Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 03h00

O 9 DE JULHO

Revolução Paulista de 32

Comemoremos esta emblemática data, relembrando em poucas palavras os fatos da época, quando São Paulo lutou bravamente pela elaboração e aprovação de nova Constituição para o nosso país. O movimento iniciou-se no dia 9 de julho de 1932 na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Por marchas, contramarchas e traições de aliados, após muitas mortes, terminou em 2 de outubro do mesmo ano, quando as forças federais depuseram o então governador de São Paulo, Pedro de Toledo. Ao revés do que parecer possa, a luta perdida por falta de armas e de estrutura marcou uma vitória consagradora, de vez que poucos meses depois, em 3 de maio de 1933, houve eleições para a Constituinte, tendo-se promulgado em 16 de julho daquele ano uma nova Carta Magna, retornando a vigorar plenamente o regime democrático no Brasil. Como soam os versos imortalizados por Guilherme de Almeida, “Bandeira da minha terra,/ bandeira das treze listas”... Ao ensejo, envio meus sentimentos à família do dr. Paulo Bomfim, príncipe da poesia brasileira, falecido no domingo. Por pouco sua morte não foi em 9 de julho, que ele tão bem comemorou e representou por meio de seus poemas memoráveis.

JOSÉ ROBERTO CERSOSIMO

jrcersosimo@uol.com.br

São Paulo

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Guilherme de Almeida

Este 9 de julho marca também o cinquentenário da ausência física de Guilherme de Almeida, o poeta de 32. Numa predestinação que só a musa Clio poderia cometer, julho, mês da epopeia paulista, é também o de nascimento e morte de Guilherme. De polivalência renascentista, foi também advogado, tradutor, compositor, crítico cinematográfico, teatrólogo, roteirista, publicitário, desenhista e durante anos cronista do Estado. O Museu Casa Guilherme de Almeida e o Colar Guilherme de Almeida, instituído pela Câmara Municipal de São Paulo como premiação cultural da cidade a partir de 2015, perpetuam sua memória e sua obra. Em 1946 Guilherme de Almeida escreveu sobre a bandeira paulista: “Volta a nós vigilante,/ mãe, esposa, irmã, amante,/ noiva e filha, volta, pois./ É preciso que proves/ que existiu um nove/ de julho de trinta e dois”. 

JOSÉ D’AMICO BAUAB, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

josedb02@gmail.com 

São Paulo

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Lembranças

O dia 9 de julho sempre muito festejado por paulistas e paulistanos. No Mausoléu aos Heróis da Revolução Constitucionalista de 32 sempre se apresentava a então banda de música da extinta Força Pública, hoje Polícia Militar, tocando marchas muito conhecidas. Lá também encontrávamos o poeta Paulo Bomfim declamando poesias de Guilherme de Almeida, o “Príncipe dos Poetas”. E lá estávamos sempre também o meu pai e eu, um menino, tomando uma grande aula de brasilidade, com a marcha dos velhos ex-revolucionários. Assistíamos a isso por muitos anos seguidos. 

JOSÉ PIACSEK NETO

bubanetopiacsek@gmail.com

Avanhandava

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MEIO AMBIENTE

Enxurradas e poluição

Reportando ao editorial Tietê, responsabilidade de todos (7/3, A3), acrescento que também a denominada poluição difusa, fruto em grande parte de nossa deseducação ambiental, continua a ser a principal fonte de poluição de nossos rios, notadamente a visível. Ela é oriunda da “lavagem” das ruas pelas chuvas, que carreiam toda sorte de sujidades para os cursos d’água, que se transformam em verdadeiros lixões a céu aberto. Por ocasião das grandes chuvas, é comum ver sacos de lixo que estavam nas calçadas boiando nos leitos carroçáveis sendo desmantelados pela enxurrada, ganhando a galeria de águas pluviais, que, quando não entupidas ainda, direciona toda a sujeira aos rios Pinheiros e Tietê, destino final desses dejetos. Há algum tempo era possível ver em algumas ruas de São Paulo “gaiolas” metálicas suspensas onde eram colocados os sacos de lixo a salvo dos alagamentos, pois ficavam em nível superior ao das calçadas. Mas essa solução foi descontinuada sob a alegação politicamente equivocada de que atrapalhava a mobilidade urbana. Urge, pois, retomar urgentemente essa boa ideia para que ao menos melhore a estética de nossos principais rios, cartão-postal da nossa metrópole. 

JOSE EDUARDO W. DE A. CAVALCANTI, engenheiro

jewac@bol.com.br

São Paulo

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SANTAS CASAS

Dura realidade

O editorial A agonia da saúde pública (7/7, A3) e o artigo Santas Casas, de Denis Lerrer Rosenfield (8/7, A2), mostram a realidade dos hospitais filantrópicos, que estão empenhados na gestão de suas estruturas e lutam pela revisão dos valores dos serviços contratados pelo SUS em busca de sustentabilidade, mostrando assim a defasagem da tabela de remuneração. Podemos afirmar que o setor filantrópico brasileiro fornece o serviço de saúde mais completo e eficiente com os custos mais baixos do sistema, além de serem fundamentais no atendimento assistencial à população.

ANTONIO PENTEADO MENDONÇA E CARLOS AUGUSTO MEINBERG

meinberg@santacasasp.org.br

São Paulo

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Crime hediondo

Toda verba que seria destinada à saúde, mas foi desviada, tomou rumo incerto e duvidoso, deveria ser seriamente rastreada até chegar ao ladrão, que teria de dar conta de cada centavo, devolver ao erário e ir pro xadrez sem dó nem piedade. Esse crime precisa, com urgência, ser considerado hediondo.

ARNALDO DE ALMEIDA DOTOLI

arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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PREFEITURA PAULISTANA

Albergues

É entristecedor saber que somente depois de algumas pessoas terem morrido de frio na cidade de São Paulo as informações sobre as reais condições dos abrigos – que deveriam estar preparados e acessíveis durante o ano todo para evitar que tragédias como essas, que se repetem todos os anos – chegam ao público, expondo assim a falta de administração e previdência no manejo desses locais. Vimos também que algumas pessoas em situação de rua gostariam de retornar aos seus lugares de origem e com o fornecimento das passagens poderiam se juntar às suas famílias.

VERA BERTOLUCCI

veravailati@uol.com.br

São Paulo

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Semáforos 

As quantias fabulosas recebidas das multas de trânsito não permitem a troca de semáforos da cidade, que infernizam os paulistanos há décadas?

LUIZ FRID 

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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“Um torneio importantíssimo, acompanhado pela mídia mundial, uma seleção campeã, com jogadores orgulhosos por representarem e se identificarem como o escrete canarinho (boa essa!) e a autoridade-mor presente. Comemorações pelo País se juntam às festas juninas. Assim, de volta a Brasília só no dia 16, que ninguém é de ferro... Viva o título!”

GUTO PACHECO / SÃO PAULO, SOBRE A CONQUISTA DA COPA AMÉRICA PELO BRASIL

jam.pacheco@uol.com.br

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ESTADISTA E DEMAGOGO

A propósito do oportuno editorial “O que faz um estadista” (“Estado”, 7/7, A3), cabe citar a velha e sábia frase de Winston Churchill: “A diferença entre um estadista e um demagogo é que este decide pensando nas próximas eleições, enquanto aquele decide pensando nas próximas gerações”. A esta altura dos primeiros seis meses do errante e polêmico governo Bolsonaro, quando, de forma prematura, já revela sair candidato à reeleição em 2022, desdizendo o que prometeu em sua campanha eleitoral, as palavras do estadista britânico, um dos maiores nomes da história política do século 20, não poderiam soar mais oportunas e verdadeiras. Com efeito, o Brasil precisa urgentemente eleger um estadista à altura de seu gigantesco potencial ainda mal explorado. Alguém se habilita?

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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MOSTROU A QUE VEIO

Quem tem um Paulo Guedes e um Sergio Moro já cumpriu seu papel de estadista e mostrou a que veio. Uma andorinha só não faz verão.

Manoel Braga manoelbraga@mecpar.com

Matão

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PERFIL

O editorial do Estadão, com título “O que faz um estadista”, deveria servir de espelho para Jair Bolsonaro. Se tiver humildade e desejo de fazer o melhor pelo País, somente atingirá o objetivo de se tornar um estadista se souber ouvir e dialogar com representantes das nossas instituições, principalmente com o Congresso. Como bem sugere o editorial, “quem ambiciona ser estadista deve ter clara visão de mundo e deve se perguntar se essa visão é mesmo a melhor para o País que pretende governar” e que “o verdadeiro estadista não é o que manda, mas, o que governa”. Sinceramente, o nosso presidente, infelizmente, até aqui, está longe desse perfil. Avesso ao diálogo, acha que dialogar com a classe política é o mesmo que fomentar a corrupção. Num evento nesta última sexta-feira, falando sobre o relatório aprovado da reforma da Previdência, declarou que estaria aberto a dialogar com parlamentares desde que de forma “civilizada”. Ora, um estadista que se preze jamais utilizaria essa expressão se dirigindo à classe política de seu País, mesmo que tivesse razão para tal. Bem lembra o jornal que Jair Bolsonaro se gaba em dizer que só deve lealdade ao povo que o elegeu, que inclusive é seu “patrão” e despreza a legitimidade dos 81 senadores e 513 deputados federais que também foram eleitos por esse mesmo povo, e a eles devem também lealdade. O presidente, soberbo e autossuficiente, acha que somente ele tem legitimidade para representar o povo brasileiro. Para demonstrar que Bolsonaro foge das questões primordiais ao País, o Estadão fez um levantamento de quantos minutos falou na nova Voz do Brasil, desde o mês de março, sobre os 50 temas mais abordados por ele durante o programa. É de estarrecer constatar o que mais priorizou. Em primeiro lugar, pesca, em segundo, internet, em terceiro, armas, em quarto, relações exteriores, em quinto, Código de Trânsito, e apenas em sexto lugar está a Previdência; e em oitavo, educação. Já a privatização, ficou em 28º lugar. E, pasmem, investimentos e empregos, em 44º. Ou seja, Previdência, educação, investimentos e empregos, que deveriam ser prioritários, infelizmente, estão na rabeira do interesse de Jair Bolsonaro. Esse não é o perfil de um estadista.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos 

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ASSUNTOS PREFERIDOS

O presidente Jair Bolsonaro, contrariando uma promessa de campanha, já articula a sua reeleição em 2022, quando pretende almejar mais quatro anos de mandato. Evidentemente, até lá, os eleitores que o elegeram em 2018 vão preferir um candidato que fale mais das reformas que precisam ser feitas, dos empregos que precisam ser gerados e menos da pesca, internet e armas, de preferência aquele que não tenha filhos e guru que coloquem pedras no caminho.

José Carlos Degaspare degaspare@uol.com.br

São Paulo

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REPRESENTATIVIDADE

No editorial “O que faz um estadista” vejo alguns pontos que dão interpretações diferenciadas. Alega-se que Bolsonaro encaminhou reforma da Previdência desprezando a reforma de Temer. Nesta, a economia seria de R$ 600 milhões, naquela, de R$ 1 trilhão. Não seria esse o motivo da mudança? Afirma-se que a vontade do povo é melhor representada no Congresso do que no Planalto. O presidente foi eleito com 57 milhões de votos, na Câmara o deputado eleito mais votado teve 1 milhão de votos. Por outro lado, analisando a representatividade na Câmara, teríamos que abordar outros tópicos. Está a representatividade na Câmara garantida com o atual critério de distribuição de cadeiras por Estado? Explico-me. São Paulo tem cada deputado representando 650 mil eleitores, Roraima 75 mil, Amapá 100 mil, Acre 112,5 mil, Tocantins 200 mil, Santa Catarina 443,75 mil, Pernambuco 380 mil. É esta uma representatividade correta? É de fato o Congresso quem expressa da melhor forma a vontade do povo? Lembremo-nos, ainda, que na atual legislatura somente 27 deputados estariam eleitos com votação própria, todos os demais 486 assumiram suas cadeiras devido a critérios discutíveis de atribuição de representatividade. É esta a melhor representatividade do povo? Um exemplo gritante mostra-se pelo presidente da Câmara. No Estado dele o mínimo de votos a garantir uma cadeira foi determinado em 126 mil. Ele obteve 74 mil votos.

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas 

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A QUEM INTERESSA A IGNORÂNCIA

“Não existe um governo corrupto numa nação ética, nem há uma nação corrupta onde exista um governo ético e transparente”, Leandro Karnal. Com mais de seis meses de gestão sem que tenha produzido ações e fatos que justificassem algum suspiro de progresso, o governo Bolsonaro começa a conviver com uma forte desconfiança de setores da sociedade, incluindo alguns de seus aliados e dos organismos internacionais. Claro que alguns de seus eleitores ainda resistem a acreditar no pior, no fracasso do capitão. Para tanto, agem como se ainda estivessem durante a campanha eleitoral, rechaçando as críticas e fazendo comparações com o governo petista (fora do poder há quase três anos), tentando se iludir até a última gota de esperança. 

Surge na França num artigo do conceituado jornal Le Monde, a tese de que caminhamos para uma “Idiocracia” no governo Bolsonaro. O texto diz que a situação do País evoca preocupações “ligadas ao nível intelectual de Bolsonaro, à frente do Estado desde 1º de janeiro, e têm a ver com o caos que o presidente mantém, alimentando-se de controvérsias triviais e vulgares nas redes sociais, atacando a cultura, as ciências sociais e humanas, cortando orçamentos universitários e mantendo uma obsessão marcante com assuntos fálicos em detrimento do avanço de reformas cruciais”.  O Le Monde cita ainda as polêmicas envolvendo filhos do presidente e o “guru”do governo, Olavo de Carvalho, que “divulgou a suposição de que a Terra seja plana”. Segundo o Le Monde, entretanto, pode ser perigoso questionar a racionalidade do governo. “O nível intelectual de Bolsonaro é questionado pela imprensa e alguns de seus compatriotas, mas o caos que ele mantém pode ser parte de sua estratégia política”, diz. 

A julgar pela forma como nossa sociedade vota, elegendo corruptos, despreparados, analfabetos e pessoas sem a mínima condição de atuar nos poderes Legislativo ou Executivo, podemos acreditar que caminhamos celeremente para uma idiocracia pura em todos os sentidos. Aqui no nosso país percebemos a adesão por muitos nas redes sociais da tese de que as vacinas não devem ser aplicadas por que podem levar as crianças a adquirirem autismo. Além da discussão sobre a Terra não ser redonda e sim plana, temos também setores do governo afirmando no exterior que o nazismo é de esquerda e que não houve ditadura militar no Brasil entre 1964 e 1985. A quem interessa essa onda de ignorância? Para quem serve pregar a escuridão, o ódio e a desinformação?

Rafael Moia Filho rmoiaf@uol.com.br

Bauru 

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TENDÊNCIA CRESCENTE

Após seis meses de governo, não há como negar que o presidente Jair Bolsonaro, inoportuno no falar, tachado de politicamente desarticulado pela maioria dos analistas especializados, tosco na oratória e engalfinhado com as travessuras dos “seus meninos”, entre outras “deformidades”, está conseguindo, aos poucos, recolocar o Brasil na dimensão a que faz jus, elevar a intensidade da sua voz de modo a que volte a ser ouvido pela comunidade internacional, introduzi-lo no fluxo do comércio mundial que realmente importa, além de ser o titular do único governo até agora disposto a realizar reformas vitais para o País e de esforçar-se no sentido de despejá-lo do que deve ser descartado, a fim de reconstruir o que for necessário, a partir dos escombros deixados pelos governos de esquerda que o dominaram durante mais de 14 anos. Seus vigilantes detratores, sempre prontos a investir, talvez sejam obrigados a admitir que, apesar dos ziguezagues, a tendência média é crescente. 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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SILENTE

De períodos em períodos, longos ou mais ou menos curtos, podemos analisar as representações da OAB. Em décadas anteriores, notávamos que advogados eminentes sempre assumiam a direção da OAB, tanto no segmento federal, como nos Estados e municípios. Era, pois, um orgulho ser comandado e liderado pelos mestres da advocacia. De tempos para cá, talvez, dada a decadência de nosso ensino, podemos notar que as representações da OAB têm caído de nível e advogados sem a expressão esperada e desejada estão assumindo as diretorias de todos os segmentos da corporação. Pode-se chamar o fenômeno como renovação, mas ela custa bastante para a classe e para o povo brasileiro, porque, queiram ou não os colegas, a classe perde em força e em espírito de luta. Daí que entendemos que, nos cargos diretivos nacionais, ainda, advogados de nomeada e notáveis devem ceder um pouco de seu tempo em favor da entidade. A OAB serve e sempre serviu para lutar pelas instituições, pela liberdade e em favor dos direitos do povo sofrido. Por isso, não podem as diretorias atuais da entidade ficarem silentes ante a provocação presidencial sobre a serventia da OAB. Advogados de nomeada não ousariam asseverações descabidas e desprovidas de sedimento cultural, tais como: para que serve o Exército ou entidades como a Polícia Federal e outras.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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INJUSTO

Com os meus mais sinceros e profundos respeitos ao digníssimo sr. Miguel Reale Júnior, gostaria de ver respondidas algumas questões de um leigo: por que no Brasil se tem tantas instâncias e infindáveis recursos que levam à impunidade de tantos poderosos, deixando claro que o crime sempre compensa? Por que temos tanto foro privilegiado e o STF nunca pune ninguém? No meu entender, a última instância deveria ser o STJ quando houver dúvida nas duas instâncias inferiores. Por que o advogado tem o privilégio de ocultar as informações da origem de seus numerários? Ora, quer jeito mais fácil de lavar dinheiro ilícito? Esse não seria um meio de enriquecer com a desgraça de muitos, através da corrupção, tráfico, etc? O poder de legislar cabe ao Legislativo e aos profissionais do direito fazê-las cumprir. No entanto, por séculos, nossos Legislativos foram tomados por homens do direito e somos um País extremamente injusto.

João Roberto Tagliaferro joao.tagliaferro@gmail.com

Artur Nogueira

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INSTITUIÇÕES INTERMEDIÁRIAS 

Lamentáveis equívocos permeiam manifestação publicada neste Fórum no respeitante à OAB. Dizer que se resume a um órgão corporativo, é fazer, por exemplo, vista grossa das centenas de ações de inconstitucionalidade por ela ajuizadas ante o Supremo Tribunal Federal (STF) para restabelecer direitos democráticos prescritos em leis ordinárias ou mesmo em emendas constitucionais, oriundas do Constituinte derivado, face a preceitos fundamentais e originários. A diferença é que se trata de missões cotidianas e imperceptíveis, quando, na ditadura, a intervenção da OAB se revelava, a trancos e barrancos e sob bombas; o destemor de seus dirigentes escapava pelo boca a boca ou por frestas em periódicos não compelidos a converter notícias em versos camonianos ou receitas culinárias. A resistência da OAB aparece em momentos de transe como este, que das ditaduras são próximos, ao se pretender não apenas desclassificá-la, mas todas as instituições intermediárias entre a sociedade e o Estado, imprescindíveis numa República cuja Constituição prestigiou o pluralismo da democracia representativa. 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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PROTEGIDOS PELA JUSTIÇA

No artigo deste sábado (06/07), o sr. Miguel Reale Júnior enaltece e conta a história da OAB, e no final do artigo coroa com a frase “pois com os mais miseráveis a Justiça deve ser mais atenta”. É isso que acontece na prática? Ou os “detentores do poder”, como V.S.ª fala também no texto, são os verdadeiros protegidos por essa santa entidade? 

Senize Alonso senizealonso@ig.com.br

Taboão da Serra

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PROTEGER ADVOGADOS

A resposta mais simples à questão “para que serve a OAB?”, é para proteger a corporação dos advogados. Encher laudas e laudas tentando dizer outra coisa não convence ninguém de que essa não seja sua atribuição primordial, em nível muito maior do que em outras profissões.

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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INTERESSE COLETIVO

Frente aos lobistas, os deputados e senadores não seriam os defensores do interesse coletivo dos seus eleitores? Ou fomos enganados ao votarmos?

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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MENOS PATERNALISMO

Gostei da comparação de Camargo (“Estado”, 6/7, B2) que serve não só para a economia como para o conjunto da vida brasileira: menos paternalismo e mais responsabilidade individual é o que nos colocará rumo ao amadurecimento como nação. Como qualquer criança muitos setores estão esperneando e querem continuar se sentindo os queridinhos de papai e mamãe, mas somos milhões de filhos e queremos igualdade. A fila anda. Espero que milhões de eleitores, passados 30 anos da vigência de uma constituição paternalista, tenham conseguido eleger pelo menos 308 deputados maduros. A semana próxima revelará nossa cara.

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

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EMPENHO PELA REFORMA

Por mais dúvidas que pairem sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, é ele quem tem mais se empenhado pela reforma da Previdência. Tomou para si essa responsabilidade, enquanto o “estadista” Bolsonaro articula sua reeleição, sustentado pela liberação das armas, dos pontos na CNH, da não obrigação da cadeirinha de bebê, entre outras alucinações. 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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EM DETRIMENTO DA MAIORIA

Já cogitou-se por diversas vezes alterações e novas propostas para avaliar e julgar seus efeitos com a finalidade de pôr um fim e solucionar a pendência da reforma da Previdência. Porém, existem duas barreiras a transpor. Uma é Rodrigo Maia, presidente da Câmara, que se intitula dono absoluto da verdade e a outra é o novato Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Todas as sugestões e propostas encontram grandes obstáculos, pois a finalidade de cada um envolvido é defender seus próprios interesses e objetivos, não aceitando abrir mão dos privilégios a que eles mesmos se deram o direito de ter em detrimento da maioria da população que recebe uma aposentadoria ou pensão simplesmente miserável que não condiz com a realidade que vivemos. O que todos devem se conscientizar é de que sua aprovação é um grande passo à frente, porém longe de ser a salvação do País. Agora pergunto, por que vereadores, deputados, senadores, juízes, ministros, policiais, além de muitos outros mais, ao se aposentarem, o farão com direito ao último salário recebido da carreira e todos os reajustes que houver iguais aos da ativa? Na realidade eles não se aposentam, adquirem, sim, o direito de não trabalhar mais, porém com todas as vantagens e benefícios, como se estivessem na ativa. 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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SACRIFÍCIOS

Discordâncias entre os comandados por Jair Bolsonaro, presidente do Executivo e o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal. Todos concordam que é preciso estancar o rombo da Previdência no orçamento do governo. Terá de haver sacrifícios, mas quando a palavra é apresentada, não há um que reconheça seus erros e tome medidas cabíveis nos seus orçamentos. Mais de dez Estados brasileiros apresentam déficits com PMs e bombeiros inativos que superam os ativos. Fica claro que as finanças do País não são bem executadas e que os Tribunais de Contas agem politicamente. Esse estado de coisas só terá fim quando uma reforma tributária acordar de um sono tumular.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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QUANTIAS RECUPERADAS PELA LAVA JATO

Foi com enorme satisfação que li no Estadão (6/7, A2) o artigo dos procuradores Deltan Dallagnol, Paulo Galvão e Carlos Welter. Notei que, em todo seu contexto, a leitura do referido artigo não me obrigou nenhuma só vez a buscar o significado de alguma palavra, nota dez para o português utilizado. Quanto ao seu mérito, os três procuradores identificaram claramente a origem e consequentemente a autoria desses chamados crimes cibernéticos. Não obstante tudo, é de espantar a quantia recuperada ou a recuperar que a força tarefa da Lava Jato disponibilizou para os cofres dos lesionados – o povo. 

Gildo de Souza gildodesouza1942@hotmail.com

Salto 

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CICLO VICIOSO

Os números apresentados pelos procuradores da Operação Lava Jato falam por si. Há muitos interesses e vícios arraigados em nosso sistema político cujos envolvidos desejam o desmantelamento. Esses bravos procuradores estão quebrando o ciclo vicioso que se formou durante anos. Eu sou médica em serviço de atendimento ao SUS e todos os dias convivo com a falta de dinheiro do sistema e da população, que  sofre de maneira direta ou indireta pelos desvios dos recursos. As carências variam desde falta de dinheiro da população para chegar ao serviço de saúde, até para adquirir medicamentos, muitas vezes indisponíveis nos postos e centros de saúde. Lembrando ainda que o valor recebido pelas consultas e procedimentos realizados nos hospitais não cobrem as despesas. Por outro lado, vemos dinheiro desviado para os bolsos de poucos que os utilizam para gastos com luxos. Apoio totalmente a operação, pois desejo viver num país honesto, seguro e justo. Parabéns aos procuradores e ao jornal pela excelente manifestação.

Rosana Lazzarini rosana.fototerapia@gmail.com

São Paulo

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PROCURADORES

“A Lava Jato que incomoda”. Meu inteiro apoio, reconhecimento e admiração aos verdadeiros servidores públicos engajados no processo de extirpação da corrupção institucionalizada por criminosos instaurados no poder. Ressaltando a nobreza da causa em prol da justiça social ao povo brasileiro. 

Tulio Alves tasantosk2@gmail.com

São Paulo 

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APROVAÇÃO

Depois das ruas avaliarem e aprovarem o ministro Sergio Moro, agora, na final da Copa América entre Brasil e Peru no Maracanã, diante de uma plateia de 70 mil torcedores, onde o Brasil sagrou-se campeão, o ministro mais uma vez, submetendo-se espontaneamente, foi aprovado unanimemente pelo julgamento popular. Reviveu, assim, a célebre frase “se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”, e concretizando, assim, a continuidade do combate da corrupção no Brasil, contrariando a OAB. Aliás, parafraseando o capitão presidente em recente entrevista à Jovem Pan, para que serve a OAB mesmo?

Arnaldo Luiz de Oliveira Filho arluolf@hotmail.com

Itapeva

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NADA DE ERRADO

Está ficando claro que Sergio Moro ajudou os procuradores da Lava Jato na apresentação da melhor acusação possível contra réu super corrupto. No entanto, ninguém está colocando dúvida se, à vista das provas ao final apresentadas, sua decisão de condenar o réu foi correta e justa. Considero ter sido correta, principalmente por ter sido corroborada, por unanimidade, pelos juízes que em seguida julgaram as provas e o caso. O que fica hoje em discussão é se o juiz deveria manter-se omisso na fase de coleta de provas, mesmo notando pontos onde elas poderiam ser melhoradas. Deveria ele, vendo as falhas, ficar quieto e mudo, guardando-se para decidir apenas sobre o que lhe fosse apresentado ao final? Eu, como não advogado, não vejo nada errado na conduta dele. Problema haveria caso o julgamento final, sobre as provas, não fosse justo e correto.

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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INADEQUADA, MAS JUSTA

Pesquisa Datafolha revelou que a maioria dos entrevistados considerou inadequada a atuação de Sergio Moro, mas apoiam sua permanência como ministro da Justiça. A maioria também considera Lula culpado e como justa sua condenação. Considerar Lula inocente é o mesmo que acreditar que a jararaca é do bem.

J. A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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INFORMAÇÃO OBTIDA ILEGALMENTE

É de se estranhar a ausência de pedidos do Ministério Público Federal (MPF) ao Judiciário no sentido de proibir a divulgação de quaisquer informações obtidas ilegalmente, nos termos do artigo 180, parágrafos 1º e 4º do Código Penal. O § 1º diz que é crime “adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime”. E a pena pode ser reclusão de até oito anos. Por sua vez, o parágrafo 4º sequer dá margem para se alegar que se desconhece o autor do crime, pois impõe que “a receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa”.

Milton Córdova Júnior milton.cordova@gmail.com

São Paulo

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AVANÇOS APARENTES

A implementação das audiências de custódia no sistema judiciário brasileiro começou a ser efetivada em 2015 por iniciativa do Conselho Nacional de Justiça, em parceria com o Ministério da Justiça e o Instituto de Defesa da Pessoa. Quando a audiência de custódia foi nacionalmente introduzida a prática já vinha sendo adotada no Espírito Santo há longo tempo. Determinei há quatro décadas, através de portaria, que todo indivíduo preso, no território de minha jurisdição, Vila Velha (ES), fosse imediatamente trazido ao Fórum. Muitos presos que eram apresentados tinham cometido pequenos delitos e eram colocados imediatamente em liberdade. Outros não eram liberados, mas voltavam à prisão mais seguros porque tinham sido apresentados ao juiz. Com toda certeza, não seriam torturados. A Constituição Federal então vigente determinava que a prisão fosse comunicada ao juiz. Raciocinei que seria um aperfeiçoamento da norma constitucional que, ao fazer a comunicação da prisão, a Polícia apresentasse o detido. Em razão de cuidados como este, nem sempre fui bem entendido. Alguns pensavam que agindo desta forma eu estava sendo defensor de bandidos. 

Em tempos de muita violência, o discurso da repressão ganha novos adeptos. Crescem as estatísticas de apoiadores para teses como: redução da maioridade penal; agravamento das penas em geral com as devidas alterações no Código Penal; introdução da pena de morte; maior rigor dos juízes para aplicar as penas já previstas; abandono do princípio da presunção de inocência; adoção ampla do encarceramento e redução drástica de alternativas como liberdade vigiada, prestação de serviços à comunidade, multas; revogação do dispositivo legal que permite aos condenados recorrer de sentenças condenatórias em liberdade etc. Sob a ótica do leigo estas ideias parecem eficazes para reduzir a criminalidade. Entretanto, à luz das pesquisas científicas, esses aparentes avanços, ou contribuem para aumentar as taxas de incidência criminal, ou não alteram em nada os índices anteriormente apurados.

João Baptista Herkenhoff jbpherkenhoff@gmail.com

Vila Velha (ES)

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EXPLORADOS

Com razão Guedes. Para o ministro, “somos 200 milhões de trouxas, explorados por duas empreiteiras, quatro bancos, seis distribuidoras de gás e uma produtora de petróleo”.

Artur Topgian topgian.advogados@terra.com.br

São Paulo

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EXCELENTE ATUAÇÃO

Como estamos acostumados a sempre reclamar da falta de eficiências dos órgãos de segurança, não podemos deixar de registrar a excelente atuação da Polícia Federal pelos resultados conseguidos nos últimos tempos.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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LESAM A HUMANIDADE

A corrupção é um mal que merece ser execrado, combatido, condenado e rigorosamente punido. Há alguns tipos que representam verdadeiros crimes de lesa humanidade, como roubar verbas destinadas a flagelados, desvio de dinheiro para alimentação de quem passa fome e roubo de verbas destinadas à compra de remédios e manutenção dos precários hospitais, única alternativa das pessoas pobres e carentes. Os envolvidos em fatos dessa natureza, deveriam responder por homicídio, bem como os governantes que mantêm as instalações hospitalares em péssimo estado, reagindo com naturalidade ao serem questionados. Não podemos de forma alguma nos habituarmos a tamanho descalabro. É hora de dizer basta.

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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PAULO BOMFIM

Ao dedicar o retrato que pintara de Paulo Bomfim no dia em que este completava 19 anos, Tarsila do Amaral escreveu: “Para Paulo Bomfim – essa criança que é poeta de verdade – com um abraço amigo de Tarsila. São Paulo, 30/9/1945”. Essa criança continuou a produzir poesia até 7/9/2019, dia em que foi chamado à eternidade. Príncipe dos poetas brasileiros, eleito em 1981, a suceder Guilherme de Almeida e Olavo Bilac, foi uma personalidade polimorfa. Poeta, memorialista, historiador, ensaísta, cronista, homem de rádio e de TV, jornalista, cerimonialista e portador de um coração imenso. Nesse coração inexistia espaço para a maldade ou para a fealdade. Era generoso, compassivo, solidário, leal, cúmplice dos amigos. Ardoroso defensor de São Paulo, patriota vibrante e dono de memória prodigiosa e talento inesgotável.

Era decano da Academia Paulista de Letras, onde ingressou em 23 de maio de 1963, saudado por Ibrahim Nobre. Abeberou-se dos ideais de 1932, quando estava com apenas seis anos. Preservou-os durante as décadas utilizadas na produção da beleza e na multiplicação das amizades. A justiça bandeirante nele teve um devotado e fiel cruzado. Escreveu hino do Tribunal de Justiça, da Escola Paulista da Magistratura, assinou todos os textos elaborados para ocasiões especialíssimas. Serviu com amor a inúmeras gestões da maior Corte Judiciária do mundo e a ela reservou o seu relicário: comendas, títulos, prêmios e objetos que se confundem com a história de que São Paulo pode se orgulhar. Fidalgo no convívio, descendia de bandeirantes e de fundadores da metrópole que tanto amou e de onde partiu para a eternidade, reconhecido como raríssimo, singular e privilegiado exemplar humano.

De seu livro 50 anos de poesia, extrai-se o poema Tempo de Partir: “Sei que é tempo de partir. Há flor de sangue nos coldres. Esporas arando o agreste. Asas batendo nos ombros. Balsas flutuando no verso. Sei que é tempo de partir. Há convite nos sapatos. Convocação nas gravatas. Chamados no cinto enfermo. Lenços pandos de horizonte. Sei que é tempo de partir guardem de mim o que fui. Minhas fronteiras de herança. Os andejos testamentos. Legados de inconformismo. Um rir de risada antiga. Uma ternura vadia E esta paixão por destino. Sei que é tempo de partir: para as perguntas da noite. As estrelas em meu peito”.  

José Renato Nalini jose-nalini@uol.com.br

São Paulo

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FALTA

O poeta partiu./ Cantou a musa, que por ele logo se encantou./ Traçou a sua linha até Manuel Preto./ Em lira e prosa, humanizou São Paulo./ O poeta partiu. Partiu cansado,/ Após quase 93 ciclos terrenos./ Mas o Nove de Julho permanecerá/ Porque Bomfim insistiu./ O Poeta partiu. Partiu cansado,/ Mas viveu plenamente,/ E escondeu o seu entardecer./ Vai, Paulo, segue em paz!/ Guilherme e Ibrahim, ansiosos, estão à tua espera! Nós que, aqui persistimos, agradecidos a ti,/ Pranteamos a tua falta.

José D'Amico Bauab josedb02@gmail.com 

São Paulo

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SALOMÃO SCHVARTZMAN

Sobre o artigo “Morre o jornalista Salomão Schvartzman aos 83 anos”, publicado no Estadão em 7/7. Mais uma notícia triste do passamento do grande Salomão, que já estava sumido da Band faz tempos, mostrando que nossa permanência neste vale de lágrimas sempre é temporária. Que o Eterno o recolha no seu jardim dos eleitos para a eternidade.                          

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

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CORRUPÇÃO CONFESSA

Quando o nosso Al Capone dos trópicos, o ex-governador Sérgio Cabral, abre a boca, jorra corrupção, confessada sem o menor pudor e constrangimento. É impressionante a tranquilidade dele ao desfiar o novelo ultrajante das ignomínias que cobrem negociatas regadas com muitas notas de dinheiro público.

Elisabeth Migliavacca 

São Paulo

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PROVAS

Que “surpresa” a declaração de Cabral sobre a compra de votos para a Olimpíada do Rio. O super condenado, que já carrega 200 anos de pena, por enquanto, detalha os envolvidos, valores, etc. O que é realmente incrível é o papel a que se prestam alguns. O tal Nuzman, que “comandou” o Comitê Olímpico Brasileiro por algumas décadas, aliás denunciado várias vezes por diversas irregularidades, convoca o seu cândido advogado para dizer que não há provas. Senhores, acordem. Vivemos há tempos sob a lei da delação premiada. O dia que encontrarem um documento registrado em cartório, com firma reconhecida nos campos, corruptor e corrupto, por favor me avisem. Quanto ao réu de Curitiba, o seu glorioso advogado, de maneira inovativa diga-se de passagem, soltou nota onde diz que “a acusação é inverídica e sem provas”. Só pra lembrar o sítio do amigo, o triplex do Guarujá, os rombos do BNDES, etc, também foram acusações “inverídicas e sem provas”. Será que está disputando com o ex-governador do Rio, quem acumulará mais condenações e por maior tempo?

Renato Amaral Camargo natuscamargo@yahoo.com.br

São Paulo

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EIKE BATISTA

Era o que faltava, Eike Batista dando palestras, ensinando como empreender. Atenção, Polícia Federal, olho vivo no novo empresariado.

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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IDOLATRIA DO DINHEIRO

Em um país como o Brasil, se idolatra apenas quem tem dinheiro sem se importar com a procedência de sua fortuna, como é caso de Eike Batista, um picareta que fez fortuna através dos bancos públicos brasileiros, Banco do Brasil e BNDES, e que agora se diz palestrante e quer ensinar como empreender. Senhor Eike, o Brasil já tem muito picareta da sua laia. Ensinar a não pagar impostos e trabalhar com o dinheiro alheio já está manjado, seus parceiros estão quase todos na cadeia, o PT acabou, as tetas públicas secaram. 

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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RÁDIO MEC

A tristeza bateu em minha porta quando soube que a rádio MEC seria extinta. Esta notícia me deixou muito decepcionado com o futuro da música clássica e brasileira. Não consigo entender o motivo desta atitude. Essa rádio era uma das únicas que divulgavam música clássica, cultura e quase todos os gêneros brasileiros sem nenhuma interferência publicitária e muito menos ideológica. Espero que esta atitude seja revogada sob pena de nos encontrarmos em uma escuridão cultural. Seria o final da última luz que ainda brilhava no final do túnel da cultura e da música de qualidade no Brasil.

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro 

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TEMPO DE DECISÃO

O canal Globonews deu um espaço imenso ao nosso grande artista e colheu os depoimentos de muitos que viveram aquela época mágica que poderia ter sido o início do amadurecimento de nosso país. Um aspecto triste de um dos depoimentos foi a informação de que João Gilberto entrou com um processo contra uma gravadora, mas que até agora, talvez passados 30 anos, não houve uma decisão da Justiça. Não sabemos quem tinha razão, mas o que importa é que a Justiça existe para decidir em tempo breve e sabemos que tem falhado muito nesse quesito.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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BOSSA NOVA

O corpo de João Gilberto nos deixou para sempre, mas sua alma (a Bossa Nova) seguirá vagando eternamente e encantando todas as gerações atuais e futuras que a ouvirem.

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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UM GRANDE BRASIL

Na época da Bossa Nova, de João Gilberto, dizia-se que o Brasil iria se tornar um grande Rio de Janeiro. Naquela época o Rio era uma espécie de Cancun, o destino dos sonhos de todo mundo: praias maravilhosas, hotéis incríveis, um aeroporto espetacular, sol o ano todo, atrações para todos os gostos, cassinos, carnaval, uma cena musical exótica que encantava os gringos, até mesmo o Frank Sinatra. Não, o Brasil não se tornou um grande Rio de Janeiro, o Rio se tornou um grande Brasil. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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PONTOS TURÍSTICOS PRIVATIZADOS

Julho, milhares de turistas em Campos do Jordão e aí a grande surpresa. Há 50 anos levo a família para a cidade e esta semana tentei levá-los aos pontos turísticos, como Horto Florestal, bondinho pelo centro, Morro do Elefante e teleférico, Pico de Itapeva e outros, e todos foram privatizados há três meses pelo governo do Estado, sem qualquer publicação divulgada. No Pico do Itapeva, de onde se vê todo Vale do Paraiba, agora se paga R$ 20 por automóvel e R$ 10 por pessoa. Para alcançar a vista, uma família de cinco pessoas gastaria R$ 70 no que sempre foi de graça. Se estão privatizando até essas pequenas alegrias do povo, imaginem o que estará acontecendo com todos os parques, florestas, etc. no Estado...

Stanko Svarcic ssvarcic@gmail.com

São Paulo

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