Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Um presidente trapalhão

Em vez de confabular antes com seus superministros, que estão sempre à sua disposição, Paulo Guedes e Sergio Moro, o presidente Jair Bolsonaro vive falando coisas comprometedoras em público. Sobre a Previdência, o ministro da Economia disse que para haver uma economia na Previdência de mais de R$ 1 trilhão nos próximos dez anos seria necessária uma reforma radical, que atingisse também os privilegiados do funcionalismo público, que recebem salários muito acima dos da iniciativa privada, têm estabilidade no emprego e continuam recebendo após a aposentadoria os seus últimos salários. Porém o nosso presidente defendeu aposentadorias privilegiadas para os policiais civis e militares e disse que se a reforma da Previdência atingisse por volta de R$ 800 milhões estaria muito bom. Outra: espontaneamente, sem prevenir Sergio Moro, Bolsonaro declarou que a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) seria do ex-juiz; Moro agradeceu, surpreso, a futura indicação. Todavia recentemente o presidente acenou com a indicação para o STF de um ministro evangélico – o juiz da Lava Jato no Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, é evangélico... Durma-se com um barulho desses!

JOSÉ CARLOS DE CASTRO RIOS

jc.rios@globo.com

São Paulo

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Dose cavalar

Além de acenar com a indicação para o STF de um juiz “terrivelmente evangélico”, o presidente Jair Bolsonaro agora fala em indicar um filho para a vaga de embaixador nos EUA. É a velha política em doses cavalares!

MARCOS BARBOSA

micabarbosa@gmail.com

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Casa Branca

Doce ilusão

O sentimento de revolta da população contra a corrupção era tão grande que, quando vislumbrou na eleição uma oportunidade de mudança, escolheu como prioridade derrubar o PT. Diante das alternativas que se apresentavam, teve de optar pelo voto útil, e não pelo melhor candidato. Vencida a primeira etapa, a eleição de Bolsonaro, começava a segunda, que era torcer para o governo dar certo. Passada a fase do entusiasmo, entramos na realidade e então aparece, não sei de onde, um “guru”que interfere no governo apoiado por um filho que o pai presidente não consegue controlar. Aí começa uma série de trapalhadas na relação com o Legislativo, ministros e altos funcionários demitidos, decretos reprovados pelo Congresso. E agora a última: indicar um filho para embaixador do Brasil nos EUA. Um político que não tem sensibilidade para avaliar a repercussão de seus atos jamais saberá quais são os reais anseios de seu povo. Para administrar uma nação não basta ser honesto e ter boas intenções, é preciso ter liderança, habilidade e capacidade.

JORGE MIYAZAKI

jorgenomiyazaki@gmail.com

São Paulo

Bolsonaro foi eleito não por méritos próprios, mas por representar a rejeição ao petismo nefasto. No entanto, se concretizar a intenção de nomear seu filho embaixador nos EUA, será pior que o Lula – este indicou um sindicalista embaixador, mas para Cuba.

FRANCISCO SALGADO CESAR

fgscesar@hotmail.com

Guarujá

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Filhos embaixadores

E a ópera-bufa continua, de parte a parte: as representações do Brasil nos EUA e vice-versa transformadas em banal jogo de compadres. O representante brasileiro já apresentou suas credenciais: conhece a receptividade americana aos brasileiros no frio do Maine, na fronteira do Canadá com os EUA. Bom, pelo menos parece ter alguma noção de geografia.

RENZO GALUPPO

renzo.galuppo@gmail.com

São José dos Campos

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Apagando incêndios

Qualquer cidadão sabe que carreira diplomática depende de experiência em vários países até que se chegue ao posto de embaixador. Portanto, o presidente, em quem votei, indicar seu filho Eduardo, sem nenhuma experiência, para a embaixada em Washington é de matar! Há sete meses temos desculpado a falta de experiência do governo, relevado escorregadas, tentado desculpar amadorismos, porque ou era ele ou o PT. Mas desta vez já deu. A amizade com os filhos do presidente dos EUA, Donald Trump, não dá a Eduardo Bolsonaro experiência relevante. E se em 2020 Trump não se reeleger? Quem ficará mal na fita com um democrata eleito será o Brasil. Menos, presidente, menos. Estamos cansados de apagar seus incêndios. 

BEATRIZ CAMPOS

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo 

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REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Desidratação

Embora a Constituição federal proclame em seu artigo 1.º que o Brasil é um Estado de Direito, na realidade temos um Estado dos Direitos, como ficou evidente na tramitação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. As categorias mais organizadas, algumas de forma velada, outras abertamente, fizeram lobbies condicionando o apoio à reforma à preservação de seus direitos. A aprovação do projeto em primeiro turno foi um acontecimento político importante que deverá contribuir para a retomada do crescimento da economia, mas o projeto inicial saiu bastante desidratado.

REYNALDO J. G. BUSCH

rjgbusch@hotmail.com

Limeira

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E o povo...

Pelo visto, de destaque em destaque a reforma da Previdência está indo pro vinagre. Aprovando as exceções para esta e aquela categoria, etc., etc., a reforma já perdeu uns 30% da meta projetada. Vão ter de buscar essa perda em outras medidas. Gozado que para a categoria povo não tem exceção. Mas a Câmara não é a casa do povo...?

PANAYOTIS POULIS

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro 

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Apoio oposicionista

A aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência mostrou que quando há seriedade na proposição se consegue a aprovação da maioria do povo. Até os deputados conscientes da oposição entendem que o momento é de trabalhar para a Nação. Eles são da oposição, mas patriotas quando convocados a decidir a favor da Pátria.

TOSHIO ICIZUCA

toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

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CORRUPÇÃO

Ir para a cadeia?!

Se o medo dos políticos é o demonstrado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI) por causa do caixa 2, nada mais justo que aumentar a pena de reclusão.

ADILSON PELEGRINO

adilsonpelegrino52@gmail.com

São Paulo

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“Fala sério! Uma pessoa se achar qualificada para a função de embaixador do Brasil em Washington porque – segundo suas próprias palavras – fez intercâmbio nos EUA e lá fritou hambúrguer é o fim da picada! E tantos brilhantes diplomatas de carreira esperando sua vez... É o nosso Brasil”

JOSÉ ROBERTO DOS SANTOS VIEIRA / SÃO PAULO, SOBRE EDUARDO BOLSONARO

jrdsvieira@gmail.com

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“Com Trump presidente, até que é coerente Eduardo Bolsonaro como embaixador brasileiro na terra do Tio Sam”

FRANCISCO JOSÉ SIDOTI / SÃO PAULO, IDEM

fransidoti@gmail.com

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DESEJO DO POVO

Significado de república ao presidente da Câmara Rodrigo Maia: “forma de governo em que o Estado constitui-se de modo a atender o interesse geral dos cidadãos, na qual o povo é soberano, governando o Estado por meio de representantes investidos nas suas funções em poderes distintos”. A reforma da Previdência, portanto, não ocorreu por sua causa. Foi desejo do povo que foi aos milhares às ruas pedindo reformas. Se não tivéssemos nos manifestado, Rodrigo Maia podia dançar minueto, tango ou sapateado na Câmara, que a reforma jamais seria aprovada, pois parlamentar vota de olho no povo. Sem mencionar que a reforma da Previdência foi feita por várias mãos e enviada pelo Executivo, embora Maia queira para si os louros. Resta saber agora o que restará da reforma apresentada à população dias atrás e o que estão costurando nos subterrâneos da Câmara. A foto estampada no Estadão dia 12/7 dos parlamentares norteando Maia como zumbis nos causa arrepios.

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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COERÊNCIA

O projeto de reforma da Previdência continua motivando manifestações contra e a  favor e deixa de lado uma questão da maior importância que é a coerência na sua aplicação. As desigualdades vão continuar, com diferenças flagrantes, Os que atuam no Judiciário, nos Executivos e nos Legislativos e também nas Forças Armadas levam vantagens, superando os limites dos trabalhadores da iniciativa privada. É a confirmação de que vários segmentos sociais poderiam ter sido chamados a discutir uma proposta ampla, superando divergências e proporcionando uma forma aceitável, sem a imposição que está sendo feita.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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NÃO APRENDERAM

É surpreendente a resistência de muitos e Estados e municípios quanto à sua inclusão na reforma da Previdência que está sendo aprovada nesta semana. Tal resistência é surpreendente até porque em sua quase totalidade estão quebrados e nem sabem se amanhã existirá verba para pagar salários de funcionários da ativa, quanto mais de aposentados. Essa resistência, que hora existe e noutro momento não, dizem estar no fato que prefeitos e governadores atuais que apoiarem a reforma da Previdência perdem seu capital político e jamais conseguirão serem eleitos para novos cargos. A bem da verdade, aqueles que resistem são os que sobrevivem politicamente com votos do funcionalismo público, policiais e professorado, mas essa persistência amanhã custará caro a todos, não só ao aposentado de hoje. Chegará o momento em que também o aposentado de amanhã e o pessoal da ativa sobreviverão de salários parcelados e pagos sempre em atraso. Se não me falha a memória, por ocasião da implementação do Plano Real e da Lei de Responsabilidade Fiscal, não foram esses Estados que, para fazer ajustes financeiros e entrar zerados na época, fizeram acordos com o governo federal, que financiou suas dívidas, e a partir daí deveriam governar com menos política e mais seriedade e competência administrativa? Pelo visto, não aprenderam.

Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo

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QUEM PAGA A CONTA

Com um presidente que age como um sindicalista durante a reforma da Previdência na defesa de privilégios para policiais, o corporativismo de outras categorias como dos professores foi também atiçado. Conseguiram, apresentando destaques no plenário da Câmara, desidratar o total a ser economizado pela reforma, o que decepcionou o mercado e investidores. Demonstra que o nosso país ainda vive tempos do império, recheado de privilégios para uma minoria. Agora, do inicial esperado de R$ 1,2 trilhão de economia em 10 anos, se fala entre R$ 800 a R$ 900 bilhões e estamos nos iludindo contando com mais uns R$ 200 bilhões com o possível combate a fraudes ou pente-fino nas aposentadorias do INSS. Esse montante era um colchão importante para equilibrar o quanto antes as deficitárias contas públicas. Esses supostos R$ 200 bilhões, que podem ou não ser economizados no combate a fraudes, servirá somente para encobrir o buraco da nefasta ação do corporativismo vigente nas nossas instituições. Quem vai pagar, como sempre, essa conta é o pobre do trabalhador brasileiro lotado na sofrida também iniciativa privada.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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PROTAGONISMO EXCLUSIVO

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, foi realmente muito importante para o sucesso na votação do 1º turno da reforma da Previdência, mas reivindicar para si, seu partido e outros aliados, o protagonismo exclusivo, deixando de fora Bolsonaro e o seu governo, não é justo e é exagerado. Será que Maia acha que alguém que sabe minimamente como como funciona a casa acredita que se Bolsonaro não tivesse acenado com liberação de mais de um bilhão em verbas, contrariando seu discurso de candidato, a aprovação teria uma folga de 71 votos a favor, tendo expressiva participação dos partidos de esquerda?

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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LIDERANÇA

Rodrigo Maia conquistou uma liderança na Câmara dos Deputados, algo imprevisto, principalmente nas condições pouco aceitáveis que gozam nossos políticos. Essa liderança foi conquistada pelo trabalho árduo, apesar das dificuldades provocadas por muito corpo mole de parte do Executivo, e sua atuação e perseverança em ouvir tanto os favoráveis como os contrários à reforma da Previdência, argumentando de maneira a não provocar desentendimento e sendo flexível na argumentação, tornou possível sua ascensão e reconhecimento como líder (necessidade premente da Câmara dos Deputados). Faço votos que essa liderança se firme com os novos trabalhos, pois é muito disso que o Brasil precisa. Parabéns, talvez no futuro teremos um estadista tanto procurado.

Itamar C.Trevisani itamartrevisani@gmail.com

Jaboticabal

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DEMONSTRAR SUA UTILIDADE

O Parlamento, novamente em pé. A votação da reforma da Previdência, ainda em curso, apresenta aos brasileiros um novo parlamento. Diferente daquele ao Executivo, onde muitos de seus membros eram subsidiados com propinas, cargos e outras benesses. A Câmara dos Deputados e seus integrantes devem concluir a tarefa maiores do que quando a começaram. Sem toma lá, dá cá nem outras coisas estranhas ou sigilosas. Até os ruidosos radicais foram ignorados, porque todos estavam interessados no Brasil e não no espetáculo circense que proporcionam. Os parlamentares têm a oportunidade de demonstrar ao eleitorado a sua utilidade. Espera-se que a lei resultante seja suficiente para resolver a crise do setor e a que menos faça sofrer o povo. O que estamos vendo é a independência e harmonia dos Poderes. O Executivo fez a proposta e o Legislativo aplica as mudanças que entende pertinentes. Daí se espera surgir um novo e vigoroso Brasil.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br    

São Paulo      

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PRESIDENTE OU PRIMEIRO MINISTRO?

Será que a vitória de Rodrigo Maia é um passo em direção ao cargo máximo do País ou é uma porta que se abriu, inadvertidamente, em direção ao Parlamentarismo? Presidente ou primeiro ministro?

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

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PRESTAÇÃO DE CONTAS

Uma pessoa eleita pelo voto popular como o senador Marcelo Castro, dizendo de uma maneira tranquila que criminalizar o caixa dois com pena de prisão é algo "doido" em seu ver mostra uma posição contraditória para alguém com tal cargo, onde a lisura deveria ser um mantra nos oito anos que ocupa a casa legislativa (neste caso o Senado). Abrandar a lei dizendo que o político só deve perder o cargo e ir para casa tranquilo viver com a família, como ele defende, ofende aqueles que pagam altos impostos no Brasil, sabendo que uma pequena casta usa dinheiro público com irresponsabilidade sem uma sanção coerente. A sociedade está cansada de pessoas eleitas legislando de maneira a abrandar temas que deveriam ser tratados com o máximo rigor. O texto é claro: "arrecadar, receber, manter, movimentar ou utilizar" recursos financeiros não declarados na prestação das contas da campanha. Não querer criminalizar com uma sanção impositiva para combater esse mal é um tapa em todos que exigem uma política limpa. O Código Penal para o nobre senador "é coisa para bandido, tipifica infrações penais, impondo sanções". O abrandamento em temas como este é gerar mais "promiscuidade". Segundo o parlamentar, seria preciso uma distância de políticos e empresas durante algumas décadas. Dinheiro público para os políticos deveria ser tratado como algo sagrado, um mantra, não somente como algo palpável corriqueiro que gastam como bem entendem sem apresentar contas e receber penalidades pelo mau uso. Devemos lembrar algumas das ideias da grande estadista Margaret Thatcher que continuam extremamente relevantes. Uma delas é a de que "não existe dinheiro público, apenas dinheiro do contribuinte que paga os impostos". Nobres parlamentares, não tenham o que temer, simplesmente revistam-se do manto de seus cargos sendo políticos com atuação ao arrepio da lei.

Jonatas Rosa jonatasrosa@bol.com.br

São Paulo

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INJUSTIFICÁVEL PRIVILÉGIO 

Infelizmente, convivemos com o lastimável registro de mais de 13 milhões de desempregados. Como é que podemos concordar com o sr. Rodrigo Maia, que afirmou que o aumento do Fundo Eleitoral de R$ 1,7 bilhões para R$ 3,7 bilhões não é exagero? Em respeito a essa gente que sofre pelas madrugadas em imensas filas à procura de um emprego, reconheça sr. Rodrigo Maia, que o aumento é absurdo, uma agressão à racionalidade, um desvio de prioridade, um verdadeiro e injustificável privilégio. Tenha santa paciência!

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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JÚLIO DE MESQUITA FILHO

Após analisar e verificar a primeira página do Estadāo do dia 12/7, como sempre, ignoro todo o resto (só por hoje), e me lanço direto para a página A12. Por um motivo mais do que óbvio: "Meio século sem Júlio de Mesquita Filho". Uma página inteira de encher os olhos, em uma sexta feira fria em Sampa. Mesmo se fossem duas páginas ou mesmo um caderno especial seria pouco. A bem da verdade, se me lanço de cabeça para a matéria, é por que somos carentes de bons exemplos, carentes de líderes que agregam e fortalecem o povo brasileiro. Povo este, que ama os seus poetas, ama os seus líderes. Me sinto privilegiado por essa data e por ter na conta esse grande líder, pois sou o grande motivo de tamanha empreitada: o leitor. Ler esse jornal é uma questão de identificação. Não admito que um jornal como este fique relegado apenas a classe média, não, não, o jornal é para todas as classes, inclusive aos periféricos. A semente plantada lá atrás pelo saudoso Júlio de Mesquita Filho, continua dando frutos, bons frutos. E vale lembrar, é muito mais do rasgar a seda. É com essa ferramenta que elimino minhas gírias e erros, para a melhor comunicação com o outro, seja no metrô, seja na fila do pão, afinal, não somos uma ilha. Salve Júlio de Mesquita Filho, que em meio século emociona os seus fiéis leitores, muito obrigado.

Leandro Ferreira ferreiradasilvaleandro73@gmail.com

Guarulhos

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PRINCÍPIOS DEMOCRÁTICOS

Por ocasião da efeméride dos 50 anos do passamento de Julio de Mesquita Filho, em 1969, cabe, por oportuno, dizer que é de homens do seu quilate e têmpera que é feito o Estadão nosso de cada dia nesses 144 anos de defesa intransigente e diuturna dos princípios democráticos, republicanos e de liberdade de expressão e impressão de ideias. 

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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DINASTIA

Nova realeza. Os vencedores das eleições presidenciais propagaram a "nova política". Porém, não esclareceram se seria republicana. O regime monárquico se distingue das Repúblicas, entre outros caracteres, pela pessoalidade da família real, vitaliciedade e irresponsabilidade do monarca. E o que se vê é a "dinastia dos Bolsonaro". Agora, o filho Eduardo como embaixador nos EUA. Monarcas medievais tinham o hábito de indicar filhos para os representarem (não as nações que governavam), em seus interesses pessoais, junto às demais monarquias de idêntico estilo. A nomeação do rebento não significa apenas nepotismo, doença inclusive das Repúblicas, mas um retrocesso a regimes políticos retrógrados, sob o signo de costumes políticos renovados.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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NEPOTISMO

Lamentavelmente, mais uma vez o ministro Marco Aurélio, com suprema hipocrisia, vem a público comentar que eventual indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro para a embaixada dos Estados Unidos pelo presidente pode caracterizar nepotismo. Vejam só, é, no ditado popular, "o roto falando do rasgado". Ministro, o sr. foi indicado por seu primo Collor. Isso não é nepotismo? O sr. indicou, referendou (como é natural), veladamente, é claro, sua filha para ocupar o honroso cargo de desembargadora do Tribunal Federal da 2ª Região. Isso não é nepotismo? Se tem alguém no Supremo que não pode falar em nepotismo é o senhor.

Carlos Benedito Pereira da Silva carlosbpsilva@gmail.com

Rio Claro

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NÃO SE SUSTENTA

Nepotismo (do latim nepos, sobrinho, neto, ou descendente), é o termo utilizado para designar o favorecimento de parentes (ou amigos próximos) em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos. Originalmente a palavra aplicava-se exclusivamente ao âmbito das relações do Papa com seus parentes, mas atualmente é utilizado como sinônimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público. Distingue-se do favoritismo simples, que não implica relações familiares com o favorecido.

Nepotismo ocorre quando, por exemplo, um funcionário é promovido por ter relações de parentesco com aquele que o promove, havendo pessoas mais qualificadas e mais merecedoras da promoção. A indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, como embaixador brasileiro nos Estados Unidos pode ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) por nepotismo, já que segundo o STF a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta para o exercício de cargo de comissão ou de confiança, ou ainda de função gratificada na administração pública e direta, viola a Constituição. Essa indicação do presidente da República, se confirmada, caracterizaria um desrespeito aos diplomatas brasileiros de carreira e uma clara contradição a declarações anteriores do próprio presidente contrárias a privilégios na indicação de cargos públicos. O argumento de que seu filho Eduardo é amigo dos filhos do presidente norte americano Donald Trump, fala inglês  e tem vivência muito grande de mundo simplesmente não se sustenta diante da existência de uma série de pessoas muito técnicas e mais capacitadas a exercer o cargo. É nepotismo sim, presidente Bolsonaro. Essa não cola.

João Manuel Maio clinicamaio@terra.com.br

São José dos Campos 

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QUAL CREDITO?

"Sem precedentes em países democráticos", diz Ricupero. Esse é o título da matéria na página A8 do jornal em 13/7, em que o referido personagem critica a possível nomeação de um deputado federal para chefiar a embaixada do Brasil em Washington. A pergunta que me ocorre é se esse ex-embaixador é o mesmo indivíduo que, em passado não muito distante, teria dito: "Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde". Disse-o e jamais se desculpou, ao menos que tenhamos notícia. Caso seja o mesmo indivíduo, qual o crédito a dar-se a semelhante patife?

Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br

São Paulo

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DESGASTE

Em recente entrevista coletiva, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que cogita nomear seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro para ocupar o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, vago desde abril. Sublinhou sua intenção com base no fato de o referido parlamentar já presidir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, ser amigo dos filhos de Donald Trump, falar inglês e espanhol e ter vivência muito grande de mundo. Como se trata de uma das mais importantes representações da diplomacia brasileira, é razoável supor que os citados atributos não sejam suficientes para levar a cabo com eficiência função tão relevante. Além disso, trata-se de uma nomeação que, certamente, redundará em mais um desgaste, desta vez ligado às desconfortáveis questões de nepotismo, para um governo que já está razoavelmente erodido.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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APROXIMAÇÃO DA CULTURA

Até pode ser que ter fritado hambúrguer nos EUA quando de um intercâmbio na juventude não seja qualificação para ser indicado a embaixador naquele país, mas ajuda muito a compreender a cultura americana que valoriza sobremaneira o valor do trabalho desde jovem, coisa que não se aprende nos convescotes com punhos de renda servidos nos salões do Itamaraty. Eduardo Bolsonaro seria melhor embaixador e mais faria pelo Brasil e pelos brasileiros nos aproximando daquele país e sua cultura do que, por exemplo, o dândi afetado que lá estava e que se portava feito um nobre em uma corte do século XVIII.

Paulo Boccato pofboccato@yahoo.com.br

São Carlos

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INGENUIDADE DESNECESSÁRIA

Dizia o filósofo Dahrendorf serem as instituições da nação tais como cabos de alta tensão: à primeira vista inofensivos, porém, basta tocar-lhes, ainda que ingenuamente, para que sofra as terríveis consequências. Todos os dias Bolsonaro, que se denomina o bastião indelével contra a corrupção, comete ingenuidades desnecessárias, como a da escolha do filho, Eduardo Bolsonaro, para chefiar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. A intenção aqui é clara, em vez dos interesses do Brasil sobrepõe-se o garantir-se a si e aos seus, gesto este que desdoira as propostas que lhe garantiram a urna. É de sabença comum que favorecer indevida ou ilicitamente parentes, amigos (evangélicos ou quais sejam), para cargos ou funções públicas, é nepotismo. Ainda que não fosse ato de improbidade administrativa, e é (o que será analisado por quem de direito), certamente enodoa o propósito de combate à corrupção. Desbanca os mais hábeis para a função e nomeia o filho para a mais importante embaixada de quantas haja, nem por mérito, nem por concurso, mas para roer. As nomeações para quaisquer sejam os cargos têm de ser técnicas, eficazes, de pessoas habilitadas e competentes, cujos nãos são os “amigos de bar”. A voz do sangue tem de ceder passo ao bom senso.

Antonio B. Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo

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EXIGÊNCIA

Qualquer topeira pode se candidatar e se eleger a cargos públicos no Brasil, as exigências legais são ridículas. O cargo de embaixador não é mais importante que o cargo de deputado ou senador. Ou o Brasil levanta o sarrafo e começa a exigir qualificações de verdade de seus políticos ou deixem o filho do Bolsonaro ir tirar onda em Washington. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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DESPREPARADO

Aproveitando o ensejo, a declaração do presidente Bolsonaro confirma o que milhões de brasileiros acham sobre o seu aspecto cultural: despreparado para o alto cargo. O reconhecimento, no entanto, é mérito, mas mais meritória seria sua conduta se deixasse de se manifestar afoitamente sobre temas alheios ao seu conhecimento e que poderiam ser explicitados por assessores seus, devidamente aptos e preparados. Cabe, neste passo, relembrar o mestre Rui Barbosa: “o homem não deve cuidar de saber o que não sabe” e “a ignorância é a mãe do atrevimento”. É só meditar e agir e ver que as críticas diminuirão.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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MANIFESTAÇÃO PÚBLICA

Vivemos uma época no Brasil em que qualquer manifestação pública está sujeita a mentes empedernidas.

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo

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TABATA AMARAL

Eis que, já totalmente desanimada com o panorama político que aí está, tomo conhecimento de mais uma atitude louvável e corajosa da juvenilíssima Tabata Amaral. Já havia apreciado de montão o embate entre ela e o então ministro da Educação. Pontos para a jovem deputada. E agora, no assunto da votação da reforma da Previdência, ela se destaca novamente pelo bom senso e pela independência ao declarar, com todas as letras, que "ser de esquerda não pode significar ser contra projeto que pode tornar o Brasil mais inclusivo". Que o PDT a expulse, não há problema. Fica a imagem da jovem parlamentar sólida, coerente, a servir de exemplo a muitos outros colegas que, flexíveis como hastes de salgueiro e sempre olhando o próprio umbigo, não sabem defender um ponto de vista que enfoca o País e mira a sua grandeza. Que surjam muitas Tabatas. Mostrarão que País pode ser este.

Regina Maria Noronha Peña reginapena.adv@hotmail.com

São Paulo

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MESMA TÁTICA

As vantagens pessoais e partidárias do PT foram sempre contra os interesses do Brasil. Em momentos difíceis da história os petistas sabotaram o Plano Real, a Constituição de 1988, a privatização da telefonia, a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outros programas importantes. Agora, reprisa a mesma tática do quanto pior melhor, fechando questão contra a reforma da Previdência proposta pelo atual governo. Felizmente o texto base foi aprovado, com folga, (379 X 131), no primeiro turno na Câmara dos Deputados, apesar de tentativas de obstrução e discursos contrários. O Brasil está mudando.

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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SINAL TROCADO

Essa direita não me representa. Sim, eu acredito na livre iniciativa, na autodeterminação dos povos, na liberdade e no poder civil, no direito de propriedade, no império da lei, e acima de tudo na democracia, pois como bem constatou Winston Churchill, “ela é o pior dos sistemas de governo depois de todos os outros”. No capitalismo eu também creio, mas com profundas ressalvas, pois não sou ingênuo de imaginá-lo como uma utopia ou uma quimera, capaz de resolver todos os problemas que são inerentes à vida humana, e muito menos ser suficiente para trazer paz e prosperidade à totalidade das pessoas em qualquer lugar do mundo. Está mais do que provado que se o capitalismo for deixado às vontades do tal “mercado”, estaremos todos condenados ao mais cruel e indesejável capitalismo selvagem. Porém, não há como não reconhecer que assim como a democracia, o capitalismo “é o pior de todos os sistemas econômicos depois de todos os outros”. Evidentemente que o capitalismo é considerado “de direita” e o socialismo “de esquerda”, e, portanto, me vejo como alguém de direita, apesar de me posicionar muito mais ao centro na maioria dos assuntos políticos, sociais e econômicos. Classifico-me como de centro-direita. 

Dito isso, como cidadão brasileiro, me incomoda profundamente ver a ascensão dessa direita reacionária, intolerante, ignorante e acima de tudo, intragável, que afronta a razão mais elementar, as ciências humanas e exatas, a arte e a cultura, a civilização, o bom senso e o bom gosto, a verdade e a decência, enfim, as virtudes que todos deveríamos cultuar, especialmente os nossos representantes públicos, seja de qual de ideologia forem. Infelizmente, vejo hoje no Brasil muitas pessoas que aderem a essa onda insana que flerta claramente com o fascismo somente por serem antipetistas, sem perceber que fazem e apoiam os mesmos erros e arbítrios cometidos nos governos do PT, só que agora com sinal trocado, no governo de Jair Bolsonaro. Até ilegalidades judiciais são aceitas, em nome do combate à corrupção, ignorando o que a história nacional e mundial nos ensinou, quando em várias situações alguns foram complacentes com o arbítrio, e quando perceberam, logo adiante, acabaram sendo vítimas daquele mesmo arbítrio que haviam apoiado antes. Em alguns casos, de forma muito mais violenta. Em face desses fatos e esclarecimentos, é de suma importância que a direita democrática não se deixe enganar, e o quanto antes se levante contra a marcha da insensatez, que graceja nestes dias obscuros e obscurantistas, sob pena de tornarem-se cúmplices de futuras tiranias logo adiante. Basta de cegueira e covardia.

Sandro Ferreira sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)

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MILITARIZAÇÃO

Aumenta a ideia de que para funcionar bem, uma instituição tem de ter caráter militar. Na condição de militar carreirista, vemos isso como um total engano. Está na moda agora a criação de escolas públicas de "características militares", inclusive por parte de alguns municípios. Na realidade, as instituições precisam de correções e isso não vem através de militarização, ainda por cima criando-se uma espécie de casta separadamente. Os Estados Unidos, uma das maiores potências militares do mundo, é extremamente civil em suas instituições não militares. Nesse caminho, deveríamos criar Unidades de Pronto Atendimento (UPA) militarizadas, INSS militarizado, Receita Federal militarizada e coisas do gênero. Da mesma forma não se pode constantemente usar as Forças Armadas como policia, ainda mais que soldados e cabos do Exército e Aeronáutica são conscritos temporários e sem qualquer carreira.

Heitor Vianna P. Filho lagos@araruama.com.br

Araruama (RJ)

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EDUCAÇÃO

Combater a tirania é valorizar a educação. Caros leitores, toda barbárie advém da ignorância. Meramente, não da falta de cortesia, mas principalmente do acesso ao conhecimento e a escolas. Combater o despotismo e os erros é acima de tudo colocar a educação indiscutivelmente como uma prioridade inexorável em nosso país. A história da educação no Brasil é bastante desconexa dos princípios de desenvolvimento. No passado, desde a coroa portuguesa, nos primeiros ordenamentos educacionais, somente barões e coronéis é que possuíam condições de dar acessos à escola aos seus filhos. A idealização das classes dominantes é que seus descendentes estudassem para a conquista de mais riquezas e não para a ampliação do desenvolvimento e a democracia do nosso território. 

A questão da educação precisa ser amplamente discutida com a sociedade. Investir em educação na atualidade é esperar por resultados demorados. Considerando os investimentos em educação no Brasil em comparação a outros países, ainda temos um longo caminho a percorrer. A tão sonhada lei de responsabilidade educacional que poderia instituir a articulação de metas no âmbito da União, Estados e municípios permitiria um maior compromisso dos agentes e entes públicos com a qualificação e a ampliação dos espaços educacionais. A decisão por parte do governo de realizar cortes no orçamento da educação reduz ainda mais investimentos na qualificação e no aperfeiçoamento de gestores e no avanço de pesquisas científicas. A educação por princípio e método é o alicerce de todas as expectativas de melhoramentos da sociedade. A ciência educacional nos envolve a analisar o humano dentro de suas concepções e atitudes, observando suas limitações e desejos, angústias e buscando acima de tudo o desenvolvimento. Uma educação que não aumenta a qualidade de vida da sua população é o significante incontestável de que um conhecimento sem liberdades emancipatórias apenas transforma o dominado em dominador e o oprimido em opressor.

Thales Aguiar thalesbento@hotmail.com

São Paulo

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