Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2019 | 03h00

MEIO AMBIENTE

‘Velório para a Amazônia’

É uma vergonha para o Brasil, com pretensões de ser comparado a países de Primeiro Mundo, ser capa da revista britânica The Economist, de alto impacto e mundialmente conhecida, classificando-nos como ineficientes para proteger e preservar uma das maiores riquezas do mundo e a mais importante floresta da Terra. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o presidente da República, Jair Bolsonaro, puseram em dúvida os números do desmatamento divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) com base no sistema de alertas do órgão, o Deter, classificando-os como tecnicamente incorretos. Ao lado de Bolsonaro, Salles observou que o governo não nega o aumento no desmatamento, porém alega que o índice de desmatamento indicado por aquele órgão não condiz com a verdade. Como se isso representasse alguma vitória...

ANGELO TONELLI

angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

Crimes ambientais

Desmatamentos desnecessários para o provimento da alimentação da humanidade são crime ambiental. Atualmente não faltam alimentos. Os preços das commodities estão em baixa. O aumento da produtividade e a redução de desperdícios acompanharão o crescimento da demanda. Portanto, os desmatamentos da Floresta Amazônica e do Cerrado são crimes ambientais, crimes contra a humanidade, pois contribuem para o aquecimento do clima e prejudicam o regime de chuvas no Brasil, no Paraguai, na Argentina, na Bolívia. Os biomas são finitos. É irrelevante se os desmatamentos estão sendo medidos corretamente, o importante é que estão sendo perpetrados, em benefício de uns poucos ambiciosos. Eles são criminosos em âmbito global. No âmbito nacional, são criminosos por roubo do patrimônio nacional. Falta uma Operação Lava Desmatamentos.

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

Destruição irreversível

Com o alarmante crescimento dos ataques criminosos de parte das madeireiras e parte do agronegócio, de mineradoras e garimpos ilegais ao bioma amazônico, o governo Bolsonaro entrou para o banco dos réus no grande processo em curso para salvarmos a Amazônia da destruição, que se avoluma. Como a comunidade científica nacional e do exterior vem há muitos anos alertando, a devastação da Floresta Amazônica trará também a desertificação de grandes porções do território brasileiro no Centro-Oeste e no Sudeste, pela eliminação das grandes massas líquidas transportadas pelos chamados rios aéreos em direção ao sul do País. E também afetará os biomas naturais da porção sul da América do Sul. Pergunta-se, neste momento tão crítico, se as Forças Armadas do Brasil não deveriam estar agindo para reforçar a ação dos órgãos de controle e autuação, como o Ibama, já que elas têm a missão constitucional de proteger o nosso território, zelando contra as forças destrutivas que ameaçam mais do que nunca os biomas tão importantes do Brasil. Nunca é demais também recordar, conforme já relatado pela ciência moderna, que a devastação do bioma amazônico será irreversível, pela natureza dos solos arenosos que sustentam grande parte da floresta. As ações perversas do governo na tentativa de desmontar os órgãos de monitoramento científico e de controle e autuação ambiental devem sofrer as reações mais severas, para barrarmos o processo em andamento.

TOMÁS ARRUDA

tomasarruda@terra.com.br

São Paulo

Europa compra

Em relação ao editorial da revista britânica The Economist, se quiser cooperar para a preservação da Floresta Amazônica a Europa pode restringir a importação de madeira de lei proveniente dessa área. Afinal, os desmatamentos têm começado para o abate e exportação de troncos de madeira. E é isso que motiva os “loteamentos” feitos em sequência pelo Incra.

WILSON SCARPELLI

wiscar@terra.com.br

Cotia

‘Mea-culpa’

Os ingleses, que no século 18 iniciaram a revolução industrial, com uso massivo de carvão vegetal (via eliminação das florestas) e mineral, provocando o primeiro grande impacto ambiental no mundo, vem agora criticar nossa gestão da Amazônia, sem conhecer a nossa realidade e o que estamos fazendo. Entra na conversa da esquerda. Está na hora de eles fazerem um mea-culpa.

MANUEL PIRES MONTEIRO

manuel.pires1954@hotmail.com

São Paulo

OPERAÇÃO SPOOFING

O peixe e a gaivota

Estavam o peixe e a gaivota em caloroso debate sobre um objeto que haviam visto. A gaivota clamava que era brilhante, iluminado e com ruídos de algazarra. Já o peixe dizia que era um objeto escuro e que fazia um surdo ruído com forte vibrações. Assim ficaram discutindo sem chegar a nenhum alinhamento, sem saber que estavam falando da mesma coisa: um transatlântico. A atual discussão sobre os diálogos recentemente capturados de autoridades do nosso querido Brasil se encontra na mesma situação dessa fábula. Um grupo só enxerga o lado negro e o outro, só o brilhante. Precisamos buscar o discernimento para enxergar o todo.

JOAQUIM J. X. DA SILVEIRA

joaquimsilveira@gmail.com

São Paulo

Lava Jato e seus riscos

Um grupo de bandidos – hackers são bandidos – alega ter colhido conversas. Nada foi provado sobre a origem e autenticidade daquilo que eles teriam obtido. Esse mesmo pessoal procura uma pessoa formada em jornalismo, mas com carreira política, diz estar de posse de material obtido na criminalidade e o oferece a essa pessoa, que indica alguém que se diz jornalista para contato e cessão do uso do produto do crime. Nem passou pela cabeça da pessoa contatada denunciar o crime escondido por trás dessas ações. Em seguida, esse pretenso jornalista diz ter obtido de fonte anônima e apela ao direito de proteção do sigilo da fonte para não entregar os criminosos. Só que a pessoa contatada pelos criminosos declara que indicou exatamente esse dito jornalista para a divulgação. Ou seja, a fonte está confirmada. Tudo teria sido feito contra as ações de agentes públicos. Desse ponto em diante, jornalistas e políticos interessados em eliminar a Lava Jato trabalham incessantemente para encontrar forma de pôr em dúvida tudo o que fez a operação contra a corrupção. Para piorar, o Supremo Tribunal começa a trabalhar como se polícia fosse, exigindo que lhe sejam entregues as informações cuja origem e legitimidade não foram sequer verificadas ainda. Que país é este?

ABEL CABRAL

abelcabral@uol.com.br

Campinas

O VERBO DE BOLSONARO

O presidente Jair Bolsonaro, infelizmente vive nas trevas com falta de conhecimento e esclarecimento. Também de refinamento institucional. Não por outra razão que hoje grande parte do nosso noticiário refere-se aos atos inconsequentes de Bolsonaro. Não se importa com as críticas, em evoluir, e justificar o cargo que ocupa, legitimamente conquistado nas urnas. O editorial do Estadão, no seu título A política da raiva (31/7, A3), explica bem as ações nefastas para o País praticadas pelo presidente em pouco mais de 200 dias de poder. Discorre o editorial: “O maior sinal de que Bolsonaro não é vocacionado para a Presidência da República é sua incapacidade de aceitar os limites institucionais do regime democrático”. “Tal comportamento irrefletido torna imprevisível tudo o que emana do gabinete presidencial. Hoje, sob esse comando irracional, é impossível dizer para onde vai o País”. Soberbo, pavio curto, vocacionado a ofensas e sem respeito à vida humana, como demonstram seus projetos inconstitucionais de legalização ao porte de armas, de não punição aos que não protegem as crianças nos carros com uso de cadeirinhas, do aumento do número de infrações para que tenha sua carteira do CNH suspensa, etc. Fala mal e perigosamente pelos cotovelos. Em seu artigo, o advogado criminalista Antônio Mariz de Oliveira, sobre o mesmo tema do editorial, cita um ditado mineiro que serve para o presidente: “Quem fala muito dá bom dia a cavalo” (Não se governa com o verbo, “Estado”, 31/7, A2). É pelas falas fúteis que Bolsonaro está perdendo, mais do que qualquer outro presidente em 200 dias no poder, sua popularidade. Porém os mais prejudicados são os 210 milhões de brasileiros, que angustiados com o desemprego e baixa distribuição de renda e sem perspectiva de um futuro melhor ainda precisam aturar um presidente irresponsável e imaturo.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos 

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COMPORTAMENTO DOS PRESIDENTES

Tenho visto muitos leitores e articulistas criticarem Bolsonaro porque ele não observa a liturgia do cargo que ocupa. Todos os presidentes, de Sarney até Temer, se comportavam de acordo, mas curiosamente todos (exceto Itamar) se locupletaram de dinheiro público. Resumindo, foram ladrões. É isso que querem que ele faça? O que dizer então de Toffoli, que jantou com advogados que defendem réus que serão julgados por ele?

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro

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APARIÇÕES

Parodiando o nosso saudoso Chacrinha: “Eu não vim para governar. Eu vim para aparecer”. Desde a proclamação da República, com exceção do presidente Jânio Quadros, nenhum outro presidente esteve tão exposto à mídia em tão pouco tempo de governança. Que não justifica a quantidade de viagens ao exterior. Bolsonaro não pode ver um microfone e sua sofreguidão é maior quando há um cinegrafista. Quando a pergunta do repórter se refere uma nova patuscada do nosso Messias, como o negado nepotismo, a morte do pai do presidente da OAB durante os anos de chumbo, o armamento da população como um salvo-conduto para matar, transformando o País num faroeste tropical, o recente namoro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um possível acordo comercial com aquele país. Observa-se que nas respostas ao interlocutor, sempre há uma afirmação que transpira prepotência de poder e mão direita sempre com o dedo indicador indicador imitando uma arma. Ainda faltam muitos dias para se completar o primeiro dos possíveis quatro anos de poder e o presidente parece ostentar sob seu terno impecável uma farda verde-oliva.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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SUBTERFÚGIOS

Bolsonaro tropeça nas suas próprias palavras. Faz algumas confusões, mas não foi pego roubando cofres públicos. Então vimos, Maia, Alcolumbre e Toffoli, cavaleiros do apocalipse e traidores da pátria, fazendo de tudo para seu governo não dar certo. A todo instante usam subterfúgios dos mais baixos. Na verdade fazem isto para desviar a atenção dos seus malfeitos que sistematicamente a mídia denuncia.

Iria de Sá Dodde iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

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E OS BOLSONAROS

Paulo Guedes planejando economia liberal, o Congresso reformando a Previdência, Bernard Appy formulando a reforma tributária e os Bolsonaros dando tiros na Lua e nos pés. 

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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GUERRA DECLARADA

O ativismo judicial de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) vem ganhando contornos de guerra declarada. O inquérito sigiloso aberto pelo ministro Dias Toffoli, que a princípio versava sobre fake news, de repente está servindo para afastar funcionários da Receita Federal e, segundo se anuncia, servirá para requisitar cópias de investigações presididas por outros juízes. Ao que parece, pode servir também para atingir procuradores. Lembrando que recentemente o trio Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes comandou um inquérito policialesco que decretou censura contra a revista Crusoé por divulgar parte de um documento legal envolvendo o presidente da Corte. Depois foram blindadas 133 autoridades suspeitas de fraudes financeiras entre os quais os próprios ministros do STF e suas mulheres. E agora ao que tudo indica, se preparam para dar a tacada final na Lava Jato. Alexandre de Moraes vai legalizar as mensagens roubadas pelos estelionatários de Araraquara, tornando o Judiciário refém de criminosos para sempre (Alexandre quer cópia de inquérito e mensagens hackeadas em 48 horas, “Estado”, 2/8). Em seguida ele vai fazer uma leitura verdevaldiana das mensagens roubadas, encontrando ilegalidades onde elas não existem dando ensejo ao afastamento Deltan Dallagnol da força-tarefa de Curitiba numa caneta autoritária. Dada tal ousadia, o Brasil poderá entrar em um parafuso perigoso de conflito aberto, porque o autoritarismo do Supremo vai ser desafiado, pois esse é um caminho sem volta. Preparem-se para o pior.

Paulo R Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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INIMIZADE ENTRE DEUSES

Anedota comum no meio forense sobre promotores e juízes, adaptada para o contexto da Lava Jato, assim seria: “Procuradores da Procuradoria-Geral da República (PGR) pensam que são deuses, já os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm certeza”. Nesse embate pleno de pavonice e egolatria entre PGR e STF, que insufla a grave conflagração reinante no Brasil, deve ser lembrada a seguinte advertência de Nietzsche: “Não há inimizade pior à superfície da terra do que a inimizade entre deuses”.

Túllio Marco Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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CUIDADO PARA NÃO FAVORECER

Está em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) a possibilidade de afastamento do procurador da República Deltan Dallagnol do comando da Operação Lava Jato (STF cogita afastar Deltan da Lava Jato, “Estado”, 2/8). As repercussões das mensagens hackeadas de muitas autoridades estão sendo analisadas, o que fundamenta a atitude do Judiciário. É outro fato que causa preocupação. Depois de tantas investigações que sustentaram processos contra integrantes dos mais diferentes segmentos sociais é preciso cuidado nos encaminhamentos, para não favorecer quem está sendo processado por irregularidades que cometeu.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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DESESTABILIZAR OS JUSTICEIROS

Com Sergio Moro, Deltan Dallagnol, a Lava Jato e muitas figuras impolutas até então intocáveis, migalhas das corrupções foram devolvidas e o brasileiro de bem sentiu uma nesga de esperança. Moro priorizou o Brasil ao trocar um cargo vitalício pelo de ministro, sujeito a alfinetadas de todos os lados. Tudo para dar sequência ao combate aos malfeitos. Amigos dos envolvidos, graúdos ou parentes na lente da Polícia Federal, malfeitos e malfeitores afloram com auxílio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Mexeram num vespeiro. Daí o combate ao Coaf e querer desestabilizar os justiceiros com o fio da meada de falcatruas e isso não fica de graça (Toffoli atende a pedido de Flávio Bolsonaro e suspende processo com dados do Coaf, “Estado”, 16/7). Novas forças, nos mais destacados níveis, contrárias ao combate à corrupção são arregimentadas e está cada vez mais difícil passar o Brasil a limpo. Que Deus ilumine os justiceiros, não desistam, prossigam na caça aos corruptos.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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ISONOMIA CIDADÃ

Estará o decano Celso de Mello tendo um laivo de bom senso quando se determina a tentar resolver o uso de dados do Coaf? Será que ainda existe no STF alguém com bom senso que entende que os privilégios, que cada vez mais são defendidos por um grupo do próprio STF, devam ser eliminados de sorte a termos uma verdadeira isonomia cidadã?

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas 

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NÃO ENGANA MAIS

A operação Lava Jato está viva e não depende mais do ex-juiz Sergio Moro. A ausência do juiz de Maringá (PR) não deverá estancar o medo dos ladrões do dinheiro público. A indecência e imoralidade dos criminosos de colarinho branco está à mostra e não engana mais o cidadão de bem. O combate à corrupção é desejo do povo e tem o seu apoio incondicional, motivo pelo qual serão inúteis as manobras dos juízes do STF e políticos envolvidos em corrupção que fazem tudo para destruir esta que foi a maior novidade ocorrida no Brasil no período contemporâneo.

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

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INTOCÁVEIS

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu a investigação da Receita Federal sobre membros da Corte (Alexandre vê ‘desvio de finalidade’, suspende devassa da Receita sobre 133 contribuintes e afasta servidores, “Estado”, 1/8). Sem entrar no mérito da decisão, isto mostra que os que estão no topo da pirâmide da estratificação social são intocáveis. Os que estão na base são os Zé Manés. Ficou claro ou tem que desenhar?

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro 

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NÃO NO STF

“Somos todos iguais perante a lei”, mas para os nobres membros do STF, não: eles não querem ser examinados pela Receita Federal. Ora, quem não deve, não teme.

Milton Bulach mbulach@gmail.com

Campinas

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É PROIBIDO INVESTIGAR

O ministro ordenou. É proibido investigar ministros. Isso é que é Suprema Corte. Supremidade no “úrtimo”...

A. Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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OLHAR DO JUIZ

Em outros tempos o cidadão comum supunha que o território do direito e da justiça fosse cercado por um muro. Só os iniciados – os que tinham consentimento dos potentados – poderiam atravessar a muralha. O avanço da cidadania, a partir da Constituição de 1988, principalmente em razão do Movimento Constituinte que precedeu a votação da Constituição, modificou substancialmente este panorama. O mundo do direito não é apenas o mundo dos advogados e outros profissionais da seara jurídica. Todas as pessoas, de alguma forma, acabam envolvidas nisto que poderíamos chamar de “universo jurídico”. Daí a legitimidade da participação do povo nessa esfera da vida social. Cidadãos ou profissionais, todos estamos dentro dessa nau. De minha parte, foi como profissional que fiz a viagem. Comecei como advogado, integrei depois o Ministério Público. Após cumprir o rito de passagem, fui juiz de direito, porque a magistratura era mesmo o meu destino. Eu seria juiz no Espírito Santo, como juiz foi, em Pernambuco, meu avô – Pedro Carneiro Estellita Lins. Esse avô, estudioso e doce, exerceu tamanho fascínio sobre mim que determinou a escolha profissional que fiz. Meu caminho, nas sendas do direito, foi marcado de sofrimento em razão de conflitos íntimos.

Sempre aprendi que o juiz está submetido à lei. E continuo seguro de que este princípio é verdadeiro. Abolíssemos a lei como limitação do poder e estaria instaurado o regime do arbítrio. Não obstante a aceitação de que o “regime de legalidade” é uma conquista do direito e da cultura, esta premissa não deve conduzir à conclusão de que os juízes devam devotar à lei um culto idólatra. Uma coisa é a lei abstrata e geral. Outra coisa é o caso concreto, dentro do qual se situa a condição humana. À face do caso concreto a difícil missão do juiz é trabalhar com a lei para que prevaleça a justiça. Não foram apenas os livros que me ensinaram esta lição, mas também a vida, a dramaticidade de muitas situações. Há uma hierarquia de valores a ser observada. Não é num passe de mágica que se faz a travessia da lei ao direito. Muito pelo contrário, o caminho é difícil. Exige critério, sensibilidade e ampla cultura geral ao lado da cultura simplesmente jurídica. O jurista não lida com pedras de um xadrez, mas com pessoas, dramas e angústias humanas. Não é através do manejo dos silogismos que se desvenda o Direito, tantas vezes escondido nas roupagens da lei. O olhar do verdadeiro jurista vai muito além dos silogismos. Da mesma forma que os cidadãos em geral não podem fechar os olhos para as coisas do direito, o estudioso do direito não pode limitar-se ao estreito limite das questões jurídicas. O jurista que só conhece direito acaba por ter do próprio direito uma visão defeituosa e fragmentada. Estamos num mundo de intercâmbio, diálogo, debate. Se quisermos servir ao bem comum, contribuir com o nosso saber para o avanço da sociedade, impõe-se que abramos nosso espírito a uma curiosidade variada e universal.

João Baptista Herkenhoff jbpherkenhoff@gmail.com

Vitória

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FIM DO REINO UNIDO?

Com efeito, o Brexit pode ser um tiro no pé, não apenas pela saída do Reino Unido da União Europeia, mas pelo início do fim do próprio reino, com a manifestação de desejo de independência da Escócia e da intenção de unificação das Irlandas (Johnson reaviva desejo de reunificação das Irlandas com Brexit sem acordo, “Estado”, 1/8, A12). Era uma vez um reino onde o sol nunca se punha...

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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TRATAMENTO DIFERENCIADO

Definitivamente os infratores não são iguais perante o Estado. Os de classe VIP (leia-se políticos e executivos importantes) são transportados em jatos da Polícia Federal e alojados em celas nunca superlotadas. Os mortais comuns, como os do presídio de Altamira (PA), são transportados como gado, sem escolta e podem morrer sufocados como aconteceu (4 presos de Altamira são mortos durante transferência no Pará, “Estado”, 31/7). Ou seja, o Estado não garante a vida dos cidadãos comuns, mesmo os que estão sob sua custódia. E todas as garantias dadas no extenso artigo 5 da Constituição Federal, são para o inglês ver?

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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INFORMAÇÃO E FOME

Informação é algo imprescindível para alguém que governa um país continental como é o Brasil, onde existe muita desigualdade e renda concentrada, pobreza e fome. Negar o óbvio da realidade pela qual passam milhões de brasileiros é querer retroagir ao passado. Realidade essa negada pelo atual comandante da nação, que chegou a afirmar que “falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira” (Bolsonaro: ‘Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira’, “Estado”, 19/7). É fato que o combate à fome no Brasil estagnou, apesar do País ter saído do mapa da fome em 2014. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e Agência da ONU, em 2017 existiam 5,2 milhões de brasileiros passando fome. Os dados foram divulgados em setembro do ano passado. Em 2014, segundo a entidade, o total era de 5,1 milhão. Além disso, entre os anos de 2008 e 2017 (último dado disponível), foram pelo menos 63.712 óbitos no País por complicações decorrentes da desnutrição, uma média de 17 mortes por dia. O levantamento foi realizado no Datasus, portal de dados do Ministério da Saúde. O presidente Jair Bolsonaro precisa entender que contra fatos não há argumentos nem contestações. Ter conhecimento sobre este tipo de dado do país que governa é algo indispensável e imprescindível, é mais que obrigação para qualquer chefe de Estado. Agindo da forma que vem fazendo só mostra que ele não está atento aos problemas da população brasileira.

Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

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ENSINO E PREPARO

O emprego e o preparo do empregado. Depois da reforma da Previdência virão a tributária, a administrativa, a política, a da educação e de outros setores. A sensação é de que desde a redemocratização, em 1985, esquecemos de cuidar de pontos básicos cuja falta hoje coloca o País em crise e a população em dificuldade. O desemprego não diminui porque, em muitos casos, os candidatos não estão preparados para as vagas. O ensino, que se preocupou com a politização do aluno e concedeu milhares de diplomas, não foi capaz de qualificar para o mercado. É preciso corrigir as distorções que a demagogia e os interesses subalternos causaram. Chegou a hora de pagar pelos desmandos. Recolocar o País nos eixos e com isso atrair investidores e negócios e, em vez de ideologia, ensinar nas escolas idiomas, ciências, tecnologia e outros saberes úteis. A tarefa é gigantesca, irreversível e de salvação nacional. Espera-se que os congressistas, governo e até os partidos políticos compreendam a sua gravidade e não percam seu tempo discutindo ideologias extremas, obstruindo ações ou tratando de questões que são de competência policial ou judicial. Se continuar perdendo tempo com essas coisas, não sairemos do atoleiro.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br       

São Paulo

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MARIO GONZALEZ

O mundo do golfe brasileiro perdeu segunda-feira passada seu “pai”, Mario Gonzalez, que faleceu aos 96 anos no Rio de Janeiro. Natural de Santana de Livramento, jogador brilhante, foi campeão brasileiro inúmeras vezes, venceu importantes campeonatos no exterior e competiu com os melhores jogadores do mundo inclusive o lendário rei do golfe Bobby Jones. Entre seus muito alunos contavam Getúlio Vargas, Armínio Fraga e Gina Lollobrigida. Vai deixar saudades. 

John Ferençz McNaughton john@mcnaughton.com.br

São Paulo

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