Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2019 | 05h30

ABUSO DE AUTORIDADE

Modernização legal

Finalmente a Câmara dos Deputados aprovou a lei de abuso de autoridade, já apreciada no Senado. O texto agora vai à sanção do presidente da República, que poderá impor vetos. É de salientar que o País necessitava dessa lei, mais em consonância com o momento atual e em decorrência de novas posições assumidas pelas autoridades principais do País. Entretanto, o presidente certamente vetará as partes do texto que impedem as autoridades de agir e de cumprir legalmente sua missão. Resta observar que, no tocante à Justiça, a discriminação dos deveres e poderes deve continuar exposta a todos, ou seja, a polícia dá proteção e apura delitos ou responsabilidades, o Ministério Público oferta denúncia, incrimina e acusa, o magistrado analisa, pondera e julga, apreciando a defesa e manifestações do advogado. Nenhum dos agentes pode extrapolar suas funções e atuação, gostem ou não os radicais.

JOSÉ CARLOS DE C. CARNEIRO

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

Bandidos x mocinhos

No momento em que a Operação Lava Jato passa por desgaste devido a supostos excessos, que claramente não envolveram atividades criminosas, a Câmara aprova o projeto que pune exatamente juízes e procuradores. Os ditos crimes de abuso de autoridade já são previstos no nosso ordenamento legal e é obvio que o projeto não é prioridade nem do interesse da população, mas tão somente de quem tem medo de ser alcançado de alguma forma pela Justiça, daí a extensa possibilidade de punições e a facilidade da aprovação. Assim, estamos cada vez mais perto do dia em que bandidos vão prender os mocinhos. 

ABEL PIRES RODRIGUES

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

Prioridade da Câmara

Nossa Câmara dos Deputados é invejável. Aprova a toque de caixa orçamento impositivo, libera R$ 157 mil para tratamento dentário de um deputado e agora passa o projeto de abuso de autoridade, que, na verdade, consiste em grande engendramento para impedir, ou ao menos atenuar, os efeitos da Lava Jato, que tanto bem tem feito ao País. Também se autoatribui o poder de interferência em atos de responsabilidade do Executivo, mas nenhuma palavra sobre reforma política. Nosso país tem uma representação distorcida dos Estados, número excessivo de parlamentares, o voto distrital é clamado pela população - a redução de gastos com campanha e o contato direto dos representantes distritais com o seu eleitor, por si sós, já recomendariam esse modelo. Temos perto de 5.600 municípios, só Minas Gerais tem perto de 860, um número imenso que não tem condição de viver sem recursos federais ou estaduais. Mas a Câmara esquece tudo isso. Pobre Brasil.

ABEL CABRAL

abelcabral@uol.com.br

Campinas 

CORRUPÇÃO

Tudo invertido

Como se diz, só no Brasil o poste faz xixi no cachorro. Como exemplo, a audiência de Sergio Moro no Congresso Nacional, onde acusados de corrupção chamaram o ex-juiz de bandido. Agora, alegam que toda a delação premiada do sr. Antônio Palocci não tem credibilidade; já o conteúdo hackeado das mensagens roubadas, obtidas e/ou manipuladas à margem da lei, isso vale até para o Supremo Tribunal Federal (STF) usar em favor do Lula, o presidiário que prevaricou inúmeras vezes. 

MARCOS DE SOUSA CAMPOS

marcosscampos@hotmail.com

Peruíbe

Lamaçal

A delação de Palocci revela a “organização criminosa” do PT e propinas de R$ 333 milhões de empresas e bancos. Ainda estamos longe do fim desse poço de lama.

ROBERT HALLER

robelisa1@terra.com.br

São Paulo

Capivara

A delação de Antônio Palocci pode ser considerada um verdadeiro documento de antecedentes criminais do governo do PT. E se os seus inúmeros inquéritos contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) saíssem das gavetas empoeiradas do STF?

LUIZ FRID 

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

Frustração

Para minha surpresa, tomo conhecimento de que a ré Gleisi Hoffmann, que é deputada federal (PT-PR), foi autorizada pela Justiça a atuar como advogada do presidiário-mor de Curitiba, com direito a visitas diárias. Ela devia é ser julgada, e não ter seu processo postergado indefinidamente. Poderia até já estar numa cela, em vez de advogar.

LUIZ ROBERTO SAVOLDELLI

savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo

Ideologia de rapina

A pergunta que não quer calar: por que em toda manifestação pela educação o grito imperante é o mesmo, “Lula livre”? Todos sabemos da desonrada cátedra do presidiário, “fellow da corrupção internacional”, que bagunçou o País. Duro crer que haja docentes e discentes identificados com a ideologia de rapina do condenado “professor”, clamando por sua liberdade. 

CELSO DAVID DE OLIVEIRA

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

FINANÇAS PÚBLICAS

Maquiagem nos Estados

O gráfico publicado pelo Estadão de ontem (B4) sobre a maquiagem das contas nos Estados em 2018, para que não caíssem na Lei de Responsabilidade Fiscal, mostra que, além daqueles que já sabíamos estarem quebrados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, vários outros estão em via de quebrar. Entre eles os do Nordeste, justamente aqueles cujos governadores foram contundentes contra a reforma da Previdência nos Estados e municípios. Vamos dizer o quê? Que o País merece pagar essa conta? Porque o avalista dos quebrados é o povo, que não aguenta mais carregar a incompetência da administração pública.

BEATRIZ CAMPOS

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

Ninguém segura

Lamentavelmente, ninguém segura as despesas improdutivas e agressivas para a pobre população do País. Temos 13 milhões de desempregados, contas fiscais em frangalhos e deputados que já gastaram mais de R$ 100 mil em passagens neste ano. Não sei se é legal esse procedimento, mas com certeza é completamente imoral. Será que o Congresso Nacional não tem uma Comissão de Ética para frear essas barbaridades?

MARCO ANTONIO MARTIGNONI

mmartignoni@ig.com.br

São Paulo

ABUSO DE AUTORIDADE

Camila Turtelli, competente jornalista do “Estado de S. Paulo”, edição de 15/9, nos informa sobre a aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto que pune abuso de autoridade (Câmara aprova projeto de abuso de autoridade, 15/8, A4). Camila nos remete ao Senado o Império Romano, quando o senador Catão iniciava seu discurso com a sentença: “Delenda (destruam) Cartago”. As discussões na Câmara dos Deputados deveriam ser abertas pelo presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia, com outra sentença: “Destruam a Lava Jato”. Se o presidente sancionar essa lei, será só por distração, porque ele, do alto de sua prepotência, seria o primeiro a ser punido por abuso de autoridade. É evidente que haverá uma emenda que isentará o capitão, como também aos 11 togados do Supremo Tribunal Federal (STF). Estranho que os supostos alvos desse estranho projeto seriam políticos do alto clero dos Três Poderes. O País está numa crise em quase todos os setores, logo, o governo deveria ser o primeiro a ser punido. E o trabalhador brasileiro continuará fazendo o seu papel de cachimbo.


Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)


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AGOSTO

Câmara aprova, na calada e no escuro, projeto de abuso de autoridade, totalmente desfigurado do que havia sido exigido por milhões de brasileiros. Depois dizem que agosto é mês de cachorro louco. É mês dos porcos abusados e autoritários também! 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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LADEIRA ABAIXO

Projeto de abuso de autoridade promete inibir agentes da lei e confortar larápios da República. O Brasil segue descendo a ladeira com a anuência geral e irrestrita dos seus mais caros concidadãos. Para onde estamos levando este país?

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)


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GRATIDÃO

A aprovação da lei que diz em quais situações são definidos os crimes de abuso de autoridade, a meu ver limitando o poder das autoridades constituídas, vai acabar com várias investigações, deixando a polícia numa gigantesca saia justa. O Brasil, como sempre, um país de Terceiro Mundo, faz leis para um país de Primeiro Mundo. Com a aprovação do texto, com alguns parlamentares a favor, advogando em causa própria, e outros contra, de qualquer maneira, a bandidagem agradece.

Arnaldo Luiz de Oliveira Filho arluolf@hotmail.com

Itapeva


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DESCARAMENTO

Este projeto de abuso de autoridade, liderado por Rodrigo Maia e seus deputados, que deixa aberto a livre interpretação da lei, permitindo abuso dos incriminados em crimes, está cheirando maracutaia. Se o presidente Bolsonaro sancionar, já saberemos o motivo. É um descaramento este projeto.

Luiz Frid  luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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CONGRESSO NACIONAL

O Congresso Nacional (Câmara e Senado), que alguns diziam ter sido “renovado” a partir das eleições do ano passado, continua fazendo o que sempre fez: nada ou muito pouco, quando se trata de aprovar leis ou projetos de lei favoráveis à maioria da população. Atos contínuos naquela Casa, as intermináveis discussões, o uso indecoroso de câmeras e holofotes e, principalmente, das mordomias e da velha política – com seu toma lá dá cá – têm mostrado que numa relação custo-benefício o Congresso Nacional serve para muito pouco. Ou melhor, serve sim, para chancelar e carimbar o que quer o Executivo. Sejam reformas, sejam abusos de autoridade, seja o fim do Coaf, a volta de impostos do tipo CPMF, a prática do nepotismo e sabe Deus o que mais puder chegar por lá.

João Direnna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)


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SEM VERGONHA

Implementada a imoralidade, perpetua-se a impunidade. Desavergonhados aprovaram o tal “abuso de autoridade”. Só falta, agora, Bolsonaro sancionar tamanha indecência...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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ABUSO FLAGRANTE

Foi aprovado pela Câmara projeto de lei que visa a combater o abuso de autoridade. Estarrecidos, vimos o ministro Alexandre de Moraes suspender investigações da Receita Federal que atingiam ministros do STF, além de injustamente determinar o afastamento de dois funcionários da Receita. Ficou mais do que claro que os ministros faziam parte de um grupo de 113 contribuintes que, por alguma razão, apresentavam irregularidades e que constavam de uma relação elaborada segundo rígidos critérios técnicos e observando o “princípio da impessoalidade”. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, não havia qualquer indício de irregularidade. Não podia ser de outro jeito, é o típico exemplo do “faça o que eu digo”, mais um flagrante abuso de autoridade de membros do STF que, agora, depois da tentativa de censura à revista “Crusoé”, constrangem a atuação dos auditores fiscais da Receita, quando estes tentam realizar sua função de fiscalizar. A não ser que os ministros do STF não sejam considerados “contribuintes” como cada um de nós, meros mortais.

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro


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CABRESTO NA LAVA JATO

Depois que a Operação Lava Jato descobriu, processou e levou à prisão empresários corruptos, ela avançou contra o núcleo político que comandava a corrupção na Petrobrás, culminando na prisão de dezenas de políticos, entre eles Lula da Silva, o principal artífice do esquema que levou nossa mais famosa estatal ao vermelho. Após uma trajetória de sucesso contra a corrupção e o crime organizado, que recuperou alguns bilhões roubados, a força-tarefa chegou a um dos poderes da República, o Judiciário. Aí começaram os problemas. Após a divulgação de duas matérias pela revista “Crusoé”, uma apontando o ministro Dias Toffoli como beneficiário de uma mesada suspeita de R$ 100 mil repassada pela mulher e outra revelando que o nome do ministro constava na planilha de propinas da Odebrecht, a Lava Jato passou a ser atacada por ministros do STF, tendo um deles, Gilmar Mendes, tachado a cúpula da força-tarefa de “organização criminosa” – justo ele, um libertador de corruptos amigos. No complô contra a Lava Jato, vale até a legitimação de mensagens roubadas e adulteradas por criminosos empenhados em desmoralizar o ministro Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. A maior operação de combate à corrupção não deveria ter chegado ao Olimpo, onde deuses piaram acima de qualquer suspeita. Prova disso é que, agora, até o Conselho Nacional do Ministério Público reabriu processo disciplinar por suposto desvio de conduta contra Dallagnol, e a própria procuradora-geral da República, Raquel Dodge, embora aprove a continuação dos trabalhos da força-tarefa, adverte que procuradores devem atuar “dentro dos marcos da legalidade”, sob o risco de afastamento de suas atividades. Ou seja: investiguem suspeitos apenas na esfera terrena, onde mortais cometem todos os tipos de crimes; jamais as divindades de toga. Resumo: querem que a Lava Jato continue, sim, mas com cabresto e sob controle rígido daqueles que se julgam inimputáveis, mas tremem com a possibilidade de serem investigados.

Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo


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LAVA JATO TIC-TAC-TIC-TAC

Sabendo tudo o que se sabe hoje acerca dos poderosos “tubarões” corruptos que foram fisgados pela Operação Lava Jato, é um verdadeiro milagre que essa força-tarefa continue existindo, muito embora esteja com seus dias contados. Quem viver verá. Infelizmente!

Luís Fernando luffersanto@bol.com.br

Laguna (SC)


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POR QUE REABRIR?

Ainda não conseguimos concluir perfeitamente quem são os responsáveis – e, consequentemente, os verdadeiros motivos, além dos que já conhecemos –, com fortes e intensos interesses e empenho atroz, por tentar derrubar o coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol, e o procurador Roberson Pozzobon, reabrindo apuração contra ambos que já estava oficialmente resolvida e arquivada. Existem forças ocultas, pelo menos para nós, com grandes interesses de sepultar em definitivo a Operação Lava Jato e, simultaneamente, tirar de cena o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Ele é a grande pedra no sapato de todos os que devem ou estejam supostamente envolvidos em maracutaias.

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo


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VINGANÇA

A vingança contra um Power Point, da Lava Jato, fez surgir um hacker? E quem contratou e pagou?

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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VÍCIO

Em nota em defesa e contra o pedido de afastamento do membro do Ministério Público Delton Dallagnol, a Associação MP-Pró sociedade, entre outras coisas, assim se pronunciou: “Tolerar o afastamento de Delton Dallagnol, que simboliza o combate à corrupção, equivale a ser conivente com corruptos, com a cleptocracia, com a vitória do mal”. Continuando, afirma “(...) ser ilegal e inconstitucional o afastamento de Dallagnol com base em dados telemáticos ilicitamente obtidos, sem qualquer perícia que os comprove”. O problema aqui, no Brasil, é que a maioria se “autoviciou” com a corrupção e não quer acabar com ela, com as “negociatas”, isso em todos os segmentos políticos, administrativos, judiciais, governamentais, empresariais, etc., implantados pelos últimos “governos”.

Artur Topgian topgian.advogados@terra.com.br

São Paulo


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CONVERSAS HACKEADAS

Criticam o ministro Moro (quando juiz) de influenciar sua equipe nas decisões sobre processos de importantes infratores, tudo baseado em gravações arrumadas por hackers que hoje estão presos. Se algum hacker gravar conversas entre membros do STF, o povo tem certeza de que casos muito piores do que este aparecerão. O povo sabe que no STF tem líderes que tratam alguns colegas que são obedientes e que acatam sempre suas ordens. Que tal fazer uma eleição para o povo decidir quem é mais importante para a Nação, o ministro Moro ou alguns membros do STF? Aguardem a goleada!

Roberto Hungria cardosohungria@gmail.com

Itapetininga


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O DEVER DE PUBLICAR

Eugênio Bucci, em seu artigo de 15 de agosto (Por que repórteres não são ‘receptadores’, 15/8, A2), ao defender o legítimo direito (e até o dever) da imprensa de publicar notícias de interesse público, observa uma instigante questão: teria o jornalista do site Intercept cometido crime de receptação ao receber e publicar as gravações das supostas conversas de Sérgio Moro e procuradores, já que obtidas ilegalmente? De seu ponto de vista, não. Para fundamentar sua opinião, lembra que o artigo 180 do Código Penal determina que adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar coisa sabidamente ilegal é crime, mas que notícia não seria “coisa”, porque não é patrimônio particular de ninguém. Sendo de interesse público, teria necessariamente de ser publicada. Porém, há interpretação divergente sobre o significado da palavra “coisa”, que não se restringe a bens materiais ou de particular. O dicionário “Michaelis”, por exemplo, dá, entre outras, a definição da palavra como “tudo o que existe” ou “tudo aquilo que, com existência corpórea ou concebível pela inteligência, pode ser utilizado pelo homem e constituir objeto de direito”. Lembrando que a expressão “coisa julgada”, muito empregada na linguagem forense, não significa um bem patrimonial. Por outro lado, a supremacia do “interesse público” deve ser cuidadosamente analisada à luz da nossa Constituição, que dispõe também sobre os direitos individuais. Sendo um conceito um tanto vago, tem sido alvo da doutrina jurídica, que procura definir sua abrangência. Como será a interpretação dos nossos tribunais sobre a questão? Será interessante acompanhar.

Cely McNaughton cely.mcnaughton@icloud.com

São Paulo


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PARADOXO BRASILEIRO

O artigo Por que repórteres não são receptadores, do sr. Eugênio Bucci (15/8, A2), possibilita uma sequência não criminosa de reflexões de conteúdo criminoso e controverso amparo ético. Senão vejamos. Cometer crime de corrupção, retirar os recursos que deveriam ser aplicados em saúde e ocasionar a morte de milhares de crianças e idosos pode ou não pode? Não pode! Cometer crime para provar que houve crime de corrupção, contribuir para que os recursos voltem a ser aplicados em saúde e evitar a morte de outros milhares de crianças e idosos pode ou não pode? Não pode! Cometer crime por meio do “hackeamento” para obter as provas de que houve crime na comprovação de crime de corrupção pode ou não pode? Não pode! Ganhar muito dinheiro e notoriedade, e beneficiar criminosos contumazes e hediondos, utilizando informações obtidas de forma criminosa para provar que houve crime na comprovação de crime de corrupção pode ou não pode? Pode! Claro, neste caso, poder fazer algo pode e deve ser amparado em não poder fazer algo. Que cada cidadão cuide melhor de suas crianças e idosos. E, de quebra, que Epicuro substitua seu paradoxo divino por um paradoxo diabólico!

Aléssio Ribeiro Souto souto49@yahoo.com

Brasília


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A DELAÇÃO DE ANTONIO PALOCCI

Sobre a matéria Delação de Palocci revela ‘organização criminosa’ do PT e propinas de R$ 333 mi de empresas e bancos (“Estadão”, 15/8), data vênia, devemos confiar na delação de Palocci ou na fofoca do Intercept?

Moisés Goldstein mg2448@icloud.com

São Paulo


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SÉRGIO CABRAL NO SEMIABERTO?

Sérgio Cabral roubou mais de R$ 400 milhões do povo brasileiro, foi condenado a 216 anos de cadeia e noticiaram sua possível ida para o regime semiaberto. Quem está maluco: eu ou a Justiça brasileira?

  Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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HIDRA DE LERNA


Sobre a matéria Câmara aprova texto-base de MP que reduz burocracia e fixa regras para trabalho aos domingos (“Estadão”, 14/8), um mal que assolou o Brasil desde os tempos de colônia foi, é e continuará sendo a burocracia, que existe também pródiga na antiga origem, Portugal, coisa que conheci pessoalmente há não muito tempo. Houve, no Brasil, um Ministério da Desburocratização, do saudoso Hélio Beltrão, nos anos 80, que fez um importante serviço, desfeito nas décadas posteriores por burocratas, e hoje fica uma sugestão: a criação de um ministro fiscalizador permanente de burocracias, pois na prática este é o vício fundamental do funcionalismo público, assemelhado a uma Hidra de Lerna – quando se cortava uma de suas muitas cabeças, renascia outra, metaforicamente.

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)


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INSEGURANÇA PARA INVESTIR

Apesar das iniciativas e estímulos governamentais, a economia está custando para encorpar-se e deslanchar, indicando que os investidores continuam inseguros. Ao governo, convém aferir até que ponto as constantes “provocações” feitas pelo presidente causam insegurança aos investidores. Será que ele poderia ficar um tempinho sem fazê-las?

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


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INÚTIL

O saudoso Carlos Heitor Cony, em texto de 18/6/2018, publicado em jornal de grande circulação, criou um aforismo que resume de maneira magistral os ziguezagues da História desta nossa República, desastradamente proclamada há 130 anos: “Governar o Brasil não é difícil nem impossível: é inútil”. Realmente, o que se viu durante todo este tempo foi uma sucessão de mandatários eleitos ou ditadores que sistematicamente neutralizaram ou depreciaram o que de bom havia sido construído pelos antecessores, quebrando, assim, às vezes a um alto custo, a continuidade de projetos importantes que deveriam ser permanentes para serem realmente úteis. Resultado: uma série de voos de galinha, incapazes de criar atmosfera saudável que promovesse progresso verdadeiro.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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BRINQUEDO DE BOLSONARO

Nesta insensata aventura do nosso presidente de falar muito e falar o que não deve, porque tem preguiça de pensar, agora ele ganhou um novo brinquedo: atear fogo na crise argentina, com a possível volta do kirchnerismo ao poder.  Depois que profetizou que a Argentina, se Mauricio Macri não se reeleger no pleito de outubro próximo, vai se tonar uma nova Venezuela e seu povo, em desespero, vai invadir o Rio Grande do Sul, Bolsonaro recebeu dura crítica do candidato vencedor das prévias Alberto Fernandéz, e foi chamado de racista e misógino. E, demonstrando não ter outra preocupação com seu governo e o Brasil, o comandante do Planalto respondeu dizendo que Fernandéz e Cristina Kirchner são “bandidos de esquerda”. Mesmo que esteja certo, essa é uma prática diplomática ralé, que envergonha lá, no céu, Rui Barbosa. Porém, sob as barbas do pretenso profeta Bolsonaro, o Brasil está amargando nova recessão, impávido colosso, e mantém os 13 milhões de desempregados, outros 15,5 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza e 50 milhões sem água potável e sem esgoto coletado e tratado. Isso sem que a perspectiva de crescimento do PIB seja animadora.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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DERROTA NAS PRIMÁRIAS

Se aqui, no Brasil, houvesse também as eleições primárias para a presidência do País, como aconteceu na Argentina, certamente Jair Bolsonaro seria derrotado por uma larga vantagem. Afinal, sua dedicação é exclusivamente direcionada para emplacar Eduardo Bolsonaro na embaixada americana, e com muito “filé mignon”, conforme disse já, e o resto que se dane. Ora, será o Brasil amanhã a Argentina de hoje?

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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ARGENTINA

Muitos comentaristas internacionais acharam estranho quando os brasileiros elegeram Jair Bolsonaro como presidente sem nem sequer saber qual é seu programa de governo. Estavam certos! Ele não deve achar ruim porque os argentinos podem devolver a Cristina Kirchner a Casa Rosada, afinal, pelo menos eles sabem como ela é. Certo?


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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BRASIL E ARGENTINA

Anos atrás, se perguntassem sobre qualquer assunto referente a Política para um brasileiro, de qualquer classe, ele no mínimo titubearia para responder, e ainda assim superficialmente. A regra era não saber nada do assunto, e nesse quesito os argentinos me davam inveja com suas manifestações de rua ao som de bumbos, panelaços, seus gritos de guerra, suas opiniões incisivas, politizados até a raiz dos cabelos. Infelizmente, eram massa de manobra dos peronistas, coisa que eu ainda não enxergava. Aqui, a esquerda tentou fazer o mesmo em 2013, manobrando o povo para as ruas, oficialmente para protestar contra um aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus; mas, inesperadamente, o povo saiu do controle e aquelas multidões despejaram toda a revolta acumulada contra um governo podre que se sustentava por meio da corrupção e do assalto ao erário. Foi um espetáculo de cidadania inédito neste país. De lá para cá, muita coisa mudou, o brasileiro conversa sobre política com intimidade no assunto, sabe o nome até dos ministros do STF – algo impensável há alguns anos. Sabemos o que queremos e sabemos por que queremos. Recentemente, fomos às ruas batalhar pela aprovação da reforma da Previdência Social, cientes de que era algo necessário e inadiável, e não sei de outro país cujo povo tenha feito o mesmo por um assunto tão tóxico. E se precisar vamos às ruas pela reforma tributária, a trabalhista e pela reforma política, também. Enquanto isso, os argentinos, cegos, patinam na ladeira do peronismo kirchnerista, que os levará fatalmente a um destino igual ao da Venezuela. “Lo siento, vecinos, qué desastre!”

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo


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A VOLTA DO POPULISMO

A culpa do retrocesso, populistas no poder, é do governo atual – vide Argentina. Começar a governar e falar menos é a solução, senhor presidente.        

Itamar C. Trevisani itamartrevisani@gmail.com

Jaboticabal


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ELEIÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS

Recente estudo divulgado pelo Brennan Center for Justice indicou a repetição de uma anomalia nos dados divulgados pelo Election Assistance Commission (EAC) nos Estados Unidos. No período de 2014-2016 foram excluídos 16 milhões de eleitores cadastrados e no período de 2016-2018, 17 milhões. Normalmente, a atualização entre as eleições ocorre com a exclusão dos eleitores que faleceram e dos que se mudaram para outros Estados. Entretanto, estes números estão muito acima dos registrados na década anterior. Os dados coletados indicam que eleitores ativos também estão sendo excluídos. Este fenômeno começou quando a Suprema Corte enfraqueceu as proteções do Voting Rights Act, de 1965, com a decisão Shelby County versus Holder, em 2013. Estados controlados por republicanos têm modificado várias regras para não permitir o voto de minorias. Por exemplo, exigir a comprovação de endereço residencial e, assim, excluir todos os votos de nativos americanos que moram em reservas indígenas. Este fenômeno de exclusão do voto tende a se repetir no período de 2018-2020 e poderá impactar diretamente no resultado da eleição presidencial, em favor da reeleição de Donald Trump.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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DE COSTAS PARA A SOCIEDADE

No excelente artigo de Carlos Alberto Di Franco (Políticos de costas para a sociedade, 12/8, A2), ele aborda o fulcro da questão: o Brasil real está apodrecendo, não é só o município de São Paulo. Talvez, por respeito aos colegas, ele limitou o título do artigo. O correto seria: “Políticos e jornalistas de costas para a sociedade”. As duas classes parecem viver de memórias de tempos nos quais só estas duas classes se locupletaram. O resto do País submerge num pântano deixado pela classe política representada principalmente pelo PT e uma ignominiosa conivência da imprensa, que ao longo de 16 anos jamais exerceu a crítica contumaz que exerce agora. Crítica sem a devida consulta ao povo nas ruas muito bem aludida por Di Franco. E o Brasil que se exploda!

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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O DEDO NA FERIDA

Cumprimento o jornalista Carlos Alberto Di Franco (12/8, A2). Disse tudo, colocou o dedo na ferida. Queremos este jornalismo por ele descrito, e não o jornalismo ideológico, que é o que toda imprensa escrita, falada e televisiva faz hoje.

Pedro Augusto Sanchez pedro.sanchez@uol.com.br

São Paulo


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NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO

Com escolta, o carro oficial do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, vem transitando pela Avenida Niemeyer, legalmente fechada desde maio de 2019, em razão da iminência de perigosos deslizamentos na encosta. Afora a multa de R$ 120 mil aplicada aos cidadãos que descumprirem a decisão judicial, longe de maus agouros (“toc, toc, toc”), indago se, por uma infelicidade temporal algum deslizamento atingir o senhor prefeito num de seus desrespeitosos deslocamentos, a família sairá às ruas exigindo justiçamento pela desídia da prefeitura no trato da coisa pública? Não vale dizer que o alcaide estava a serviço, inspecionando as obras em andamento, hein!

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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SAÚDE E IMPOSTO DE RENDA

Quase que diariamente o assunto “gastos com saúde versus Imposto de Renda” vira notícia. Por vezes, dizem que vão limitar o teto de abatimento das despesas de saúde do cálculo do Imposto de Renda; outra vez dizem que vão proibir, e por aí vai. Então, gostaria de saber se o pastor Marco Feliciano, que torrou R$ 157 mil do nosso dinheiro para tratar de bruxismo e teve o reembolso aprovado por seus colegas da Câmara dos Deputados, caso continuem em vigor as regras atuais, se tal montante vai ser abatido para cálculo do Imposto de Renda. Aliás, estendo esta pergunta para ver se alguém sabe se toda despesa médica de nossos políticos, que não tem limite de gastos e por nós é bancada, é abatida do cálculo do imposto a ser pago.

Luiz Roberto Savoldelli savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo

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