Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas dos leitores do Estadão

Fórum dos leitores, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2019 | 03h00

OPERAÇÃO SPOOFING

Informação privilegiada

O episódio dos hackers deixou evidente como era fácil acessar informações de autoridades. O foco atual concentra-se em tentar encontrar conversas inapropriadas para macular a imagem dos heróis da Lava Jato. Uma questão, todavia, não vem sendo analisada: o estrago que o acesso a conversas de autoridades econômicas pode ter provocado. Saber antecipadamente de tais conversas pode configurar a obtenção de informações privilegiadas – as quais possibilitam ganhos astronômicos e, evidentemente, criminosos. Será que já não ocorreram?

MARCOS LEFEVRE

lefevre.part@hotmail.com

Curitiba

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Vazamento seletivo?

 

Somente uma pergunta: o hacker forneceu ao blog The Intercept Brasil somente as conversas dos procuradores da Lava Jato ou forneceu também as demais (de ministros, políticos, etc.) e o Intercept, “jornalisticamente”, não se interessou em tornar público?

VITAL ROMANELI PENHA

vitalromaneli@gmail.com

Jacareí

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Grana é a chave

A chave para esclarecer tudo nesse caso de hackeamento de autoridades está em saber quanto e de quem o criminoso Walter Delgatti recebeu em pagamento por seu “trabalho”. Um bandido com seu histórico jamais faria nada de graça, como é óbvio, apesar da orientação que recebeu de advogados para se mostrar dedicado a proteger o povo brasileiro gratuitamente. E também do Intercept, claramente. A ex-candidata a vice-presidente da República Manuela d’Ávila (PCdoB) deve muitas explicações, porque, sem dúvida, foi dela a responsabilidade por indicar Glen Greenwald para divulgar o caso na mídia. As investigações devem se concentrar no pagamento aos hackers. Sigam o dinheiro.

ADEMIR VALEZI

valezi@uol.com.br

São Paulo

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Bitcoins

Nesse quadro da invasão de celulares de autoridades, em que emergem operações com bitcoins e atentados à privacidade de políticos, há uma forte ligação entre os dois fatos. Para ser hacker é necessário entender de tecnologia da informação e verificamos que nos crimes com pedidos de resgate – por exemplo, de sequestro –, aqui e lá fora, os bandido vêm exigindo o pagamento em bitcoins. Então, o montante dessa criptomoeda encontrado pela Polícia Federal com os suspeitos tem 95% de chance de estar por trás desse crime que hoje abala a nossa vida política.

CIRO BONDESAN DO SANTOS

cirobond@hotmail.com

São José dos Campos

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Ronaldinhos das finanças

Mais uma da série “me engana que eu gosto”: como acreditar que os criminosos que hackearam o ministro Sergio Moro e outras autoridades, os quais têm renda comprovada abaixo de R$ 3 mil, tivessem recursos para investir em criptomoedas em período tão curto e com extremo sucesso? Ressalvando a margem de erro, pela grandeza dos recursos contabilizados e apreendidos pela Polícia Federal é certo que esses “investidores” não precisam recorrer aos R$ 500 do FGTS para aliviar dívidas – até porque hackers, arrojados de ofício, não recolhem obrigações trabalhistas nem emitem documentos fiscais.

CELSO DAVID DE OLIVEIRA

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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Pizza delivery

“Foi de brincadeirinha, doutor...” A velha face da impunidade: hackeiam autoridades de graça e não há mandante. E vai ficar por isso mesmo?!

RICARDO C. SIQUEIRA

ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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Questão de escolha

Após acompanhar esse absurdo episódio de invasão criminosa de privacidade que parece não ter fim, e observando a repercussão do assunto pelos meios de comunicação e pelas redes sociais, fica bem clara a existência de dois grupos perfeitamente definidos: um, o de quem toma posição a favor da Operação Lava Jato e da justiça e o outro, o daqueles que defendem o crime organizado. Façam suas escolhas.

JOMAR AVENA BARBOSA

joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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SANÇÕES AO IRÃ

EUA e Petrobrás

Investidores norte-americanos serão indenizados em cerca de R$ 10 bilhões – sete vezes o valor de R$ 1,4 bilhão devolvido à Petrobrás via Operação Lava Jato – pela nossa estatal do petróleo por causa das inverídicas informações bursáteis no período dos governos Lula/Dilma. Os EUA impuseram sanções ao Irã e suas leis são rigorosas. Ao abastecer os dois navios iranianos ancorados ao largo do porto de Paranaguá, embora com o respaldo do amigo do Lula no STF, a Petrobrás se sujeita a sérios riscos de represálias/punições. Como empresa de capital aberto, pode incorrer em mais um período de multas e sem pagar dividendos a seus acionistas.

HUMBERTO SCHUWARTZ SOARES

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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EMPRESAS ESTATAIS

Privatizar é preciso

Como é bom trabalhar na Petrobrás, na Eletrobrás, em Furnas, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal, no BNDES, na Cemig, na Copasa ou em qualquer outra empresa estatal. Os salários são pagos em dia e os bônus anuais, também. Parece até que o Brasil e seus Estados estão nadando em dinheiro, não têm dívidas impagáveis. Mas nunca falta dinheiro para os funcionários públicos. Essa classe privilegiada também tem acesso aos melhores hospitais e clínicas do Brasil. Nada disso seria problema se a população vivesse bem, com acesso a bons colégios, médicos e dentistas. Mas a grande maioria não tem sequer saneamento básico e vive no meio de esgotos a céu aberto. Triste contraste.

JOSÉ CARLOS SARAIVA DA COSTA

jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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Começo do fim

O fim dos cabides de empregos já teve início com a transferência do controle acionário da BR Distribuidora, ponto de partida do ciclo de privatizações do governo Bolsonaro. A alienação da maioria acionária traduz a mudança de mãos no controle empresarial, deixando a Petrobrás, e, pois, o Estado de ter o controle e a direção majoritária da empresa. Outras privatizações virão, para concretizar a transferência de poder do Estado para a iniciativa privada. Ganha o Estado, ainda, sobre o valor auferido nas alienações e vendas.

JOSÉ CARLOS DE C. CARNEIRO

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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CONTAMINAÇÃO

Ao deparar-me com o noticiário da grande mídia e questionar-me sobre a veracidade destas informações, chego a pensar no contexto surreal que o País está vivenciando. Certamente, os habitantes de outras nações, mais civilizadas, é claro, ficarão muito confusos com o enfoque que está sendo dado a quem luta contra a corrupção e a delinquência que grassa no Brasil. Dizer que o ministro Sergio Moro, reconhecidamente um herói nacional, vem sofrendo pressão do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso pela prisão de criminosos,conhecidos como hackers e que Deltan Dallagnol, outro abnegado defensor do combate à bandidagem, poderá ser alvo de processo no Ministério Público, chega a afrontar, no seu limite máximo, todas as pessoas de bem desta nação. Que todo brasileiro está ciente de que o País está tomado pela delinquência é um fato público e notório, mas que esta contaminação tomaria um vulto nessas dimensões, jamais poderíamos imaginar. Tomara que eu me engane, mas, caso isso se concretize, não há herói que possa extirpar essa metástase que se espalhou pelo nosso querido País. Ao contrário do que imaginávamos, a bandidagem cresce sobremaneira e só uma medida radical poderá por fim a essa organização criminosa que contaminou todas as nossas instituições.

Elias Skaf

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COISAS DIFERENTES

Como esclarece Wálter Maierovitch ("Estado", 26/7, A6), é preciso separar o crime decorrente da obtenção de informações com invasão de privacidade e a verificação da existência ou não de promiscuidade judiciária entre o juiz, Moro, e o acusador. "São duas coisas absolutamente diferentes". É preciso descobrir a verdade.

Tibor Rabóczkay

trabocka@iq.usp.br

São Paulo

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QUEM NÃO DEVE NÃO TEME

Irritados, ímpios líderes da oposição e do Centrão querem convocar o ministro Sergio Moro a prestar depoimento no Congresso a respeito da destruição das mensagens de autoridades interceptadas pelos criminosos hackers trancafiados pela Polícia Federal. Quem não deve não teme, o ministro Moro sabe disso. Em todas as pelejas, enfrentou os oposicionistas cangaceiros do Congresso com extremo sucesso. Preclaros parlamentares, "na pressão, só chope", ponderava o meu saudoso avô a cada cobrança de minha impaciente avó. Se o seu generoso nome se fez criptomoeda dos hackers, relaxe. A Polícia Federal logo saberá o porquê. Quem teme é porque deve. 

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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DESTRUIÇÃO DAS MENSAGENS

A notícia acima causou-nos uma enorme decepção e frustração, pois foi declaração feita pela pessoa que a grande maioria do povo brasileiro (ainda) confia. Depois de vazamentos de supostas conversas entre o juiz e o procurador, foi insistentemente dito pelo ministro que não reconhecia a autenticidade das conversas gravadas e que poderiam ter sido editadas. Com a prisão de hackers e apreensão das gravações criminosas, poder-se-ia verificar e comprovar ou não a autenticidade do que foi divulgado. Destruindo-se as mensagens como defende o ministro, a população continuaria no ar. Senhor ministro, por favor reconsidere a sua posição em respeito a milhões de brasileiros que confiam e acreditam no senhor.       

Vizmark KiyoshiImamura

vizmark.imamura@icloud.com,   

São Paulo

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MANUELA D'ÁVILA

Se a ex-deputada Manuela D'Ávila, após ter tido seu celular invadido pelo hacker "vermelho", achou natural mancomunar-se com ele e lhe passar o contato do jornalista Glenn Greenwald, por que não declarou isto publicamente antes? Não somente para proteger o hacker, um criminoso, mas também porque sabia perfeitamente estar incorrendo em ilegalidade. Este episódio reveja bem a medida da moralidade da candidata a vice-presidente nas últimas eleições presidenciais. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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CENÁRIO DE PERPLEXIDADE

Cenário de perplexidade, quase pânico ou, em linguagem amazônica, de corte raso no chavascal de reputações não ilibadas de personagens do poder em Brasília, sucede à festança dos corruptos, seus compadres e/ou protetores, após a revelação de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), parlamentares da Câmara e Senado, conselheiros do Tribunal de Contas da União foram gravados pelos criminosos que tentaram anular a Operação Lava Jato e soltar o corrupto e lavador de dinheiro Luiz Inácio Lula da Silva. O epicentro da excitação: a espera pela divulgação das conversas entre Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. 

José Maria Leal Paes

myguep23@gmail.com

Belém

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PROTEÇÃO DIGITAL

Se na oitava economia mundial, ministros, autoridades e até o presidente da República são facilmente hackeados por uma mera quadrilha de ladrões de galinha do interior de São Paulo, tendo suas conversas vazadas para toda a imprensa, mal dá para imaginar o estrago que seria causado se uma equipe profissional estrangeira estivesse no comando de uma operação similar para descobrir assuntos estratégicos de vital importância do governo brasileiro. A ingenuidade e o descuido digital devem ser combatidos com a utilização dos mais modernos recursos disponíveis de proteção à privacidade dos usuários de equipamentos de comunicação.

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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DA OPOSIÇÃO

Já que perguntar não ofende, por que os tais hackers não se lembraram, ou se lembraram de esquecer, de invadir os celulares de Lula e demais caciques da oposição? Material interessante certamente não faltaria. 

Arlete Pacheco

arlpach@uol.com.br

Itanhaém

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HELICÓPTERO DA FAB

Infelizmente, o presidente Jair Bolsonaro demonstra ser dono do Brasil. Soberbo e pavio curto, não admite ser contestado. Como bem fez uma jornalista ao lhe perguntar por que autorizou que seus parentes utilizassem helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) para participar do casamento de Eduardo Bolsonaro, no último mês de maio, e como resposta e ao mesmo tempo abandonando de forma intempestiva a entrevista, disse que a pergunta feita era "idiota". Ou seja, na visão de Bolsonaro, não há irregularidade alguma que seus familiares e amigos gozem de privilégios utilizando equipamento público custeado com recursos dos contribuintes. Dessa forma também chama todos nós de idiotas, inclusive seus eleitores, que certamente não concordam com esse jeitinho crônico e nefasto, infelizmente muito comum na prática das nossas autoridades, de desprezo à ética nas nossas instituições. Assim como não concordamos com as idiotices do presidente em querer armar a população, suspender a instalação de radares nas estradas, das cadeirinhas de crianças nos carros e de ser a favor da impunidade e desrespeito à vida humana, quando sugere em seu projeto aumentar o limite de pontos para que o motorista com suas infrações não tenha suspensa sua carteira de habilitação. Chega de ofensas, Bolsonaro. Ora chama de "imbecis" e "idiotas úteis" estudantes universitários, ora ofende cientistas do Inpe, chamando-os de mentirosos sobre os índices divulgados do desmatamento, ora dúvida dos pesquisadores do IBGE sobre o nível de desemprego, etc. Pior ainda quando despreza embaixadores com grandes serviços prestados à nação, preferindo indicar para embaixada das mais importantes como a dos EUA, seu filho. O País merece mais respeito.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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PREPOTÊNCIA DO PODER

A eleição de Bolsonaro, com mais de 58 milhões de votos, nada teve a ver com as qualidades do Messias prometido, nem do atentado que sofreu, mas sim como uma varredura na destrutiva governança Lula/Dilma. Ledo engano. Usar um helicóptero da FAB para levar membros da família a casamento do filho é uma das prepotências do poder, nada diferindo da dupla do PT. Bolsonaro, nesses 200 dias decorridos do uso da faixa presidencial já conheceu países nunca dantes pisados em tão pouco tempo de Presidência. Não nasceu na Samaria, mas quer dar uma de samaritano, prometendo adiantar aos trabalhadores do FGTS, R$ 500 de seus saldos. O presidente finge esquecer que esse saldo pertence ao trabalhador que, retirando-o, pouco ou nada poderá fazer com ele, mas terá seu saldo diminuído quando da aposentadoria. "Quem achar que é pouco, não retire", rebateu. Presidente, crie ferramentas para acabar ou amenizar o colossal desemprego jamais visto no País. Acredite nas estatísticas sobre o desmatamento progressivo da Amazônia, na pobreza e analfabetismo da população. Seja menos prepotente. 2022 chega rápido.

Jair Gomes Coelho

jairgcoelho@gmail.com

Vassouras(RJ)

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NOVA POLÍTICA?

Eu pensei que depois das eleições não haveria necessidade de perguntar por que pessoas da família do presidente da República entrariam em aeronaves oficiais para uso pessoal. Achei que acabaria na era PT. Decepção ainda com a reação raivosa do presidente em ser questionado. Nova política?

Luiz Frid

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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FAVORES

Não há nada mais típico no brasileiro que a sujeição a alguém para obter cargos, privilégios ou favores. Em sua carta ao rei de Portugal, Caminha assim se manifestou: "E pois que, Senhor, é certo que assim neste cargo que levo como em outro qualquer cousa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim mui bem servido, a ella peço que por me fazer singular mercê mande vir da Ilha de São Thomé Jorge d’Osouro, meu genro, o que dela receberei em muita mercê". Estava implantada em terras brasileiras a relação que chegou aos nossos dias entre os que possuem poder político e aqueles que buscam favores.

Jomar Avena Barbosa

joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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EXTREMA DIREITA

Uma onda que embevece e amedronta. A extrema direita, nacionalista e xenófoba, agita os mares do mundo com sua onda gigante e crescente. Inesperada, tal qual a vitória de Trump, Bolsonaro, Boris Johnson e prosélitos. Alguns nela querem surfar, outros estão amedrontados. Mas, assim como vêm, as ondas se vão. É o que deverá ocorrer nos próximos anos ante as inevitáveis frustrações populares. A política democrática e equilibrada não será tragada pelo tsunami. O homem - em todo o mundo - parece necessitar de experiências amargas para retomar o rumo civilizatório que conquistou e que seguirá para uma sociedade cooperativa, livre, justa e équa.

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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PARLAMENTARISMO

Antes de mais nada, devemos dedicar um brinde à democracia, pois é graças a ela que podemos ler artigos como o do senhor Luiz Felipe D'Avila e o do senhor Marco Aurélio Nogueira ("A força da necessidade"/"Riscos desnecessários", 27/7, A2). Por uma liberdade de expressão e por uma total reprovação de um presidencialismo aquém da República. Os dois artigos se comunicam e dão as mãos, ambos exaltam o colegiado, o Parlamento, a Câmara dos Deputados e o Senado. Vale lembrar que muitos políticos de outrora, como por exemplo o saudoso Ulisses Guimarães e José Serra também já defenderam a idéia de um sistema parlamentarista. A história nos revela que "demiurgus", caudilhos, semideuses e messias não fazem nada bem para o nosso país. Muito pelo contrário, quando carregados de decretos e preconceitos o ferem de morte. Afinal, a "Força da necessidade", para evitar "Riscos desnecessários". A idéia é velha, mas qualquer dia destes o parlamentarismo vinga.

Leandro Ferreira

ferreiradasilvaleandro73@gmail.com

Guarulhos

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ENFRENTAR EXTREMISMOS

O excelente artigo do professor Marco Aurélio Nogueira nos alerta do grave perigo que ronda a sociedade brasileira se um pensamento e ação moderados, construtivos e conciliadores não forem construídos para enfrentar os extremismos. Um lado está soberto e alucinado. Outro lado está confuso e omisso. E ambos os lados ativos em sua negatividade. Isso não vai acabar bem, se uma outra via não for encontrada.

Francisco Eduardo Britto

britto@znnalinha.com.br

São Paulo

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AÇÕES CONCRETAS

Justiça seja feita, certo ou errado, Bolsonaro tem mostrado que a imponderabilidade não governa, e sim ações concretas.

Francisco José Sidoti

fransidoti@gmail.com

São Paulo

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ROUBO DE OURO

O roubo de cerca 120 quilos de ouro avaliados em mais de R$ 700 milhões demonstra a insegurança do local e a falta de monitoramento para uma carga desse porte. O crime foi feito em plena luz do dia e agora resta esperar se as autoridades policiais e setores de inteligência encontrarão o material e prenderão os culpados, pois quadrilhas especializadas, sabendo das falhas do sistema, aproveitam até para clonar carros e usar coletes falsos. Só no Brasil essa anomalia acontece.

Yvette Kfouri

Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo

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DIREITO PENAL

Quantos policiais deixariam de morrer todo ano se quem os matou estivesse onde deveria estar, atrás das grades de um presídio? Duvido que não tenham, todos, longo prontuário de ocorrências, intimações, prisões e condenações a certificar sua disposição de viver fora da lei. Ninguém inaugura sua vida criminosa matando policiais. Só que nenhum daqueles eventos teve o tratamento necessário para assegurar a proteção da sociedade. Com raras, raríssimas exceções, todos foram conduzidos, pelas instituições, de modo a favorecer o transgressor. Presídios brasileiros têm porta de vai e vem. Convivem, aqui, altos índices de criminalidade e tolerância institucional para com os criminosos. Temos, aqui, progressistas que atrasam tudo. Indivíduos perigosos passeiam impunes por nossas ruas e estradas, vivendo de violações e gerando insegurança. Na longa lista de preceitos protetivos que o engenho humano possa conceber para livrar a pele de bandidos, nada há que nossa legislação, nossos ritos, usos e costumes não consagrem. Como escreveria Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, se vivos fossem, "Aqui, majestade, em se roubando ou matando, nada dá". E não dá nada mesmo. Às normas tolerantes, pusilânimes face ao crime, mas inclementes com a sociedade, muitos se juntam para tornar folgada a vida dos bandidos. Tudo fazem para que tais atividades não tragam sobressaltos, riscos e cárcere a quem escolher a vida criminosa. Entre outros, verdadeira multidão de legisladores, magistrados, professores de direito, promotores, defensores, advogados, comunicadores, sociólogos, assistentes sociais, políticos e religiosos - corações moles como merengue da vovó - tagarelando sobre uma nova humanidade e uma nova sociedade, convergem esforços para obter esse efeito.

"Mas são pobres!", dirá o leitor, penalizado, da dura situação de tais criminosos. Pobres? Pobre é aquele brasileiro, magro como a fome, pelo qual passei ainda há pouco na rua. Arquejava em seu labor de papeleiro, tracionando uma carroça pesada, com tanto papel e papelão que seu excesso lateral obstruía parte da outra pista. Aquele sim é pobre. Pobre e honesto ao ponto de trabalhar como "animal" de tração para não se corromper. Talvez seja também ignorante, mas é intelectualmente honesto como não são tantos que falam bonito em seu nome. E o abandonam com sua indecente carroça. Não me venham - por favor - falar em pobreza, infância sofrida, de quem importa toneladas de maconha, rouba carga de caminhões, assalta bancos, explode carros-fortes e estoca munição pesada para lutar contra a sociedade. E não se peja de pôr mulher e filhos no carro para iludir a polícia. 

No topo da luta por um direito penal folgazão, que não dê nada e não atrapalhe os negócios, estão os poderosos da corrupção ativa e passiva, custodiados por caríssimos advogados que operam num clube muito restrito de intimidade com a Corte. No topo da luta por um direito penal folgazão, camarada, bonachão, estão muitos membros do Congresso Nacional, que têm frêmitos de ódio e temor da Lava Jato e que se juntam a qualquer bandido se for para tirar Sergio Moro da cena. Um fio de esperança que rompe o fio da decência. Esses não têm por hábito atirar na polícia, mas disparam as armas da injúria e da calúnia, assassinam reputações e têm responsabilidade direta sobre as leis penais e processuais que não mudam ou mudam para pior. No topo da luta estão os "garantistas" do Supremo Tribunal Federal, sustentando princípios que os bandidos invocam e a cuja sombra lava seu dinheiro.

Percival Puggina

puggina@puggina.org

São Paulo

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REFORMA BANCÁRIA

Lendo a matéria "Reforma tributária da Câmara é melhor", entrevista do presidente do Bradesco, sr. Octavio Lazari, me veio a dúvida: melhor pra quem? Logo abaixo na mesma página vejo que o lucro do Bradesco cresceu 25% no segundo trimestre. Quanto será o PIB? Ainda não saiu, mas no primeiro houve queda de 0,2%. Quem hoje depende de banco (e quem não depende?) sabe o que a concentração bancária tem causado ao País o segundo maior spread do mundo, juros de cartão acima de 300% ao ano, taxas abusivas, atendimentos precários, funcionários levados ao limite do estresse e pressão. Teremos a reforma bancária?

Maildo Paiva

proimpex@outlook.com.br

São Paulo

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ZONA FRANCA DE MANAUS

Sobre o artigo "Bolsonaro sinaliza apoio à manutenção de benefícios fiscais na Zona Franca", publicado no Estadão em 26/7. Quem conhece um pouco a história, bem como tem algumas noções mesmo que elementares de geopolítica, sabe que o Brasil só poderá manter a herança de Portugal na América do Sul, vinda graças à obra do Marquês de Pombal, que cancelou via tratados a Linha de Tordesilhas com os espanhóis confinantes, se manter um polo de poder no meio da Amazônia, que é Manaus. As riquezas potenciais desse vasto espaço, ora pobre e miserável, somente serão mantidas à distância da cobiça internacional, para que o País possa um dia as usufruir sustentavelmente, por uma decisão geopolítica que terá seus custos. Será melhor Paulo Guedes considerar isso como um investimento no futuro, deixando de lado algumas ninharias desnecessárias. Para a manutenção de um espaço de cerca 5 milhões de km², deve-se pensar grande.           

Ulf Hermann Mondl

hermannxx@yahoo.com.br

São José(SC)

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CERTEZA

Uma característica da atual equipe econômica é ter uma profunda certeza do acerto de suas diretrizes e seus efeitos benéficos no futuro para a nação brasileira. Queiram os deuses que tal percepção venha a se concretizar, em prol de nossa imensa população, cansada de tantas promessas do passado que não se concretizaram.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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CONVIVER COM AS REDES SOCIAIS

A verdade cruel é que a informação que chega ao público sobre questões sensíveis e atuais passa muitas vezes longe da verdade. Ela chega bem trajada, via mídia estabelecida, ou confusa e andrajosa quando divulgada pelas terríveis, como frequentemente avaliadas pelos agentes de imprensa tradicionais, redes sociais. Mesmo quando vem através de veículo que se autointitula "sério"- o principal jornal de Portugal tem como lema "Nós escolhemos o bom jornalismo", embora não defina o que isto significa exatamente - a notícia chega ao outro lado, leitor ou telespectador, desidratada, posto que a autoridade fonte nunca conta tudo; deformada, na medida em que precisa satisfazer a política editorial do governo a que obedece, caso dos regimes totalitários, ou do proprietário do complexo de comunicação e, às vezes, pelos mesmos motivos, desnecessariamente amplificada. É triste a sina do ser humano civilizado que só conta como janela para enxergar o mundo a opinião, embora com nuances, de uns poucos. As redes sociais, para o bem ou para o mal, entram neste cenário da mesma forma que, metaforicamente, bárbaros invadindo o Império  Romano e escancaram a janela, abrindo novos mundos. Vale a pena tentar conviver com elas em vez de demonizá-las.

Paulo Roberto Gotaç

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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REAJUSTE EM PLANOS DE SAÚDE

O reajuste de 7,35% para os planos de saúde individuais, concedido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de fato supera em muito o índice de inflação do último período de um ano. O que ninguém fala é que a grande maioria dos seguros saúde particulares são de grupos (associações ou empresariais), que tiveram neste ano reajuste de 14,38%. Essa modalidade de plano não é regulamentada pela ANS, apesar de atender à grande maioria da população. Isso significa que a grande maioria está na mão das seguradoras e não tem a quem recorrer. A ANS finge que zela pela população concedendo um reajuste de "só" 7,35% para os planos individuais (minoria dos segurados), mas ninguém controla o reajuste de 14,38% dos planos coletivos (maioria dos segurados).

Gerson de Carvalho Alvite

patriarca@patriarca.com.br

Santo André

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USO DO TABACO NO BRASIL

É motivo de orgulho para nós brasileiros que muitos países reconheceram o Brasil como sendo o país mais disciplinado quanto ao uso do tabaco. Todos devem lembrar que em determinado momento fomos avisados da não permissão ao uso de cigarros em lugares públicos tais como restaurantes e muitos outros lugares e assim, nós brasileiros nos disciplinamos, poupando milhares de vidas não causando doenças graves. Assim, ficamos devendo a um brasileiro que lutou tenazmente contra grupos poderosos que convidavam jovens a usar cigarros de marcas e nomes famosos por terem sabor e aromas dos mais diferentes. Esse bom brasileiro foi um médico de nome Ajax Silveira, que seguramente mais para frente terá seu nome reconhecido pela incansável luta contra o uso do tabaco. 

José Piacsek Neto

bubanetopiacsek@gmail.com 

Avanhandava

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