Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2019 | 03h00

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Barbas de molho

Tudo indica que o presidente da República, Jair Bolsonaro, embora na campanha tenha pronunciado ser contrário, disputará a reeleição em 2022. No entanto, para que tenha um certo favoritismo, a reforma da Previdência se torna condição sine qua non para seu intento. Obteve expressiva vitória na Câmara em primeiro turno: venceu com 379 votos – 71 a mais do que o mínimo exigido, 308 – contra 131 da oposição. Rodrigo Maia emocionou-se, atribuiu a si mesmo a paternidade da reforma, enalteceu lideranças, com ênfase ao Centrão, e com “hip, hip, hurra!” foi ovacionado pelos vitoriosos deputados. Mas cuidado, pode ter sido uma vitória de Pirro. Em dois dias – cálculos ainda incertos – cerca de R$ 50 bilhões do texto-base já foram pra cucuia com os destaques apresentados. Se em dois dias após a festa do primeiro turno os destaques, a maioria da oposição, conseguiram suprimir esse vultoso valor, e faltando ainda vários para serem votados, todo o cuidado é pouco com a turma do quanto pior, melhor. Voltarão do recesso com a corda toda e vão fazer o diabo, praxe nos governos petistas, para obstruir, retardar e derrubar a imprescindível reforma, trunfo principal para Bolsonaro e martírio para a esquerda. A caminhada ainda é longa, ficou para agosto o desfecho da contenda. Portanto, com a desorganização governista e o Centrão jogando em ambas as pontas – ataca por onde lhe convier –, corremos o sério risco de fragorosa derrota no segundo turno. E os lacrimejos de alegria de Rodrigo Maia podem se transformar num vale de lágrimas para Bolsonaro. Vamos torcer para que a crendice popular “agosto mês de desgosto” não se concretize.

SÉRGIO DAFRÉ

sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

Estados e municípios

Pelo que foi noticiado, só não se incluíram Estados e municípios na versão aprovada no primeiro turno da Câmara por causa da forte resistência de alguns governadores do Nordeste. Uma maneira de solucionar o problema seria, quando o projeto chegar ao Senado, promover a inclusão dos Estados e municípios, excetuando aqueles cujos mandatários se opõem a isso.

VIZMARK KIYOSHI IMAMURA

vizmark.imamura@icloud.com

São Paulo

Anestesia

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), um dos mais ferrenhos oposicionistas ao governo Bolsonaro, disse que a população brasileira está anestesiada com a questão da reforma previdenciária e que ela só vai sentir o problema quando for ao INSS pedir aposentadoria. Muito pior é o trabalhador conseguir a tão almejada aposentadoria e não receber nada por falta de dinheiro. Defender o trabalhador é um dos atributos dos parlamentares, mas jogar contra os interesses do Brasil é populismo barato, rasteiro e irresponsável.

J. A. MULLER

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

Até quando a oposição vai usar o discurso de que a reforma da Previdência é contra os pobres? Ninguém mais acredita nisso! Deveriam respeitar a inteligência dos cidadãos brasileiros.

LUIZ FRID

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

LIBERDADE ECONÔMICA

Normas complexas

Ao comentar a Medida Provisória da Liberdade Econômica, destacando os méritos do conteúdo, o editorial Liberdade econômica, na medida (11/7, A3) salienta a complexidade de suas normas. Na mesma página, ao falar sobre o Congresso, é ressaltada a má qualidade dos projetos enviados ao Legislativo, cheios de erros, incongruências, omissões e inconstitucionalidades. A MP 881/2019 reúne tudo isso. A redação é muito prolixa, com a insana pretensão de precisão absoluta em cada norma. Porém usa e abusa de expressões vagas e imprecisas. Tem um fantástico número de remissões a outros artigos e outras leis. A palavra mais usada é “exceto” e a segunda, “ressalvadas”, ficando difícil saber quando e onde a norma deve ou não pode ser aplicada. Quase tudo depende de regulamentos os mais diversos. Até o disposto no artigo 1.368-C do Código Civil depende de instrução da Comissão de Valores Mobiliários. Não há como saber o que é lei nacional (aplicável também a Estados e municípios) e o que é somente lei federal. Altera a redação e revoga uma infinidade de normas dos mais diferentes assuntos. O resultado será uma enorme insegurança jurídica, pela multiplicidade de interpretações possíveis, agravando a sobrecarga dos tribunais, emperrando a administração pública e infernizando a vida das empresas, além de abrir ensejo para fraudes e manipulações.

ADILSON ABREU DALLARI

adilsondallari@uol.com.br

São Paulo

Burocracia

Os objetivos da burocracia no Brasil não são regular e organizar, mas arrecadar e justificar todo tipo de atraso, gasto e ineficiência, além de, por óbvio, complicar a vida do empreendedor (Um trabalho hercúleo, 15/7, A3).

MARCELO MELGAÇO

melgacocosta@gmail.com

Goiânia

CRECHES

Perspectiva de fracasso

O Estado (12/7, A1) deu conta de que o governo federal promete construir 5 mil creches até 2022. Lembro que a presidenta Dilma foi mais generosa: prometeu 6 mil creches. Rotundo fracasso. Penso que o dinheiro existiu para a construção de prédios. Mas um detalhe atrapalhou tudo: os municípios tinham de prover os terrenos compatíveis com a finalidade. Entre os requisitos, a existência de número significativo de bebês e perspectivas de manter esse “mercado” nas vizinhanças do terreno. E o que se viu na maioria dos casos foi que onde havia terreno não havia crianças e onde havia crianças não havia terreno compatível. O plano do atual governo corre o risco de repetir o fracasso.

MARIO HELVIO MIOTTO

mariohmiotto@gmail.com

Piracicaba

RIO PINHEIROS

Faxina e história antiga

Eu me lembro muito bem do caso “faxina do Rio Pinheiros”, até porque na ocasião (1974) tinha um vizinho coronel do Exército que me convidou a assistir à cerimônia em que estaria presente o então o ministro de Minas e Energia, Shigeaki Ueki, no governo Geisel. Ele afirmou categoricamente seu empenho em despoluir o Pinheiros e torná-lo navegável. E convidaria a população paulistana a pescar...

ANGELO TONELLI

angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

CORREÇÃO

Rolf Kuntz corrige o último parágrafo de seu artigo de domingo (A2): a frase “depois de mim, o dilúvio” é atribuída a Luís XV, não a Luís XIV. O resto do parágrafo é mantido.

CREDIBILIDADE DO PARLAMENTO

É da sabedoria popular que a perda de confiança é descontínua, ou seja, manifesta-se de um momento para outro. Sua recuperação, no entanto, leva um tempo praticamente infinito e, portanto, nunca mais volta ao nível que já atingiu um dia, embora possa dele se aproximar assintoticamente e quase chegar lá. Em que pesem os enaltecimentos bradados pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no sentido de valorizar o patriótico desempenho do Parlamento, especialmente do chamado Centrão, quando da aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência, será difícil o retorno da confiança por parte da população de que a instituição já desfrutou um dia, quebrada repentinamente em algum lugar do passado. Seria interessante lembrar o nobre deputado que não é em virtude do resultado de uma votação que tal resgate ocorrerá e que a volta da credibilidade se concretizará de maneira infinitesimal, porém permanente e só a longo prazo voltará a exibir patamar aceitável.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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CANETAS SEM TINTA

O mais badalado dos políticos e fiador da reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre sua possível candidatura em 2022 ao Planalto, diz em entrevista ao Estadão que por enquanto não deseja disputar cargos no Executivo. “Não quero ser administrador de crise”. Sensato, ainda afirma: “Enquanto não organizar o Estado brasileiro, para que eu vou ser prefeito, governador ou presidente?” Aposta como prováveis adversários de Jair Bolsonaro no próximo pleito Luciano Huck ou os governadores João Doria, de São Paulo, e Wilson Witzel, do Rio de Janeiro. Diz também que não tem compromisso político com Bolsonaro e sugere ao presidente refletir sobre o ato de nepotismo da indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada dos EUA. Alerta que urge uma mudança no relacionamento entre o Planalto e o Congresso que será fundamental para as votações na Câmara no segundo semestre. Maia diz, porém, que seu propósito no segundo semestre é priorizar reformas e projetos de Estado e não tocar pautas do governo com temas sobre costumes, ou autonomia do Banco Central. E avaliando a fala do presidente da República de que sua caneta está mais cheia (tem mais poder) do que a de Maia, o presidente da Câmara afirmou que nem a caneta de Bolsonaro, nem a sua e tampouco a dos governadores estão cheias. Com déficit fiscal explosivo, economia novamente estagnada, boa parte dos Estados quebrados e 13 milhões de desempregados as canetas estão vazias, brancas, sem tinta alguma. O que é verdade. Jair Bolsonaro, infelizmente, por falta de boas ideias para o País, gastou a tinta de sua caneta para fomentar crises, ímpetos de populismo e projetos sem relevância alguma sobre armas, cadeirinhas, radares e até o intuito de indicar para o Supremo Tribunal Federal (STF) um ministro “terrivelmente evangélico”.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

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EMENDAS

O governo ter de liberar R$ 2,7 bilhões em emendas parlamentares, sr. reforma, é ou não a velha política? Quem fiscaliza onde são gastas estas emendas parlamentares, ou é só para o deputado fazer “bonito” com o seu eleitorado? Temos o direito de ver as prestações de contas destas verbas. E o sr. ainda concorda com o aumento de R$ 2 bilhões para o fundo partidário? Que desfaçatez.

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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TROCAS

Os políticos que se beneficiam de vantagens ou recebem dinheiro por facilitar a realização dos desejos de seus pagadores são corruptos e devem ser severamente punidos, certo? Da mesma forma, os políticos que se beneficiam de nomeações ou recebem R$ 2,5 bilhões por facilitar os desejos de seus pagadores (reforma da Previdência) são corruptos e devem ser severamente punidos, certo? Ops, errado.

Ailton de Souza Abrão a.abrao@terra.com.br

São Paulo

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FUNDO ELEITORAL

Essa loucura para o aumento do fundo eleitoral em tempos de crise, a quem interessa? Um modo a mais de se lambuzar?

Jonatas Rosa jonatasrosa@bol.com.br

São Paulo 

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CAUSA PRÓPRIA

Partidos votam em causa própria. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha poderá receber até R$ 3,7 bilhões no ano que vem, um acréscimo de R$ 2 bilhões em relação ao valor estabelecido no ano passado. É o que prevê o parecer do relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), deputado Cacá Leão (PP-BA). Com isso, o fundo que financia campanhas eleitorais com dinheiro público, que nem deveria existir, uma verdadeira vergonha nacional, poderá dobrar de tamanho. Em outras palavras, você que nem é simpático a algum partido, é obrigado a sustentá-lo. 

Arnaldo De Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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MANIFESTAÇÃO DESCABIDA

Sem entrar no mérito da questão sobre a possível indicação do filho deputado para embaixador do Brasil nos Estados Unidos ventilada pelo presidente da República, entendo que a manifestação do senhor ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, conceituando como nepotismo a indicação, é absolutamente descabida no que se refere à sua pessoa, pois é de todos sabido que ele foi indicado para aquela Corte por seu primo, a menos que primo agora não seja mais parente.  Também é descabida essa manifestação por se tratar de possível prejulgamento,  proibido para os magistrados, uma vez que, caso a validade da indicação for levada para julgamento do Tribunal, sua excelência pode já ter proferido de antemão sua decisão. Destarte, seria um ato de grandeza o ministro requerer sua aposentadoria, pois não há obrigação de permanecer no cargo até a data limite, podendo então se dedicar à carreira política, manifestando livremente suas opiniões, o que tem demonstrado à 

saciedade gostar muito de fazer. Por óbvio há necessidade de conseguir votação para tanto.

Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém

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DESRESPEITO

A indicação de Bolsonaro para o filho Eduardo vir a ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos é um atentado ao bom senso e um colossal desrespeito aos valorosos, experientes, estudiosos, respeitados e competentes diplomatas de carreira. Melancólica e profunda patetice. Mais absurdo ainda que o ministro das Relações Exteriores não proteste contra a decisão insana do chefe da nação. O cientista político Paulo Kramer tem razão: “O Brasil é invisível perante o mundo”. Consegue sair da obscuridade quando seus governantes metem os pés pelas mãos com destemperos e sandices.  Bolsonaro insiste em tornar o Brasil um país de galhofeiros e motivo de chacotas no exterior. Deveria completar a pantomima. Indique o filho Carlos para ser embaixador na Itália e o filho Flávio para embaixador na França. Apequenaria mais ainda o Brasil aos olhos do mundo. Seria a glória dos deuses para a família Bolsonaro. A sabatina no Senado para aprovar ou rejeitar o nome do deputado Eduardo Bolsonaro, amigo de infância dos filhos de Trump, tem o dever de atuar com isenção, firmeza e independência. Os senadores não podem dobrar a espinha e engolir pela goela abaixo mais uma diatribe do chefe do governo que depõe contra o Brasil. 

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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LIVRE NOMEAÇÃO

Se o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) não exige que seus ministros sejam juízes, por que um embaixador não pode ser nomeado para uma embaixada pelo fato de não haver exigência de que ele pertença a carreira diplomática? É um cargo político de livre nomeação.

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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ENCANTAMENTO PELO PODER

Já faz meses que o presidente Bolsonaro vem criando constrangimentos para o País com as suas inovações oriundas de um encantamento pelo poder e um conceito sobre si exacerbado. Mas agora com a pretensão de nomear o seu filho Eduardo para embaixador do Brasil em Washington, tão logo completou a idade mínima para exercer cargo, apesar de jamais pertencer aos quadros do Itamaraty, exagerou de vez. Novamente nos cobriu de vergonha perante as demais nações, não só pelas suas infelizes declarações, como as do seu filho que, ao pretender apresentar um currículo para tanto, entre outros absurdos, afirmou ter fritado hambúrguer quando por lá se encontrava. Agora só nos resta que os nossos senadores cumpram o seu dever, reprovando a indicação do deputado e nos livrando de mais esse vexame.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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PREFERÍVEL

Sinceramente, prefiro as trapalhadas do Bolsonaro e seus filhos ao comportamento de Lula e outros. Ele não está roubando nem enriquecendo os filhos e está cumprindo fielmente suas promessas de campanha. Basta interpretar suas ações de maneira objetiva. O resto é choro de derrotados e fracassados que nada fizeram. Ainda falta 90% de seu mandato. Vamos aguardar.

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro 

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ANTIGA PRÁTICA

A notícia de que nosso presidente está para indicar o filho Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil nos EUA configura um caso flagrante de nepotismo, pois o termo de origem latina nepos, genitivo nepotis (sobrinho, neto ou filho ilegítimo) denominava quem herdaria os bens da igreja católica medieval, pois bispos e padres não podiam (e ainda não podem) casar. No mundo político, pratica nepotismo quem atribui cargos ou benefícios públicos a familiares, companheiros de partido ou amigos arbitrariamente, não considerando o mérito, que deveria ser testado por currículos ou concursos. Tal procedimento é próprio de regimes autoritários, que desconsideram o Estado democrático, fundamentado na meritocracia, visto que deveria sempre ser priorizado o bem da coletividade e não interesses individuais ou de grupos. Bolsonarismo está rimando com nepotismo, a antiga prática da velha política.

Salvatore D' Onofrio salvatore3445@gmail.com

São José do Rio Preto

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MARCA REGISTRADA

Por que alguém que já fritou hambúrguer em um intercâmbio não pode ser embaixador? É o “quem indicou” que incomoda? É nossa marca registrada, é só o padrão Brasil.

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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ESTIMA PRESIDENCIAL

A grande sorte dos brasileiros. Ter várias dezenas de militares na cúpula do poder faz com que o Planalto seja respeitado e não manchado e maculado pelas incoerências, incongruências, simpatias, antipatias e pouca cultura do presidente da República. Pergunta indispensável: como fica a estima presidencial para o guru Olavo de Carvalho, que deseja ser, também, embaixador do Brasil nos EUA? Terá ele, também, feito hambúrguer lá nos States?

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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PROMOÇÃO

Um estudioso das coisas da administração formulou um princípio, conhecido como “Peter’s Principle”, que diz mais ou menos o seguinte: “Todo indivíduo, em sua carreira, é promovido até atingir seu nível de incompetência”. Nosso presidente, tentando escapar da afirmação contida nesse princípio tem se esmerado em propor medidas da mais alta relevância para resolver os grandes problemas nacionais. Entre elas podemos citar, por exemplo, eliminar os radares nas rodovias, acabar com o monopólio das armas de fogo, aumentar o limite de pontos nas CNHs por infrações de trânsito de 20 para 40, liberar a caça de javalis e o último exemplo, fundamental para o futuro do País, acabar com as tomadas elétricas de três pinos. Só agora estamos nos dando conta que nas eleições de 2018 promovemos um indivíduo cujos níveis profissionais anteriores foram capitão da reserva e deputado federal ao nível de presidente da República. Sábio Peter.

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO

Os críticos de Jair Bolsonaro precisam decidir o que querem. Se ele não acena para o Congresso com disposição para conversar sobre as reformas, é criticado por “não saber fazer política”. Quando libera emendas e propõe ministérios em troca de apoio, está praticando o condenável “toma lá dá cá”. Assim como o presidente parece estar aprendendo a fazer a boa política junto ao Congresso, seus críticos construtivos precisam igualmente aprender a reconhecê-la. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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TROCA DE PRESIDENTE

Rolf Kuntz, entrando de sola, voando baixo e nos dando a letra. O papo no texto do dia 14/7, “Bolsonaro, escolhido por Deus, pisou em Luís XIV”, é reto. Está tudo ali, o prognóstico, sem medo. Salve a opinião e a democracia, o texto do jornalista já valeu todo o preço do jornal de domingo, um tijolo. Presidente, tem que seguir o manual (Constituição). Na verdade, temos um produto avariado, que não pode ser trocado mesmo com a nota fiscal (voto). Existe um método, uma linha, um proceder e emissões de sinais de probidade a serem enviados ao povo, o “seu patrão”. Oxalá um dia possamos trocar o produto avariado por outro. No texto de Kuntz, no rastro de Lara Mesquita: “contratar e demitir, recall, recall”.

Leandro Ferreira ferreiradasilvaleandro73@gmail.com

Guarulhos 

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LULA E DILMA

Rolf Kuntz no Espaço Aberto. O jornalista Rolf Kuntz foi mordaz ao afirmar que Bolsonaro, escolhido por Deus, pisou em Luís XIV (14/7, A2). O que teria dito a respeito de Lula e Dilma, responsáveis pela degradação moral e econômica do País a níveis nunca vistos? 

Paulo Eduardo Grimaldi pgrimaldi@uol.com.br

Cotia

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NENHUMA NOVIDADE

O Estado é laico, mas somos todos cristãos, segundo Bolsonaro. A laicidade do Estado existe apenas na Constituição. “Deus é fiel” está estampado nas cédulas monetárias, feriados religiosos estão enraizados e perpetuados, milhares de cidades são identificadas por nomes de santidades e o Congresso Nacional conta com uma bancada evangélica. Um ministro terrivelmente evangélico no Supremo Tribunal Federal (STF) não será nenhuma novidade já que os atuais, sem exceção, seguem alguma religião. Ou será que são todos ateus?

J. A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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NOVO LEMA

O novo lema do governo Bolsonaro: “Militares acima de tudo e evangélicos acima de todos”.

José Varlese Filho jvarlese@uol.com.br

Mairiporã 

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AGUARDAR COM SERENIDADE

Há um dito popular que prega ser no andar da carruagem que as abóboras se acomodam. Vejo um certo abespinhamento por parte da imprensa e da sociedade em geral também, quanto ao fato de Jair Bolsonaro ter declarado que o próximo ministro do STF será alguém terrivelmente evangélico. Há pouca ou nenhuma vontade de aguardar com serenidade a indicação e futura aprovação, que será embasada nas normas da Constituição Federal. Em tempos de mais do mesmo que assolam o País, cumprimento a todos, então, pelo ineditismo do questionamento, já que nunca vi algo semelhante quando se dão as cobranças pelo fato de não existirem mulheres, negros e demais segmentos participando dos altos escalões da República, em se tratando de capacidade e confiabilidade dos indicados.

Marcia Meirelles marciambm@yahoo.com.br

São Paulo 

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INDEPENDÊNCIA

Ser político com independência e boas intenções sempre surpreende seus pares, não é Tabata Amaral?

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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POLARIZAÇÃO NOS EUA

Os violentos ataques de Donald Trump contra quatro deputadas democratas são consequência da total radicalização política e polarização ideológica nos Estados Unidos. O presidente atacou os membros da chamada “Squad” para que voltassem para os países de origem, a fim de consertar problemas sociais de lugares infestados pelo crime. Ilhan Omar (nasceu na Somália), Rashida Tlaib (filha de imigrantes palestinos), Ayanna Pressley (afro-americana) e Alexandria Ocasio-Cortez (de Nova York com família de origem porto-riquenha) responderam à altura chamando o presidente de racista, corrupto e inepto. A proposta de iniciar um processo de impeachment por causa das alegações de interferência política da Rússia na eleição de 2016 pode incendiar a política americana às vésperas da eleição de 2020.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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DEMONSTRAÇÃO NAS URNAS

A deputada Jandira Feghali, do PCdoB, disse que era líder da minoria dentro da Câmara, mas que a oposição representava a maioria do povo brasileiro. Não foi o que as urnas demonstraram nas últimas eleições. As urnas deixaram bem claro o desejo do povo por mudanças. Parece que a deputada não foi capaz de enxergar a mensagem passada pelos eleitores. 

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro 

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SABOTAGEM DE PROJETOS

Nos momentos mais difíceis da nossa história, os petistas sabotaram projetos importantes para o País, como o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Constituição de 1988, entre outros. Agora, reprisaram a mesma tática do quanto pior, melhor, fechando questão contra a reforma da Previdência. Felizmente, o texto base foi aprovado, com folga (379 x 131), no primeiro turno na Câmara dos Deputados.

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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DRAMA DOS POLICIAIS

Três policiais do Rio de Janeiro e dois de São Paulo são afastados do trabalho todos os meses por problemas de ordem psicológica ou psiquiátrica. Muitos cometem suicídio. Embora haja uma estatística nacional, sabe-se que São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul são os Estados com maior número de policiais a tirar a própria vida nos últimos anos. Em São Paulo, segundo dados da Ouvidoria das Polícias, só em 2017 e 2018 ocorreram 71 casos e o mais grave é que, destes, 20 foram em 2017 e os outros 51 em 2018, um crescimento de 73%, que preocupa o ouvidor Benedito Mariano. Não têm sido raras as greves que, mesmo proibidas, ocorrem em vários Estados, o bico que hoje é praticamente institucionalizado diante dos baixos salários e questões supervenientes como impossibilidade de suprir as necessidades familiares, dívidas, moradia de risco e outras carências. Os governantes têm o dever de voltar suas atenções para esse drama que é dos policiais, mas se projeta na sociedade que ele serve. Deprimido, pode instabilizar-se com decisões equivocadas que podem de levar à própria morte e à de terceiros.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br                               

São Paulo

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INSENSIBILIDADE DAS INSTITUIÇÕES

A desnecessária morte de mais um policial. Chamava-se Gustavo de Azevedo Barbosa Júnior e tinha 26 anos. Estava dentro da viatura policial e recebeu tiro fatal no rosto enquanto, junto com seu colega, se deslocava para deter um automóvel com registro de furto. A viatura em que Gustavo rodava por zona conturbada não era blindada. Uma das testemunhas do crime fazia parte do grupo que o praticou e identificou os demais pelos respectivos apelidos. Tudo indica que a polícia, em breve, alcançará os responsáveis. Essa é a resenha da notícia. E tudo estará resolvido quando prenderem os bandidos? Vitória da lei e dos mocinhos? Não. Está tudo sofridamente errado. A viatura em que Gustavo e seu parceiro faziam a ronda noturna deveria ser blindada, mas não há dinheiro para isso. Com toda certeza, os criminosos que o mataram não são adolescentes que pegaram o carro do pai, mas são bandidos com extensa ficha policial. Em qualquer país onde as instituições sirvam à sociedade estariam atrás das grades, isolados do convívio social, porque essas instituições jamais seriam confiadas a alguém que se vangloriasse de “construir escolas e não presídios”, como se uma coisa invalidasse a outra. 

Mais de 60 mil homicídios por ano, um roubo de carro por minuto, e nos dizem que violenta é a polícia e que no Brasil se prende demais. Foi por esse caminho que a sociedade acabou disponibilizada ao mundo do crime e as escolas passaram a diplomar analfabetos funcionais. Está tudo muito errado, por fim, quando pessoas se mobilizam e se comovem mais diante de bandidos algemados a viaturas policiais do que perante familiares de suas vítimas nos necrotérios. Caridade seletiva e de muito mau gosto. Impressiona saber que a surdez, a cegueira e a insensibilidade das instituições, malgrado terem levado o País a uma taxa de homicídios cinco vezes maior do que a média mundial, não são um problema técnico-institucional, mas um problema de pessoas concretas nessas posições de mando. E, normalmente, atribuíveis à arrogância intelectual que caracteriza o pensamento de esquerda, convicto, contra toda evidência, de sua superioridade moral. Essa mesma arrogância, no plano econômico e fiscal, quis lecionar economia e quebrou o País. No plano político, enamorou-se de longevas e intoleráveis ditaduras. No plano social, multiplicou os dependentes do Estado e deles faz bom proveito. No plano ético, energizou os redemoinhos da corrupção. No plano estético fez da recusa à beleza e da militância política credenciais para a prosperidade subsidiada. E agora, por todos os meios, combate qualquer tentativa de reverter esse miserável cenário.

Percival Puggina puggina@puggina.org

São Paulo

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TRISTE DESTINO

A baía da Guanabara já foi um dos lugares mais lindos do mundo, águas cristalinas, baleias e golfinhos costumavam viver nadando pelas tantas ilhas lindas que existem por lá. Ela foi miseravelmente destruída pela mão do homem, não sobrou nada. A água tem índices alarmantes de poluição industrial e esgoto. Todo o entorno da baía, que poderia ser a Cancun brasileira, foi ocupado de forma desordenada, sem qualquer preocupação com o meio ambiente. O presidente Jair Bolsonaro quer levar esse modelo fracassado de ocupação para todos os parques nacionais brasileiros. Bolsonaro critica as medidas de restrição impostas à visitação das praias de Fernando de Noronha, já anunciado que quer acabar com essas restrições para promover o turismo de massa e a especulação imobiliária. Um país que não aprende nunca com seus erros está fadado a repeti-los para sempre. Fernando de Noronha deve seguir o mesmo triste destino de outros lugares maravilhosos que foram destruídos pelo homem. O exemplo maior disso é o desastre que é hoje o Rio de Janeiro e sua outrora maravilhosa baía da Guanabara. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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TAXA AMBIENTAL

É impressionante como o atual governante do País cria continuamente crises sem necessidade contra sua própria gestão no poder. É exemplo disso a afirmação do presidente ao declarar que a taxa ambiental em Noronha “é um roubo”. Um adágio popular diz que por vezes “o silêncio não comete erros”.

José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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INCENTIVO AO TURISMO

Cumprimentos ao governo Bolsonaro pela oportuna e necessária iniciativa de isentar de visto de entrada turistas chineses e indianos, além dos americanos, canadenses, australianos e japoneses. Como bem disse o presidente da Embratur, Gilson Machado, o objetivo é dobrar o número atual de apenas 6 milhões de visitantes estrangeiros que o Brasil recebe por ano. É um verdadeiro absurdo que um País com as dimensões continentais, clima aprazível, belezas naturais e acolhimento caloroso da população receba por ano menos turistas que a Torre Eiffel. Welcome to Brazil.

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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DEFESA DA DEMOCRACIA

Li com indisfarçável prazer e satisfação a trajetória de Júlio de Mesquita Filho (edição de 12/7, A12). É reconfortante para nós leitores saber que o Estadão reafirma todos os dias o compromisso com as instituições democráticas no Estado de Direito, que aliás acompanha a postura do jornal desde a sua fundação. Em tempos sombrios como os que vivemos na política nacional, a defesa das instituições democráticas deve ser a pauta maior da imprensa séria. E um diário quase sesquicentenário e deve ser aplaudido por sua intransigência na defesa da democracia e as instituições que a sustentam. 

Donizete Cruz donicruz@hotmail.com

Passos (MG) 

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PENSAMENTO LIVRE

O dia 14 de julho, que acaba de transcorrer, foi escolhido para celebrar o pensamento livre. É a data da Queda da Bastilha (1789). Na França é feriado nacional. Nenhum ditador, nenhum déspota será capaz de aprisionar o pensamento humano. O pensamento é livre/ como livres são os pássaros/ como livres são as árvores ao balanço do vento/ como livres são os sonhos dos poetas/ e livres são os projetos de mundo dos que pretendem construir a utopia.

João Baptista Herkenhoff jbherkenhoff@uol.com.br

Vitória

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CONCERTO DE PARIS

A pequena nota no rodapé da página C5 do Caderno 2 do domingo, 14/7, sobre a transmissão ao vivo pelo canal Film & Arts do Concerto de Paris em comemoração à Queda da Bastilha, a partir das 16h15, proporcionou mais de 2 horas sublimes de absoluto deleite. Agradecimentos efusivos à equipe do Caderno 2.

Lenke Peres

Cotia 

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VERBAS PARA EDUCAÇÃO

A retirada de verbas do sistema educacional em todos os níveis mostra a insensibilidade do governo federal. O desenvolvimento nas áreas econômicas e social  sofre reflexos com este posicionamento. O Brasil, com sua dimensão continental, precisa de investimentos nessa área, mas pelo visto a área econômica do governo não leva isso em consideração. Uma situação inaceitável.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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COMPETÊNCIA

O risco de falência das construtoras/corruptoras é a prova de que a “competência” delas residia na corrupção.

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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MÉDICOS CUBANOS

Ao que parece, o governo está cogitando realocar no SUS os médicos cubanos que vieram pelo programa Mais Médicos e não retornaram a Cuba. Sensata decisão, uma vez que existem vagas e esses profissionais e o dinheiro que será pago a esses profissionais não será enviado a Cuba. Dar dois anos de prazo para que eles possam, aos poucos, serem testados e fazer o revalida, outra sábia medida. Pagar para quem trabalha e não para quem se locupleta.

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

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AUTONOMIA ESTADUAL

Sobre o artigo “Governo estuda subsidiar linhão de energia de Manaus a Boa Vista”, publicado no Estadão em 15/7. Quando se observa Roraima, pode-se notar que o mais pobre Estado da federação, que tem uma área próxima à do Rio Grande do Sul, com uma população equivalente à região de Criciúma e um PIB equivalente à cidade de Blumenau, de aproximadamente R$ 11 bilhões, obviamente não tem a menor condição de suportar com tributos cobrados, sua atual estrutura administrativa com seus Três Poderes. O Estado é subsidiado pela União, pois o arrecadado não paga as despesas. O linhão Manaus-Boa Vista é um bom exemplo de que em condições normais, não haveria como pagar com a Receita Anual Permitida usual os custos de capital, manutenção e operação, face às dificuldades existentes, tendo que ser subsidiada. O exemplo da falta de licenças ambientais e indígenas mostra toda a ineficiência do Estado brasileiro, travado por legislações conflitantes, que mostram que a região tem poucas possibilidades de desenvolvimento. Se existisse alguma racionalidade econômica, jamais Roraima poderia ter autonomia estadual. Sua população é politicamente super representada por oito deputados federais e três senadores, valendo um voto roraimense cerca de 25 vezes mais do que o voto de um paulista por exemplo, mandando para o espaço o princípio da isonomia aplicado ao cidadão eleitor.                        

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

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PREÇO CARO

A reportagem da jornalista Giovana Girardi, no Estadão de 13/6, sobre o aquecimento do continente Antártico, nos apresenta dados alarmantes. “De 1992 a 2017, o continente perdeu 3 trilhões de toneladas de gelo, contribuindo para um aumento médio do nível do mar de 7,6 milímetros; 3 milímetros só nos últimos 5 anos”, conforme informa a reportagem. Trata-se de gelo sobre o solo do continente cujo volume, portanto, foi totalmente transferido para o mar, em forma líquida. “O trabalho, liderado por Andrew Shepherd, da Universidade de Leeds, e Erik Ivins, da Nasa, revela que até 2012 a perda de gelo do continente era estável, a uma taxa de 76 bilhões de toneladas por ano, contribuindo com uma alta do nível do mar média de 0,2 mm por ano. De 2012 a 2017, esse ritmo triplicou, saltando para uma perda de 219 bilhões de toneladas por ano – 0,6 mm por ano de aumento do nível do mar”. Cientistas canadenses já constataram os efeitos do aquecimento global na região norte daquele País, localizado próximo ao Polo Norte. O Brasil, que elegeu um presidente que não acredita no aquecimento médio do planeta, é o que possui a maior floresta tropical do mundo e, desde sua posse em janeiro, o desmatamento da Amazônia se intensificou sob o beneplácito de um ministro do Meio Ambiente já condenado em primeira instância por crime ao meio ambiente, que só vai poder fazer as suas barbaridades até o Tribunal de segunda instância confirmar a sua sentença. Pode-se duvidar dos valores publicados sobre o aquecimento global, inclusive procurar corrigi-los, mas ignorar, não. Como a amenização do aquecimento global depende de todos os países, certamente iremos pagar caro pela decisão do presidente, afinal de contas, nossa civilização não tem outro planeta para viver. Os líderes das demais nações não ficarão inertes face a tal atitude.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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USO DE AGROTÓXICOS

Os agrotóxicos e a saúde humana. Não custa nada perguntar. Por acaso os agrotóxicos que são aplicados nos vegetais que consumimos diariamente têm controle pelas autoridades sanitárias? Não causam graves danos à nossa saúde? A imprensa tem noticiado que em vários Estados, depois de muitas chuvas as lavouras são bombardeadas com agrotóxicos em níveis insuportáveis, os agricultores usam veneno às margens de rios e córregos, exageram nas dosagens pulverizadas sobre as lavouras, colocando em risco os consumidores desses produtos e aumentando os índices de câncer e muitas outras doenças. Um dos piores agrotóxicos é o Tordon, tristemente chamado de “agente laranja” usado pelo exército americano no sanguinário ataque aos Vietcongs, na guerra do Vietnam. Aqui no Brasil é fartamente usado para preparar a terra em lugar de capina, contribuindo também para aumentar as doenças tais como fibrose pulmonar, câncer, esterilidade, deformação em fetos, etc. É o chamado “chumbo na veia”. Outro fator alarmante a ser considerado é a quantidade de hormônios que estamos consumindo diariamente através de carnes de aves, bovinas e porcos, que se alimentam de rações com altas doses deste componente. O surgimento de muitas doenças em seres humanos comprova o uso abusivo de hormônios na alimentação de animais, tudo em nome do lucro fácil sem se preocupar com as conseqüências que virão.

Marcos Tito marcostitoadvogados@gmail.com

Belo Horizonte

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FALTA DE ATENDIMENTO

Não é surpresa a dificuldade de atendimento médico em São Paulo a alguém que precise de socorro como o que aconteceu com um motoqueiro entregador da empresa Rappi, no último sábado daquela noite gelada. O entregador Thiago, de 33 anos, pai de uma menina de 6, chegou ao endereço para uma entrega, mas quem foi receber o vinho solicitado deparou-se com uma pessoa que se sentia muito mal e necessitava de socorro médico urgente. A partir daí foi uma batalha na tentativa de atender o entregador a começar pela empresa para a qual ele fazia entrega, que apenas agradeceu a informação e nada fez pela pessoa que trabalhava para eles. Ligaram para a PM, Bombeiros e SAMU, mas cada um deu uma desculpa para não comparecer ao local e transportar o doente a um hospital. Depois de tanta recusa, conseguiu-se contatar a irmã do entregador, que arrumou um amigo com carro. Foram ao local, resgataram-no e levaram ao Hospital das Clínicas, onde um segurança não deixava o doente entrar, porque só em ambulância isso seria possível. Só entraram porque aproveitaram uma ambulância que chegava e conseguiram levar Thiago para dentro do hospital. Como o atendimento foi tardio, Thiago não resistiu e morreu. Pergunta: essa morte vai ficar por isso mesmo? Prefeito, como responsável pelo SAMU, órgão da Prefeitura, qual sua providência para apurar e apontar um responsável por essa morte? Governador, que já sonha com Brasília, o que você fará para investigar membros da PM e Corpo de Bombeiros que naquela noite transferiram responsabilidades e ajudaram na morte de um trabalhador que agonizava numa calçada? O que não pode acontecer é essa morte passar em branco, não se pode usar como desculpa pelo não atendimento regulamentos que definem as responsabilidades de um PM ou Bombeiro, que negaram ir a um local socorrer alguém que agonizava numa calçada. Os responsáveis pelo não atendimento devem ser punidos, demitidos do serviço público e a Justiça processar Estado e Prefeitura para indenizar a filha da pessoa morta.

Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça

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