Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas dos leitores

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Histrionices

“Culturais, pô!” Essa foi a resposta do presidente Jair Bolsonaro ao ser questionado sobre qual filtro desejaria impor à Ancine. Talvez por essa e tantas outras estapafúrdias declarações, há quem queira compará-lo ao hilariante Carlos Bronco Dinossauro. Mas há também quem considere tal comparação uma ofensa ao inesquecível humorista (Ronald Golias).

LUÍS LAGO

luis_lago1990@outlook.com

São Paulo

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200 dias

Felizmente, ou infelizmente, votei na esperança (de nos livrar daqueles!!!). E aí, cadê a diminuição do desemprego? A melhora na segurança? De saúde nem se fala. Só vejo post no Whats e filé mignon para os filhos. E ainda sou obrigado a ver post de gente falando que ele é o cara? Têm de avisá-lo de que antes é política de Estado, não de família!

JOSÉ ROBERTO PALMA

plamajoseroberto@yahoo.com.br

São Paulo

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Promessas...

Será que para Jair Bolsonaro o termo meritocracia só serviu para campanha eleitoral, ou não valia para a própria família?

LUIZ FRID 

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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Incoerências danosas

Bolsonaro tem tido um comportamento incoerente. Tenta demonstrar humildade, mas tem atitudes que não a confirmam. As mais recentes foram a indicação do seu filho Eduardo para a embaixada nos EUA e a mudança da Ancine para Brasília (no Palácio do Planalto) para tê-la sob controle. Para piorar, parece não aceitar mudanças na sua posição. Se fosse mais flexível poderia ser o presidente que esperávamos. Ao menos parece que nos livramos do PT (Lula). 

LAERT PINTO BARBOSA

laert_barbosa@globo.com

São Paulo

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Passa-moleque

Independentemente da questão relativa à capacidade intelectual do deputado Eduardo Bolsonaro para assumir a Embaixada do Brasil em Washington, de pronto chama a atenção sua condenável indiferença ao eleitorado que na última eleição o levou à Câmara. Afinal, ele foi eleito deputado por São Paulo com nada menos que 1.814.443 votos. E agora, mal começou a cumprir o mandato que esse expressivo contingente eleitoral lhe outorgou, não titubeia em dar-lhe as costas, aceitando, de forma irresponsável, a indicação do papai? Um autêntico passa-moleque nos eleitores! Como confiar em políticos que assim agem, sempre só visando voos mais altos?

JUNIA VERNA F. DE SOUZA

juniaverna@uol.com.br

São Paulo

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Diplomacia 

De Charles de Gaulle, ex-presidente da França: “As nações não têm amigos, têm apenas interesses”. Considerando tal realidade, é de observar: Trump recentemente elevou fortemente tarifas de produtos estrangeiros vendidos nos EUA. Recuou no caso do Canadá e mais uns dois países, com os quais celebrou acordos comerciais. Quanto ao Brasil, manteve altas as tarifas – no caso do aço que exportávamos, tivemos quebras de empresas e aumento do desemprego. Pergunto: o que mesmo vai fazer em Washington o cândido e deslumbrado fã incondicional de Trump, tal como o pai?

JOSÉ BENEDITO DOS SANTOS

dossantosjosebenedito178@gmail.com

Taubaté

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À la carte

Assim como o ministro Dias Toffoli resolveu o imbróglio de Flávio Bolsonaro recorrendo a processo de um posto de gasolina em Americana contra informações confusas do Coaf ao Ministério Público, Getúlio Vargas decretou o divórcio no Brasil por uma semana, para resolver os problemas matrimoniais de sua filha Alzira, que vivia com Ernâni do Amaral Peixoto. Casado, este precisava se divorciar para casar com a filha do ditador. O pretexto foi ajudar na separação de Isabel, neta do conde Modesto Leal, casada, mas que se apaixonara pelo capataz da fazenda do pai. O conde, que era íntimo amigo de Getúlio, apresentou-lhe a questão e este matou dois coelhos com uma só canetada – que não era BIC. 

PAULO SERGIO ARISI

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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Revalida

Informa o Estadão que o exame de revalidação para médicos formados no exterior poderá ser realizado por universidades privadas. Correremos um sério risco e, como médico, encontro a resposta na brilhante exposição feita pela dra. Leontina da Conceição Margarido (artigo Doenças tratáveis continuam a matar, 19/7, A2). A autora cita o estabelecimento de políticas públicas como a formação qualificada dos profissionais da saúde e o aumento do ensino teórico e prático das endemias, entre outras. Ora, sabemos que a imensa maioria das faculdades privadas fornece uma formação médica deficitária, haja vista os resultados dos exames para qualificação médica. Há, sim, médicos suficientes no Brasil. O que falta é gestão pública.

CLAUDIO BAPTISTA

clabap45@gmail.com

São Paulo

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Caixa-preta

Sobre a abertura da caixa-preta do BNDES, Hélio Telho, procurador da República em Goiás, disse o seguinte em dezembro de 2014: “Nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção. E será no BNDES. Se na Petrobrás havia o TCU investigando e denunciando fraudes, no BNDES nós não temos nada, não sabemos nada”.

MARCELO MELGAÇO

melgacocosta@gmail.com

Goiânia 

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AUTÓDROMO NO RIO

Orgia

É piada? No Rio de Janeiro – um Estado pra lá de quebrado – querem gastar R$ 700 milhões na construção de um elefante branco para voltarem a receber a Fórmula 1. Será que as roubalheiras no PAN-2007, na Copa e na Olimpíada não ensinaram nada aos cariocas? Que tal, antes de fazer outra gigantesca orgia com dinheiro público, resolver os probleminhas da educação, segurança, saúde, etc.?

LUCIANO NOGUEIRA MARMONTEL

automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)

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Só uma sugestão: depois de construírem o autódromo e um estádio de futebol – como apareceu naquela maquete apresentada pelo presidente –, que tal construírem também uma ciclovia suspensa ligando Deodoro à zona sul? Como sempre, tudo sem nenhum dinheiro público, só da iniciativa privada, claro.

JOSÉ JAIRO MARTINS

josejairomartins7@gmail.com

São Paulo

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“Eduardo já sabe fritar hambúrguer e agora papai vai lhe dar o filé mignon. Em vez de ser nomeado embaixador, deveria partir para o empreendedorismo e abrir uma lanchonete ou um açougue”

DARCI TRABACHIN DE BARROS / LIMEIRA, SOBRE O 03 DO CLÃ BOLSONARO

darci.trabachin@gmail.com

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“Bancos estão transformando o consignado numa indústria de exploração de idosos com limitações de cognição”

FRANCISCO JOSÉ SIDOTI / SÃO PAULO, SOBRE ILICITUDES NO EMPRÉSTIMO PARA APOSENTADOS

fransidoti@gmail.com

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ETERNIZAÇÃO NO PODER

Monarquia ou democracia? Somos constantemente lembrados que, no nosso regime democrático representativo, o Congresso constitui um espelho da sociedade. Pode, no entanto, tal axioma constituir uma assertiva honesta, nesta terra de Pindorama, onde se dispõe de um sistema eleitoral doente que clama por urgente tratamento que não vem, dentro de uma matriz partidária de pouco significado, pois não passa de um conjunto de siglas? Trata-se, na verdade, de uma engrenagem que, ao contar com a lamentável cumplicidade do povo que não assume sua parcela de poder e depende dos "paizões", transforma a mesma sociedade em refém acuado, posto que, sem muitas alternativas, acaba levando ao poder os mesmos ou seus prepostos, numa lamentável eternização. Tudo indica que, na prática, vivemos num regime que está mais para monarquia do que democracia.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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REFORMA DEFICIENTE

Sem Estado e município, reforma será incompleta. A aprovação da reforma da Previdência é tida como certa. Mas as pendências preocupam. Especialmente o fato de que Estados e municípios ficarão fora. Sem eles, que detêm 85% do funcionalismo público brasileiro, a reforma será deficiente. As unidades federadas continuarão em déficit, "quebrarão" e a União será obrigada a nelas investir o dinheiro dos impostos que pagamos, pois o ente público não vai à falência e o Tesouro cobre seus rombos. O País possui 11,5 milhões de servidores públicos, sendo 6,5 milhões municipais, 3,7 milhões estaduais e apenas 1,3 milhão (ou 15%) federais. É espantoso que Estados e municípios não estejam incluídos porque parlamentares com interesse nas eleições municipais do próximo ano não queiram ficar mal perante os servidores de seus redutos. Governadores do Nordeste, por sua vez, falam ao governo que são favoráveis, mas liberam suas bancadas para trabalhar e votar contra o projeto. É preciso mais comprometimento da classe política, que foi eleita para servir ao País e não a si própria ou a seus partidos e grupos.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br                         

São Paulo

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RETÓRICA

Presidente, votei no senhor e apoio sua causa com paixão, mas acredito que a declaração sobre os governadores do Nordeste foi equivocada. Respeitosamente, lembro o sr. da importância do cargo presidencial como representante de toda a nação e que o uso daquelas palavras antagoniza gratuitamente uma parte importante do País para a economia e para o apoio - e consequente continuidade - ao seu projeto, tão imprescindível para a prosperidade de nossa pátria. A manipulação e o viés existem como uma chama que ameaça o governo e devem ser combatidos com a água do tato e da prevenção e não com o álcool da retórica defensiva. Acredito que falo por uma parte relevante de seu eleitorado (inclusive de muitos que, por essa razão, preferiram não votar no sr.) quando digo que iniciativa sem tato é como uma enchente sem represas e que, não obstante seu desempenho notável em muitos campos, o uso da retórica tem deixado muito a desejar - e isso só fortalece os demagogos que planejam a sabotagem da salvação do Brasil que sua administração busca lograr. Força capitão, tenho fé em sua capacidade.

Lund de Castro Lobo dos Santos lund.castro@hotmail.com

São Paulo

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O PRESIDENTE E A SOCIEDADE

Um presidente que se preze precisa constantemente falar com a sociedade. E independente de enfrentar uma oposição, o que é comum pelo mundo, precisa ser sóbrio, conviver bem com as críticas, demonstrar conhecimento das prioridades e do clamor popular. Não pode governar para amigos, ser beligerante, ou cultivar o ódio, como infelizmente agiu Jair Bolsonaro nos seus 200 dias de gestão. Uma de suas últimas escorregadas foi o menosprezo da região Nordeste, que congrega uma população de 57 milhões de dignos brasileiros, quando fala ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que "daqueles governadores de 'paraíba', o pior deles é o do Maranhão (Flávio Dino-PCdoB)", e "não tem de ter nada para esse cara". Como se o Planalto não devesse governar e ajudar também o povo do Maranhão por causa de um opositor como Dino. Neste sentido, Bolsonaro recebeu uma dura advertência do general Luiz Rocha Paiva, que disse que o presidente é incoerente, demonstra atitude "antipatriótica" "postura beligerante" e "sectária". Nesta mesma semana o presidente também afirmou que "se reclamarem muito", fecha a Agência Nacional do Cinema (Ancine), pois não se deve gastar dinheiro com um filme como Bruna Surfistinha. Também indignou a nação quando disse que no Brasil ninguém passa fome, quando temos mais de 5 milhões de pessoas subnutridas, além do flagelo de 13 milhões de desempregados e 28 milhões de subempregados. O presidente, infelizmente, sem papas na língua, criticou o Inpe, por ter divulgado um alto índice do desmatamento na Amazônia, como se fosse falso. O diretor do Inpe, Ricardo Magnus Galvão, rebateu as críticas, dizendo que Bolsonaro, tomou atitude "pusilânime e covarde" Ora, o presidente deve achar que ainda estamos nos tempos da pedra lascada e não sabe que os especialistas do Inpe transmitem dados que são captados via satélite, e que ninguém duvida. Recentemente o presidente também criticou o IBGE sobre o alto índice de desemprego. Ou seja, Bolsonaro, soberbo, incapaz de governar tal qual um estadista, só quer aplausos, coisa de governos populistas e demagogos. E para completar essa desastrosa semana, o presidente disse apoiar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que suspendeu as investigações sobre movimentações financeiras duvidosas, que incluem seu filho, senador Flávio Bolsonaro. Demonstra se lixar se essa decisão absurda de Toffoli também suspende todas as investigações de combate à corrupção e ao crime organizado, como da lavagem de dinheiro, etc. Parece governar para os amigos e principalmente para seus filhos. Em sete meses de gestão, além da promessa de um 13º para os beneficiários do Bolsa Família, nenhuma outra atitude tomou a favor dos pobres, um contingente de quase 50 milhões de brasileiros. Uma decepção.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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REPERTÓRIO

Depois do repertório da última sexta-feira, o presidente poderia nos poupar de suas asneiras neste domingo.

Jose Wilson Gambier Costa jwisonlencois@hotmail.com

Lençóis Paulista

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FINANCIAMENTO DE FILME

Sabe aquela história de dizer que um relógio quebrado marca a hora certa duas vezes por dia? Mal comparando, a afirmação de Jair Bolsonaro de que o dinheiro público não deve ser usado para pagar filmes pornográficos, tipo Bruna Surfistinha, acerta na mosca. Em tantas barbaridades ditas por ele, acabou acertando desta vez, embora certos "intelectuais" que vivem disso não concordem.

Ademir Valezi adevale@gmail.com

São Paulo

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ESTÍMULO AO EMPREENDIMENTO

O respeito ao Direito e, consequentemente à Carta Magna e leis vigorantes, tem sido a constante nestes primeiros meses do governo atual, apesar de o presidente da República dedicar bom tempo de seu trabalho a questiúnculas e divagações com temas menores. Entretanto, o empresariado e os desempregados esperam uma atuação mais firme e veemente com relação ao alavancamento e reação da economia, como por exemplo: desburocratização efetiva, redução do custo das contratações laborais, maiores facilidades ao crédito, redução de exigências para abertura de novas empresas, além de outras medidas que podem ser tomadas por decreto presidencial. O tema mais atual, após a aprovação parcial da reforma da Previdência, é o estímulo ao empreendimento e à contratação de mão de obra. Então, nada de expectativas, mas ações já e com o intuito de convencer e conclamar as forças produtivas nacionais.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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PODER JUDICIÁRIO

Nas grandes mudanças que estão sendo discutidas pelo Congresso Nacional em consonância com o governo federal, está faltando uma tão essencial, ou mais, que a reforma Tributária. A reforma do Poder Judiciário. De fato, o Poder Judiciário no Brasil custa caro para o País e para aqueles que nele procuram abrigo contra ilícitos de que foram vítimas. Tanto na área criminal como na área civil, a sua atuação chega perigosamente ao ridículo, com processos caminhando a passos de cágado, o que favorece tão somente aqueles que possuem posses para pagar advogados especializados em chicanas. Não raras vezes donos de fortunas que obtiveram furtando os cofres públicos. A situação é tão surreal que muitas vezes o crime acaba compensando, seja por extinção do processo por decurso de prazo, seja por uma decisão monocrática de um ministro do STF. Posso citar dois exemplos para expor o absurdo da nossa Justiça. A primeira refere-se aos precatórios, ou seja, os valores que uma administração pública deve ao recorrente em processo transitado em julgado. Um processo coletivo de que sou parte, que já completou 25 anos sem que tenhamos recebido o que é nosso de direito. Há mais de um ano, a administração pública depositou finalmente os valores a serem pagos. Entretanto, até hoje não recebemos nada, pois o juiz ainda não liberou o pagamento sem que tenhamos a mínima ideia do porquê. Outro exemplo e o motivo principal desta carta é a decisão monocrática do ministro Dias Toffoli, que absurdamente, a meu ver, condicionou o compartilhamento de dados de órgãos do governo à prévia autorização judiciária. Tal decisão foi dada em processo em que a defesa do senador Flávio Bolsonaro responde, onde o Ministério Público utilizou dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por fatos ocorridos quando era deputado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. O presidente Toffoli fez mais, marcou a discussão desse processo pelo plenário do STF para fim de novembro deste ano. Ora, essa decisão monocrática já causou de imediato recursos das defesas de inúmeros réus, larápios dos cofres públicos. Eis mais uma excrescência da nossa Justiça. O STF existe, fundamentalmente, para que os seus ministros analisem os processos à luz da Carta Magna e no plenário e decidam pela mais justa interpretação a respeito. Pela lógica, decisões monocráticas, não deveriam sequer existir naquele Tribunal. 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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SEDE DE DEVER

Na entrevista ao Estado o ministro Toffoli acusa os órgãos de controle de agir com "sede de poder" nos numerosos casos em que o Coaf indicou haver transações atípicas e as investigações foram feitas sem autorização judicial. Esse ministro tem biografia não condizente com o cargo, folha corrida de decisões atípicas e usa uma linguagem política que não se coaduna com as funções da toga. O que os "órgãos de controle" têm é sede de dever, coisa que ele e pelo menos dois outros colegas de toga não mostram ter. Além disso é possível que ele tenha motivos mais íntimos para o que fez, conforme certos rumores. Que fale o Senado. A CPI da Toga e o impeachment de Gilmar Mendes têm de ser colocados em pauta por Davi Alcolumbre, como muitos senadores do bem têm exigido abertamente.

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br 

São Paulo

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LAVAR AS MÃOS

A harmonia dos poderes consiste apenas em, juntos, lavar as mãos, logo após cada um pegar o seu. Quanto ao cidadão, que se dane...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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FINANCIAMENTO DE CAMAPANHA

O desvio de finalidade no uso de recursos públicos do fundo partidário para financiamento de campanha justifica a criação de uma CPI no Congresso. Partidos e candidatos inescrupulosos inventam candidaturas laranjas e serviços não prestados para aumentar o patrimônio por meios ilícitos.

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

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IMPESSOALIDADE

República estremecida. Ao admitir escancaradamente "pretendo beneficiar meu filho, sim", Bolsonaro fulmina os mais elementares princípios do regime republicano. O princípio da impessoalidade da gestão pública, contemplado no art. 37 da Constituição do Brasil, foi lançado às calendas gregas. Desprezo à lei maior, declarado desassombradamente, é motivo suficiente à adoção das mais sérias e drásticas medidas contra um presidente da República. Nosso país claudica. O medo ou o consequencialismo de conveniência não pode sufocar a voz dos cidadãos de bem desta terra.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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NADA QUE DESABONE

A meu ver, nada contra a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro para ocupar o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, visto que foi um dos deputados mais votados na história do Brasil. Até então, nada que o desabone. Agora, se levarmos em consideração que o ex-senador da República, Aloysio Nunes Ferreira, quase chegando à vice-Presidência do Brasil na chapa com Aécio Neves, com um passado nebuloso, envolvido na operação Lava Jato, sobre a atuação quando exerceu o cargo de ministro de Relações Exteriores, está certíssimo o presidente Bolsonaro em indicar seu filho para a Embaixada Americana.

Arnaldo Luiz de Oliveira Filho arluolf@hotmail.com

Itapeva

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NOMEAÇÃO POLÍTICA

Eu gostaria de saber por onde andavam quando o presidiário Lula e a estocadora de vento também faziam nomeações consideradas nepotismo. Nomeação política é política. Não é técnica. Nomeações políticas estão enraizadas no Brasil desde a época em que o País era Colônia. Não tem como isso não existir. O chefe do Executivo tem seus nomes de confiança. O ideal é que os cargos em qualquer nível sejam técnicos. Já houve avanço neste sentido em alguns órgãos, empresas estatais, etc, mas a extensão total é difícil. Quando vejo besteiras como "a nomeação do Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil em Washington não é republicana, fere princípios, etc", ou "só na Arábia Saudita diplomacia é tratada como capitania hereditária", me dá vontade de perguntar se está tudo certo, tudo bem no País, e esta é a única coisa errada. 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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RECURSOS DE LULA

Os advogados de Lula persistem praticando chicanas jurídicas como o ardil de utilizar o plantão do TRF-4 para obter um habeas corpus de ocasião para soltar o Lula. Em julho passado, os causídicos aproveitaram o plantão no TRF-4 do desembargador Rogério Favreto, arraigado petista, para obter um HC a favor da soltura do Lula. A trama urdida foi abortada, em tese, por iniciativa do desembargador federal Thompson Flores, então presidente do TRF-4, que teria dado ordem para manter o Lula na superintendência do órgão em Curitiba. Para os advogados de Lula, o magistrado deveria ser declarado suspeito em razão dessa "pseudo" atuação e impetraram pedido no TRF-4. Nesta quinta-feira, 18/7, por unanimidade, o colegiado que integra a Quarta Sessão do TRF4 negou o pedido de suspeição de Thompson Flores que poderá participar, na Oitava Turma do TRF-4, do julgamento de Lula no caso de Atibaia. São intermináveis os recursos protelatórios dos advogados de Lula, felizmente em vão. Há que se dar um basta nas tramoias protelatórias. Seria oportuno que o desembargador federal Victor Laus, atual presidente do TRF-4, marcasse urgentemente o julgamento do Lula no processo do sítio de Atibaia. As provas são asseguradas como robustas o que deve resultar na condenação do Lula em 2.ª instância e sua permanência na cadeia. Para se evitar convulsões no País deve ocorrer antes de setembro, quando Lula pode deixar a cadeia no caso do triplex do Guarujá por ter completado um sexto da sentença.

Junios Paes Leme junios.paesleme@outlook.com

Santos

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ATENDER PRIVILEGIADOS

Sem hipocrisia: a prisão máxima no Brasil não passa de 5 anos, para os piores crimes. Senão, vejamos: não há pena a cumprir com mais de 30 anos pelo Código Penal. Consideramos que, como quase todo preso tem "boa conduta", cumpre 1/6 da pena, que são 5 anos. Será que algum criminoso tem medo da Justiça? As leis no Brasil, desde os primórdios, sempre foram para atender gente privilegiada...

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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PARTICIPAR DA POLÍTICA

Antes de mais nada quero parabenizar e exaltar o espírito público de Tábata e dos demais 18 deputados que tiveram a coragem de enfrentar o fechamento de questão de seus respectivos partidos. Na sequência, não posso deixar de registrar o despreparo de Luciano Huck para cargos públicos. Este senhor esperava o que? Ele não se dá conta que estamos enfrentando uma quadrilha de políticos sujos? Ele imagina que com métodos suaves conseguimos extirpar esta quadrilha do cenário político? Ciro e Lupi são pessoas que respeitam a independência de pensamento? Estes dois colocariam em algum momento o interêsse do País acima dos pessoais? Ledo engano. É preciso que todos nós nos demos conta de que há hoje na Câmara uma maioria (consequência da última eleição) que pensa no País, mas esta está tolhida, pois a velha política isola-á no dia a dia. Mas não haverá votação que se curve, em plenário (eliminemos decisões de líderes), aos métodos destes velhos políticos. Temos que nos lembrar que Rodrigo Maia, integrante do famigerado Centrão, apregoava aos quatro cantos que não haveria votos na Câmara para aprovar a Previdência. A não existência de votos se mostrou com os 379 votos favoráveis a nova Previdência. É assim que a velha política pretende aterrorizar o País. Eis porque pessoas como Luciano Huck, antes de se lançarem no meio político, precisam se conscientizar que para limpar nosso Congresso há que se ter espinha dura. Uma simples ação como a de Lupi e Ciro não pode surpreender quem se propõe a participar da política.

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas

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REFORMA POLÍTICA

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que concorda em não se candidatar à reeleição se for realizada no País uma "boa reforma política". Uma boa reforma política seria aquela que otimizasse a campanha eleitoral, que estabelecesse o voto distrital, que tivesse poucos partidos políticos, que economizasse recursos para o País, que evitasse que a cada dois anos o País pare politicamente porque os políticos priorizam a continuidade de seus mandatos ao invés de ater-se às questões institucionais, que possibilitasse a renovação política, enfim, que gerasse um sistema político que fosse benéfico para o Brasil e não para os políticos. Assim, poder-se-ia instituir, a partir de 2023, mandatos de cinco anos para presidente da República, governadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e um terço do Senado. Os atuais mandatos federais e estaduais seriam prorrogados por mais um ano. Com isso, os senadores passariam a ter mandatos de dez anos sem direito à reeleição. Os deputados federais e estaduais poderiam concorrer a uma reeleição. O presidente da República e os governadores não poderiam concorrer à reeleição. Desta forma, a democracia brasileira ganharia mais estabilidade, recursos seriam economizados, a sociedade teria maior renovação dos quadros políticos, o dispêndio de recursos com eleições seria menor. Ou seja, o País e a sociedade teriam muito a ganhar.

Ricardo Tannenbaum Nunez r.nunez58@hotmail.com

Marília

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AI-5

Há exatos 51 anos, em 17/7/1968, ocorreu um tenebroso eclipse democrático no Brasil a partir da promulgação do famigerado Ato Institucional nº 5, AI-5, pelo governo militar do general Costa e Silva. "Dali em diante, houve a radicalização dos instrumentos de controle e repressão e a proibição de todas as manifestações públicas, a suspensão do habeas corpus em casos de crimes contra a Segurança Nacional, a regulação das atividades artísticas pela censura e o impedimento ao livre acesso a informações de natureza pública" (apud Migalhas). Durante longos e intermináveis 21 anos do regime de exceção (1964 a 1985), de lamentável e triste memória, o País ficou na escuridão, eclipsado pela violenta ditadura militar sobreposta ao sol nosso de cada dia. Nestes tempos estranhos em que se vive a nostalgia dos autoritários tempos passados, com movimentos direitistas e ultra-radicais vicejando mundo afora, é bom estar sempre prevenido para que o fenômeno nunca mais ocorra nestas bandas. Ditadura e censura nunca mais. 

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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HOMENS COM COMPAIXÃO

Durante reparos em vazamentos no teto da cúpula do plenário do Congresso, operários encontraram nas paredes mensagens deixadas pelos "candangos" que participaram da construção do prédio. Uma delas, assinada por José Silva Guerra, assim dizia: "Que os homens de amanhã que aqui vierem tenham compaixão de nossos filhos e que a lei se cumpra". Meu caro José, seus filhos e netos, assim como todos os brasileiros, estão aguardando pelo surgimento desses homens. Por certo vão chegar, mas só Deus sabe quando. Como disse Oscar Niemeyer, criador de Brasília: "A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem".

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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