  

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES) 

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LIBERDADE ECONÔMICA

Um jornal de grande circulação publicou o que algumas entidades denominaram "expressão de opinião", mencionando a MP 881, também conhecida como MP do bem. Eles afirmam o que já conhecemos, a intromissão do Poder Público sobre tantas coisas com a desculpa de querer proteger os cidadãos, mas que mais atrapalham do que ajudam. De minha parte, eu agrego que essa "proteção" tem custos, seja pela propina que nos pedem para "facilitar" nosso processo ou, se resistirmos aos corruptos, aos anos e anos que teremos que esperar para que nossos direitos sejam reconhecidos. Voltando à publicação, esse é o preço que pagamos e que nos leva a, entre 190 países, sermos o 137 nos registros de marcas e patentes, o 150 na abertura de empresas e, pasmem, o 175 no licenciamento de construções. Temos que nos libertar desse polvo da burocracia que nos sufoca!

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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PRIVILÉGIOS

Privilégios deveriam ser banidos da política, das artes, do meio empresarial, do jornalismo, das academias de ensino, enfim, de tudo. Eles desconstroem sensos, conferem (suposta) invencibilidade, ou quando menos, atestam a superioridade de uns sobre os outros. É a palavra a ser evitada, esquecida, aquela que fomenta desigualdade e segregação, chegando em muitos casos, a naturalizar a corrupção.  

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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'EQUÍVOCO'

Não obstante os esforços para aprovar a reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro insiste com suas lambanças. Disse que o texto aprovado "tem equívoco". Para não ficar mal na foto, protege algumas categorias e assim dificulta ainda mais a sua aprovação. Ora, o descompromisso do presidente é direcionado aos "amigos do rei", em total desacordo com as promessas de campanha, num autêntico "toma lá, dá cá". Infelizmente, é o que temos para hoje.

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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IGUAIS PERANTE A REFORMA

No Estado Democrático de Direito, todos são iguais perante a lei, como determina a Constituição. Em sendo assim, todos devem ser iguais perante a reforma da Previdência, sem distinções, favorecimentos e diferenciações.

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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PLANO DE GOVERNO

A tramitação do projeto do governo Bolsonaro mostra muitas divergências e posicionamentos contrários, inclusive de aliados do governo. O presidente chegou ao ponto de tentar ajudar o sistema policial e não foi atendido. Ficava mais uma vez evidenciada a necessidade de um entendimento prévio com os mais diferentes segmentos sociais diante de uma legislação que é muito complexa. É mais uma demonstração de falta de um plano de governo, que não pode ficar ligado apenas a interesses corporativos.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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PAIXÕES DIVIDIDAS

Esse atual momento político que vivemos, em que uma dicotomia divide parte da população brasileira, é emblemático de nossa tradição nesse setor. No passado já tivemos semelhantes divisões de paixões, que só serviram para retardar o processo de desenvolvimento do País. Urge, portanto, que nossas legítimas lideranças superem essas enganosas posturas, rumo à superação de fato de nossas grandes vulnerabilidades, que ficam emperradas em falaciosas posturas de lutas políticas.

José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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CAMINHO DO BOM SENSO

A imprensa tem registrado manifestações sobre candidaturas à presidência em 2022: reeleição e nomes em potencial, com Maia apontando Doria e Hulk, além de sua própria candidatura, ao lado de reedição Bolsonaro e Haddad. Mas muita água ainda vai rolar nestes próximos três anos e meio. 2022 Será o ano em que a nação brasileira escolherá o melhor de seus filhos, para, com inteligência, cultura e sabedoria de estadista, conduzir o Brasil ao lugar que seu sofrido povo merece. Já tendo experimentado centro, esquerda e direita, escolherá o caminho do bom senso. É o que toda a nação espera. Podemos até recorrer à Bíblia: "Ensina-nos a contar os nosso dias, para que alcancemos um coração sábio". (Salmo 90:12)

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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CENÁRIO POSITIVO

Queiram ou não, notamos que nestes primeiros seis meses do governo do presidente Jair Bolsonaro, o País está tomando um rumo certo e com grandes chances de ganhar o seu lugar entre as grandes nações. Isso se deve a uma maior conscientização do quadro político e da sociedade civil. Convém observar que o presidente da Câmara de  Deputados Rodrigo Maia e o governador do Estado de São Paulo João Doria já estão de olho na cadeira presidencial a ser disputada em 2022; a concorrência também é um sinal de que o cenário já é positivo.

Jose Millei millei.jose@gmail.com

São Paulo

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REVERSÃO DE RETROCESSO

A Jair Bolsonaro ainda não caiu a ficha de que é presidente da República. Talvez enciumado com o protagonismo do Congresso, que, com a inércia do Planalto, felizmente aprovou o relatório da reforma da Previdência, no mesmo dia da votação na Câmara, como se não tivesse mais nada para fazer por este País, com 13 milhões de desempregados, se prestou a fazer declarações de incentivo ao trabalho infantil. Disse "não ter sido prejudicado em nada por ter trabalhado na infância" e que o "trabalho enobrece". E é verdade, desde que as crianças e adolescentes deste País não parem de estudar e, de preferência, concluam até o Ensino Superior. Ora, presidente, eu também comecei a trabalhar aos 11 anos de idade e aos 15 tinha carteira assinada. Num tempo como o seu, em que as escolas públicas eram de alta qualidade e em que o ensino primário se concluia com apenas 4 anos de estudo (hoje fundamental, com 9 anos), e era possível, com a produção das empresas praticamente artesanal, encontrar um bom emprego e construir uma boa carreira profissional. Porém, levantar essa questão agora, quando ainda temos no Brasil, conforme pesquisa do IBGE, 2,4 milhões de crianças e adolescentes trabalhando em condições até subumanas, apesar da fiscalização, é uma estupidez. Além das leis vigentes, que são muito boas e repudiam o trabalho infantil, muito melhor faria o presidente, se no lugar deste improdutivo ministro da Educação, colocasse alguém com comprovada experiência na área que permita impulsionar o nível de aprendizado dos nossos alunos. E investisse urgente, e não a passo de tartaruga como ocorre hoje, para que até no ensino médio o período escolar seja integral, com mais escolas profissionalizantes. O presidente ignora que há mais de 30 anos as transformações tecnológicas vêm mudando com a velocidade de um carro da Fórmula 1 e não será estimulando o trabalho infantil, somado aos mais de 40 milhões de brasileiros analfabetos ou semianalfabetos que a nossa produtividade, hoje medíocre, vai alavancar o desenvolvimento econômico e social desta nação. Essa é tarefa para vários governos. E o atual de Bolsonaro tem a responsabilidade de urgente promover, com um Ministério da Educação capacitado, e não este que nos envergonha, a recuperação do grande retrocesso na área que vem desde os meados dos governos militares de 1964. 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO

Campo de concentração, hoje? Poucas pessoas conhecem a origem dos campos de concentração e de quem denunciou tudo, pela primeira vez, ao mundo. O Império Britânico entrara em conflito armado com duas nações Bôer, a República Sul-Africana e o Estado Livre de Orange, sobre o domínio da África do Sul. A Segunda Guerra dos Bôeres (1899-1902) era consequência direta da Primeira Guerra dos Bôeres (1880-1881), que tinha durado pouco mais de três meses. Neste segundo conflito, que durou dois anos e meio, os bôeres iniciaram violenta guerrilha. Os britânicos queimaram fazendas e plantações, envenenaram a água, destruíram casas e enviaram milhares de pessoas para campos de concentração. A enfermeira britânica Emily Hobhouse (1860-1926) era delegada do Fundo de Socorro de Crianças e Mulheres da África do Sul. Em 1901, ela visitou alguns campos de concentração. Hobhouse empreendeu campanha ativa de denúncia das condições dos campos de concentração, em que mulheres e crianças morriam de fome e por causa de doenças simples. As fotos causaram enorme choque, mas controvérsia na Grã-Bretanha por causa da crítica ao esforço de guerra. Seu relatório de 15 páginas provocou uma série de recomendações por parte do governo britânico, tais como a melhora da dieta e de equipamentos médicos. Apenas um carregamento de suprimento foi encaminhado para um campo de concentração. Entretanto, Hobhouse foi impedida de desembarcar de volta na África do Sul. Após ser repatriada para a Inglaterra, ela mudou-se para a França, onde escreveu o livro O impacto da guerra sobre sua experiência sul-africana.

Poucas pessoas lembram da origem dos campos de concentração no Brasil e quem mencionou o assunto pela primeira vez na literatura brasileira. Os campos de concentração no Ceará (mais conhecidos como currais do governo) foram locais para onde foram levados os flagelados das secas de 1915 e 1932. A escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) retratou a seca de 1915 no romance O Quinze, publicado em 1930. O primeiro campo de concentração foi no Alagadiço, perto de Fortaleza. Cerca de 8 mil pessoas ficaram sob vigilância de soldados. O temor era a invasão e saques na capital, como os ocorridos na Grande Seca (1877-1879). Em 1932, seis campos de concentração foram estabelecidos no interior do Estado e, portanto, bem longe da capital. Quase 74 mil pessoas ficaram isoladas e milhares morreram de fome e por causa de doenças.

Os campos de concentração estão sempre associados na memória coletiva à Segunda Guerra Mundial. Adolf Hitler assumiu como chanceler em 30 de janeiro de 1933. O Reichstag (parlamento alemão em Berlim) foi incendiado em 27 de fevereiro. Em março, o combatente jornal Münchener Post foi invadido e destruído. Nesse mesmo mês, o campo de concentração de Dachau recebia os primeiros prisioneiros políticos: comunistas, social-democratas, sindicalistas e adversários políticos do regime nazista. A imprensa ocidental não reconheceu o perigo iminente e nem houve grandes repercussões. Outros países também tiveram campos de concentração, como foram os casos de Espanha, França, Itália e Japão. As circunstâncias da guerra também levaram à criação de campos de concentração para alemães e japoneses, nos Estados Unidos e no Brasil. Caso de grande impacto mundial ocorreu na União Soviética que, entre 1923 e 1961, manteve sistema de campos de trabalho forçado denominado gulag. Em tais lugares, havia tanto criminosos comuns como dissidentes políticos, religiosos e estrangeiros. O escritor Alexander Soljenítsin (1918-2008) foi prisioneiro durante vários anos. Seu livro O Arquipélago Gulag tornou-se o mais importante relato de denúncias sobre os tempos de Josef Stalin (1878-1953).

O tema campo de concentração continua muito atual, em pleno século 21. A China estabeleceu "campos de reeducação" para milhares de muçulmanos uigures em Xinjiang. A legalização de campos para "reeducar" muçulmanos tem como objetivo promover doutrinação e lavagem cerebral. O programa de internamento visa mudar o pensamento político e apagar as crenças islâmicas e moldar a própria identidade. Recentes imagens de satélites foram analisadas e estas indicam que três "campos de reeducação" estão em construção no Tibete. Há risco iminente de prisão em massa de tibetanos budistas. A indagação do início do artigo é, portanto, um alerta diante do aparente esquecimento sobre o assunto.

Luiz Roberto lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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POEIRA ESCONDIDA

Itatiaiuçu, Brumadinho, Barão de Cocais e Bento Rodrigues estão ou estavam em rota de colisão com os dejetos das barragens das mineradoras. Que se danem os moradores dessas cidades. Eles que tratem de sair correndo enquanto é tempo. Só mesmo no Brasil é possível conviver tanto tempo com uma situação grotesca como essa. As autoridades nada fazem antes das tragédias. Os esforços são mostrados após "derramamento do caldo". O desrespeito com as populações dessas cidades é imenso. Escondeu-se por muito tempo a poeira embaixo do tapete, mas a verdade começou a aparecer e da pior forma possível. Já contabilizamos centenas de vítimas fatais. O que mais falta acontecer?

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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DESMATAMENTO

Reflorestamentos e desenvolvimento social e econômico: O atual ministro do Meio Ambiente tem o desplante de afirmar que "desmatamentos estratégicos" - algo que não existe - são importantes para o aumento da produção agropecuária - a economia - do Brasil. Tanto ele como as ONGs ambientalistas, que se omitem, sabem que se trata de desavergonhada mentira. Não cabe aqui um eufemismo para abrandar a constatação. Também a formulação de "desmatamentos ilegais" constitui uma farsa oficial: Primeiro, porque o bioma acaba, qualquer que seja, mesmo que no início seja vasto; segundo, porque não há notícias de desflorestamentos ilegais serem punidos. Sabe-se hoje que o agronegócio atende à demanda atual e que via aumento de produtividade atenderá à demanda futura. Estes fatos são amplamente divulgados, de forma que é impossível que ministros e ONGs não os conheçam. A cidadania já fez muito em se manifestar pela reforma da Previdência e pelo combate à corrupção. É pedir demais que se indigne também pela calamidade do tratamento dispensado à natureza e às mudanças climáticas. Fato é que o governo é refém da bancada ruralista na votação de reformas. Então o governo assume atitudes prejudiciais ao País e à humanidade. Incrível é a falta de articulação contra este crime na mídia e na sociedade civil, as ONGs, que parece estar comprada pelo governo. Enquanto isso, se desmata 90 km x 90 km só de Floresta Amazônica por ano. Dói.

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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JOÃO GILBERTO

Morreu o gênio. Essa designação cabe a ele, o criador da bossa-nova, a voz perfeita, o violão inconfundível. Uma pena que no final de sua vida o que mais sabíamos a seu respeito era das incontáveis brigas que envolviam seus herdeiros.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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