Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

Memória e aprendizagem

Negar mortes por tortura e o desaparecimento de presos políticos, traduzindo esses fatos por “balelas”, bem como negar a própria ditadura, é como negar o holocausto ou a escravidão. Fatos históricos de tamanha gravidade, que causaram tanto sofrimento, jamais devem ser desqualificados ou minimizados, nem sequer justificados, pois a tortura é a forma mais vil e covarde de punir o opositor. Qualquer avanço que se pretenda civilizatório precisa ser tratado com a seriedade devida à perspectiva dos atos praticados, para que jamais se repitam. Se assim não for, corremos o risco de voltar a praticá-los, pois a natureza humana parece imutável, mas pode ser contida com a observância das leis e o devido respeito à memória histórica dos sórdidos comportamentos caracterizados pela barbárie. Quando uma sociedade aceita passivamente que se despreze a memória dos acontecimentos, é preciso que ela tenha consciência de que terá um alto preço a pagar mais adiante. A experiência humana está cansada de nos ensinar isso e não podemos mais nos negar a aprender.

ELIANA FRANÇA LEME

efleme@gmail.com

Campinas

Sem reconciliação nacional

Quando os comandos militares não se manifestaram contra a criação da Comissão Nacional da Verdade, foi por dois motivos: ela fora criada por lei e eles acreditavam que seria cumprida ipsis litteris. Todavia a comissão não cumpriu o seu propósito de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período de 1946 a 1988 nos aparelhos governamentais e na sociedade, promovendo a reconciliação nacional. Por simples resolução, contrariando o espírito da lei, resolveu apurar apenas os atos dos agentes da repressão, deixando de lado os crimes praticados pelos opositores do regime militar. Como se pode observar ainda hoje, também não promoveu a reconciliação nacional: os envolvidos no imbróglio ainda se debatem furiosamente, não com armas, mas com verborragia.

PAULO MARCOS GOMES LUSTOZA

pmlustoz@gmail.com

Rio de Janeiro

Contenção oral

Jair Bolsonaro, nunca é demais repetir, precisa entender de uma vez por todas que a maioria dos brasileiros que o elegeram presidente da República o fez para evitar a volta do petismo ao comando do País, depois de ter sido responsável por tanta corrupção, pela impunidade, pelo desemprego e por outros males causados à população. Suas declarações inoportunas, quase diárias, são tão preocupantes, que seus próprios auxiliares diretos se reuniram para tentar uma forma de conter seus ímpetos. É necessário que ele se preserve, para não perder a grande parcela de apoiadores que ainda tem.

JOSÉ WILSON DE LIMA COSTA

jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

Menos exposição

Muito oportuna a reunião extraordinária dos auxiliares do presidente Bolsonaro com o intuito de tentar convencê-lo a se expor menos. Só o presidente ainda não percebeu que seus adversários querem provocá-lo, sabendo que ele tem a língua solta, para que despeje um monte de palavras ao vento e estas se fixem na mídia contra ele mesmo. O presidente deveria apenas sorrir para as provocações, deixar essa gente gritar, não responder aos ataques, enfim, não cair nessas armadilhas. E fazer apenas o que seja necessário para bem governar, pois foi eleito para remover a turma que estava no timão desta Nação.

CARLOS E. BARROS RODRIGUES

ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

‘Sincericídio’

Criticam as falas do presidente Bolsonaro como destrambelhadas, fora de hora e de propósito, como se estivessem levando o País, a sociedade e a economia à bancarrota. Talvez seja mesmo o que alguns desejem. Lembremos que em passado recente uns poucos falavam o que muitos, de modo geral, gostavam de ouvir, principalmente quando se tratava de abrir cofres e distribuir cargos e favores. E que favores! Depois de duas décadas de mentiras e tapeação, ser sincero tornou-se suicídio. E não será nada fácil corrigir esse desvio político e social.

MANOEL BRAGA

manoelbraga@mecpar.com

Matão

Sem cabimento

“Quando eu era criança fazia coisas de criança, agora que sou adulto faço coisas de adulto.” Essa consideração, feita por Paulo numa de suas epístolas, me remete ao nosso presidente, cujos auxiliares estão quebrando a cabeça para ver como circunscrevê-lo de modo a evitar as estapafúrdias e, por vezes, irresponsáveis e infantis declarações à imprensa. Não tem cabimento o que vem acontecendo.

ÉDEN A. SANTOS

edensantos@uol.com.br

Barueri

Será?

Às vezes fico pensando: será que o presidente fica o tempo todo provocando e revolvendo fatos para manter a imprensa e a oposição ocupadas e, com isso, deixar os ministros do governo, em especial o da Fazenda, trabalharem em paz? Não fossem essas provocações, os ministros não poderiam trabalhar direito. Se for assim, o presidente pode ser um gênio. Mas se não for...

WILSON SCARPELLI

wiscar@terra.com.br

Cotia

TRATADO DE ITAIPU

Brasil e Paraguai

O que está acontecendo é a reação à tentativa do governo brasileiro de frear um pouco o enorme número de concessões extratratado feitas no passado e que pesam nas contas do consumidor brasileiro. Os que sempre criticaram Itaipu no Paraguai, as “sogras”, no entender de Enzo Debernardi, o principal negociador do tratado pelo lado paraguaio, mais uma vez distorcem as informações e acusam de vendilhões da pátria ou traidores os que assinaram o recente acordo. Os técnicos paraguaios que sabem não ser essa a verdade não se manifestam receando serem também assim rotulados.

MARCOS LEFEVRE

lefevre.part@hotmail.com

Curitiba

MEIO AMBIENTE

As exigências da França

É bom lembrar que o que detonou a ira dos coletes amarelos foi justamente a alta do preço do diesel, aplicada pelo presidente Macron visando à redução da emissão de CO2 nos ares franceses. Lá, quando a defesa ecológica trombou com o bolso dos eleitores, o presidente imediatamente revogou a medida. Muitas defesas do meio ambiente são usadas como pura camuflagem nos embates comerciais.

JOSÉ A. BALDASSARI FILHO

jabf@uol.com.br

Franca

PROBIDADE ADMINISTRATIVA

Dirijo-me à sua excelência o presidente da República, Jair Bolsonaro, do qual por diversas vezes já ouvimos inúmeras manifestações dedicadas à imprensa de uma forma geral. Como sua excelência deve saber, em muitas ocasiões houve diversas críticas de órgãos envolvidos no enredo, como também comentários populares desaprovando a maneira como foram transmitidas. Agora, presidente, esta última que envolveu o pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Fernando Santa Cruz, que o senhor enquadrou que, como integrante da Ação Popular (AP) e desaparecido durante a ditadura militar, teria sido assassinado em um “justiçamento da esquerda” (eliminação de pessoas consideradas traidoras), inclusive afirmando que poderia dizer como isso ocorreu fazendo com que tal declaração represente “apologia de crime ou criminoso”, violando, dessa forma, “a probidade administrativa”. Se considerarmos que Fernando Santa Cruz, acima referido, é pai do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, este foi atingido de forma indelicada e vil ao relembrar como foram atingidos os familiares das vítimas da ditadura militar brasileira. Afirmarmos categoricamente o comentário como infeliz e totalmente desnecessário.   

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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DESPERDÍCIO DE TEMPO

O País, carente de reformas, perde seu tempo com questões de somenos como as condições da morte de um militante da luta armada ocorrida há 45 anos, a prisão de hackers e até a do ex-presidente e de outros figurões políticos e empresariais. O sagrado espaço midiático é desperdiçado com temas que, sem prejuízo algum, poderiam figurar na página policial ou judicial. Esquerda e direita são conceitos jurássicos. Em lugar dos dois pólos ideológicos, os líderes do mundo de hoje discutem tecnologia, educação, sustentabilidade e outros temas mais concretos. O atual governo foi eleito com a proposta de mudança. Precisamos compreender que o falso democratismo, onde os temerários líderes diziam que com democracia se resolveria tudo, nos levou à crise. Priorizar as reformas (Previdência, administrativa, política, eleitoral e outras) é o principal. Os acessórios só servem para nos manter no atraso que faz a nação sofrer. Do passado é bom apenas lembrar dos erros – independente de ideologia – para evitar repeti-los. Nada mais. 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br                     

São Paulo

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PASSADO

Como se sabe, o regime de exceção da ditadura militar que eclipsou o Estado Democrático de Direito no País por intermináveis 21 anos (1964 a 1985), promoveu de forma vil e covarde o sequestro, tortura, assassinato e ocultamento de inúmeras pessoas tidas e havidas como subversivas, entre as quais o estudante de direito Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai do atual presidente da respeitada Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. A infeliz e desrespeitosa declaração do presidente Bolsonaro, mais uma entre tantas que a sua já folclórica e incorrigível incontinência verbal cospe boca fora dia sim e outro também, foi severamente repelida e criticada não apenas pela oposição, mas por alguns de seu alinhados, entre os quais militares da ativa. Com efeito, não se pode permitir e tolerar que um presidente da República eleito em pleno Estado Democrático de Direito, a tão duras penas reconquistado após os anos de chumbo grosso do regime de exceção de lamentável memória, venha a público desdizer o que a própria Justiça Federal reconheceu, ao responsabilizar a União como culpada pelos graves crimes cometidos durante a sangrenta e violenta ditadura militar. O passado não pode ser alterado por palavras, vez que está indelevelmente registrado nas piores e mais sórdidas páginas da história recente do País. 

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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PASSAR A LIMPO

Peço vênia aos colegas escribas do Fórum dos Leitores para discordar das suas opiniões (31/7). O Velho Brasil estava preso e ancorado no passado – após 130 anos de uma república de bananas – e precisava ser passado a limpo. Esse é o trabalho que só Bolsonaro conseguiria fazer e está fazendo. Mudar 130 anos em 4 exige, sim, limpar o passado, soltar as amarras e simultaneamente lançar as bases para o futuro. E é isso que finalmente está acontecendo. Só não vê quem não quer. O Brasil tem de enfrentar desafios maiores do que a colocação do primeiro homem na Lua. Os primeiros estágios trepidam loucamente, mas se bem construídos, logo estaremos navegando junto às estrelas. Todos nós que amamos o Brasil temos de apoiar porque é preciso coragem, desapego, muita liderança e persistência. Os que reclamam, parecem preferir o velho Brasil, mas aqui estamos criando o novo. Os incomodados que se mudem.

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo

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LITURGIA DO CARGO

O destempero verbal, a arrogância e a falta de educação de Bolsonaro fazem nova vítima: desta feita ultrajou a memória do pai do presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz. Antes a língua destrambelhada do chefe da nação já ofendera jornalistas, diplomatas, governadores do Nordeste e políticos. Bolsonaro perdeu a noção da importância da liturgia do cargo. Está visivelmente descompensado. Não respeita adversários, faz ironias chulas e insinuações maldosas e infantis.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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COBRAR IMPARCIALIDADE

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) constitui a única entidade de classe que exige dos profissionais que se propõe a representar, a realização de um dispendioso “pós vestibular”, fomentador de cursinhos especializados País afora. A aprovação é condição necessária para o exercício da profissão, obrigando os que logram êxito a contribuírem compulsoriamente para sua manutenção, uma espécie de imposto sindical, não permitido hoje pela recente reforma trabalhista. Por outro lado, o órgão vem se destacando nas últimas décadas por uma postura desviada de sua missão específica, para se imiscuir em questões de política e poder, exibindo um explícito chamego pela esquerda, fato comprovado pelas linhas de ação de suas últimas presidências. Vem adotando tal orientação ostensiva, de maneira livre e desimpedida, até o momento em que se defronta com um mandatário que, dentro de suas prerrogativas presidenciais, resolve questionar as lideranças. Embora o faça de maneira discutível, configurada pela exumação desnecessária do passado, está dentro do seu escopo de poder cobrar da Ordem um comportamento imparcial, capaz de restaurar sua credibilidade como elemento importante da democracia. 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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DESGASTE

Começa a ficar perceptível a debandada das lideranças políticas nacionais em manter  apoio ao atual presidente da República. Tal fato ocorre pelo desgaste que o próprio maior mandatário do País produz com suas assertivas incongruentes, geralmente pelas redes virtuais, sobre temas que nada têm com suas altas funções. Até onde tais realidades vão chegar só o futuro próximo nos dirá. 

José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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COMEDIMENTO

A cada momento entra em destaque uma falação do atual presidente, Jair Bolsonaro, criticada até por seus aliados. Também recebem manifestações de setores como o Judiciário, como a do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), sugerindo que ele passe a usar uma mordaça, evitando perder mais ainda o seu conceito. Quem ocupa um cargo de tal importância precisa ter o comedimento necessário e mais, ter assessoria que o oriente nos procedimentos.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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DE NOVO

Votaria de novo no Jair Bolsonaro para livrar o Brasil do PT, mas que ele poderia dar menos opiniões pessoais, podia.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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‘CAFÉ COM LEITE’

Como já se percebeu, as declarações diárias e confusas do presidente Jair Bolsonaro só atrapalham as necessárias reformas, pois mudam o foco daqueles que querem um País melhor. Para evitar tudo isso seria interessante deixar o presidente falar o que quiser, mas não reverberar suas palavras e ideias, afinal, pela infantilidade, tem que ser tratado como um presidente “café com leite”. 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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IMPEDIU INVESTIGAÇÃO

Mais uma vez o jurista Miguel Reale Jr. vem a público criticar com veemência o presidente Jair Bolsonaro por conta de declarações infelizes sobre o desaparecimento do pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Nada contra, mas gostaria que este respeitado magistrado também viesse a público e com a mesma veemência criticasse a atuação do presidente da OAB, que impediu que a Polícia Federal investigasse o telefone de um dos caríssimos advogados de Adélio Bispo de Oliveira, que no ano passado tentou assassinar o então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro.

José Carlos Degaspare degaspare@uol.com.br

São Paulo

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IMPROPRIEDADES JURÍDICAS

Quando começaram a ser publicados os supostos diálogos entre autoridades ligadas à Operação Lava Jato, obtidos de forma ilícita, é bom que isso não seja esquecido, o presidente da OAB, senhor Felipe Santa Cruz, ignorando a Constituição Federal, que preconiza a existência no País de um Estado Democrático de Direito que garante a todos os cidadãos o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência, disse com todas as letras que o magistrado mencionado nas tais publicações era um “chefe de quadrilha”. Que esse julgamento extemporâneo viesse de alguém que não teve a oportunidade de frequentar os bancos de uma faculdade é, até de certo modo, compreensível, mas vindo de um bacharel em direito e que, como se não bastasse, ainda preside uma entidade da classe dos advogados, é profundamente lamentável. Sinto-me envergonhada. Embora um erro não justifique outro, quando o presidente da República, que não se notabiliza pelas boas maneiras, característica aliás já sabida antes de sua eleição, se referiu à morte do pai do senhor Santa Cruz, este senhor imediatamente se sentiu atingido, no que foi acompanhado por outras figuras de projeção nacional. Ora, diz velho dito popular que “pimenta nos olhos dos outros é colírio”. Portanto, é aconselhável que o senhor presidente da OAB meça suas palavras antes de proferir impropriedades jurídicas, o que ainda é um mau exemplo para os estudantes da área. 

Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém

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IGUAIS PERANTE A LEI

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é muito importante para que os direitos e deveres constitucionais sejam severamente obedecidos. A vigilância da OAB deveria ser maior, rigorosa e imparcial. No caso recente dos hackers invadindo telefones, a OAB agiu corretamente ao preservar o informante. O jornalista, constitucionalmente, não é obrigado a nomear a sua fonte. Mas a OAB está cega, muda e surda quanto ao preceito constitucional de que “todos são iguais perante a lei” no caso do condenado Lula, sem nenhum respaldo legal, desfrutando de um autêntico spa na Polícia Federal de Curitiba, onerando mensalmente em R$ 300 mil o governo, quando numa penitenciária seria de meros R$ 2 mil. 

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES) 

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PASSAR POR CIMA

A Polícia Federal tem muito ainda a desvendar na operação Spoofing e surpresas certamente não faltarão. No entanto, o já confirmado envolvimento da ex-deputada Manuela D’Ávila, por mínimo que supostamente tenha sido, tem um significado muito claro: a esquerda radical, sentindo-se derrotada pelo episódio do impeachment de Dilma Rousseff e da prisão de Lula, e, como “gran finale”, as eleições de 2018, quer a todo custo recuperar o poder, nem que para isso tenha que passar por cima das regras republicanas e dos valores morais e éticos. Ou seja, se não puder ser através da democracia, pode ser sem ela mesmo. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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OUTRA MOTIVAÇÃO

Foi justo o ato que artistas como Chico Buarque, Camila Pitanga e Wagner Moura, fizeram na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) do Rio de Janeiro, em desagravo ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, pela proteção e direito ao sigilo da fonte e livre exercício da profissão. Mas não se vê neles nenhuma revolta pelos crimes de interceptação de comunicação e invasão de dispositivos do qual o informante Walter Delgatti é réu confesso, um outro direito democrático atingido. Como também não vi se manifestarem a favor da Lava Jato, que investiga e está punindo os maiores saqueadores dos cofres públicos. Fica assim claro que a motivação dessa gente é outra, bem diferente.

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro 

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PRECEDENTE PARA INTERCEPTAR

A OAB solicitou à 10.ª Vara Criminal Federal que o material criminosamente interceptado não seja destruído, afirmando que a sua integridade é importante como garantia do “exercício de defesa”. Onde há mesma razão, há mesma disposição: se for aberta a caixa de Pandora, ou seja, se for admitida a possibilidade de se valer em juízo de material obtido criminosamente, abre-se sólido e razoável precedente para também interceptar conversas travadas entre advogados e seus “clientes”, obtendo-se provas de crimes e não raras vezes, de conluios entre criminosos e advogados. 

Milton Córdova Júnior milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)

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PEDIDO DE ESCLARECIMENTO

A Rede entrou com uma ação no Supremo pedindo esclarecimentos sobre a possibilidade de o Conselho de Controles de Atividades Financeiras (Coaf) ter sido acionado pelo governo para investigar movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald, responsável pelo site The Intercept Brasil. O site tem publicado suposta troca de mensagens entre o ministro da Justiça Sergio Moro e integrantes da força tarefa da Lava Jato. Então a Rede não está preocupada com as autoridades que foram hackeadas. Autoridades responsáveis pela maior investigação de corrupção da história do Brasil. Uma total inversão de valores.

Cleo Adair cleoaidar@hotmail.com

São Paulo

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ATRASO

Grandeza? Que nada, atraso secular, que no diagnóstico preciso do sr. Lamounier, é causado pela divisão indecente dos brasileiros em apenas duas castas – as Cortes dos Três Poderes e os vassalos miseráveis, sem uma classe média significativa no meio (“Teu futuro espelha essa grandeza”, “Estado”, 28/7, A2). Os primeiros, aboletados nos seus Palácios de Versailles tupiniquins, vivem rodeados de cortesãos e puxa-sacos, se empanturram de lagostas e vinhos caros e deslocam em jatinhos e limousines oficiais. E protegidos por esquadrões de mosqueteiros, se lixam para as agruras dos 98% de brasileiros que sustentam essa esbórnia. E o mais triste é que esses 2% do poleiro de cima nunca se deram conta que poderiam estar muito melhor se devolvessem um pouco dos impostos extorquidos de seus vassalos em escolas, hospitais, água potável e esgoto tratado. Dado esse diagnóstico irretocável, fiquei, porém, com um travo amargo, sabendo que será mais fácil saci cruzar as pernas do que esses vampiros doarem o sangue que sugam dos brasileiros. Falta botar o guizo no gato. 

Alfredo Franz Keppler Neto alfredo.keppler@yahoo.com.br

São Paulo

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GUERRA EM PRESÍDIOS

Sobre o artigo “4 presos de Altamira são mortos durante transferência no Pará”, publicado no Estadão em 31/7. Com mais 4 presos assassinados, a número de mortos sobre para 62, mostrando a selvageria reinante na guerra entre facções. As prisões se transformaram num território cuja ocupação e liderança é disputada com ferozes guerras, onde há degolamentos, estrangulamentos e outras formas de violência descontrolada. O evento demonstra que em certas circunstâncias o ser humano é o mesmo troglodita da idade da pedra, fazendo-nos descrer na evolução para algo melhor.                           

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

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DESPREZO DAS AUTORIDADES

Esse massacre originado por disputa de facções que deixa 57 presos mortos no presídio de Altamira, no Pará, acontece mais uma vez, infelizmente em função ao desprezo crônico das nossas autoridades no combate a criminalidade, como da falta de um judiciário criminal mais ágil, serviço de inteligência e servidores capacitados para área prisional. E os governantes, como se estivessem dando uma resposta suprema à sociedade, decidem apenas depois de um massacre vergonhoso para imagem do País, transferir os líderes dessas facções criminosas para presídios de segurança máxima. Um paliativo. Porém, é lamentável ouvir de um presidente da República, como Jair Bolsonaro, quando questionado sobre o massacre, dizer: “Pergunte para as vítimas dos que lá morreram o que elas acham”. Nem se prestou o presidente de enviar palavras de conforto às famílias enlutadas.

Paulo Pasciam paulopanossian@hotmail.com

São Carlos 

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IMPEACHMENT DE TOFFOLI

Parabéns, deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP), coautora do pedido de afastamento da ex-presidente Dilma, por ter protocolado no Senado nesta terça-feira (30/7), um pedido de impeachment do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter suspendido investigações que utilizaram relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sem prévia autorização do Judiciário. A decisão, além de monocrática, contraria a Constituição Federal e diversas leis, trazendo contrariedades ao que foi estabelecido pelo plenário do STF. Vá em frente, deputada, Deus está contigo, nós, os brasileiros, seus eleitores, sabemos e conhecemos muito bem o tamanho de sua garra e o quanto é patriota. Infelizmente o Brasil é carente de políticos da sua estirpe.

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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CRIME COMPENSA

A pedido de Flávio Bolsonaro, Toffoli suspendeu todas as investigações envolvendo o Coaf e o Ministério Público. O ministro mostra sua cara. Com certeza, haverá consequências sérias e amplas. O crime compensa no Brasil com esse tipo de juiz no STF. Chegamos no fundo do poço. 

Elisabeth Migliavacca 

São Paulo

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POUCO SE APRENDEU

Apesar da aprovação em 1° turno da reforma da Previdência na Câmara parecer sinalizar uma possível mudança na “velha política”, percebemos que muito pouco se aprendeu com a indignação manifestada nas urnas em 2018. Oportunistas que vivem do compadrio e que só entendem a representatividade popular como instrumento para o próprio proveito ainda vagueiam pelo Congresso, sem temer qualquer exposição vexatória. Mas estejam certos aqueles que não perceberam ou não quiseram perceber: a tolerância da população para com vocês terminou. A queda de cada um há de ser questão apenas de tempo. Não há mal que perdure para sempre. 

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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MANEIRAS

Não há nada mais salutar do que as boas maneiras, uma boa educação. Muito além do berço e do nicho, diga-se de passagem. É sempre bom lembrar que a leitura de jornais lhe cobrem de boas maneiras. Com a leitura dos periódicos, o cidadão renasce das trevas das gírias e da ofensa gramatical. Quem não se lembra do caso Joesley Batista, envolvendo a escuta ‘mandrake’, e o ex-presidente Temer, colérico, mas sem ofender a gramática e tampouco o seu algoz? Não deixou de ser enfático, porém super constitucional na fala. Não há nada melhor do que ler um artigo de um presidente ou ex-presidente da República, vide a elegância da ‘caneta bic’, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um primor. Saber o que pensam e como articulam a suas subjetividades e singularidades, em contato direto com os leitores. Recentemente tivemos o prazer de assistir o programa Roda Viva com o ex-ministro e poeta Carlos Ayres Britto. Dos nossos representantes de hoje, é nada mais do que essa linha constitucional que esperamos. Diante de toda a falta de boas maneiras de Jair Bolsonaro, eu diria que o Brasil perde e muito com tudo aquilo que não é Carlos Ayres Britto, a Constituição em pessoa.

Leandro Ferreira ferreiradasilvaleandro73@gmail.com

Guarulhos 

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EXPLORAÇÃO DA ITAIPU

Qual a base da afirmação de um cientista político, de que o Paraguai vendeu a energia ao Brasil por valores abaixo do mercado, deixando de receber 75,4 bilhões de dólares? Absolutamente equivocada tal afirmação. O Tratado obrigava o Brasil a comprar toda a potência disponível em Itaipu não utilizada pelo Paraguai ao preço necessário para pagar o empreendimento. A energia cara e desnecessária nos primeiros anos de operação, dado às dificuldades econômicas que o país atravessava, foi “empurrada pela goela” das concessionárias brasileiras. Havia lei obrigando-as a fazer essa compra. Acrescente-se que o Brasil fez, ao longo do tempo, inúmeras concessões extratratado ao Paraguai, compreendendo as dificuldades que a Administración Nacional de Electricidad (Ande) teria para pagar o valor devido pela energia de Itaipu. Tais concessões “caíram nas costas” dos consumidores e contribuintes brasileiros.

Marcos Lefévre lefevre.part@hotmail.com

Curitiba

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RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS

Proponho que o presidente Jair Bolsonaro promova o plantio de um bosque de árvores brasileiras em risco de extinção, acompanhado do ministro do Meio Ambiente e da ministra da Agricultura. Esse gesto de boa vontade poderia ajudar a mudar a péssima imagem do governo na pasta ambiental e mostrar ao mundo que o Brasil está sim preocupado com a recuperação de suas áreas degradadas e com a valorização e preservação de sua natureza. Países como China e Índia, que já foram grandes vilões da natureza, têm feito grandes esforços para plantar milhões de árvores e recuperar suas áreas degradadas. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo 

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DEMOLIÇÃO DE PRÉDIOS

E o Gran Circo Crivella está bombando. Anunciou no melhor estilo de mestre de cerimônia do picadeiro: “Respeitável público, nós vamos fazer ainda mais uns testes com os prédios da Muzema antes de decidir pela demolição”. A Geotécnica, órgão que entende do assunto, em seu laudo indicou que há risco de desabamento. A Prefeitura do Rio recorreu da liminar que suspendia a demolição e a Justiça, de posse desse parecer da Geotécnica, autorizou a demolição. E vem a própria Prefeitura do Rio, que pediu a demolição, anunciar alguns testes. Botaram qualquer circo no chinelo.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro 

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MORADORES DE RUA

Os moradores de rua são nocivos, porque escondem em seu meio os bandidos, os loucos, os drogados, dentre outros. O mercado da droga está instalado em seu âmbito. A retirada destes indivíduos da sociedade compulsoriamente deve ser obviamente a obrigação do Estado; colocá-los em albergues e locais apropriados seria o certo, porém difícil encontrar esses espaços com pessoal profissional para cuidar deles. Esse problema sempre teve sua solução postergada. Está na hora de se debater este assunto. O adiamento será um investimento no caos e na insegurança dos cidadãos de bem.

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro 

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VAGAS DE EMPREGO

Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Itaú já anunciaram fechamento de dezenas de agências e um consequente programa de demissão voluntária. É provável que o Bradesco e outros bancos também façam o mesmo. O mundo digital avança sem dó sobre o mundo físico. A pergunta preocupante e urgente é, quantas vagas de emprego o governo federal vai ter que criar para compensar essa tragédia? As últimas divulgações do IBGE não nos permite ficar animados. Seria esse passo do sistema bancário uma pá de cal em cima de uma nação que patina e sente que está afundando? As ações para levantar a economia continuam se batendo em iniciativas tímidas, e com isso o governo não consegue acompanhar o mundo real comandado pela iniciativa privada. É uma pena que o governo federal esteja envolvido em tantas polêmicas sem inteligência ao invés de focar as energias em ações realmente úteis.

Silvio Sebastião Pinto (Yitzhak Ben-Gurion) silvio.sebastiao@gmail.com

Santos

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VOO DE VOLTA

Minha esposa deixou de viajar de Salvador para São Paulo, dia 25/7 (já estava em São Paulo). Havíamos comprado uma passagem ida e volta, nas datas 25/7 e 15/8. O trecho de 25/7 não foi voado. Ela ligou para a Latam dizendo que não usaria esse trecho, pois já estava em São Paulo. A TAM informou que, ao não usar esse trecho, ela perdeu o voo de 15/8, que ainda vai acontecer e que isso estava expresso nas letras miúdas do contrato que todo mundo tem que dizer que aceita, caso contrário não faz a compra pelo site. Isso é algo absolutamente abusivo. Um golpe, para não chamar de roubo. Este país precisa ser um lugar sério.

Clovis Faleiro Jr. clovisfaleiro@uol.com.br

Salvador

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