Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2019 | 03h00

OPERAÇÃO SPOOFING

Os invasores e a LSN

A prisão dos acusados de hackear os telefones do ministro Sergio Moro e de cerca de mil outras pessoas, incluídos os presidentes da República, da Câmara e do Senado, pode ser a porta para a identificação de uma imensa teia de conspirações. É preciso chegar aos eventuais mandantes e custeadores, identificar as motivações e enquadrá-los nos tipos penais compatíveis. Como envolvem, além do sigilo pessoal, autoridades e agentes públicos, entes do Estado, tanto os hackers quanto seus contratantes devem ser processados com base na Lei de Segurança Nacional (LSN). A violação do sigilo das comunicações pode levar a problemas pessoais, danos à segurança pública, impactos econômicos e até a conflitos entre países, com a possibilidade de guerra. Há que considerar que as eleições mudaram o governo, que tem mandato até 2022. Se a invasão teve por objetivo salvar a pele de Lula, é ainda mais indevida, além de criminosa. O melhor que os adversários de Jair Bolsonaro têm a fazer é deixá-lo governar e, se pretendem voltar, tentar ganhar as próximas eleições.

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES

aspomilpm@terra.com.br 

São Paulo

O importante é saber quem foi hackeado e não o que foi hackeado. Assim poderemos ter noção de onde veio o vento...

CECILIA CENTURION

ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

Cuidado com isso

É prudente, de fato, afastar o PT de suposta conexão com os hackers (República de hackeados, 26/7, A6). Afinal, trata-se de um partido de conduta ilibada. Dossiês frios contra Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Motta e José Serra, mensalão e petrolão são obras de ficção e não admitem ilações maldosas. Já quanto à vulnerabilidade cibernética, registre-se que a chanceler alemã Angela Merkel e uma centena de políticos de seu país tiveram suas comunicações invadidas e criminosamente publicadas nas redes sociais. Nem o governo da Alemanha, importante polo de transformação digital, está livre dos hackers.

CELSO L. P. MENDES 

cpmconsult@uol.com.br

São Paulo

Lamentável demanda

Na década de 1960, um lavrador semianalfabeto, desses com gosto pela prosa de botequim, afirmava que “em política e nos negócios não se deve confiar nas quatro paredes, nem no telefone preto, muito menos na língua, o pior pedaço do corpo”. Em plena sociedade do conhecimento, o deslumbre com o poder, inspirado também pelas facilidades tecnológicas, causou uma controversa transformação na percepção e no processo de agir dos cidadãos alfabetizados com responsabilidades públicas. Essa oferta proporcionou uma lamentável demanda: a potencialização dos hackers e os consequentes constrangimentos da atual conjuntura.

ALÉSSIO RIBEIRO SOUTO

souto49@yahoo.com

Brasília

Cumplicidade

Os hackers são criminosos perigosíssimos, que agridem o cidadão comum por meios inimagináveis. Dai a importância de combatê-los. E também os que compartilham suas mensagens.

EUGÊNIO JOSÉ ALATI

eugenioalati13@gmail.com 

Campinas

ROUBO DE OURO

Em Guarulhos

A longa sucessão de grandes roubos no Brasil indica que esses crimes, com toda a certeza, não são praticados por meliantes pés de chinelo. Por sua ousadia, organização e capacidade de deixar poucos rastros se pode observar que o crime comum evoluiu muito. Tanto o crime organizado, muito inteligente, como o crime politicamente organizado, muito corrupto, que durante os governos petistas saqueou o País, fazem parte da evolução do mesmo meio social. Segundo um famoso pensador alemão, cada sociedade ou subgrupo social produz seus criminosos típicos, em todas as épocas e todos os lugares, fenômeno social também observado aqui. Já na antiga Grécia havia uma modalidade de crime organizado, a pirataria marítima, que exigia muita organização, informação, recursos (navios, tripulações, armas e suprimentos) e perturbou muito naquela época e nas subsequentes, pelos danos causados. Como curiosidade, Platão, o grande filósofo da Antiguidade, foi aprisionado por piratas, que cobraram grande resgate por sua libertação, o qual foi pago por Atenas. 

ULF HERMANN MONDL

hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

De cinema

Não surpreende mais a ousadia dos roubos a caixas eletrônicos, agências bancárias, carros-fortes e, por fim, os de cargas em empresas e aeroportos. Vários filmes americanos já mostraram o planejamento e a execução de tais operações, que muita vezes dão certo. Portanto, a contraoperação defensiva de segurança deve ser mais bem estudada, para tentar impedir a proliferação em grande escala desses quatro tipos de assalto. É preciso melhorar o equipamento, o treinamento e o monitoramento, com vigilância online, investir em serviço de informação e estabelecer senha e contrassenha em operações de transporte de grandes valores.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

EM SÃO PAULO

Segurança pública

O efetivo policial será reposto em São Paulo? Ninguém do governo do Estado fala nesse assunto. Em vez disso, trata-se de questões partidárias, renovação de diretórios e até, precipitadamente, se lança o governador, com 180 dias de gestão, como pré-candidato à Presidência da República em 2022. Enquanto isso, a população fica sem segurança pelo fato de as forças policiais civil e militar estarem depauperadas pelo desmonte realizado ao longo dos últimos 25 anos. São 13 mil policiais civis a menos nas delegacias e menos 12 mil policiais militares nas nossas ruas. Isso é pouco? Então, por que o governador João Doria nunca fala desse assunto de forma transparente e honesta?

RAFAEL MOIA FILHO

rmoiaf@uol.com.br

Bauru

MEMÓRIA

O homem na Lua

Simplesmente magistral e emocionante o artigo A Apollo 11 marcou minha vida (25/7, A2), do ilustre jornalista Ethevaldo Siqueira. Ele sintetizou toda a emoção que sentimos a distância por aquele feito histórico e memorável da primeira alunissagem de um ser humano em nosso satélite natural. Congratulações efusivas por nos levar novamente àquela data inesquecível, há meio século.

CLÊNIO FALCÃO LINS CALDAS

clenio.caldas@gmail.com

São Paulo

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CLAREZA

O ministro Sergio Moro diz que vai destruir as mensagens apreendidas com os hackers. A notícia causou perplexidade nos magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF). A situação exige clareza nas informações, para evitar distorções com desdobramentos prejudiciais ao sistema Judiciário e Executivo.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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PRIVACIDADE

A informação do ministro Sergio Moro, confirmada pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, de que o material hackeado apreendido seria descartado, causou, como era de se esperar, grande agitação, principalmente entre seus detratores, que não hesitam em acusá-lo de tentar destruir provas contra ele. A Polícia Federal, acertadamente, já comunicou que tal decisão caberá à Justiça. Entretanto, mesmo para quem não é do meio jurídico, o raciocínio do ministro é lógico e nada suspeito: o descarte visaria preservar a intimidade de quem teve o celular invadido. Ora, isso é mais do que evidente. Basta fazer a seguinte analogia: se um cidadão tem seu telefone roubado e em seguida recuperado pela polícia, cabe à autoridade devolver o aparelho ao dono sem vasculhar seu conteúdo. Afinal, todos nascem inocentes até prova em contrário, é o que reza a Constituição. A gritaria excessiva de uns e a falta de bom senso de outros chegam a ser patéticas. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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DESPISTAR

Um crime foi usado para esconder outro. As conversas entre juiz e promotores já seriam suficientes para processos e condenações e não haviam sido refutadas, ainda que obtidas de forma questionável. Agora, surge um ataque hacker que mais parece cortina de fumaça, ou seja, uma lamaçal criminoso para despistar que houve forte atentado ao Estado Democrático de Direito. Em condições democráticas normais, todos os envolvidos teriam sido afastados de seus cargos para devida apuração. Mas quando até a Suprema Corte faz política e manobras para defender o filho do presidente, restará pouca coisa além da barbárie. 

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

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PREOCUPAÇÃO

O Brasil é uma piada: existe uma avalanche de provas concretas capazes de colocar na cadeia boa parte de Brasília, mas o País está preocupado com conversas telefônicas gravadas ilegalmente, e que portanto não provam nada. Quando o então presidente da República Michel Temer teve uma conversa sua gravada, em uma ação autorizada pela Polícia Federal, tratando do recebimento de propinas com um notório criminoso, Temer se livrou das acusações demandando intermináveis perícias nos poucos minutos de gravação. Se as tais gravações das conversas de mil pessoas grampeadas ilegalmente forem ser devidamente analisadas esse processo se arrastará para muito além do Juízo Final. Prendam os que praticaram as gravações ilegais e joguem foram as gravações, simples assim. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo 

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DESTRUIÇÃO DE VESTÍGIOS

Destruição das mensagens, abuso insólito de autoridade. Certamente é o primeiro momento de nossa história jurídica em que um ministro da Justiça determina à Polícia a destruição de vestígios de um ato criminoso, integrantes da amplitude docorpus delicti. A consequência seria a absolvição ou condenação minorada dos acusados, por falta de comprovação plena da materialidade do ato delituoso. Não se trata apenas de óbvia usurpação de poderes jurisdicionais, mas dá mais eficaz defesa dos futuros réus. E de ilegalidade, porquanto a lei impõe o exame de corpo de delito integral. Por tal razão, expressou um ministro do STF que o descarte do objeto do crime somente pode dar-se depois da coisa julgada. E acrescentamos: da coisa julgada absoluta, aquela da qual não cabe mais ação rescisória, por expressa determinação do juiz. O que não se compreende, salvo ilações, é a conduta do ex-juiz Moro, nomeadamente conhecedor da ciência do direito, em sua ansiedade por derruir as mensagens. 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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VERDADEIRA MOTIVAÇÃO

Ainda não é possível saber a verdadeira motivação do grampeamento de tantas autoridades, notadamente as envolvidas com a Operação Lava Jato. É factível que um dos envolvidos, Walter Delgatti, estelionatário e falsificador de documentos, não iria participar de toda essa perigosa e complicada ação para entregar o longo e abrangente trabalho com pagamento tipo 0800. É muito lógico que que houve um financiamento ou pagamento por conteúdo disponibilizado.

Ab Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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PENALIDADE EXEMPLAR

O trabalho exemplar da Polícia Federal merece ser elogiado. Entretanto, o caso não pode parar por aí. É muito grave que os hackers ingressem livremente em celulares presidenciais e ministeriais. Precisam levar penalidade exemplar e serem alijados do convívio com a internet. 

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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À MERCÊ

Se quatro jovens amadores entram nos telefones do presidente da República, ministros do Supremo, presidentes do Senado e Câmara, imagine o que profissionais de serviços de informação de governos e de empresas de comunicação podem fazer em nossos celulares e computadores. Estamos todos descobertos e à mercê dos hackers e do “big data”. Adeus privacidade.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre 

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DESESTABILIZAR A NAÇÃO

O PT perdeu as eleições e quis desestabilizar a nação na defesa de um corrupto.

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas  

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JULGAMENTO SOBRE COAF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que proibiu o andamento das investigações, especialmente às ligadas à Operação Lava Jato, percebeu que fez um grande “desfavor” ao País. Como sua esposa e do seu colega Gilmar Mendes também são alvos de investigações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), aproveitou a “deixa” no caso Flávio Bolsonaro e, numa canetada, barrou tudo. Agora, percebendo a indignação dos homens de bem e com “cara de paisagem” resolveu – se seus colegas concordarem – colocar em votação no plenário, logo na volta do recesso do Judiciário, o julgamento do malsinado “caso Bolsonaro”.        

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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‘ONDE ESTÁ TODO MUNDO?’

Gabeira tem razão em seu artigo de hoje publicado no Estadão, “Um Paradoxo Tropical”. (26/7, A2). “Onde está todo mundo?” pergunta ele (e eu também), referindo-se às camisas amarelas e bandeiras do Brasil, diante da decisão de Toffoli de interromper as investigações do Coaf que antes seguia o dinheiro – follow de money –, mas que agora prega: “esqueça o dinheiro”. Está proibido segui-lo daqui por diante, como era feito pelo Ministério Público na tão elogiada Lava Jato. Agora tudo voltou como era antes no Sobral de Abrantes. E levando-se em conta que isso se dá com o fio que liga os interesses de Bolsonaro para proteger os supostos ilícitos do filho Flávio e as investigações que pairam sobre as movimentações suspeitas nas contas das esposas de Toffoli e Gilmar. Assim, tudo bem costurado, nada mais escapou que viesse à tona revelar escândalos de corrupção deles e de milhares de criminosos. Dessa forma confortável nenhum bolsonarista  precisou, e nem quis, Deus o livre, sair às ruas junto com os carros de som do Vem Pra Rua e do MBL, do Nas Ruas e outros que  providencialmente silenciaram porque corrupção a combater, agora todos sabem, é só aquela do adversário. Do atual governo, jamais. Ah, sim, com o beneplácito do ministro da Justiça Sergio Moro e dos “valentes” procuradores da Lava Jato. Foi-se a ilusão de que caminhávamos na direção ao desenvolvimento civilizatório, do verdadeiro combate à corrupção. Quanta tristeza isso traz, quanto desalento, pois eu realmente acreditei.

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas 

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EM CAUSA PRÓPRIA

Sobre o magnífico artigo de Fernando Gabeira “Um paradoxo tropical”. O povo está cansado de nadar contra a maré, é a luta de Davi contra Golias, é chover no molhado. As leis são feitas em causa própria. A mulher de Gilmar Mendes foi investigada, o escritório de advocacia da mulher de Dias Toffoli foi investigado, ele próprio foi citado em uma delação. Flávio Bolsonaro está envolvido até o pescoço em falcatruas. Problema nenhum, muda-se a lei com a complacência de toda a classe política, quase que totalmente envolvida em escusas transações. Imagina se “hackeassem” o STF? Problema nenhum, não valeria como prova, foi coletada ilicitamente. Agora, para incriminar Segio Moro e o Ministério Público...

Marisa Bodenstorfer

Lenting (Alemanha)

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INTERESSES

Mais um brilhante artigo de Fernando Gabeira (“Um paradoxo tropical”), texto maravilhosamente claro e realista da atual situação política no Brasil. Os interesses de Dias Toffoli, Gilmar Mendes e o clã Bolsonaro se convergem. Apesar de todo discurso anti-corrupção de campanha, o clã Bolsonaro faz exatamente o contrário – nem Moro se salva, quem diria. Onde estão todos: caminhões, camisas amarelas, gritos de apoio? 

Fábio Alves Paes de Barros fabioapbarros@gmail.com

São Paulo

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FAVORES PESSOAIS

Infelizmente, em Brasília em vez de se fazer política trocam-se favores pessoais. Lamentável.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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‘PASSA-SE O PONTO’

Com a Justiça impedindo que se enquadre bandido, tribunais por aí já fixam a placa de “passa-se o ponto”...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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ENCARAR A CORRUPÇÃO

“Esquerda precisa encarar corrupção”. Não me diga uma coisa dessas, Marcelo Freixo, sério?

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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TEMPOS PASSADOS

Escutas telefônicas clandestinas. Prefeitos assassinados e testemunhas que desaparecem. Sumiço de provas e censuras. Dinheiro ilegal. Parece descrição dos tempos do regime de ditadura militar? Mas isso aconteceu durante o governo da organização criminosa petista e ainda temos resquícios dessa era maldita.

Precisamos derrotar o crime organizado no Brasil ou ele destrói nosso país.

André Luis Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

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RESPEITAR A PREVISÃO

Em excelente entrevista ao Estadão, o ex-presidente do Banco Central na gestão de Fernando Henrique Cardoso, Armínio Fraga, diz que a reforma tributária será mais difícil de ser aprovada do que a da Previdência, embora, como diz Fraga, haja “um consenso na direção de um imposto sobre bens e serviços, não cumulativo, desenhado em bases modernas”. Porém, acha um retrocesso essa história de parte do governo e de alguns empresários que sugerem a volta da maléfica Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Pelos seus cálculos, a reforma da Previdência, sem os valores a serem economizados no combate a fraudes no INSS, será em torno de R$ 750 bilhões, o que acha muito bom. Mas, questionado sobre a não inclusão dos Estados e municípios nesta reforma, afirmou categoricamente, será a “quebradeira, arrocho, atrasos de pagamento, inclusive na folha” dos servidores. Um alerta de quem sabe como Fraga para a classe política, que deveria respeitar esta previsão de que será um desastre para as contas já debilitadas dos Estados e municípios, se ficarem de fora da reforma da Previdência. 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos 

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PROBLEMA POLÍTICO

Sobre o artigo “‘Reforma tributária será mais difícil que a da Previdência’, diz Armínio Fraga”, publicado no Estadão em 25/7. O economista Armínio Fraga tem razão, pois num país com 27 unidades federativas, além de mais de 5 mil municípios, bem como a União, em sua maioria totalmente ou semi falidos, qualquer alteração, por menor que seja, poderá piorar mais ainda a situação. Muitos economistas têm a vã ilusão de que conseguiriam, teórica e tecnicamente resolver uma questão que na realidade é mais um problema político do que técnico, que ocorre em cenários e contextos muito diferenciados no vasto espaço brasileiro, fato que muitas vezes ignoram em suas proposições. Num país tão grande como o Brasil qualquer plano de reforma tributária teria que ser planejado numa sucessão de pequenas etapas, passíveis de reversão caso não dessem certo, distribuída por um longo período de tempo para ter alguma viabilidade. Com a situação política hoje nada estável, em tempos de crise econômica, imagina-se que a reforma será difícil em um Congresso não controlável, com percepções muito variadas sobre o tema, num espectro que vai desde a esquerda radical a um liberalismo quase absoluto, para um Estado inchado, gastador além das possibilidades, com uma dívida quase impagável. Existe também a realidade de uma Constituição em que há muitos direitos, poucos deveres e responsabilidades, sem previsão de recursos para tanto. Nunca é demais lembrar que o atual Judiciário, garante “direitos adquiridos” constitucionais dos privilégios seus e dos demais altos funcionários do Estado, e corporações com muito poder de fogo sobre parlamentares. Daí explica-se a longevidade do atual Código Tributário Nacional, muito remendado e acrescido de legislações extravagantes, que resistiu desde 1969 quando foi editado. Sonhar nunca foi proibido, mas o despertar para a realidade não poderia ser um pesadelo. O buraco é bem mais fundo.    

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

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POVO, NÃO BANCOS

Se o presidente do Bradesco afirma que a reforma tributária da Câmara é a melhor, uma certeza: não é. A do governo deve visar o povo e não o meio bancário. 

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas

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PRIMEIRO PASSO

Se os deuses da razão soprarem a favor dos congressistas para que aprovem no segundo turno a premente e inadiável reforma previdenciária, o primeiro passo para que o País possa se endireitar estará finalmente dado. Na sequência, outros passos igualmente importantes serão necessários, como a reforma tributária que simplifique, desburocratize, desjudicialize o sistema e ao mesmo tempo reduza a asfixiante carga tributária que impede o pleno desenvolvimento do Brasil. Reformas já, sem mais delongas.

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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EVITAR OUTRA GREVE

Elogiável a atitude do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para evitar mais uma greve dos caminhoneiros como o caos ocorrido em maio de 2018. Promover a reunião com transportadoras e representantes de setores que dependem do transporte de carga para trabalhar. Para o bem do País, o bom senso sempre tem que prevalecer.

José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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FOME E EDUCAÇÃO

Ouvi empolgado debate sobre educação e pesquisa e pensei: a população está comendo mal. A maior insegurança é a alimentar. Crianças são as maiores vítimas. Com fome vão aprender como? Se um dia chegarem à universidade terão enormes dificuldades em concluí-la. É muito difícil falar em educação e pesquisa em um país de milhões de desnutridos. As universidades debatem o assunto fome e miséria? Devanir Amâncio devaniramancio@hotmail.com

São Paulo

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DIREITO À DEFESA

Enquanto na maior e mais duradoura democracia da história da humanidade decide retornar às execuções do corredor da morte após 16 anos, aqui, na maior anarquia da história da humanidade, um ministro do terceiro Poder cujo estrito dever é garantir que se faça justiça contra quem desrespeita as leis punindo-os proporcionalmente aos danos causados aos bons cidadãos, um ministro cuja qualificação para o cargo é abertamente contestada mas que se arvorou o poder de monocraticamente, intervém na ordem das coisas e das instituições prejudicando claramente o País na transição democrática para um futuro melhor. Aqui, onde as punições são limitadas a 30 anos com redução a 5 por “bom comportamento”, onde o viés da Justiça é garantista para gáudio de advogados milionários e sua OAB sindicalista, onde criminosos de 17 anos e 364 dias de idade são inimputáveis, onde exige-se “trânsito em julgado” em quatro instâncias, 20 juízes e uma década para um réu ser considerado culpado se a pena já não estiver “prescrita”, aqui onde os presidiários têm direito a encontros íntimos, indultos do dia das mães para matricidas, bolsas-presidiário, e muito mais, onde se prende policiais por tratar com “violência” os bandidos, onde o maior vilão que se tornou presidente da República pode ser solto para continuar assaltando o País em julgamento por um colegiado no qual pelo menos dois juízes já têm pedido de impeachment com dezenas de acusações, aqui, nem mesmo o direito à defesa da própria vida é aprovado pelos esquerdopatas que não querem a simples posse de armas defensivas, quanto mais o porte. Ah meu Brasil, meu Brasil brasileiro.

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br 

São Paulo

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HONORÁRIO COM RECURSO ILÍCITO

Chegou à Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados projeto de lei que estabelece a punição de advogados que vierem a receber honorários tendo conhecimento da origem ilícita dos recursos. Muitos são os réus que não possuem recursos lícitos para o custeio dos “vultosos” honorários advocatícios. Urge que tenha fim no País o emprego criminoso de recursos ilícitos, absurdamente lavados sob a forma de honorários. As Operações Lava Jato, Mensalão, Petrolão e outras foram cenários para tais atividades. O ordenamento jurídico norte-americano entende que o advogado tem a responsabilidade de investigar se os recursos utilizados para pagamento dos honorários estão maculados. É tempo de mudar, antes tarde do que nunca.

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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BUROCRACIA PARA O PEQUENO EMPRESÁRIO

Precisamos ajudar os pequenos comerciantes, lojistas, oficinas e industriais e livrá-los do peso de despesas extras e exageradas. Em vez da multa do FGTS de 40%, poderia ser no máximo 10%, ou melhor nada. Atualmente os pequenos comerciantes, oficinas e industriais já sofrem com inúmeras exigências de autorizações, declarações, alvarás de bombeiro, Certificado de Licença Integrado, Cetesb, alvará de funcionamento, etc, e quase não sobra mais tempo para trabalhar. Esses pequenos empresários são verdadeiros heróis e garantem milhões de empregos, mas devido ao “terror” dos últimos anos com tanta burocracia que gera mais e mais corrupção, cada dia mais pequenos empresários fecham as portas, porque não aguentam mais. 

Michael Peuser mpeuser@hotmail.com

São Paulo

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CANUDOS DE PLÁSTICO

Vamos brincar de proteger o meio ambiente? Ótimo. Então vamos começar com o canudinho de plástico, certo? Sim, porque esse é o nosso maior inimigo, um poluidor desalmado. Mas já que você quer saber, é simples: esse pedaço de mau caminho de plástico é responsável por 0,025% do total de plástico descartado nos oceanos, segundo a ONU. Um absurdo e imperdoável índice se comparado com o universo de outras embalagens que infestam o nosso meio ambiente. Porém, ele tem uma vantagem: é popular. E tudo o que é popular rende ação e lá na frente, se a mente do brasileiro não mudar (ou se já não mudou), voto. A razão dessa penada perseguição ao famoso canudinho de plástico é ridícula. Dizem os defensores da lei e da desordem que a ação tem caráter educativo. Pesquisemos sobre o efeito de outros descartes na natureza, como por exemplo as cápsulas dos suntuosos cafés expressos que se toma de meia em meia hora. E de todos os outros plásticos, inclusive os que informam com todas as letras que vão se degradar algum dia na natureza. Isso sem contar o efeito dos detergentes, sabões e uma totalidade de outras drogas despejadas sem dó em nosso meio ambiente. Se em uma cidade como São Paulo, somente 3% dos materiais reciclados são recuperados e a culpa disso tudo recai apenas sobre a população que não separa o lixo, outra pergunta insiste em ser anunciada: existe estrutura nas cidades brasileiras para coleta, separação e reaproveitamento do lixo? Resposta direta: Não. Em vez de ficar aí demagogicamente instituindo a perseguição ao pobre do canudinho, nossas autoridades deveriam prestar mais atenção ao entorno e produzir campanhas que realmente despertem a população para o grande problema do meio ambiente que enfrentamos. Um país em que aproximadamente 100 milhões de pessoas não dispõem de esgoto e outros 40 milhões não têm acesso à água para consumo. Mas, temos de concordar com uma coisa: pensar dói e fazer dá realmente muito trabalho. 

David Ferretti david@dfa.com.br

Amparo

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ÁLCOOL NA GRAVIDEZ

Em complemento à matéria sobre abuso de bebida alcoólica entre mulheres, ressaltamos que nunca é demais alertar para o fato de que, além das consequências deletérias para a mulher dependente de álcool, ocorrem principalmente nas jovens que engravidam, alterações no bebê, dentro do útero. Daí o alarmante aumento de casos da Síndrome Alcoólica Fetal, uma teratogenia que causa graves e incuráveis malformações cerebrais, e mais adiante retardo mental. A Sociedade de Pediatria de São Paulo tem envidado esforços sucessivos para conhecimento entre a classe médica e o público leigo sobre esta importante entidade nosológica.

Hermann Grinfeld, membro do Grupo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gravidez hermann.grinfeld@yahoo.com.br

São Paulo

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CONDIÇÕES DE RODOVIAS E ESTRADAS

Não é nenhuma novidade que rodovias e estradas brasileiras estão em precárias condições, principalmente as do interior dos Estados. Em determinados trechos, o asfalto é bom e bem sinalizado, mas na maior parte, impera a buraqueira descomunal – caçapas gigantescas, que dominam toda a extensão das rodovias. É inacreditável, mas não será surpreendente se o Brasil parar de vez devido às precárias condições das estradas. Não será por falta de avisos: tanto a imprensa escrita e falada, como diversos especialistas no assunto vêm alertando para o ‘‘queijo suíço’’ em que se transformaram algumas rodovias brasileiras. Por exemplo, num trecho da PR-218 que liga os municípios de Loanda a Querência do Norte, a rodovia está virando pó, encontra-se em péssimas condições de tráfego, em alguns pontos, está simplesmente intransitável, o que ocasiona diversos prejuízos aos motoristas que por ela se arriscam. Além de encarecer o preço do frete, podem ocorrer riscos vários como acidentes, pneus furados e danos em geral dos veículos que por ali transitam. Ora, a gravidade do problema é tanta que muitos motoristas injuriados simplesmente estão traçando caminhos alternativos para chegar aos seus destinos e assim evitar buracos e possíveis acidentes. Quando essas rodovias serão consertadas e colocadas em situação de uso digno? Será preciso acontecer tragédias fatais para forçar e mobilizar o governo a pavimentar e realizar às devidas manutenções que são necessárias e imprescindíveis? É obrigação da opinião pública se mobilizar, pressionar e exigir que as reformas ocorram imediatamente. Do contrário, para que serve então a democracia senão para a incessante busca do efetivo exercício da cidadania? Nesse exercício, cabem os direitos da população de exigir uma solução rápida e definitiva para essas rodovias e estradas, sob pena de prejudicar toda a economia local e regional.

Antonio Sérgio Neves de Azevedo antonio22yy@hotmail.com

Santa Cruz de Monte Castelo (PR) 

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